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Uma das paisagens do costão da estrada de Hana, em Maui.

Na última sexta-feira, dia 28 de março, o tradicional programa Globo Repórter, da Rede Globo, foi sobre o Havaí, este pedaço de terra no meio do Oceano Pacífico tão encantador. Fiquei sabendo sobre o programa de última hora, quando minha amiga Carol me avisou pelo whatsapp. Como não temos Globo Internacional em casa, assisti depois pela web aos pedaços de vídeo que foram postados no site da Globo. E resolvi dar meu pitaco, que afinal este blog é para isso. :D

(Para quem quiser ver ou rever o Globo Repórter, deixarei os links no final deste post, já que o site da Globo não permite compartilhamento do vídeo dentro de outro site.)

Primeiro, minha opinião geral: eu gostei do programa. Achei que o foco foi bem diferente do Havaí tradicional, com diversas aventuras fora da rota da maioria dos turistas – um Havaí menos hypado, mais roots e pé no chão, digamos assim. A repórter Dulcinéia Novaes apresentou a maior parte das atividades em que se engajou de maneira fluida, e sem grandes tropeços, como se espera do bom jornalismo. E enfatizou várias vezes a enorme diversidade de paisagens das ilhas, principalmente nos costões e praias, e de microclimas, o que acho bem legal. Toda pinta de press trip bem elaborada e executada, né?

Entretanto, duas cenas do programa me deram um pouco de incômodo. Primeiro, a repórter está nadando em uma praia entre tartarugas, e toca o casco de uma delas - além de mostrar no vídeo pessoas alimentando a tartaruga. A tartaruga é um animal na lista de ameaçados de extinção, protegida por lei federal e estadual, leis estas que vedam o toque no animal ou alimentá-lo por causar stress e, potencialmente, configurar assédio. A repórter, portanto, transgrediu uma lei federal e pôs isso na TV, o que não é, em minha opinião, o melhor dos comportamentos para se dar num programa de audiência nacional.

Hawaii - Globo repórter 1
Não importa o quão perto da tartaruga você esteja, não deve tocá-la.

Outra cena incômoda foi na visita da repórter ao Jardim dos Deuses (Garden of Gods, em inglês), em Lana’i. O local tem uma paisagem lunar, onde as rochas avermelhadas sofrem constante erosão do tempo. O lugar (ainda) não é protegido por lei alguma, mas ainda assim, achei desnecessário e não-educativo o que foi feito: coletar um pedaço de rocha de uma das esculturas naturais do terreno para mostrar o quão porosas elas são. Já pensou se cada turista que fosse lá fizesse o mesmo? É óbvio que o terreno está sendo erodido o tempo todo pela ação do vento e das chuvas, mas uma coisa é a erosão natural; outra é a erosão/destruição forçada de um pedaço da paisagem natural. Achei… deselegante.

Por outro lado, achei interessante a escolha da pauta. Quase não falou sobre surfe nem sobre praias famosas que constam em qualquer lista de melhores praias do mundo, muito menos focou em Waikiki/Diamond Head – deu uma breve pincelada, e só. Mas comentou sobre a atração natural mais especial do Havaí, a lava contínua que o vulcão Kilauea expele. Apesar da repórter ter escolhido a forma mais complicada de ver a lava de perto, por trilha – só a título de comparação, num passeio de helicóptero você chega bem perto do lago de lava da cratera e de onde ela estiver saindo na encosta do Kilauea sem se cansar. Imagino (ou melhor, quero acreditar) que se a lava estivesse escorrendo no mar no período em que a equipe de reportagem esteve aqui, eles teriam optado por um passeio de barco para ver a lava de perto, sem tanto sofrimento nem cansaço como o da trilha mostrada. Provavelmente, a escolha da trilha se deveu pelo comportamento da lava no dia, que deveria estar saindo bem longe, inacessível por caminhada simples. 

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Uma das oportunidades mais únicas do Havaí: ver a lava escorrendo de pertinho.

Digamos também que eu irrelevei o fato da reportagem ficar pulando de ilha em ilha como se entre elas a distância fosse pequena – não é, precisa pegar avião para ir de uma a outra. Talvez um mapa das ilhas havaianas sinalizando onde alguns dos momentos principais da reportagem se passavam facilitaria o telespectador; mas isso é uma escolha da edição, vai além do trabalho da repórter. De qualquer forma, para ajudar meus amigos leitores do blog, aí embaixo fiz um mapa para facilitar a visualização das distâncias entre os passeios mostrados no Globo Repórter.

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Taí um mapa dos locais por onde a reportagem passou, para dar uma noção das distâncias aos queridos leitores. Não coloquei a praia das tartarugas porque elas podem ser encontradas, na realidade, em diversas praias. Mapa do Google Maps, adaptado por mim.

Mesmo sem mapa, deu pra ter um gostinho de ilhas bem menos visitadas, como Moloka’i. Achei super-interessante a reportagem sobre os pássaros coloridos, não sabia da existência dessa atividade, e fiquei curiosa à beça pra ver de perto – deve ser liiiindo! A descida ao Parque Nacional Histórico de Kalaupapa – que fica numa península, não numa ilha, como a reportagem diz – também é uma aventura divertidíssima,  no galope de uma mula, e em geral feita por quem tem interesse em turismo histórico e/ou religioso, por conta da colônia de leprosos que o Padre Damien (canonizado a poucos anos) ajudou a manter. O leprosário de Kalaupapa ainda tem pacientes, apesar da doença estar praticamente extinta, e os estudantes de Medicina da Universidade do Havaí a visitam como parte das atividades de uma das disciplinas de curso. Mas, mesmo que seu interesse em história ou religião seja ínfimo, a inacessibilidade da península de Kalaupapa ainda preserva praias lindíssimas praticamente desertas e uma paisagem espetacular, que já valem muito o passeio.

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Península de Kalaupapa, na ilha de Moloka’i.

E eu curti também os brasileiros que foram mostrados na reportagem, porque estão mais ligados ao legado brasileiro dentro da cultura havaiana. A comunidade brasileira no Havaí não é muito grande, e apesar dos surfistas predominarem nos meses de inverno, eles não estão aqui o ano todo, como os capoeiristas estão – além de serem alvo de diversas controvérsias com a comunidade surfista local. O capoeirista Japa (que a reportagem chamou pelo nome verdadeiro, Leonardo) mora aqui há muitos anos (eu o conheci em 2002), e é talvez o brasileiro mais conhecido de toda a comunidade, além de grande divulgador da capoeira praticada em todo o estado. O programa de rádio de música brasileira da Sandy, aos sábados à tarde, também é marcante e bem reconhecido, e é uma divulgação bem-sucedida da nossa cultura para os demais havaianos. Achei a escolha de ambos os “personagens” extremamente adequada, bacana mesmo. (Talvez eu acrescentaria a Cris, dona do trailler que vende coxinhas e pastéis de feira no North Shore, como outra “personagem” bacana de ser entrevistada, pelo legado culinário aos havaianos.)

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Por fim, é sempre bom – pelo menos para mim – ver o lugar que a gente mora retratado de uma maneira tão “paradisíaca”. Eu falo sempre aqui que paraíso é um conceito pessoal, que independe de lugar, que o “Havaí-paraíso” é  fruto de décadas de marketing bem-sucedido, que aqui tem diversos problemas etc. Mas, querendo ou não, quando a gente percebe que outras pessoas, que têm seus próprios paraísos, acham que o Havaí também pode ser adicionado ao conceito de paraíso delas, dá um certo orgulho e conforto em, apesar dos problemas, estar vivendo esse aloha spirit on a daily basis. :)

Tudo de aloha sempre.

