Talvez uma das características mais inesperadas que percebemos ao visitar da ilha de Wallis no sul do Pacífico foi a quantidade enorme de igrejas – e, mais relevante, sua bizarra arquitetura. Já sabíamos que o país era fervorosamente católico, das ilhas mais religiosas do Pacífico, mas confesso que não esperava ver tantas igrejas suntuosas num pedaço de terra tão pequeno.

Igrejas de Wallis

Catedral de Nossa Senhora de Assunção, em Mata-Utu.

Na ilha de Wallis, encontram-se 26 igrejas, catedrais e capelas, a maioria neste estilo único de blocos pretos com reboco branco – alguns chamam de neo-romanesco, mas longe de mim inferir se esta designação é correta mesmo… Um habitante de Wallis com quem conversamos nos disse que o estilo mais parece de alguém que tentou fazer arte mas sem o conhecimento de engenharia necessário. Não sei, o fato é que as igrejas chamam a atenção, pelo seu tamanho, sua imponência e por esse estilo característico que não vemos em outras áreas do Pacífico.

Neste post, deixo apenas as fotos de algumas das igrejas católicas que vimos em nossa passagem por lá em 2011, para vocês apreciarem.

Igreja de São Pedro e São Paulo

Igreja do Sagrado Coração.

Igreja de São José, em Malaefou.

Catedral de Mata-Utu.

Tudo de bom sempre.

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– A quem interessar: há este vídeo muuuuito boring no youtube com as igrejas de Futuna.

Mais sobre Wallis & Futuna

Hoje começa a janela de intervalo para o Pipe Masters 2017, que coroará não só o campeão mundial e surfe de 2017 como o vencedor da Coroa Tríplice do Havaí. A competição ocorre nas ondas perfeitas de Ehukai Beach – ou Banzai Pipeline, a meca do surfe mundial.

John John tem as melhores chances para ganhar.

A disputa do título mundial está acirrada, entre John John Florence (Hawaii), Gabriel Medina (Brasil), Jordy Smith (África do Sul) e Julian Wilson (Austrália). Confesso que meu coração está dividido. Ao mesmo tempo que gostaria de ver o brasileiro levando, também queria muito ver o Jordy Smith ganhando, que tem um surfe de excelente qualidade. Julian Wilson é o que tem menos chance, mas ainda assim pode surpreender. Já John John… joga em casa, com torcida e pontuação a seu favor – em termos de probabilidade, é o que tem maiores chances de levar o título. Exciting!!!

O intervalo para que a competição ocorra este ano vai de 08 a 20 de dezembro. De acordo com o Surfline, tem um swell grande chegando amanhã – o que pode significar o início da competição já neste fim de semana! \o/

Gabriel Medina é o Brasil no Mundial 2017.

E aí, quem vamos ver esta final de copa do mundo no Havaí? 😀

Tudo de surfe sempre.

Dezembro é um mês agitadíssimo no Havaí, e um dos responsáveis por este agito todo é a Maratona de Honolulu, que ocorre no segundo domingo do mês. A Maratona de Honolulu é considerada uma das mais importantes dos EUA, a 4a maior em número de participantes (~30.000!) e faz parte do circuito de treinamento dos atletas de elite do atletismo mundial. Gente do mundo inteiro vem para correr pelas ruas da cidade e prestigiar o evento. Os hotéis lotam, os restaurantes ficam completamente cheios e a animação esportiva é contagiante em Waikiki.

Maratona de Honolulu

O percurso da maratona é bem cênico. Começa em Ala Moana, corta o downtown Honolulu, depois passa pelas ruas de Waikiki, sobe contornando o vulcão Diamond Head (considerado o pior trecho da maratona, de subida e quando o sol já começa a aparecer), vai até Hawaii Kai (quase em Hanauma Bay) e volta até Waikiki perto do Zoo, onde fica a linha de chegada.

Para quem como eu não corre nem 1000 metros, ou para quem corre por diversão/realização pessoal – e não para competir – o dia da Maratona é um momento especial de festa. Que começa cedo, mais precisamente às 4 da manhã, quando a multidão começa a se aglomerar na linha de saída em Ala Moana. Todo mundo na cidade fica sabendo quando foi dada a largada da Maratona por um motivo simples: às 5 da matina, ocorre uma gigantesca queima de fogos do ano no Havaí – talvez maior até que o 4 de Julho ou o Réveillon.

