O assunto trágico da semana desta vez vem da África do Sul: a água da Cidade do Cabo está prestes a acabar.

Cidade do Cabo e sua clássica Table Mountain, ponto crucial do ciclo da água local.

A prefeitura da cidade já marcou dia 12 de abril como o “Dia Zero” – ou seja, quando a empresa de abastecimento não mais conseguirá puxar água dos reservatórios para as torneiras da cidade. Caso não chova (muito) até esta data, a cidade entra num racionamento forçado completo.

Acabou a água da Cidade do Cabo

(A data é uma previsão baseada no consumo diário; alguns cálculos sugerem dia 29/abril.)

No meio do caos que este acontecimento pode (e provavelmente irá) instaurar, está uma corrida contra o tempo dos governantes para terminarem inúmeras usinas de dessalinização e outros projetos para puxar água do subsolo. Os moradores da Cidade do Cabo estão também se preparando para depender de caminhões-pipa, com um limite na quantidade de água diária que cada um poderá pegar – 25 litros por dia. Que não são muita coisa, entenda-se.

Dessalinização é um processo caríssimo e apenas utilizado em lugares onde não há nenhuma possibilidade de outra fonte de água, como em Israel. A Cidade do Cabo, por sua vez, tinha um ciclo da água que, até pouco tempo, funcionava bem, criticamente conectado e dependente de seu símbolo máximo, a Table Mountain. É da umidade acumulada em seu cume com o regime de ventos que até então era comum que vem boa parte da água da cidade.

Mas não mais. Esta seca histórica já é parte do “novo normal” que teremos daqui pra frente em tempos de mudanças climáticas – mesmo que ainda haja quem queira ficar discutindo que não tem aquecimento global, gisuismariajusé…

No banheiro do Centro de Convenções da Cidade do Cabo, a mensagem clara.

O que pega meu coração é ver todo este sofrimento numa cidade absurdamente linda. Ano passado, quando estivemos lá, sinais luminosos nas rodovias imploravam para as pessoas economizarem água, falando que a cidade só tinha 13% restante nos reservatórios – veja bem, não é o volume morto como em outras cidades que conhecemos (cof, cof, São Paulo). Hotéis, lojas e restaurantes, todos sem exceção com muitos avisos para economizar água – e a própria população falava isso com a gente. Dentre todas as cidades pelas quais viajei neste planeta, confesso que nunca vi uma campanha tão acirrada de economia de água – já a um ano atrás. Ou seja, não foi por falta de preparo nem aviso que a situação chegou neste limite trágico de doomsday; é que realmente nestes novos tempos, aquela é uma área cuja previsão é secar.

Este cartaz estava espalhado por todos os corredores o hotel em que ficamos, e também em outros pontos da cidade.

É muito provável que isto traga um impacto ao turismo, que é parte considerável da economia da cidade. De repente, não mais que de repente, a Secretaria de Turismo da Cidade do Cabo vai ser obrigada a chegar numa solução pro futuro desta atividade econômica ali.

E isto revela uma realidade cada vez mais crucial: a gente precisa repensar o turismo e cada destino tendo as mudanças climáticas como pano de fundo inevitável em nossas decisões.

Para quem se interessa por futurologia do turismo, esta crise dramática da Cidade do Cabo servirá como um baita laboratório, infelizmente. Quem sabe a gente finalmente assimile em nossas mentes teimosas que água não é recurso ilimitado – e que é fundamental para a saúde social e econômica de uma sociedade.

Tudo de água sempre.

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“Meu amor, o que você faria/ se só te restasse esse dia?”

Paulinho Moska fez esta filosófica pergunta em sua música “O último dia” há algumas décadas. Pois ontem, 13 de janeiro de 2018, esta singela frase martelou por 15 minutos na minha cabeça da maneira mais cruel e assustadora possível.

