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Dos passeios que fiz durante meu período de trabalho na Austrália, um dos  mais espetaculares foi um day tour pela chamada Grande Estrada do Oceano, ou Great Ocean Road. Um dos cartões postais da Austrália está ali: o conjunto de rochas conhecido Doze Apóstolos. Já havia visto um milhão de vezes fotos desta paisagem, e sinceramente, nunca tinha me impressionado. Aquela paisagem, na minha imaginação de tantas costas espetaculares do mundo, parecia overrated.

Pois não é. É que esta paisagem é um destes lugares que só vendo ao vivo para a gente entender a grandiosidade da coisa, sua beleza. Fotografias não conseguem nem pinçar o quão linda toda essa costa é. Na parte onde ficam os Doze Apóstolos há inúmeras paradas, cada uma com uma vista mais espetacular que a outra – e aí a gente tem vontade de dar uns puxões de orelha no Google Images por mostrar quase sempre o mesmo ângulo da paisagem, quando na realidade há uma infinitude de outros mais bonitos.

Para conhecer a Great Ocean Road, o ideal é ir com calma, e ficar pelo menos uma noite hospedado em algum ponto da estrada, em uma das cidadezinhas costeiras que encantam. O trecho parece curto, de Torquay a Warrnambool, mas a paisagem é tão linda, e há tantos pontos para você aproveitar e fazer um piquenique, que realmente é uma tristeza correr. Entretanto, nosso grupo só tinha um dia livre mesmo, e resolvemos fazer o day trip para lá – que melhor ver um pouco do que não ver at all. O tour de 1 dia vale a pena, mas é corrido.

Nosso tour de micro-ônibus saiu de Melbourne num sábado de manhã cedinho. São cerca de 2hrs até chegar na primeira parada da estrada, em Bells Beach. Bells é uma das praias do circuito mundial de surfe, e no inverno ali a água chega a temperaturas inacreditáveis de frias – todos os surfistas precisam enfrentar as ondas em neoprene de 7mm pelo menos. Por incrível que pareça, aquela água gélida não assusta essa galera: centenas aproveitavam na água o swell do dia.

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Perto de Bells, o swell subindo e o surfe pegando…

De Bells para Point Addis Marine Park, um ponto da costa com uma visão do alto de diversas prainhas e reentrâncias. Mas, mais importante, um recife de coral temperado espetacular, onde pode-se mergulhar com o dragão-marinho-folheado (ou leafy sea dragon, em inglês; Phycodurus eques), uma espécie da mesma família do cavalo-marinho, Syngnathidae, e que só existe na costa sul e leste da Austrália. Anotei essa informação num cantinho especial da minha cabeça: quero voltar pra mergulhar ali – mas no verão, com água um pouco mais quente.

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Vista do mirante do Point Addis Marine Park.

A viagem continua por diversas praias, cada uma mais bonita que a outra. Por alguma razão, aquela paisagem costeira me lembrou o Big Sur californiano – o que é um baita elogio, convenhamos. O que me fez pensar também que esta estrada, no verão, deve ser muito mais interessante que no inverno, quando fui. As curvas são muitas, mas nada que alguém que já tenha se aventurado por Hana (Maui) não possa enfrentar tranquilamente…

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No início da Great ocean Road.

Nosso guia era um hippie-surfista, e a cada curva da estrada em que uma onda boa quebrava, ele diminuía a velocidade do ônibus para que pudéssemos acompanhar o espetáculo do swell – às vezes um surfista deslizava na parede de água. Acostumada que sou a assistir ao surfe no Havaí, eu curti à beça estes momentos de slow down do guia, mas meus companheiros de ônibus pareciam não entender ou não curtir tanto assim, e o guia camarada foi logo podado. Oh well.

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Austrália na veia: coala na beira da estrada.

Em uma das paradas na beira da estrada perto de Kennet River, entretanto, a surpresa fofa do dia: diversos coalas (Phascolarctos cinereus) em suas árvores de eucalipto (ou outras), descansando! Aliás, o coala dorme em média 16 horas por dia, portanto é muito provável que você o veja dormindo. Nas poucas horas do dia em que está acordado, estará invariavelmente comendo. Vida de coala é tipo férias em casa: come e dorme non-stop.

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Papagaio-rei-australiano.

Neste mesmo local, além dos coalas, vimos uma série de papagaios-reis da Austrália (Australian king parrot, em inglês; Alisterus scapularis), super-vermelhos e bem animados com a oportunidade de comida na mão. (Particularmente eu não curto alimentar animais, mas várias pessoas do nosso grupo o fizeram para tirar aquela foto chavão com o papagaio no braço.)

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Sorvete de vegemite: pros fortes.

A parada pro almoço deste tour é em Apolo Bay. O almoço em si não teve nada especial, mas a sobremesa… fomos tomar sorvete na Dooley’s Ice Cream, uma lojinha com diversos sabores premiados nacionalmente. Tomei um sorvete de chestnut com tiramisu que, realmente, foi vencedor no meu ranking pessoal. Alguns corajosos do nosso grupo se aventuraram com sorvete de vegemite, aquela pasta de levedura tenebrosa que os australianos amam de paixão – não, obrigada, eu passo.

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Nosso guia figuraça empolgado com uma samambaia da trilha.

Depois do almoço, uma parada rápida para caminhada na mata tropical de samambaias e eucaliptos de Great Otway National Park. A trilha super-bem-marcada facilitou bastante, apesar da lama (chovera no dia anterior). Depois da caminhada digestiva, chegou a hora de conhecer o trecho mais lindo e mais famoso da Great Ocean Road, a costa do Naufrágio no Parque Nacional de Port Campbell onde ficam os Doze Apóstolos.

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Absolutamente nada te prepara para esta costa, que já entrou na minha lista pessoal de top 5 costões do mundo. Os diversos tons de amarelo do calcário já são inacreditáveis, mas com a luz do sol que de vez em quando aparecia, tudo fica de uma claridade e beleza indescritíveis. O dia meio nublado não conseguiu diminuir a beleza desta costa, cujo amarelo é simplesmente impressionante.

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O mar super-violento, entrando nas pequenas e nas grandes praias, os muitos naufrágios, as rochas sedimentares tão bem “alinhadas” em seus 6000 anos de existência, os buracos e arcos formados pela erosão, o barulho ensurdecedor das ondas quebrando violentamente em cada penhasco, em cada esquina de pedra… tudo ali se agiganta e transforma a paisagem a cada segundo, a cada olhar.

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Fizemos duas pequenas trilhas, a do Loch Ard Gorge e o Gibson Steps. Loch Ard Gorge leva a uma das praias “escondidas” pelo terreno, e se caracteriza por diversos “dedos” de terreno sedimentar avançando no mar.

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Praia do Loch Ard Gorge.

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A mesma praia do Loch Ard Gorge, vista de cima.

À frente, o Island Arch e a Mutton Bird Island, onde um pedaço de naufrágio se destaca em dias mais calmos. A trilha completa tem cerca de 4.2 km e dá pra ser feita com tranquilidade em 1 hora e meia, parando para fotografar e tudo mais. Todas as vistas são espetaculares, e dizer que vale a pena é pouco: você não deve sair da Great Ocean Road sem fazê-la completa.

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A costa, vista do passeio de helicóptero.

Entre uma trilha e outra, eu, que adoro uma vista aérea, não pensei duas vezes quando a oportunidade surgiu: fui fazer o passeio de helicóptero oferecido pela 12 Apostles Helicopters. Minhas amigas de curso e eu fomos no último horário do dia, e tivemos o privilégio de ver a costa em tons mais dourados ainda, quase ao entardecer. Olha, não consigo nem explicar direito o quão emocionante foi.

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Depois de uma parada rapidérrima na trilha dos Doze Apóstolos que fica em frente ao centro de informações do parque, parada esta apenas para fotografar os Doze Apóstolos por completo do seu ponto de vista mais conhecido – a foto chavão que aparece pelo Google Images -, fomos fazer a segunda trilha, o Gibson Steps. Que também era pequena, basicamente uma escadaria de calcário com 86 degraus que termina numa praia de frente para os Doze Apóstolos. E foi dali que vimos o pôr-do-sol mais lindo que o estado de Victoria poderia apresentar para a gente. <3

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Pôr-do-sol na praia abaixo do Gibson Steps.

Esta overdose de terreno amarelo calcário com mar revolto (que eu amo ver), de belezas naturais tão únicas, me deixaram meio estonteada, com a cabeça bem leve. O que foi fundamental para encarar as 3 horas de volta a Melbourne, já de noite. Quando acordei do meu cochilo, já estávamos atravessando o rio Yarra, dentro da cidade. Depois de um dia intenso de paisagens incríveis, o sorriso canto a canto era difícil de sair do rosto.

Tudo de bom sempre.

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Para viajar mais:

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Serei sincera: a princípio, não gostei de Melbourne.

