Dia 13 de março vai entrar para a história. Um dia em que uma votação das mais importantes do mundo aconteceu. Uma votação acima de tudo política, de caráter mundial, cheia de emoção e torcida e que requeria 2/3 para aprovação. Que felizmente chegou a uma louvável conclusão. Um dia para respirar aliviado e recuperar a fé na humanidade.

É claro que eu NÃO estou falando da mudança de presidente da ICAR, Inc.

A votação fundamental do dia para mim ocorreu em Bangkok, Tailândia, onde neste momento estão reunidos os delegados de dezenas de países, na 16a Reunião da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Selvagem (CoP – CITES), um tratado entre governos que delinea o perfil da política de conservação biológica mundial em caráter oficial. Fazem parte do CITES 177 países-membros, que discutem e decidem os rumos da sobrevivência daqueles que estão à mercê da nossa voracidade.

A importância legal do CITES é enorme. É a partir da lista decidida pelo CITES que se moldam as regulamentações de cada país para a proteção ambiental das espécies ameaçadas. Ter uma espécie animal ou vegetal listada no CITES, seja em que apêndice for, é abrir um importante precedente político e jurídico para se pleitear mais incentivo à preservação e evitar o colapso total da mesma numa região, estado ou país.

Hammerhead shark

Pois a Convenção da CITES vem agitando já há alguns meses a minha timeline tubaromaníaca do twitter, primeiro com a campanha do #SharkStanley, criada pelo pessoal do Shark Defenders, depois com as discussões das propostas apresentadas por cada país instigadas pelo David Schiffmann (@WhySharksMatter), do blog Southern Fried Science, pelo próprio @SharkDefenders e por mais uma legião enorme de tubaro-arrobas do twitter. À medida que a data da reunião do CITES foi chegando, o zunzunzum das possibilidades e análises foi aumentando, bem ao estilo mesa-redonda com Luciano do Valle. Nem a cerveja faltou. :D

E hoje foi uma animação, torcida e vibração sem limites na timeline, com a vitória final. A elasmogalera foi ao delírio, bem ao estilo de jogo final de Copa do Mundo, com a votação que selou o assunto sobre a conservação de espécies de tubarões bastante ameaçadas – e teve até tentativa de re-votação (e esculhambação da organização) por Japão e China para retirar algumas espécies da lista, numa jogada típica de time desesperado aos 40 do segundo tempo.

As espécies de elasmobrânquios que por fim entraram para a lista do CITES: tubarão galha-branca oceânico (Carcharhinus longimanus), 3 espécies de tubarão-martelo (Sphyrna lewini, Sphyrna zigaena e Sphyrna mokarran), tubarão-sardo (Lamna nasus), 2 espécies de jamanta, uma oceânica e a outra de recife (Manta birostris e Manta alfredi).

Manta Ray

É claro que ter estas espécies listadas não significa que, da noite pro dia, elas nunca mais serão pescadas. Nem que todos os países terão leis perfeitas de fiscalização e conservação, ou que o uso humano delas vai acabar assim, pluft. Não mesmo – afinal o CITES regulamenta o comércio “sustentável” das mesmas, e há de se pensar nas comunidades mais afetadas pelo fim deste comércio, nas implicações econômicas do mesmo mais rígido, etc. Mas, dado que estas espécies de tubarão estão em um declínio populacional considerável por causa da nossa pressão pesqueira, é muito provável que a entrada na lista traga um impacto positivo no futuro das mesmas, já que agora há respaldo político para que se exija mais controle. E – por que não? – mais pesquisa para esclarecer diversos aspectos da biologia, ecologia e comportamento destas espécies que ainda desconhecemos, um conhecimento que sem dúvida deve auxiliar na elaboração de estratégias mais eficientes de preservação. #polianafeelings

De qualquer forma, hoje é dia de celebrar. O passo principal político está dado, selado e carimbado. 13 de março se tornou um dia histórico na conservação dos tubarões e dos oceanos do mundo. E eu estou feliz à beça com essa vitória cartilaginosa.

FINtastic day!!!! :D

Tudo de tubarões sempre, no mundo inteiro.

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- Vale lembrar que o Brasil teve participação de destaque no CITES, enviando e apoiando diversas propostas de preservação, e saindo na frente na corrida ao proibir em todo o território esta semana a pesca do tubarão galha-branca oceânico. Brasil-sil-sil!!!

- Vale lembrar também que nem tudo são flores ou barbatanas: o urso polar infelizmente não mudou de apêndice na lista do CITES nessa reunião, o que significa que ele continuará tendo a sua pele negociada pelos mercados do mundo, mesmo estando sua população declinando em ritmo acelerado e sendo ameaçado de extinção pela caça indiscriminada e pelas mudanças climáticas em seu habitat. Triste. :(

O mais-que-querido-e-adorado amigo Allan, que desde 2004 delicia a blogosfera com suas crônicas e impressões do cotidiano de expatriado e morador de Piacenza, na Itália, em seu blog, deu o pulo do gato: publicou um livro de papel. O assunto? O fino da bossa (pronto, entreguei a idade) das crônicas e impressões do cotidiano de expatriado e morador da Itália, claro! :)

Carta-da-Italia

“Carta da Itália” - o livro – é a oportunidade para juntar na sua mesa de cabeceira perspectivas comuns de uma Itália contadas por um brasileiro que está longe de ser um brasileiro comum. O Allan tem um olhar perspicaz e generoso, crítico sem ser indelicado, bem-humorado sem perder a profundidade nem a palavra certa. E acima de tudo, ele é um amigo fenomenal, que sempre fala as coisas certas nas horas mais necessárias. Ainda não li o livro, mas sei que conhecendo o Allan e sua peculiar visão de vida, deve ser uma pequena e simpática obra-prima, como seu autor.

