#NoPlaceLikeHome - NASA-heart-earth

Hoje é o Dia Mundial da Terra. E, para celebrar a data, a NASA está organizando uma mega-diversão nas redes sociais com a hashtag #NoPlaceLikeHome , convidando a todos para responder (e postar sua resposta…) a seguinte pergunta: qual é o seu lugar favorito no planeta?

Parece uma questão simples, né? Mas nada pode ser mais difícil de responder que isso para mim.

Como o nome deste blog remete, estou pelo mundo – porque é nele que me sinto em casa. O mundo é minha casa, e tudo que diz respeito a ele, sua saúde física e mental, me afeta. Embora tenha endereço fixo em um ponto do planeta que escolhi para viver, não há como negar que todo o planeta Terra me fascina, das belezas às bizarrices, passando pelas inquietações e lições que diversos lugares suscitam. Todos os caminhos levam à Terra, afinal; minha (nossa!) única casa.

E como não amar cada esquina paradoxal e específica que este mundo oferece? Como não amar esta colcha de retalhos que são os diversos lugares por onde passamos durante nosso breve período de vida? Como não amar as ladeiras de Ouro Preto? Os cheiros de Taipei? As praias do Havaí? As torres da Sagrada Família em Barcelona? As Cataratas do Iguaçu? As memórias de Berlim? As ruínas mexicanas? As paisagens de cinema da Nova Zelândia? A história pelas ruas da Itália? A música urbana de NY? O verde da Amazônia? O sol do Rio? O Morro do Moreno?

Há muito mais detalhes emocionantes nesse mundo que sonha nossa nada vã filosofia. E são estes detalhes que nos permitem aceitar este conceito retalhado de casa, com uma janela de cada cor, paredes enfeitadas, telhado de vidro pro sol entrar. Tudo dentro de um coração que pulsa, onde todas as milhas emocionais acumuladas habitam.

Mas acontece que nossa “Terra” é 70%… água – e a maior parte dela salgada. E, para não cair em auto-incoerência, não nego que parte significativa da minha casa é líquida, está nesta fração enorme que inspira e acalma. No ritmo das ondas que balançam pra lá e pra cá, ao compasso da maré que sobe e desce. Em cada criatura que também chama o ecossistema salgado de casa. Nas pessoas que tiram dali sua subsistência. Nos corais filipinos, nas ondas de Fernando de Noronha, nas correntes marítimas africanas ou nas profundezas marianas. Todos os caminhos da Terra levam a muitas milhas de emoção azul, a perder de vista.

Como não amar… o mar?

Blue island - FSM

No place like Earth? No place like Ocean Earth, our incredible home.

Tudo de bom sempre.

Blind snake Hawaii

Um dos grandes “mitos” biológicos sobre o Havaí é de que nas ilhas não existem cobras. Este é um daqueles mitos tão bem disseminados e estabelecidos, que se você perguntar a maioria da população nativa daqui, eles dirão que é verdade. Lembro de uma vez fazendo uma trilha e uma amiga havaiana me falando com todo orgulho que o mato no Havaí era seguro porque “não existem cobras aqui”.

Mas se você procurar no google, vai encontrar links de sites até medianamente reputados espalhando essa mesma balela – ou desconsiderando as existentes. Que feio.

(Faz sentido a preocupação: grandes cobras, como jibóias e cascavéis, realmente fariam um estrago no ecossistema local, e o estado gasta mundos e fundos para evitar que estes animais cheguem aqui. Mas isso não justifica a inverdade, né?)

Pois bem, amigos, vamos deixar claro de uma vez por todas: há cobras no Havaí, sim. Duas espécies, por sinal. Uma delas marinha, raríssima de se ver, a cobra-marinha-americana ou cobra-do-mar-pelágio (Pelamus platurus) –  que pode ser encontrada em todas as águas tropicais do Atlântico, Índico e Pacífico. Ela tem veneno neurotóxico, mas não consegue inocular numa pessoa por conta do formato da sua boca, sendo portanto inócua a seres humanos. Como, aliás, acontece com a maior parte das cobras marinhas.

Já a outra espécie de cobra é um tipo de cobra-cega, a cobra-cega-de-Brahminy (Ramphotyhlops braminus), minúscula, parece mais um verme, e geralmente gosta de se esconder em ambientes úmidos, como xaxins. Esta cobra é terrestre, foi introduzida no Havaí – a espécie é originária da Índia – e tem uma característica biológica extremamente interessante: todos os exemplares que você encontrar são fêmeas.

Chama-se isso de partenogênese, e é uma forma de reprodução assexuada (popularmente conhecido como “parto virgem”). É um fenômeno comum em algumas espécies de lagartos também, como o Cnemidophorus. A cobra-cega-de-Brahminy era a única espécie conhecida de cobra a se reproduzir por partenogênese até 2012, quando uma píton de um zoológico no Kentucky (EUA) deu à luz a diversas pítonzinhas sem outro macho ao redor de sua jaula.

(Curiosidade: minha sogra era uma bióloga especialista em partenogênese de lagartos da Amazônia, e contribuiu na descoberta de pelo menos uma espécie de lá, a Cnemidophorus nativo.)

Camaleão havaiano
Camaleão visto na Big Island ano passado.

E já que citei lagartos, no Havaí existem 17 espécies reconhecidas de lagartos. Nenhum deles é nativo das ilhas, todos foram introduzidos. A mais comum é o gecko, que você vê pelas casas e está representado em qualquer loja de souvenir que se preze – os havaianos adoram os geckos, acham um bicho que dá sorte, por estar presente em diversas lendas tradicionais. Mas há também camaleões, iguanas e anoles, com suas cores incríveis. Aqui em casa mesmo, no jardim, dá pra ver de vez em quando um anole exibindo seu papo laranja.

Anole havaiano
Anole do jardim.

E esse post fica dedicado aos herpetólogos de plantão, que vêem o Havaí como um ponto desinteressante: aqui também dá pra se divertir entre (poucas) cobras e (alguns) lagartos.

Tudo de bom sempre.

*Resolvi escrever este post depois de ler um de 2010 do The National Parks of the Pacific Islands.

**A foto de abertura do post é pública e foi tirada do site do Departamento de Botânica da Universidade  do Havaí.

Postado em 04/04/2015 por em Animais, Havaí

Originalmente publicado no blog do Marmota, em 28/setembro/2007, como parte de uma série de posts convidados – a “Colônia de Férias”. Na época, fiz uma chamada no blog também. Está sendo republicado porque fui comentar num post da Laira e relembrei dele. Como muitas destas elocubrações viajantes ainda merecem a reflexão, vale trazer a (re)publicação para este espaço.

Ah, algumas das minhas então viagens de sonho já se concretizaram, felizmente. :)

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Memorias-de-viagem
Momentos que viram boas memórias…

Meu amigo Marmota há alguns dias veio com essa proposta para mim pelo MSN: “Ah, você não quer escrever um post pro meu blog? O tema é o seu predileto: viagens.” Ao ouvir a palavra mágica, nem cogitei não aceitar o desafio. Afinal, depois da minha estréia esquecível no antigo endereço do blog dele (o texto foi uma experimentação maionesística), percebi uma chance de me redimir, falando daquilo que mais gosto. Dessa vez, não decepcionaria Marmota.

É claro, a conversa no MSN não parou por aí. Logo perguntei o por quê do texto, ao que o Marmota respondeu: “Vou tirar férias e quero publicar textos dos amigos nesse período”. “Vai viajar?”, perguntei curiosa. “Sim. Vou voltar a alguns lugares que adorei na Europa.”

Voltar a lugares marcantes. É interessante que Marmota tenha se decidido a fazer isso, porque em minha fome de novos lugares, raramente volto a lugares que não sejam os óbvios (a casa dos meus pais, amigos queridos, a minha casa, etc.). Não é por mal, eu gosto de reencontrar pessoas, mas se abstrairmos as mesmas da equação, em geral, quero conhecer novas paragens. Buscar o desconhecido para torná-lo memória é uma constante tão presente nas minhas viagens, que me peguei, depois de desligar o MSN, admirando a coragem do Marmota em fazer o oposto: renovar a memória vivida. E pensando nos lugares que eu realmente gostaria de voltar.

