No Natal de 2011, André e eu fizemos uma viagem de uma semana para a ilha de Wallis, no país chamado Wallis & Futuna. Mexendo nos meus arquivos antigos no computador por estes dias, reencontrei um artigo enorme sobre esta viagem, que nenhum veículo de comunicação nacional teve interesse em publicar – who cares about Wallis e Futuna, não é mesmo? Bom, eu me interesso por recantos do planeta diferentes e deixo aqui em quatro partes e formato blog para quem também se interessar em um dia conhecer esta ilha interessantíssima – e curiosíssima – do Pacífico sul. Esta é a PARTE 1.

Wallis & Futuna é assim.

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Wallis & Futuna

A chegada ao Aeroporto Internacional de Hihifo, em Wallis Island.

Desembarcar no pequeno e simpático aeroporto de Hihifo na ilha de Wallis mais parece chegar numa festa. Uma multidão de pessoas de semblante misturado melanésio-polinésio aguarda os passageiros saídos do vôo da AirCalin, única empresa aérea comercial a voar para o país, duas vezes por semana.

Wallisianos no aeroporto de Hihifo.

O vôo vem da vizinha cidade de Noumea, na Nova Caledônia, país com o qual os wallisianos, como são chamados os habitantes da ilha de Wallis, mantém mais conexão e contato.

A ilha de Wallis é parte do arquipélago chamado Wallis & Futuna, uma esquecida coletividade ultramarina francesa (ou COM, sigla francesa) no sul do Pacífico. São menos de 14.000 moradores no país; entretanto, cerca de 16.000 wallisianos vivem na Nova Caledônia, para onde migram em busca de empregos e uma perspectiva de vida mais urbana e agitada, o oposto do que se encontra na pacata ilha de Wallis. Um rumor comum na ilha conta que se todos os wallisianos que estão na Nova Caledônia um dia decidissem voltar para a terra natal de uma vez só, não haveria como sustentá-los em Wallis.

Wallis e Futuna, no sul do Pacífico. Entre Fiji e Samoa.

Por ser ainda um território ultramarino da França, uma quantia considerável de dinheiro é injetada pela França para manter Wallis & Futuna funcionando, em troca da manutenção de seu acesso irrestrito à zona de exclusividade econômica ao redor das ilhas. Estratégia político-econômica que vem dando certo: um plebiscito realizado há alguns anos em Wallis & Futuna decidiu pela manutenção do arquipélago como um território francês.

Rumo a Mata Utu, pela rodovia principal da ilha de Wallis.

Os subsídios franceses, aliados ao dinheiro conseguido pela venda dos direitos de pesca a países como Japão e Coréia do Sul, sustentam a economia de Wallis & Futuna, e são suficientes para manter sua sociedade com tranqulidade. Apesar de ter o menor GDP dentre os territórios franceses, Wallis & Futuna não depende de outro setor da economia para sobreviver, e a idéia geral entre os habitantes locais é manter este pedaço de paraíso isolado.

Mata-Utu.

Há uma sensação forte quando andamos pelas ruas da capital Mata-Utu de que, ao sair dali, o melhor é que esqueçamos que Wallis & Futuna existe.

A avenida beira-mar de Mata-Utu, onde o trânsito é praticamente inexistente.

A dominação francesa é parte fundamental da vida em Wallis & Futuna. Vêm de lá muitas regulamentações e costumes: o sistema de saúde é universal, a educação é pública e a língua oficial a francesa – embora a língua wallisiana também seja usada no cotidiano. A moeda é a mesma da Nova Caledônia e Polinésia Francesa, o franco do Pacífico (XPF). O país é uma ilha polinésia no sul do Pacífico – o que significa com mar lindo e potencial turístico enorme – mas não tem resorts nem albergues, apenas quatro hotéis de qualidade beira de estrada, cuja classificação em qualquer outro lugar do mundo não passaria de duas estrelas. Dada a falta de opção, entretanto, até o Rei de Tonga já se hospedou em um destes estabelecimentos – uma foto dele estava estampada no lobby do hotel Lomipeau, o primeiro em que nos hospedamos em Mata-Utu.

Na parede do hotel Lomipeau, a foto que comprova: o Rei e a Rainha de Tonga estiveram aqui.

À medida que o viajante incauto se desvencilha da multidão no aeroporto, também percebe que muitos dos moradores de Wallis estão na saída do aeroporto por outro motivo: a chegada do avião é um evento da ilha. Assim como a missa de domingo, ninguém quer perdê-lo, parte que são do burburinho que movimenta o seu tradicional cotidiano pacato.

Hotel Moana Hou, o segundo hotel em que nos hospedamos, mais perto do “burburinho” da cidade – e dos motus para mergulhar. 

Nos guias e blogs espalhados pela web, sempre lemos a mesma indicação: avise com antecedência ao seu hotel para buscá-lo, ou pegue uma carona com uma das pessoas no aeroporto – o que não é difícil, já que está estampado na testa do visitante que ele não é dali e que precisa de ajuda. Não há táxi em Wallis & Futuna, e são algumas boas milhas do aeroporto de Hihifo até Mata-Utu, onde ficam a maioria dos hotéis.

O arquipélago-país de Wallis & Futuna é composto de três ilhas principais: Wallis, Futuna e Alofi. Wallis é a principal e mais populosa, também chamada de ‘Uvea na língua wallisiana, falada por 60% dos habitantes. Como todos também aprendem e falam francês, o que se houve nas ruas de Mata-Utu é uma interessantíssima mistura de francês com pegadas de wallisiano – ou vice-versa.

Importante discriminar na prateleira do supermercado o que veio mais rápido de avião e o que chegou de barco.

O custo de vida é dos mais caros imagináveis – você vai achar a Polinésia Francesa uma pechincha depois de visitar Wallis & Futuna. Nos supermercados e lojas, os produtos são separados em duas categorias, indicativas de sua sensibilidade e preço: os que chegaram de navio e os que chegaram de avião. Como praticamente tudo que é consumido vem de fora, é raro encontrar frutas e vegetais frescos, assim como carne vermelha. Nos dias de hoje, os habitantes de Wallis ainda se sustentam muito com o que é produzido no quintal de suas casas.

Setor do supermercado com os queijos e defumados franceses que chegaram de avião.

O país deve ser um dos poucos do mundo que não possui uma filial de nenhuma rede de marca famosa que estamos tão acostumados a ver nos centros urbanos – nada de McDonald’s, Starbucks, etc. Entretanto, padarias e lojas de vinhos e queijos franceses são fáceis de se encontrar, assim como perfumes franceses – que estavam à venda no mesmo local onde se alugam carros.

Wallis é: onde as crianças ainda brincam de coletar muitas conchinhas (ou conchões!) na praia… porque elas ainda existem ali.

Ironicamente, uma curiosa onipresença caracteriza a Wallis atual. Sem sinal de celular, mas com internet, nas repartições públicas e balcões da cidade o Facebook está sempre ligado; sinal de que a vida virtual do país anda agitada, em um contraste curioso com a vida offline, em que as pessoas ainda se guiam pelo ritmo da maré.

A falta de celular também gera algo ainda mais inusitado: as pessoas interagem sem desvios de atenção, o que nos nossos dias atuais de real-time oversharing parece incrivelmente único. Na TV, os programas predominantes são da França ou de seus demais territórios, como a Nova Caledônia, St. Pierre & Miquelon, Guiana Francesa ou ilhas Reunião.

Coincidentemente, quando lá estivemos, uma novela brasileira das mais novas (não lembro o título) era a campeã de audiência na hora do almoço, dublada em francês – e “Pantanal” estava sendo anunciada para substituí-la em breve.

Assistimos um pouco de TV nos primeiros dias de nossa estadia em Wallis, porque choveu bastante. Tentamos fazer atividades marinhas menos demandantes enquanto o sol não vinha. Mas aí, depois de 4 dias de chuva intensa, o céu abriu – e pudemos aproveitar mais deste pedaço remoto do Pacífico.