E aqui deixo minha confissão: tenho um carinho especial pelo Allan. Por mil motivos que vão além da sua simpatia extrema. Também porque foi ele quem deu o pontapé inicial para começarmos em 2007 o blog coletivo verde Faça a sua parte, do qual muito me orgulho (ou nos orgulhamos, acho). O mais legal do backstage do coletivo foi aos poucos descobrir, quanto mais batalhávamos e discutíamos e nos embasbacávamos com as confusões ambientais, o quanto o Allan é dessas pessoas valiosíssimas, de uma ética, otimismo e simpatia infinita. Abro um sorriso especial quando lembro que tive a sorte de ter esbarrado e sentado pra uma prosa na estrada da vida com o Allan – se tudo der certo, mais vezes nos encontraremos para um vinho italiano, um café ou simplesmente para mais risadas e papos sem fim. O convite está sempre de pé, ele bem sabe.

De modo que se eu fosse você, corria para ler as histórias italianas que o Allan separou no livro dele. Ele mesmo diz que o livro não é sério – e desde quando livro bom precisa ser sério? Diz também que as histórias estavam enterradas num fundo de gaveta, que já iam ser descartadas e não publicadas, etc. e tal. Tudo balela. No fundo, bem no fundo, estas histórias estavam enterradas, sim, mas em outro fundo, aquele que fica do lado esquerdo do peito dele.

Obrigada por compartilhá-las com a gente, querido.

Tudo de melhor sempre pro Allan e suas cartas italianas deliciosas. :)

Então que semana passada pra escrever o post sobre o filme “Chasing Ice eu visitei a página do CO2 Now depois de muuuuuito tempo, e tomei um susto.

396ppm

Gente, estamos beirando os 400 ppm de CO2 na atmosfera – este será inevitavelmente um dos headlines de jornal em 2014. Pela primeira vez na história da humanidade chegaremos nesse patamar de CO2 atmosférico. Causado por nós em sua maioria, diga-se de passagem.

(Parênteses: Esta medição global do CO2 é feita pelo NOAA, com dados obtidos pelo observatório que fica no topo do Mauna Loa, na Big Island. Tudo bem que o número acima ainda é preliminar, dependendo de calibrações e outras tecnicalidades, mas já dá uma idéia do ritmo alucinado em que as coisas andam no nosso querido planetinha azul.)

[Enquanto isso, ChinaÍndia (e sabe darwin quantos outros países menos em foco na mídia...) se sufocam em poluição.]

Lembra quando eu comentei sobre o livro do Mark Lynas “Six degrees” que especulava sobre o mundo com maior temperatura? Naquele momento em 2008, tínhamos 387 ppm de CO2 na atmosfera e as especulações de inevitabilidade otimistas estavam na casa de 1 grau. Nos níveis atuais, é muito maior a probabilidade de que o planeta enfrentará um aumento de 2 graus Celsius de temperatura – já que para evitar esse aumento, o comitê científico do governo holandês sugere que os países desenvolvidos precisariam cortar 50% das emissões de CO2 até 2020. O que, no atual clima político-econômico, é quase impossível, infelizmente convenhamos.

Como bem questiona o CO2 now na sua página inicial: você está preparado para um mundo a 400 ppm?

Tristeza sem fim.

Não é tudo de bom mesmo.

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- E lembrando mais uma vez: o limite de segurança para que possamos mitigar um pouco das mudanças climáticas sugerido por um time de super-climatologistas incluindo James Hansen, da NASA, neste artigo de 2008 (!!!!) é de 350 ppm. Da conclusão do artigo [grifo meu]: 

“Humanity’s task of moderating human-caused global climate change is urgent. (…) Thus remaining fossil fuel reserves should not be exploited without a plan for retrieval and disposal of resulting atmospheric CO2. (…) The stakes, for all life on the planet, surpass those of any previous crisis. The greatest danger is continued ignorance and denial, which could make tragic consequences unavoidable.” 

- E vale sempre relembrar desse vídeo emocionante feito para a (falida) conferência de Copenhague em 2009, uma canção que continua (e pelo visto continuará por muito tempo) atual:

Impossível para mim conter as lágrimas vendo este vídeo. Afinal, mudanças climáticas são cada vez mais um tópico emocionado, que me toca profundamente. Pela insolubilidade, pela inércia com que estamos levando esta crise, pela vergonha profunda do que estamos fazendo e deixando pras futuras gerações, pela falta de ética ambiental coletiva. 

How do we sleep while our beds are burning????