Mas antes explico. Eu acho o mundo muito grande e a vida muito curta para tantos lugares legais que existem. Mesmo se eu viver por 100 anos, não vai dar tempo de visitar/conhecer todos os recantos que eu quero (sonhar não custa nada). Esse é um fato óbvio, uma realidade “dolorosa” com a qual convivo dentro de mim. Sofro da síndrome do “eu-nunca-fui-quero-conhecer-pelo-menos-uma-vez-na-vida” – deve haver um nome mais chique para isso em medicinês. É uma espécie de ansiedade crônica pelas esquinas novas do mundo, uma tendência bastante involuntária em escolher viajar para onde nunca fui antes. A condição pode ser frustrante se mal-administrada porque, bem, não podemos conhecer o mundo todo mesmo.

De tal forma que toda vez que sonho em viajar, a vulga síndrome ataca, e a preferência sempre recai para um lugar novo. É claro, tenho uma lista de destinos “prioritários” (que só cresce…). São imprescindíveis no sentido mais profundo da minha paixão por lugares e motivação para eles não falta nunca – falta apenas a dicotomia tempo/dinheiro. Os desertos da Namíbia, os vulcões do Kamchatka, da Islândia, mergulhar em Fiji, ver as montanhas do Nepal e as construções de Brasília* estão nesse bolo. Depois dos prioritários, vêm os que eu chamo de destinos “colaterais”, aqueles que eu quero conhecer mas aguardo uma desculpa (geralmente esfarrapada) para ir – um congresso ou uma visita a um amigo que se mudou para lá, por exemplo. Destinos que não são alvo absoluto dos meus sonhos e leituras, mas se vierem… bem, não vou desperdiçá-los. Portugal e Recife são bons exemplos nesse caso.

Tempo-tempo-tempo
Tempo tempo tempo. Tempo de descobertas.

Mas depois da conversa com o Marmota, eis que decidi fazer a lista dos lugares onde quero voltar. Buscar a memória vivida. E outro dilema surgiu. Um lugar é, por definição, algo estático, mas as circunstâncias que a interação humana e/ou biológica geram o tornam organismos dinâmicos, com vida própria. E nós, viajantes, somos como “fofoqueiros” do planeta. Por onde passamos, vemos, fotografamos, depois contamos pros amigos, parentes, escrevemos cartas, postamos em blogs, compartilhamos aquela vida tão particular da cidade-organismo com o mundo. Sem pedir licença ao lugar: papparazzicamente. O Rio de hoje não é o Rio do Pan e não será o Rio do carnaval do ano que vem. Detalhes farão a sutil diferença, e cada lugar que a gente visita é uma fotografia estática de um momento determinado, e o lugar uma semana depois provavelmente não será mais o mesmo. As cidades escorrem pelos dedos no momento em que você as deixa para trás: elas se remodelam, adaptam-se e estão sempre de cara nova, por menores que sejam, mesmo àquelas que parecem paradas no tempo, como Caixa-Prego.

E temos que nos conformar com isso. A melhor terapia viajante para a mal-fadada síndrome que falei acima é encarar a realidade: você nunca conhecerá plenamente nenhum lugar do mundo. Seja porque você não terá tempo para conhecê-lo, seja porque você não conseguirá vivenciá-lo em sua plenitude por todo o tempo.

A memória vivida é efêmera. Não dá para a gente reviver. Estamos sempre acrescentando novas perspectivas, informações, emoções, e com isso modificando-a. De repente, então, fiquei feliz pelo Marmota: ele faz como eu, busca o desconhecido para adicioná-lo à memória. Apenas o faz de uma forma sistemática, mais estatística: aumenta o número de repetições, voltando aos lugares e criando uma imagem muito mais completa. Dando robustez à memória resultante.

E uma memória robusta de um lugar é, parafraseando o Poetinha, infinita enquanto dura.

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*As construções de Brasília já não são prioridade, pra ver como a gente muda à medida que o tempo passa (felizmente). Hoje minhas prioridades de viagem são as ilhas que desaparecerão com o aumento do nível do mar: Maldivas, Tuvalu, Kiribati, Yap, Midway, Northwestern Hawaiian Islands.

**Para ser lido junto com esse post do Gabriel.

Dancing Sharks

Preciso confessar que não curto futebol americano. Acho um jogo muito chato, de assistir, de entender, de torcer… enfim, não é a minha praia, mesmo. Mas, morando nos EUA, não tem como não se contagiar pela festa que é o Super-Bowl, a final anual do campeonato de futebol americano.

O Super-Bowl é também o grande palco dos marketeiros do mundo. Quando me mudei pros EUA pela primeira vez, não tinha a menor ideia do quão importante para a propaganda mundial eram aqueles intervalos comerciais irritantes que tornavam o jogo extremamente sacal de assistir – toda hora param a bola pra comercial! Mas fato é que, se o seu time de futebol americano não está no Super-Bowl, 99.99% das pessoas assistindo estarão interessadas nos comerciais (DataMalla).

E a terceira atração do Super-Bowl é o show do intervalo. Nos 30 minutos que separam o segundo e o terceiro tempos, sempre acontece um mega-show – já teve ano com Madonna, Michael Jackson, Ella Fitzgerald, Tina Turner… só mega-stars. (Quem não se lembra do bafafá americano quando Justin Timberlake deixou Janet Jackson com um peito de fora ao vivo em pleno SuperBowl?)

Enfim, domingo passado foi o Super-Bowl – SeaHawks, de Seattle x New England Patriots, de Boston. Como sempre, a expectativa das propagandas. E do mega-show do intervalo, que seria com Kate Perry, Missy Elliot e Lenny Kravitz. Fui assistir ao Super-Bowl numa festa com amigos, e não estava nem um pouco empolgada com o mega-show, então nem me empolguei a assistir, fiquei no quintal brincando com os cachorros.

Até que todos os meus amigos começaram a gritar meu nome. Fui na sala e quando chego na frente da TV… dois tubarões dançando no palco!!!!!!!!

Foi amor ao primeiro rodopio. Os dois tubarões eram os back dancers da Katy Perry, num cenário de praia. Imediatamente comecei a imitar seus movimentos de dança, porque eles eram muito cativantes. Quando os dois tubarões desapareceram do palco, eu já considerava aquele o melhor show em SuperBowls ever. Finalmente os tubarões tiveram o holofote que merecem: divertidos, animados, e com cara de bons amigos! Aí fui checar no twitter/facebook: minha timeline de tubarões estava em polvorosa, todo mundo apaixonado pelos dancing sharks.

Também foi peculiar que o tubarão à esquerda da Katy Perry fosse extremamente descoordenado pra dançar, errando diversos passos. Logo, o Left Shark ganhou uma conta no twitter, outra no instagram, virou meme e gif  – ou seja, viralizou. Left Shark virou até tatuagem!

Jaws Left Shark
“Arte” de JMAN7D1.

E de repente, as pessoas começaram a se ligar: o Left Shark representava muito mais que apenas um back up dancer da Katy Perry.  Era a caricatura perfeita de nossas falhas, escolhas e bizarrices da vida; quando a música te leva pra um lado, todo mundo dança no compasso, e você inevitavelmente põe uma capa de tubarão azul, desencana dos passos coordenados e sorri pra câmera, porque o que importa é dançar. E ser feliz.

Somos todos – ou quase todos… – Left Sharks pelos palcos da vida.

Tudo de bom sempre.

Left Shark

(Foto acima postada por Stacey Scott, no instagram.)

P.S.: – No palco do Super-Bowl, por baixo do Left Shark, estava o dançarino Brian Gaw.

– Foto de abertura do post de Christopher Polk.

– Não esqueci do último post da Nova Zelândia. Sai por esses dias, assim que eu conseguir parar de ver vídeos do Left Shark. 😀

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Praia em Whangarei

*Continuação do meu roteiro de 12 dias pela Nova Zelândia, que já teve a Parte 1 (Queenstown, Fiordland e Wanaka), Parte 2 (Glaciares a Kaikoura) e a Parte 3 (Wellington e Rotorua).

DIA 10

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Repitam comigo…

Era de manhã cedo quando encontramos Mauricio e Oscar na vila maori de Whakarewarewa, ao lado do nosso hotel – era a vila que avistávamos da janela. Ali, mora uma comunidade maori da região, que ainda usa e vive de acordo com os costumes tradicionais, portanto a autenticidade da experiência é a marca registrada.

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Textura geotérmica

O tour é guiado por um dos moradores da vila. É mostrado basicamente o quanto eles incorporam no dia-a-dia a abundância geotermal que têm ali. Por exemplo, para cozinhar, tomar banho quente, etc. Muito interessante.

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Cozinhando o milho na piscina geotermal da vila de Whakarewarewa. (Depois comemos esse milho. Tava bão!…)

De longe, ainda é possível também ver o gêiser Pohutu.

