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No último final de ano, André, eu, seu pai, um tio e uma tia (os 3 últimos com mais de 70 anos) resolvemos nos lançar a uma aventura familiar estilo “Férias Frustradas”, e fazer uma road trip pela Nova Zelândia. A idéia da viagem era mostrar um pouquinho de cada uma das atrações mais famosas e/ou interessantes do país – uma “colagem kiwi” como excelentemente definiu a tia do André. Foi uma experiência espetacular, cheia de risadas, ótimos momentos e, diferente do filme, nenhuma frustração, resultado talvez do planejamento preciso (modéstia às favas pra mim e André) que deixou flexibilidade suficiente para ajustar as demandas de cada um sem prejudicar o roteiro principal mesmo com os dias contados milimetricamente. Foi uma viagem inesquecível para todos.

Para quem conhece a Nova Zelândia, sabe que o país é um mundo. Dá pra ficar uma vida inteira por lá, visitando, sem se cansar das paisagens incríveis, das refeições sensacionais, do povo extremamente simpático, da diversidade de atividades, da cultura polinésia maori, da atmosfera relax do país. Sem falar das samambaias, uma diversidade de espécies de deixar qualquer biólogo maluco! Assim como a Itália (que eu também amo, by the way), a Nova Zelândia é inesgotável – e residiu aí o maior desafio do nosso planejamento. Tanto eu quanto André já havíamos visitado duas vezes a Nova Zelândia; e os nossos viajantes 70+ não conheciam nada. Então, usamos da nossa experiência prévia pra equilibrar atividades que requeriam um pouco mais de adrenalina (para quem gosta disso) com atividades mais culturais/gastronômicas. Foram diversas atividades juntas que nos deram a oportunidade de curtir a viagem em família e produzir memórias que certamente se tornarão eternas.

Compartilho aqui o roteiro de 12 dias que fizemos pela Nova Zelândia, num formato de diário de viagem, com alguns detalhes e dicas para aqueles que querem se aventurar por lá mas não têm muito tempo. Já digo que 12 dias é duplo maraturismo: maratona maravilha. E não é massacrante. Pelo contrário: se bem planejado e se as pessoas envolvidas são relax (não se estressam com imprevistos e dão risadas das roubadas que aparecem), dá pra curtir MUITO, ter uma boa idéia geral do país, e ainda relaxar ao pôr-do-sol tomando Sauvignon Blancs sensacionais. Nós conseguimos nos divertir à beça, pelo menos.

ANTES DE VIAJAR

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A primeira parte do planejamento foi definir as datas e o roteiro em termos gerais: quantos dias e quais atrações cada um queria mais ver (e daí viriam que cidades/destinos visitar). Por exemplo, para mim, era fundamental passar o Réveillon em Kaikoura, cidade litorânea da ilha Sul que é minha paixão maior na Nova Zelândia; e era fundamental mostrar Milford Sound para os calouros de NZ. Para a tia do André, eram as atrações ligadas à cultura maori e relacionadas a Lord Of The Rings (LOTR) que mais atraíam. Para André, era curtir a vida marinha.

Outra preocupação era para não tornar tudo uma grande corrida maluca. Então fizemos a viagem mais puxada no começo, quando o gás de todo mundo é maior, e à medida que a viagem acontecia, separamos mais momentos de “descanso”, mais horas para apenas contemplar.

Uma vez definido o nosso roteiro geral para o final do ano de 2014, o próximo passo foi marcar a passagem de avião para Auckland, e cdepois o trecho de Auckland para Queenstown, onde começamos nossa aventura on the road. Depois foi a vez do aluguel da minivan, que fizemos por uma locadora local que já havíamos usado antes, a Apex. Depois fizemos todas as reservas de hotéis usando o mesmo buscador online para acumular o máximo de pontos. Como era alta temporada, em algumas cidades os hotéis estavam quase lotados, e em Franz Josef, que é uma cidadezinha minúscula, tivemos que separar o grupo em 2 hotéis diferentes.

Depois dos hotéis selecionados, começamos então a marcar os passeios que sabíamos lotar mais rápido, como o barco pelo Milford Sound e a visita a Hobbiton. Íamos no verão, quando o sol se põe lá pelas 10 da noite, o que aumentaria a produtividade possível nos nossos dias de passeio. E aí, com uma planilha do excel começando a ficar populada, estávamos praticamente prontos para iniciar nossas férias em família. :)

DIA ZERO

Dia da viagem de Honolulu para Auckland. Chegamos em Auckland super-tarde da noite (~11pm), e fomos recepcionados pelos embaixadores da Nova Zelândia na blogosfera brasileira, os queridíssimos Maurício e Oscar. Que alegria revê-los! Do aeroporto, fomos para um hotel Ibis pertinho, só pra passar a noite, já que nosso vôo no dia seguinte era bem cedo.