Estive lá no final de junho por 10 dias, para um workshop sobre “Exercício, síndrome metabólica e diabetes”, organizado em conjunto pela americana East Carolina University e a australiana Victoria University, e com visitas de campo em Sydney e Canberra. No workshop, alguns dos mais respeitados cientistas do exercício da atualidade. Foi sensacional, as discussões extremamente fascinantes, e saí de lá tendo aprendido muito sobre uma faceta dos meus estudos metabólicos a qual conhecia pouquíssimo.

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Entretanto, mesmo com a companhia agradável de pessoas super-bacanas tão ligadas ao exercício em Melbourne, foi difícil tirar a primeira impressão negativa da cidade.

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Frio. Andar na praia, só encasacado.

Talvez tenha sido o frio que nos recepcionara de maneira tão cortante. Era inverno e a temperatura ficou próxima de zero na maior parte da nossa estadia – um frio com vento atípico, de acordo com o que todos diziam. Eu não gosto de frio, e andar nestas condições, cheia de cachecóis e meias, me drena demais.

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Compostagem gratuita nas ruas de Melbourne: solução criativa de sustentabilidade.

Talvez fosse o fato de que cada vez que algum morador de Melbourne vinha conversar com nosso grupo de pesquisadores estrangeiros, a primeira coisa que mencionavam era que Melbourne havia sido eleita a cidade com melhor qualidade de vida para se viver do mundo – pela quinta vez seguida. E ficávamos todos os estrangeiros, experientes de tantas outras urbes pelo mundo, com aquela cara de interrogação, já que não conseguíamos ver ali muitas das características enaltecidas nos artigos. Claro, um ranking destes vai muito além do que um simples turista de 10 dias pode perceber; contam-se número de médicos per capita, de assassinatos, quantidade e diversidade das atividades culturais, qualidade do transporte público (que, aliás, é gratuito por toda a área central de Melbourne), além de muitos outras características que só morando podemos vivenciar. Mas mesmo assim, a cidade parecia escondida da gente: “como pode ser considerada uma cidade com qualidade de vida onde os restaurantes fecham às 10 da noite?” “E sem transporte público 24hrs non-stop?” “Cadê as ciclovias bem sinalizadas?” Tsc-tsc, e coçávamos a cabeça sem entendê-la.

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Prédio da Victoria University, onde aconteceu o workshop.

Ou talvez minha decepção como caloura de Melbourne tenha sido devido à grande expectativa que acumulei depois de assistir “The Human Scale”, documentário urbanístico sensacional. Este filme conta, em um de seus capítulos, como Melbourne foi “reinventada” por um grupo de urbanistas exclusivamente para o bem-estar de seus habitantes. Principalmente, como as pequenas vielas imundas e perigosas se transformaram no coração da cidade, pulsantes de cultura, entretenimento e vida. (Parênteses: não canso de recomendar este filme, “The Human Scale”. Já o fiz em outro post sobre Christchurch, e reafirmo – dos melhores filmes sobre humanidade em ambientes urbanos já feitos.) 

Por causa do filme, fui para Melbourne esperando encontrar a realização de uma utopia urbanística escancarada a cada centímetro de calçada. E este, meus caros, foi meu grande erro.

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Melbourne típica: grafite em ruazinha escura.

Porque Melbourne não é escancarada em nada. É dessas cidades que você precisa “lutar” para descobrir. Não é uma cidade que te arrebata, nem se apresenta de dia e te ajuda a atravessar a rua – é uma cidade que se esconde, que te ignora a princípio. Cabe a você, turista limitado, trabalhar durante sua curta estadia para decifrá-la em seus enigmas perdidos a cada viela pelas madrugadas da cidade. E 10 dias super-carregados em workshop talvez não tenham sido suficientes para tal.

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Hospedei-me na região perto da maior estação de Melbourne, a Southern Cross, de onde o acesso a muitas das atrações tradicionais dos guias era fácil – e nas que não eram, o transporte público é eficaz. Fui, a priori, fazendo o básico, aquilo que -dizem – faz de Melbourne uma cidade fundamental da Austrália.

Fui à pé para o Melbourne Sea Life Aquarium (que achei okzinho).

Passeei pelo Southbank, às margens do rio Yarra, e jantei 2 vezes em restaurantes muito bons daquela região (apesar do preço meio salgado).

Subi com a moçada do workshop no Eureka Skydeck, a torre de Melbourne, para ver a cidade de cima ao entardecer, quase morrer de pânico no Edge Experience, e tirar fotos jeca simulando queda.

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Fotos jeca de viagem: trabalhamos.

Visitei a Catedral de St. Paul e andei pelo Chinatown. Comi comidas de rua com temperos africanos em Footscray. Tomei café da manhã cada dia em um novo café moderninho nos entornos da Flinders Lane. (Meu predileto foi sem dúvida o Filter by Small Batch, no CBD.)

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Filter by Small Batch, um must para cafeinômanos.

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“Chloe”, a personagem que, nua, a todos ignora. Como Melbourne.

Vi a famosa pintura “Chloe”, de Jules Lefebre, ícone de Melbourne exposta no bar do Hotel Young & Jackson, cuja fascinante história de criação ouvi de um dos nossos colegas de workshop enquanto tomava uma das muitas craft beers locais.

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Craft beer no pub.

Vi um jogo de footie australiano na TV, cujas regras acho que jamais entenderei. Jantei em casa de amigos feitos no curso (thanks, Andy and Steve!), comendo carne de canguru, bebendo um dos muitos bons vinhos tintos do estado de Victoria e olhando pela varanda a micada roda gigante de Melbourne.

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Igreja em St. Kilda.

Passei por St. Kilda no caminho da ilha de Phillips, para  assitir à “Parada dos Pingüins”, uma atração ao entardecer em que se esperam os pingüins-pequenos (Eudyptula minor), a menor espécie do mundo desta ave, voltarem do seu dia de pesca em alto-mar. A colônia ali contém alguns milhares de pingüins – mas eles detestam iluminação, e por isso é terminantemente proibido fotografá-los à noite.

Mas, apesar de visitar estes pontos, parecia que a cidade não se revelava, apenas me ignorava.

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Canguru: mais cara de Austrália tradicional, não tem.

Foi aí que me deu um estalo. E, ao invés de dedicar meu tempo ao turismo convencional dos guias de viagem, com parques, atrações e afins, decidi passar os últimos dias em Melbourne perambulando sem rumo certo por diversas vielas e ruelas coloridas, que se tornaram marca registrada de Melbourne, e que a transformaram no caso acadêmico de urbanismo que deu certo que tanto vi no filme – que ironia, o filme já dizia isso, e até então eu apenas não tinha captado o espírito da coisa. Porque nestas vielas florescem inúmeros bares, restaurantes e cafés, que à noite desabrocham. E, se tem algo que você não pode deixar de aproveitar em Melbourne, é conhecer pelo menos um dentre as centenas de opções de rooftop bars – e foi ali, misturada aos moradores da cidade, no alto de um prédio entre música, drinks e hipsters, que senti Melbourne finalmente começando a se desvendar para mim. Onde finalmente encontrei a vibrante cidade que se escondia a todo custo, vívida, cheia de cores e animação. A cidade com vida bem-vivida. Pena que, quando esta descoberta aconteceu, faltavam poucos dias para que eu fosse embora.

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Um dos vários Rooftop Bars de Melbourne.

E fiquei pensando: santa minha ingenuidade, Bátima! Uma cidade é um conceito tão amplo, e o conceito que o turista formula em alguns dias tão… restrito. Viajante experiente de tantas décadas, foi fascinante ao final da estadia perceber o quão ludibriada fui, avaliando a cidade com a minha perspectiva tão filtrada, tão unilateral, tão turista, tão… diurna.

Melbourne é uma gema preciosa da Austrália – em estado bruto, ainda dentro da mina escura. Você, joalheiro turista, a vai lapidando em cada café, a cada grafite na parede. Ao fim, termina contemplando uma jóia estilosa, cheia de intricados detalhes e muitas escadarias, exposta no mais novo rooftop bar da cidade em noite de lua cheia. É ali, no meio da noite, que Melbourne está, sorrindo e te esperando para mais uma rodada de cocktails e papos alternativos, para te contar com coração aberto e relaxado qual a boa da vez. Melbourne pulsa e não te escapa.

Cheers!

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Tudo de bom sempre.

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Para viajar mais:

    • Não recomendo fazer o passeio para ver os pingüins na Phillip Island. Apesar de soar interessante para crianças, a forma como é gerenciada, com mais de 1000 pessoas sentadas numa arena na praia falando sem parar é totalmente o oposto do que se espera numa atividade com animais em seu habitat natural. Acostumada que sou com passeios assim, de encontro com animais selvagens, achei este particularmente uma roubada sem fim. Entretanto, os pacotes para ver os pingüins costumam incluir uma passagem pela Seal Rocks e pela “Pirâmide”, ambos pontos muito bacanas desta ilha. O passeio valeu a pena por estas duas paradas, IMHO.

