Acabei de voltar de uma viagem dos sonhos.

Parece chavão dizer isto, principalmente em tempos de limitados caracteres e oversharing. Ou exagero, já que tecnicamente a cada viagem estamos realizando pequenos sonhos. Mas é que não consigo achar outro termo melhor para classificar esta viagem que André e eu fizemos pela África do Sul e Namíbia, nas últimas semanas.

Porque foram diversos sonhos realizados. O nosso sonho comum de mergulhar com o tubarão branco – ou melhor falando, os tubarões brancos.

O sonho do André de fazer o Sardine Run.

O nosso sonho de ver os Big Five land animals em seu habitat natural.

Viagem dos sonhos

O meu sonho de 30 anos de conhecer as dunas vermelhas do deserto da Namíbia.

Todos estes eram sonhos muito altos na nossa listinha particular de desejos. E concentrá-los todos em uma só viagem foi complicado, mas conseguimos fazer – e tivemos que aprender na marra a lidar com uma inundação de emoções indescritíveis a cada segundo na estrada. Foi inesquecível.

(E – aviso aos navegantes – pode ser viciante. Muito cuidado ao lidar com sonhos…)

Entretanto, já estou de volta em casa. Desempacotando as malas da malla. Reconectando com a rotina nossa de cada dia. Mas algo mudou.

A conexão maravilhosa e tão próxima com o mundo natural que esta viagem proporcionou foi única, e ainda estou digerindo para tentar explicar a mim mesma. Semanas sem pensar nos problemas do mundo ou na treta do dia, apenas ouvindo e compartilhando histórias olho no olho, aprendendo um admirável mundo novo de informações e criando espaço na mente para sonhar mais e mais.

Aos poucos, contarei aqui as diferentes histórias e dicas desta viagem dos sonhos. Espero poder compartilhar no blog este sentimento nascente da maneira mais fiel possível, para quem sabe inspirar outros a também sonharem com este pedaço do mundo tão especial. Por enquanto, entretanto, ainda estou com o coração pulsando no ritmo dos tambores da África, tendo que aprender a lidar com este sentimento novo, de plenitude da alma. De felicidade pelos poros. De sonho realizado.

Tudo de bom sempre.

A semana mais tubaronística da TV começa no domingo, eeeeeeee!!!! E este ano, parece que a programação está bem melhor, sem as engambelações que (des)caracterizaram anos anteriores.

Shark Week is coming

Olhando o que vem por aí, a maior diversão parece que vai ser a “corrida” entre um tubarão branco e o nadador mais veloz do mundo, Michael Phelps – a ver…

De qualquer forma, já comprei minha pipoca – e os ingredientes para alguns shark attacks… E que venham os tubarões!!!

Tudo de Shark Week sempre.

 

Postado em 21/07/2017 por em Tubarões, TV

Chasing Coral

A partir de hoje, 14 de julho de 2017, o Netflix passa a oferecer em seu catálogo o documentário Chasing Coral, que resenhei a alguns meses aqui no blog.

Do mesmo diretor de “Chasing Ice”, desta vez as câmeras em time-lapse se aventuram submersas pelos recifes de corais do planeta. Não posso deixar passar em branco esta recomendação. Assistam. Compartilhem. Comentem. Divulguem.

O documentário é emocionante. Para mim, junto com Chasing Ice, estão no top 10 de filmes mais impactantes sobre mudanças climáticas. Não sei como vocês receberão a mensagem deste filme, mas eu chorei litros. Por isso, deixo aqui na Sexta Sub este lembrete – e o lembrete de uma foto mostrando como um dos recifes de corais mostrados no documentário “era feliz e não sabia” até pouco tempo atrás.

Chasing Coral no Netflix

Airport Reef (Samoa Americana) em dias saudáveis.

Não deixe de assistir. No Netflix mais perto do seu sofá. 🙂

Tudo de bom sempre.

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Trailler oficial do Netflix, abaixo.

Amanhã, dia 14 de julho, é Dia da Consciência pelos Tubarões – mais uma destas datas que sabe-se lá quem cria mas que a gente se diverte participando.

Dia da consciência pelos tubarões

Esta, claro é uma data especial para esta Malla que vos fala, já que venho enchendo o saco comentando sobre os problemas de conservação dos tubarões desde o início deste blog, já há quase 13 anos.

Mas… o que fazer numa data dessas se você não vai mergulhar com tubarões, ou seja, admirá-los de frente?