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Depois do passeio pela vila, assistimos ao show de dança maori que incluía a tradicional haka – fundamental assistir a uma haka se você vai à Nova Zelândia, porque é uma das mais interessantes e importantes manifestações culturais dos maoris, um grito de guerra aliado à dança. O legal do passeio também foi realizá-lo ao lado do Mauricio e do Oscar, que são amigos sensacionais. Sempre uma delícia conversar com eles!

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Apresentação da haka.

Do Whakarewarewa, nos despedimos dos dois e tomamos o rumo de Matamata, para visitar Hobbiton, a “cidade” hobbit. Chegamos lá mais cedo do que o horário reservado para nosso tour, e pudemos almoçar no café de Hobbiton, o The Shires Rest – nada de especial, confesso. A lojinha fervilhava de gente, e enquanto esperava, enviei um cartão postal de lá, com selo de “Middle Earth”.

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No Hobbit Shire.

O tour em Hobbiton é bem organizado, e nosso guia era um estudante universitário de Cinema – bem apropriado. Eu juro que achava que ia ver umas 3 casinhas hobbits, e que o passeio todo não duraria mais de meia hora… mas não!

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A cidade tem umas 20 casas hobbits, mais todas as áreas de hortas, jardins, árvores, etc. que vemos no filme. É realmente uma vila hobbit. A trilha para ver todo o Shire leva pelo menos uma hora de caminhada – no fundo leva-se mais, porque toda hora paramos para ver algo, fotografar, o guia conta uma história das filmagens etc.

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De acordo com a economia hobbit, riqueza é medida pelo número de janelas da casa. Esta onde estou, por exemplo, deve ser de um hobbit bem necessitado… #BolsaHobbitJá

Enfim, eu não estava muito animada com esse passeio, mas no final curti bastante tê-lo feito. A fazenda é extremamente bucólica, muito lindinha. O cenário é todo uma fofura, as flores são reais e lindas, tudo é super-bem-cuidado, e só faltou mesmo ter alguém vestido de hobbit fazendo uns comentários gandalfianos para ficar perfeito.

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Cerveja hobbit

Gostei também que o tour termina no pub hobbit – que é uma gracinha! – e eles te oferecem um copo de cerveja hobbit gratuito (Amber Ale ou Stout); para crianças, cider de gengibre. Fazia um calor inacreditável no meio daqueles morros bucólicos sem muita sombra e sem vento, e a Amber Ale desceu mais-que-perfeita.

Chegamos em Auckland já quase ao anoitecer, e mal deixamos as malas no hotel e fomos subir a famosa Sky Tower, a Torre de Auckland. Lá de cima, assistimos ao pôr-do-sol, enquanto do outro lado, a lua despontava atrás da ilha Rangitoto.

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O jantar foi no ótimo restaurante turco Midnight Express, pertinho da torre. Os pratos vegetarianos eram ótimos, e a ovelha… sem comentários!

DIA 11

Mais um dia de folga para todos. André e eu saímos cedinho de Auckland rumo a Tutukaka, depois de Whangarei, onde encontraríamos o Oscar e a nossa amiga Silvia para mergulhar em Poor Knights. A manhã estava inacreditavelmente incrível de linda, o mar uma piscina, e a travessia ao Poor Knights, que notoriamente pode ser bem turbulenta, foi das mais tranquilas possíveis. Mergulhamos com a Dive Tutukaka, que fica na cara do píer, e cujo serviço foi nota 10, super-relax com explicações fundamentadas da biologia local.

Poor Knights é uma reserva marinha desde 1975, situada a 25 km da costa e que foi escolhida por Jacques Cousteau como um dos seus 10 pontos favoritos de mergulho do mundo. Pois é, com essa reputação o mergulho só podia ser excelente, né? Ainda mais na companhia de amigos tão queridos.

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O local é sagrado para os maoris, e mantido em excelente estado de conservação pelo governo neozelandês. É proibido atracar na ilha, portanto os barcos só podem se aproximar e ficar a alguns metros da costa. A fauna é simplesmente inacreditável de abundante, e o barco mal para e os cardumes de peixes já estão se agitando na superfície do mar.

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Só tem um problema: a água é ultra-hiper-super-gelada para os meus padrões extremamente tropicais. Fiz apenas um mergulho, mas o resto do pessoal aguentou dois.

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Kelp neozelandês.

O fundo é dominado por kelp, mas não são aquelas florestas enormes que crescem na costa da Califórnia: aqui o kelp é um pouco menor e se mistura ao fundo rochoso de uma maneira bem interessante. O visual debaixo d’água é espetacular, e em cima da água, os rochedos são também de uma dramaticidade – e altura – incríveis.

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Impressionante as cores das anêmonas!

Depois dos mergulhos, o barco fez um passeio ao redor de uma das ilhas do Poor Knights, aproveitando que o mar estava uma piscina, e pudemos perceber o quanto a geologia do local é fascinante.

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Pós-mergulho em poor Knights. Só alegria!

De volta do mergulho, fizemos um mini-tour pela costa da região de Whangarei, que é lindíssima. As praias, baías escondidinhas, recantos cheios de samambaias, areia branquinha e mar azul piscina… ô Nova Zelândia para ser bonita, gente!!!

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Sério, que país lindo é esse!!!

Nossa hospedagem da noite era na casa da nossa amiga Silvia. Sabíamos que ela morava off-grid – quer dizer, usando ao máximo os recursos da terra e desconectados das instalações públicas de fornecimento de água, esgoto e energia elétrica – mas não fazia noção do que isso queria dizer, até chegarmos na casa dela, no meio de um santuário ecológico de kiwis (o pássaro), no meio do mato total. A casa é uma experimentação em grau máximo de sustentabilidade, com geração de energia 100% solar, sistema de saneamento próprio, e água captada da chuva – nenhuma gota de água vem do sistema de abastecimento público. Nossa amiga e seu marido plantam vários dos alimentos que consomem, e, por conta da distância da estrada e dos morros pra chegar na sua casa, vão ao mercado uma vez por semana para o essencial que não podem produzir.

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Vida off-grid, meu sonho de “consumo” (ou seria desconsumo?).

Apesar de soar desconfortável, a casa era muito bacana, com internet funcional, telefone e cheia de espaços envidraçados, para admiração da floresta ao redor. Jantar no seu deck, ao som de centenas de passarinhos, conversando com amigos e vendo a lua cheia nascer entre os galhos de árvores e samambaias foi um dos momentos mais reconstituintes de toda a viagem. Viver sabendo que toda energia e água não são derivadas de combustível fóssil – ah! Meu sonho de consumo pra vida! E ali, Silvia me mostrou que, sim, é possível.

Saí dali com a esperança renovada.

DIA 12

Último dia na Nova Zelândia é sempre meio triste, aquele amargo sabor de saudade antecipada. Fizemos uma trilha simples pela mata da Silvia, onde Oscar nos mostrou a samambaia prateada que é o símbolo do país, e depois tomamos o rumo de volta para Auckland.

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Silver fern, símbolo da Nova Zelândia.

No caminho, parada básica para encher o cooler de queijos no Puhoi Valley, uma loja de queijos e sorvetes que é das minhas prediletas ever. Almoçamos no Puhoi, e já em Auckland, o Oscar gentilmente nos ofereceu um mini-tour VIP pelo Mount Eden, de onde temos uma vista linda da cidade! Auckland tem 48 cones vulcânicos, e o Mount Eden é o mais alto deles.

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Passamos no mercado para comprar mais queijos e uns vidros de Lewis Road Creamery, um achocolatado orgânico que é o maior hype da Nova Zelândia. Deixamos então o Oscar na casa dele e fomos buscar o resto da nossa patota de viagem, para voltarmos mais tarde para a casa do Oscar e do Mauricio e aproveitar nosso último happy hour na Nova Zelândia. Como sempre, o MauOscar Resort estava padrão 5 estrelas plus, com uma mesa de queijos e vinhos e outras delícias incríveis. Mas a maior delícia mesmo foi ter a oportunidade de conversar um pouco mais com os dois, antes de irmos para o aeroporto. Muito grata mesmo por esta amizade que a internet trouxe e a realidade consolidou! Obrigada, queridos!

E quanto a Nova Zelândia… até a próxima! Porque é claro, haverá uma próxima. Afinal, o país é tão lindo que a vontade que dá é de voltar sempre.

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Tudo de kia ora sempre.