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Programa roubada: ver os pingüins.

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Seal Rocks: trilha bem bacaninha.

    • Cada pessoa que conheci em Melbourne, independente da idade e identidade cultural, tinha o seu rooftop bar predileto. Parecia aos meus olhos algo como time de futebol para os brasileiros: você sempre tem o seu de coração. Há rooftop bar para todos os gostos e sons, cada um com sua peculiaridade e ambience. Sugiro fortemente começar sua visita a Melbourne com um pub crawling, para descobrir algum com o qual você se identifique. Uma boa lista você encontra neste link. Meu favorito dentre os que visitei foi o Ferdydurke, na Tattersalls Lane.

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Não gosto de fotografar comida, mas registrei essa entrada de dips no restaurante grego, com o intuito de nunca mais esquecê-la.

  • Comida grega: por conta do grande influxo de gregos na região de Victoria, Melbourne tem alguns dos melhores restaurantes do mundo de comida grega fora da Grécia, perto da Lonsdale St. Fui com uma amiga jantar no Dion, onde fomos servidas pelo super-simpático proprietário e presidente da Associação de Businesses do Greek Precinct, Ignatios Karasavvidis. Ali, saboreei a melhor entrada de patês e dips que já comi na vida. De dar água na boca só de lembrar.
  • Todas as fotos deste post foram tiradas com a câmera do celular, repletas de filtros e outras artimanhas digitais com que adoro brincar.

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O paraíso existe.

Claro, a gente sabe que a definição de “paraíso” é aquela construção individual, super-pessoal, etc. e tal (até rimou!). Mas, desde que me entendo por gente adulta, o meu ideal de paraíso sempre foi estar uma ilha tropical, com muito sol, acompanhada da pessoa que amo, e com um recife de coral coloridérrimo maravilhoso de fácil acesso, para mergulhar a qualquer hora, e cheio de tubarões de muitas espécies para se apreciar.

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Pois nas minhas últimas férias em julho/2015, finalmente achei o meu paraíso: a Ilha de Heron, na costa do estado de Queensland, na Austrália. Situada na parte sul da Grande Barreira de Corais, a pequena ilha se mostrou a materialização de todas as características que fazem o meu paraíso pessoal. Heron está em cima do Trópico de Capricórnio, dentro da Grande Barreira de Corais, e tem  ao redor toda a biodiversidade marinha que só a Grande Barreira de Corais pode oferecer.

Não precisa dizer que foi amor ao primeiro mergulho, né? <3

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Mas, como bem disse Dante Alighieri, “o caminho para o paraíso começa no inferno”. E o inferno aqui atende pelo nome de Gladstone, uma cidadezinha industrial sem personalidade, de onde sai o ferry que leva até Heron Island. Ficamos só uma noite em Gladstone, e acho sinceramente que mais não precisava.

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A chegada na ilha de Heron.

O ferry sai pela manhã de Gladstone. Nosso trajeto de 2 horas até Heron foi tranquilo, sem muito balanço. Dentro do ferry, passava na TV um filme espetacular de 2hrs sobre a vida marinha na Grande Barreira, o que nos entreteu por toda a travessia. Já no meio do caminho, começamos a ver ilhas paradisíacas desabitadas, de areia branquinha e coqueiros. Até que no horizonte, aparece Heron.

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A chegada no píer já é uma festa. O barco ainda nem atracara na ilha e meu coração já começou a bater mais forte: um grupo de raias nadava pertinho de um coral próximo à superfície. Na recepção do hotel, a informação mais fundamental nos foi passada entre sorrisos e sucos de manga: o resort não tem internet nem TV nos quartos. Caso seja um viciado em internet queira conexão virtual, precisa ir ao bar pagar uma taxa salgadíssima por poucas horas. Como nosso objetivo era ficar uma semana offline, aquilo soou como música pros nossos ouvidos.

A ilha de Heron em si é pequena, dividida em 3 áreas: um resort, uma estação de pesquisa científica (com estudos sobre corais e mudanças climáticas!), e uma área de conservação. Com menos de 1 km de extensão e 300m de largura, é possível andar ao redor da ilha inteira com calma em poucas horas.

A estação de pesquisa tem alojamento para até 150 pessoas, e as escolas da região fazem excursões de campo para lá – que sonho! Os visitantes do resort têm acesso à estação de pesquisa durante os passeios guiados, que mostram um pouco de como a ilha se sustenta, e as diversas pesquisas científicas realizadas ali.

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Um martim-pescador-sagrado (Todiramphus sanctus).

A área de conservação em terra faz parte do Capricornia Cays National Park (link em pdf), e está protegida por ser área de desova de tartarugas marinhas, e conter muitas aves ameaçadas – não é à toa que a ilha se chama Heron. 19 espécies de aves vivem ou passam por Heron, incluindo o passarinho nativo zosterópido silver eye (Zosterops lateralis), cuja subespécie capricornius só é encontrada ali. Vimos quase todos os dias, da varanda da nossa cabana, um silver eye destes.

Como escolha de férias, o resort foi perfeito: bem simples, sem luxo, comida decente (não espere nada 5 estrelas), mas com uma preocupação ambiental fortíssima, que para mim é definitivamente o que importa. Água vem de coleta da chuva e é um recurso extremamente limitado ali. Por isso, durante a estadia somos lembrados a todo momento de que precisamos economizar água ao máximo (os banhos, por exemplo, devem ser no máximo de 3 minutos e evitados entre 5 e 7 da noite, que é o horário de pico de consumo d’água). A eletricidade também é gerada ali, mistura de painéis solares, vento e um gerador local. O esgoto é tratado ali mesmo. Absolutamente tudo na ilha é pensado em termos de sustentabilidade – mas sem perder a ternura. Um paraíso em terra.

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No píer, para o pôr-do-sol.

Mas a peculiaridade de Heron mesmo está submersa: um parque nacional desde 1943, há muitas décadas sem atividade pesqueira ou de caça ao redor. E por causa deste histórico incrível de preservação, uma das maiores emoções que tive foi, ao mergulhar, perceber que havia garoupas enormes e outros peixes idosos entre os corais – nos demais locais do mundo, quase não se vêem peixes velhos, porque eles já foram todos pescados. Saber que os peixes ali vivem seu ciclo de vida completo, sem intervenção alguma a não ser do próprio ecossistema ao redor, me fez chorar de alegria embaixo d’água.

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Uma garoupa idosa! Dá até pra ver as rugas… #viajeinamaionese

A rotina na ilha é guiada pelo movimento da maré, e apenas o barulho do mar e dos passarinhos está presente. Quando a maré está alta, é hora de snorkelar à vontade; na maré baixa, hora de caminhar entre os cabeços de coral, para tentar achar o tubarão epaulette (Hemiscyllium ocellatum).

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As atividades organizadas pelo resort são bem espaçadas, todas dependentes da maré e relacionadas ao ambiente.

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Durante uma das caminhadas guiadas pelos recifes de corais.

Durante nossa estadia, fizemos o “Reef Walk”, o “Research Walk” (que visita a estação de pesquisa de Heron), e – claro! – fui ver a “Shark Talk”, em que o guia explica tudo sobre os tubarões e raias que podemos avistar em Heron –  10 espécies ao total, incluindo o fofíssimo tubarão wobbegong (Eucrossorhinus dasypogon). E, de vez em quando, cochilei sobre rochas na praia, ainda vestida de neoprene, horas e horas de relax total.

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O tubarão wobbegong! <3

Em geral, acordávamos cedo para fazer snorkel no píer até às 8am, quando este fechava aos nadadores, e abria-se aos barcos. Como o píer é um dos lugares de Heron onde os tubarões a-d-o-r-a-m passear, ficávamos esperando pontualmente até às 5 da tarde, quando o tráfego de barcos parava e o mesmo reabria para as atividades de snorkel. Na entrada do píer, o navio HMCS Protector faz às vezes de “naufrágio da casa” para agregar peixes e garantir um snorkel sensacional. O navio naufragou em Gladstone em 1943, e realocada para Heron em 1945 pelo Capitão Poulsen, para fazer dali uma barreira ao canal do píer.

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Shark Bay – uma semana olhando para este paraíso…

Em um dos dias, fomos durante a maré alta snorkelar em Shark Bay, que fica no extremo leste da ilha. A trilha de 20 minutos até lá vai por dentro da mata. Em Shark Bay, além dos inúmeros corais maravilhosos típicos da Grande Barreira, um grupo enorme de raias-cor-de-rosa (Himantura fai) descansava no fundo, umas por cima das outras. Praticamente ao lado, um tubarão-viola-gigante (Rhinobatos tipus) também descansava, camuflado na areia branca do fundo. Só tê-los vistos já era uma emoção incrível, mas aí continuando o snorkel a gente acha… mais um monte de raias-de-cauda-plumosa (Pastnachus sephen). Era uma festa de raias tão grande a uma profundidade de menos de 1 metro que a vontade era nunca mais sair dali!

