…e já que a nostalgia tomou conta deste blog esta semana com o relato do meu passeio pelo Xingó, decidi embarcar de vez nela e trazer para a Sexta Sub desta semana outro ponto de saudade do meu Brasil brasileiro: os Lençóis Maranhenses. Que são, de longe, uma das minhas paisagens prediletas do Brasil e do mundo. Estivemos lá em 2007 (há 10 anos!!!!) e até hoje eu me pego pensando que gostaria muito de um dia voltar. Quem sabe um dia…

Sexta Sub: nas dunas dos Lençóis Maranhenses

Reviver aqueles momentos ventados, a felicidade livre e ingênua de escorregar sem pressa na duna branquinha e alva, e tchibum! Mergulhar na lagoa transparente… Ah, que delícia!

Nunca contei minha viagem para os Lençóis Maranhenses com o cuidado devido aqui no blog – na época, só fiz um post-análise sobre os gastos, o que não conta muito. É mais uma destas viagens da memória Malla que vão ficando anotadas no caderninho. Quem sabe um dia…

(Ando nostálgica. Já já passa, pode deixar.)

Tudo de saudade sempre.

Maravilha brasileira: o verde e vermelho dos cânions do Xingó.

Quando estivemos em Aracaju (SE) em 2016, aproveitamos para visitar um lugar peculiar que há tempos eu tinha curiosidade: o Cânion do Xingó, na divisa entre Sergipe e Alagoas. O local fica a 3.5 horas de Aracaju e, apesar da distância, algumas empresas ofereciam o passeio como um day trip saindo de Aracaju. Parecia extremamente cansativo e tenho absoluta certeza que valeria mais a pena ir e ficar pelo menos 2 dias na região.

Entretanto, como nossa viagem para Aracaju foi dedicada à uma mega-reunião de família e só tínhamos um dia livre para conhecer o Xingó, resolvemos encarar o day trip. Juntou-se honrosamente à aventura meu pai que, como bom pai de uma Malla, também adora um pé na estrada. Marcamos tudo de última hora com a Nozes Tour, agência cuja loja física ficava convenientemente próxima ao hotel Aquários na orla da praia de Atalaia Velha perto da Coroa do Meio, onde meu pai estava hospedado.

No dia do passeio, como André e eu estávamos hospedados na casa do meu padrinho no bairro de São José (perto do centro de Aracaju), a van da empresa do passeio combinou de nos pegar às 7 da manhã no terminal hidroviário da cidade, em frente ao Mercado de Artesanato. Quando entramos na van, meu pai já estava lá – fora o primeiro a ser coletado devido à proximidade de seu hotel. Éramos no total 7 pessoas fazendo o passeio naquele dia.

Manteiga de garrafa, hmmmm…

A van seguiu pelas rodovias sergipanas rumo ao interior. No caminho, o guia-motorista foi instrutivo, fez diversas intervenções curiosas, contando algumas histórias sobre o Xingó, sobre Sergipe, Lampião e afins. Fez questão de mencionar, quando passamos por Itabaiana, que esta é a cidade auto-intitulada por um decreto do governo como a “Capital Nacional do Caminhão”. Como o trajeto Aracaju-Xingó é longo, ali perto de Itabaiana fizemos uma parada num posto de gasolina para esticar as pernas – e, no meu caso de semi-gringa, admirar as manteigas de garrafa (aaaaa….) e comer coxinha. 😀

Pelo sertão sergipano.

À medida que a van se adentra no estado, a paisagem vai mudando – estamos no sertão. Ah, o sertão! Este ecossistema árido cheio de histórias e eventos interessantes, marcantes. Na minha cabeça, parecia que me aproximava de uma cena de “Os sertões”, de Euclides da Cunha, um dos meus livros prediletos de todos os tempos. Bateu também uma nostalgia dos tempos de adolescência devorando Graciliano Ramos.

Finalmente chegamos a Canindé do São Francisco, a cidade de onde saem os passeios de barco para o cânion do Xingó. Em Canindé ficava o rio Canindé, que era seco, no fundo do cânion – quando a construção da represa da usina hidrelétrica de Xingó terminou e o reservatório de água da mesma se encheu com a água do rio São Francisco, criou os cânions que hoje vemos, onde antes era o leito seco do Canindé. Com a água da represa ao redor, os cânions parecem ganhar vida. Um impacto de sua geologia sedimentar tão bela, com um contraste de cores entre cânions, água e vegetação espantada da caatinga que transformaram esta intervenção humana à natureza num cartão postal de qualidade do turismo da região.