[Stay tuned. Próximo post e parte 2: atrações de Wallis.]

Foi meu amigo Marcelo quem me alertou para um artigo da New Scientist que comentava sobre a COP12, a Convenção de Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens, que ocorrera em Manila, nas Filipinas, na semana passada. Nesta última COP, um dos highlights foi a assinatura de um documento entre 126 países do mundo em que se confirma o compromisso de  proteção de todas as espécies de tubarões migratórias do mundo, independente da soberania das águas em que se encontram.

Sexta Sub - Proteção aos tubarões no mundo todo

É uma vitória inacreditável para este grupo de animais, bastante ameaçado de extinção.

Como sabemos, um animal migratório não entende o nosso conceito humano de fronteiras. Então de pouco adiantava um país ter leis super-pesadas de proteção quando seu vizinho fazia pouco caso. As frotas de pesca de tubarão se aproveitaram (e ainda se aproveitam…) deste buraco da legislação para conseguir capturar o tubarão – na hora em que ele entrava em águas internacionais. Agora, o buraco está se fechando.

Eu sei que isto é apenas um primeiro passo – e não sabemos ainda os mecanismos exatos pelas quais as nações fiscalizarão efetivamente suas costas para manter o acordo assinado. Mas é assim que andamos na política de conservação: um passo de cada vez, de preferência na direção de ajudar a espécie a ser protegida. Acho positivo, principalmente para espécies altamente pescadas como as que o artigo cita, o tubarão-baleia e o tubarão azul. Pelo menos agora, temos um documento assinalando o compromisso mútuo de tantas nações a que referir.

(O tubarão-baleia, aliás, foi a espécie carro-chefe desta última COP, o que já diz bastante do quanto o entendimento de que é uma prioridade de proteção mundial.)

O artigo também comenta particularmente a importância do Brasil ter assinado tal acordo. O país, com sua imensa extensão costeira, tem a possibilidade de se tornar um líder na proteção dos tubarões, se aplicar rigor na fiscalização.

Diante de tantas notícias tristes de conservação animal que temos todos os dias, finalmente uma ótima notícia para renovar nossas esperanças de que a proteção destes animais ainda é possível.

Tudo de proteção aos tubarões sempre.

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P.S.: Coincidentemente, nesta mesma ~vibe~ de proteção ao tubarão-baleia, vi esta calça legging numa propaganda online esta semana… aaaah! Não é a minha cara? Natal tá chegando, hem… 😀

“O que você acha de fazer uma aula de yoga na floresta?”

A pergunta, feita pela Karen, me pegou de surpresa. Estávamos numa mesa de jantar e ela estava oferecendo uma oportunidade para um tour de experiência, especialidade de sua empresa no Havaí. E eu, que nunca fiz uma aula de yoga na vida – não é a minha praia… – fiquei extremamente curiosa. Na floresta? Como a gente acha espaço dentro da mata para aqueles movimentos super-elásticos? De acordo com ela, íamos fazer um hiking até uma cachoeira “escondida” e lá yogar.

Minha curiosidade científica falou mais alto e resolvi aceitar a proposta. No sábado retrasado, direcionei-me ao lugar do início do tour, na área de estacionamento da entrada da primeira trilha. Estávamos em quatro pessoas.

A princípio, eu havia entendido que íamos fazer o hiking e a yoga nesta trilha. Mas aí veio outra surpresa: eram duas trilhas no mesmo dia. Em ambas, o conceito principal é de mindful yoga – de que não só nos exercitamos com a yoga mas também meditamos e tentamos relaxar enquanto prestamos mais atenção ao nosso redor e ao nosso ritmo (de respiração, principalmente).

A trilha começa por uma floresta de bambus incrível e o som dos bambus batendo uns nos outros é um calmante natural. Para o passeio, neste momento, há uma sessão inicial de mindfulness – um relaxamento com exercícios respiratórios. Dali, continuamos a andar pela matinha, enquanto Karen aproveitava para explicar sobre diversas plantas existentes naquele local. Meu lado bióloga gostou de ouvir mais sobre curiosidades botânicas.

O terraço verde: nossa primeira parada para yoga.

Depois de uma caminhada super-tranquila de uns 20 minutinhos, chegamos num terraço gigantesco gramado, onde fica um reservatório de água. Ali, depois de admirarmos o vale e as montanhas Ko’olau ao redor, tivemos nossa primeira sessão de yoga. Como caloura, acho até que não fui tão mal… me estiquei um pouco e comecei a sentir minha mente bem mais leve. O verde ao redor colabora, mas acho que acima de tudo a respiração correta é provavelmente o que mais faz a diferença: melhor oxigenação para o corpo e para o cérebro.

A sessão durou aproximadamente 30 minutos. Como a trilha é bem popular, de vez em quando o barulho das outras pessoas se “intrometia” na sessão – mas como a ideia é mindfulness, esta interferência também é parte da experiência. Depois de terminada a sessão, ao invés de continuarmos a trilha até a cachoeira que fica ali perto, voltamos para o estacionamento e fomos de carro até a segunda trilha, já do lado de Kaneohe. Nesta, estávamos praticamente sozinhos por toda a trilha.

A segunda trilha termina numa cachoeira super-escondida, que eu não conhecia. O trajeto é super-lamacento, em aclive e o hiking é nível moderado. Fundamental ir com um bom tênis de trilha, porque a lama torna o caminho bem escorregadio. A trilha é lindinha, com grandes árvores de koa e um silêncio delicioso.

Na cachoeira, depois de curtirmos a água, fizemos uma sessão de meditação sentados próximo às rochas. Não se usa yoga mat: o chão verde e úmido da matinha é o colchão perfeito para que entremos de cabeça no relaxamento que a atividade pede.

Olha esse fungo!! <3

Eu diria que esta segunda trilha não é para todo mundo – e a Karen me confirmou, dizendo que ela escolhe a trilha a ser visitada no dia da atividade de acordo com o perfil das pessoas no dia. E também não há hora para acabar: o tempo também depende do perfil do grupo.

Confesso que, como caloura, achei a atividade bem bacana. Apesar do gasto físico de energia fazendo a caminhada, as sessões intercaladas de yoga e meditação ajudam a não deixar o corpo perecer – a mente se fortalece para encarar melhor o desafio. Senti-me renovada, e acho que este é o objetivo final que a Karen busca com seus tours de experiência.

Então #FicaDica deste passeio diferentão em Oahu, caso você curta yoga.

Tudo de bom sempre.

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  • Os tours particulares de jungle yoga ocorrem às terças e sextas, apenas. 
  • Vocês devem ter percebido que não falei o nome das trilhas percorridas. Como o passeio é para “cachoeiras escondidas”, achei melhor manter o segredo. 
  • Este foi um gentil tour de familiarização da atividade, onde não me foi cobrado pela participação. A decisão de escrever sobre ele no blog foi exclusivamente minha, porque realmente curti o passeio e acho que vale a pena para quem tem mais tempo de visita em Oahu.
Postado em 29/10/2017 por em Havaí, Oahu, Turismo

Hoje é o grande dia do ano de 2017 para os surfistas do campeonato de big wave: o Pe’ahi Challenge 2017, a competição mais esperada do circuito, vai rolar em Maui. Emoção e heroísmo nas águas de Jaws a 45 pés de altura, da crista da onda, é o que a moçada que vai assistir, seja em Pe’ahi ou pelo site do WSL, quer ver e apreciar. Só vendo pra crer na força dessa onda, pra ser sincera…

Sexta Sub - Pe'ahi Challenge

Eu sei que a foto acima não é sub 100%. Mas o surfista já está mergulhando na onda, né? Daqui a pouco ele fica debaixo d’água – muita água…

Tudo de bom aos competidores do Pe’ahi Challenge. E que vença o melhor!