DIA 1

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Chegando em Queenstown.

Vôo de Auckland para Queenstown. A chegada em Queenstown de dia é sempre uma maravilha à parte, já que o aeroporto está num vale margeado pelas sensacionais montanhas Remarkables. No aeroporto, pegamos nossa minivan da road trip. Agora sim, a aventura começava!!!

Em Queenstown, a primeira parada foi para almoço. Eu estava saudosa do Devil Burger, que já havia experimentado em Invercargill, então nem precisamos pensar muito, Devil Burger escolhido. Não tem como escolher o melhor hambúrguer dessa loja, todos são sensacionais – meu preferido é o Mary’s Little Lamb.

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À tarde, subimos na gôndola de Queenstown para curtir o visual de cima da cidade e dar uma caminhada. Lá em cima há pistas de luge, mas ficamos mesmo só nas andanças. E vimos a melhor placa de propaganda de bungee-jump ever, que dizia: “Throwing people off ledges since 1988”. 😀

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Luge com esse visual é outro papo, não?

O dia super-longo realmente foi uma vantagem, e podíamos aproveitar bastante. Jantamos, ainda à luz do sol, o melhor cordeiro da viagem inteira (lamb rack), na companhia de amigos havaianos que faziam uma road trip com campervan na direção dos Catlins (super-sul da NZ). O restaurante Pier 19 fica às margens do lago Wakatipu, um ambiente delicioso e super-relax, ótimo para simplesmente curtir o fim de tarde. (E ainda sobrou espaço depois para um sorvete delicioso no Patagonia Café.)

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DIA 2

Dia de Milford Sound, o fiorde mais visitado do Parque Nacional de Fiordland. Acordamos cedinho, tomamos café no Starbucks no centro de Queenstown, e caímos na estrada rumo a Te Anau – são praticamente 3 horas até lá. Tínhamos comprado diversos “lanchinhos” para a estrada, então paramos em Te Anau apenas para comprar umas tortinhas de ovelha e ir direto pro Milford Sound. (Tortinhas são o café da manhã por excelência na Nova Zelândia, e cada uma mais deliciosa que a outra. É minha opção número 1 sempre!)

O caminho pra Milford Sound é uma das estradas mais lindas da Nova Zelândia, então, apesar do trajeto até lá levar ~2 horas, você quer deixar mais tempo disponível para poder parar quantas vezes quiser e fotografar. Nós paramos nos pontos “obrigatórios” Mirror Lake e na saída do túnel Homer, quando o penhasco do glaciar te esfrega na cara a beleza única daquele lugar, que o faz ser Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

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O passeio de barco em si também é um must, já que, de dentro do fiorde, você tem melhor noção da dimensão inacreditável dessa maravilha mundial. E o barco chega bem perto de uma das cachoeiras, o que é uma emoção!

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Nós marcamos o passeio mais tarde, que saía às 3pm, porque sabíamos que dirigir de Queenstown até Milford Sound não era bolinho… deu tudo certo, chegamos mais cedo que o esperado, conseguimos adiantar nosso passeio, e ainda vimos diversas focas à beira do Milford Sound. Quase sempre chove no Milford Sound, e no dia em que fomos não foi diferente; entretanto, mais chuvas significam… mais cachoeiras pelo Sound! #fazemoslimonadas

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No caminho de volta do Milford Sound, paramos num lugar que é meu cantinho predileto da Nova Zelândia: o Chasm, uma formação geológica estilo cânion cortada por um rio caudalento que passa lááá embaixo. O Chasm é daquelas atrações que precisa “ver pra entender”: há milhares de fotos/vídeos na internet do local, mas absolutamente nada se compara a estar ali, ouvindo aquele barulho ensurdecedor da água, sentindo o cheiro da floresta de samambaias, vendo a dinâmica das rochas, da vegetação e do rio. É esplendoroso, e pra mim, vale tanto a viagem ao Milford quanto o próprio Milford Sound.

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The Chasm <3

(Eu sou tão louca pelo Chasm que chovia cântaros quando chegamos lá, mas não quis nem saber: comecei a fazer a trilha assim mesmo, sob chuva, com sorriso e lágrimas nos olhos de emoção. Que pedaço de céu aquele lugar!)