Em geral, se tenho algum amigo ou amiga correndo na maratona naquele ano, costumo ir até o parque de madrugada para prestigiar, dar uma força da calçada. E os espero na linha de chegada.   (Não espere vaga para estacionamento – costumo deixar o carro bem longe e andar MUITO. Sapato confortável é fundamental.) Uma galera fica na pipoca do percurso, incentivando os corredores, uma farra só. O que mais gosto de ver são os “times” que correm juntos e a galera que vai fantasiada das coisas mais bizarras possíveis. Como não-corredora, admiro muito mesmo a coragem e a força física e mental dos participantes, e gosto de prestigiá-los.

A segurança no local é super-alta – por causa do ataque na maratona de Boston em 2013, todo o batalhão policial fica em alerta durante o domingo de maratona, por todo o trajeto. Para quem vai assistir, sugiro não levar bolsas porque os policiais interpelam diversas vezes para inspecionar.

Todos os corredores recebem uma camiseta, uma medalha e – estamos no Havaí, né – um lei de conchas. <3

Em geral, à medida que os corredores vão cruzando a linha de chegada e a galera vai dispersando, os restaurantes e barzinhos à beira-mar começam a lotar, com as celebrações diversas dos participantes. Nos anos em que fui, sempre rolava depois da corrida uma rodada especial de cervejas para os amigos vencedores que conseguiram completar o hercúleo trajeto. Alguns bares dão descontos aos maratonistas – vale também ir de bar em bar, vendo onde a festa está mais animada.

Chuveirada pós-maratona para os participantes para aliviar o calor havaiano de dezembro.

De qualquer forma, deixo aqui a dica para quem visita o Havaí em dezembro: não deixe de ver a Maratona. Mesmo que você não conheça ninguém, garanto que vai se contagiar pela animação local, pelo clima de “aloha running” nas ruas da cidade. É diversão gratuita e certeira.

Tudo de bom sempre.

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Postado em 05/12/2017 por em Esportes, Havaí, Oahu

Não é novidade alguma que gosto de fazer no blog reflexões e indagações sobre os rumos da indústria do turismo. De turismo sustentável e seu preço, passando pelas responsabilidades do turista e o peso da China para o futuro da indústria de viagens, de vez em quando organizo minhas mallices em um post. Por ser um tema que me interessa bastante, fiquei curiosa quando recomendaram, num grupo de facebook de que participo, o livro “Overbooked – The Exploding Business of Travel and Tourism”, de Elizabeth Becker. Overbooked

(A recomendação veio junto com a dica de uma entrevista da revista Trip que a Gaia Passarelli fez com a autora Elizabeth Becker, entrevista esta que também recomendo com força. A entrevista é beeeeem diferente do livro, um complemento ao livro.)

Elizabeth é uma jornalista premiada, portanto o livro é uma compilação jornalística das suas pesquisas e observações sobre o turismo. E são muitas pesquisas: dados, estatísticas, entrevistas com pessoas do trade, de NGOs e do governo, trabalhos de campo. A partir desta pesquisa, expõe uma miríade de aspectos e facetas de alguns destinos fortes (e exauridos) pelo turismo, como Veneza e a França, e analisa detalhadamente alguns tipos de turismo polêmicos, como o turismo médico na Tailândia, México e Filipinas, o turismo sexual  no sudeste asiático, o dark tourism que incentiva visitas a locais de genocídios e afins, e principalmente o turismo de massa, representado pelos cruzeiros no Caribe, pela China e pelos EUA, e o turismo artificial dos Emirados Árabes. Usa estes exemplos para montar um panorama global muito profundo da indústria.

O livro é excelente. Mas fica bem claro onde está o expertise da autora e onde ela está apenas arranhando a superfície do assunto. Ao falar em um capítulo sobre as hordas de turismo em Siem Reap e Phnom Penh no Camboja, Elizabeth está em casa – ela foi correspondente responsável por expôr ao mundo ocidental algumas das crueldades da ditadura Khmer – e posta suas críticas com bastante conhecimento e autoridade tanto do destino quanto dos aspectos da cultura de turismo que o país adotou. Deixa uma dica preciosa e contextualizada neste capítulo ao criticar o volunturismo:

If you want to make a monetary contribution to the poor, you should tip generously.”