As 7 milhas milagrosas – ou the seven-mile miracle. É assim que é conhecido o North Shore da ilha de Oahu, no Havaí. E esta designação não é à toa: nas 7 milhas que separam Haleiwa de Sunset Beach, são mais de 30 points de surfe espetacular, lendários, para qualquer surfista profissional ou amador não pôr defeito – ou para qualquer pessoa que curte a vibe dos tubos perfeitos se apaixonar ainda mais pelo Havaí.

É no período de inverno que vai de novembro a fevereiro no Havaí, que chamamos carinhosamente de the most wonderful time of the year” – “o melhor tempo do ano” (eu particularmente incluiria outubro…) – em que várias coisas legais coincidem: as festas de fim de ano, a temporada das baleias jubarte, a maratona de Honolulu, as ondas grandes no North Shore – e com elas os campeonatos de surfe mais legais. É a hora em que as 7 milhas milagrosas passam de sonho para a mais perfeita realidade, quando o Havaí dos estereótipos de surfe ganha força e floresce.

Guia Malla do North Shore de Oahu

Pipeline em dia de campeonato.

Há vários campeonatos que rolam nas praias do North Shore de Oahu (e no north shore das outras ilhas também). Considerado quase por unanimidade como a grande arena do surfe mundial, o North Shore de Oahu é o local onde o surfe nasceu, se desenvolveu e se estabeleceu como esporte e estilo de vida – um estilo de vida que eu amo, devo confessar.

Os três principais campeonatos de surfe que acontecem entre novembro e fevereiro no North Shore são:

1) o Quiksilver Invitational Eddie Aikau em Waimea Bay (que só acontece se rolam ondas consistentes acima de 25 pés), em homenagem ao maior surfista do North Shore de Oahu, Eddie Aikau;

2) o Pipe Masters, que é a final do campeonato mundial de surfe em Pipeline, o WCT; e

3) as três jóias do Triple Crown, que acontecem na praia de Haleiwa (Hawaiian Pro), em Sunset Beach (Vans World Cup of Surfing) e em Pipeline (Pipe Masters) – sendo que o Pipe Masters é a final deste campeonato e do WCT, juntos.

Todos estes campeonatos não têm uma data certa. Eles têm um holding period, ou seja, um período de umas semanas em que, se o mar e o vento colaborarem e as ondas baterem de forma consistente com um tamanho adequado (entenda-se gigante), o campeonato acontece. Então, normalmente temos pouquíssimo tempo de antecedência para confirmar a data exata em que vão rolar estes campeonatos – alguns a gente só confirma no dia mesmo. Por isso, quem visita o Havaí e quer ter certeza de que vai assistir a pelo menos um campeonato profissional de surfe, sugiro ficar umas 2 semanas em Oahu, de preferência durante o holding period do Pipe Masters (nas duas primeiras semanas de dezembro), para aumentar sua probabilidade de ver pelo menos um destes campeonatos rolando.

Todo mundo quer surfar esta onda de Waimea…

Só que é nesta época também que o North Shore de Oahu está mais lotado, mais caro e mais complicado de se locomover. Eu moro do outro lado da ilha (in town), na cidade de Honolulu, então sei bem o quão estressante pode ser para quem está em Honolulu tentar passar um dia no North Shore… Por isso, para facilitar a vida dos que desejam aproveitar o North Shore com um pouco menos de dor de cabeça, resolvi escrever este pequeno guia de uma Malla apaixonada pelo North Shore, com algumas dicas úteis para facilitar o seu processo de ~relaxamento~ nas areias destas 7 milhas milagrosas.

Vamos ao guia.

PRINCIPAIS PRAIAS E POINTS

Mapa tirado daqui.

Comecemos como se estivéssemos na Kamehameha highway (que é pista única por todo o North Shore), indo de Haleiwa ao sul na direção de Sunset Beach, ao norte. Eis uma listinha básica das praias mais importantes do North Shore de Oahu e suas características:

  • Haleiwa Alii Beach – Seria considerada uma praia “urbana” no North Shore, por ficar no centrinho de Haleiwa (que é uma cidadezinha pequena de surfe). A praia fica à esquerda do píer de onde saem os barcos de passeios e pesca, e é onde ocorre a primeira competição da Coroa Tríplice, o Hawaiian Pro. Em dias de ondas grandes, é para profissionais apenas.
  • Haleiwa Beach – É outra praia do centrinho, esta super-mansa devido ao quebra-mar do píer. Ideal para nadar sem compromisso, fazer SUP e famílias com crianças. Tem diversas pessoas que oferecem aulas de surfe neste ponto.

    Laniakea beach.

  • Laniakea Beach – Laniakea também é conhecida como “Turtle Beach” ou a praia das Tartarugas. Em geral, o trânsito aqui é muito lento, no ritmo das donas do pedaço. A razão é simples: os carros costumam parar pra ver as tartarugas, e isso atravanca o fluxo.
  • Chun’s Reef – Um bom break para quem não tem muita prática de surfe. A praia é pequena e há muitas rochas. Conta com uma barraquinha de aulas de surfe.

    Waimea no verão.

  • Waimea Bay – Ah, a mítica baía de Waimea… quantas histórias, filmes e lendas em suas águas! Considerada um dos melhores points de surfe do planeta, é parada obrigatória para os fãs de surfe. O point de surfe fica no canto direito, perto das pedras, e as ondas em dias grandes podem chegar a insanos 50 pés – coisa de louco mesmo. No canto esquerdo, uma pedra alta serve de trampolim natural no verão. Em dias de mar piscininha, Waimea Bay é um excelente point de snorkel. Nem pense em entrar em dia de swell alto.

    Three Tables.

  • Three Tables – Um ótimo lugar para snorkel quando o mar está tranquilo. A praia tem árvores e é muito gostosa para passar o dia ali num piquenique. Em dias de mar revolto, entretanto, nem pra surfista ela é recomendada, porque tem muita pedra.
  • Shark’s Cove/ Pupukea – A Pupukea é um parque marinho. Portanto, a vida subaquática ali é rica e bem típica havaiana, e o local é um excelente point de mergulho. Ao lado da baíazinha que forma o Shark’s Cove fica um sistema de piscininhas de maré que são ótimas para crianças. Em dias de mar alto, entretanto, nem ali a gente pode confiar muito. O nome diz muito, e a parte externa do Shark’s Cove tem alguns lindos tubarões pequenos em caverninhas.

    O tubo perfeito de Pipe.

  • Pipeline/ Ehukai – A grande meca do surfe. Melhor tubo do mundo, melhor onda tanto pra direita (Backdoor) quanto pra esquerda (Pipeline). Mesmo em dias calmos, não costuma ser fácil. A corrente é bem forte. A praia chama-se Ehukai Beach, mas pode chamar de Pipe sem medo de ser feliz. Por causa da arrebentação ser tão perto da praia, é uma emoção única assistir a campeonatos dali, com a galera vibrando junto. Sei lá, Pipeline é mais que uma praia: é praticamente um estilo de vida e surfe. Só vendo para entender. 😉

    O pôr-do-sol em Sunset Beach

  • Sunset Beach – O nome diz tudo: é a praia clássica para ver o pôr-do-sol no North Shore de Oahu. O point de surfe fica bem à esquerda e é uma onda mais clássica que o próprio surfe no North Shore – surfista que é surfista de verdade surfa Sunset de olhos fechados, mesmo esta sendo considerada uma das ondas mais difíceis do mundo. Para não-surfistas como eu, considero uma praia temperamental, porque pode estar super-calma e de repente vir uma corrente louca. A praia é bem barrancada.

    O futuro do surfe em Velzyland.

  • Velzyland (V-land) – Outro point de surfe, este menos clássico mas não menos bacana. O acesso à praia é por um condomínio fechado, em uma entradinha lateral de pedestres. Não tem estacionamento nem salva-vidas – é praia para quem se garante.

O point de surfe de Turtle Bay.

  • Turtle Bay Beach – É a praia do resort Turtle Bay. À esquerda do resort tem um bom point de surfe, e à direita uma prainha ótima para relaxar ao sol e nadar com sua bóia de patinho.