Moréia

Eu nunca mais vou conseguir olhar pra cara de uma moréia num mergulho sem lembrar dessa constatação sensacional que vi no facebook essa semana:

Bad-eel-joke

“Moréias/enguias sempre parecem que acabaram de contar uma piada e estão esperando pela reação dos outros.”

E não é que elas têm mesmo a maior cara de #piadafraca ? :D

A figura original da brincadeira foi postada na página do “I fucking love science”, mas aparentemente há todo um *segmento* de bad eel jokes rolando pelas internets da vida… (eel jokes… get it?) #maispiadafracadetected

Tudo de humor biológico sempre.

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- É, eu sei, hoje é Dia Internacional da Mulher. Como mulher e cientista, eu não posso deixar de puxar a sardinha pro meu lado e indicar a série de artigos da Nature desta semana sobre a mulher na ciênciaPara quem AINDA ACHA (isto sim, #piadafraca e sem graça…) que a ciência é o ramo de atividade onde há igualdade de gênero, os artigos mostram o quanto ainda somos discriminadas dentro da torre de marfim da academia e dentro das diretorias de empresas de biotecnologia, nos congressos científicos e nas editorias de revistas especializadas. O quão desprezadas são as conquistas das mulheres dentro da ciência. E quão o subconsciente coletivo prevalecente da imagem de cientista é masculino. Embora interesantemente em português a ciência seja um substantivo feminino – e o é na mais definida acepção possível do termo substantivo, que tem, é ou dá substância. Um looooongo caminho pela frente ainda precisa ser trilhado para melhorar esta situação. 

Mas eu não perco a esperança, porque acredito que aos poucos os governos e instituições de financiamento estão se comprometendo na mudança. E porque faço questão de ser parte deste processo de mudança.

Aí que há algumas semanas o Walcir deixou um comentário aqui no blog, no post-guia de 4 dias em Oahu, pedindo ajuda para montar um roteiro mais curto, de apenas 2 dias em Oahu, no Havaí. Eu, que já estava pensando em escrever um roteiro desses há um tempo, aproveitei o pedido dele e resolvi adiantar esse post.

Há alguns detalhes, entretanto. O Walcir vai ficar no Hilton Hawaiian Village, que é um resort em Waikiki. Portanto, as dicas levarão em consideração a estadia dele em Waikiki, ok?

Também pensei em economia: tirando o aluguel do carro e o combustível gasto, os únicos passeios pagos aqui são o luau/sunset cruise, a alimentação e o estacionamento no Pali Lookout – e se vocês optarem por visitar a praia do parque de Hanauma Bay ou a parte interna do submarino Bowfin em Pearl Harbor, paga-se a entrada. Todo o resto é gratuito; você encosta o carro e admira a vista. :)

Então vamos lá: o que fazer em dois dias em Oahu.

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Kualoa Ranch e Chinaman's Hat - Oahu

Vista aérea do Chinaman’s Hat.

Em geral quando a gente pensa em Oahu (e Havaí, de uma certa forma…), 3 coisas principais vêm à mente:

- Surfe

- Dança hula/luau

- Praias paradisíacas

(E para quem curte história, sem dúvida “Pearl Harbor” é o quarto item da lista. E para quem curte triatlon, “Iron Man” é o próximo item da lista. Mas o Iron Man é em Kona, na Big Island, então deixemos pra um próximo post.)

Há muito mais que isso, convém falar. Há diversas caminhadas, museus, passeios possíveis. Mas, para aqueles que fazem de Oahu apenas uma passagem para outras ilhas havaianas ou outros destinos do Pacífico, com pouquíssimos dias para aproveitar, o ideal é que pelo menos um dos itens tipicamente havaianos listados acima seja vivenciado, para que a pessoa não saia daqui tendo vindo ao Havaí e não o conhecido. Minhas dicas abaixo tentarão englobar esses 3 itens principais. Será um roteiro rodoviário intenso, mas abrangendo boa parte das vistas mais bonitas de Oahu, a ilha mais visitada do Havaí.

DIA 1 – PRAIAS PARADISÍACAS E LUAU

Oahu - Day 1

Comece o dia dirigindo pela costa leste de Oahu. Saia de Waikiki pela Kalakaua Avenue até a Diamond Head Road. Vá parando nos mirantes para ver o pessoal que vai surfar lá embaixo, na área chamada Diamond Head Cliffs, que engloba o point do Lighthouse.

To-Diamond-Head

Você está no sopé do Diamond Head, vulcão dormente-quase-extinto que é o cartão postal mais famoso do Havaí. Esta é uma área de mansões, então o acesso à praia é mais difícil – mas obrigatoriamente existe. Continue dirigindo pela Kahala Avenue até o fim, vire à esquerda na Kealaolu Avenue, e pegue a highway H1 sentido leste, que ali está em seu finzinho, já virando Kalanianaole Highway.

Hanauma Bay
Hanauma Bay: a cratera que virou praia.

To-Hanauma

Na Kalanianaole Highway, faça uma parada em Hanauma Bay. A praia é um parque marinho. Se você é fã de ver peixinhos em um aquário natural, entre na praia e tire pelo menos umas 2 horas para fazer snorkel ali. Se não, aprecie a baía lá de cima e siga viagem.