Ainda estávamos acordando de manhã quando, às 8:07, meu celular e o do André tocaram o bipe de emergência. No Havaí, a Defesa Civil de Emergência tem uma ferramenta capaz de alertar para um perigo imediato o estado inteiro, por celular, rádio, TV e email. Todas as pessoas recebem a mensagem. Se o perigo for algo iminente, as sirenes tocam. Em geral, os alertas que recebemos são de inundação de chuva (flash flood) para que as pessoas evitem áreas próximas a riachos, ou de tsunami – já passei por dois aqui. Mas é raríssimo recebermos mensagem deles, já que o sistema só é ativado nas emergências que podem gerar catástrofes e perdas humanas sérias.

Então quando eu olhei pro celular e vi esta mensagem de alarme, meu coração veio na boca.

Alarme Falso

A frase “This is not a drill” – “Isto não é um teste” – foi a que mais ressoou na minha cabeça naquele segundo pavoroso em que você de repente percebe que hoje pode ser seu último dia no planeta. E eu gosto de viver. Mas não havia tempo para melancolia.

Meu instinto natural entrou em modo “sobrevivência” e fui fazer… um litro de café. #prioridades Parece loucura, mas me veio logo o pensamento de que os estoques de água se contaminariam de radioatividade se este fosse um míssel nuclear, e eu ficaria por um longo tempo sem poder tomar café limpo. Nesta mesma levada de pensamento, André e eu começamos a encher todos os containers de água pela casa, incluindo a banheira. Fechei todas as janelas da casa. E ligamos a TV e o twitter para saber mais. Um silêncio mortal pela vizinhança. Pouquíssimos carros nas ruas.

André ainda estava meio cético de tudo aquilo – a racionalização científica dele é muito incrível, mesmo em momentos de pavor. Na TV, passava um jogo de basquete – e nenhum sinal de nenhum canal de TV falando do tal míssel. Achamos aquilo suspeito. Começamos a achar que podia ser um alarme falso.

No twitter, na minha timeline do Havaí, muitas mensagens de pânico e desentendimento. Até que, uns 15 minutos depois da mensagem do míssel, a deputada federal Tulsi Gabbard postou que a mensagem da Defesa Civil era um alarme falso.

Como Tulsi é uma ex-militar, assumi que falar com “officials” era contactar alguém do vasto comando militar no Havaí para saber mais detalhes da tal ameaça de míssel. A mensagem dela começou o burburinho de que o alarme da Defesa Civil era falso. O problema: muita gente já relatava pânico, pessoas se escondendo em garagens, nos banheiros e no basement das casas, confusão nas ruas.

Mas oficialmente, a Defesa Civil não cancelara a mensagem anterior. Isto gerou uma confusão incrível – na era do fake news e da verdade alternativa, em quem você acredita?

(E que tempos vivemos, em que uma mensagem destas tem chances de ser séria. Tempos em que há a possibilidade real de uma hecatombe, em várias partes do mundo. Tempos em que dois supostos líderes do mundo ficam adolescentemente medindo quem tem o maior botão nuclear. Realmente, tempos estranhos.)

Em casa, eu já estava um pouco mais aliviada. Havia uma grande chance de ser alarme falso.

Mas não parava de pensar. Em 15 longuíssimos e assustadores minutos, minha vida inteira passou como um filme na minha cabeça, os momentos mais marcantes, as pessoas que mais amo, os locais mais lindos que visitei. Era claro que eu não estava preparada para que aquele fosse meu último dia na Terra – há ainda muito a fazer, a ver, a contribuir, muitas pessoas sensacionais para abraçar e conversar, muitos lugares maravilhosos a conhecer (Kamchatka, I’m looking at you!).

38 minutos depois do alarme falso ter tocado em nossos celulares, a mensagem foi oficialmente desmentida. Aparentemente, um funcionário em troca de turno apertou o botão errado e enviou a mensagem para todo mundo – cabeças rolarão na Defesa Civil com um erro destes, isto é certeza.

Mas de uma certa forma, o tal alarme falso serviu um pouco como uma checagem da realidade. Não só se estamos preparados para um inverno nuclear, mas se estamos aproveitando a vida de maneira completa aqui na Terra. Será que em nosso último dia teríamos aproveitado e curtido tudo que queríamos fazer na vida? Passei o dia inteiro pensando nesta pergunta.