Próximo post: “colagem Nova Zelândia”.

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*Continuação do roteiro de 12 dias pela Nova Zelândia, hoje com os passeios em Wellington e Rotorua. Para os roteiros prévios: Parte 1 (Queenstown, Fiordland e Wanaka) e Parte 2 (Geleiras e Kaikoura).

DIA 7

Dia de se despedir de Kaikoura, o que me deixa com uma dorzinha no coração… Acordamos cedíssimo para ir de novo ver os leões marinhos no parque, e qual não foi nossa surpresa quando mal chegamos no estacionamento e vimos vários descansando na passarela e no asfalto!

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Como era feriado, a maioria dos cafés não estava aberto, e decidimos por procurar um lugar na estrada pro café da manhã, já a caminho de Picton. Antes do café, paramos em Ohau Stream, para vermos a outra colônia de fur seals de Kaikoura. Fizemos a caminhada até a cachoeira de Ohau, que é super-agradável. Aliás, a estrada oceânica que sai de Kaikoura rumo ao coração de Marlborough é linda, outro trajeto incrível da Nova Zelândia.

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Cachoeira de Ohau, que em março/2013 vimos cheia de fur seals brincando.

Tínhamos hora marcada pra passagem de ferry – hoje cruzaríamos da ilha sul para a norte da Nova Zelândia. Portanto, a decisão era “pra frente, sempre”. Só que já estávamos há mais de uma hora sem café, o que para os cafeinômanos (eu inclusa) era motivo de nervosismo. Então decidimos parar no primeiro lugar da estrada que estivesse aberto.

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O desespero cafeínico compensou: paramos no The Store em Kekerengu, um café simpaticíssimo, com uma arquitetura colonial bem aconchegante e horta orgânica, e vista pra uma praia linda. Logo outro problema apareceu: não queríamos sair dali mais! 😀

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Baía de Picton.

A estrada pra Picton passa por inúmeros vinhedos, que ficaram anotados mentalmente para uma próxima viagem. Em Picton, chegamos a tempo de comprarmos um almoço no Seabreeze Café para levar na travessia do ferry.

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A viagem de ferry é uma atração a parte, e é provavelmente uma das travessias de ferry mais lindas do mundo, como a companhia propagandeia com razão. Assim que sai de Picton, o ferry atravessa o Queen Charlotte Sound, o Tory Channel e o Marlborough Sound. Nestes sounds, abundância de prainhas, baías e uma vegetação verde-lindo. Muita água-viva, e diversas fazendas de ostras no caminho. Quando o ferry finalmente chega ao fim do Marlborough Sound, uma tristezinha no coração: é hora de dizer tchau para a ilha sul.

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Tchau, Ilha Sul! Até a próxima!

O estreito de Cook estava calmíssimo no dia em que atravessamos, e durante as 2 horas restantes de cruzamento pelo mar ficamos vendo um show de mágica na área de crianças do navio. Até que Wellington, capital da Nova Zelândia, começou a aparecer no horizonte.

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Depois de devidamente instalados em downtown Wellington, fomos andar de cable car, o bondinho histórico famoso que liga a parte baixa à parte alta da cidade. Lá em cima fica o Jardim Botânico de Wellington, onde fizemos uma caminhada longa e muito interessante. O vale onde fica o Jardim Botânico é exatamente onde passa a falha tectônica que corta Wellington, e que torna a cidade tão vulnerável a terremotos.

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Dentro do Jardim Botânico, a seção de samambaias foi a minha favorita, mais pela variedade de espécies que o país tem. Também adorei o Jardim Australiano.

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A trilha terminou no Jardim de Rosas Lady Norwood, onde várias pessoas faziam piquenique. Viajei que o jardim seria o local perfeito para um encontro entre casais apaixonados de final de filme…

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Para voltar para o centro de Wellington, o caminho mais fácil é o que cruza o Bolton Street Memorial Park, um antigo cemitério que foi cortado pela construção de uma rodovia. A caminhada pelo cemitério é agradável, e desemboca perto do Beehive, o prédio do Parlamento neozelandês. Devido ao feriado, o downtown Wellington estava às moscas, e apenas na área do píer, onde ficam restaurantes e bares, havia um pouco de movimento. Jantamos no italiano Portofino, e os green mussels estavam excepcionais.

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Entrada do Bolton Street Memorial Park.

DIA 8

Pelo planejamento, esse era o primeiro dia livre da viagem, em que cada um podia fazer o que quiser. Ainda assim, todos decidimos ir ao Te Papa Museum, passeando pelo waterfront de Wellington de manhã. O café da manhã foi no café do museu, de onde já entramos direto para as exibições.

O Te Papa é um museu gratuito, e tem diversas exposições, permanentes e temporárias, sobre tudo relacionado à Nova Zelândia: desde cultura maori a volcanologia, de fauna a história recente. No dia em que fomos, a Air New Zealand estava patrocinando uma exposição em comemoração aos 75 anos da empresa sobre cultura popular neozelandesa durante este período.

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Sempre legal ver um mapa-múndi com a Antárctica no centro!

Mas a parte do Te Papa que mais amo é sem dúvida a de geologia, com todos seus painéis explicando detalhes do aquecimento global, dos terremotos, etc. Ainda visitamos a única lula gigante em exposição no planeta (e que teve seu processo de coleta e formolização viralizados na internet), e as galerias de arte moderna e contemporânea neozelandesas, com trabalhos muito interessantes.

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Instalação na galeria de arte contemporânea representando o “DNA maori”.

A exposição sobre selfies também faz sucesso, e estava ao lado de um espelho côncavo/convexo para brincarmos com a física óptica da coisa – meu sogro, que é físico, disse que podia explicar a equação por trás do fenômeno, caso quiséssemos. #FamilyScience

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Ilusões de óptica: cadê a imagem da menina no espelho?

Do Te Papa, André avistou um painel de tubarões do outro lado da rua.

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Na hora do almoço, a curiosidade nos levou até ele – e que lindeza! Amei, amei, amei! Um paredão enorme de um depósito, todo pintado com diversos “tipos” fantasiosos de tubarão! Sem dúvida, achei meu ponto na Nova Zelândia. 😀

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Centenas de fotografias tubaronísticas depois, fomos almoçar no Mama Brown, uma hamburgueria creola pertinho do Te Papa, cujas cadeiras são assentos de avião – com cinto de segurança e mesinha. Uma diversão para viajantes inveterados!

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Um dos remos da canoa Hokule’a acima de uma canoa maori, em exposição no Te Papa.

Passamos a tarde pelo Te Papa, e ficamos até o museu fechar. À noite, nosso jantar foi no One Red Dog, único restaurante do píer com vagas que encontramos (era feriado na Nova Zelândia). Eles têm um ótimo fondue de chocolate para dividir, com kiwi, morango e marshmallow – bye, bye dieta…

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As flores da árvore pohutukawa (ou árvore de Natal neozelandesa) inundavam o chão de Wellington!

DIA 9

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Estátua de John Plimmer e seu cachorro Fritz. Plimmer era considerado o “pai de Wellington”.

Para dar tempo de chegar em Rotorua, que fica a 6 hrs de carro de Wellington (praticamente cruzando a ilha norte), tivemos que sair bem cedinho de Wellington e nosso café da manhã teve que ser mais uma vez na estrada – e bem rápido. A pressa compensou: deu tempo da gente parar diversas vezes ao longo da rodovia 01 para fotografar o Monte Tongariro, o Ruapehu e o vulcão Ngauruhoe, também cenários do LOTR. O Ngauruhoe é o vulcão mais ativo da Nova Zelândia, e é onde o “Monte Doom” em Mordor na trilogia do anel. Mas, na vida não-fictícia, a vegetação do Parque Nacional de Tongariro é que arrebata o palco, simplesmente sensacional, uma espécie de cerrado cheio de samambaias em cima de um terreno bastante instável vulcânico. Uma loucura de lindo! Não à toa, o parque está na lista da UNESCO como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade.

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Parque Nacional de Tongariro

Almoçamos com tranquilidade perto do Lake Taupo, num restaurante delicioso chamado Plateau. O clima era de muita descontração, com o dia ensolarado. Taupo é fofa, e mereceria um dia inteiro de visita – mas Rotorua nos esperava com mais atrações ainda.

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Artist’s Pallete no Parque Geotérmico de Wai-o-Tapu

Lá pelas 3 pm, chegamos no Wai-O-Tapu, parque geotérmico onde ficam algumas das maiores e mais surreais maravilhas geológicas do mundo. Já havia visitado o parque em 2004, na minha primeira vez na Nova Zelândia, e desta vez, mostrá-lo aos calouros de Nova Zelândia foi um prazer a mais.