To-Hanauma-BlowHole-Makapuu

A) Hanauma Bay, B) Halona Blow Hole, C) Makapu’u Point.

Depois de Hanauma, a próxima parada pode ser no mirante do Halona Blow Hole, antes de Sandy Beach. Na temporada das baleias, dá pra ver algumas delas por ali. Toda a costa leste de Oahu é linda, dos meus pontos prediletos no Hawaii, daqueles que eu considero imperdíveis mesmo.

Halona Blow Hole
Halona Blow Hole em ação.

Após o mirante do Blow Hole, faça a próxima parada no mirante do Makapu’u Point, logo depois da entrada para a trilha do parque. Dali, você verá a Rabbit Island logo à frente, e boa parte do resto da costa leste de Oahu. Dirigindo um pouco mais adiante deste mirante, dê uma parada e olhe para trás: você verá que na encosta do penhasco de Makapu’u há um farol, compondo um cenário dramático para a praia de Makapu’u.

Kailua Beach
Kailua Beach.

Continue dirigindo na Kalanianaole Highway até Kailua. Se quiser, dê uma paradinha em Waimanalo, que foi considerada uma das 10 praias mais lindas dos EUA em 2012. Em Kailua, faça uma parada na praia principal de Kailua para admirar o kite surfe, que é super popular ali. Lanikai, à direita de Kailua, também é das praias mais lindas dos EUA, aprecie sem moderação. :)

To-Kailua-center

Kailua é uma cidade menor da ilha de Oahu, com ótimos restaurantes. É uma boa escolha pro almoço, caso você não tenha parado em Hanauma Bay para snorkelar. Meus restaurantes favoritos em Kailua: Mexico Lindo (comida mexicana), Teddys’ Bigger Burgers (hambúrgueres), Formaggio Grill (wine bar com comida gourmet), Buzz’s Lanikai (tradicional ponto à beira-mar, comida americana em geral). Mas caso queiram uma refeição mais rápida, dá pra ir no Whole Foods e comprar algo na rotisseria/lanchonete/bar deles, que é sensacional e tem uma varanda bem agradável para sentar.

To-pali-lookout

A) Kailua, B) Pali lookout.

De Kailua, vá na direção da Pali Highway. Suba a montanha até o Pali Lookout, onde você pode parar e observar a vista da região de Kaneohe, a segunda maior cidade de Oahu. A baía é uma grande cratera que colapsou há muitos milhares de anos, e que o mar tomou conta.

To-Hilton-day1

Depois do Pali Lookout, você tem duas opções: se for sexta-feira, sugiro voltar para o Hilton Hawaiian Village e aproveitar o show de hula deles, Rockin’ Hawaiian Rainbow Revue, que termina com um show de fogos. Caso não seja sexta-feira, aproveite o fim de tarde para fazer um Sunset Cruise por Waikiki. Em geral, estes cruzeiros saem em torno das 4 da tarde do píer do Aloha Tower, e neles há apresentações de hula e um jantar com comidas típicas havaianas, o que faz as vezes de luau para aqueles que têm pouco tempo na ilha. Dicas de empresas que fazem este passeio: Star of Honolulu e Alii Kai Catamaran. Ambos os passeios terão que ser arranjados com antecedência, não esqueça.

 

DIA 2 – SURFE E UMA PINCELADA DE HISTÓRIA

Oahu - Dia 2

Comece o dia pegando a highway H1. Esta rodovia engarrafa bastante até o downtown, então quanto mais cedo você sair, menos trânsito vai pegar. Da H1, sai a H2, sua próxima rodovia na rota. A H2 corta a ilha de Oahu pelo meio e leva até o North Shore. Este trajeto leva, sem trânsito, cerca de 1hr. Com trânsito, ponha aí umas 2 hrs pelo menos…

To-Haleiwa

No North Shore, comece visitando Hale’iwa, considerada a primeira surf town do mundo. Os prédios são a maioria antigos, um estilo meio velho oeste americano. Do MacDonald’s ao correio, tudo no mesmo estilinho, uma graça. No píer de Hale’iwa, você pode ver o pessoal praticando SUP (stand-up paddle), a maior febre atual no Havaí.

To-North-Shore-Beaches
Roteiro com as principais praias do North Shore de Oahu. A) Haleiwa, B) Laniakea, C) Waimea Bay, D) Pipeline (ou Ehukai Beach), e E) Sunset Beach.

De Hale’iwa, comece o roteiro do North Shore pelas praias pegando a Kamehameha Highway. Primeira parada: Laniakea, onde as tartarugas descansam. É uma pequena praia, bem pedregosa, e não há indicação alguma de que você está nela, exceto pelo volume de tráfego – mas eu te digo que fica no mile marker número 4. Ali, você pode nadar ao lado de tartarugas e vê-las tomando seu sol diário.