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Links para os pedaços da reportagem do Globo Repórter (com vídeo):

Vendo a lava do vulcão Kilauea de perto

- Passeio de barco em Maui para ver baleias jubarte (que já comentei aqui no blog)

- Os pássaros coloridos em Moloka’i

- O Jardim dos Deuses em Lana’i

- Astronomia no topo do Mauna Kea (que também já comentei antes e talvez a parte do programa que eu mais gostei, por motivos de: sou cientista! :D )

- A travessia à Península de Kalaupapa

- A jornada pela estrada de Hana

- As tartarugas verdes pelas praias (que têm comportamentos peculiares no Havaí)

- Brasileiros no Havaí

- O Aloha Spirit

- Galeria de fotos dos bastidores do programa

Semana passada, o Trip Advisor publicou duas listas estilo “top 25″ de praias – as melhores praias do mundo e as melhores praias dos EUA. A melhor praia do mundo, de acordo com essa votação popular deles, foi uma brasileira, a Praia do Sancho, em Fernando de Noronha – merecidíssima colocação, por sinal. (Mas fico imaginando se os coreanos tivessem entrado na votação do jeito que fazem normalmente se não veríamos uma praia de Jeju também na lista…)

Bom, eu adoro listas. E acho que a maioria das listas – pelo menos essas de top 10, top 25 ou top raiz quadrada de 19748,  – não são feitas para serem “racionalizadas”, e sim vistas com leveza, como se fosse uma grande brincadeira pessoal, e discutidas num ritmo de tranquilidade. Então decidi brincar também e dar minha opinião sobre estas listas do Trip Advisor. Como este blog respira Havaí e eu já estava planejando a um tempo refazer minha jurássica lista de 2009 de top 10 praias do Havaívoilá! Chegou a hora.

Primeiro, preciso dizer que o Havaí teve duas praias que entraram na lista de top 25 praias do mundo: Lanikai Beach (em Oahu) e Ka’anapali Beach (em Maui). Concordo muito com a menção a Lanika’i, que acho mesmo uma das praias mais lindas do mundo. Mas discordo da menção a Ka’anapali nessa lista. Como foi votação popular, e Ka’anapali/Lahaina é onde a maior parte das pessoas se hospeda em Maui, acho que a votação foi mais “praia mais representativa de Maui” – e mais vista. Ou pelo menos quero acreditar que tenha sido por isso, porque Ka’anapali não entra nem no meu top 10 de praias do Havaí, que dirá do mundo.

(E lembra quando Waimanalo Beach, em Oahu, foi eleita uma das 10 praias mais bonitas dos EUA? Ainda acho que merece muito, mais que Ka’anapali…)

Já na lista top 25 praias dos EUA, o Havaí emplacou 10 praias – o que por si só já formaria um “TOP 10  PRAIAS DO HAVAÍ – versão Trip Advisor” bem interessante:

- Lanikai Beach (Oahu/ 1º lugar)

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Eu também amo Lanikai. Entre as melhores praias para relaxar em Oahu, quiçá do mundo mesmo.

– Ka’anapali  Beach (Maui/ 2º lugar)

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Nem o efeito HDR na foto salva essa praia. Segunda melhor do Havaí? Simplesmente NÃO.

– Hanalei Beach (Kauai/ 4º lugar)

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Hanalei tem mesmo muita personalidade, e a cada estação está de um jeito. No inverno, é point de surfe certeiro. No verão, mansinha e para amantes do SUP. O píer lá no fundo só aumenta o charme.

– Wai’anapanapa (Maui/ 5º lugar)

Ainda não fui nessa praia, então não posso comentar sobre ela. #ficadicaparamim

– Wailea Beach (Maui/ 6º lugar)

Acho que não, hem… Se você se lembrar que Ahihi Bay, Makena e outras praias muito mais lindas estão ali do lado… vale andar um pouquinho a mais, e aproveitar um cenário beeeem mais bonito. Acho que Wailea padece do mesmo problema de Ka’anapali: é uma área de resorts, então muita gente fica ali, e resume “praia em Maui” a ela.

– Kua Bay (Big Island/ 8º lugar)

Fica perto do aeroporto de Kona, e deve ser bem bonita mesmo, já que aquela costa toda é um desbunde. Mas nunca parei ali para vê-la. #ficadicaparamim

– Hanauma Bay (Oahu/ 10º lugar)

Top10praiasHI-Hanaumasempre

Lei e corolário do bom senso:

“Fica determinado por lei universal que qualquer lista digna de respeito das melhores praias do Havaí TEM que constar Hanauma Bay.”

– Poipu Beach (Kauai, 12º lugar)

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Poipu é fofa. Perfeita para crianças, muito calma e cheia de peixinhos coloridos já na beirada. E com ótima infra-estrutura, já que um monte de resorts estão ali. A foto aí de cima foi num dia meio nublado, e mesmo assim a praia insiste em ser bonita… uma audácia!

– Ko ‘Olina Lagoons (Oahu/13º lugar)

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Seriously?

– Kapalua Beach (Maui/ 24º lugar)

É bem bonita. Mas ali, na costa oeste de Maui, prefiro as vizinhas Oneloa Bay e Honolua. (Eu tirei umas fotos lá, mas quem disse que eu encontro na bagunça do meu HD pra postar aqui?)

A lista do Trip Advisor consolida Maui como a ilha havaiana das praias mais bonitas – e eu até concordo com isso, pero no mucho. :D

Ainda não estive nas praias de Moloka’i, Ni’ihau ou Kaho’olawe – portanto, mais uma vez, minha lista continua um pouco deficitária. Não curto muito praia retona de areia muito batida, que a gente tem que andar um quilômetro para chegar a uma profundidade decente, portanto elas não aparecem aqui. Evitei também praias que já constam na lista acima, para a gente ter a possiblidade de admirar mais ainda esse estado minúsculo que pode gerar top 50 ou top 100 praias – e não se esgotar. Haja diversidade de praias!!!

E tenho uma queda absurda por praias em baías, principalmente se forem repletas de peixes e corais…  Minha lista, portanto, é bem a minha cara, e reflete um pouco das emoções que passei em cada uma delas.  <3

Mas chega de lero-lero, e vamos lá. Depois de 5 anos de volta ao Havaí, eis…

 

MINHAS TOP 10 PRAIAS DO HAVAÍ – VERSÃO 2014

10) Ho’okipa Beach (Maui)

Top10praiasHI-Hookipa
Sabe aquela história que no Rio as pessoas não se “afetam” quando vêem celebridades? Pois em Ho’okipa as pessoas nem se “afetam” quando vêem… tartarugas marinhas – a tartaruga da foto aí em cima é mera coadjuvante da cena da galera, veja só. Esse clima de tanta harmonia com a natureza é o que torna Ho’okipa uma das minhas paradas favoritas no North Shore de Maui. A praia em si também é excelente para a prática de surfe e windsurfe, e nos meses de inverno, as ondas não perdoam.

9) Sandy’s beach (Oahu)

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Esqueça Waikiki e Ala Moana. Se tem uma praia onde as coisas “acontecem” para a moçadinha da ilha, essa praia é Sandy’s. As condições são ótimas para o bodyboard, e predominam na praia a juventude local, com direito a muita azaração. De vez em quando, uma foca havaiana dorme por ali.

8) Koki Beach (Maui)

Top10praiasHI-Koki
Essa praia foi, para mim, paixão à primeira vista. Fica um pouco depois de Hana, em Maui. A foto não mostra, mas do lado direito ainda tem uma ilhota de tirar o fôlego. O vermelho do solo e a cor da água são de arrepiar. Pra voltar muitas vezes.

7) Secret Beach (Oahu, lado oeste)

Top10praiasHI-SecretBeach
Esta praia lindinha fica AO LADO das lagunas de Ko ‘Olina. E ainda tem gente que prefere as lagunas… Ainda bem, né, porque assim Secret Beach continua vazia, charmosa e perfeita para um snorkel sossegado das multidões. Na água muitas tartarugas e, de vez em quando, uma foca havaiana resolve descansar nas areias dali.

(OBS.: Tem uma praia chamada também Secret Beach no lado leste de Oahu, que também merecia entrar se essa lista fosse expandida. Atenção só para não confundir os nomes e as direções.)

6) Hulopo’e Beach (Lanai)

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Mais especificamente a prainha que fica em frente ao Sweetheart Rock, esse rochedo-ilhota com tem esses tons de vermelho impressionantes ao entardecer. Sério: quando você chega nessa praia, a vontade é de nunca mais ir embora.