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Champagne Pool 

A Champagne Pool tem a cor mais linda do mundo, e leva esse nome pela constante liberação de CO2, que gera bolhinhas constantes como uma taça de champanhe. O pH da Champanhe Pool é 5,5, a temperatura é ~75ºC, e a cores laranja e verde refletem a presença de sulfito de arsênico e sulfito de antimônio, respectivamente. Em suas águas, 3 espécies novas de bactérias termofílicas foram descritas.

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Devil’s Bath

Outra atração linda (e verde) é o Devil’s Bath, maravilha da geoquímica de Middle Earth. O Devil’s Bath tem essa cor por conta da concentração de sais de enxofre, seu pH é de 3,3 (bem ácido) mas a temperatura é um agradável 23ºC. O parque inteiro dá para ser visitado em 3 horas de caminhada, mas nós fizemos o circuito menor, apenas das maravilhas geotermais e para ver um pedaço do Terraço Primrose, para evitar caminhar muito no calor, que castigava.

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Terraço Primrose

Nosso hotel em Rotorua ficava ao lado de uma área geotermal, então aquele cheiro de sulfa era sentido em diversos pontos do hotel (menos nos quartos, felizmente). Da janela do quarto, víamos a fumaceira das piscinas geotérmicas – e o calor. Havíamos combinado de nos encontrarmos com os queridíssimos Mauricio e Oscar à tardinha, no Government Gardens. Quando André, seu pai e eu chegamos, estavam os dois sobre uma toalha na grama, no maior piquenique delícia. <3

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Government Gardens

O Government Gardens é lindo, mas decidimos aproveitar os amigos VIPs e explorarmos outras áreas de Rotorua. Primeiro fomos ao parque central da cidade, que tem diversos “laguinhos” geotermais – por onde você anda, tem fumacinha com cheiro de enxofre saindo do chão.

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Depois fomos para Redwoods Whakarewarewa Forest, uma floresta de sequóias californianas em plena Nova Zelândia. Uma caminhada refrescante, já que o calor era geral. De lá, fomos para a margem do lago de Rotorua, onde diversas aves se acumulavam – a vista do lago é bem bacana também. Oscar e André trocavam figurinhas fotográficas, enquanto Mauricio, eu e meu sogro ficamos observando o movimento da água… que relax. E, como última parada, fizemos uma nano-road trip ao redor do lago Tarawera, para ver o monte Tarawera, que era onde ficava o Pink Terrace, estrutura geológica muito parecida com Pamukkale (Turquia) que foi completamente soterrada por uma explosão vulcânica do Tarawera em 1886.

À noite, todos jantamos no Sabroso, um restaurante latino de Rotorua muito aconchegante. A conversa foi animada, e várias margaritas depois, capotamos.

Stay tuned. Próximo post: Hobbiton, Auckland e Poor Knights

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Minha felicidade por estar numa geleira! \o/

*Continuação do roteiro de 12 dias pela Nova Zelândia (clique aqui para a parte 1), que parou em Wanaka, na ilha Sul.

DIA 4

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André e eu madrugamos para fotografar o nascer do sol, com a vista lindíssima do lago de Wanaka e dos inúmeros patos selvagens que ficam por ali – inclusive o pato-mergulhador (Aythya novaeseelandiae), endêmico da Nova Zelândia.

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Como teríamos pela frente bastante estrada até Franz Josef, nossa parada da noite, tomamos um café rápido em Wanaka e caímos na estrada, rumo às geleiras. Aqui vale ressaltar que o trecho da costa oeste da ilha sul é onde existem as florestas mais bem preservadas da Nova Zelândia. Portanto, o verde é incessante, denso e com uma diversidade de samambaias que dá arrepio de tão incrível.

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Apesar da garoa – que por ali é quase constante -, fizemos uma paradinha no super-fofo centro turístico de Haast, cidade litorânea com uma vegetação bastante única de beira de praia.

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Praia em Haast.

O prédio do centro turístico de Haast é uma surpresa modernista, e lá dentro, um pequeno museu com história e biologia da região. Pensávamos em parar ali apenas para pôr combustível no carro, mas no final, ainda tomamos um bom café e aprendemos um pouco mais sobre a região, principalmente sobre o seu clima chuvoso…

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Poema da chuva para São Paulo.

A primeira geleira do caminho é Fox Glacier. Tecnicamente de mais fácil acesso por trilha possível para mais idosos. A caminhada levou uns 40 minutos, só que a vista da Fox lááááá longe foi um pouco frustrante – levando em consideração que eu já estava pra lá de triste e deprimida ao ver as fotos da geleira como era há 6 anos.

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Ali, vendo a falta de gelo óbvia, não tem como um indivíduo em sã consciência negar os efeitos do aquecimento global sobre as geleiras. (E pensar que esta é apenas uma das muitas geleiras do planeta que estão desaparecendo… é de dar um aperto no coração do tamanho do mundo.)

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Há cerca de 50 anos, a geleira chegava onde estas pessoas caminham na foto. #ClimateChangeIsNow

Franz Josef fica a ~30 minutos de carro da entrada do Fox Glacier. A cidade é minúscula, mas como é ponto de partida para a maioria dos aventureiros que escalam as geleiras e o Mt. Cook, há hotéis e restaurantes, mas tudo com cara de mochilagem. Foi quase impossível achar hotel em Franz Josef, e André, seu pai e eu ficamos num albergue, enquanto seu tio e tia num hotel um pouco mais afastado do centro. O albergue era ótimo, diga-se de passagem, e recomendo muito.

Um time-lapse de derretimento das geleiras do Ártico, para ilustrar mais o que acontece nas geleiras pelo mundo. Da Revista Galileu no facebook.

Tínhamos um passeio de helicóptero marcado pro início da tarde, mas o tempo virou totalmente lá no alto da montanha, e o passeio foi cancelado. Na empresa de helicópteros, a mocinha nos colocou na lista de espera para um vôo às 6:30pm, quando talvez o tempo melhorasse um pouco. À mercê das condições do tempo, André, eu e seu pai resolvemos fazer a caminhada até a geleira Franz Josef.

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Geleira de Franz Josef.

A trilha é praticamente toda flat, sem muitas inclinações, e achei melhor e com vista mais interessante que a de Fox. A paisagem é lindíssima, e eu estava super-feliz de ver a geleira de perto. Mas quando você chega ao fim da trilha normal, e começa a andar à beira do rio, e percebe o quanto a geleira retraiu… não dá pra segurar as lágrimas, sério. É muito triste a situação do planeta que estamos deixando pras futuras gerações.

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Um dos lagos da geleira.

Tanto a trilha de Fox quanto a de Franz Josef tiveram que ser modificadas desde 2008, por conta da diminuição massiva da quantidade de gelo. A geleira está muito mais instável e com isso é bem mais arriscado escalá-la. A trilha leva até bem perto, e dá pra ver o rio caudaloso de água derretida jorrando entre uma das aberturas do gelo. Meu sentimento ali era uma mistura de emoção feliz por estar vendo a geleira (ainda!), e tristeza profunda por saber que, daqui a uns 10 anos, provavelmente aquela geleira não mais existirá no verão, tamanha retração.

De volta à cidade, entretanto, boas notícias: o tempo abrira no topo da montanha e o passeio de helicóptero ia acontecer! Diferente da neurose dos passeios de helicóptero nos EUA, esse é bem mais relax, e você pode abrir a janela lateral para fotografar sem reflexo do vidro. Não é permitido levar nenhuma bolsa nem tablets, apenas máquina fotográfica ou celular. Óculos escuros são fundamentais também, para a reflexão do gelo não forçar demais a retina.

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A vista das geleiras é simplesmente inacreditável. O branco da neve, as montanhas, tudo espetacular. Para mim, foi a maior emoção da viagem, e se o passeio fosse apenas para ver de cima tudo, já teria valido cada centavo. Mas aí vem o mais legal: o helicóptero pousa no topo da montanha, de cara pro Mount Cook, e você pode ficar 10 minutos ali, rolando curtindo o gelo, admirando aquele céu azul mais intenso – e me peguei pensando na biografia de Edmund Hillary que li há muito tempo, onde ele contava o quanto adorava escalar o Mount Cook, e pensando também que eu estava ali, na montanha de Sir Edmund Hillary, herói dos heróis das montanhas, num ponto onde ele pôs seus pés um dia – e ao mesmo tempo não pôs, já que o gelo é bem mutante à medida que as estações passam; assim como o rio que passa nunca é o mesmo. Pensando o quanto Hillary admirava aquela montanha. E no quanto eu, em apenas 5 minutos lá em cima, já admirava e amava aquela montanha branca tanto quanto.