Laniakea Beach
Jogo do “Ache a tartaruga em Laniakea”. :D

Próxima parada: Waimea Bay. Esta é a praia número 1 dos grandes surfistas que vêm ao Hawaii, palco do famosíssimo campeonato de ondas gigantes Eddie Aikau e um dos picos mais incríveis do planeta. No verão, dá pra ver golfinhos e fazer snorkel numa boa na praia, que vira um lago; no inverno, nem sonhe em entrar se não for um surfista de verdade, porque o mar assusta mesmo.

Depois de Waimea, é hora de conhecer a meca do surfe, Pipeline. O nome vem da formação perfeita de tubos em suas ondas, e a condição é vista em sua magnitude no inverno. Se o swell estiver bom no dia da sua visita, não deixe de dar uma espiada. As ondas em Pipeline quebram bem próximas à praia, então a gente se sente bem mais próximo da “ação” do surfe.

Wave in Pipeline
Surfe em Pipeline: no inverno, só pra profissionais.

Próxima praia seguindo a Kamehameha Highway: Sunset Beach. Suas areias também são famosas entre as celebridades do surfe, mas confesso que eu prefiro mais o cantinho direito, onde os rochedos formam piscininhas que no verão são snorkeláveis. Ali é linda a vista e a praia, um pedaço real do paraíso.

To-Kahuku

De Sunset, desça pela Kamehameha até o Kahuku. Já sendo próximo da hora do almoço, aproveite pra comer um camarão frito da região. O trailler tradicional dos camarões é o Giovanni’s; entretanto, ele sofreu com o efeito “Lonely Planet”: se popularizou na rota das excursões e agora está sempre cheio e com uma fila (e demora…) assustadora. Minha dica: se você quiser encarar o original, à vontade; mas os outros traillers próximos não são tão diferentes em termos de camarão, então pode sentar em outro sem medo de ser feliz.

To-Kahana-Bay

Depois do camarão, você vai seguir a Kamehameha Highway toda vida atéééé Kahana Bay, uma baía com muita vegetação, um visual lindíssimo (eu adoro!) e bem vazia. O mar ali não é tão clarinho por conta de um riacho que deságua perto, mas a praia não deixa de ser dos recantos mais bem guardados do Hawaii.

De Kahana Bay, a próxima parada é no Chinaman’ Hat – você vai facilmente identificar a ilha em formato de chapéu de chinês quando chegar perto dela. O Chinaman’s Hat fica no Kualoa Beach Park. A ilha é um ótimo ponto para olhar para trás e se mesmerizar com as montanhas lindas do Ko’olau na beira da praia. Em frente a esta praia, fica o Kualoa Ranch, que foi cenário de diversos filmes (“Jurassic Park“, “Godzilla“, “Pearl Harbor“…) e mais recentemente da série “Lost”.

To-Pearl-Harbor

A) Chinaman’s Hat, B) Entroncamento da Kahekili com a H3, C) Pearl Harbor.

Do Chinaman’s Hat, volte pela Kamehameha Highway em direção à Kaneohe, e pegue a Kahekili Highway e depois a Highway 3 (ou H3), sentido Honolulu/Pearl Harbor.

H3 highway

H3: não tem acostamento algum para parar e fotografar esta beleza. A única solução é dirigir um pouquinho mais devagar…

A subida da H3 te oferece uma das paisagens mais dramáticas de Oahu, com inúmeras ravinas. E se tiver chovido nos dias anteriores, você verá diversas cachoeiras. Depois do túnel, a H3 continua e desemboca em Pearl Harbor.

Arizona Memorial

A história de Pearl Harbor, onde ocorreu o ataque que levou os EUA a entrar na Segunda Guerra Mundial, está bem representada no Parque Histórico de Pearl Harbor. Este parque requer um dia inteiro para ser visitado por completo. Entretanto, você terá bem menos tempo que isso, então precisamos otimizar. Se chegar até 3 da tarde lá, talvez consiga entrar na última barca que leva ao Arizona Memorial. Se não conseguir chegar nesse horário, não se preocupe: visite as galerias que contam pedaços da história do ataque e o submarino Bowfin que fica atracado ali. Ambos fazem um apanhado que já dá o que pensar.

(Uma outra opção é, logo no início do dia, ir a Pearl Harbor. Dá pra visitar o Arizona Memorial, e depois de algumas horas ali, você pega a H1 em direção à H2, rumo ao North Shore, e termina o dia voltando pela H3. O Parque de Pearl Harbor abre de 7am-5pm. Entretanto, as visitas ao Arizona Memorial só começam às 8am.)

UPDATE: A partir de abril/2013, o Arizona Memorial fechará às 13:00, inviabilizando a minha sugestão e favorecendo a opção em parênteses, de começar o dia em Pearl Harbor. Motivo da mudança de horário: cortes no orçamento federal por conta do fiscal cliff. É, não tá *fácio* pra ninguém… :D

To-kamehameha-statue

De Pearl Harbor, volte pela H1 para Waikiki. Se você tiver um tempinho sobrando, pode ir por downtown, e passar na South King st. para ver e fotografar a famosa estátua do Rei Kamehameha em frente ao Palácio Iolani.

Kamehameha statue
Estátua do Rei Kamehameha.

To-Hilton-3

A) Estátua do Kamehameha, B) Hilton Hawaiian Village.