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DICAS PRÁTICAS

  • Esqueça o conceito de praia do Brasil. No North Shore (e no Havaí em geral…) não há quiosques nem calçadão nem aluguel de cadeira ou barraquinha nem cervejinha gelada com música alta. Pense em praia zen – com o barulho do mar como trilha sonora única. A maior parte das praias tem apenas a estrutura básica de banheiros e chuveiro pra lavar o pé – e mais nada. É super-comum as pessoas levarem uma farofada para passar o dia na praia. Tecnicamente, fumo e bebida alcóolica são proibidos na praia.
  • O swell das ondas gigantes costuma vir de noroeste e quando ele bate, a maioria das praias fica impossível de se nadar – a não ser que você seja um surfista experiente. Além disto, a corrente no North Shore pode ser bem puxada, chegar de repente e dar rasteiras homéricas. Evite se aventurar num mar com ondas altas sem a experiência devida – é pedir para que suas férias sejam encurtadas.

    Os salva-vidas melhores treinados do Havaí estão aqui, no North Shore de Oahu. Siga o que eles dizem.

  • As praias principais têm salva-vidas, que são fenomenais, considerados por muitos os melhores do mundo. Mas muitas praias menos visitadas não têm salva-vidas. Portanto, se você não sentir firmeza na tranquilidade do mar naquele dia, não entre. Como se diz, melhor prevenir que remediar.
  • Muitas praias do North Shore têm bastante pedra de lava, que é afiada. Sugiro usar uma botinha de neoprene, principalmente se quiser andar nas pedras.
  • As tartarugas verdes estão por toda parte no North Shore, mas principalmente em Alii Beach e em Laniakea. Elas parecem dóceis, mas são animais selvagens e podem bicar com força e machucar. É proibido por lei federal atormentá-las, tocá-las ou se aproximar demais com intenção de interagir com elas, e os voluntários na praia costumam colocar uma cordinha ao redor delas que não deve ser ultrapassada. Mantenha distância ao ver uma, respeite o espaço dela. O mesmo vale para as focas havaianas.
  • As praias têm banheiro, mas papel higiênico já é uma outra história… sempre ando com um rolinho no meu “kit North Shore”, e funciona muito bem, principalmente em dia de campeonato. Lencinho umedecido também serve.
  • Em Haleiwa e perto de Shark’s Cove, há diversas lojinhas com aluguel de equipamento de snorkel, surf e SUP, para quem quiser se aventurar na água em dias calmos.

O CLIMA NO NORTH SHORE

De novembro a fevereiro é inverno, e o calor dá uma amenizada, dando lugar a uma brisa fresca deliciosa à noite – um casaco de moleton leve é suficiente para aquecer. A temperatura média fica entre 20ºC e 30ºC. Pode chover um pouco mais em fevereiro, mas mesmo assim, na maior parte das ilhas, essa chuva é bem fina, apenas a garantia de muitos arco-íris <3.

Inverno no North Shore.

No verão (junho a setembro), o North Shore fica com um clima mais quente – mas não espere calor escaldante. Sempre tem uma brisa boa batendo.

É isso mesmo, camaradas: o North Shore tem um dos climas mais perfeitos do mundo. 🙂

COMO CHEGAR NO NORTH SHORE DE OAHU

Você desceu no aeroporto de Honolulu. E agora?

Tirado do GoogleMaps.

  • Com carro alugado: Para quem decidiu se hospedar no North Shore, o caminho é pegar a direção da rodovia H2 rumo a Haleiwa/ North Shore. Sem trânsito, em 40 minutos você chega lá – mas é raríssimo estar sem trânsito, portanto separe pelo menos 1 hora neste trajeto.

Se sua hospedagem é em Honolulu ou Waikiki, você acrescentar uns 30 minutos a este trajeto. O mais fácil e direto é ir pela H1 sentido oeste, até o entroncamento desta rodovia com a rodovia H2 – e aí você pega a H2 sentido Haleiwa/ North Shore.

Há um caminho alternativo, entretanto. Mais longo, porém mais bonito e às vezes, com menos engarrafamento. Para quem está hospedado in town, pode chegar ao North Shore pegando a rodovia Likelike ou a rodovia H3 e, de Kaneohe, continuar pela Kamehameha rumo a Lai’e e ao North Shore. Neste caso, você chega nas “7 milhas milagrosas” por cima, caindo primeiro em Sunset Beach. Usando este caminho, Haleiwa é sua última parada no North Shore.

  • De ônibus: Os ônibus que passam pelo North Shore de Oahu são o #52 e o #55. Já aviso: eles costumam demorar a passar. Ambos saem do Ala Moana Shopping Center e dão a volta na ilha – o trajeto inteiro é de quase 2 horas.

Caso você queira se aventurar do aeroporto para o North Shore de ônibus, serão 2 ônibus. Pegue o primeiro na rodovia Nimitz até um dos pontos onde passa um dos ônibus acima (#52 ou o #55). No site do TheBus, você pode buscar a melhor opção de acordo com o seu horário de partida.

  • De táxi: A corrida entre o aeroporto e Haleiwa fica entre US$100 e 200 dólares, dependendo do trânsito e do endereço exato no North Shore para onde você estiver indo.

ONDE FICAR?

Como expliquei no meu guia de hotel em Oahu, hospedar-se no North Shore  é optar pelo despojamento, pela desencanação completa. É querer curtir a praia e o surfe com todas as possibilidades oferecidas. Mais: há déficit de hospedagem no North Shore. Portanto, os preços, principalmente na época do surfe alto, costumam ser beeeeem salgados, fruto da demanda ser maior que a oferta. Prepare o bolso.

Em termos de acomodações, as opções (tiradas diretamente do meu guia) são:

  • Turtle Bay Resort – É o único resort do North Shore, de frente para a praia e com um visual do mar deslumbrante. Tem pequenos apartamentos estilo vacation rental, que são uma boa opção para famílias. Preços: diárias a partir de US$350,00; taxa de resort a US$39,79. Acesso ao wifi incluso na taxa de resort. Estacionamento gratuito, ou US$15,00 com valet. Endereço: 57-091 Kamehameha Highway, Kahuku.
  • Courtyard by Marriott Oahu North Shore – O mais novo hotel do North Shore de Oahu fica em Laie, praticamente dentro do Polynesian Cultural Center. O hotel é a vertente business do Marriott, com o típico café The Bistro desta rede – não espere nada gastronomicamente incrível. Como foi inaugurado em 2015, o hotel está novinho, e o bom custo-benefício para quem quer ficar no North Shore conta pontos. Está a 15-20 minutos de carro das principais praias do surfe de Oahu. Em Lai’e, todo o comércio fecha aos domingos, e é bom planejar bem sua estadia nesse dia. Preços: diárias a partir de US$179,00. Estacionamento a US$10,00 por dia. Wifi gratuito em toda a propriedade. Endereço: 55-400 Kamehameha Highway, Laie.
  • Tiki Moon Villas – Localizado em Laie, pertíssimo do Polynesian Cultural Center e a 15-20 minutos de carro de Sunset Beach (onde o North Shore oficial começa – ou seja, fica tecnicamente fora do North Shore). O Tiki Moon Villas é uma propriedade com alguns poucos quartos e diversos pequenos bangalôs. Cada bangalô é um apartamentinho, com cozinha, quartos e dependências, de frente pra praia de Lai’e – os quartos são apertados e não espere muito luxo. Ideal para famílias ou grupos de amigos. Aqui cabe lembrar que Lai’e é uma área mórmon de Oahu, e por conta disso, todo o comércio fecha aos domingos. Preços: diárias a partir de US$150,00 (quarto), US$235,00 (studio) e US$295,00 (bangalô). Estacionamento gratuito para um veículo. Wifi gratuito. Endereço: 55-367 Kamehameha Highway, Laie.
  • Kalani Hawaii Private Lodging (site oficial) – Fica na Pupukea, a 10 minutos andando de Sunset Beach ou de Pipeline. Por ser praticamente uma casa particular num bairro estritamente residencial a alguns quarteirões da praia, esta acomodação só aceita estadias com reserva antecipada pela web – chegar lá de última hora é certeza absoluta de levar um “não há vagas” na cara, nem tente mesmo. Interessantemente, apesar do clima exclusivo, em termos de acomodações disponíveis há desde dormitórios estilo albergue com banheiro compartilhado até apartamentos completinhos, com cozinha e banheiro privativo. Parece uma boa opção para famílias e casais. Recomenda-se reservar com muita antecedência para a temporada de surfe. Preços: dormitório a US$30,00 e diárias em quarto a partir de US$171,00 (quarto simples; visto em buscador online, não no site oficial). Estacionamento e wifi gratuitos. Endereço: 59-222 Kamehameha Highway, Haleiwa.
  • Backpackers Vacation Inn & Hostel (site oficial) – É um albergue, ideal para quem quer aproveitar o North Shore sem gastar muito e não se encana com a animação da galera jovem. As instalações são simplérrimas, o mínimo possível, sem regalias e limpeza a desejar. Por ficar na Pupukea, de frente para a praia de Three Tables, é super-conveniente, praticamente ao lado de Waimea Bay, a 10 minutos à pé de Pipeline, e a 4 quarteirões do supermercado Foodland. Costuma lotar rápido na temporada do surfe, portanto reservas com bastante antecedência são altamente recomendadas. Preços: diárias de US$30,00 (dormitórios), US$70,00 por quarto privativo com banheiro compartilhado, e US$130,00 (studio). Endereço: 59-788 Kamehameha Highway, Haleiwa.