Já quando discute a Costa Rica como super-potência ecoturística, pisa em muitos ovos – e fornece um relato quase ingênuo, de marinheira de primeira viagem mesmo, sobre um cruzeiro ecoconsciente feito com a agência da National Geographic pelo país. Mas mesmo essa “ingenuidade” em alguns momentos não compromete o livro. Pelo contrário, enriquece, com espaço para boas reflexões:

“How can some of these places pretend they are green? Building more hotel rooms that use less air-conditioning; that’s not green, it’s using less energy. Being green is much more than that.”

“You don’t see any difference anymore between one place and another. It’s easier to build that way and provide standard service, but how can you preserve a sense of place and culture? The complexity of the tourism industry works against sustainability. […] Behind the phrase “sustainable tourism” is the wish to keep all of the intriguing messy and exotic differences in the world, […] to avoid a world that looks the same.”

“Sustainable tourism has to be created in “each originating market”, or the homes of the tourists. In other words, educate the tourists and the companies they use to travel.”

Ao vestir a carapuça do turista “de verdade” – aquele que visita um ponto pela primeira vez e faz observações cristalizadas sobre o destino, afastadas da complexidade do contexto maior a que sempre estamos envoltos – Elizabeth permite que o leitor entenda claramente as facetas do seu papel como consumidor dentro da indústria gigantesca que é o turismo. Porque, claro, ela faz estas observações ingênuas mas argumenta com dados e entrevistas – seu trabalho de pesquisa jornalística, enfim – e expõe sem muito julgamento as contradições e possibilidades do turismo em uma região. Isso é priceless.

Elizabeth também não poupa críticas ao jornalismo de viagem. Apoiada por uma análise histórica deste segmento e do quanto isto influencia/influenciou os rumos de alguns destinos, a autora deixa subentendida sua posição através da ênfase e análise que faz das palavras de alguns de seus entrevistados:

“If you take ethics seriously, the same policies that cover news gathering have to apply to travel coverage. […] Free travel is not acceptable. […] The line between a tourist pamphlet and a travel piece is far too fuzzy. I don’t know if it’s a cultural mindset that takes hold so you only write good news stories. If you were looking at it cynically, it is a conspiracy of silence.”

O capítulo que achei menos interessante do livro foi o que discutiu as possibilidades abertas infinitas do turismo do Sri Lanka, após o fim da guerra que acometia o país e depois do tsunami de 2004. Já os capítulos que mais me instigaram foram sobre a maturidade da França no turismo, e o exemplo oposto, a infância da China, que é sem exageros o futuro do turismo mundial, em termos quantitativos que determinarão os qualitativos. Ao falar sobre a China:

“Tourism can’t be neutral in the face of the polluted air, water and landscape. […] China presents you a vivid picture of what happens if that travel isn’t well managed with the future in mind. […] Tourism has helped spread the image of China as a new, modern nation. […] The stakes are equally high for foreign countries that are counting on the Chinese tourists to improve their business futures by traveling abroad in great numbers and spending equally large sums of money. If the Chinese get it right – if they figure out the right balance – then tourism is great. If the Chinese get it wrong, we’re all cooked.”

Overbooked - a indústria do turismo na lupa

Outro aspecto da indústria do turismo que salta aos olhos é a importância do governo para o sucesso ou falência desta indústria. Nas palavras de Elizabeth:

“The best and the worst of tourism have governments at the center.”

Um governo comprometido com o turismo é parte necessária do sucesso desta empreitada, e este sucesso se espalha e reflete em outros aspectos da sociedade, como saúde, empregos, qualidade de vida, etc. Ou seja, traz benefícios generalizados – e problemas generalizados também, que requerem a mão do governo para regulamentar, como por exemplo para determinar limites de visitantes ou o orçamento para infra-estrutura de transporte de um destino. O turismo para alguns políticos ainda é visto como uma indústria “menor”, quase um passatempo dentro do cenário orçamentário, e nestes casos a ausência de governo é claramente notada quando o turismo degrada e prejudica um destino.