Se não, vá direto a Waikiki e curta uns maitais à beira-mar no Duke’s ou no Rumfire, vendo as cores do Diamond Head ao pôr-do-sol e curtindo os últimos momentos de aloha spirit da sua passagem pelo Havaí…

:)

Diamond Head at sunset

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Tudo de Havaí sempre.

*Todos os mapas by GoogleMaps.

Postado em 04/03/2013 por em Havaí, Oahu, Viagens

Submarine tour in Waikiki

Num sábado do ano passado, decidi fazer algo “diferente”, e tirei o dia pra encarar o passeio de submarino em Waikiki. É um passeio popular principalmente entre famílias com crianças, que têm a oportunidade de ver o fundo do mar de uma maneira até então inédita para elas. É uma descoberta, e a gente vê o fascínio desse admirável mundo novo no rostinho dos pequenos, uma emoção.

Submarino em Waikiki

Sinceramente, eu não fui tão entusiasmada assim em ver o fundo do mar ali. Afinal, preferia mergulhar com um cilindro nas costas. Mas ainda assim, eu estava curiosa pelo submarino, já que uma das minhas frustrações infantis foi não ter entrado num submarino quando tive a oportunidade, aos 4 anos de idade (uma longa história, papo pra um post de boteco). Então resgatei essa frustração lááá do fundo e fui atrás de saná-la na medida possível.

Submarino em Waikiki

O barco do tour sai do píer em frente ao Hilton Hawaiian Village Resort, em Waikiki. A operação é “padrão turismo no Havaí”, nada que se ressalte. Uma vez no barco, você é levado a uns 600m da praia,  no meio do mar de Waikiki, onde o submarino está “estacionado” esperando. Você embarca no submarino via uma ponte entre o barco e o submarino, super-fácil. A vista do passeio de barco até ali é linda: toda a orla cheia de hotéis contornada pelo vulcão Diamond Head, que aos poucos vai ganhando outras perspectivas à medida que nos aproximamos dele.

Diamond Head
Diamond Head visto do barco em Waikiki.

Dentro do submarino, duas fileiras de cadeiras e muitas escotilhas. 48 pessoas sentadas e uma luz azulada pra dar o clima. Quando o submarino fecha, começa a descida – e vi no rosto de alguns adultos uma certa angústia. Para as crianças, tudo era novidade e elas pareciam extremamente animadas.

Dentro do Submarino

O submarino vai até 30 metros de profundidade, e o roteiro leva cerca de 50 minutos embaixo d’água – é quase o tempo de um mergulho mesmo, mas à seco. Um guia fica falando no microfone curiosidades e historinhas sobre a vida marinha, o Havaí e afins.

Submarino
Descendo…

O submarino trafega por recifes de coral naturais (bem detonados, por sinal) e por 3 recifes artificiais, todos afundados propositalmente para a operação de submarino: uma armadilha de pesca enorme; um navio, o YO-257, um petroleiro da Marinha americana ; e um pequeno avião. O YO-257 e o avião são points de mergulho autônomo, então há a possibilidade de você estar no submarino e ver alguém ”do lado de fora”, dando tchau pra você. :D

YO-257 do Submarino

O submarino passa relativamente devagar perto desses naufrágios, para que as pessoas possam observar tudo direitinho. Há bastante peixe, e vimos uma tartaruga-verde nadando tranquilamente no YO-257. Eu vi 3 tubarões, todos escondidos nas ferragens/buracos do recife – e eu gritava: “Look at the shark!” e ninguém via, porque eram animais pequenos que só o olho treinado a procurar nos lugares mais inusitados consegue achar. Devem ter me achado #aloucadotubarão.

Submarino3

As crianças amam, dão sorrisos escancarados, os olhos brilhantes a cada peixe que passa perto da janelinha, e se encantam com as cores azuladas/marronzadas típicas do fundo. É um mundo muito diferente da realidade em terra, então imagino que isso atice na imaginação delas altas viagens na maionese legais. Adultos curiosos que não mergulham e/ou que têm medo de nadar no mar (e não são claustrofóbicos) podem também curtir a oportunidade de ver o fundo do oceano de perto. Acho que o passeio é muito válido nesses casos, e se você tem criança, um must-do, já que boa parte das belezas do Hawaii está debaixo d’água e essa é a chance de ver confortavelmente. Também a oportunidade de ver a geografia da praia de Waikiki no fundo é válida.

Mas pra quem mergulha de cilindro ou faz bastante snorkel… é uma perda de tempo e grana. Confesso que saí do submarino me mordendo mais ainda por não poder ficar naqueles naufrágios o quanto eu quisesse, mergulhando de verdade. Enfim, um tour light, que valeu para mim mais pelo passeio de barco na orla. Ou seja. :P

Tudo de Havaí sempre.

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- Este passeio depende enormemente da visibilidade da água. Sugiro não encarar se nos dias anteriores choveu muito (mas é muito mesmo!). Embora em geral, a visibilidade ali seja boa.

- Crianças menores de 90 cm não podem fazer o passeio no submarino.

Meu filme predileto de 2012 não vai ganhar o Oscar hoje.