Simplesmente respeitar este grupo animal e a casa onde eles habitam, seus mares, já seria um bom primeiro passo. Ou pros mais engajados/interessados na causa, talvez participar de ONGs e campanhas de proteção e consciência dos tubarões. Mas é pro cidadão comum, que tem outras preocupações e urgências mais cruciais no dia-a-dia, que vai minha dica única do que você pode realmente fazer para ajudar a disseminar consciência pela ameaça aos tubarões:

Diga não à carne de cação. 

Fácil, né? Então… valendo! 😉

Tudo de tubarões sempre.

 

Postado em 13/07/2017 por em Tubarões

A foto abaixo, de autoria do André, está inclusa no riquíssimo livro “Rios do Brasil – História e Cultura”, de autoria de Evaristo de Miranda e João Meirelles Filho, lançado pela Editora Metalivros no ano passado. Muito além de ser um coffee table book, é um compêndio fotográfico, histórico e social sobre a importância dos rios para nosso país, o papel central que têm na economia e na construção cultural da sociedade brasileira. O trabalho é de qualidade suprema e quase enciclopédico, com uma riqueza de detalhes e perspectivas incríveis.

Rios do Brasil

No capítulo “Rios e abastecimento”, outra foto do André, desta vez mostrando a usina hidroelétrica de Itaipu, e comentando detalhadamente sobre sua importância para a economia do Brasil.

Há outras fotos do André e de outros fotógrafos gabaritados no livro, como o Luciano Candisani. Minha sugestão é: se você se interessa pelo tema, ou quer aprender um pouco sobre o valioso patrimônio que são os rios do Brasil, não deixe de comprar esta obra-prima. Vale cada centavo. O livro está à venda nas melhores livrarias do país.

Tudo de bom sempre.

Achei esta pérola do cinema mudo na Hawai’i Magazine: o curta-metragem antigo “The Hawaiian Islands”, de ~9 minutos sobre uma viagem ao Havaí em 1924, saindo de San Francisco. Um snap sensacional da vida pacata e das paisagens menos lotadas de um Havaí que é só história.

O filme está no Arquivo Nacional americano, e reflete um Havaí ainda território, quando o surfe era grande diversão, o Kilauea estava em erupção, os japoneses eram os donos do comércio e o abacaxi era o produto mais importante da economia local, enlatado e exportado para os EUA. Ou seja, as mudanças não foram tão profundas, né… Tirando o abacaxi, que hoje deu lugar ao turismo (japonês em sua maioria), e o comércio local que hoje está dividido entre chineses, caucasianos e filipinos.

Em 1924, entretanto, Waikiki, a atual meca do turismo, não tinha nenhum arranha-céu, mas já dava suas primeiras respiradas para se transformar no que conhecemos hoje. Os hotéis mais antigos que ainda existem, o Moana e o Halekulani, são respectivamente de 1901 e 1917, portanto já começando a se estabelecer, enquanto o Royal Hawaiian foi inaugurado apenas em 1927, três anos depois desse filme.

Além disso, é incrível ver as cenas das pessoas andando tão perto da lava – e sem nenhuma grande proteção ou preocupação com isso. Pulando entre as rachaduras do terreno, sem medo de ser feliz. A filmagem da lava mostra que o cinegrafista deveria estar beeeem perto, o que é altamente não-recomendado nos dias de hoje.

1924

Esta foto, de uma plantação de arroz no meio de Waikiki (!!!) em 1933, está em exposição no restaurante Highway Inn em Honolulu.

Mas o que mais curti conhecer neste filme foi o trem que cruzava pela ilha e levava ao North Shore – hoje substituído por rodovias. Que delícia seria se o trem voltasse, já pensou? Passar um dia no North Shore ficaria mais divertido ainda. (E aliviaria o trânsito… #foodforthought).

Enfim, deixo esta pérola do cinema mudo de 1924 aos amigos que me acompanham e que também curtem Havaí de qualquer jeito, inclusive os de tempos idos. Enjoy. <3

Tudo de aloha sempre.

Estou viajando. A caminho de um destino novo, para ver e conhecer amigos especiais. Uma viagem de longa e cansativa, há 20 anos de distância – um sonho a se realizar. Enquanto estou neste traslado cheio de emoção, será que você se importam de cuidar só um pouquinho dos tubarões do blog? 😉

Viajando

Desde já, a casa agradece. 🙂

Tudo de sub sempre.