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Tubarão-viola-gigante.

Julho é época das baleias jubarte, e embora elas não sejam tão fáceis de ver como em Maui, de vez em quando um respiro aparecia perto da barreira de corais, para lembrarmos de sua presença.

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Fim de tarde, ainda na água.

Aliás, mergulhar em Heron Island é um sonho total. Só de saber que você está ali, no meio de um patrimônio mundial natural da UNESCO, já é de dar arrepios. Mas aí quando você cai na água com seu cilindro, e vê a qualidade e a saúde do recife de coral ao redor… de entrar em delírio completo! A operação de mergulho em Heron é bastante organizada, e eles saem 3 vezes por dia em pontos ao redor da ilha. As distâncias são pequenas, nada fica a mais de 20 minutos de barco. Embora fosse inverno e a água estivesse um pouco mais fria que o normal, ainda assim foi totalmente possível para mim, friorenta, aproveitar os mergulhos.

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No Heron Bommie, praticamente deitada no fundo com o dive master, vendo um camarãozinho. Reparem no tamanho deste cabeço de coral!! Ah, a Grande Barreira… <3

E, dos points que visitei, o Heron Bommie foi o mais espetacular de todos. Vi ali pela primeira vez um cardume de peixes-unicórnio! Tartarugas eram tantas que já viravam rotina: “mas outra tartaruga?” A gente nem se importava mais tanto com elas. A biodiversidade impressionante naquele cenário inacreditável super-saudável… ah, paraíso!

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Quantas tartarugas você vê na foto?

Para corroborar a definição de paraíso, o amanhecer e o entardecer em Heron paradisíacos também eram espetaculares, cada um deles mais impressionante que o outro. Aliás, a cada dia estava mais difícil escolher: o pôr-do-sol ou o nascer do sol eram mais lindos? Nestes momentos críticos de luminosidade, parecia que o recife de coral ali, da beiradinha da água se transformava, e ficava ainda mais misterioso e maravilhoso. Uma tarde, íamos para o píer ver os tubarões-galha preta (Carcharhinus melanopterus); outra tarde, fazíamos caminhada – e snorkel – até o naufrágio; numa outra, passeávamos pela praia do Gantry, onde uma estrutura de madeira erguida dentro d’água forma a moldura perfeita para ser instagramada.

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O que é mais lindo: um amanhecer com arco-íris…

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…ou um entardecer em que o horizonte parece pegar fogo? Escolha difícil…

Depois que o sol se punha, dourando poeticamente tudo ao redor, o bar do resort se animava, com música ao vivo. A comida era simples, mas honesta, e preferimos diversas noites jantar pelo bar ao invés de irmos comer no restaurante.

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Snorkel no píer.

E os dias se passaram assim, ao sabor da maré, com muita água, sal e sol. Nada a ser feito, e um mar inteiro à nossa frente.

Ficamos apenas uma semana em Heron Island, mas se pudéssemos, teríamos ficado muito mais. Na hora de ir embora, não contive as lágrimas – os melhores dias deste ano de 2015 foram passados ali, desconectada da realidade do mundo, submersa na realidade da vida marinha. Enquanto o barco partia e Heron virava uma linha no horizonte, parafraseei Tina Turner em meu caderninho de viagens:

“Paradise is Here. Paradise is Heron.”

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Tudo de bom sempre.

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Para viajar mais:

  • Heron Island é um destino perfeito para crianças. Vimos inúmeras famílias durante nossa estadia. A facilidade de acesso a inúmeras espécies de corais e afins, além da competência dos guias, torna a estadia em Heron uma grande aula de biologia, conservação e ecologia ao ar livre. E como as praias são todas mansinhas, os pais podem ficar tranquilos na areia descansando…
  • Todos os dias, no café da manhã, eles publicam o “Heron Times”, um panfletinho com as dicas do dia, horários de maré, condições climáticas etc. Não deixe de dar uma olhada, para não resolver fazer snorkel na hora errada, da maré super-baixa.
  • Dá para chegar e/ou sair de Heron de seaplane. A passagem custa caro, mas a vista aérea… deve ser de tirar o fôlego!
  • Há um caixa eletrônico apenas na ilha. Como a internet é capenguíssima e só funciona perto da recepção, cartões de crédito são uma dificuldade para se conectarem também. A melhor solução é dinheiro vivo, ou acumular todas as despesas para pagar tudo de uma vez no final – é o que a maioria faz.
  • A lojinha do resort tem alguns artigos de primeira necessidade, mas não conte com ela. Leve absolutamente tudo que precisa para lá, principalmente remédios, para não ficar na mão.
  • Se você olhar no TripAdvisor, as resenhas sobre Heron são estilo “ame ou odeie”. Acho que é uma questão de expectativa: se você vai para lá esperando todas as benesses de um resort de luxo, funcionários a mercê das suas vontades mais esdrúxulas, vai se decepcionar. (A equipe do resort te deixa à vontade, sem muitos paparicos.) Mas se luxo para você é estar hospedado dentro da Grande Barreira de Corais, com acesso facílimo a todas as maravilhas que ela tem, então você vai amar. 🙂
  • As décadas de preservação fazem de Heron Island um local perfeito para monitorar a acidificação dos corais causada pelas mudanças climáticas. Os visitantes têm a oportunidade de ouvir e discutir sobre alguns dos estudos feitos ali, cujos resultados são alarmantes (pra variar…).

WOD2015---Oceano-saudável,-planeta-saudável

Todo mundo que me conhece de muitos carnavais sabe do meu amor infinito pelo mar. Aliás, não dá pra conversar comigo 5 minutos sem perceber o quão feliz a água salgada me faz.

E  dia 8 de junho é o Dia Mundial dos Oceanos, uma data criada para celebrar e lembrar mais ainda do quão crucial para a vida no planeta é esta enorme imensidão azul. O tema deste ano é “Healthy Oceans, Healthy Planet” (“Oceano saudável, planeta saudável”). O que nos remete à conclusão mais fundamental de todas: que a gente não pode NUNCA take for granted os oceanos do mundo, que nossa saúde frágil DEPENDE da saúde deles.

Neste 2015, decidi de sopetão fazer uma “instagramagem coletiva”. Postei lá no meu instagram uma foto do sul da Big Island do Havaí com este convite/provocação:

“Segunda é Dia Mundial dos Oceanos. De hoje até terça de manhã, postarei só fotos dos pontos marinhos que mais adoro no mundo. Quem quiser, posta também, onde é a “sua praia” com a tag #meumar ou #meuoceano. //

Monday is World Oceans Day. I will be posting from now till Tuesday my favorite ocean spots on the planet. Let’s share our oceans! I invite whoever wants to play, to post your ocean using the hashtag #myocean . A sea of good blue memories to all!!

#meuoceano #myocean #mardememórias #hawaii #havaí #worldoceansday #diadosoceanos #meumar”

O convite também foi pro meu facebook:

“Lá no instagram, resolvi começar uma “instagramagem coletiva” para o Dia Mundial dos Oceanos (8 de junho). Convido todos os amigos e amigas a postar em qualquer mídia social seus pontos favoritos do mar pelo mundo com a tag ‪#‎meuoceano‬ (ou ‪#‎meumar‬, o que você achar melhor…). Vamos inundar de emoções marinhas este dia!

At instagram, I started a posting gallore for World Oceans Day (June 8). I invite all my friends to post at any social media channel their favorite marine spots on the planet with a tag ‪#‎myocean‬. Let’s flood social media with marine emotions!

‪#‎WorldOceansDay‬ ‪#‎DiaMundialDosOceanos‬

A idéia é inundar as redes sociais de azul, dos locais do mar onde cada um mais se identifica. Para que, ao lembrar dos seus bons momentos no mar, lembremos também do quão o mar colabora com nossa saúde física e mental. Vou tentar compilar aqui as fotos que vir aparecendo nas minhas timelines, ok?

E que venha um infinito azul de ondas inspiradoras neste Dia Mundial dos Oceanos de 2015!