Aliás, não foi nem indicado à categoria em que caberia, de melhor documentário, quiçá apareceu na mais importante da noite. Foi indicado numa categoria beeeeem branda, a de melhor música original – mesmo assim, por uma jogada de ecomarketing daquelas. Afinal, o que dizer de uma música tocada pelo super-violinista Joshua Bell e cantada pela badaladíssima atriz Scarlett Johansson, para um documentário sobre mudanças climáticas?

(E mais covardia ainda colocá-lo para concorrer nesta categoria que já está ganha desde o anúncio – pela Adéle, que com certeza levará a estatueta pela música sensacional do 007 “Skyfall”.)


“Before my time”, música que concorre ao Oscar.

Mas isso não diminui meu ânimo de falar deste filme. Pelo contrário, me dá mais vontade de espalhar o quanto ele é fundamental nos tempos de hoje. 

“Chasing Ice”, o filme dirigido e produzido por Jeff Orlowski, foi talvez o mais esquecido deste Oscar. Merecia estar na lista de documentários concorrentes, pelo menos. Mas eu sou suspeita para pitacos aqui – amei o filme de tal maneira que não tenho como não indicá-lo. Vi no festival de cinema de Honolulu no ano passado, e saí da sala de cinema chorando horrores, como há muito tempo não chorava. O documentário é lindo, triste, um alerta fotograficamente impactante e a olhos bem abertos sobre o quanto as mudanças climáticas são uma realidade da nossa atualidade. Não é um problema que filhos e netos terão que resolver: eles terão que limpar a bagunça que a gente fez e faz no planeta, hoje. (E que pelo andar da carruagem, continuaremos fazendo por muitos anos…)

O filme é resultado de um projeto do fotógrafo James Balog, o “Extreme Ice Survey”, bancado pela National Geographic Society. Balog distribuiu por diversas geleiras do mundo câmeras de alta definição na tentativa de registrar visualmente o efeito das mudanças climáticas no tamanho das geleiras. A idéia de time-lapse photography já é sensacional por si só, mas utilizá-la de maneira tão poderosa para fazer um ponto científico visual – já que milhões de dados, gráficos e afins parecem impalatáveis para a maioria – é maravilhosamente perfeita.

(Vídeo daqui.)

“Chasing Ice” percorre todos os problemas logísticos, técnicos e de saúde, angústias, viagens reais e na maionese para o projeto acontecer, enfatizando a incansável, inacreditável e incrível determinação de Balog em “fazer a sua parte” de uma maneira eficiente para o planeta. É o projeto e a visão de um homem para melhorar o mundo, o que ele e sua arte fotográfica podem fazer para contribuir nessa melhora – e eu adoro ver esse idealismo posto em prática, porque nos dá força para acreditar que é possível, sim. A fotografia no gelo é fenomenal, e em termos artísticos, também ainda não entendi porque o filme não concorreu ao Oscar de fotografia, já que ainda não foi feito filme com fotografia mais contundente. Algumas das tomadas mostram a dificuldade para se conseguir aquela que hoje é talvez a imagem mais emblemática do que vem ocorrendo com as geleiras nos polos nos níveis atuais de CO2. Outras mesmerizam só pelo alerta que trazem: o time-lapse da diminuição das geleiras é a maneira visual mais impactante que já vi de mostrar ao público o que realmente estamos fazendo com o planeta. Me fez chorar de soluçar quando apareceu na tela por completo.

(O projeto aliás me tocou pela proximidade de temas: fotografia, aventura no gelo, ativismo pé-no-chão na prática, arte, mudanças climáticas, ciência, política ambiental, viagens. Essa confluência de coisas que amo incondicionalmente numa só embalagem. Não precisa de muito Freud pra explicar isso.)

Eu poderia continuar aqui num blablablá infinito e emocionado sobre o quão lindo, urgente e necessário “Chasing Ice” é para nossa vida contemporânea. Para nos (tentar) fazer sair dessa inércia generalizada e perigosa em relação às mudanças climáticas. O filme deveria passar nas escolas, nas praças públicas, e principalmente nas sedes de governo do mundo inteiro, para que os políticos acordem. É nosso futuro que está em jogo, caramba.

Mas prefiro apenas dizer: assistam (de preferência na telona). Emocionem-se. E espalhem essa obra-prima para que outros assistam. Depois me contem se não é entretenimento e aprendizado que vale a pena.

Trailer de “Chasing Ice”. O trailler só dá um gostinho da beleza fotográfica do filme…

Tudo de bom sempre.

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- Em todas as páginas internas do site oficial do filme, há um banner do Real Climate, o melhor blog de ciência do planeta. Enough said.

- Em português, o climatologista Alexandre Costa faz um trabalho muito bom explicando os meandros da ciência climática no blog O que você faria se soubesse o que eu sei?.

- Para ver fotos sensacionais de gelo do filme, clique aqui. Ou aqui.

- “Chasing Ice” já ganhou 23 prêmios até agora, incluindo o Sundance de excelência em cinematografia.

- Pros viajantes e aventureiros de carteirinha, assistir “Chasing Ice” é indicadíssimo: dá vontade certa de pegar o primeiro avião pra um polo do planeta.