5) Hapuna Beach (Big Island)

Top10praiasHI-Hapuna
Fica depois de Puako, bem ao norte da Big Island, e perto de outra praia que também merecia entrar aqui, Mauna Kea Beach – então vamos fazer de conta que Hapuna e Mauna Kea estão juntas nesta lista, ok? Ambas são de água transparente linda, com boa infra-estrutura, e perfeitas para esquecer do mundo.

4) Sunset Beach (Oahu)

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Além do óbvio do nome – é um dos melhores pontos para se apreciar o pôr-do-sol no Hawaii – o canto direito de Sunset Beach guarda surpresas deliciosas: diversas piscininhas naturais, que no verão são ótimas para nadar. No inverno, o swell toma conta e a praia fica só para profissionais, mas não tira nada da beleza da paisagem, que continua incrível.

3) Haena Beach (Kauai)

Top10praiasHI-Haena
Confesso que gosto muito de Hanalei, mas naquela área do north shore do Kauai, para mim não tem praia mais gostosa que Haena, lá no iníciozinho da Na Pali Coast – e da trilha de Hanakapiai. No canto direito de Haena fica Tunnels, trecho com um recife de coral maravilhoso perfeito para snorkelar, e milhares de peixes – no inverno, o coral “ameniza” as ondas que costumam bater daquele lado da ilha, mantendo a praia nadável praticamente o ano todo. O visual atrás, com o penhasco enorme já indício da costa da Na Pali, é de arrepiar. Lindíssima.

2) Kahakuloa Beach (Maui)

Top10praiasHI-Kahukuloa
Eu simplesmente AMO esse lugar. A praia é de pedrinhas e brava, portanto nadar aqui exige muita cautela. Mas esse pedaço do paraíso está no fim de um vale super-verde magnífico, e com esse rochedo imponente do lado direito, é uma paisagem para fotografar na memória e nunca mais esquecer.

1) Shipwreck Beach (Kauai)

Top10praiasHI-Shipwreck
Única praia que se repete na minha lista de 2009 e 2014. E vai se repetir eternamente. <3

BÔNUS: Hanauma Bay. Sempre MARAVILHOSA.

Top10praiasHI-HanaumaBay

(Ver acima o corolário sobre Hanauma: toda lista digna de respeito etc. e tal) :D

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E qual a SUA PRAIA PREDILETA NO HAVAÍ? 

Tudo de praias sempre.

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P.S.: Claro, meu coração até dói porque não deu espaço para Eternity Beach nessa lista… ai gisuis, é muita praia pra amar! #grandesproblemasdahumanidade

Lanai-sustentavel

Lanai é lotada assim…

Em janeiro, estive pela primeira vez em Lana’i, a chamada “ilha exclusiva” do Havaí. O apelido faz  sentido: é a ilha do turismo de alto luxo, reservada aos endinheirados do mundo. Foi ali que Bill Gates se casou, por exemplo. Afinal, 98% do território de Lana’i são privados, pertencem ao tec-bilionário dono da Oracle Larry Ellison, cuja fortuna de $42 bilhões de dólares (dados de set/2013) transformam em trocado os $550 milhões de dólares que ele pagou pela ilha, na que foi considerada a maior transação imobiliária da história recente.

Logo depois de adquirir Lana’i, Ellison comprou a empresa aérea de vôos interisland para Lana’i – e para outros destinos havaianos -, a Island Air. Deu uma melhorada significativa na companhia e a diferença de serviço já é bem notável. Continua sendo uma empresa pequena, de aviões menores e ainda com um certo charme antropológico, mas não é mais aquele festival de desencontros e olhares arregalados que foi quando voei em 2009.

Mas, apesar de todas as cifras enormes que envolvem Lana’i, a ilha é de uma simplicidade rústica sem fim. Super-pacata, Lana’i vive uma grande contradição: parece cidade de interiorzão, parada no tempo, sem trânsito e onde as pessoas se conhecem e se cumprimentam na rua com sorrisos fartos. Mas, pelo olhar (e conta bancária) de Ellison, está à beira de uma grande transformação: será a ilha mais antenada com o futuro próximo em termos de sustentabilidade. Ellison quer transformar sua propriedade em um grande laboratório de vida sustentável, totalmente abastecida por energia renovável e com absolutamente todos os aspectos de negócios pensados primeiro em termos de sustentabilidade. (Ellison é um grande doador de dinheiro para empreitadas científicas, e essa reviravolta na ilha não é a primeira vez em que tenta algo bem ousado e a longo-prazo para a “humanidade”.)

Aos meus eco-olhos, só essa perspectiva já transforma Lana’i num interessantíssimo destino, a ser seguido de perto em seu progresso rumo à economia 100% sustentável – principalmente em tempos tão sinistros como os de agora. Não sabemos quando isso acontecerá, mas a contar pelas palavras (e, sempre lembrando, a conta bancária) de Ellison e pela animação da população local, não levará muito tempo. Embora alguns moradores locais sejam contrários às turbinas de energia eólica, muitos dos quase 4000 moradores locais parecem interessados em outras formas de geração de energia limpa, como solar (a ilha já conta com uma usina de geração fotovoltaica) e até das ondas do mar. E principalmente, interessados na oportunidade de incentivarem e desenvolverem o turismo sustentável, aliado a uma agricultura 100% local – e de participarem desse movimento verde de maneira prática.

Há complicações na instauração desse modelo, claro. Um deles é que muito do que é consumido ainda precisa ser trazido para a ilha, que se traduz em frete via barco ou avião, o que sabemos ainda não ser um transporte “sustentável”. Mas esperemos. Porque a torcida para que todo o projeto dê certo é definitivamente maior que os possíveis obstáculos a serem ultrapassados. Um pequeno experimento revolucionário, para ficarmos de olho e, quem sabe, expandir para outras paragens.

Tudo de futuro sustentável sempre.

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Invercargill.

Quando montamos nosso roteiro ano passado para a ilha sul da Nova Zelândia, esta cidade foi incluída como uma serendipidade, porque estava a meio caminho de carro entre os fiordes da ilha sul e a baía de Curio, no extremo sul da ilha sul – o sul do sul, como eu ficava repetindo em loop.

Nossa passagem por Invercargill – In’gill ou Invers, para os íntimos – era planejada, portanto, para ser breve (e foi, poucas horas). Mas longe de ter passado em brancas nuvens, como imaginávamos ao ler os reviews da cidade por sites, fóruns e blogs, que reclamavam da falta do que fazer e do que ver na cidade, Invercargill foi um verdadeiro tornado of souls.

A primeira sensação clara que tivemos em In’gill foi de estarmos num túnel do tempo, de volta à década de 80/90, sob reinado do heavy metal. Sim, em Invercargill, apesar das construções históricas e contidas, a vibe geral era “hell, yeah!”; a cidade que achei mais rock’n roll da Nova Zelândia. A cada esquina, jovens e adultos com suas camisetas pretas do Iron Maiden, atitude por todos os poros, ouvindo Black Sabath em boombox (!!) – quem ainda tem boombox em 2013? Rock nas rádios, nas lojas. Apesar de pequena, até conservadora, a estranheza e o contraste eram patentes: Invercargill esbanjava rebeldia. E me deu a sensação de, por debaixo daquela superfície pacata e até desinteressante, ser uma cidade da turma do fundão, cheia de atitude. Verdadeira loba coberta em pele de (muito) cordeiro.

(Parênteses: Quando eu li semana passada a notícia do médico neozelandês que sofreu uma mordida de tubarão, esfaqueou o bicho, deu ponto em si mesmo e foi ainda sangrando pro bar beber cerveja com os amigos antes de ir para o hospital, juro que pensei logo: só falta esse cara ser de Invercargill. E era. E, de repente, toda a atitude do fulano fez sentido. :D )

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Como era hora do almoço, entramos na primeira lanchonete que vimos, em uma das ruas principais da cidade. E adivinha? A lanchonete era temática, e o tema era… rock’n roll. (O nome Devil Burger já devia ter nos dado a pista…) No menu, sanduíches de nomes inspirados como Death by Pork, The Trouble Maker (para crianças!), Dark Knight, Man Killer e Hard Core Mr. Scratch. Pedi um Old Harry, de peixe; André pediu um de cordeiro. Os sanduíches eram sensacionais, e arrisco dizer que foi o melhor sanduíche de peixe que já comi na vida.