A resposta veio logo. Apesar da quantidade enorme de trabalho que tenho pra fazer, dos vários prazos circundando minha rotina acadêmica, não pensei duas vezes quando André falou: “vamos no North Shore ver as ondas?” Sim, vamos ver as ondas e aproveitar que a gente está aqui, vivo e saudável, e como diz a hashtag famosa, #LuckyWeLiveHawaii.

Em Waimea, um swell de 30-50 pés, com sets de ondas inacreditavelmente fortes, que vão ficar por todo o fim de semana. Depois de um dia que começou com ameaça de bomba e fim do mundo, terminar o dia com um pôr-do-sol espetacular, daqueles que só o North Shore de Oahu pode oferecer. Felizmente as únicas bombas que vimos foram as ondas gigantescas quebrando nas rochas, com seus tubos incríveis anunciando que a força da natureza ainda reina soberana no nosso planeta. E que a nossa vida humana é muito preciosa – e frágil.

No caminho de volta do North Shore, depois desse dia pra lá de bizarro, coincidentemente outro verso brasileiro famoso ecoou no carro:

“Vida louca vida/ vida breve/ já que eu não posso te levar/ quero que você me leve.”

E não é?

Tudo de vida sempre.

Parece incrível: não consigo passar uma semana sequer sem ler/saber de alguma notícia triste/deprimente sobre o futuro dos oceanos. (E olha que eu tento procurar pontos de esperança, mas olha… às vezes fica complicado, infelizmente.) A notícia triste desta semana vem de um estudo feito na Austrália com participação do NOAA-Havaí, publicado no Current Biology e comentado neste artigo da National Geographic: em um dos maiores pontos de desova de tartarugas-verdes do mundo, as tartarugas que vêm nascendo são em sua maioria – e põe maioria nisso! – fêmeas. Isso mesmo: vai começar a faltar machos.

Cadê os machos de tartaruga?

A razão para tal fenômeno é – novidade… – o aquecimento global. As mudanças climáticas, ao aumentarem a temperatura oceânica e atmosférica, favorecem o nascimento de fêmeas. Isto acontece porque o sexo destes répteis é determinado pela temperatura em que seus ovos são expostos dentro do ninho. Sem temperaturas brandas, menos machos.

A constatação principal deste estudo já é desastrosa – que população biológica sexuada não-partenogenética pode se sustentar no futuro apenas com fêmeas? Mas mais absurdo ainda é a informação que está mais pro final do artigo: este fenômeno vem acontecendo já há uns 20 anos – e as tartarugas de águas mais quentes do Pacífico sul são mais de 85% fêmeas.

A falta de machos é um problema até contornável artificialmente. Pode-se chocar os ovos em cativeiro, por exemplo, apesar de requerer uma trabalheira daquelas e uma grana razoável. Além disso, até agora este é um problema constatado apenas nas populações próximas da Austrália – o que já gera a pergunta imediata de quanto feminilizadas estão as demais populações de tartarugas de outros oceanos do mundo, incluindo a enorme população havaiana.

Mas confesso que a constatação (de novo!) de que nosso “futuro do presente” aquecido já está interferindo na vida de um réptil tão carismático de maneira quase irreversível é a mais difícil para processar. Me deixa de coração encolhido.

Eu adoro tartarugas. Vê-las calmamente nadando em sua quase-dança aquática ou descansando na praia é das visões mais marcantes e tipicamente havaianas que tenho e das quais não me canso. É o tipo de memória que eu adoraria que as futuras gerações também tivessem. Mas pelo visto, isto é wishful thinking. 🙁

Tudo de mar sempre.

Li no Guardian esta semana um tristíssimo artigo sobre o quanto vêm aumentando pelos oceanos do mundo as chamadas zonas mortas – áreas com níveis de oxigênio zero ou próximo de zero. Em suma, os oceanos estão sufocados. Nestas áreas, a maior parte dos seres vivos não consegue se estabelecer nem sobreviver, por dificuldades para respirar.