Outra opção são as casas para aluguel por temporada. O site do booking oferece diversas opções, assim como AirBnb e Vrbo. Em minha opinião, esta opção é ideal para quem vem com um grupo maior e quer ficar mais de uma semana apenas no North Shore, sem muitos deslocamentos para Honolulu ou outras partes de Oahu.

Uma última opção é acampar na praia. Mas, para fazer isto no Havaí, há regras – não basta chegar com sua barraca e montá-la em qualquer lugar. Em todo o estado do Havaí, é proibido acampar na praia ou em parques sem permissão. Caso o local escolhido para acampar esteja sob jurisdição estadual, você precisa adquirir o documento de permissão no website do governo estadual para fazer a reserva e pagar a taxa de acampamento de acordo com o número de dias que deseja acampar – US$12,00 para 6 pessoas por noite, e adicional de US$3,00 por pessoa adicional (máximo de 4 pessoas adicionais; crianças até 2 anos não pagam). Você não pode marcar seu acampamento com mais de 30 dias de antecedência, e pode ficar acampado num mesmo lugar por no máximo 5 noites, de sexta a terça-feira – acampar nas 4as e 5as feiras não é permitido. No North Shore, só é permitido acampar em Malaekahana (depois de La’ie). A estrutura neste parque é mínima: banheiros, chuveiros (água fria), algumas mesas e áreas de churrasco. Há também o Camp Mokuleia, um camping particular ligado à igreja episcopal – é mais um retiro espiritual que um camping propriamente dito. Fica na Mokuleia, beeeeeem depois de Haleiwa.

COMO SE LOCOMOVER PELO NORTH SHORE DE OAHU

Ciclovia do North Shore.

Em geral, as pessoas alugam carro no Havaí, porque é a forma mais prática para se conhecer a ilha por conta própria. Entretanto, se você vai ficar no North Shore de Oahu e não pensa em ir para muitos outros pontos da ilha, minha sugestão é alugar uma bicicleta.

Além de mais ecológico e um ótimo exercício, o North Shore tem um bom sistema de ciclovias na maior parte das 7 milhas entre Haleiwa e Sunset Beach. Em dia de campeonato, você se desloca bem mais facilmente de bike que de carro – tanto que mesmo quem é daqui costuma ir de carro até Haleiwa, estacionar bem longe e usar uma bicicleta, para não se estressar com estacionamento nem engarrafamento. Para aluguel de bikes, duas empresas são bem recomendadas: North Shore Bike Rentals e Paradise Baby.

Kamehameha Highway com trânsito? Melhor uma bicicleta…

Se você estiver de carro, prepare-se para trânsito. Em dia de campeonato, para pegar bons lugares e estacionar perto de Pipeline ou Waimea, eu costumo sair antes das 5 da manhã de casa in town. Em dias comuns, ainda assim pode haver um trânsito engarrafado, principalmente perto de Laniakea. A maior parte das praias tem estacionamento, mas são poucas vagas – prepare-se sempre para ou esperar muito por uma vaga ou estacionar longe na rua e andar (ou estacionar no quintal de alguém que lhe cobrará entre US$10 e US$30 por dia).

ONDE COMER

Malama Market, em Haleiwa.

Eu curto muito ir para o North Shore e fazer piquenique numa das praias. Para isso, em geral dou uma parada em um dos dois supermercados que existem no North Shore: o Foodland em frente à Pupukea ou o Malama Market, em Haleiwa. Ali, abasteço de comidinhas rápidas de praia (poke, cookies, macadâmia etc.), bebidas e vou rumo ao descanso.

Para quem não está a fim de trabalho, há outras opções. Nos últimos anos, tem crescido o número de food trucks pelas praias – em frente ao Shark’s Cove agora há um mini-parque com vários tipos de comida. Meu food truck favorito ainda é o Crispy Grindz, da brasileira Cris e operado pela Priscila, que fica em Pipeline. O trailler tem coxinha, pastel de feira, brigadeiro e tigela de açaí ou pitaya, pra dar saudade do Brasil. Minha parada obrigatória no North Shore. Também para tigelas de açaí, outra opção é o Haleiwa Bowls, que oferece opções natureba. Minha segunda opção no North Shore costuma ser o Hula Dog, um trailler de cachorro quente com uns molhos havaianos de frutas. Nada saudável, mas gostoso.

Outro food truck famosérrimo é o Giovanni’s, cuja especialidade é o camarão no azeite. O Giovanni’s tem 2 endereços: o original em Kahuku (bem depois do Turtle Bay Resort) e a filial no parque de food trucks em Haleiwa, na Kamehameha Highway. A qualidade do camarão é a mesma. Neste parque, aliás, há diversas possibilidades de gastronomia.

Camarão do Giovanni’s: um clássico do North Shore de Oahu.

Para quem prefere restaurante mesmo, a opção é Haleiwa. Algumas sugestões interessantes são o Cholo’s (comida mexicana, super animado no happy hour), o Kua ‘Aina (hambúrgueres ótimos), o Haleiwa Joe’s (frutos do mar à beira do píer de Haleiwa) ou o Breaker’s (comida americana simples).

Vale também ressaltar o famoso Matsumoto’s Shave Ice, uma loja de raspadinha que era pequena e modesta, até o Obama passar a visitá-la em suas férias no Hawaii. Hoje o Matsumoto’s virou parada obrigatória de muitos, vende muitos souvenirs e a fila cresceu bastante. Minha opinião: não é o melhor shave ice da cidade… #JustSaying

Parceria Malla: Faça sua reserva de hotel no Havaí pelo Booking.

Parceria Malla: Reserve seu carro alugado no Havaí pela RentCars.

O QUE FAZER (ALÉM DO SURFE)

Para além de tartarugar na praia e ver o surfe (e precisa de mais?), os que tiverem interesse em outras atividades no North Shore têm possibilidades interessantes – mas a maioria ainda é ligada a natureza. (O North Shore realmente não é um destino para os que não curtem este tipo de passeio.)

Surf N Sea com sua característica placa de “Surfer X-ing”.