Terminado o almoço, fomos rodar um pouco mais na cidade. Perto do fórum da cidade, passamos pelo famoso monumento guarda-chuva (que na verdade é um relógio de sol!), do artista local Russell Beck, pelo qual a cidade é conhecida. Vimos também o Trooper’s Memorial, dedicado aos soldados da longínqua guerra de Boer, na África do Sul (!?!?). Algumas igrejas, como a Basílica de Santa Maria, eram arquitetonicamente bem fofas. E só, que nosso tempo ali infelizmente era muito curto.

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Basílica de St. Mary.

O clima metal da cidade pode ter sido coincidência, eu sei. Afinal, foram poucas horas que passei em In’gill, impossível fazer qualquer julgamento decente não-superficial. Toda a metalice podia ser por conta de algum evento, apenas, ou um show que se aproximava – vai saber. Mas esta foi minha impressão primeira, que me arrebatou, e eu confesso que foi exatamente o contraste entre a rebeldia das pessoas e a calmaria das ruas que me deixaram ainda mais curiosa. E mais: Invercargill é ponto de partida para Stewart Island, ilha mais ao sul da Nova Zelândia onde há mergulhos com tubarões brancos – portanto, algo me diz que voltarei ali no futuro, para outras aventuras e quem sabe, muitos sons compartilhar nesse South of Heaven.

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Trooper’s Memorial.

Tudo de bom sempre.

[para ler ouvindo: “Different World”, do Iron Maiden.]

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A Anna me escreveu há um tempão – tempão mesmo! – e me mandou um email desses de emocionar, agradecendo as dicas que eu passei aqui no blog, que ajudaram bastante no planejamento dela e dos amigos da viagem pro Havaí. Só que o email veio TÃO detalhado, com um roteiro TÃO bacana, que eu pedi gentilmente para compartilhar com todos aqui. A Anna mandou então as fotos maravilhosas dela e dos amigos, que me deram a absoluta certeza de que este roteiro super-bem-ilustrado ajudará mais gente a se planejar… Viajem juntos com o Havaí da Anna e seus amigos!

[Vou deixar meus pitacos pessoais em itálico entre colchetes pelo texto, ok?]

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Eu e mais 6 amigos chegamos em Oahu e ficamos no Hawaii por 15 dias, durante o verão. Conhecemos 3 ilhas: Oahu, Maui e Big Island. Adoramos suas dicas de passeios!! Foram muito úteis. Alugamos carros nas três ilhas, sendo que em Big Island seguimos sua sugestão e alugamos carro 4X4 para aproveitar todos os passeios. Alugamos carro para 7 pessoas, foi perfeito. Levamos GPS do Brasil, já com mapa dos EUA. Em Oahu compramos um chip pré-pago de celular e colocamos em um de nossos celulares. Foi muito útil para ter acesso a internet durante os passeios, tanto para informações dos locais, restaurantes e etc, quanto para localização pelo GoogleMaps, quando o GPS ficava confuso. Na maior parte do tempo, no entanto, o GPS funcionou super-bem.

Abaixo está o esquema que seguimos… talvez possa ajudar alguém que esteja viajando com grupo de amigos!

DIA 1: chegada a Honolulu às 15h

Almoço: Restaurante Pineapple Room (dentro da Macys do Ala Moana shopping) [Nota malla: o chef é o Alan Wong, considerado por muitos, incluindo Obama, o melhor chef do Havaí.]. Pratos muito saborosos, porém são pequenos, o que pode ser ruim se tiver com muita fome, como nós estávamos!

Tarde: Passeamos na praia em frente ao Ala Moana Center e fizemos algumas compras. Neste dia tínhamos programado visitar o Diamond Head, mas chegamos muito cansados da viagem e resolvemos deixar para o dia seguinte.

DIA 2

Manhã: Snorkel em Hanauma Bay. Maravilhoso!!

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Hanauma Bay.

Almoço: Seguimos sua sugestão e fomos ao Teddy’s Bigger Burgers – e adoramos!

Tarde: Trilha do Diamond Head. Boa caminhada, sob sol, foi melhor mesmo não ter ido no dia da chegada. Tiramos bastantes fotos e aproveitamos para curtir o visual, que é muito bonito. No final da tarde, fomos ver o pôr-do-sol em Waikiki. [Nota malla: leve bastante água, porque é super-seco dentro da cratera!]

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Trilha da subida do Diamond Head.

Jantar: Restaurante Chuck’s. Era perto do nosso hotel e foi muito bom o jantar.

DIA 3

Manhã: Mergulho embarcado no naufrágio Sea Tiger e Ewa Reefs. Fomos com o Ricardo, brasileiro, da Hawaii Ecodivers. [Nota malla: O Ricardo é gente fina!]

Almoço: no Duke’s. Ótimo buffet, com preço bom. [Nota malla: O buffet tem um preço bem razoável, considerando-se que está no centro de Waikiki. Vale a pena pela localização e pela comida. Só não vale se você quer tranquilidade… o bar está sempre cheio e animado! Mas eu adoro!]

Tarde: Começamos a costa leste: fomos até Kailua e de lá fomos descendo sentido sul. Ficamos um tempo curtindo o sol e o mar na praia de Kailua e Lanikai, e depois fomos parando para curtir os mirantes que têm no caminho até o Makapu’u Lookout, passando por Waimanalo.

Jantar: Restaurante italiano Buca di Beppo, uma indicação do Ricardo, e foi muito bom. [Nota malla: As porções do Buca são enormes, ideal para quando se está com muita fome de uma boa macarronada!]

DIA 4

Manhã: Visita ao Pearl Harbour.

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Ilha do Chapéu de Chinês (ou Chinaman’s Hat).

Tarde: Fomos até Kane’ohe e de lá subimos sentido norte até Sunset Beach, curtindo o visual do caminho. No caminho paramos para comer no Giovanni’s e adoramos o camarão! Assistimos ao pôr-do-sol em Sunset Beach. [O Giovanni’s tem estado sempre lotado, e a espera pode chegar a mais de uma hora. Se você passar por ele e estiver vazio, vale a pena; se estiver cheio, vale tentar outro caminhão por perto.]

DIA 5

Manhã: Mergulho em Shark’s Cove, no North Shore. Mergulho com saída de praia, mais uma vez com o Ricardo da Hawaii Ecodivers.

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Shark’s Cove

Almoço: compramos comida pronta no supermercado Foodland, perto de Shark’s Cove, e fizemos um piquenique no gramado da casa do Ricardo, em Waimea.

Tarde: conhecemos Pipeline, Three Tables beach e paramos em Waimea, onde fizemos um snorkel sensacional com tartaruga. De lá fomos até Haleiwa, onde ficamos até o pôr-do-sol.

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Pipeline

Jantar: no Duke’s, em Waikiki.

DIA 6

Manhã: pegamos avião para Big Island. Nos hospedamos em Kona.

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Pôr-do-sol no cume do Mauna Kea.

Almoço: Almoçamos em uma barraquinha perto do hotel, um lanche rápido e seguimos para a praia de Puako, onde ficamos até por volta das 15h, quando pegamos a estrada sentido do Mauna Kea. A subida ao Mauna Kea foi sensacional. A paisagem é muito bonita e quando chegamos lá em cima o pôr-do-sol foi maravilhoso. Na descida paramos novamente no centro turístico de aclimatação e nos telescópios que ficam ali, e conseguimos ver Saturno! No alto do Mauna Kea faz bastante frio realmente, vale levar casaco quente. Estávamos com carro 4X4, mas não foi preciso pois não tinha neve nem tinha chovido.

DIA 7

Manhã: acordamos bem cedo para fazer snorkel com golfinhos em Kealakekua Bay, em Captain Cook. Sensacional: cerca de 15 golfinhos nadando com a gente! Após o snorkel passamos pelas praias de Keauhou e Kailua Bay, mas não paramos.