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Texturas da geleira Franz Josef, vista do alto.

De todos os passeios da viagem, este foi o mais intenso para mim, o que mais adorei. Para celebrar, fomos ao mercado e compramos vários queijos e vinhos espumantes para um piquenique ao entardecer. Franz Josef ficará na memória para sempre.

DIA 5

O dia era de road trip mesmo. Explico: a estrada era a atração do dia. De Franz Josef, o objetivo era chegar até Kaikoura cruzando a ilha sul pelo Arthur’s Pass – se fôssemos direto, seriam 7 horas dirigindo sem parar. Mas claro, íamos fazer paradas, porque ali estão alguns dos cenários mais espetaculares da ilha sul.

Apesar do longo caminho pela frente, nosso café da manhã foi bem tranquilo, no Full of Beans, um café/restaurante/galeria de arte pop-kitsch nota 10 em Franz Josef, onde já havíamos almoçado no dia anterior. Quando caímos na estrada, o tempo deu uma piorada, e nossa despedida do Mar da Tasmânia foi debaixo de chuva. Uma pena, porque em uma das praias perto de Hokitika, nosso amigo havaiano disse ter visto golfinhos nadando alguns dias antes.

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Arthur’s Pass é uma travessia por Middle Earth. A estrada é bem montanhosa, cheia de curvas e pontes de apenas uma faixa, rios caudalosos e paredões rochosos. Várias das paisagens que serviram de fundo para a trilogia do anel estão na beira da estrada, agigantando a fantasia que a Nova Zelândia já inspira.

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Embora fosse verão, deu pra perceber que aquela região ferve mesmo é no inverno. É praticamente uma estação de esqui atrás da outra, nos slopes mais cinematográficos possíveis. Além disso, a região tem diversas cavernas para os adeptos do mundo subterrâneo. Em uma de nossas paradas, no parque de Kura Tawhiti, a paisagem rochosa de arenito e calcário me lembrou bastante Vila Velha (PR), só que num tamanho gigante e menos vermelho. O lugar é de beleza intrigante, e merece a breve caminhada até a base dos rochedos.

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A Vila Velha da Nova Zelândia.

A estrada de Arthur’s Pass leva até Christchurch, mas antes passa numa cidade de beira de estrada sem personalidade chamada Springfield. Espertamente, a cidade pegou carona na semelhança com o nome dos Simpsons e plantou há alguns anos uma estátua gigante de um donut mordido no parque principal. Hoje, este donut virou uma atração turística pra criançada – e nós paramos ali pra almoçar, no descontraído Yellow Shack Café.

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A escultura mais famosa de Springfield. #SimpsonsFeelings

Tínhamos uma tarde em Christchurch, apenas – e a cidade não estava no nosso roteiro original, foi uma adaptação em cima da hora. Em 2013, quando estivemos em Christchurch, o centro da cidade estava todo inacessível, com prédios ainda condenados à demolição. Desta vez, o centro estava parcialmente aberto, e pudemos ver de perto a destruição que os terremotos que afligiram a cidade em 2010 e 2011 fizeram.

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O que ficou de pé da catedral de Christchurch.

Vários lotes vazios, onde antes prédios existiam – para o centro de uma das maiores cidades de um país, a cena é desoladora. A caminhada gera um mix de tristeza e otimismo. Christchurch acabou – e está renascendo, com um projeto de urbanismo sustentável que pretende ser dos mais avançados do mundo. O processo como esse projeto foi arquitetado e está sendo desenvolvido pode ser apreciado no filme “The Human Scale”, um dos melhores documentários urbanísticos a que assisti e que recomendo MUITO.

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“The Chalice”, escultura em metal de Neil Dawson em frente à Catedral de Christchurch anterior ao terremoto e que sobreviveu a ele.

Aproveitando que paramos em Christchurch, estava curiosa para ver a Cardboard Cathedral, ou Catedral de Papelão, projeto do arquiteto japonês Shigeru Ban, um especialista em “arquitetura pós-desastre”. Não sou muito fã de visitar o interior de igrejas, mas esta tinha este componente arquitetônico transicional que me intrigava: os pilares e a estrutura básica da igreja são feitos de tubos de papelão. Os vitrais são bem coloridos, e a catedral supostamente consegue durar 50 anos – ou até outra catedral ser construída em Christchurch.

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Cardboard Cathedral

Chegamos em Kaikoura ainda de dia. Nesse momento da viagem, eu era puro riso de felicidade. Afinal, não acreditava que estava de volta ali, na minha cidade favorita da Nova Zelândia, onde a vida marinha esbanja saúde. Para celebrar, fomos todos jantar e tomar vinhos no The Sonic, um pub/restaurante de frente pra praia, com uma atmosfera de bar universitário, mesa de sinuca e um barco no teto. I love Kaikoura!

DIA 6

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O dia era para curtir o mar de Kaikoura, claro. André e eu madrugamos para fotografar e, mal saímos de casa, Kaikoura nos presenteou com um nascer do sol de pintura e um arco-íris completo dos mais lindos que já vi! #PuroAmor

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Depois do café da manhã no Kaikoura Food Company (que era perto do nosso hotel), íamos fazer um passeio de barco para ver as baleias cachalote. Entretanto, apesar do tempo bom, o vento começou a tomar uma velocidade insana, de até 50 nós, e nosso passeio foi cancelado. Sabendo como era o mar de Kaikoura num dia calmo, o que eu via era realmente assustador.

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O mar não estava pra peixes nem mallas.

Para não perdemos o dia, arrumamos um plano B de última hora: uma visita a uma fazenda com diversos animais de criação (a Kaikoura Farm Park). Tinha galinha, gato, porco, ovelha, pavão, coelho, wallaby, burro, cachorro, lhama, vaca, enfim, um verdadeiro animal farm.

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Os bichos ficavam meio soltos e a gente andava entre eles, passando a mão na cabeça dos mais mansos, alimentando os que a gente podia alimentar. Soava como um passeio blé, mas foi super-divertido! A fazenda também oferece estadia em “quartos bizarros” – “whacky stays” – e você pode dormir numa teepee como os índios americanos, ou num vagão de trem.

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Da fazenda de animais, fomos para uma fazenda de lavandas que fica nas vizinhanças. Andar por um campo de lavandas das mais diversas variedades possíveis é das coisas mais deliciosas que existem no mundo botânico, porque o aroma é simplesmente arrebatador.

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Uma delícia! A visita foi curta, porque a fazenda não era tão grande, mas valeu a pena.

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E, terminamos ficando ali por perto mesmo para almoçar no Irish pub histórico Donegal House (que também funciona como hotel). Kaikoura foi onde membros da família Boyd se estabeleceram, depois de rodarem a Nova Zelândia atrás de ouro. O Irish Pub é gerenciado por seus descendentes diretos, e hoje único lugar de atmosfera 100% irlandesa em Kaikoura. O jardim é de um bucolismo contagiante, com vista para o Mount Fyffe, e o pátio ideal para longas conversas… Ali, comi o melhor fish & chips da viagem toda. E, claro, a Guinness não decepciona.

À tarde, íamos fazer o snorkel com os leões marinhos, mas o vento ainda estava impossível – e nosso encontro com eles vai ficar pra próxima vez que formos a Kaikoura… (porque haverá uma próxima vez!) A tripulação 70+ do nosso grupo decidiu ir descansar, e André e eu fomos para a península de Kaikoura fazer a trilha do parque. A trilha é super-fácil, e nela as vistas são as típicas da Nova Zelândia: deslumbrantes. Ali vive uma colônia enorme de focas da Nova Zelândia (o New Zealand fur seal, que apesar do nome é na realidade um tipo de leão marinho – família Ottariidae; as focas de verdade são da família Phocidae).

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A vista do alto da trilha da península de Kaikoura.

O mar continuava extremamente revolto, e nosso carro estacionado levava um banho de água salgada a cada onda que quebrava por ali. Mas a quantidade de fur seals era enorme, e observamos diversos comportamentos, um paraíso para biólogos! O vento na trilha era surreal de forte, e por vezes me sentia uma pipa, prestes a voar.