A primeira parada da van em Canindé é numa pracinha com uma loja de souvenirs às margens do rio São Francisco – exatamente no local onde um ator da Globo se afogara poucos meses antes da nossa visita. Era a única a não me recordar de tal notícia, por sinal. O rio ali me pareceu cheio de redemoinhos, com corrente forte, muito perigoso mesmo.

Na pracinha, duas estátuas homenageavam os famosos da cidade: os cangaceiros Lampião e Maria Bonita. A história de Lampião e Maria Bonita se mistura com a história do sertão, e eles são por excelência o símbolo dessa vida dura e árida que a vegetação da caatinga incita. Sinceramente, por mais famosos que ambos sejam, fico com mixed feelings em celebrar alguém com um passado tão controverso. Tenho plena noção da importância histórica da figura de Lampião e de Maria Bonita no cangaço, principalmente naquele período conturbado da história do Brasil. O quanto sua sobrevivência naquele ambiente árido era já um ato de heroísmo na visão de muitos. Também sei que hoje, com a distância do tempo a seu favor para romancear e mistificar sua pessoa, muitos consideram Lampião como um certo “Robin Hood” do sertão. Mas minha avó cresceu em Sergipe e contou-me histórias de Lampião e seu bando horripilantes que se lembrava dos seus tempos de criança. E é disso que me recordo sempre ao ouvir seu nome: a impiedade e crueldade com que, nas palavras da minha avó, ele respondia aos desafios.

Controvérsias à parte, estava ali para ver o cânion. Chegamos ao portinho nas margens do lago da represa de Xingó, onde estava atracado o catamarã do passeio. A área tem uma boa estrutura, com um restaurante e um pedaço do rio cercado para banho. Embarcamos no catamarã.

Nosso guia era animado…

Logo começou uma música alta, que não parou enquanto estávamos no passeio. A animação é boa, mas por outro lado, eu curto natureza com silêncio também – e me lembrei nostalgicamente do passeio que fiz pelo Doubtful Sound na Nova Zelândia, em que o barco desligou o motor para ouvirmos melhor os barulhos da natureza. Com aquela música, seria impossível tal experiência do ambiente natural. Oh well.

À medida que o barco cruza o lago, o trajeto vai se estreitando. Os penhascos laterais do cânion são realmente espetaculares, com uma coloração incrível, diversos tons de amarelo, laranja e vermelho.

Detalhe do solo de arenito dos cânions, com encrustrações de granito.

Acariciados ao topo pela vegetação esbranquiçada da caatinga e banhados pelo verde do rio São Francisco, formam uma paisagem lindíssima, inesquecível. Meu pai, André e eu estávamos impressionados.

A caatinga do topo dos cânions.

No cânion, diversos pontos são reconhecidos pelo guia que comenta o passeio. No Grupo do Talhado, formação rochosa na região mais ao fundo do cânion, fica a Gruta do Talhado, com uma estátua de São Francisco acessível por uma escadaria de metal.

Gruta do Talhado.

No dia do nosso passeio, estava rolando um imbroglio entre os IBAMAs de Alagoas e Sergipe por causa da jurisdição das águas onde se toma banho no cânion, e a licença para nadar no cânion estava suspensa – como o cânion fica na frinteira entre os dois estados, havia uma disputa por onde efetivamente estava esta área (que significava quem lucraria com esta licença). Não pudemos cair na água, infelizmente. Mas vimos o “cercadinho” onde as pessoas normalmente nadam no cânion. Deve ser uma experiência legal, mas vai ficar pra nossa próxima vez ali. 😉

Cânion do Xingó

Onde supostamente iríamos nos banhar. #SQN

O cânion tem 65km de extensão, e depois de 3 horas de barco, ele retorna ao porto inicial. Ali, almoçamos no buffet delicioso e farto do restaurante, tomamos um banho nas margens deste lago do rio São Francisco  e nos preparamos para encarar a volta de van até Aracaju. Que foi tranquila, com uma parada para comer doce na beira da estrada e ver o pôr-do-sol maravilhoso na caatinga, indicando o fim de um dia de passeio por um recanto especial desse Brasil que a minha vó tanto amava. Só posso imaginar os comentários que ela faria a cada quilômetro da estrada, as áridas histórias da vida com o sol a pino, em casas de pau-a-pique com poucas nuvens no céu.