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Tarde: Aproveitamos a praia e a piscina do nosso hotel e descansamos um pouco.

Final da tarde: Mergulho noturno com mantas. Indescritível! Muito lindo! 16 mantas ao nosso redor!

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DIA 8

Manhã: Estávamos com carro 4X4, então fomos até Green Sand Beach e Black Sand Beach.

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Estrada pra Green Sand Beach – repare no nível de off-road…

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Green Sand Beach

Tarde: Volcano – passeio de carro pelo Parque Nacional dos Vulcões e pôr-do-sol vendo a cratera do ponto de observação. Sensacional vê-la de dia e depois à noite. O vermelho da lava à noite é realmente indescritível.

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Cratera do Kilauea à noite.

DIA 9

Manhã: Fomos até Waimea e de lá começamos o dia pelo Waipio Valley. A vista do vale realmente é linda. Não descemos até lá, ficamos apenas apreciando pelo mirante. De lá fomos conhecer ‘Akaka Falls e Rainbow Falls.

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‘Akaka Falls.

Almoço: Almoçamos em Hilo. Restaurante Pineapples, comida ótima e ótimo atendimento. Vale a pena.

Tarde: passeio de helicóptero pelo vulcão. O lugar que a lava do Kilauea estava caindo no mar era longe e fora do Parque Nacional, então para ir até o local a pé era necessário um dia todo de caminhada a US$100,00/pessoa. Como não tínhamos um dia todo disponível para isso, optamos por fazer o passeio de helicóptero. O passeio vale muito a pena. Conseguimos ver a lava caindo no mar e pontos de lava saindo do solo. Maravilhoso.

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Jantar: Restaurante no centro de Kona chamado Island Lava Java. Comida boa. [Nota malla: É um dos meus pit stops de café da manhã também.]

DIA 10

Manhã: Vôo para Maui. Chegamos em Maui perto da hora do almoço.

Almoço/tarde: Almoçamos em um shopping perto do aeroporto e no começo da tarde fizemos um passeio de helicóptero: West Mountain Maui/Moloka’i. O passeio vai até montanhas e penhascos que não conseguimos ir de carro ou a pé e mostra as cachoeiras do local. A vista do mar em Molokai foi bem legal. Os dois passeios que fizemos foi pela Blue Hawaiian Helicopters. Ótimo atendimento. [Nota malla: Também é minha empresa predileta de helicópteros no Havaí.]

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Cachoeira em Molokai.

Passamos o resto da tarde na praia de Kahana, onde ficava nosso hotel. Lá é possível fazer snorkel bem legal, com tartarugas.

DIA 11

Manhã: Madrugamos e fomos até a empresa Maui Downhill, para iniciar um passeio com nascer do sol no vulcão Haleakala.

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Nascer do sol no topo do vulcão Haleakala.

Subimos com o carro da empresa e chegamos lá ainda noite. O céu estrelado de lá foi realmente lindo. Nunca tinha visto tanta estrela cadente! O frio no entanto é demais! Fomos agasalhados e pegamos a roupa windbreak da empresa, mas mesmo assim estava bem gelado. À medida que o sol vai aparecendo conseguimos ver o cenário lunático ao nosso redor e o colorido das nuvens com o sol. Sensacional. Após o nascer do sol, descemos o vulcão de bike. O passeio vale pelo visual e pelas fotos. Não requer esforço nenhum, pois é só descida. O passeio foi legal, mas faríamos diferente: talvez fosse melhor ir e voltar com carro próprio, sem necessidade de chegar tão cedo e passando menos frio. A empresa era organizada mas os funcionários um pouco grosseiros.

Saindo de lá fomos visitar a vinícola em ‘Ulupalakua, que fica ali perto. [Nota malla: Onde vendem o famoso vinho branco de abacaxi.] Fizemos degustação de vinhos e almoçamos num restaurante que fica em frente a vinícola, o ‘Ulupalakua Ranch Store. [Nota malla: Único restaurante no Havaí que serve hambúrguer de alce!]

Final de tarde: Visita a praia de Napili (norte da ilha), mas não ficamos muito tempo porque estava muito cheia. Fomos até Kahana e fizemos snorkel.

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DIA 12

Manhã: Mergulho em Lana’i em dois pontos: “Cathedrals 2″  e “No name in paradise”). Mergulhos maravilhosos. Visibilidade de mais de 40 m, água cristalina. A entrada da luz pelas crateras e estruturas feitas pelas lavas vale o mergulho.

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Mergulho no Cathedrals 2, em Lanai.

Tarde: praias do norte de Maui. Snorkel em Kapalua. Praia linda e snorkel muito legal, com tartarugas na beira da praia.

Noite: Luau no Old Lahaina Luau. Comida muito boa e boa diversão.

DIA 13

Manhã: Mergulho em Molokini. Dois pontos diferentes em Molokini. Mais uma vez visibilidade de mais de 40m, muita vida. Lindo.

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Mergulho em Molokini.

Almoço: Almoçamos em Lahaina.

Tarde: Visitamos as praias do sul: La Perouse Bay, Wailea, Makena e Kihei. Curtimos a praia por algum tempo em Makena.

DIA 14

Manhã: Fizemos a estrada de Hana. Amanheceu chovendo e foi uma boa opção para o clima. Fomos até Hana sem paradas e na volta fomos parando nos principais pontos para curtir o visual. Achamos melhor esta opção, já que à medida que os ônibus de turismo vão chegando ao local, a estrada vai ficando com mais trânsito, e desta forma pegamos os ônibus no contra fluxo. A estrada é bonita, tem cachoeiras e penhascos, com pontos de visualização bem bonitos. [Nota malla: Excelente estratégia, Anna!]

Almoço: Almoçamos no Pacific’o Restaurant em Lahaina. Restaurante na frente da praia com vista bonita e comida muito boa.
Tarde: Curtimos a praia de Lahaina e aproveitamos para fazer stand-up paddle (SUP).

Noite: Vôo de volta para Honolulu.

DIA 15

Manhã: Como nosso vôo era à noite, fizemos late check-out no hotel e aproveitamos a praia de Waikiki.  Curtimos o sol e fizemos stand-up e aula de surf.

Almoço: Almoçamos em Waikiki mesmo e ficamos por ali até a hora de ir para o aeroporto.

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Vista de Waikiki da trilha do vulcão Diamond Head.

É isso aí, Lucia! Espero que isso possa ser útil para alguém! Sem dúvida nenhuma esta viagem foi perfeita para nós e já queremos voltar de novo!! Adoramos as suas dicas!! Muito obrigada!!

Abraços,

Anna

Anna-Descida-Haleaka-bike

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Anna, querida, eu que agradeço DEMAIS por esse relato sensacional!! E agora que você e seus amigos já aprenderam o caminho… voltem sempre! :)

Tudo de Havaí sempre.

Cone no Haleakala

Cai-me em mãos (via meu amigo Marcelo no facebook) um artigo muito interessante sobre os pontos mais silenciosos do planeta. Fala do jornalista George Foy, que teve uma “epifania” enquanto esperava o metrô em NY e virou um obcecado por lugares sem ruídos humanos – lançou um livro chamado “Zero Decibels”. O artigo comenta sobre o quanto não conseguimos nos livrar do barulho em quase nenhum canto do mundo, o quão o ruído é uma presença constante nas nossas vidas. À parte o fato de que nem todo barulho é desagradável, vivemos realmente num mundo absurdamente auditivo e audível.

Pense bem: na praia, o barulho do mar. Na floresta e no campo, os passarinhos, insetos e as folhas ao vento. Na cidade, nem precisa comentar, né? Barulheira a todo segundo. Mesmo no Ártico, o som dos (muitos) aviões cujas rotas passam por ali gera alguns decibéis. Sempre há um barulho. Se ele é prazeiroso ou não, esta é outra questão; ainda assim, seus ossículos do ouvido interno estão trabalhando para codificar ao seu cérebro aquelas ondas sonoras. O silêncio mesmo, aquele que relaxa seu sistema auditivo, é difícil de ser encontrado. Nessa busca intensa por locais realmente silenciosos, Foy lista alguns pontos nos EUA onde o silêncio absoluto pode ser… ouvido. (Parece contraditório, e talvez a melhor palavra aqui seja silêncio sentido.) Locais onde o nível de decibéis chega a, ou próximo de, zero.