Todos os exemplos analisados de destinos no livro reforçam claramente o papel do governo para uma indústria turística vencedora e sustentável, mas nenhum é mais espantoso que o dos EUA, que (surpresa para mim) não tinha uma política clara para o turismo até 2009. Neste ano, os EUA finalmente decidiram “entrar no jogo”, e criaram o Brand USA, uma organização de marketing regulamentada a nível federal para promover o turismo no país, e passaram no Congresso Nacional o  Travel Promotion Act. Por enfatizar sua política anti-terrorismo deixando de fora aspectos relevantes para a indústria do turismo, os EUA perderam US$94 bilhões entre 2001 e 20011 – contribuiram para esta perda desde detalhes como funcionários mal-humorados na fronteira que dificultam (e espantam) o turista até a crise econômica de 2008.

Eu poderia ficar aqui horas e horas escrevendo sobre outras partes que me impressionaram do livro – como a descrição dos cambalachos e absurdos da indústria de cruzeiros ou a faca de dois gumes que a designação “Patrimônio Mundial UNESCO” traz para um destino. Porque o livro é cheio de complexos dilemas de turismo que instigam qualquer viajante mais perceptivo a ficar com pulgas atrás das orelhas. Mas prefiro finalizar com um comentário que Elizabeth de vez em quando salpica no livro – como se quisesse que o leitor realmente incorporasse esta ideia a qualquer custo:

“Travel cannot be outsourced.

[…] tourism is the rare industry that will never be replaced by factories in Vietnam or by IT Centers in India is often forgotten, and another reason why the […] government should invest time and energy in it.”

[…] which is why cities are fighting over the […] business.”

Overbooked me deixou com a boa sensação de ter aprendido e refletido na medida certa sobre o tema a que se propõe. Elizabeth Becker soube dosar com muita precisão sua experiência pessoal com as alfinetadas, e no final, construiu um panorama robusto, crítico, equilibrado e fascinante do turismo mundial. Deixou também mais um monte de #FoodForThought para a gente observar e refletir mais na próxima viagem.

Tudo de bom sempre.

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– Deixo meu agradecimento especial à Gaia Passarelli pela indicação da entrevista, que me levou a ler este livro. 🙂

Postado em 26/11/2017 por em Livros, Turismo

Hoje é a famosa Black Friday das compras alucinadas – e tudo que eu queria mesmo era entrar neste black ocean aí de baixo e ver essas maravilhas lindas nadando ao meu redor… 😀

Sexta Sub - Hoje é Black Friday

Entretanto, ainda estou de molho da cirurgia. Tudo correu bem. A única chatice da recuperação foi não poder chorar ou rir muito – o que me impediu de assistir a 90% dos filmes que eu tinha separado para ver neste período. Tudo bem: o campeonato de surfe Hawaiian Pro e as qualificações de curling dos EUA me ajudaram a passar o tempo. 😛

Pretendo voltar a escrever no blog na semana que vem. (Aeeeeee!!!)

Tudo de bom sempre.

Postado em 24/11/2017 por em Sexta Sub

Estou indo ali no hospital fazer uma cirurgia amanhã. Simplérrima, para – tomara! – me livrar da sinusite crônica que me traz dores de cabeça todas as manhãs. Então deixo este peixe-cirurgião (Acanthurus bahianus) de Guarapari, fotografado com o “nariz” inacessível na alga para a Sexta Sub. Ele representa o momento atual da blogueira. 😛

Sexta Sub - cirurgia

O blog vai ficar uns diazinhos em piloto automático enquanto me recupero, ok? Até breve.

Tudo de bom sempre.

 

Namíbia - quando a poeira baixa

Interrompemos a programação normal wallisiana pela qual este blog está passando para compartilhar um filminho de 3 minutos feito por Nick Carter sobre a Namíbia, esse país pelo qual eu me apaixonei perdidamente há décadas, visitei em julho deste ano e que agora só penso em quando voltarei. O filme chama-se “Namibia: When the dust settles” (“Namíbia: quando a poeira baixa”, em português).

O vídeo mostra um pouco das paisagens lindas, únicas e especiais da Namíbia, a jóia do Oeste da África. Um lugar onde cada grão de poeira vale a pena. Aproveitem 🙂

Namibia: When the Dust Settles from Bitter Creek on Vimeo.