Mandacaru no sertão sergipano.

Quando cheguei à noite de volta a Aracaju, suspirei de saudades dela.

Tudo de bom sempre.

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Para saber mais sobre o Xingó:

  • Procurei bastante informações detalhadas sobre a geologia da região. Achei três artigos interessantes sobre a geologia do estado de Sergipe, relativamente aprofundados sobre os cânions – que são de arenito com encrustrações de granito. Mas acho também que a região ainda carece de mais estudos, e esta é uma brecha do conhecimento quicando para ser aprofundada por um grupo de pesquisa no Brasil…
  • O passeio de um dia pelo Xingó saindo de Aracaju vale a pena se você, como eu, não tem mais tempo meeesmo para visitar a região. Mas se você tem pelo menos um diazinho a mais, vale ficar em Canindé de São Francisco ou em Piranhas (AL) para aproveitar outros destaques da região – ou fazer um trekking na caatinga. Senti falta de ver bichos numa trilha, pra ser sincera.
  • A usina de Xingó é a quarta maior geradora de energia hidroelétrica do Brazil.

Já que esta foi a semana de comemorações do aniversário deste blog, deixo para a Sexta Sub uma foto desencavada lááááá do fundo da memória blogueira. Alguém lembra uma peculiaridade desta imagem? 😀

Memória Malla

(A “prata da casa”, também conhecida como Velha Guarda da Blogosfera, talvez se lembre…)

A foto em si: uma Malla snorkelando na baía de Kealakekua, Big Island do Havaí, em fevereiro de 2007, observando calmamente três golfinhos rotadores (Stenella longirostris) fofíssimos deslizarem pela água.

10 anos se passaram deste momento! Não é inacreditável como o tempo voa?

Tudo de bom sempre.

 

13 anos: eis que o blog torna-se um adolescente.

E anda mesmo nesta vibe, com diversas transformações e posts em ebulição, numa típica montanha russa digna de um teen de verdade. Mudanças transformadoras virão – adolescência, afinal. Mas não se preocupem: a dose de rebeldia será no estilo Malla de sempre – ou seja, pacata. 🙂

Posso dizer que os rumos do mundo – em muitos casos de um radicalismo adolescente – têm transformado a forma como lido com a internet. No mar de lama e caos, nutro as coisas que me trazem garantias de sorrisos no rosto ou de boas conversas, entre elas este cantinho virtual.

Depois de 2 meses de hibernação, decidi em março voltar a escrever com frequência. Comecei reabrindo a Sexta Sub – e com ela veio junto a empolgação para escrever mais e mais sobre as minhas viagens reais, virtuais e na maionese, além das viagens saudosas, que se acumulam ao longo dos anos no caderno de rascunhos.

Vamos a uma retrospectiva geralzona deste 2016-2017, o 12º ano do blog da Malla. Um ano de emoções intensas – prelúdio da adolescência que chega, talvez.

Neste ano que passou de blogagem, fiz viagens sensacionais com guias maravilhosos. Realizei um sonho acadêmico-científico de ver a sala da premiação do Prêmio Nobel. Conheci a famosa costa do coral de Alagoas e tive a oportunidade de ir (de novo!) à documenta de Kassel.

Mas NADA se compara à viagem mais incrível que fiz em junho-julho ao sul da África,  com direito a muuuuitos bichos, onde realizei meu sonho de décadas de conhecer a Namíbia – e pude estender no topo das dunas de Swakopmund olhando o oceano Atlântico em toda sua magnitude, como vi tantas vezes na minha adolescência em reportagens e propagandas de TV. De quebra, ainda fiquei na janelinha espiando um desbunde de paisagens absurdamente surreais, num vôo que se tornou eterno no meu coração. A Namíbia, aliás, me arrebatou por completo. Resultado: já penso em voltar.