Eu sou muito afetada por sons. Então fazendo uma busca pela minha memória de lugares que já visitei e o quanto e quais ruídos eram associados a eles, acho que o único ponto onde tive a sensação completa de silêncio absoluto foi na cratera do vulcão Haleakala, em Maui - que já foi considerada o lugar mais quieto do mundo (hoje é esta câmara no laboratório Orfield). Nem mesmo no cume do Mauna Kea, na Big Island, temos essa sensação, já que o vento ali está sempre uivando.

Cratera do Haleakala

Na cratera do Haleakala, no entanto, a geografia ajuda: há uma parte rebaixada, e por causa desse rebaixamento, que protege a cratera do vento nordeste (o normal no Havaí), o barulho praticamente não chega. Daí que nem o ruído do vento a gente ouve. E, como o Haleakala está a mais de 10,000 pés de altura, com temperaturas gélidas, não há passarinhos nem insetos nem vegetação no cume – menos ruídos possíveis portanto. (Só a super-endêmica e ameaçada planta silversword consegue sobreviver na cratera do Haleakala.)

Estrada da cratera do Haleakala

Mas, ironicamente, a cratera do Haleakala é um dos passeios mais fundamentais (pra não dizer famosos…) de Maui – especificamente para ver o nascer do sol. São 2 horas de carro de Lahaina até o cume, no meio da madrugada.

Aí você chega no cume e… tem mais de 100 pessoas já por lá, esperando para ver a mesma coisa.  Com tantos carros e tanta gente, é claro que durante o nascer do sol a cratera do Haleakala está longe de ser silenciosa – pelo contrário, é um converseiro ininterrupto. (Sem contar a presença de diversos telescópios, que sugere a presença humana constante por lá…)

Para ver o nascer do sol
A galera pro nascer do sol…

Nascer do sol no Haleakala
…e o famoso nascer do sol no Haleakala, sobre as nuvens.

O frio exacerbado, muitas vezes de números negativos, espanta a maioria das pessoas que vão para o nascer do sol, que estão ali vestidas para férias na praia – já que de lá provavelmente descerão para a praia. Ficam na cratera uma meia hora, no máximo. Mas, se você aguentar um pouco mais o frio – ou se animar a fazer uma das trilhas da cratera – poderá ter a oportunidade de ouro de ouvir o silêncio absoluto. O nada, o zero, um vácuo sonoro.

De repente, a sua respiração, o seu batimento cardíaco, parecem ser ensurdecedores – e, da borda do Kalahaku Overlook, lembro de diversas vezes segurar a respiração pra curtir a experiência alucinante do silêncio. E eu, que sou meio avessa a músicas cantadas, me peguei “cantando” mentalmente alguns dos versos do Arnaldo Antunes:

“Antes de existir a voz, existia o silêncio

O silêncio

Foi a primeira coisa que existiu

O silêncio que ninguém ouviu (…)

Vamos ouvir esse silêncio, meu amor (…)

Do lado esquerdo do peito, esse tambor”

Era este o barulho da minha mente inquieta, estranhando o som do nada ao redor.

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Das várias experiências sensoriais marcantes que tive na vida, o silêncio do Haleakala foi sem dúvida a mais incrível, indescritível e impactante que vivi. O silêncio.

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Haleakala
Vulcão Haleakala

Para viajar:

- Há vários tours de bicicleta para descer o Haleakala. Uma van leva você até o cume, e de lá você volta descendo o “rampão” da montanha de bike. É super-divertido, e dá pra curtir melhor o ambiente inóspito do Haleakala, e ver aos poucos a paisagem mudando, ficando mais verde. 

- Vá bastante agasalhado para a cratera. Faz MUITO frio lá em cima, principalmente se você chega antes do sol aparecer. Uma blusa de manga comprida apenas não é suficiente.

-  Se você quer curtir melhor o silêncio, meu conselho: não vá durante o nascer do sol. Suba até a cratera em outro horário, para evitar o grande número de pessoas. Com sorte, durante o período que você estiver lá, nenhum helicóptero de tours aparecerá e aí o silêncio será total mesmo.

- Para quem quiser ouvir a música “O Silêncio” do Arnaldo Antunes, tá aí o clipe:

 

**Post dedicado ao Marcelo Ramos, que inspirou com a notícia compartilhada.

30ft wave

Estamos em uma semana bem típica e atípica ao mesmo tempo aqui no Havaí. Por um lado, um swell enorme se aproxima – o que é comum nesta época do ano, quando o surfe no North Shore é a atração maior. Só que na realidade este não é um swell, propriamente dito, e sim uma combinação de 3 swells gigantes, com pouco espaçamento entre eles. Tanto swell monstro um atrás do outro é bem atípico.

Hoje, ondas de 30 pés no point mais radical das ilhas – JAWS – garantiram a festa da galera, como vocês podem ver neste slideshow, que o Hawaii News Now postou.

Aí amanhã o mar se acalma (“só” 15 pés), e no domingo/segunda, outro swell MONSTRO chega, esse de 35 pés.

E, para quarta-feira da semana que vem, o último swell gigante, e o mais importante de todos porque… tem potencial de ser consistente o suficiente para que aconteça o raro campeonato de surfe de ondas gigantes Quiksilver In Memory of Eddie Aikau, que rolou da última vez em 2009, em Waimea Bay. Claro, se rolar Eddie, pretendo estar lá na areia acompanhando a festa.

Mas antes de toda essa agitação de surfe, parto amanhã para conhecer uma das ilhas havaianas que nunca fui: Lānaʻi. Provavelmente postarei fotos no Instagram, então se você me segue lá, fique de olho.

E se rolar mega-surfe em Jaws, tentarei atualizar aqui no blog também, ou pelo menos umas fotinhas na página do blog no Facebook, já que na segunda estarei em Maui.

Como podem ver, fim de semana animado, no mar e no ar. Stay tuned.

Tudo de ondas enormes sempre.

Selenium

Caiu-me em mãos um artigo da Agência Fapesp sobre carne enriquecida com selênio (e vitamina E, e óleo de canola…), tão cheio de viagens na maionese e suposições-ditas-como-verdade que nem sei por onde começar a comentar. Eu adoro uma viagem na maionese, mas essa aí do artigo é daquelas que me manda rapidinho de volta a realidade do pé no chão e das sinapses funcionais. Sei que pode ter ocorrido um “lost in translation” típico da relação entre pesquisador e repórter da editoria científica em relação à ciência da coisa – que não é simples, admito; mas mesmo assim, uma pesquisada na wikipedia ou no google já dariam uma boa melhorada no artigo da Fapesp. De qualquer modo, como pesquisadora da área, acho que cabe aqui pausar um pouco as viagens reais e havaianices que inundam normalmente este blog, e deixar registradas minhas considerações críticas, com algumas correções.

(Desculpem se em partes o texto ficar meio árido. É que estou escrevendo porque quero ventilar o meu pensamento, do jeitinho desordenado e cru que ele vem mesmo.)

Vamos lá:

1. Glutationa oxidada não é uma enzima. É um tripeptídeo, três aminoácidos: cisteína-glicina-glutamato. Em estado oxidado.

2. Glutationa reduzida também não é uma enzima. É o mesmo tripeptídeo acima em outro estado de oxidação: reduzido, ou seja, com capacidade de ganhar elétron de outro composto.

3. “Suplementos de selênio orgânico”. Eu tenho uma cisma com essa forma vaga específica de escrever. Que forma de selênio? Selenometionina? Selenocisteína? Seleno-metil-cisteína? Selenoneína? Selenium-yeast? Cada um destes tipos de selênio é absorvido, disponibilizado ao organismo e secretado de maneira diferente, em velocidades diferentes, portanto geram funções e reações diferentes nas células. Seja o boi ou a gente. Seria bom especificar.