(Só de ver este vídeo e rever as paisagens cheias de poeira e contraste já me dá um arrepio, uma emoção quem nem sei descrever. Só indo e vendo pra entender a força desse país nos nossos corações…)

Tudo de Namíbia sempre.

Nossa visita a Wallis foi em 2011. Desde então, tenho acompanhado a página do jornal deles no facebook e me interessado quando uma notícia sobre o país aparece nos jornais – o que é raro, entenda-se (e quando aparece, não são das mais animadoras…). Mas, para além disso, quero também deixar aqui no blog algumas observações e curiosidades finais do país, que coletei durante minha visita. Aproveitem. 🙂

  • A Vakala é o clube de canoagem de Mata-Utu, e ponto onde se alugam barcos para passeios aos motus dali de perto. Fica localizada ao final da rua beira-mar. Ali perto também ficava um ótimo restaurante, o Le Terrace de Liku. Seu dono era fijiano, de descendência hindu, e sua culinária refletia sua descendência. Os frutos-do-mar em Wallis são, como esperado, os mais frescos que você pode imaginar. Outros restaurantes abriram em Wallis desde nossa visita, e confesso que fico curiosa de vez em quando para voltar e ver as “novidades”.

Uma Malla na Vakala.

  • O povo wallisiano é enorme – de tamanho mesmo. Sim, há obesidade a níveis alarmantes, como em outras ilhas do Pacífico, mas há principalmente uma constituição óssea larga, de ombros enormes e muito-muito-muito altos, características típicas dos povos melanésios e polinésios. E são tão simpáticos quanto altos. A barreira da língua não foi em momento algum uma barreira; era motivo de aproximação, um tentando ajudar o outro. Bati altos papos com alguns wallisianos, foi sensacional.

A simpática dona do hotel onde nos hospedamos em Mata-Utu, com quem conversei direto – apesar dela não falar inglês e eu falar um tosquíssimo francês.

  • Francês é a língua oficial do país. Para o turista, falar inglês não facilita muito sua estadia em Wallis. Encontramos apenas uma médica alemã, o dono da operadora de mergulho e um dono de restaurante que falavam inglês. Se você fala francês, se comunicará tranquilamente em todos os lugares.

  • Domingo é dia de igreja e missa. Difícil achar qualquer coisa que funcione na ilha, estão todos atarefados com o convívio social religioso. E como fomos no Natal, a cidade estava mais envolvida com as comemorações religiosas ainda.Vale ressaltar que mesmo em dias de semana, os trajes das pessoas são modestos. Nada de barriga de fora, nem shortinho. Apesar da influência francesa, os católicos mandam neste ínterim. Entretanto, andar de chinelo ou descalço é a lei.

  • Esta é a casa típica wallisiana. Nas construções tradicionais há uma variação deste design. Mas a maior parte das famílias mora mesmo em casas de tijolo.
  • Por causa da minha gripe-sinusite, terminei um dia indo ao posto de saúde/hospital de Mata-Utu – serviço de saúde universal bancado pelo governo francês. Todos os médicos eram franceses ou holandeses, em temporada por ali. Todos os remédios gratuitos, pegos na farmácia no momento em que são receitados pelo médico, sem stress nem perguntas nem formulário extra pra responder. Para quem mora nos EUA com seu sistema de saúde convoluto e caro, não deixa de ser um choque cultural…

  • O nome Wallis vem do explorador britânico Samuel Wallis, que esteve pelas ilhas no século XVIII. Já Futuna tem o nome derivado de “futu”, que significa árvore venenosa na língua local futuniana. A bandeira oficial de Wallis & Futuna é a bandeira francesa – mas cada ilha principal que forma o país tem a sua bandeira. Esta aí de cima é a bandeira do reino de Uvea (Wallis), que ainda assim alude à bandeira francesa.
  • O formulário de imigração de Wallis & Futuna é o maior e mais colorido que você encontrará provavelmente no mundo. Lindo demais, deu pena deixar com o oficial da alfândega no aeroporto. Já os números de telefone têm apenas 6 dígitos – um país com uma população tão minúscula realmente não precisa de mais que isso, né…
Na curiosa Wallis & Futuna - observações finais

Ilha de Wallis.