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#MeuOceano no #DiaMundialDosOceanos pelo instagram:

#MeuOceano---MariCampos-insta
Antárctica by @maricampos (do blog Pelo mundo)

#MeuOceano---Lucia_eneida-insta
Sancho, Fernando de Noronha by @lucia_eneida (ou Dra. Luluzita, pros amigos 😀 )

#MeuOceano---@luciamalla-Kaikoura
Kaikoura, Nova Zelândia by @luciamalla

#MeuOceano---JulianaRocha-insta
Klein Curaçao by @jsrocha21

#MeuOceano---Hellendpo-insta
St. Martin, St. Lucia & Barbados by @hellendpo

#MeuOceano---@ellenortiz-insta
Santos, SP by @ellenortiz

#MeuOceano---@lucia_eneida-insta
Praia Mansa, Caiobá, PR by @lucia_eneida

#MeuOceano---@jsrocha21-insta2
Ilha da Pedra Furada, Barra Grande, BA by @jsrocha21

#MeuOceano---@lucia_eneida-insta-2
Parque Nacional dos Vulcões, Big Island, Havaí by @lucia_eneida

#MeuOceano - @artesub insta
Atol de Namu, Ilhas Marshall by @artesub

#MeuOceano - @lumalheirosrj insta
Maceió, AL by @lumalheirosrj (do blog Dividindo a bagagem)

#MeuOceano - @santista11 insta
Baía de Guanabara, vista do Parque da Cidade em Niterói, RJ by @santista11 (nossa querida Virginia)

#MeuOceano - @sylviatravel insta
Saco do Mamanguá, RJ by @sylviatravel

#MeuOceano---@hellendpo-insta-2
Magen’s Bay, St. Thomas, Ilhas Virgens by @hellendpo

#MeuOceano---@hotelcalblog-insta
Big Sur, Califórnia, by @hotelcalblog (do blog Hotel Califórnia)

#MeuOceano---@hellendpo-insta3
Valley Church beach, Antigua & Barbuda, by @hellendpo

#MeuOceano---@katesantos_-insta
Pontal do Atalaia, Arraial do Cabo, RJ, by @katesantos_

#MeuOceano---@chicobalafn-insta
Fernando de Noronha, Brasil, by @chicobalafn

#MeuOceano---@mariana0206-insta
Baía de Redonda, CE, by @mariana0206

#MeuOceano---@maricampos-insta2
Galápagos, Equador, by @maricampos

#MeuOceano---@mariana0206-insta2
Em algum lugar do mar, by @mariana0206

#MeuOceano---@emiliagf-insta
Malta, by @emiliagf (do blog A Turista Acidental)

#MeuOceano---@jsrocha21-insta3
Kenepa Beach, Curaçao, by @jsrocha21

#MeuOceano---@majozinha-insta
Akumal, Riviera Maya, México, by @majozinha (do blog Filigrana)

#MeuOceano---@ensaiosdeviagem-insta
Curaçao, by @ensaiosdeviagem (do blog Ensaios de Viagem)

#MeuOceano---@blogporai-insta
Baía de Guanabara, vista do Parque da Cidade em Niterói, RJ, by @blogporai (do blog Por aí)

#MeuOceano---@jeguiando-insta
Itacaré, BA, by @jeguiando (do blog Jeguiando)

#MeuOceano---@carlinhaz-insta
Arpoador, Rio de Janeiro, RJ, by @carlinhaz

#MeuOceano---@anamdo-insta
Santos, SP, by @anamdo (do blog Psiulândia)

#MeuOceano---@emiliagf-insta2
Baía de Guanabara, RJ, by @emiliagf (do blog A Turista Acidental)

#MeuOceano - @artesub insta2
Arquipélago de São Pedro e São Paulo, Brasil, by @artesub

#MeuOceano - @majozinha insta2
Tulum, México, by @majozinha (do blog Filigrana)

#MeuOceano - @maricampos insta3
Curaçao, by @maricampos (do blog Pelo mundo)

#MeuOceano---@emiliagf-insta3
Ilhabela, SP, by @emiliagf (do blog A Turista Acidental)

#MeuOceano---Veve-Mambrini---Rio-Santos
Rio-Santos, by Vevê Mambrini (no facebook)

#MeuOceano---Rute-Brito-face
Ilha Grande, RJ, by Rute Brito (no facebook)

#MeuOceano---@mauoscar-insta
Polinésia Francesa, by @mauoscar (do blog Viajoteca)

#MeuOceano---@marlos_q-insta
Praia do prumirim, Ubatuba, SP, by @marlos_q

#MeuOceano---@marciahenz-insta
Farol do Diamond Head, Oahu, Havaí, by @marciahenz (do blog Quase todas as coisas)

#MeuOceano---@fran_agnoletto-insta
Ponta do mangue, AL, by @fran_agnoletto (do blog Viagens que sonhamos)

E o Sidnei Baena esteve recentemente no Havaí, e mandou diversas fotos desse mar que eu – suspeitíssima – também chamo de #MeuOceano (que é o oceano dele também, pelo visto). Mas, digam a verdade, como não se apaixonar por esse mar?

#MeuOceano---Sidnei1
Moku’ae’ae Island, Kauai, Havaí (a ilha em frente ao Kilauea Lighthouse)

#MeuOceano---Sidnei3
Hamoa Beach, Hana, Maui, Havaí

#MeuOceano---Sidnei2
Pôr-do-sol em Kailua-Kona, Big Island, Havaí

#MeuOceano---Sidnei4
Em frente ao hotel Castle Kona Bali Kai, Big Island, Havaí

#MeuOceano---Sidnei5
Honu! <3

#MeuOceano---Sidnei7
Waikiki, Oahu, Havaí

#MeuOceano---Sidnei6
Waikiki, Oahu, Havaí

E, pra finalizar, a compilação das fotos que postei nessa instagramagem coletiva – ou seja, os mais diversos pontos do oceanos pelos quais sou apaixonada, que considero #MeusOceanos do fundo do coração azul:

#MeuOceano---@luciamalla-Big-Island
Puna, Big Island, Havaí by @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-Laguna-Beach
Laguna Beach, Califórnia by @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-Fiji
Mamanucas Islands, Fiji by @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-insta2
Ilha de Kiritimati, Kiribati by @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-insta1
Tulum, México by @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-insta5
Onda no Palikir Pass, Pohnpei, Estados Federados da Micronésia by @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-insta3
Ilha de Malapascua, Filipinas by @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-insta4
Palau, by @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-insta7
Palau de novo, porque é um dos lugares mais lindos do mundo! By @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-insta6
Ipanema, RJ by @luciamalla

#MeuOceano---@luciamalla-insta8
Wallis Island, Wallis e Futuna, by @luciamalla. Este foi um dos dias “comuns” mais felizes da minha vida… e acho que a foto passa isso. 🙂

#MeuOceano---@luciamalla-insta9
Shipwreck Beach, Kauai, Havaí by @luciamalla. Essa praia está na lista por motivos óbvios. <3

Comida-de-luau

Uma das delícias de uma cidade grande é a constante dinâmica existente: sempre tem algo acontecendo. No caso de restaurantes, tem sempre uma novidade surgindo. Honolulu não é diferente: de uns dois anos para cá, uma série de bons restaurantes abriram – e muitos já caíram no gosto da galera. Apesar de tudo, muita gente não associa Havaí a turismo gastronômico, o que é quase um pecado viajante, dada a enorme quantidade de chefs badalados com restaurantes estreladíssimos por aqui.

Para lembrar a todos que, não só o Havaí é um ótimo destino gastronômico, como está entre os destinos prediletos de quem está atrás das últimas tendências culinárias, decidi fazer esta lista, com os “novos restaurantes” que estão fazendo o maior sucesso atualmente. Meu conceito de “novo” é beeem elástico: aberto nos último três anos ou menos – ou seja, nem tão novo assim. Mas, dada a qualidade da comida e/ou do ambiente, espero que eles durem muitas décadas!!!

Interessantemente, a maior parte desta nova leva está no Chinatown Art District, que vem cada vez mais se firmando como o melhor destino gastronômico de Honolulu.  #FicaDica

E claro, como toda boa lista, tem uma grande falha já de começo: o monte de restaurantes novos que ainda não provei e que portanto não posso adicionar à minha lista pessoal: o Grondin (cozinha francesa-latina em Chinatown), o Monkeypod Kitchen (conceito farm-to-table, fica em Ko’Olina; requer reserva), o Bills (café da manhã estilo australiano em Waikiki), o Mission (conceito farm-to-table, fica dentro do Mission Museum, no downtown), o MW (cozinha havaiana fusion), o Torae Torae (japonês estilo izakaya)… a lista para provar ainda é MUITO longa. Ainda bem! 😀

Mas vamos lá, aos meus 8 restaurantes prediletos da nova safra de Honolulu – so far!

Kanzanam
Interior do Kan Zaman.

8. Kan Zaman – Restaurante marroquino/libanês, com uma entrada modesta e um pátio nos fundos bem agradável. O babaganoush deles é de chorar de tão delicioso! O tajine e o kebab também valem a pena. Às quartas, tem um showzinho de dança do ventre no jantar, é divertido. Endereço: 1028 Nuuanu Ave, Chinatown.

7. 678 Hawaii – Coreano raiz, estilo yakiniku – ou seja, você faz seu churrasquinho na mesa. O dono é uma celebridade humorística coreana, e é o lugar onde os coreanos vão – ou seja, aprovado por quem entende. E, na qualidade de ex-moradora de Seul, me senti de volta à cidade no restaurante. Confesso que não sou muito fã de comida coreana, mas com uma atmosfera excelente e pratos tão autênticos, dá até gosto comer! O mais legal: ao redor da grelha do churrasco, tem um “fosso” onde eles põem o ovo pra cozinhar. Fica uma delícia! Endereço: 1726 Kapiolani Blvd, em frente ao Hawaii Convention Center.