Estamos na Museum Week, a Semana dos Museus, e para celebrar resolvi contar aqui um segredinho super-mal-guardado que tenho: o meu pequeno museu favorito do mundo. Que é o Bauhaus-Archiv Museum of Design. <3

Bauhaus Archiv

(Parênteses: Essa coisa de museu favorito é um pouco injusta, né? Porque é claro que o D’Orsay, o MoMa, o Tate, o Pergamon e afins são über-ultra-super-sensacionais, completos, e a maioria das pessoas vai terminar escolhendo um deles para ser seu favorito. Mas aí esquecem dos milhares de pequenos e médios museus, bem mais focados e de ambição mais modesta, que pincelam e celebram aspectos específicos da nossa vida. Não dá para comparar um museuzão de tudo com um pequeno museu aconchegante. A proposta é muito oposta. Então com este post queria também deixar registrado meu viva aos pequenos museus e galerias tão igualmente importantes que nos dão momentos singelos pelas esquinas do mundo. Fim do parênteses.

Quando morei próxima a Berlin, em 1997, um dos meus pontos prediletos de descanso e contemplação era no jardim próximo ao Bauhaus Archiv – e ficava olhando sua torre colorida e suspirando. Na época, xóvem ainda, eu me achava “a” intelectualóide pretensiosa da arte moderna e queria engolir e digerir tudo que a escola da Bauhaus trouxe ao mundo. Li livros e mais um monte de artigos, devorava filmes do tema e conversava muito com meus amigos da arquitetura, viajando na maionese sobre a Escola Bauhaus. (Sim, eu gostava do Bandeira e da Bauhaus, e de Van Gogh mas nunca engoli os Mutantes e Rimbaud me cansava. #EduardoeMônicaFeelings)

A torre colorida. <3

Então quando me mudei para Berlim e entrei pela primeira vez no Bauhaus Archiv, era a realização de um sonho há muito cobiçado. Ver as obras de Kandinsky e Klee, que emoção. As cadeiras, gente! Tudo emocionante. Passei inúmeras tardes ali, absorvendo cada centímetro da modernidade inorgânica que ele exalava.

Mas aí a gente cresce e (dizem) amadurece – nem sempre um processo de ângulos agudos como as construções da Bauhaus. E a funcionalidade pregada pelo movimento parece que floresce cada vez mais. Já não sou mais a intelectualóide de outrora; hoje tenho absoluta certeza da minha profunda ignorância sobre os meandros da arte. Ainda aprecio muito tudo que envolve arte, mas seu valor subjetivo agora é o que prevalece, mais do que sua importância em contexto artístico, histórico ou whatever.

De modo que em 2013, quando voltei a Berlim, já num outro momento do meu ~relacionamento~ com a Bauhaus, fiz questão de me hospedar por alguns dias pelo menos num hotel próximo ao museu, o Berlin Berlin. E apreciar o máximo possível a torre colorida da Bauhaus. Claro, fui algumas vezes ao museu, rever aquele espaço que tanto me abrigou em tardes descontraídas do passado. Fiquei horas no café, sentada e lendo.

O famoso telhado, marca registrada do Bauhaus-Archiv de Gropius.

O Bauhaus Archiv continuava o mesmo, pequeno, lindo, colorido, inorgânico e inspirador. Cheio de obras imortais. Depois de caminhar por seus corredores, apreciar mais uma vez as peças e móveis tão “simples” e incríveis que influenciaram quase tudo que houve depois no design e na arquitetura, saí do Bauhaus-Archiv mais leve. Ele ainda era meu pequeno museu favorito – pela viagem de vida que me instigou.

Eu mudei. Mas a admiração pela arte moderna de linhas retas e simplificadas que este pequeno museu invocou em mim, felizmente, continua a mesma. A Bauhaus significou mais que um momento da minha vida; passou a ser o que provavelmente Walter Gropius, seu criador, almejava: a arte pela arte, abrangente, sem amarras, simples assim. O contexto mudou. Mas o Bauhaus-Archiv ainda está lá, num lugar aconchegante das vivências quentinhas ao meu coração. Pretendo voltar sempre.

Tudo de bom sempre.

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Para viajar mais:

  • O museu no momento está aberto, mas em processo de renovação para as comemorações dos 100 anos da Bauhaus em 2019. Um novo prédio será acoplado ao antigo do Gropius. Já estou curiosa por antecipação!
  • O Bauhaus-Archiv fica aberto das 10:00 às 17:00 todos os dias, exceto às terças. Custa 8 euros para entrar. Não vá apenas para “ticá-lo” de sua lista – mergulhe nele. A visita bacana para quem não tem uma fixação emocional com o lugar, deve levar menos de 1 hora – nunca consigo ficar menos de 2 horas, entretanto. 😀
Postado em 21/06/2017 por em Alemanha, Europa

17 de junho de 2017. Um dia histórico para a cultura havaiana.