Quando saímos de lá, o pior da ventania passara. Mas o dia já terminava. Então voltamos pro hotel, onde fizemos um happy hour básico com a família – era noite de Réveillon. À noite, fomos jantar no Green Dolphin, um restaurante ótimo com vista pro mar que privilegia o uso de produtos locais, como o crayfish. Era antes da meia-noite quando saímos de lá, após brindarmos ao ano novo antecipadamente. André e eu terminamos passando a virada de verdade num bar animadésimo da cidade, o Strawberry Tree, onde uma banda local tocava e a galera pulava sem parar. Feliz 2015!

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Stay tuned. Amanhã: Parte 3 – Travessia para ilha norte e Wellington.

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No último final de ano, André, eu, seu pai, um tio e uma tia (os 3 últimos com mais de 70 anos) resolvemos nos lançar a uma aventura familiar estilo “Férias Frustradas”, e fazer uma road trip pela Nova Zelândia. A idéia da viagem era mostrar um pouquinho de cada uma das atrações mais famosas e/ou interessantes do país – uma “colagem kiwi” como excelentemente definiu a tia do André. Foi uma experiência espetacular, cheia de risadas, ótimos momentos e, diferente do filme, nenhuma frustração, resultado talvez do planejamento preciso (modéstia às favas pra mim e André) que deixou flexibilidade suficiente para ajustar as demandas de cada um sem prejudicar o roteiro principal mesmo com os dias contados milimetricamente. Foi uma viagem inesquecível para todos.

Para quem conhece a Nova Zelândia, sabe que o país é um mundo. Dá pra ficar uma vida inteira por lá, visitando, sem se cansar das paisagens incríveis, das refeições sensacionais, do povo extremamente simpático, da diversidade de atividades, da cultura polinésia maori, da atmosfera relax do país. Sem falar das samambaias, uma diversidade de espécies de deixar qualquer biólogo maluco! Assim como a Itália (que eu também amo, by the way), a Nova Zelândia é inesgotável – e residiu aí o maior desafio do nosso planejamento. Tanto eu quanto André já havíamos visitado duas vezes a Nova Zelândia; e os nossos viajantes 70+ não conheciam nada. Então, usamos da nossa experiência prévia pra equilibrar atividades que requeriam um pouco mais de adrenalina (para quem gosta disso) com atividades mais culturais/gastronômicas. Foram diversas atividades juntas que nos deram a oportunidade de curtir a viagem em família e produzir memórias que certamente se tornarão eternas.

Compartilho aqui o roteiro de 12 dias que fizemos pela Nova Zelândia, num formato de diário de viagem, com alguns detalhes e dicas para aqueles que querem se aventurar por lá mas não têm muito tempo. Já digo que 12 dias é duplo maraturismo: maratona maravilha. E não é massacrante. Pelo contrário: se bem planejado e se as pessoas envolvidas são relax (não se estressam com imprevistos e dão risadas das roubadas que aparecem), dá pra curtir MUITO, ter uma boa idéia geral do país, e ainda relaxar ao pôr-do-sol tomando Sauvignon Blancs sensacionais. Nós conseguimos nos divertir à beça, pelo menos.

ANTES DE VIAJAR

NZ trajeto

A primeira parte do planejamento foi definir as datas e o roteiro em termos gerais: quantos dias e quais atrações cada um queria mais ver (e daí viriam que cidades/destinos visitar). Por exemplo, para mim, era fundamental passar o Réveillon em Kaikoura, cidade litorânea da ilha Sul que é minha paixão maior na Nova Zelândia; e era fundamental mostrar Milford Sound para os calouros de NZ. Para a tia do André, eram as atrações ligadas à cultura maori e relacionadas a Lord Of The Rings (LOTR) que mais atraíam. Para André, era curtir a vida marinha.

Outra preocupação era para não tornar tudo uma grande corrida maluca. Então fizemos a viagem mais puxada no começo, quando o gás de todo mundo é maior, e à medida que a viagem acontecia, separamos mais momentos de “descanso”, mais horas para apenas contemplar.

Uma vez definido o nosso roteiro geral para o final do ano de 2014, o próximo passo foi marcar a passagem de avião para Auckland, e cdepois o trecho de Auckland para Queenstown, onde começamos nossa aventura on the road. Depois foi a vez do aluguel da minivan, que fizemos por uma locadora local que já havíamos usado antes, a Apex. Depois fizemos todas as reservas de hotéis usando o mesmo buscador online para acumular o máximo de pontos. Como era alta temporada, em algumas cidades os hotéis estavam quase lotados, e em Franz Josef, que é uma cidadezinha minúscula, tivemos que separar o grupo em 2 hotéis diferentes.

Depois dos hotéis selecionados, começamos então a marcar os passeios que sabíamos lotar mais rápido, como o barco pelo Milford Sound e a visita a Hobbiton. Íamos no verão, quando o sol se põe lá pelas 10 da noite, o que aumentaria a produtividade possível nos nossos dias de passeio. E aí, com uma planilha do excel começando a ficar populada, estávamos praticamente prontos para iniciar nossas férias em família. :)

DIA ZERO

Dia da viagem de Honolulu para Auckland. Chegamos em Auckland super-tarde da noite (~11pm), e fomos recepcionados pelos embaixadores da Nova Zelândia na blogosfera brasileira, os queridíssimos Maurício e Oscar. Que alegria revê-los! Do aeroporto, fomos para um hotel Ibis pertinho, só pra passar a noite, já que nosso vôo no dia seguinte era bem cedo.

DIA 1

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Chegando em Queenstown.

Vôo de Auckland para Queenstown. A chegada em Queenstown de dia é sempre uma maravilha à parte, já que o aeroporto está num vale margeado pelas sensacionais montanhas Remarkables. No aeroporto, pegamos nossa minivan da road trip. Agora sim, a aventura começava!!!

Em Queenstown, a primeira parada foi para almoço. Eu estava saudosa do Devil Burger, que já havia experimentado em Invercargill, então nem precisamos pensar muito, Devil Burger escolhido. Não tem como escolher o melhor hambúrguer dessa loja, todos são sensacionais – meu preferido é o Mary’s Little Lamb.

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À tarde, subimos na gôndola de Queenstown para curtir o visual de cima da cidade e dar uma caminhada. Lá em cima há pistas de luge, mas ficamos mesmo só nas andanças. E vimos a melhor placa de propaganda de bungee-jump ever, que dizia: “Throwing people off ledges since 1988”. 😀

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Luge com esse visual é outro papo, não?

O dia super-longo realmente foi uma vantagem, e podíamos aproveitar bastante. Jantamos, ainda à luz do sol, o melhor cordeiro da viagem inteira (lamb rack), na companhia de amigos havaianos que faziam uma road trip com campervan na direção dos Catlins (super-sul da NZ). O restaurante Pier 19 fica às margens do lago Wakatipu, um ambiente delicioso e super-relax, ótimo para simplesmente curtir o fim de tarde. (E ainda sobrou espaço depois para um sorvete delicioso no Patagonia Café.)

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DIA 2

Dia de Milford Sound, o fiorde mais visitado do Parque Nacional de Fiordland. Acordamos cedinho, tomamos café no Starbucks no centro de Queenstown, e caímos na estrada rumo a Te Anau – são praticamente 3 horas até lá. Tínhamos comprado diversos “lanchinhos” para a estrada, então paramos em Te Anau apenas para comprar umas tortinhas de ovelha e ir direto pro Milford Sound. (Tortinhas são o café da manhã por excelência na Nova Zelândia, e cada uma mais deliciosa que a outra. É minha opção número 1 sempre!)

O caminho pra Milford Sound é uma das estradas mais lindas da Nova Zelândia, então, apesar do trajeto até lá levar ~2 horas, você quer deixar mais tempo disponível para poder parar quantas vezes quiser e fotografar. Nós paramos nos pontos “obrigatórios” Mirror Lake e na saída do túnel Homer, quando o penhasco do glaciar te esfrega na cara a beleza única daquele lugar, que o faz ser Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

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O passeio de barco em si também é um must, já que, de dentro do fiorde, você tem melhor noção da dimensão inacreditável dessa maravilha mundial. E o barco chega bem perto de uma das cachoeiras, o que é uma emoção!