De acordo com um estudo publicado na Science esta semana, as causas principais são os conhecidos de sempre: mudanças climáticas e poluição costeira. As mudanças climáticas tornam a água do mar mais quente e com isso há mais dificuldade de manter o estoque de oxigênio diluído. A poluição costeira, principalmente de fertilizantes e compostos ricos em nitrogênio, aumenta a chance de eventos estilo maré vermelha, com algas em decomposição praticamente consumindo todo o oxigênio disponível. Um desastre atrás do outro.

A notícia trouxe uma tristeza profunda no meu coração malla. Como já não bastasse tantos problemas que o mar já enfrenta, mais esse. 🙁

E me fez pensar: será que estamos realmente no caminho certo para um futuro melhor? Gosto de ser otimista, mas do mar vem boa parte do oxigênio que respiramos… será nosso futuro também com menos oxigênio como consequência deste desastre ambiental de proporções globais?

Eu sei, é começo de ano, e trazer uma notícia destas quando as esperanças ainda estão um pouco no ar é um balde de água fria. Só espero que este ar tenha, além de esperança, também uma mudança de atitude nossa, humana, para tentarmos ter um pouco mais de cuidado com este planetinha azul tão castigado e revertermos os mares de sufocados para saudáveis.

Tudo de mar sempre.

Eis que 2018 finalmente chegou – aeeeeeeeee!!!

Deixei no meu perfil do facebook a seguinte mensagem:

2018

A imagem não foi escolhida por acaso, nem a sua mensagem.

Desejar cores é, sobretudo, minha forma de valorizar a diversidade: de informações, de opiniões, de lugares, de causas, de tudo. De abraçar o diferente, o novo, a outra “cor”, e enxergá-la num todo especial, que te deixa com sorrisos tranquilos. Não é fácil ver e compreender o amarelo quando somos o azul e tudo ao nosso redor é ciano ou violeta; mas se lembrarmos que a mesma água que forma o arco-íris também se encontra de outras formas, como no mar, nas nuvens, na geleira – que somos multifacetados, enfim – pode ser que, mesmo sendo gotículas de luz azul, a gente compreenda melhor o amarelo como outra faceta da mesma moeda. Para gerar tolerância mais civilizada, empatia verdadeira pelo outro.

Este é meu desejo pessoal “filosófico” para 2018: mais compreensão e aceitação da diversidade. Para todos.

(You may say I am a dreamer… but I am not the only one…)

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Em algum momento do passado, compartilhei minhas resoluções de Ano Novo em resposta a um meme que rolou pela blogosfera da época. Resolvi também ressuscitar este meme por conta própria, e declarar aqui 5 (das muitas…) minhas resoluções para o ano de 2018 neste blog. Ei-las:

  1. Ler – e resenhar – pelo menos 10 livros de ficção. Ou poemas. (Percebi que, já há algum tempo, só leio não-ficção. Tem feito falta me surpreender com a criatividade de quem elabora enredos díspares. Aceito sugestões.)

  2. Continuar firme e forte nas minhas caminhadas matinais diárias, chova ou faça sol. (Foi algo que comecei meio que por acaso em 2017 – insônia de jet lag -, e não demorei muito a perceber o quanto isso me deixou mais produtiva e focada: a possibilidade de 1 hora por dia conversar com meus neurônios recheados de endorfinas.)

  3. Escrever pelo menos um post por semana, além da Sexta Sub. (De qualquer tema. De qualquer destino. De qualquer tamanho. Que ilustre/valorize/incentive a diversidade – de novo, de praticamente tudo ao nosso redor. Auto-disciplina neste caso será crucial. Se ao final deste 2018 meu blog tiver 104 posts publicados, estarei bem.)

  4. Organizar a página do Havaí do jeito que eu quero. (No momento, esta página apenas lista/linka posts. Funciona, mas tenho umas idéias extras para torná-la mais eficiente para quem quer montar sua viagem completinha ao Havaí – ou se apaixonar pelas ilhas. Stay tuned.)