4. Embora o músculo não seja um bom órgão de “estoque” de selênio (fígado, cérebro, rins e testículo são os órgãos com maior quantidade de selênio no organismo), a reportagem afirma que as concentrações de selênio oferecidas ao gado foram tão altas que chegaram a aumentar a concentração do nutriente no músculo do gado. Para acontecer isso, possivelmente o selênio no gado estava em níveis considerados tóxicos. O que, se você só se preocupa com a qualidade da carne e não com a qualidade de vida do boi, pode não ser um problema… Mas eu pessoalmente fico um pouco incomodada com isso.

5. O mecanismo bioquímico pelo qual o selênio influencia a diminuição da produção de colesterol via queda de atividade da HMG-CoA reductase, enzima responsável pela síntese de colesterol, ainda não é conhecido. Sabe-se que deficiência de glutationa em ratos não altera triglicerídeos nem colesterol no sangue. Medir glutationa reduzida e oxidada não é suficiente para confirmar nem negar causa, precisa de um experimento mais aprofundado. É, no máximo, uma boa correlação. A sugestão de ser via ativação da glutationa peroxidase (GPx) é válida, mas lembrando que as estatinas, que inibem exatamente a HMG-CoA redutase, diminuem a quantidade de GPx, e diminuem o colesterol do mesmo jeito. E aí, mais ou menos GPx na célula que é bom para o colesterol?

(Nem vou entrar no mérito de qual isoforma do GPx estamos falando… nem que camundongos com muito GPx1 são obesos, com hiperglicemia e têm resistência à insulina…)

5. Misturar vitamina E e selênio em altas concentrações na mesma suplementacão (ou separados…) ainda é motivo de MUITA discussão entre os estudiosos. Em estudos clínicos com humanos, essa mistura não foi muito bem sucedida… de novo: tudo dependerá da biodisponibilidade de ambos os compostos.

6. Anteriormente foi demonstrado que selênio dado ao gado não aumentava a estabilidade oxidativa da carne. Esperando pra ler a discussão do dado de oxidação da carne medido por TBARS comentado no artigo da Fapesp em contraste com o artigo acima citado.

7. Talvez a frase que mais se discutiu no último congresso de selênio que fui em Berlim foi: “selênio é um antioxidante”. O que é um antioxidante? As definições são as mais variáveis possíveis, e por isso, há um grupo significativo de selenólogos que abomina esta frase. Alguns sugeriram inclusive abolir essa caracterização do selênio, por ser extremamente generalista – há selenoproteínas que não são “antioxidantes”, há compostos de selênio sem ação antioxidante. E por aí vai.

8. O consumo da carne enriquecida com selênio de um animal com menos colesterol não foi demonstradao eficiente (ainda) para diminuir o colesterol em humanos idosos, como o próprio artigo cita lá no finalzinho – os resultados dos exames de colesterol dos idosos ainda estão sendo analisados. Apesar de toda a forçação lógica sugerida no início do artigo, que induz à conclusão falaciosa de “mais selênio = menos colesterol”. A resposta simples é: ainda não sabemos.

9. Entretanto, o artigo afirma que os níveis plasmáticos de selênio e vitamina E nestes mesmos idosos já tinha aumentado. Aqui, vale perguntar: em que forma o selênio está nesses indivíduos? Selenoalbumina (como a maior parte da selenometionina é incorporada)? Selenoproteína P (mais disponível para uso biológico direto na célula)? Incorporada ao GPx3 plasmático? Esta é uma questão importante principalmente para avaliar a suplementação como benéfica ou não à saúde humana.

10. “Em países desenvolvidos, já existe esse tipo de produto.” Sim, e nestes países, estudos robustos, com milhares de indivíduos e medindo e comparando as concentrações no solo em diversas regiões do país, demonstraram níveis de selênio deficitários na população, um dado que costumeiramente reflete a deficiência no solo. Podemos afirmar o mesmo da população brasileira? Achei esse estudo feito com 193 brasileiros dizendo que há uma certa deficiência na população de São Paulo comparada ao norte do país – o solo rico em selênio em partes da Amazônia e a presença da castanha-do-pará, riquíssima em selênio, na dieta, contribuem para tal dado. Se alguém achar outros artigos, por favor deixem link nos comentários, que eu adorarei ler, mesmo.

11. Selênio tem inúmeros benefícios. Mas a quantidade necessária para uma boa saúde varia muito pouco, em torno de 55 microgramas por dia. Facilmente a carne enriquecida pode alcançar o efeito oposto na população: supranutrição de selênio. O que é causa para outras preocupações, como diabetes.

12. Deficiência e subnutrição são coisas diferentes. Deficiência de selênio é uma patologia nutricional bastante rara – em partes da China, Finlândia e Nova Zelândia, apenas. O que existe em geral é subnutrição de selênio, ou seja, consumo abaixo da média. Os efeitos da deficiência de selênio são conhecidos há décadas; da subnutrição, ainda tem muito chão de pesquisa científica para se percorrer para entender. Mas há pistas: correlação com certos cânceres e com problemas tiroideanos em humanos, por exemplo.

13. Estes estudos de enriquecimento do leite e da carne de bovinos por meio de suplementação, não são tããão pioneiros, né… menos, pessoal.

14. Ditas estas considerações, é muito provável que algumas pessoas terão, sim, benefícios à sua saúde ingerindo carne enriquecida com selênio e vitamina E, e isso faz valer a pesquisa. Mas é preciso que fique claro que alguns critérios para que este benefício à saúde exista terão que ser investigados individualmente, ANTES do consumo liberado. Principalmente, identificar populações que se beneficiariam mais daquelas que poderiam sofrer danos à saúde a longo-prazo.

Acho que é isto que eu tinha para comentar.

Tudo de selênio sempre.

BerlimFesta15

Estive em setembro/outubro do ano passado em Berlim, para um congresso de minha área de pesquisa. Apesar de ser uma viagem a negócios, aproveitei para tirar uns dias de férias e curtir minha cidade preferida da Europa. E para fazer uma viagem de volta às muitas memórias que tive, desde aquele longínquo dezembro/1997, quando a deixei pela última vez.

Morei em Potsdam em 1997, e, aos 22 anos, fiz de Berlim meu quintal de festas e passeios. Todo fim de semana, quando não pegava o Wochenende ticket e ia para uma cidade qualquer da Alemanha, me via no trem S7 rumo a Berlim. Foi um período cheio de descobertas, aventuras e histórias, em que queria provar pra mim mesma que era capaz de viajar pelo mundo sozinha.

BerlimFesta16

Mas a Berlim de 1997 era ainda um grande canteiro de obras. Potsdamer Platz era apenas um buraco no chão, o início das fundações em ferro pra todo lado. O Reichstag em reformas. Hauptbahnhof era um canteiro de obras. Não havia o Memorial Aos Judeus Mortos na Europa perto do Brandenburger Tor. Prenzlauer Berg era pura vida alternativa mesmo, sem yuppies nem cafés a cada esquina, mas com diversas feiras e shows pirados de música experimental que ficaram na minha memória jovem. Bahnhof Zoo ainda tinha um leve resquício do mundo junkie da Christiane F, mas a sensação era de que aquilo não duraria muito mais. E o Bauhaus Archiv já estava lá, com sua torre colorida linda. Era uma Berlim pós-queda do muro, mas já com uma atmosfera de mudança e (muita) vanguarda aparecendo. Uma revolução social, cultural e econômica acontecia. A população parecia inquieta e animada com todo aquele movimento de revitalização.

BerlimFesta4

Então que quando soube que ia voltar a Berlim, tive que montar uma estratégia de visita para conseguir equilibrar: satisfazer minha memória afetiva e conhecer as novidades, ver no que a cidade se transformara 16 anos depois.