  • Para planejar esta viagem a Wallis & Futuna, me baseei nos posts do Tan Wee Cheng do blog Nomadic Republic, o falecido blog Les pied en haute da Murielle, que convidava seus leitores a tomar um café na casa deles (!!!), e principalmente o blog do Dominic, um checo que morou seis meses em Wallis & Futuna e que, além das histórias e dicas interessantíssimas de seu blog, montou um dicionário (!!!!) francês-wallisiano que me foi extremamente útil durante a viagem. Aos três, sou extremamente grata pela ajuda que me deram para entender o país e preparar para a viagem.

Ainda farei mais alguns posts de Wallis, e espero que estejam gostado desta mini-série aqui no blog. 🙂

Tudo de Pacífico sempre.

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Posts da mini-série sobre Wallis & Futuna:

PARTE 1 – Chegada

PARTE 2 – Atrações

PARTE 3 – Mergulho

Nestes dias que meu blog está ~wallisiano, não é nenhuma surpresa que decidi trazer pra Sexta Sub como é a experiência do mergulho em Wallis e Futuna, né? Então vamos lá.

Como disse no post anterior, só há uma operadora de mergulho em Wallis, a Évasion Bleue. Esta operadora funciona numa casa tradicional wallisiana na região de Halalo, ao sul da ilha de Wallis (uns 15 minutos de Mata-Utu pela rodovia RT1). O dono da operação chama-se Pascal Nicomette, um francês que adotou Wallis como sua casa há muitas décadas – se apaixonou pelo mar do sul do Pacífico e por uma wallisiana.

(Parênteses: Wallis é tão clima de vilarejo-do-interior, que depois de mergulharmos com o Pascal, encontramos no dia seguinte sua esposa no mercado, e ela já nos deu uma carona na cidade até nosso hotel – e andar na carroceria de uma caminhonete foi um momento em que me senti quase-wallisiana, conhecendo pessoas em Mata-Utu e já pegando carona.)

A operação de mergulho funciona nos fundos da casa de Pascal. O barco é simples e a operação também, sem muita frescura – apesar do preço salgado de quase 140 dólares por 2 mergulhos (sem equipamento incluso). No dia em que lá estivemos, eu estava completamente congestionada por uma gripe (#Murphy), resultado de sair todos dias para bater perna e nadar mesmo com chuva, e só André terminou fazendo mergulho em Wallis. Com eles no grupo, apenas dois outros franceses, ambos que passavam uma temporada em Wallis – uma delas era médica do posto de saúde local.

Pascal me deixou na ilha de Nukuatea sozinha – isso mesmo, eu e uma ilha do Pacífico só para mim! <3 <3 <3

Os dois canais onde o mergulho foi realizado indicados pelas setas vermelhas.

Enquanto eu aproveitei a ilha, eles saíram para fazer dois mergulhos: o primeiro mais fundo no canal de Fugavea (ou Fuga Uvea); e o segundo um pouco mais raso no canal de Avatolu, na barreira de corais perto da ilha onde eu estava.

Em ambos visibilidade estupenda, de mais de 30 metros, e a mesma biodiversidade incrível de peixes, corais e outros invertebrados marinhos, e para felicidade geral da nação bióloga, todos muito saudáveis.

Mergulho em Wallis

Cânions e mais cânions de cabeços de corais enormes, coisa de emocionar mesmo. As fotos deste post atestam a maravilha escondida no sul do Pacífico que são estas águas.

Esse peixe-anjo (lemonpeel angelfish, Centropyge flavissima) com o olho de “sombra” azul foi a primeira vez que vimos, em Wallis.

(Só não fiquei mais #xatiada por não ter mergulhado porque terminei snorkelando na “minha” ilha, cujas maravilhas ficarão para outro post…)

Ah, esse coral… #MuitoAmor

Assim que os mergulhos acabaram, Pascal voltou com os mergulhadores e eles “invadiram” a minha ilha particular por mais algumas horas. Mas tudo bem, porque sou bacana e deixei. 😛

Tudo de mergulho sempre.

Grande Pascal dos mergulhos sensacionais nos mostrando as ruínas do forte tongano. Valeu, camarada!