  5. Conhecer pelo menos um lugar novo do mundo. (Afinal, sou uma malla viajante por natureza. Pontos a mais se for um dos destinos da minha lista de “desejados” que fica pregada na geladeira.)

Acho que está de bom tamanho, né?

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E que a diversidade, nas atividades e momentos, seja uma constante positiva!

Tudo de bom sempre neste 2018 que começa para os amigos e amigas deste blog.

(E que venha a Copa do Mundo de 2018! 😛 )

Aos que por aqui passam, que acompanham, lêem, refletem e/ou se divertem com as minhas palavras e mallices neste blog…

Mensagem Malla de Natal

Feliz Natal, pessoal!!

Que o bom velhinho traga muita saúde, alegrias e uma visita ao Havaí para todos – ou então um monte de mergulhos com tubarões… 😀

Aloha!

Postado em 24/12/2017 por em Mallices

Eis que estamos quase no Natal, este período de festas e rabanadas – hmmmm, que delícia.

Para celebrar esta época especial do ano, deixo na Sexta Sub uma imagem que me lembra morros com neve e árvores coloridas de Natal… exceto que a imagem é sub, e os morros são na verdade um coral lóbulo do gênero Porites.

Sexta Sub - Quase Natal

E as árvores… são vermes-de-árvore-de-natal marinhos (Christmas tree worms, em inglês; espécie Spirobranchus giganteus). Lindinhos e coloridos demais, uns fofos de se ver em qualquer mergulho.

Que estes verminhos marinhos tragam um Natal cheio de mar e delicadezas para todos! 🙂

Aloha!

Eis que chegou a hora de adicionar mais uma velinha no bolo da vida. Lucia Malla versão 4.3, pronta para a implementação da nova idade operacional.

A implementação, aliás, começou há um mês, quando fiz uma cirurgia para corrigir uma sinusite que me incomodava há anos. Versão 4.3 sem sinusite já é um ótimo upgrade.

Ontem as comemorações começaram: fui para Pipeline curtir o Pipe Masters 2017, a final do campeonato mundial de surfe. A festa foi linda, da areia de Ehukai Beach a emoção é inesquecível daquelas ondas monstras. Último dia da versão 4.2 despedido com sucesso.

E tenho também muito a agradecer por este ano de vida 4.2 que passou. Um ano em que realizei um sonho muito antigo de conhecer a Namíbia. De voar de balão no Sossusvlei. De andar sem rumo nas dunas vermelhas que circundam o Deadvlei. De ver o Atlântico do alto de uma duna em Swakopmund.

De quebra, ainda conheci um dos países mais incríveis do mundo, a África do Sul.

Um ano em que visitei a casa onde Berzelius descobriu o selênio, meu tópico específico de pesquisa científica.

Um ano em que voltei à Documenta de Kassel – em 1997 quando fui pela 1a vez, juraria de pés juntos que teria sido a última, e foi uma lindeza perceber que me enganei.

Um ano em que vi muitos filmes bons, outros tantos clássicos, e em que principalmente refiz os passos de um dos meus filmes mais queridos de todos os tempos – vem post por aí para contar essa emoção, pode ter certeza…

Um ano em que finalmente fui à Kalaupapa e conheci Molokai – e me apaixonei por diversos recantos da ilha.

Um ano em que li e ouvi mais, falei (bem) menos, deixei de ser uma news junkie (quem lê tanta notícia?), comi e bebi delícias de diferentes países, fiz mais exercícios, conversei à beça com amigos de tantas datas, e principalmente, reativei este espaço bloguístico que curto tanto e que estava nos últimos anos um pouco deixado de lado – não mais.

A feijoada em Trebbia, Itália, com os amigos queridos.