Haleiwa é uma cidade praiana bem pequena, mas cheia de personalidade. Os prédios são todos antiguinhos, no estilo de época de quando a cidade ainda era um vilarejo em que só se chegava de trem. Eu particularmente acho os prédios do Mac Donald’s e do correio uma fofura, altamente instagramáveis. A cidade é cortada pela Kamehameha Highway, a principal rodovia/avenida do North Shore.

Em Haleiwa, não deixe de dar uma passadinha pela Surf N Sea, considerada a primeira loja de surfe do mundo. Inaugurada em 1965, a loja tem várias memorabilias da história do surfe que já rolou por aquele litoral… Eu acho que vale a pena dar uma caminhada por Haleiwa, nem que seja rapidinho.

A ponte tradicional de Haleiwa.

Outra opção cultural é ver um luau havaiano no Polynesian Cultural Center, em Laie. Para mais detalhes, meu post de luaus comenta sobre as vantagens e desvantagens desta opção.

Para quem quer cair no mar mas não quer encarar as ondas, uma opção com adrenalina é fazer o mergulho de gaiola com tubarões – eu AMO. O barco sai do píer de Haleiwa, e os passeios são organizados pela North Shore Shark Adventures. E se você quer mais adrenalina ainda com os tubarões, a One Ocean oferece uma oportunidade de “pesquisa” em que você faz snorkel sem gaiola. (Aqui um vídeo dos atores Zac Efron e Adam Devine nesta aventura.)

Shark’s Cove: ideal para mergulho autônomo e snorkel.

Na época de verão – ou quando o swell está baixo – uma atividade imprescindível é snorkel ou mergulho autônomo em Shark’s Cove, Three TablesSunset ou em Waimea Bay (ou em qualquer praia que tenha um bom recife). Sem ondas, dá pra gente aproveitar bastante o fundo do mar e perceber o quão resiliente e rico é aquele pedaço do litoral. O mergulho pode ser arranjado com a super-bacana Hawaii Eco Divers.

Quem gosta de fazer trilha tem diversas opções. A mais fácil de todas é ir até a cachoeira de Waimea, em frente a Waimea Bay. O parque tem estrutura e cobra US$16,00 para entrar. A cachoeira é okzinha (não espere muita coisa…), mas vale a caminhadinha.

Kaena Point.

Outra trilha popular e interessante é a de Kaena Point, que dá para ser feita pelo lado oeste ou pelo norte. Saindo pelo North Shore, vá na direção da Mokuleia até o final da rodovia pavimentada e comece a andar quando chegar no portão da estrada de terra. São 4 km de trilha praticamente plana, no sol com pouquíssima área de sombra, margeando a costa. Ao final, na piscininha de maré que se forma no extremo oeste da ilha de Oahu, costumam ficar algumas focas havaianas.

Recentemente apareceu um tour de zipline no North Shore. Nunca fiz, então não sei se vale a pena. Quem oferece é a Climbworks.

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É isso aí. Espero que este guia ajude… E que venha a temporada de ondas gigantes do North Shore de Oahu para animar a galera! 🙂

Tudo de Havaí sempre.

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P.S.: Se este post lhe ajudou no planejamento da sua viagem ao Havaí e você gostaria de contribuir para a manutenção deste site, use este link ou reserve seu hotel usando este link do booking (recebo uma microcomissão a partir dele). A blogueira agradece seu interesse e colaboração! 🙂



Booking.com

Postado em 23/10/2017 por em Havaí, Ilhas, Oahu

…e já que a nostalgia tomou conta deste blog esta semana com o relato do meu passeio pelo Xingó, decidi embarcar de vez nela e trazer para a Sexta Sub desta semana outro ponto de saudade do meu Brasil brasileiro: os Lençóis Maranhenses. Que são, de longe, uma das minhas paisagens prediletas do Brasil e do mundo. Estivemos lá em 2007 (há 10 anos!!!!) e até hoje eu me pego pensando que gostaria muito de um dia voltar. Quem sabe um dia…

Sexta Sub: nas dunas dos Lençóis Maranhenses

Reviver aqueles momentos ventados, a felicidade livre e ingênua de escorregar sem pressa na duna branquinha e alva, e tchibum! Mergulhar na lagoa transparente… Ah, que delícia!

Nunca contei minha viagem para os Lençóis Maranhenses com o cuidado devido aqui no blog – na época, só fiz um post-análise sobre os gastos, o que não conta muito. É mais uma destas viagens da memória Malla que vão ficando anotadas no caderninho. Quem sabe um dia…

(Ando nostálgica. Já já passa, pode deixar.)

Tudo de saudade sempre.

Maravilha brasileira: o verde e vermelho dos cânions do Xingó.

Quando estivemos em Aracaju (SE) em 2016, aproveitamos para visitar um lugar peculiar que há tempos eu tinha curiosidade: o Cânion do Xingó, na divisa entre Sergipe e Alagoas. O local fica a 3.5 horas de Aracaju e, apesar da distância, algumas empresas ofereciam o passeio como um day trip saindo de Aracaju. Parecia extremamente cansativo e tenho absoluta certeza que valeria mais a pena ir e ficar pelo menos 2 dias na região.

Entretanto, como nossa viagem para Aracaju foi dedicada à uma mega-reunião de família e só tínhamos um dia livre para conhecer o Xingó, resolvemos encarar o day trip. Juntou-se honrosamente à aventura meu pai que, como bom pai de uma Malla, também adora um pé na estrada. Marcamos tudo de última hora com a Nozes Tour, agência cuja loja física ficava convenientemente próxima ao hotel Aquários na orla da praia de Atalaia Velha perto da Coroa do Meio, onde meu pai estava hospedado.

No dia do passeio, como André e eu estávamos hospedados na casa do meu padrinho no bairro de São José (perto do centro de Aracaju), a van da empresa do passeio combinou de nos pegar às 7 da manhã no terminal hidroviário da cidade, em frente ao Mercado de Artesanato. Quando entramos na van, meu pai já estava lá – fora o primeiro a ser coletado devido à proximidade de seu hotel. Éramos no total 7 pessoas fazendo o passeio naquele dia.

Manteiga de garrafa, hmmmm…

A van seguiu pelas rodovias sergipanas rumo ao interior. No caminho, o guia-motorista foi instrutivo, fez diversas intervenções curiosas, contando algumas histórias sobre o Xingó, sobre Sergipe, Lampião e afins. Fez questão de mencionar, quando passamos por Itabaiana, que esta é a cidade auto-intitulada por um decreto do governo como a “Capital Nacional do Caminhão”. Como o trajeto Aracaju-Xingó é longo, ali perto de Itabaiana fizemos uma parada num posto de gasolina para esticar as pernas – e, no meu caso de semi-gringa, admirar as manteigas de garrafa (aaaaa….) e comer coxinha. 😀

Pelo sertão sergipano.

À medida que a van se adentra no estado, a paisagem vai mudando – estamos no sertão. Ah, o sertão! Este ecossistema árido cheio de histórias e eventos interessantes, marcantes. Na minha cabeça, parecia que me aproximava de uma cena de “Os sertões”, de Euclides da Cunha, um dos meus livros prediletos de todos os tempos. Bateu também uma nostalgia dos tempos de adolescência devorando Graciliano Ramos.

Finalmente chegamos a Canindé do São Francisco, a cidade de onde saem os passeios de barco para o cânion do Xingó. Em Canindé ficava o rio Canindé, que era seco, no fundo do cânion – quando a construção da represa da usina hidrelétrica de Xingó terminou e o reservatório de água da mesma se encheu com a água do rio São Francisco, criou os cânions que hoje vemos, onde antes era o leito seco do Canindé. Com a água da represa ao redor, os cânions parecem ganhar vida. Um impacto de sua geologia sedimentar tão bela, com um contraste de cores entre cânions, água e vegetação espantada da caatinga que transformaram esta intervenção humana à natureza num cartão postal de qualidade do turismo da região.

A primeira parada da van em Canindé é numa pracinha com uma loja de souvenirs às margens do rio São Francisco – exatamente no local onde um ator da Globo se afogara poucos meses antes da nossa visita. Era a única a não me recordar de tal notícia, por sinal. O rio ali me pareceu cheio de redemoinhos, com corrente forte, muito perigoso mesmo.