6. Ethiopian Love Restaurant – É o primeiro restaurante etíope da cidade. Antes ficava na região de Kapahulu; recentemente se mudou de mala e cuia para o foodie downtown. O serviço é devagar-quase-parando, mas a comida compensa muito a espera – as sambussas são uma delícia! Curti muito também o pão típico, injera, com tibs de carne e um purê de alho com tumérico. Endereço: 1112 Smith St, Chinatown.

5. Búho Cocina y Cantina – Restaurante mexicano no coração de Waikiki (fica em cima da Victoria’s Secret). O ambiente é de happy hour, com mesas numa varanda enorme. No comando do bar há um mixologista, portanto os drinks são uma atração à parte. As quesadillas e tacos misturam ingredientes não-mexicanos, e no final fica tudo muito bom! Amo ceviche, então é meio suspeito eu dizer que o ceviche deles é sensacional – porque pra mim, só por ser ceviche (limão!!) já é sensacional. 😀  Endereço: 2250 Kalakaua Ave., Waikiki.

4. Highway Inn – Comida havaiana de verdade, tradicional, sem firulas nem turistices. A marca Highway Inn é antiguérrima (desde 1947!), mas o restaurante novo deles no bairro de Kaka’ako é sem dúvida um caso à parte de maravilha. Trabalho ali perto, então de vez em quando vou lá almoçar – e me sinto indo a um luau tradicional com a comida deles. Meus pratos prediletos: o chips de ‘uala com qualquer molho, o akule frito (peixe tipo peroá, super-comum aqui no Havaí), a salada de tako (polvo) e o limu poke. As muitas variedades de loco moco que o Highway Inn oferece fazem sucesso no café da manhã. Endereço: 680 Ala Moana Blvd., Kaka’ako.

3. Lucky Belly – É comum se dizer aqui no Havaí que cada dia da semana você pode comer um tipo de sopa de macarrão diferente, cozido em diversos estilos. Ramen, saimin (o típico do Havaí), udon, pancit, mein… falou em noodle, o havaiano tá dentro! Pois no Lucky Belly, o forte são os ramens – o de cogumelo é um caso a parte de delicioso. A gyoza e o nhoque de shitake também são deliciosos. O preço é meio salgado, mas compensa. Endereço: 50 North Hotel St., Chinatown.

2. Livestock Tavern – Dos mesmos donos do Lucky Belly (fica em frente), mas com uma pegada mais contemporânea e simplificada – entenda-se menos ramen. O destaque do menu é o sanduíche de língua, mas as saladas foram o que me conquistaram – beterrabas com maracujá! O ambiente é modernoso-rústico, cheio de personalidade. Abriu há pouquíssimo tempo, e parece já ser o novato preferido de 9 em cada 10 foodies no Havaí (DataMalla). Endereço: 49 North Hotel St., Chinatown.

1. The Pig and The Lady – Sem nenhuma dúvida o melhor restaurante novo do Havaí – atestado pela lotação sempre cheia. A filosofia dos donos, de promover o “comer em família”, sai dos bancões do salão, onde a conversa é alta e cheia de risadas, e transcende  para os pratos. É comida com amor de mãe, cheia de bons temperos e que te faz um cafuné no coração. O prato mais especial é o Primal Offering, para ser comido por 8 pessoas (é literalmente uma cabeça de porco), e que requer 12 hrs de cozimento – precisa avisar com antecedência de um dia que você vai pedi-lo. Mas você pode na realidade pedir qualquer coisa do menu, que é tudo uma delícia. A culinária tem influência do sudeste asiático, de onde são os donos. O chef é uma das grandes revelações recentes do Havaí. O mais legal é que, além deles terem um serviço de catering de festa, eles ainda mantém barraquinhas nas feiras – procure nos Farmer’s Markets mais badalados a barraquinha com a maior fila, e provavelmente será o The Pig and The Lady, versão comida de rua. Se você tiver que escolher um único restaurante dessa lista, escolha este. Endereço: 83 North King St., Chinatown.

Deu fome, né?

Tudo de bom sempre.

Loco-moco
Loco moco, criação havaiana. Haja dieta… 😀

P.S.: Escrevendo este post, me toquei que minha lista de top 10 restaurantes de Honolulu fora de Waikiki tá precisando de uma renovada… num futuro próximo. 🙂

Cratera Halemaumau 3

Eis que o vulcão Kilauea, na Big Island, tem dado mais um de seus fenomenais – e únicos – espetáculos de fogo nos últimos dias. Na cratera Halemaʻumaʻu, dentro da caldeira do vulcão, o lago de lava há mais de um século não chegava na altura em que está hoje – e em alguns momentos neste último fim de semana, especificamente na madrugada de 2 de maio de 2015, a lava derramou pelas bordas da cratera.

(Parênteses: a cratera que na realidade é uma cratera-dentro-da-cratera, ou um vent. O Kilauea tem uma grande caldeira, dentro da caldeira fica a cratera de Halemaʻumaʻu, e dentro desta cratera, outra “mini-cratera”, que é onde está o lago de lava atual. O Kilauea também tem outra cratera ativa, a Puʻuʻoʻo, que fica mais ao leste, e de onde sai a lava que atualmente está parada perto da cidade de Pahoa.)

Cratera Halemaumau 4

E adivinha onde André e eu estávamos nesta mesma madrugada de 2 de maio? Acertou quem respondeu: na borda da caldeira do Kilauea! 😀

Não foi total coincidência: na quarta-feira vimos no jornal local a notícia da erupção na cratera Halemaʻumaʻu com os detalhes únicos do fenômeno que ocorria nesta semana. Decidimos então viajar até a Big Island na sexta-feira à noite para ver tal erupção histórica. O jornal falava em milhares de pessoas visitando o parque à noite, então nos planejamos para ficar a noite toda pelo Jaggar Museum, que é o ponto mais visitado do Parque Nacional dos Vulcões do Havaí, e de onde se tem uma vista excelente da cratera de Halemaʻumaʻu. A coincidência ficou pelo derramamento de lava ocorrer exatamente quando estávamos lá – porque afinal ainda não dá pra prever onde a lava estará nem quão perto da superfície.

A noite estava linda. Lua quase-cheia, vento soprando a fumaça da lava pra longe da gente, poucas nuvens no céu, que estava super-estrelado – praticamente não há luz elétrica no Jaggar Museum à noite, apenas nos banheiros e uma luz beeeeem fraquinha próxima ao chão no estacionamento. A ausência de luz permite que todo o glow da lava fique ainda mais encantador, realçado no fundo totalmente preto da noite com apenas o glitter das estrelas, e a fumaça vermelha subindo. De arrepiar cada fio de cabelo do corpo de tão lindo e emocionante.

Como esperado, muita gente estava no Jaggar Museum quando chegamos lá, por volta das 11 da noite. O clima entre todos era sensacional: apesar do frio intenso de quase zero, muitas risadas e sorrisos impressionados, muitos cliques cheios de “oooohs” e “aaaahs” cada vez que um pedaço de rocha explodia. E não eram apenas turistas embasbacados. Sabe quando moçadinha fica ao redor de uma fogueira à noite jogando papo fora e ouvindo o barulho da natureza? Pois em Hilo, por esses dias, o point da madrugada da galera parece ser a cratera iluminada, onde o espetáculo-fogueira é constante. Não dá pra criticar a escolha da moçada.

Cratera Halemaumau 2

Ficamos a noite toda no Jaggar. Entre 3 e 5 da manhã, o movimento de pessoas diminuiu bastante – mas não cessou (e eu aproveitei para tirar um cochilo rápido no carro). E lá pelas 5:30 da manhã, o estacionamento voltou a lotar.

Cratera Halemaumau 5

À medida que o céu começava a ser pintado com as cores do dia, a textura e o contorno da cratera ficavam mais nítidos – e o glow tão lindo ia esvaindo. Quando finalmente amanheceu, e apenas a lava amarela continuava a borbulhar sem parar, decidimos que era hora de dizer “até o próximo espetáculo” ao Kilauea. Com os olhos suspirando de felicidade por termos presenciado tanta beleza e força imponente da natureza.

Cratera Halemaumau 6
Nem mesmo a cara de sono consegue esconder minha felicidade…

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E anteontem, dia 03 de maio, à tarde, uma das paredes do Kilauea colapsou e causou uma explosão enorme, também capturada pelas webcams do parque nacional. Para quem curte, a livecam da cratera Halemaʻumaʻu esses dias tem estado bem quente. O vídeo desta explosão na cratera feito pelo US Geological Survey:

 

Simplesmente SENSACIONAL!

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Se você está pelo Havaí por estes dias, eu não tenho outra dica a não ser: vá ver o vulcão antes que ele comece a desinflar de novo (o que também não dá pra prever quando acontecerá). Você não se decepcionará.