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Vendo o Chasm.

De volta a Te Anau, com sol ainda sorridente no céu, fomos ao cinema local ver o filminho sobre o Fiordland. O filme de 30 minutos passa todos os dias, e vale a pena para entender um pouco mais sobre esta região da Nova Zelândia. O cinema em Te Anau é hiper-confortável, tem um bar anexo e, ao invés de pipoca e refrigerante, você pode viajar no filme com suas tomadas aéreas sensacionais degustando um bom Sauvignon Blanc da região. Nossa idéia depois do cinema era jantar no restaurante Redcliff, famoso por ser um dos points onde Sir Peter Jackson e a “moçada” do LOTR se reuniam para descontrair. Entretanto, o restaurante estava lotadésimo e a espera nos desanimou. Optamos então pelo Bailiez Café, e não nos arrependemos, pois o jantar estava ótimo.

DIA 3

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Tínhamos o dia inteiro para chegar em Wanaka (fala-se “uânaka”), nosso próximo destino, a 230 km de Te Anau. Este seria, portanto, um dia mais “light” na estrada. Tomamos um café da manhã com tranquilidade no Sandfly Café de Te Anau. O objetivo era almoçar em Arrowtown, cidade histórica lindinha daquela região perto de Wanaka.

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Uma das inúmeras paradas cênicas da Alpine Road.

A estrada de Queenstown para Arrowtown/Wanaka, a Alpine Road, é – mais uma vez –  deslumbrante, com garantia de vistas excepcionais dos lagos e montanhas dos Alpes do Sul. Algumas poucas com neve, já que estávamos no verão – mas fiquei só imaginando aquilo tudo ali no inverno, que coisa mais linda deve ser!!! À beira da estrada, vários lupinos em flor, e os tons de rosa, roxo, amarelo e branco traziam inúmeros suspiros e “oooohs” de maravilha a cada curva. A Nova Zelândia simplesmente não se cansa de ser bonita mesmo…

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Na beira da estrada…

O dia estava super-ensolarado, e chegamos em Arrowtown tranquilamente para o almoço num pub chamado… The Pub. Pedimos fritada de white bait, uma tradição culinária da ilha sul neozelandesa – white bait é um peixinho minúsculo de água doce, tipo sardinha. De sobremesa, um gelatto superbo num parque da cidade onde um artista de rua tocava músicas de Jimmy Buffet. O clima de piquenique de verão não podia ser mais descontraído.

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Arrowtown

Em Wanaka, nosso primeiro passeio foi à vinícola Rippon, que é sem dúvida a vinícola com a vista mais linda do mundo (DataMalla). Os vinhedos na frente, com a ilha de Ruby à frente, no lago Wanaka… afe! Lindo demais da conta. Chegamos pelos fundos da fazenda, mas não foi difícil achar a entrada pela porteira principal, que fica na estrada Mount Aspiring. Na vinícola, fizemos um wine tasting básico, de Pinot Noir, Osteiner, Sauvignon Blanc (meu preferido sempre) e Riesling. #tápuxadofeelings

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A vista da vinícola.

Fomos passear à beira do lago. O objetivo era conseguir uma vista bacana do Mount Aspiring. Dirigimos pela Mount Aspiring Road até Glendhu Bay. Toda essa região ao redor do lago é incrível de linda, cenário fantástico, e muita gente nadava, fazia piqueniques, etc. Na volta, parada no Wanaka Station Park para ver “that Wanaka tree”, uma árvore solitária dentro d’água perto da beira do lago, e que é meio que uma “marca registrada” de Wanaka. Um monte de crianças brincavam na árvore. Confesso que se não fosse pela água ultra-gelada do lago, eu também teria subido na árvore… 😀 (Aliás, crianças eram muitas nas ruas, brincando nos parques, nadando, andando de bicicleta… quase 9 da noite e ainda uma animação incrível dos pimpolhos.)

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Durante o jantar no Speight’s Ale House dividimos o mesão de biergarten com um casal da cidade de Arthur’s Pass, de papo simpático, e que nos deram algumas boas dicas de viagem. Aos poucos, o sol se pôs atrás das montanhas, e nós começamos a sonhar com o dia seguinte na estrada.