O Spritz nosso de cada dia nos dai hoje…

Um ano em que sentei num bar em Berlin e tomei Berliner Weisse verde – é sempre ótimo quando o ano permite que este momento de pura satisfação aconteça…

Malla versão 4.3

E principalmente, um ano a mais de aventuras, desafios e emoções ao lado do meu amor. <3

E são tantas ideias para minha versão 4.3, que estou animada com as possibilidades.

Que seja atualizada a nova idade! 🙂

Tudo de Malla sempre.

A vista da minha caminhada matinal.

P.S.: As fotos deste post foram também publicadas no meu facebook com a tag #RetrospectivaMalla.

Postado em 19/12/2017 por em Mallices

Um dos dias mais incríveis e relax da minha vida.

Nukuatea

Foi assim que rankeei minha experiência em Nukuatea, em Wallis & Futuna, no último dia do ano de 2011. A ilhota ou motu, que fica ao sul da ilha de Wallis, foi o nosso destino do dia para piquenique. Era sábado e uma “viagem” de barco de apenas 20 minutos nos separava do píer ao sul de Wallis para aquele pedaço de paraíso novo.

Assim que chegamos, fui “depositada” na praia principal. André foi mergulhar com o Pascal, e fiquei ali aproveitando Nukuatea sozinha. Uma ilha bem pequena, com uma cruz/capela no topo do único morro, como é comum em todos os motus que circundeam Wallis, capitaneados que são pelo cristianismo dos missionários. Comecei minha exploração da ilha por lá, encarando a escadaria para o céu.

A vista lá de cima era, como esperado, inacreditável de linda. O mar do sul do Pacífico em todos os seus tons lindos de azul e ciano. Dava pra ver perfeitamente o “colar” que a barreira de corais forma ao redor da ilhota. E também perceber o quanto a Îlot de St. Christophe estava perto de Nukuatea, distante a uma simples caminhada pelas águas mornas e rasas do canal.

Depois de descer do santuário do morro, fui dar uma andada ao redor da ilha. A cada recanto, uma nova paisagem e vista mais encantadora. Passei boas horas simplesmente fazendo nada, olhando para o céu azul, contemplando e sendo banhada pelo Pacífico, completamente desestressada – mais saudável descanso físico e mental não há, garanto.

Nosso barco ancorado, solitário.

O silêncio era delicioso, só o barulhinho das marolas quebrando calmamente na areia e alguns pássaros cantando. Ninguém mora em Nukuatea, mas alguns wallisianos vão ali passear, descansar ou pescar. Ou snorkelar, o que era nosso caso.

E bastou André voltar do mergulho para começarmos nossa exploração com snorkel das ~áreas rasas~ de Nukuatea. Não nos impusemos dar a volta na ilha – nosso plano era ir circundeando a barreira de corais até quando desse, e se cansássemos, voltaríamos para a praia.

Mas, claro, assim que colocamos máscara e pé de pato e vimos o que nos esperava embaixo d’água, os planos mudaram. Uns corais lindíssimos, saudáveis e com muita vida ainda. De modo que fomos seguindo a barreira, admirando e se emocionando a cada pernada que nos levava para um ponto novo do coral. Nukuatea é tão pequena que, quando nos demos conta, tínhamos dado a volta na ilha pela água em pouco mais de uma hora.

Mas que uma hora… Não havia um pedaço sequer de coral mal-tratado – todo o ecossistema era saudável, lindo como deveriam ser todos os corais do planeta. O baixíssimo impacto turístico no local certamente colabora para a qualidade da vida marinha que ali floresce.

Quando chegamos de volta à ilha principal, um grupo de franceses moradores de Wallis havia aportado também, para aproveitar o sabadão de sol em Nukuatea. Ficamos na água batendo papo, até que o Pascal voltou para nos buscar e levar de volta a Wallis. Naquele dia de tranquilidade, o único mantra que veio a minha cabeça era o do Ina: a vida é boa e cheia de possibilidades.

Numa ilha deserta do sul do Pacífico, este mantra fez ainda mais sentido.

Tudo de bom sempre.