Neste dia, a tradicionalíssima canoa Hōkūle’a atracou de volta à marina em Honolulu, vinda de uma expedição de 3 anos navegando ao redor do mundo sem o auxílio de instrumentos, apenas lendo as estrelas, o mar e os pássaros. Parando em 23 países pr mais de 60.000 milhas náuticas e espalhando o legado da rica cultura polinésia por onde passava.  Mais que isso: comprovando que os polinésios ancestrais tinham capacidade mais que suficiente para navegar pelos sete mares – e provavelmente o fizeram. Um feito simplesmente incomparável.

A jornada do Hokule’a chamou-se “Mālama Honua” – falei antes aqui no blog sobre este projeto lindíssimo de conservação e mensagem ambiental pelos oceanos que foca em cuidar da “Ilha Terra”. Mensagem humanitária, de união, coragem e empoderamento dos povos indígenas em torno deste planeta que vem carecendo tanto de mais respeito.

A jornada começou, na realidade um ano antes da saída do Hokule’a pelo mundo: Hokule’a ficou um ano em 2013 navegando entre as ilhas havaianas, com a missão de reconectar as diferentes comunidades havaianas nativas com sua culture, seu espaço e importância no contexto mundial; e conectar estas mesmas comunidades com o objetivo do Mālama Honua. Eu estava lá, no dia que esta jornada começou, acompanhando com sorriso nos olhos. Até então, tudo era um sonho – que começava a virar realidade.

Em 2014, Hokule’a começou então sua jornada pelo mundo.

Lembram que semana retrasada eu comentei sobre pontos de esperança nos oceanos? Pois nos últimos 3 anos, as newsletters do Hokule’a eram um destes pontos de esperança no mundo virtual, que me davam a sensação de que um futuro melhor é possível para as futuras gerações, apesar de todos os pesares ambientais que vivemos. A cada semana, uma atualização recheada de orgulho, realização e empoderamento. A cada semana, uma etapa cumprida.

Nos 23 países e territórios que visitou, sempre a missão de conectar-se aos grupos indígenas e ao ambiente que os cerca; sempre uma lição de como somos todos humanos, e como nossas diferenças na realidade nos fortalecem. Nestes tempos difíceis em que a intolerância permeia todos os níveis de discussão, ler estas newsletters se tornaram meu recanto confortável, onde eu recarregava baterias. Só por isso, eu já tenho muito a agradecer a todos do projeto.

Hokule'a

Okeanos, das Ilhas Marshall.

Mas aí chega o sábado 17 de junho e Hokule’a finalmente atraca em Magic Island, na ilha de Oahu. Para o fim desta jornada, dezenas de milhares de pessoas se apinharam às margens do canal de Ala Wai, inclusive alunos de todas as escolas da ilha. A cerimônia de chegada foi lindíssima, com 4 canoas havaianas tradicionais (“wa’a”) entrando primeiro. Depois a canoa tradicional Okeanos das Ilhas Marshall, país micronésio que compartilha com o Havaí a herança navegadora pelo Pacífico, e a trajetória de desprezo por décadas da cultura de navegação por estrelas (que quase morreu!) e onde um ressurgimento emocionante desta arte/conhecimento vem acontecendo.

Em seguida chegou a canoa Fa’afaite, do Taiti, entrou no canal de Ala Wai, e senti um arrepio na espinha: as duas nações navegadoras polinésias juntas, num simbolismo incrível da força que estas culturas têm para nos ensinar.

Hikianalia, a canoa-irmã.

Logo depois que Fa’faite chegou, entrou a canoa-irmã Hikianalia, que navegou pelo Pacífico espalhando a mensagem de ciência e sustentabilidade para que se construa um futuro melhor, estimulando tecnologias limpas e esperança. Quando o Hikianalia entrou pelo canal, eu já estava com meu coração parecendo que ia sair do peito de tanta emoção.

E aí… chega a canoa Hōkūleʻa. Não consegui segurar mais a emoção e as lágrimas rolaram. Todo o simbolismo desta canoa, desta jornada linda de empoderamento dos povos nativos do Pacífico (yes, they can!), do quanto precisamos cuidar desta Ilha Terra em que vivemos, tudo isto veio à cabeça quando as cordas do Hokule’a se amarraram no píer.