Stay tuned. Amanhã: Parte 2 – das Geleiras até Kaikoura

Sexta Sub - versao 4-0

Eis que chega um dia marcante em minha vida de tantos rodopios. O dia em que entro na casa dos “enta”, como meu pai costuma dizer. Desta casa, aliás, é possível que nunca mais saia – porque para sair dela, é preciso torcer muito pra saúde não faltar…

Enfim, fato é que já me sinto com 40 anos há meses. Não por antecipação, mas porque este ano foi extremamente produtivo em todos os aspectos da minha vida – exceto a escrita deste blog, confesso. Várias pendências de muitos anos ganharam uma resolução plausível, efetiva, nos últimos meses, e aquelas que ainda não têm resolução estão cada vez mais “solucionáveis”. Em resumo: a vida andou de vento em popa em 2014.

Talvez esse sentimento de accomplishment tão forte tenha sido o que me preparou antecipadamente para os 40 anos. Ou talvez seja esse constante otimismo que nunca me deixa pensar no copo vazio ou no dia chuvoso, que me faz cada vez mais apaixonada pela vida e pelos meandros delicados por onde ela percola.

E o que aprendi nestes 40 anos? Alguma coisa, garanto, pois a vida é um aprender eterno. Principalmente, aprendi a ter menos certezas e mais suposições embasadas. A olhar mais pros fatos e a abraçar mais as pessoas. A ter menos pressa e mais presença. A pensar menos em problemas e mais em soluções. Posso afirmar que nos últimos 40 anos percorri um trajeto de muitas milhas, onde cada metro a mais não raro chegou numa nova estrada, pronta para ser explorada. Ah, a vida, essa jornada incrível cheia de surpresas!

Só posso torcer para que os próximos 40 anos me tragam mais novas estradas. E que sejam tão bacanas, cheios de emoções e amigos, sorrisos e risadas, mergulhos e água salgada, viagens reais e na maionese quanto foram os primeiros 40 anos da minha vida. Aloha a todos que fizeram e fazem parte desta jornada de 40 anos de vida: ela fica mais colorida por causa de vocês.

Tudo de bom sempre por mais 40 anos (pelo menos!)!!! 😀

Malla versao 4-0
Com sol, sem filtro. 

Postado em 19/12/2014 por em Mallices

#BlogActionDay2014

Hoje é o Blog Action Day, e este ano o tema é desigualdade. O tema gera a possibilidade de discussão em diversas facetas – e isso é o bacana desta mega-blogagem coletiva mundial, a possibilidade de análise por incontáveis perspectivas. Mas eu resolvi contar um pouco da faceta que estou vivendo. Afinal, estou trabalhando no laboratório com um problema científico que envolve diferença de gênero, e participei semana passada de um programa de TV aqui no Havaí sobre desigualdade de gênero nesta pesquisa científica. O programa de entrevista foi super-light, mas conta um pouco da grande preocupação atual: diminuir o abismo de informações que existem entre a fisiologia masculina e a feminina.

Mais sobre esta conversa, eu conto lá no LuluzinhaCamp, num post escrito a 4 mãos, com minha queridíssima amiga Xará Freitas.

Tudo de bom sempre.

P.S.: Link para o vídeo da entrevista. Em inglês, aproximadamente 47 minutos. E umas perguntas além da desigualdade…

Banners-Malla---10anos

Quem lembra de todos os banners que passaram por aqui?

10 ANOS. Uma década!

Incrível que este blog tenha chegado são e salvo a esta data marcante – e ainda com corpinho de 9.9 anos! 😀

É muita emoção e festa! Aeeeeeeeeeee!!!!!!!

Nestes últimos 10 anos, é simplesmente incrível quanta água rolou debaixo dessa ponte… Foram 1.453 posts (and counting… e a maioria loooongos), mais de 4.000 fotos contando histórias, incontáveis destinos e sonhos de viagens, mais de 10.000 comentários (sem contar os que se perderam nas diversas migrações…). Pode parecer pouco para 10 anos, mas cada um deles me alegra igualmente – sempre há um aprendizado nas aventuras de cada um.

Um aprendizado, aliás, não; mil, milhões. Mas mais que números, foram muitas alegrias, desafios, reflexões, sorrisos e realizações. Muitos novos amigos (que já são “velhos”, de quase uma década!), novos horizontes, novas jornadas, novos começos e recomeços, novas topadas, novos acertos. Da Coréia do Sul ao Havaí, passando pelo Brasil – muitas mudanças físicas e mentais. Impossível mencionar todos os maravilhosos momentos que passei escrevendo e papeando com pessoas via este canal. Todos os encontros proporcionados, todas as dezenas de botecadas sensacionais com risadas largas, todos os sorrisos cheios de possibilidades, toda a diversidade de opiniões tão necessária na construção de um mundo mais interessante. Tudo de bom sempre.