As viagens virtuais também foram intensas. A maior alegria virtual que tenho é compartilhar minha paixão pelo Havaí com todos por aqui, e fico mais feliz ainda quando recebo um feedback e percebo que consegui plantar a sementinha deste lei de aloha em outras pessoas. Para ajudar nesta espiral positiva, tenho me esforçado para que os posts sejam um pouco mais estruturados, com notícias atuais e sugestões diferentes para quem visita o estado do arco-íris. Neste ínterim, escrevi várias dicas de mergulho e snorkel no Havaí, porque afinal água salgada é o que me move. Publiquei também finalmente o guia de hotel em Maui (os da Big Island e do Kauai estão na fila para qualquer dia desses) e aproveitei para facilitar a viagem de muita gente com uma lista de melhores vôos para o Havaí e da melhor sequência de visita às ilhas. Morri de amores pela foca-monge havaiana que deu à luz em plena Waikiki – o bairro com o qual todos nos preocupamos durante as múltiplas marés super-altas deste ano. Garimpei este vídeo delicioso de como era uma viagem ao Havaí em 1924 e divaguei sobre o infra-som emitido pelo vulcão Kilauea. Enfim, viagens virtuais havaianas que se expandiram com a consolidação da minha empresa de turismo.

E, em junho de 2017, o momento mais emocionantemente havaiano de um ano cheio de emoções: a canoa Hokuleʻa chegou de sua jornada pelo mundo, redefinindo o sentido de estar/ser havaiano, e compartilhando com todos um mar de ações bacanas em prol dos oceanos – ações estas urgentes, por sinal.

Já as viagens na maionese… ah, estas não param nunca, né? Tubarões non-stop, óbvio ululante. Mas também me dediquei a (tentar) ler mais livros (uma das resenhas compartilhei no blog; outras estão na fila) e tive duas experiências cinematográficas inesquecíveis neste ano: assisti ao Dekalog do Kieslowski em um dia e à premiere mundial de Chasing Coral com alguns dos cientistas do filme. Também adorei Before the Flood e, na caravana das discussões ecoconscientes, comecei a apalpar um assunto de viagem necessário, o turismo sustentável e seu preço em vários sentidos. Ainda leio muito, reflito sobre o tema e aos poucos compartilharei aqui mais ideias e caraminholas.

E há ainda um lugar especial no meu coração blogueiro para as viagens da memória. Aquelas viagens reais que aconteceram há alguns anos, mas que viram post no ritmo da maré calma deste blog. Neste ano que passou, compartilhei minha paixão sem limites pela paisagem da Île des Pins na Nova Caledônia – outro lugar para voltar quando puder – e pelo Bauhaus Archiv, meu pequeno museu predileto. Outras memórias relembradas foram meu roteiro por Gotemburgo na Suécia passando pelo Kuggen, a visita ao Messner Mountain Museum nos alpes italianos, ao Museu do Azulejo em Lisboa, a curiosa máquina de água gasosa (e de vinho…) na Itália, e o café mais delicioso de Hanoi, o egg coffee. Em termos de viagens da memória, ainda tenho uma listinha com 77 possibilidades de post. Quem sabe nos próximos 13 anos de blogagem eles vêem a luz da internet… sem pressa, pois tudo nesta URL é feito v-a-g-a-r-o-s-a-m-e-n-t-e.

13 anos de Uma Malla pelo mundo

Uma Malla em Molokai – viagem que está na lista dos próximos 13 anos…

E quando me perguntam:

“Escrever 13 anos em blog… Não dá um desânimo?” 

Gente, desânimo me dá de lavar a louça da janta. De escrever sobre assuntos que eu adoro? Algo me diz que ainda vai demorar um pouquinho para o desânimo aparecer. 🙂

E, seguindo a razão, que comece a adolescência do blog!

Tudo de bom sempre às viagens de uma Malla pelo mundo.

O Rogerio deixou este comentário sobre mergulho no Havaí num post antigo do blog:

“Estou pretendendo visitar as 04 ilhas que você sugere em janeiro de 2018, pois pretendo ver as ondas grandes do inverno havaiano. A questão seria que, como mergulhador, pretendia fazer scubadive também. É possivel mergulhar em algumas dessas ilhas também no inverno? Quais as que você recomendaria?”

Como esta é uma dúvida comum, resolvi deixar minha resposta neste post para todos.

Em geral, eu digo que há duas estações claras para atividades no mar no Havaí: o inverno e o resto do ano. No inverno (dezembro a março), as ondas sobem na costa norte (North Shore) de todas as ilhas. É nesta época que os surfistas profissionais “invadem” o estado para aproveitar as ondas enormes. Por causa das ondas gigantes, o North Shore de todas as ilhas fica batido – muito mais complicado para mergulho com scuba.

Mas a gente fica sem mergulhar por causa disso no inverno? Absolutamente não.

Mergulho com arraia jamanta na Big Island também ocorre durante todo o ano, numa baía protegida de Kona.