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Para ler os outros posts da mini-série sobre Wallis & Futuna:

PARTE 1 – Chegada

PARTE 2 – Atrações

PARTE 3 – Mergulho

PARTE 4 – Curiosidades

PARTE 5 – Igrejas 

Todo fim de ano recebo inúmeros emails de amigos e leitores que vêm ao Havaí, especificamente Honolulu, e querem saber o que fazer no Réveillon – quais as festas boas, as roubadas, etc. Decidi então compilar aqui algumas das dicas que geralmente repasso por email.

Réveillon em Honolulu

Antes de mais nada, um disclaimer: já passei diversos Réveillons em Honolulu. Alguns em casa de amigos, outros na rua ou na praia. Algumas das festas citadas aí abaixo eu nunca fui, mas amigos próximos já foram – e a opinião neste caso é baseada na experiência deles.

O Havaí é um dos últimos lugares a comemorar o Ano Novo no mundo, pela proximidade com a Linha Internacional da Data. A sensação que dá é de estarmos “atrasados” quando começamos a ver pelas mídias sociais fotos de todo mundo já no ano seguinte e a gente aqui, fincado no “passado”. Mas com calma, a gente chega lá também… 😛

Outro detalhe importante: o Réveillon aqui é animado, pero no mucho. Não espere uma festa no nível de Copacabana com fogos de todos os pontos, muito menos que as pessoas estejam vestidas de branco, jogando champanhe pelas ruas, abraçando todo mundo ou pulando sete ondinhas. (Aliás, é proibido andar pela rua e na praia com bebida alcóolica na mão, pra começo de conversa.) Tudo aqui é muito mais ameno, os fogos mais curtos e de um ponto só na praia, etc. E, na maior parte dos lugares, a festa acaba logo depois da meia-noite. Portanto, se você diminuir um pouco suas expectativas, talvez possa se divertir muito mais. 😉

Espero que ajude.

RÉVEILLON EM WAIKIKI

É em Waikiki que acontece a maior agitação de Réveillon no Havaí. É onde ocorre também a maior queima de fogos de artifício à meia-noite. Muitos moradores locais e turistas vão para a praia, ver os fogos que saem de uma balsa estacionada no mar, em frente à praia. O Hilton Hawaiian Village tem um show de fogos às 23:00, que sai do mesmo ponto que os fogos do Aloha Friday toda semana, e que dá pra ver tanto do Ala Moana Park quanto dos principais pontos da praia de Waikiki.

Além do Hilton, os hotéis pé-na-areia costumam fazer ceias/ festas especiais particulares, que muitas vezes são animadas. Os ingressos para estas festas variam muito, mas não espere pagar menos de US$100,00 por pessoa. Se você estiver hospedado em um destes hotéis, não custa perguntar o que eles estão planejando e sondar se há um desconto para hóspedes: você pode se surpreender.

Entretanto, a festa mais animada da orla é no Rumfire, o bar do Sheraton Waikiki. Eles costumam transformar o bar num night club, com DJ estrelado, muitas luzes e animação à beira da piscina e da praia. Cada ano o Réveillon do Rumfire tem um “tema” – este ano (2017-2018) será os “Sete Reinos”, uma referência à Game of Thrones. A festa é para quem tem acima de 21 anos apenas.

Outro bar onde a animação é garantida é no tradicional bar surfista Duke’s. Eles não fazem uma festa organizada, apenas o bar abre e fica até mais tarde na noite de Réveillon. Mas exatamente por não precisar de ingresso, estar na beira da praia de cara pros fogos e ter muita animação com música ao vivo e afins, costuma lotar demais. É uma festa mais democrática, digamos assim. Já fui pra lá por 2 Réveillons e não me arrependo.

Para quem vem com crianças, a melhor opção é o Réveillon do hotel Moana Surfrider. O tema deste ano é “Under the Sea”, e eles têm diversas opções de entretenimento pros pimpolhos, que incluem até sereias na piscina – além de um ótimo jantar pros adultos. O preço é a partir de US$100,00 por pessoa (adulto) ou US$50,00 (criança até 12 anos).