Para este aniversário do blog, entretanto, resolvi quebrar uma tradição. É que estou em fase de grandes mudanças – aliás, não estamos sempre assim? Então para marcar o início de uma nova fase, resolvi aposentar o Prêmio Malla Bloggel, a viagem na maionese que criei há 10 anos e que funcionava basicamente como uma retrospectiva do ano que passou aqui no blog. Onde eu revelava minhas preferências, dos posts mais interessantes aos mais engraçados, dos mais discutidos aos mais obscuros, e todos os mais viajantes, em todos os sentidos. Cansei desta retrospectiva – mas não cansei de refletir sobre as diversas caminhadas da minha vida.

E é nessa vibe de caminhada prazeirosa que continuaremos, devagar e sempre, com posts que virão no ritmo que a minha vida offline permitir. O blog não vai ser reinventado, ferramenta de armazenamento de conteúdo e diarinho virtual das minhas maionesices que supostamente é. Eu diria que ele está apenas amadurecendo e, assim como a dona dele, vai se adaptando aos novos caminhos que se abrem, e às portas que se fecham. Enquanto o mundo gira e muda, vai-se simplesmente papeando, viajando, vivendo. E blogando.

Continuará o caos e a randomicidade de sempre, com um relato de viagem misturado a uma resenha de filme ou a uma discussão científica, seguido de um alarme ambiental ou de uma blogagem coletiva sobre qualquer tema – que eu adoro essas brincadeiras bloguísticas. E com muitas fotos, do meu fotógrafo mais predileto de todos os tempos. <3

Reflete 100% a minha personalidade: curiosa bióloga de laboratório, moradora do Havaí, de um otimismo quase patológico, que curte mergulho (com tubarões, de preferência) e o mar, cheia de dúvidas sobre a próxima ilha a visitar, preocupada com o futuro ambiental e com o campeonato mundial de surfe (ou o Brasileirão…), que dá pitacos em milhares de assuntos aleatórios e que prioriza os que ama. O que se escreve em geral tem o viés do contexto individual de cada um, e o meu caso não é diferente: a minha realidade e um pedacinho do meu coração estão em cada post, em cada comentário nestes últimos 10 anos.  E assim continuarão, refletindo a multidimensionalidade da blogueira, e a incrível capacidade que as conexões aqui feitas diariamente fazerem me apaixonar e reapaixonar pela diversidade das pessoas – e da vida.

Se agradeço a mim mesma por, numa noite de outono na Coréia do Sul, ter decidido começar este espaço virtual para falar das minhas besteiras e contar um pouco das minhas aventuras para a família, por outro lado fico mais feliz ainda que outras pessoas até então “estranhas” (e hoje muitas delas se tornaram queridíssimas) tenham chegado aqui de coração aberto, se sentido confortáveis para puxar uma cadeira e se aprochegar para o café com biscoito virtual (ou bolacha, de acordo com a sua preferência linguística). É uma honra diária compartilhar da presença de vocês por aqui, e isso eu nem sei como agradecer direito, de tão maravilhoso que é e de tão grata que me sinto. Incríveis 10 anos. Que passaram e que virão.

Obrigada do fundo do meu coração a todos que fizeram, fazem e aos que ainda farão parte desta história bloguística. Aos que inspiram, inspiram, compartilharam e compartilham estes 10 anos de viagens reais, virtuais e na maionese.

10 anos!!! Vocês são todos demais. E merecem os parabéns por me aguentarem por tanto tempo. 😀

Tudo de melhor sempre, para todos nós!

E QUE VENHAM MAIS 10 ANOS DE MALLICES!!!  :)

10-anos---Uma-Malla-pelo-mundo

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Vírus Zaire ebola. Foto do CDC, em domínio público.

Semana passada participei de um colóquio sobre o vírus Ebola, na Escola de Medicina da Universidade do Havaí. O colóquio foi ótimo, porque contou com a participação de Alex Lehrer, cientista que está pesquisando aqui no Havaí uma das opções de vacina para o Ebola, e também de John Berestecky, professor de microbiologia que estava na Libéria de maio a agosto, quando o outbreak de ebola cresceu exponencialmente – ou seja, ele presenciou a tragédia acontecer, ao vivo e a cores.

Foram dois discursos diferentes, mas a incerteza em ambos era clara.