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P.S.: Wallis tem mais outros 22 pontos de mergulho, incluindo o geologicamente interessante lago Lalolalo, que de acordo com Pascal é hiper-escuro e com pouca vida. Diz ele que a experiência vale pelo silêncio…

Wallis Island

Mapa da ilha de Wallis. Tirado daqui. Repare no lago Lalolalo perto de Mua, o quão redondinho ele é.

A vida cotidiana em Wallis & Futuna é bastante peculiar. 

Talvez por termos visitado o país na semana entre Natal e Ano Novo – quando normalmente o comércio fica mais devagar – o comércio e repartições abriram por poucas horas e a pausa de almoço era sagrada. Muitos aproveitavam para dormir sob a sombra dos coqueiros ou se refrescar com um mergulho no mar. Estávamos ali para aproveitar o país (principalmente o mar); mas era difícil se mobilizar. O calor úmido tropicalíssimo e abafado era exaustivo no meio do dia.

Na curiosa Wallis & Futuna - parte 2

Uma Malla nos correios de Mata-Utu.

Terminamos alugando um carro no centro de Mata-Utu e dirigimos por nossa conta por alguns dias. Vale ressaltar: o carro era ultra-velho, estava bastante lamacento e era o único disponível na agência locadora (que ficava dentro da loja de perfumes).

Na única agência de correios de Mata-Utu, localizada em frente ao antigo palácio real, a maior sala é dedicada à coleção filatélica, orgulho do país. Estivemos nesta agência numa manhã de dezembro e a atendente fez questão de nos informar que era a décima vez que um estrangeiro (entenda-se, alguém que não era francês nem de territórios franceses) aparecia ali naquele ano. E éramos, claro, os primeiros brasileiros – embora um dos moradores tenha garantido que há muitos anos uma brasileira casada com um suíço velejador aportara em Wallis por alguns meses. Sei lá o quanto isso pode ser verdade, mas o fato é que Wallis parece tanto um lugar esquecido do mundo, que não duvido da legitimidade dessa afirmação.

Centro político-religioso de Mata-Utu no horário do rush.

O tempo em Wallis rege o rumo das atividades, e definitivamente segue o ritmo da maré. Se a maré está baixa, os barcos expostos no seco não podem sair pra pescar, então que se façam outras atividades – ir ao mercado, por exemplo.

Hora de passear no motu. Com esse azul lindo, quem não quer?

Quando a maré enche, hora de ir para o mar ou passear em algum dos motus, ilhotas próximas à barreira de corais que circunda a ilha principal e próximas à costa de Wallis.

Com esse pôr do sol, como não parar pra apreciar?

À tardinha, a juventude se reúne próxima ao porto para conversar e ver o sol se pôr, enquanto as crianças brincam na rua beira-mar. Uma inacreditável rotina parada no tempo.

A religião católica é predominante e dita muitas das regras sociais de Wallis. Em cada vilarejo do país existe pelo menos uma suntuosa igreja. Todas com uma bizarra e única arquitetura em tijolo preto & branco, com decoração vividamente colorida. Merecem um post à parte, tamanha estranheza causam a qualquer um – é só do que se fala nos fóruns online sobre visitas a Wallis.

No altar de um dos motus.

Em todos os motus que circundam Wallis, há pelo menos um altar/capela com uma cruz e pedaços de tecidos, oferendas deixadas pelos wallisianos que vão até estas ilhotas para pescar, descansar ou fazer piquenique. A missa de domingo em alguma das muitas igrejas da ilha é dos eventos mais importantes da sociedade wallisiana, ponto de encontro das famílias e de celebrações de diversas datas importantes, com rituais que misturam a fé católica com a tradição melanésia.

No passado mais distante – em torno de 1400 AC – Wallis tinha forte influência do povo das ilhas Samoa. Entretanto, sofria invasões constantes dos guerreiros de Tonga que, embora não tenham conseguido manter a ilha para eles, construíram diversas fortalezas que garantiam sua posição estratégica. (Há de se ressaltar que, embora na região Melanésia, Wallis é tradicionalmente polinésio,  assim como Tonga.)  Estas fortalezas tonganas são das mais interessantes relíquias arqueológicas existentes entre os países do Pacífico – talvez só não superem Nan Madol.