Porque uma das “leis” do mar do Havaí é que se o North Shore está alto, o sul estará baixo… e é isso que acontece. No inverno, a parte sul da ilha costuma ficar uma piscininha e os pontos de mergulho desta parte são privilegiados. Em todas as ilhas ocorre esta dinâmica do swell alto de um lado, flat do outro.

Para ficar por dentro do swell do dia e das melhores condições possíveis de mergulho, eu uso o app do Surfline, que mostra como estão as ondas em cada point de cada ilha, combinado ao app do Tides Near Me, que mostra a tábua de marés do Havaí. #FicaDica

Como o swell de inverno geralmente vem mais de noroeste, o lado oeste das ilhas costuma seguir o ritmo do North Shore, enquanto o lado leste das ilhas segue as previsões do lado sul. Mas esta dinâmica norte-oeste e sul-leste é uma lei imutável? Claro que não. Há vezes em que o sul e o oeste estão tranquilos, e o leste está impossível de nadar. Mas são dias raros; no geral, a previsão do norte funciona pro oeste, e a do sul pro leste.

Nem pense em mergulhar na Pupukea (North Shore de Oahu) no inverno quando o swell alto chega.

E no resto do ano? Por algumas semanas no verão (junho a setembro), o swell costuma bater no sul, e aí o mergulho na parte sul costuma ser mais desafiador (leia-se: evite); é a hora do surfe in town. E o que a gente faz no verão então? A gente abre um sorriso enorme e vai mergulhar no North Shore, cheio de points fenomenais de mergulho, e que no verão vira finalmente uma piscina “mergulhável”.

Esta dinâmica dos swells altos – norte no inverno, sul no verão – afeta todas as ilhas havaianas. Claro que dependendo da geografia, certos pontos estarão sempre mais calmos que outros. Exemplo: o sul de Maui. Por causa da proteção natural fornecida por Molokini e pela ilha de Kaho’olawe, o sul de Maui está quase sempre piscininha (e o mergulho ali é no ano todo). O mesmo ocorre na baía de Kaneohe em Oahu, protegida pela barreira de corais, que fica praticamente o ano todo tranquila.

Mas quando não há um grande acidente geográfico por perto, pode apostar: se o norte da ilha estiver com ondas grandes, o mergulho no sul deve estar bombando. E vice-versa. Em todas as ilhas.

Peixes coloridos em recife de coral: o ano inteiro presentes em qualquer mergulho no Havaí. Estes aí, na Big Island.

Mas então… qual a melhor época de mergulho no Havaí?

A minha resposta honesta é: o ano inteiro. 🙂

Basta se jogar na água no lado certo da ilha de acordo com a época que você estiver aqui.

Tirando as baleias jubartes que aparecem só no inverno e os filhotes de tubarões-martelo que nascem em julho-agosto, os demais animais marinhos estão praticamente o ano todo por aqui – tartarugas marinhas, arraias jamantas, golfinhos rotadores, focas, peixes coloridos, etc. Em qualquer mergulho você terá a chance de avistar pelo menos um deles.

Tudo de mergulho sempre.

Mergulho no Havaí

Uma Malla mergulhando no Havaí.

Outubro chegou. Eeeeeeee!!!!!

Não escondo de ninguém: outubro é o meu mês favorito no Havaí. Morando aqui, quando este mês começa, parece que a gente sente que o ar das ilhas muda. Eu sei, tecnicamente não muda – continua 78% nitrogênio, 21% O2, 0.04% CO2 etc. Mas o astral geral, o clima de animação… parece brotar neste mês para energizar o inverno inteiro.

Olá! Che-guei!!

Outubro traz uma aura de animação e ansiedade positiva muito boa. Animação porque é em outubro que, em geral, ocorre a primeira avistagem de baleia jubarte nas ilhas –  o sinal de que a deliciosa temporada das baleias está começando. Ansiedade porque já estamos nas etapas finais do campeonato mundial de surfe e o tabuleiro começa a se definir para a “Arena Pipeline” em dezembro. Em outubro, alguns surfistas semi-profissionais que ainda não estão no circuito e os amadores começam a chegar, já para se preparar para outros campeonatos paralelos que ocorrem quando o swell chega.

Olha a onda em Waimea Bay!!