Na pracinha, duas estátuas homenageavam os famosos da cidade: os cangaceiros Lampião e Maria Bonita. A história de Lampião e Maria Bonita se mistura com a história do sertão, e eles são por excelência o símbolo dessa vida dura e árida que a vegetação da caatinga incita. Sinceramente, por mais famosos que ambos sejam, fico com mixed feelings em celebrar alguém com um passado tão controverso. Tenho plena noção da importância histórica da figura de Lampião e de Maria Bonita no cangaço, principalmente naquele período conturbado da história do Brasil. O quanto sua sobrevivência naquele ambiente árido era já um ato de heroísmo na visão de muitos. Também sei que hoje, com a distância do tempo a seu favor para romancear e mistificar sua pessoa, muitos consideram Lampião como um certo “Robin Hood” do sertão. Mas minha avó cresceu em Sergipe e contou-me histórias de Lampião e seu bando horripilantes que se lembrava dos seus tempos de criança. E é disso que me recordo sempre ao ouvir seu nome: a impiedade e crueldade com que, nas palavras da minha avó, ele respondia aos desafios.

Controvérsias à parte, estava ali para ver o cânion. Chegamos ao portinho nas margens do lago da represa de Xingó, onde estava atracado o catamarã do passeio. A área tem uma boa estrutura, com um restaurante e um pedaço do rio cercado para banho. Embarcamos no catamarã.

Nosso guia era animado…

Logo começou uma música alta, que não parou enquanto estávamos no passeio. A animação é boa, mas por outro lado, eu curto natureza com silêncio também – e me lembrei nostalgicamente do passeio que fiz pelo Doubtful Sound na Nova Zelândia, em que o barco desligou o motor para ouvirmos melhor os barulhos da natureza. Com aquela música, seria impossível tal experiência do ambiente natural. Oh well.

À medida que o barco cruza o lago, o trajeto vai se estreitando. Os penhascos laterais do cânion são realmente espetaculares, com uma coloração incrível, diversos tons de amarelo, laranja e vermelho.

Detalhe do solo de arenito dos cânions, com encrustrações de granito.

Acariciados ao topo pela vegetação esbranquiçada da caatinga e banhados pelo verde do rio São Francisco, formam uma paisagem lindíssima, inesquecível. Meu pai, André e eu estávamos impressionados.

A caatinga do topo dos cânions.

No cânion, diversos pontos são reconhecidos pelo guia que comenta o passeio. No Grupo do Talhado, formação rochosa na região mais ao fundo do cânion, fica a Gruta do Talhado, com uma estátua de São Francisco acessível por uma escadaria de metal.

Gruta do Talhado.

No dia do nosso passeio, estava rolando um imbroglio entre os IBAMAs de Alagoas e Sergipe por causa da jurisdição das águas onde se toma banho no cânion, e a licença para nadar no cânion estava suspensa – como o cânion fica na frinteira entre os dois estados, havia uma disputa por onde efetivamente estava esta área (que significava quem lucraria com esta licença). Não pudemos cair na água, infelizmente. Mas vimos o “cercadinho” onde as pessoas normalmente nadam no cânion. Deve ser uma experiência legal, mas vai ficar pra nossa próxima vez ali. 😉

Cânion do Xingó

Onde supostamente iríamos nos banhar. #SQN

O cânion tem 65km de extensão, e depois de 3 horas de barco, ele retorna ao porto inicial. Ali, almoçamos no buffet delicioso e farto do restaurante, tomamos um banho nas margens deste lago do rio São Francisco  e nos preparamos para encarar a volta de van até Aracaju. Que foi tranquila, com uma parada para comer doce na beira da estrada e ver o pôr-do-sol maravilhoso na caatinga, indicando o fim de um dia de passeio por um recanto especial desse Brasil que a minha vó tanto amava. Só posso imaginar os comentários que ela faria a cada quilômetro da estrada, as áridas histórias da vida com o sol a pino, em casas de pau-a-pique com poucas nuvens no céu.

Mandacaru no sertão sergipano.

Quando cheguei à noite de volta a Aracaju, suspirei de saudades dela.

Tudo de bom sempre.

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Para saber mais sobre o Xingó:

  • Procurei bastante informações detalhadas sobre a geologia da região. Achei três artigos interessantes sobre a geologia do estado de Sergipe, relativamente aprofundados sobre os cânions – que são de arenito com encrustrações de granito. Mas acho também que a região ainda carece de mais estudos, e esta é uma brecha do conhecimento quicando para ser aprofundada por um grupo de pesquisa no Brasil…
  • O passeio de um dia pelo Xingó saindo de Aracaju vale a pena se você, como eu, não tem mais tempo meeesmo para visitar a região. Mas se você tem pelo menos um diazinho a mais, vale ficar em Canindé de São Francisco ou em Piranhas (AL) para aproveitar outros destaques da região – ou fazer um trekking na caatinga. Senti falta de ver bichos numa trilha, pra ser sincera.
  • A usina de Xingó é a quarta maior geradora de energia hidroelétrica do Brazil.

Já que esta foi a semana de comemorações do aniversário deste blog, deixo para a Sexta Sub uma foto desencavada lááááá do fundo da memória blogueira. Alguém lembra uma peculiaridade desta imagem? 😀

Memória Malla

(A “prata da casa”, também conhecida como Velha Guarda da Blogosfera, talvez se lembre…)

A foto em si: uma Malla snorkelando na baía de Kealakekua, Big Island do Havaí, em fevereiro de 2007, observando calmamente três golfinhos rotadores (Stenella longirostris) fofíssimos deslizarem pela água.

10 anos se passaram deste momento! Não é inacreditável como o tempo voa?

Tudo de bom sempre.

 

13 anos: eis que o blog torna-se um adolescente.

E anda mesmo nesta vibe, com diversas transformações e posts em ebulição, numa típica montanha russa digna de um teen de verdade. Mudanças transformadoras virão – adolescência, afinal. Mas não se preocupem: a dose de rebeldia será no estilo Malla de sempre – ou seja, pacata. 🙂

Posso dizer que os rumos do mundo – em muitos casos de um radicalismo adolescente – têm transformado a forma como lido com a internet. No mar de lama e caos, nutro as coisas que me trazem garantias de sorrisos no rosto ou de boas conversas, entre elas este cantinho virtual.

Depois de 2 meses de hibernação, decidi em março voltar a escrever com frequência. Comecei reabrindo a Sexta Sub – e com ela veio junto a empolgação para escrever mais e mais sobre as minhas viagens reais, virtuais e na maionese, além das viagens saudosas, que se acumulam ao longo dos anos no caderno de rascunhos.

Vamos a uma retrospectiva geralzona deste 2016-2017, o 12º ano do blog da Malla. Um ano de emoções intensas – prelúdio da adolescência que chega, talvez.

Neste ano que passou de blogagem, fiz viagens sensacionais com guias maravilhosos. Realizei um sonho acadêmico-científico de ver a sala da premiação do Prêmio Nobel. Conheci a famosa costa do coral de Alagoas e tive a oportunidade de ir (de novo!) à documenta de Kassel.

Mas NADA se compara à viagem mais incrível que fiz em junho-julho ao sul da África,  com direito a muuuuitos bichos, onde realizei meu sonho de décadas de conhecer a Namíbia – e pude estender no topo das dunas de Swakopmund olhando o oceano Atlântico em toda sua magnitude, como vi tantas vezes na minha adolescência em reportagens e propagandas de TV. De quebra, ainda fiquei na janelinha espiando um desbunde de paisagens absurdamente surreais, num vôo que se tornou eterno no meu coração. A Namíbia, aliás, me arrebatou por completo. Resultado: já penso em voltar.