(E #ficadica eterna: sempre olhar as condições atuais da erupção e da lava antes de marcar qualquer ida ao Kilauea, para saber exatamente qual a melhor forma de ver a lava no dia da sua visita.)

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Escrevendo este post, me peguei pensando na história do Kilauea que já presenciei nesse tempo de Havaí. Da primeira vez que fui ao parque, em 2002, a erupção era só na cratera Puʻuʻoʻo, a cratera do Halemaʻumaʻu estava silenciosa – era a época que ainda se faziam trilhas até a borda da cratera-da-cratera. Da segunda vez que fui ao Parque, a lava escorria no mar a uma distância próxima (entenda-se “andável”) ao fim da Chain of Craters Road – fizemos até um piquenique “à luz da lava”! – e a cratera Halemaʻumaʻu continuava parada. Em 2007, pequenos lagos de lava apareceram próximos a cratera Puʻuʻoʻo, e em 2008, a cratera Halemaʻumaʻu entrou de novo em erupção, com o lago de lava láááá no fundo, só garantindo que víssemos fumaça do Jaggar Museum. Depois disso, fui ver a lava mais outras tantas vezes. Numa delas em 2013 caindo no mar, quando a distância já não era mais andável (a não ser para aqueles que curtem trilhas longas em terreno quebradiço), pegamos um barco para ver de perto –  de longe a melhor experiência que tive com a lava. Desde então, a lava parou de cair no oceano, começou a escorrer para Pāhoa (e vi um pedaço dessa tragédia de helicóptero ano passado, num passeio com amigos ilustres); e hoje a cratera do Halemaʻumaʻu, que vi praticamente morta em 2002, está dando esse show todo de atividade. Não consigo segurar o suspiro prolongado só de lembrar que presenciei toda essa progressão de atividade de perto… um sonho de criança realizado. 🙂

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Tudo de lava sempre.

Cratera Halemaumau 1

#NoPlaceLikeHome - NASA-heart-earth

Hoje é o Dia Mundial da Terra. E, para celebrar a data, a NASA está organizando uma mega-diversão nas redes sociais com a hashtag #NoPlaceLikeHome , convidando a todos para responder (e postar sua resposta…) a seguinte pergunta: qual é o seu lugar favorito no planeta?

Parece uma questão simples, né? Mas nada pode ser mais difícil de responder que isso para mim.

Como o nome deste blog remete, estou pelo mundo – porque é nele que me sinto em casa. O mundo é minha casa, e tudo que diz respeito a ele, sua saúde física e mental, me afeta. Embora tenha endereço fixo em um ponto do planeta que escolhi para viver, não há como negar que todo o planeta Terra me fascina, das belezas às bizarrices, passando pelas inquietações e lições que diversos lugares suscitam. Todos os caminhos levam à Terra, afinal; minha (nossa!) única casa.

E como não amar cada esquina paradoxal e específica que este mundo oferece? Como não amar esta colcha de retalhos que são os diversos lugares por onde passamos durante nosso breve período de vida? Como não amar as ladeiras de Ouro Preto? Os cheiros de Taipei? As praias do Havaí? As torres da Sagrada Família em Barcelona? As Cataratas do Iguaçu? As memórias de Berlim? As ruínas mexicanas? As paisagens de cinema da Nova Zelândia? A história pelas ruas da Itália? A música urbana de NY? O verde da Amazônia? O sol do Rio? O Morro do Moreno?

Há muito mais detalhes emocionantes nesse mundo que sonha nossa nada vã filosofia. E são estes detalhes que nos permitem aceitar este conceito retalhado de casa, com uma janela de cada cor, paredes enfeitadas, telhado de vidro pro sol entrar. Tudo dentro de um coração que pulsa, onde todas as milhas emocionais acumuladas habitam.

Mas acontece que nossa “Terra” é 70%… água – e a maior parte dela salgada. E, para não cair em auto-incoerência, não nego que parte significativa da minha casa é líquida, está nesta fração enorme que inspira e acalma. No ritmo das ondas que balançam pra lá e pra cá, ao compasso da maré que sobe e desce. Em cada criatura que também chama o ecossistema salgado de casa. Nas pessoas que tiram dali sua subsistência. Nos corais filipinos, nas ondas de Fernando de Noronha, nas correntes marítimas africanas ou nas profundezas marianas. Todos os caminhos da Terra levam a muitas milhas de emoção azul, a perder de vista.

Como não amar… o mar?

Blue island - FSM

No place like Earth? No place like Ocean Earth, our incredible home.

Tudo de bom sempre.

Blind snake Hawaii

Um dos grandes “mitos” biológicos sobre o Havaí é de que nas ilhas não existem cobras. Este é um daqueles mitos tão bem disseminados e estabelecidos, que se você perguntar a maioria da população nativa daqui, eles dirão que é verdade. Lembro de uma vez fazendo uma trilha e uma amiga havaiana me falando com todo orgulho que o mato no Havaí era seguro porque “não existem cobras aqui”.

Mas se você procurar no google, vai encontrar links de sites até medianamente reputados espalhando essa mesma balela – ou desconsiderando as existentes. Que feio.

(Faz sentido a preocupação: grandes cobras, como jibóias e cascavéis, realmente fariam um estrago no ecossistema local, e o estado gasta mundos e fundos para evitar que estes animais cheguem aqui. Mas isso não justifica a inverdade, né?)

Pois bem, amigos, vamos deixar claro de uma vez por todas: há cobras no Havaí, sim. Duas espécies, por sinal. Uma delas marinha, raríssima de se ver, a cobra-marinha-americana ou cobra-do-mar-pelágio (Pelamus platurus) –  que pode ser encontrada em todas as águas tropicais do Atlântico, Índico e Pacífico. Ela tem veneno neurotóxico, mas não consegue inocular numa pessoa por conta do formato da sua boca, sendo portanto inócua a seres humanos. Como, aliás, acontece com a maior parte das cobras marinhas.

Já a outra espécie de cobra é um tipo de cobra-cega, a cobra-cega-de-Brahminy (Ramphotyhlops braminus), minúscula, parece mais um verme, e geralmente gosta de se esconder em ambientes úmidos, como xaxins. Esta cobra é terrestre, foi introduzida no Havaí – a espécie é originária da Índia – e tem uma característica biológica extremamente interessante: todos os exemplares que você encontrar são fêmeas.

Chama-se isso de partenogênese, e é uma forma de reprodução assexuada (popularmente conhecido como “parto virgem”). É um fenômeno comum em algumas espécies de lagartos também, como o Cnemidophorus. A cobra-cega-de-Brahminy era a única espécie conhecida de cobra a se reproduzir por partenogênese até 2012, quando uma píton de um zoológico no Kentucky (EUA) deu à luz a diversas pítonzinhas sem outro macho ao redor de sua jaula.

(Curiosidade: minha sogra era uma bióloga especialista em partenogênese de lagartos da Amazônia, e contribuiu na descoberta de pelo menos uma espécie de lá, a Cnemidophorus nativo.)

Camaleão havaiano
Camaleão visto na Big Island ano passado.

E já que citei lagartos, no Havaí existem 17 espécies reconhecidas de lagartos. Nenhum deles é nativo das ilhas, todos foram introduzidos. A mais comum é o gecko, que você vê pelas casas e está representado em qualquer loja de souvenir que se preze – os havaianos adoram os geckos, acham um bicho que dá sorte, por estar presente em diversas lendas tradicionais. Mas há também camaleões, iguanas e anoles, com suas cores incríveis. Aqui em casa mesmo, no jardim, dá pra ver de vez em quando um anole exibindo seu papo laranja.

Anole havaiano
Anole do jardim.

E esse post fica dedicado aos herpetólogos de plantão, que vêem o Havaí como um ponto desinteressante: aqui também dá pra se divertir entre (poucas) cobras e (alguns) lagartos.

Tudo de bom sempre.

*Resolvi escrever este post depois de ler um de 2010 do The National Parks of the Pacific Islands.

**A foto de abertura do post é pública e foi tirada do site do Departamento de Botânica da Universidade  do Havaí.

Postado em 04/04/2015 por em Animais, Havaí

Originalmente publicado no blog do Marmota, em 28/setembro/2007, como parte de uma série de posts convidados – a “Colônia de Férias”. Na época, fiz uma chamada no blog também. Está sendo republicado porque fui comentar num post da Laira e relembrei dele. Como muitas destas elocubrações viajantes ainda merecem a reflexão, vale trazer a (re)publicação para este espaço.

Ah, algumas das minhas então viagens de sonho já se concretizaram, felizmente. 🙂

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Memorias-de-viagem
Momentos que viram boas memórias…

Meu amigo Marmota há alguns dias veio com essa proposta para mim pelo MSN: “Ah, você não quer escrever um post pro meu blog? O tema é o seu predileto: viagens.” Ao ouvir a palavra mágica, nem cogitei não aceitar o desafio. Afinal, depois da minha estréia esquecível no antigo endereço do blog dele (o texto foi uma experimentação maionesística), percebi uma chance de me redimir, falando daquilo que mais gosto. Dessa vez, não decepcionaria Marmota.