Aliás, o swell… ah, o swell de inverno! Também começa a subir em outubro. É em geral em outubro que ocorre o primeiro swell da temporada, já com ondas grandes para aquecer a galera. Depois de um verão de ondas moderadas no sul da ilha, o primeiro swell é o que tira as ferrugens da moçada. É contagiante estar na praia vendo a alegria da galera se jogando em mais de 12 pés de onda depois de meses só na marolinha.

Outubro mês favorito

Turma do Avatar no Halloween em Waikiki.

Para coroar este mês delicioso, ainda tem no último dia o Halloween. Que é imperdível em Honolulu ou em Lahaina, onde rolam mega-bagunças nas ruas, com todo mundo fantasiado e risadaria total com a criatividade da galera. Pensa bem: na maior parte dos EUA, outubro já faz frio, e as festas de Halloween terminam sendo boa parte indoors – mas não no Havaí, onde a amena temperatura permite que se fique na rua o quanto quiser…

E de quebra, outubro é o mês mais barato para se visitar o Havaí. É considerado um “shoulder month”, como o pessoal do turismo diz aqui, quando há menos turistas pelas ilhas. Por não ter nenhum feriado japonês e ser um mês escolar sem respiro para os americanos, termina sendo um mês em que as pessoas vêm menos visitar – o que é uma ótima notícia para quem quer fugir de (muita) muvuca – ainda tem bastante gente, mas é um pouco menos que a média, digamos assim.

Baleias, surfe, lugares (um pouco) mais vazios, bagunça de rua e preços mais justos. Nem precisa de mais nada para outubro ser perfeito, né não?

Tudo de bom sempre.

Esta foi uma semana cheia de atividades, de ups and downs, com ótimas notícias e alguns deslizes. Mas, parece que tudo convergirá para um mesmo ponto – e tomara que não seja um buraco, né…

Ups and downs

Stay tuned.

Um ótimo fim de semana a todos e tudo de bom sempre.

Postado em 29/09/2017 por em Sexta Sub

Ontem foi Museum Day, o evento nacional americano em que diversos museus abrem gratuitamente ao público. Neste ano, escolhemos visitar em celebrção da data o Museu Estadual de Arte Havaiana – em inglês, Hawaii State Art Museum. Este museu é normalmente gratuito, portanto o Museum Day apenas nos impulsionou a visitá-lo. 🙂

Foi minha primeira vez neste museu, e confesso que por aqui não se fala muito dele, então não fazia muita ideia do que ia encontrar. Sabia que era um museu de arte contemporânea – e estando ainda empolgada com as artes que vi na Documenta mês passado, me empolguei para ver qual a contribuição do Havaí para a “conversa” contemporânea.

Pois o Hawaii State Art Museum é um museu pequeno e aconchegante, simpática pérola num prédio antigo ao lado do Palácio do Governo Estadual, em pleno downtown Honolulu. Logo na entrada, uma fonte d’água de origem marroquina, presente do Rei do Marrocos ao governo havaiano em 2012.

Hawaii State Art Museum

Fonte marroquina.

O Hawaii State Art Museum fica no segundo andar do prédio, e estavam abertas à visitação duas galerias: uma de exposição permanente e outra temporária. Ambas com obras contemporâneas de artistas havaianos ou de outros estados e países que se mudaram para o Havaí – o fundamental em todas as obras de arte era a clara temática “Havaí” que unia todas as peças e obras.

Na exposição permanente “Accession” ficam as obras recém-adquiridas pelo museu. O Havaí tem uma lei de 1967 que obriga todas as obras e renovações em prédios estaduais a separar 1% do orçamento para a aquisição de obras de arte, que são expostas em prédios e espaços públicos. Esta lei gera constante movimento no mercado artístico no estado e nesta galeria ficam expostas algumas das últimas aquisições com dinheiro público. Ou seja, o acervo está sempre sendo renovado.

O leiomano feito de prancha à mostra na parede vermelha ficou simplesmente incrível!

Das obras que vi nesta galeria, a que mais me interessou foi “Evolution – 7’0 Lei o Mano” de Scott Fitzel, que era basicamente uma representação do leiomano, uma arma de guerra dos havaianos feita com dentes de tubarão e madeira, e que o artista reproduziu utilizando uma prancha de surfe – que pode ser surfada. A obra fala tão alto sobre a cultura havaiana que não tem como passar desapercebida.