- Neste momento, estamos a 395.5 ppm de CO2 na atmosfera. O limite superior de segurança é 350 ppm.

Além do recife de coral que mostrei ontem na Sexta Sub, viajar para Samoa Americana também foi uma experiência bacana e curiosa de acordo com André, que visitou o país em novembro passado a trabalho.

A curiosidade mais interessante sem dúvida é a “bizarrice” que o tempo faz por lá. Não o tempo meteorológico – se faz sol, chuva, etc. Mas o tempo do calendário mesmo. Explico.

Existem Samoa Americana e Samoa Ocidental (ou simplesmente Samoa), ambas países diferentes. Hoje são geograficamente separadas pela Linha Internacional da Data – mas nem sempre foi assim. Ambas estavam no mesmo fuso até dezembro de 2011, quando a irmã Samoa passou pro lado de lá do fuso, perdendo um dia de vida ao adiantar o relógio. Com isso agora os dois países, que ficam a menos de meia hora de vôo entre si, estão em dias diferentes, mas com uma hora de atraso pro lado de cá. É tão conFUSO de entender, que o Havaí está na mesma hora de Samoa Ocidental, e uma hora a frente de Samoa Americana – só que em Samoa Ocidental já é amanhã. Já pensou viver brincando eternamente com o tempo assim? Pra lá de divertido! #devoltaparaofuturofeelings

Samoa conFUSO
Pelo exemplo do mapa, enquanto são 3:23 de sexta-feira em Samoa, são 3:23 de quinta-feira no Havaí, mas são 2:23 de quinta em Samoa Americana – e 2:23 de sexta na Nova Zelândia… Já deu nó, não? (Mapa tirado daqui.)

À parte essa loucura do tempo, a parte bacana de Samoa fica com certeza com sua costa (e embaixo d’água, mas isso é papo pra outro post). Dirigindo pela costa, há penhascos cobertos de verde, baías, muitas reentrâncias, montanhas dramáticas e praias desabitadas, lembrando um pouco o Big Sur californiano – mas só um pouco, porque o calor de Samoa é tropical úmido. Dá uma olhada na costa desabitada de Tutuila, que beleza:

Tutuila

Baía perto do povoado de Lauli’i. 

Tutuila

Costão de Alega.

Tutuila

Baía de Vatia, cujo estreito que aparece na foto, o Vaiava, é um monumento natural nacional de Samoa Americana.

Para chegar em Samoa Americana, a maneira mais fácil é de Honolulu: há vôos diretos daqui para Pago Pago, a capital, duas vezes por semana. Para os que curtem cruzeiros, o Princess tem um roteiro pelo sul do Pacífico que passa por Samoa Americana e Samoa.

Pago Pago Cruise

Para islomaniacs confessos como eu (mas não fãs de cruzeiros…), não dá vontade de entrar no primeiro avião e se perder por lá?

Tudo de bom sempre.

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Para viajar mais:

- Pago Pago tem o que é considerado o melhor, mais protegido e mais profundo porto natural do Pacífico. Alguém fareja importância estratégica por aí? Presença americana…?

- Samoa Americana tem uma situação política um tanto peculiar. É um território não-incorporado dos EUA. O que significa que há um governador local e um representante no Senado americano em Washington; entretanto, a população não é cidadã americana, são apenas “nacionais” dos EUA - whatever this means – o que não permite que votem nas eleições americanas. Ou seja, os EUA tem um certo poder sobre eles, mas eles não participam da política americana. Para confundir mais, há uma conexão super-próxima com o Havaí, devido à origem polinésia de ambas as ilhas. No Havaí, moram 20.000 samoanos.

Foi a super-querida Carla Tolosa quem me avisou no Facebook: uma foto do André estava exposta na primeira página do Bing, a ferramenta de busca da Microsoft! No mundo inteiro! \o/

Andre Seale on Bing

Foi uma surpresa para nós. E ficamos ultra-felizes, claro! Principalmente porque esta é uma das nossas fotos prediletas dentre todas milhares do imenso acervo aqui de casa. :)

A foto já apareceu aqui no blog antes, quando foi a imagem vencedora do concurso da Associação de Fotografia Natural da Itália, o Asferico 2009 – e lá fomos nós para a Itália para que André recebesse o prêmio… (e de quebra, para que aprontássemos poucas e boas com a Alline, a família do Flavio Prada, o Allan e a Luisa). Em 2009, escrevi sobre esta foto:

“É a imagem do sifão exalante no manto (parte mole) de uma ostra (Hipoppus hipoppus), tirada em Rongelap (Ilhas Marshal) em dez/2006. A fantástica pigmentação do manto funciona como uma proteção da ostra contra a radiação UV do sol, já que em geral, esta ostra está a poucos metros de profundidade.”

Fica a boa lembrança que virou um presente no presente. Eeeeeeeee!!!!

Tudo bingado sempre.

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P.S.: 1) A foto na capa do Bing muda frequentemente. A foto ficou por algumas horas e… pluft! Virou “história” no Bing. :)

2) Mais uma vez, muito obrigada, Carla, por avisar a gente! Passaria em brancas nuvens se você não tivesse nos alertado…

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