É claro, a conversa no MSN não parou por aí. Logo perguntei o por quê do texto, ao que o Marmota respondeu: “Vou tirar férias e quero publicar textos dos amigos nesse período”. “Vai viajar?”, perguntei curiosa. “Sim. Vou voltar a alguns lugares que adorei na Europa.”

Voltar a lugares marcantes. É interessante que Marmota tenha se decidido a fazer isso, porque em minha fome de novos lugares, raramente volto a lugares que não sejam os óbvios (a casa dos meus pais, amigos queridos, a minha casa, etc.). Não é por mal, eu gosto de reencontrar pessoas, mas se abstrairmos as mesmas da equação, em geral, quero conhecer novas paragens. Buscar o desconhecido para torná-lo memória é uma constante tão presente nas minhas viagens, que me peguei, depois de desligar o MSN, admirando a coragem do Marmota em fazer o oposto: renovar a memória vivida. E pensando nos lugares que eu realmente gostaria de voltar.

Mas antes explico. Eu acho o mundo muito grande e a vida muito curta para tantos lugares legais que existem. Mesmo se eu viver por 100 anos, não vai dar tempo de visitar/conhecer todos os recantos que eu quero (sonhar não custa nada). Esse é um fato óbvio, uma realidade “dolorosa” com a qual convivo dentro de mim. Sofro da síndrome do “eu-nunca-fui-quero-conhecer-pelo-menos-uma-vez-na-vida” – deve haver um nome mais chique para isso em medicinês. É uma espécie de ansiedade crônica pelas esquinas novas do mundo, uma tendência bastante involuntária em escolher viajar para onde nunca fui antes. A condição pode ser frustrante se mal-administrada porque, bem, não podemos conhecer o mundo todo mesmo.

De tal forma que toda vez que sonho em viajar, a vulga síndrome ataca, e a preferência sempre recai para um lugar novo. É claro, tenho uma lista de destinos “prioritários” (que só cresce…). São imprescindíveis no sentido mais profundo da minha paixão por lugares e motivação para eles não falta nunca – falta apenas a dicotomia tempo/dinheiro. Os desertos da Namíbia, os vulcões do Kamchatka, da Islândia, mergulhar em Fiji, ver as montanhas do Nepal e as construções de Brasília* estão nesse bolo. Depois dos prioritários, vêm os que eu chamo de destinos “colaterais”, aqueles que eu quero conhecer mas aguardo uma desculpa (geralmente esfarrapada) para ir – um congresso ou uma visita a um amigo que se mudou para lá, por exemplo. Destinos que não são alvo absoluto dos meus sonhos e leituras, mas se vierem… bem, não vou desperdiçá-los. Portugal e Recife são bons exemplos nesse caso.

Tempo-tempo-tempo
Tempo tempo tempo. Tempo de descobertas.

Mas depois da conversa com o Marmota, eis que decidi fazer a lista dos lugares onde quero voltar. Buscar a memória vivida. E outro dilema surgiu. Um lugar é, por definição, algo estático, mas as circunstâncias que a interação humana e/ou biológica geram o tornam organismos dinâmicos, com vida própria. E nós, viajantes, somos como “fofoqueiros” do planeta. Por onde passamos, vemos, fotografamos, depois contamos pros amigos, parentes, escrevemos cartas, postamos em blogs, compartilhamos aquela vida tão particular da cidade-organismo com o mundo. Sem pedir licença ao lugar: papparazzicamente. O Rio de hoje não é o Rio do Pan e não será o Rio do carnaval do ano que vem. Detalhes farão a sutil diferença, e cada lugar que a gente visita é uma fotografia estática de um momento determinado, e o lugar uma semana depois provavelmente não será mais o mesmo. As cidades escorrem pelos dedos no momento em que você as deixa para trás: elas se remodelam, adaptam-se e estão sempre de cara nova, por menores que sejam, mesmo àquelas que parecem paradas no tempo, como Caixa-Prego.

E temos que nos conformar com isso. A melhor terapia viajante para a mal-fadada síndrome que falei acima é encarar a realidade: você nunca conhecerá plenamente nenhum lugar do mundo. Seja porque você não terá tempo para conhecê-lo, seja porque você não conseguirá vivenciá-lo em sua plenitude por todo o tempo.

A memória vivida é efêmera. Não dá para a gente reviver. Estamos sempre acrescentando novas perspectivas, informações, emoções, e com isso modificando-a. De repente, então, fiquei feliz pelo Marmota: ele faz como eu, busca o desconhecido para adicioná-lo à memória. Apenas o faz de uma forma sistemática, mais estatística: aumenta o número de repetições, voltando aos lugares e criando uma imagem muito mais completa. Dando robustez à memória resultante.

E uma memória robusta de um lugar é, parafraseando o Poetinha, infinita enquanto dura.

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*As construções de Brasília já não são prioridade, pra ver como a gente muda à medida que o tempo passa (felizmente). Hoje minhas prioridades de viagem são as ilhas que desaparecerão com o aumento do nível do mar: Maldivas, Tuvalu, Kiribati, Yap, Midway, Northwestern Hawaiian Islands.

**Para ser lido junto com esse post do Gabriel.

Dancing Sharks

Preciso confessar que não curto futebol americano. Acho um jogo muito chato, de assistir, de entender, de torcer… enfim, não é a minha praia, mesmo. Mas, morando nos EUA, não tem como não se contagiar pela festa que é o Super-Bowl, a final anual do campeonato de futebol americano.

O Super-Bowl é também o grande palco dos marketeiros do mundo. Quando me mudei pros EUA pela primeira vez, não tinha a menor ideia do quão importante para a propaganda mundial eram aqueles intervalos comerciais irritantes que tornavam o jogo extremamente sacal de assistir – toda hora param a bola pra comercial! Mas fato é que, se o seu time de futebol americano não está no Super-Bowl, 99.99% das pessoas assistindo estarão interessadas nos comerciais (DataMalla).

E a terceira atração do Super-Bowl é o show do intervalo. Nos 30 minutos que separam o segundo e o terceiro tempos, sempre acontece um mega-show – já teve ano com Madonna, Michael Jackson, Ella Fitzgerald, Tina Turner… só mega-stars. (Quem não se lembra do bafafá americano quando Justin Timberlake deixou Janet Jackson com um peito de fora ao vivo em pleno SuperBowl?)

Enfim, domingo passado foi o Super-Bowl – SeaHawks, de Seattle x New England Patriots, de Boston. Como sempre, a expectativa das propagandas. E do mega-show do intervalo, que seria com Kate Perry, Missy Elliot e Lenny Kravitz. Fui assistir ao Super-Bowl numa festa com amigos, e não estava nem um pouco empolgada com o mega-show, então nem me empolguei a assistir, fiquei no quintal brincando com os cachorros.

Até que todos os meus amigos começaram a gritar meu nome. Fui na sala e quando chego na frente da TV… dois tubarões dançando no palco!!!!!!!!

Foi amor ao primeiro rodopio. Os dois tubarões eram os back dancers da Katy Perry, num cenário de praia. Imediatamente comecei a imitar seus movimentos de dança, porque eles eram muito cativantes. Quando os dois tubarões desapareceram do palco, eu já considerava aquele o melhor show em SuperBowls ever. Finalmente os tubarões tiveram o holofote que merecem: divertidos, animados, e com cara de bons amigos! Aí fui checar no twitter/facebook: minha timeline de tubarões estava em polvorosa, todo mundo apaixonado pelos dancing sharks.

Também foi peculiar que o tubarão à esquerda da Katy Perry fosse extremamente descoordenado pra dançar, errando diversos passos. Logo, o Left Shark ganhou uma conta no twitter, outra no instagram, virou meme e gif  – ou seja, viralizou. Left Shark virou até tatuagem!

Jaws Left Shark
“Arte” de JMAN7D1.

E de repente, as pessoas começaram a se ligar: o Left Shark representava muito mais que apenas um back up dancer da Katy Perry.  Era a caricatura perfeita de nossas falhas, escolhas e bizarrices da vida; quando a música te leva pra um lado, todo mundo dança no compasso, e você inevitavelmente põe uma capa de tubarão azul, desencana dos passos coordenados e sorri pra câmera, porque o que importa é dançar. E ser feliz.

Somos todos – ou quase todos… – Left Sharks pelos palcos da vida.

Tudo de bom sempre.

Left Shark

(Foto acima postada por Stacey Scott, no instagram.)

P.S.: – No palco do Super-Bowl, por baixo do Left Shark, estava o dançarino Brian Gaw.

– Foto de abertura do post de Christopher Polk.

– Não esqueci do último post da Nova Zelândia. Sai por esses dias, assim que eu conseguir parar de ver vídeos do Left Shark. 😀

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