“Coral #3” e “Coral #7”

Outra obra que me encantou foram “Coral #3” e “Coral #7”, da artista havaiana Chenta Laury, feitos em lã no formato exato de uma visão macro de corais que habitam as ilhas havaianas. Por ser algo relacionado ao ecossistema marinho daqui, achei interessante.

Na segunda galeria, onde ficam as exposições temporárias, estava ocorrendo uma exibição chamada “Hawaii: Change & Continuity”. Esta exibição caminha através da arte com os temas diversos característicos da cultura havaiana atual, os desafios para o futuro e como mantê-los atrelados ao rico passado histórico do estado. As obras contemporâneas incluíam pinturas, fotografias, esculturas e instalações, todas de artistas do Havaí.

“Oil Tanker Sunset #4” – ao observador desatento, apenas a “estranheza” de dois sóis no horizonte.

Nesta parte do Hawaii State Art Museum, as obras que mais me impactou foi a fotografia de Alison Beste, “Oil Tanker Sunset #4”. A artista faz uma alusão às fotos chavões paradisíacas de pôr-do-sol que vemos por aqui (e da qual o estado tanto se vangloria), só que fotografa em longa exposição navios petroleiros ao horizonte, que trazem combustível ao estado. Por causa da longa exposição, os navios terminam parecendo a luz do sol ao horizonte. A energia do sol reposta pela energia do combustível fóssil – paraíso articificial? Uma denúncia e tanto, numa obra simples, direta e impactante que questiona as fontes energéticas de hoje – e o que queremos para o futuro.

“Flow to the Sea”

Outra obra que curti foi “Flow to the Sea”, uma pintura de Louis Pohl que mostra a lava caindo no mar vista do oceano – de um passeio de barco, por exemplo. A obra é simples, mas achei de uma frieza contraditória à realidade do calor da lava.

A coleção do Hawaii State Art Museum é muito bacaninha, e foi uma ótima surpresa. O jardim das esculturas estava fechado para reforma e terei que voltar para vê-lo, mas no geral ficamos aproximadamente uma hora no museu. O museu ainda tem um café agradável e um gift shop.

Com seu foco 100% no Havaí, é uma ótima pedida para quem se interessa por arte contemporânea e quer ver a quantas anda a produção local. E boa oportunidade de visita rápida para quem estiver pelo centro de Honolulu e quiser matar um tempo. #FicaDica

Desenho “Diamond Head from the Duckponds”, de Luquiens (1921)

Tudo de bom sempre.

O dia amanhecera completamente branco. As brumas eram tão fortes e grossas naquela manhã de julho em Swakopmund (Namíbia) que da janela do hotel em que estava mal conseguia enxergar a calçada do outro lado da rua, quiçá o oceano Atlântico ali em frente. Tentei relativizar o problema filosofando besteiras: talvez estar nas nuvens era uma forma da Namíbia se esconder um pouco, para me atiçar a voltar a ela um dia (nem precisava, porque já queria voltar antes mesmo de sair de lá, né…).

Diz que tem dunas e oceano além dessa bruma… 😀

Imagem do GoogleMaps.

De modo que tomamos nosso café da manhã cedo, fechamos nossa conta no hotel e nos dirigimos ao aeroporto de Walvis Bay. De Swakopmund a Walvis Bay, 35 km de uma estrada asfaltada margeada de um lado pelo Atlântico e de outro pelas dunas tão lindas e inspiradoras, parte fundamental do meu sonho de visitar a Namíbia. Tanto o oceano quanto as dunas eram, entretanto, impossíveis de serem vistas no meio do nevoeiro sem fim na manhã daquele sábado. Suspirei melancolicamente.

Chegamos ao aeroporto de Walvis Bay, deixamos a chave do carro alugado num drop-off box da locadora e nos dirigimos para o check-in com a Air Namibia. Nosso vôo sairia às 9:55am, rumo à Cidade do Cabo, na África do Sul. Meu receio estava para se concretizar: eu não daria meu tchau final às dunas namibianas da janelinha do avião. Planejei tanto este vôo para ver estas dunas pela última vez e – parecia naquele momento – que o plano tinha furado.

Como o céu estava no momento do embarque. :O

Mas eu já havia também sido alertada – e passado – por tal nevoeiro nos dias anteriores na cidade. As manhãs de inverno em Swakopmund e Walvis Bay sempre amanhecem com fog, por causa da direção do vento de ar quente do deserto da Namíbia que se encontra com a brisa fresca do Oceano Atlântico durante o amanhecer. (Esta monografia em pdf comenta mais tecnicamente sobre o fenômeno meteorológico que ocorre ali.) E, à medida que a temperatura à beira-mar esquenta, o fog vai desaparecendo. Então, era só esperar a manhã avançar, com a temperatura esquentando, para o céu ficar limpo – lógica científica.