BerlimFesta2

O congresso era no Hotel Seminaris, um hotel 100% de business eleito ano passado o melhor hotel para convenções na Alemanha. O hotel fica em Dahlem, perto da estação Dahlem-dorf (U3), e apesar do certo “isolamento” do burburinho central de Berlim, bastava atravessar a rua para chegar no Museu Etnológico, que estava na minha lista para visitar – um amigo aqui no Havaí comentara sobre a impressionante coleção deles de arte e artefatos polinésios. Aproveitei uma tarde livre para visitar esta coleção – que na realidade inclui objetos melanésios e micronésios também, ou seja, um excelente geralzão das culturas do Pacífico, minha paixão mor.

BerlimFesta11

Durante o congresso, fizemos um passeio pelo lago Wannsee de barco, fomos ao Reichstag, tivemos um jantar de gala no Jardim Botânico de Berlim, andamos pela área Brandenburger Tor/Potsdamer Platz à noite, fomos a pubs em Neukölln, tudo acompanhada de um bando de selenólogos, sendo muitos moradores de Berlim, portanto, guias locais de tabela. Foi extremamente divertido.

BerlimFesta13

Quando o congresso terminou, resolvi que ficaria uns dias a mais em Berlim, para matar minhas saudades da cidade. Nesta extensão da estadia, decidi ficar hospedada em Prenzlauer Berg, bem perto  das minhas memórias. Foi uma decisão mais que acertada. O hotel ficava perto da estação Prenzlauer Allee de S-bahn e da linha de bonde – ou seja, estava super-bem-conectada ao sistema de transporte público.

BerlimFesta10

Como a Berlin Art Week começava naquela semana na cidade, fui na sua abertura um dia à noite, numa festa-exposição de arte num prédio-abandonado-convertido-a-galeria (conceito super-chavão de Berlin!) da Auguststrasse. A festa foi fantástica, com lounges, DJs, arte em impressora 3D, muitas idéias deliciosas e vanguardísticas a todo vapor. Eu amo arte contemporânea, e aquele ambiente todo de respirar a contemporaneidade plástica me fez um bem danado.

BerlimFesta21

Também fui rever o famoso muro – na realidade ver a galeria de arte a céu aberto que ele se tornara. Ter vivido em Berlim me deu um pouco de “imunidade” viajante para não precisar fazer os lerês tradicionais, e deixei pra lá ver o muro na Bernauerstrasse e fui en passant ao Checkpoint Charlie, mas como as transformações e a arte não param na cidade, visitar a Galeria do Leste na Mühlenstrasse foi uma boa desculpa para rever o muro em si com mais calma e apreciação.

BerlimFesta12

Visitei também o Dalí Museum, pertíssimo de Potsdamer Platz, na Leipzigerstrasse. Gostei bastante do museu, cheio de desenhos e trabalhos “comerciais” de Salvador Dalí. As capas mais absurdas de revistas, os folhetos mais surreais possíveis e imagináveis. E ainda: um vídeo sensacional de animação de Dalí em parceria com Walt Disney. Inesquecível.

Fui também (re)visitar o famoso Aquário de Berlin, um dos primeiros do mundo (de 1913) – e definitivamente o primeiro do mundo a ter uma área “aberta” de visitação (na realidade uma estufa), onde ficava a suposta região tropical, com jacarés e pássaros do calor. Hoje, depois de ter visitado tantos aquários pelo mundo, posso dizer que o de Berlin é okzinho. Tem algumas espécies interessantes e de valor educacional único, mas a qualidade dos tanques e da organização das espécies fica muito a desejar. Mas vale pelo peso histórico, e principalmente por seus vitrais coloridos com peixes e animais marinhos desenhados, vitrais estes que foram escondidos durante os bombardeios da Segunda Guerra, e voltaram intactos à estrutura na época da Guerra Fria, sem nenhum dano (para fotos melhores dos vitrais, aqui). Valem o ingresso, sem dúvida.

BerlimFesta19

Neste período pós-congresso, tirei um dia também para visitar Potsdam, onde vivi. Refiz meus passos, peguei o S-7 e da Potsdam Hauptbahnhof, o mesmo ônibus 695, passei pelo prédio onde morava, desci para ver os palácios Sanssouci, Orangerie e Neues Palais, por onde cruzei tantas vezes de bicicleta. Foi emocionante. Depois andei pelo calçadão de Potsdam, onde tomei tantos gelattos com minhas amigas de laboratório. Achei uma loja de bijuterias maravilhosa (na realidade uma franquia de Berlin), e sentei num café para admirar e absorver o quanto a cidade ainda era a mesma, apesar dos 16 anos que me separaram dela. Uma delícia total.

BerlimFesta9

Daí saí de Berlin e fui rodar por outros pontos da Europa (Itália & Portugal), mas teria que voltar a Berlin pro meu vôo de volta ao Havaí. Planejei ficar neste terceiro momento em outra área da cidade. E como queria deixar a visita ao Bauhaus Archiv por último – é meu “pequeno museu” preferido do mundo! – resolvi que queria ficar a uma distância à pé do museu, para ir quantas vezes quisesse. Fiquei no ótimo hotel Berlin, Berlin, a um quarteirão do Bauhaus. É o hotel em que os funcionários da Air Berlin ficam quando em conexão pela cidade. Valeu muito a escolha, porque tive acesso a Bauhaus do jeito que eu queria: quando sentisse vontade. Ver a torre colorida da janela do hotel… ah!!!

BerlimFesta6

Já era outubro, e as folhas começavam a amarelar. O frio característico também já começara a dar sua cara. Apesar deste empecilho significativo, era o feriado da reunificação e uma mega-festa no Brandenburger Tor acontecia – aos moldes das inúmeras festas, festivais e shows que fui no mesmo ponto em 1997. Não podia perder mais essa viagem à memória afetiva.

BerlimFesta22

Não me decepcionei. Era uma mega-rave, com shows de DJs e bandas eletrônicas, shows pirotécnicos e várias barraquinhas de comidas e bebidas tradicionais de rua, muita animação apesar do frio de quase zero. Uma roda gigante iluminava o Siegesäulle, o ponto onde os anjos de Wim Wenders moram.

BerlimFesta1

Além de todos estes passeios e festas, meu objetivo maior era andar à toa e sem rumo pelas ruas de Berlin. Objetivo alcançado! Fiz isso inúmeras vezes, parei para cafés, sem lenço nem documento pelas esquinas da cidade. Respirando e absorvendo cada cheiro, cada gole de Berliner Weisse (grüne, immer), cada visual novo ou velho que a cidade exalava/emitia/emanava. Foi a volta dos corações que nunca foram embora, a re-realização de um sonho que dormiu por 16 anos e descobriu, deliciosamente, que era o melhor dos sonhos, aquele que chamamos de realidade.

Obrigada, Berlim, por cada momento maravilhoso neste outono da sua re-redescoberta em 2013.

BerlimFesta20

Tudo de Berlin sempre.

BerlimFesta7

2014 de amor

É tanta coisa pra comentar sobre estas últimas semanas que não sei por onde começar. Mas começo pelo começo, para citar o óbvio: 2013 foi um ano em que eu pisquei o olho, e puft! ele acabou. Fui meio que atropelada pelo ano, simples assim.

Voou muito. Talvez porque eu mal tenha tido tempo pra respirar, com inúmeras atividades na agenda. Ou porque as prioridades mudaram, e ainda estou me ajustando a esta nova ordem. Ou porque as decisões cruciais foram muitas, a maioria carregadas de complexidades e multilateralidades, na vibe tudoaomesmotempoagora.

Por isso, tudo que eu desejo neste 2014 é relax. E um pouco mais de organização da minha parte na agenda, para que eu possa dedicar algumas horas às brincadeiras dos bytes e ao blog. Que aliás, vai ganhar uma bela novidade em breve; stay tuned.

Por isso a foto da Sexta Sub de hoje. O cardume de peixes formando um coração. (Alguém já disse antes, mas não custa enfatizar: all we need is love.) Organização e amor, num mar azul de tranquilidade, de inúmeras descobertas surpreendentes.

E pessoas acima de tudo, se divertindo e curtindo e descobrindo e redescobrindo e se empolgando e arriscando e aprendendo e vivendo; tudo de bom, sempre.

Esta praia virtual está aberta para os mergulhos de 2014, pessoal! E que venham as boas ondas!

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