Fale tongana, relíquia deixada para trás pelo antigo povo dominador de Wallis.

A de maior destaque é a fortaleza de Talietumu, onde ainda podemos ver os caminhos de pedra feitos para o rei, que pela cultura tongana não pode encostar o pé no chão. Há também resquícios arquitetônicos da muralha, da torre de observação e de diversos prédios, incluindo a fale, espécie de construção tradicional central à vida cotidiana de quem ali residia.

Placa homenageando os wallisianos que lutaram com a resistência francesa.

Fale na área administrativa federal de Mata-Utu.

No passado mais recente, o país participou da resistência francesa ao nazismo, enviando 50 cidadãos wallisianos para lutarem com Charles De Gaulle. Em Mata-Utu, no quarteirão onde ficam os escritórios do governo federal, há uma placa homenageando estes patriotas do Pacífico que deram suas vidas pela França-mãe.

Em termos de atrativos naturais, além dos motus, Wallis conta com um lago peculiar, o Lalolalo. O lago é uma cratera vulcânica alagada. Visto de cima, forma um círculo perfeito na parte sudeste de Wallis, circundado por uma floresta densa. Para chegar até ele, não há sinalização alguma indicando a estrada até o Lalolalo, nem aos demais lagos de origem similar que existem em Wallis – você vai ter que perguntar a quem estiver na estrada. De sua borda, percebe-se que se está em um penhasco totalmente vertical a cerca de 30 metros da água. Muitos pássaros habitam os arredores do lago e há nele algumas espécies de peixe.

Mergulhar nesse lago exige um rapel perigoso, mas Pascal, o responsável pela única operadora de mergulho da ilha, a Évasion Bleue, afirma que já o fez algumas vezes e que não há muito o que se ver. São 80 metros de profundidade de pouca vida e muito silêncio. O silêncio, aliás, é a principal atração desta bizarrice natural.

O mesmo Pascal leva para o mergulho nos recifes de corais de Wallis – que são dignos de muitas e repetidas visitas, tamanha a qualidade da vida que ainda aflora ali. (Stay tuned para a Sexta Sub desta semana, com mais detalhes sobre o mergulho em Wallis.)

Um dos canais de Wallis, que cortam a barreira de corais que protege a ilha.

A ilha conta com quatro canais principais em sua barreira de coral, e neles a riqueza da biodiversidade de peixes é impressionante. Apesar da pressão pesqueira, a saúde dos corais ainda é evidente, talvez dos últimos refúgios do planeta não impactados pelo turismo ou pelos humanos.

A um raro turista (como nós éramos ali), a principal diversão em Wallis é passear nos motus. Em Mata-Utu, há quatro deles bem em frente ao porto: Luaniva, Fugalei, Nukuione e Nukuifala. Visitamos todos e mergulhamos ao redor de todos eles. Na maré baixa, a areia entre Luaniva e Fugalei fica à vista e é possível cruzar de uma ilha a outra à pé.

O mesmo acontece ao sul de Wallis, entre os motus de Nukuatea e Îlot St. Christophe.

Uma Malla em Nukuatea, olhando para a ilha de St. Christophe.

Por ser pequeno e totalmente protegido pela barreira de corais externa da ilha, é possível tranquilamente dar a volta em Nukuatea nadando/snorkelando e observando os corais e peixes que abundam. Ou subir a escadaria que leva à capela do motu.

Ou simplesmente sentar na beira da praia, com a água quentinha típica dos trópicos, apreciando o ritmo das marolas e da maré, como um bom wallisiano faz.

Independente da escolha, Wallis ainda exala em suas ruas o bucolismo de um lugar pouco explorado e muito bem esquecido das hordas de pessoas. Um verdadeiro paraíso perdido no meio do Pacífico, sonho de tantos e realidade de tão poucos. Que os wallisianos consigam manter esta raridade silenciosa assim… por muito tempo.

Meu 31 de dezembro de 2012 foi assim. #BoasMemórias

Tudo de Pacífico sempre.

Do alto de Nukuatea, vendo a ilha principal de Wallis do outro lado.

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Este post é parte de uma pequena série sobre minha visita a Wallis & Futuna. Para ler a Parte 1, clique aqui.

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