As viagens virtuais também foram intensas. A maior alegria virtual que tenho é compartilhar minha paixão pelo Havaí com todos por aqui, e fico mais feliz ainda quando recebo um feedback e percebo que consegui plantar a sementinha deste lei de aloha em outras pessoas. Para ajudar nesta espiral positiva, tenho me esforçado para que os posts sejam um pouco mais estruturados, com notícias atuais e sugestões diferentes para quem visita o estado do arco-íris. Neste ínterim, escrevi várias dicas de mergulho e snorkel no Havaí, porque afinal água salgada é o que me move. Publiquei também finalmente o guia de hotel em Maui (os da Big Island e do Kauai estão na fila para qualquer dia desses) e aproveitei para facilitar a viagem de muita gente com uma lista de melhores vôos para o Havaí e da melhor sequência de visita às ilhas. Morri de amores pela foca-monge havaiana que deu à luz em plena Waikiki – o bairro com o qual todos nos preocupamos durante as múltiplas marés super-altas deste ano. Garimpei este vídeo delicioso de como era uma viagem ao Havaí em 1924 e divaguei sobre o infra-som emitido pelo vulcão Kilauea. Enfim, viagens virtuais havaianas que se expandiram com a consolidação da minha empresa de turismo.

E, em junho de 2017, o momento mais emocionantemente havaiano de um ano cheio de emoções: a canoa Hokuleʻa chegou de sua jornada pelo mundo, redefinindo o sentido de estar/ser havaiano, e compartilhando com todos um mar de ações bacanas em prol dos oceanos – ações estas urgentes, por sinal.

Já as viagens na maionese… ah, estas não param nunca, né? Tubarões non-stop, óbvio ululante. Mas também me dediquei a (tentar) ler mais livros (uma das resenhas compartilhei no blog; outras estão na fila) e tive duas experiências cinematográficas inesquecíveis neste ano: assisti ao Dekalog do Kieslowski em um dia e à premiere mundial de Chasing Coral com alguns dos cientistas do filme. Também adorei Before the Flood e, na caravana das discussões ecoconscientes, comecei a apalpar um assunto de viagem necessário, o turismo sustentável e seu preço em vários sentidos. Ainda leio muito, reflito sobre o tema e aos poucos compartilharei aqui mais ideias e caraminholas.

E há ainda um lugar especial no meu coração blogueiro para as viagens da memória. Aquelas viagens reais que aconteceram há alguns anos, mas que viram post no ritmo da maré calma deste blog. Neste ano que passou, compartilhei minha paixão sem limites pela paisagem da Île des Pins na Nova Caledônia – outro lugar para voltar quando puder – e pelo Bauhaus Archiv, meu pequeno museu predileto. Outras memórias relembradas foram meu roteiro por Gotemburgo na Suécia passando pelo Kuggen, a visita ao Messner Mountain Museum nos alpes italianos, ao Museu do Azulejo em Lisboa, a curiosa máquina de água gasosa (e de vinho…) na Itália, e o café mais delicioso de Hanoi, o egg coffee. Em termos de viagens da memória, ainda tenho uma listinha com 77 possibilidades de post. Quem sabe nos próximos 13 anos de blogagem eles vêem a luz da internet… sem pressa, pois tudo nesta URL é feito v-a-g-a-r-o-s-a-m-e-n-t-e.

13 anos de Uma Malla pelo mundo

Uma Malla em Molokai – viagem que está na lista dos próximos 13 anos…

E quando me perguntam:

“Escrever 13 anos em blog… Não dá um desânimo?” 

Gente, desânimo me dá de lavar a louça da janta. De escrever sobre assuntos que eu adoro? Algo me diz que ainda vai demorar um pouquinho para o desânimo aparecer. 🙂

E, seguindo a razão, que comece a adolescência do blog!

Tudo de bom sempre às viagens de uma Malla pelo mundo.

O Rogerio deixou este comentário sobre mergulho no Havaí num post antigo do blog:

“Estou pretendendo visitar as 04 ilhas que você sugere em janeiro de 2018, pois pretendo ver as ondas grandes do inverno havaiano. A questão seria que, como mergulhador, pretendia fazer scubadive também. É possivel mergulhar em algumas dessas ilhas também no inverno? Quais as que você recomendaria?”

Como esta é uma dúvida comum, resolvi deixar minha resposta neste post para todos.

Em geral, eu digo que há duas estações claras para atividades no mar no Havaí: o inverno e o resto do ano. No inverno (dezembro a março), as ondas sobem na costa norte (North Shore) de todas as ilhas. É nesta época que os surfistas profissionais “invadem” o estado para aproveitar as ondas enormes. Por causa das ondas gigantes, o North Shore de todas as ilhas fica batido – muito mais complicado para mergulho com scuba.

Mas a gente fica sem mergulhar por causa disso no inverno? Absolutamente não.

Mergulho com arraia jamanta na Big Island também ocorre durante todo o ano, numa baía protegida de Kona.

Porque uma das “leis” do mar do Havaí é que se o North Shore está alto, o sul estará baixo… e é isso que acontece. No inverno, a parte sul da ilha costuma ficar uma piscininha e os pontos de mergulho desta parte são privilegiados. Em todas as ilhas ocorre esta dinâmica do swell alto de um lado, flat do outro.

Para ficar por dentro do swell do dia e das melhores condições possíveis de mergulho, eu uso o app do Surfline, que mostra como estão as ondas em cada point de cada ilha, combinado ao app do Tides Near Me, que mostra a tábua de marés do Havaí. #FicaDica

Como o swell de inverno geralmente vem mais de noroeste, o lado oeste das ilhas costuma seguir o ritmo do North Shore, enquanto o lado leste das ilhas segue as previsões do lado sul. Mas esta dinâmica norte-oeste e sul-leste é uma lei imutável? Claro que não. Há vezes em que o sul e o oeste estão tranquilos, e o leste está impossível de nadar. Mas são dias raros; no geral, a previsão do norte funciona pro oeste, e a do sul pro leste.

Nem pense em mergulhar na Pupukea (North Shore de Oahu) no inverno quando o swell alto chega.

E no resto do ano? Por algumas semanas no verão (junho a setembro), o swell costuma bater no sul, e aí o mergulho na parte sul costuma ser mais desafiador (leia-se: evite); é a hora do surfe in town. E o que a gente faz no verão então? A gente abre um sorriso enorme e vai mergulhar no North Shore, cheio de points fenomenais de mergulho, e que no verão vira finalmente uma piscina “mergulhável”.

Esta dinâmica dos swells altos – norte no inverno, sul no verão – afeta todas as ilhas havaianas. Claro que dependendo da geografia, certos pontos estarão sempre mais calmos que outros. Exemplo: o sul de Maui. Por causa da proteção natural fornecida por Molokini e pela ilha de Kaho’olawe, o sul de Maui está quase sempre piscininha (e o mergulho ali é no ano todo). O mesmo ocorre na baía de Kaneohe em Oahu, protegida pela barreira de corais, que fica praticamente o ano todo tranquila.

Mas quando não há um grande acidente geográfico por perto, pode apostar: se o norte da ilha estiver com ondas grandes, o mergulho no sul deve estar bombando. E vice-versa. Em todas as ilhas.

Peixes coloridos em recife de coral: o ano inteiro presentes em qualquer mergulho no Havaí. Estes aí, na Big Island.

Mas então… qual a melhor época de mergulho no Havaí?

A minha resposta honesta é: o ano inteiro. 🙂

Basta se jogar na água no lado certo da ilha de acordo com a época que você estiver aqui.

Tirando as baleias jubartes que aparecem só no inverno e os filhotes de tubarões-martelo que nascem em julho-agosto, os demais animais marinhos estão praticamente o ano todo por aqui – tartarugas marinhas, arraias jamantas, golfinhos rotadores, focas, peixes coloridos, etc. Em qualquer mergulho você terá a chance de avistar pelo menos um deles.

Tudo de mergulho sempre.

Mergulho no Havaí

Uma Malla mergulhando no Havaí.

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