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Nós marcamos o passeio mais tarde, que saía às 3pm, porque sabíamos que dirigir de Queenstown até Milford Sound não era bolinho… deu tudo certo, chegamos mais cedo que o esperado, conseguimos adiantar nosso passeio, e ainda vimos diversas focas à beira do Milford Sound. Quase sempre chove no Milford Sound, e no dia em que fomos não foi diferente; entretanto, mais chuvas significam… mais cachoeiras pelo Sound! #fazemoslimonadas

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No caminho de volta do Milford Sound, paramos num lugar que é meu cantinho predileto da Nova Zelândia: o Chasm, uma formação geológica estilo cânion cortada por um rio caudalento que passa lááá embaixo. O Chasm é daquelas atrações que precisa “ver pra entender”: há milhares de fotos/vídeos na internet do local, mas absolutamente nada se compara a estar ali, ouvindo aquele barulho ensurdecedor da água, sentindo o cheiro da floresta de samambaias, vendo a dinâmica das rochas, da vegetação e do rio. É esplendoroso, e pra mim, vale tanto a viagem ao Milford quanto o próprio Milford Sound.

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The Chasm <3

(Eu sou tão louca pelo Chasm que chovia cântaros quando chegamos lá, mas não quis nem saber: comecei a fazer a trilha assim mesmo, sob chuva, com sorriso e lágrimas nos olhos de emoção. Que pedaço de céu aquele lugar!)

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Vendo o Chasm.

De volta a Te Anau, com sol ainda sorridente no céu, fomos ao cinema local ver o filminho sobre o Fiordland. O filme de 30 minutos passa todos os dias, e vale a pena para entender um pouco mais sobre esta região da Nova Zelândia. O cinema em Te Anau é hiper-confortável, tem um bar anexo e, ao invés de pipoca e refrigerante, você pode viajar no filme com suas tomadas aéreas sensacionais degustando um bom Sauvignon Blanc da região. Nossa idéia depois do cinema era jantar no restaurante Redcliff, famoso por ser um dos points onde Sir Peter Jackson e a “moçada” do LOTR se reuniam para descontrair. Entretanto, o restaurante estava lotadésimo e a espera nos desanimou. Optamos então pelo Bailiez Café, e não nos arrependemos, pois o jantar estava ótimo.

DIA 3

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Tínhamos o dia inteiro para chegar em Wanaka (fala-se “uânaka”), nosso próximo destino, a 230 km de Te Anau. Este seria, portanto, um dia mais “light” na estrada. Tomamos um café da manhã com tranquilidade no Sandfly Café de Te Anau. O objetivo era almoçar em Arrowtown, cidade histórica lindinha daquela região perto de Wanaka.

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Uma das inúmeras paradas cênicas da Alpine Road.

A estrada de Queenstown para Arrowtown/Wanaka, a Alpine Road, é – mais uma vez –  deslumbrante, com garantia de vistas excepcionais dos lagos e montanhas dos Alpes do Sul. Algumas poucas com neve, já que estávamos no verão – mas fiquei só imaginando aquilo tudo ali no inverno, que coisa mais linda deve ser!!! À beira da estrada, vários lupinos em flor, e os tons de rosa, roxo, amarelo e branco traziam inúmeros suspiros e “oooohs” de maravilha a cada curva. A Nova Zelândia simplesmente não se cansa de ser bonita mesmo…

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Na beira da estrada…

O dia estava super-ensolarado, e chegamos em Arrowtown tranquilamente para o almoço num pub chamado… The Pub. Pedimos fritada de white bait, uma tradição culinária da ilha sul neozelandesa – white bait é um peixinho minúsculo de água doce, tipo sardinha. De sobremesa, um gelatto superbo num parque da cidade onde um artista de rua tocava músicas de Jimmy Buffet. O clima de piquenique de verão não podia ser mais descontraído.

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Arrowtown

Em Wanaka, nosso primeiro passeio foi à vinícola Rippon, que é sem dúvida a vinícola com a vista mais linda do mundo (DataMalla). Os vinhedos na frente, com a ilha de Ruby à frente, no lago Wanaka… afe! Lindo demais da conta. Chegamos pelos fundos da fazenda, mas não foi difícil achar a entrada pela porteira principal, que fica na estrada Mount Aspiring. Na vinícola, fizemos um wine tasting básico, de Pinot Noir, Osteiner, Sauvignon Blanc (meu preferido sempre) e Riesling. #tápuxadofeelings

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A vista da vinícola.

Fomos passear à beira do lago. O objetivo era conseguir uma vista bacana do Mount Aspiring. Dirigimos pela Mount Aspiring Road até Glendhu Bay. Toda essa região ao redor do lago é incrível de linda, cenário fantástico, e muita gente nadava, fazia piqueniques, etc. Na volta, parada no Wanaka Station Park para ver “that Wanaka tree”, uma árvore solitária dentro d’água perto da beira do lago, e que é meio que uma “marca registrada” de Wanaka. Um monte de crianças brincavam na árvore. Confesso que se não fosse pela água ultra-gelada do lago, eu também teria subido na árvore… 😀 (Aliás, crianças eram muitas nas ruas, brincando nos parques, nadando, andando de bicicleta… quase 9 da noite e ainda uma animação incrível dos pimpolhos.)

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Durante o jantar no Speight’s Ale House dividimos o mesão de biergarten com um casal da cidade de Arthur’s Pass, de papo simpático, e que nos deram algumas boas dicas de viagem. Aos poucos, o sol se pôs atrás das montanhas, e nós começamos a sonhar com o dia seguinte na estrada.

Stay tuned. Amanhã: Parte 2 – das Geleiras até Kaikoura

Sexta Sub - Malla versao 4-0

Eis que chega um dia marcante em minha vida de tantos rodopios. O dia em que entro na casa dos “enta”, como meu pai costuma dizer. Desta casa, aliás, é possível que nunca mais saia – porque para sair dela, é preciso torcer muito pra saúde não faltar…

Enfim, fato é que já me sinto com 40 anos há meses. Não por antecipação, mas porque este ano foi extremamente produtivo em todos os aspectos da minha vida – exceto a escrita deste blog, confesso. Várias pendências de muitos anos ganharam uma resolução plausível, efetiva, nos últimos meses, e aquelas que ainda não têm resolução estão cada vez mais “solucionáveis”. Em resumo: a vida andou de vento em popa em 2014.

Talvez esse sentimento de accomplishment tão forte tenha sido o que me preparou antecipadamente para os 40 anos. Ou talvez seja esse constante otimismo que nunca me deixa pensar no copo vazio ou no dia chuvoso, que me faz cada vez mais apaixonada pela vida e pelos meandros delicados por onde ela percola.

E o que aprendi nestes 40 anos? Alguma coisa, garanto, pois a vida é um aprender eterno. Principalmente, aprendi a ter menos certezas e mais suposições embasadas. A olhar mais pros fatos e a abraçar mais as pessoas. A ter menos pressa e mais presença. A pensar menos em problemas e mais em soluções. Posso afirmar que nos últimos 40 anos percorri um trajeto de muitas milhas, onde cada metro a mais não raro chegou numa nova estrada, pronta para ser explorada. Ah, a vida, essa jornada incrível cheia de surpresas!

Só posso torcer para que os próximos 40 anos me tragam mais novas estradas. E que sejam tão bacanas, cheios de emoções e amigos, sorrisos e risadas, mergulhos e água salgada, viagens reais e na maionese quanto foram os primeiros 40 anos da minha vida. Aloha a todos que fizeram e fazem parte desta jornada de 40 anos de vida: ela fica mais colorida por causa de vocês.

Tudo de bom sempre por mais 40 anos (pelo menos!)!!! 😀

Malla versao 4-0
Com sol, sem filtro. 

Postado em 19/12/2014 por em Mallices

Blog Action Day

Hoje é o Blog Action Day, e este ano o tema é desigualdade. O tema gera a possibilidade de discussão em diversas facetas – e isso é o bacana desta mega-blogagem coletiva mundial, a possibilidade de análise por incontáveis perspectivas. Mas eu resolvi contar um pouco da faceta que estou vivendo. Afinal, estou trabalhando no laboratório com um problema científico que envolve diferença de gênero, e participei semana passada de um programa de TV aqui no Havaí sobre desigualdade de gênero nesta pesquisa científica. O programa de entrevista foi super-light, mas conta um pouco da grande preocupação atual: diminuir o abismo de informações que existem entre a fisiologia masculina e a feminina.

Mais sobre esta conversa, eu conto lá no LuluzinhaCamp, num post escrito a 4 mãos, com minha queridíssima amiga Xará Freitas.

Tudo de bom sempre.

P.S.: Link para o vídeo da entrevista. Em inglês, aproximadamente 47 minutos. E umas perguntas além da desigualdade…

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