De modo que, às 8:30 da manhã, com a pista ainda envolta em brumas, quando o alto-falante avisou que o vôo atrasaria por pelo menos uma hora, minha reação foi a oposta da maioria dos outros passageiros: alívio. Ainda restava uma esperança.

A ciência meteorológica não me desapontou. Às 11:00 da manhã, quando finalmente começamos a embarcar, o céu estava de brigadeiro, azul e sem nenhuma nuvem sequer. E eu poderia dar um tchau apropriado às dunas de Swakopmund.

A vista do deserto começa, assim que levantamos vôo.

O avião era um jato pequeno com capacidade para 36 passageiros. Sentei na última janela à esquerda, enquanto André sentou em outra mais a frente, à direita. E voamos.

As dunas que chegam no oceano Atlântico, da janela do lado direito do avião.

No que agora passou a ser o vôo de avião mais lindo da minha vida. Porque a paisagem que brota fica rosa-alaranjada – e todos os tons e subtons variantes que você possa imaginar, num surrealismo geológico que é pura emoção e poesia aos olhos. Inesquecível.

A borda do mar de dunas é bem delimitada pelos depósitos rochosos ricos em ferro. Tudo é deserto.

Sobrevoamos o pedaço sul do deserto da Namíbia, parte do Parque Nacional Namib-Naukluft, em toda sua extensão de mais de 1000 quilômetros, rumo a África do Sul. A costa da Namíbia, por ser praticamente toda ela parque nacional, é das mais bem preservadas e intocadas do planeta, onde a natureza ainda é a força dominante.

Vôo rosa e carvão

Mar de dunas.

O deserto de 55 milhões de anos, o mais antigo do mundo, com suas dunas laranjas, vermelhas e rosas da longa oxidação do ferro presente em seu solo. Vistas do alto,  pelo vidro da janela do avião, as dunas parecem rosadas – e sabemos que algumas delas de perto também o são.

As “avenidas” de dunas.

O incrível e surreal Sossusvlei do alto… #morri

Vendo a magnitude do deserto de cima a gente também entende vários conceitos que os guias de turismo tentam te passar nos passeios: as “avenidas” que as dunas formam, o veio de rio seco que é o Sossusvlei, as montanhas “macias” da região sul com sua cor de carvão, aos poucos sendo “soterradas” pelo mar de dunas. Que lugar especial…

Quando vi o Sossusvlei, lágrimas escorreram. Este ponto tão especial da Namíbia passando pelos meus olhos grudados na janelinha. Toda aquela região alaranjada-rosada e sonhada, que espiei tantas vezes no Google Maps e que, com a iluminação do sol pelo vidro do avião, tranformara-se nesse tom rosa tão mais delicado. Vi o Deadvlei, onde me emocionara há alguns dias, assim como o Hiddenvlei, ambos pontos brancos de sal naquele mar de cor de rosa e carvão. Das vistas mais impressionantes que já tive na vida, de um dos pedaços mais lindos e espetaculares do mundo.

Hiddenvlei e Deadvlei – e outros vleis… <3

As dobras do terreno… as montanhas erodidas… de uma poesia geológica imbatível. <3

Parecia brincadeira, mas bastou o avião cruzar o rio Orange, na fronteira com a África do Sul, para as nuvens reaparecerem e cobrirem a paisagem.

Rio Orange, divisa da Namíbia com a África do Sul.

O dia amanhecera branco e iria terminar branco, em outra cidade de outro país – chovia em Cape Town quando lá aterrisamos. O espetáculo que o vôo sobre o deserto da Namíbia proporcionou acabara e a realidade assumira o comando: a viagem dos meus sonhos chegava ao fim. Mas não sem deixar uma profunda marca cor de rosa no meu coração viajante.

Ah, Namíbia! Ainda te verei de novo…

Tudo de bom sempre.

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P.S.1: Todas as fotos deste post foram tiradas com meu celular.

P.S.2: Meu vôo favorito de antes ainda faz meus olhos brilharem também só de imaginar sua imensidão azul… É muito vôo bonito nesse mundão sem porteira, gente! <3

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