Outra opção interessante é ver os fogos de cima – na festa do SKY Waikiki, um rooftop bar na Avenida Kalakaua. Para a festa da virada deste ano eles farão um baile de máscaras, que promete uma entrada de 2018 super-sexy – eles não dizem no site, mas desconfio que esta festa não é para menores de 21 anos… Como o bar fica no 19º andar, a vista é sensacional. Os ingressos estão a partir de US$150,oo por pessoa.

Para terminar, uma possibilidade interessante para ver os fogos do Réveillon em Waikiki é fazer um passeio de barco – e ver os fogos mais de perto ainda, da água. As empresas que normalmente oferecem sunset cruises com jantar e show de hula, como a Star of Honolulu e a Dolphin Star, terão também cruzeiros noturnos especiais, terminando mais tarde para incluir a apreciação dos fogos da virada. É um passeio mais “turistada”, soa até meio roubada, mas a possibilidade de ver os fogos da água, a meu ver, vale a pena demais.

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RÉVEILLON NO KAKA’AKO

O Kaka’ako é o bairro mais interessante do momento em Honolulu, onde novos restaurantes, bares, cafés e galerias cheias de estilo brotam para alegria da moçada millenial. Então, nada mais óbvio que ter uma festa rave de 2 dias na virada – a “Party of the Year”. No dia 30, a festa tem um show e acontece no Kaka’ako beach Park. Já no dia 31, a festa muda pro Aloha Tower Marketplace (em downtown), e aí a rave rola solta, com trocentos DJs, bandas, palcos etc. De acordo com todos os amigos mais jovens que conversei aqui, é a festa mais agitada da ilha para quem quer curtir, paquerar, dançar muito, etc.

PARA QUEM CURTE SHOWS NA VIRADA

Se você é um dos que não estão nem aí para fogos de artifício e prefere passar a virada do Ano Novo num show interessante, há duas opções no Havaí que podem funcionar para você.

O Blue Note Hawaii é a sucursal do famoso clube de jazz novaiorquino em Honolulu. Em geral tem bandas sensacionais, mas na virada já há 2 anos quem faz o show que começa às 23h é o Kenny G. Dizem as más línguas que o show é surpreendentemente animado, que ele é otimo no palco – eu como não sou fã de Kenny G tendo a ser bem cética com essa opinião, mas… é uma opção interessante. Há champanhe e um menu especial de Réveillon. Fica na Kalakaua Ave. dentro do hotel Outrigger Waikiki Beach Resort.

Outra opção – esta que rola há décadas – é ver o show de comédia stand-up do Bill Maher. Todo santo ano, o Maher vem pro Havaí no final do ano e faz um show no dia 31/dez no ginásio do Blaisdell, no centro da cidade (Avenida Kapiolani). Nunca fui, mas estou planejando ir num ano desses, só pra ver… Os ingressos costumam ser postos à venda pelo Ticketmaster. É ideal pra quem quer começar o ano dando muitas gargalhadas.

UMA SUGESTÃO ESPECIAL PRA QUEM QUER SOSSEGO NO RÉVEILLON

Teve um ano que André e eu decidimos fazer um Réveillon mais low-key. Ainda queríamos ver os fogos, mas sem muita agitação. Então fizemos um piquenique no Magic Island, em frente ao Ala Moana Beach Park – por incrível que pareça, o local fica às moscas durante a noite de Réveillon. Compramos um monte de poke, champanhe (tomado sem mostrar o rótulo, como diz a lei) no Foodland do Ala Moana Mall, sentamos em uma das mesinhas de piquenique e vimos os fogos de lá. Foi demais, super-tranquilo, e as poucas pessoas que passavam pela gente paravam para conversar, celebrar um pouco etc. Recomendo se você quer ver os fogos mas sem entrar na muvuca nem gastar muito dinheiro.

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Estas são as minhas dicas, e espero ter ajudado.

No mais… Hau’oli Makahiki Hou! 🙂

Postado em 13/12/2017 por em Havaí, Oahu
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