Hokule’a estava, finalmente, depois de tantos mares, de volta a sua casa. Ao seu povo.

As festividades continuaram pelo dia, homenageando todos que navegaram com o Hokule’a – numa demonstração enorme do poder da coletividade, houve centenas de tripulantes, capitaneados pelo lendário Nainoa Thompson, o maior navegante polinésio da atualidade. A tripulação foi recebida ao som de cantos havaianos tradicionais com todas as honras por dignatários, celebridades locais e, principalmente, pelo povo havaiano.

Hokuleʻa

Na ansiedade da chegada da canoa Hokule’a.

Ao sair dali, senti-me mais leve. Uma enorme inspiração. Uma incrível gratidão por participar deste momento de sonho realizado tão especial da cultura polinésia, que tanto adoro. Esperança, enfim.

Mahalo, Hōkūleʻa.

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Para viajar mais no Hokule’a:

  • O antropologista Ben Finney, da Universidade do Havaí, foi o primeiro a desbancar a teoria de que os navegadores polinésios ancestrais cortavam os mares a esmo. Sua hipótese de que os polinésios sabiam para onde iam e tinham um objetivo exploratório em suas jornadas foi confirmada quando Hokule’a, em sua primeira viagem em 1976, conseguiu fazer o trajeto Havaí – Taiti. Ele foi o grande articulador da construção da canoa Hokule’a, ainda na década de 70. Infelizmente, faleceu alguns dias antes de vê-la triunfar em sua volta ao mundo.
  • Resenhei há alguns anos um ótimo livro chamado “Eddie Would Go” que conta um pouco sobre a tragédia da segunda viagem do Hokule’a em 1978, quando a canoa virou ainda em águas havaianas e o surfista-mor Eddie Aikau pereceu no mar. Fica a dica a quem quiser saber um pouco mais desta história.

Em Kona, na Big Island do Havaí, um mergulho que tem se tornado cada vez mais popular é o mergulho autônomo em “black water“, ou seja no breu do mar à noite. O mergulho é oferecido por algumas poucas operadoras, como a Big Island Divers e a Jack’s Diving Locker. Como o nome já diz, é um mergulho que te faz encarar a escuridão total do mundo sub marinho – e todos os plânctons e pequenos crustáceos bioluminescentes/ coloridos que de repente ficam visíveis ao seu redor na água quando você acostuma seus olhos ao preto profundo.

O objetivo deste mergulho em black water é ver a vida microscópica que a gente não nota de dia, como as diferentes espécies de plâncton e ctenóforos. O mar fica então como se pequenos vaga-lumes estivessem acendendo sua escuridão. Mas é claro, estando no meio do mar, há probabilidade de que animais maiores sejam atraídos para o ponto de mergulho – e de repente você está na sua e dá de cara com um tubarão curioso na sua frente. Raro, mas acontece, principalmente porque ali em Kona o mar é prolífico em espécies pelágicas.

A logística do mergulho é simples. Você sai de barco do píer à noitinha e vai até um ponto afastado da costa, onde a profundidade é gigantesca – ou seja, uma área pelágica mesmo. No local de descida do mergulho, você é amarrado a uma corda de mais de 20 metros, e durante o tempo embaixo d’água você estará o tempo inteiro conectado a ela – mas você não afunda muito, se ficar a uns 15 m já é suficiente para ver bastante vida. A iluminação de lanterna é bem fraca, para que você consiga ver o máximo de bichos e algas transparentes coloridas. A visibilidade em Kona costuma ser sensacional, mas você estará no breu de qualquer forma, então esta variável não importa tanto…

A água-viva ganha um tom fluorescente na escuridão do mar.

Duas coisas acontecem então: primeiro, você praticamente fica parado, apenas em movimento vertical durante o mergulho, o que à noite gera frio; portanto um wet suit grosso é mais que necessário. Segundo, você está ao sabor da maré, indo para onde a corda te leva – e por causa deste aspecto, o mergulho em si é seguro e super-tranquilo para quem tem experiência embaixo d’água. Lógico, é um mergulho altamente desaconselhável para quem tem medo do escuro, ou de mar aberto, ou pior ainda, de ambos.

Mas, para quem encara um pouco de adrenalina no breu e tem curiosidade pelo universo micro, acho que esse mergulho será uma oportunidade única no mundo. Palavra de Malla. 😉

Tudo de sub sempre.

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