Primeiro, a incerteza científica. Sabemos apenas o básico da biologia do vírus – é um vírus RNA negativo de fita única, com um envelope protéico em forma de filamento, e seu reservatório natural são três espécies de morcego frugívoro migratórias encontradas no centro-oeste da África. Sabemos também que o Zaire ebola é um vírus da mesma família do que causa a febre Marburg, a família Filoviridae. Alguém que se infecte com o vírus ebola tem 90% de probabilidade de morrer, um risco absurdamente alto. E basta o contato com uma partícula viral para a pessoa ser infectada. O vírus se faz presente em todos os fluidos do corpo de forma plural: sangue, suor, saliva, sêmen. E se mantém ativo no corpo mesmo depois da pessoa morta, já que o outbreak na capital da Libéria parece ter começado exatamente por causa de um ritual funeral, em que uma pessoa abraçou o cadáver.

A maior parte das certezas para por aí. As dúvidas ainda são muitas. Quantos dias a doença pode ficar incubada? O que determina que o vírus saia de seu período de incubação e se multiplique? As pessoas que contraem e sobrevivem se tornam imunes temporaria ou permanentemente? Qual o mecanismo molecular que o vírus usa para desidratar tanto as células do corpo? Qual a taxa em que o vírus está mutando? Até quantos dias depois de morto um cadáver ainda tem vírus vivo e pode infectar outra pessoa? O morcego infectado também apresenta sintomas da doença? Quando teremos um método de diagnóstico confiável, que descubra o vírus ainda incubado? Para todas essas questões, a resposta é: não sabemos. Pesquisar o ebola é complicado, requer laboratórios com nível de segurança máximo, geralmente do tipo que se encontra em instalações militares. Uma vacina não poderá ser desenvolvida a partir de vírus atenuado ou de partículas virais, porque o risco é muito alto para a saúde humana. Métodos de vacinação menos perigosos que requerem mais pesquisa refinada precisam ser encontrados para o caso do ebola – já há em teste o ZMapp, mas mesmo assim ainda é uma opção muito limitada e os estudos clínicos estão em fase 2 ainda (serão acelerados, de acordo com promessa do FDA). E em tempos de escassez financeira para a pesquisa básica, esta não é tarefa fácil. Do lado mais fraco da corda, outra questão: é ridícula a pouca quantidade de conhecimento que temos sobre a biologia do morcego, informação que poderia nos ajudar a entender melhor o vírus que ele carrega. Mais uma vez, a idéia de privilegiar o financiamento da pesquisa “aplicada” nos dá uma rasteira, já que nos falta a pesquisa básica para resolver o problema.

A incerteza do professor que estava na Libéria, por outro lado, foi mais pragmática – e profunda. Os países africanos afetados pelo atual outbreak são de pobreza extrema, onde as condições sanitárias são precárias. A Libéria, particularmente, vem de uma história única com os EUA, o que complica um pouco mais na hora de bolar uma estratégia de intervenção/ajuda ocidental. Para amplificar a situação, características culturais contribuem para que o vírus se espalhe: os rituais funerais são cheios de abraços, toques e afins no cadáver, e como este ainda está contaminado, só facilita a transmissão. Além disso, os mitos de “demônios” da cultura liberiana envolvem figuras que estão todas cobertas por roupas, apenas com os olhos de fora – se você vê um médico ou agente do CDC em ação, é exatamente isso que ele se parece. Ou seja, dentro da cultura liberiana, muitos ainda associam esta figura toda protegida de roupas com… demônios. E querem distância. (E nem venha me dizer que a solução é “simples”, basta que eles mudem a cultura funerária deles. Ahã. Basta olhar pros dados do #DiaMundialSemCarro para vermos como é “fácil” mudarmos toda uma cultura… Para se ter uma idéia da resistência: os hospitais começaram a cremar corpos de infectados com ebola. Rumores rolam de que desde então a propina virou lugar-comum entre quem pode pagar para liberar um cadáver para que seja feito seu funeral tradicional…)

Uma outra característica interessante tornou a epidemia mais espalhada: o quanto os liberianos são viajantes. De acordo com o professor Berestecky, a mobilidade dentro do país é inacreditavelmente enorme. Os liberianos estão sempre indo e vindo, em jipes e ônibus lotados, e Monrovia, a capital da Libéria, tem uma população flutuante que ninguém sabe de quantos mil. Este espírito viajante, associado aos costumes funerais, auxiliou que o vírus fosse levado de um pequeno vilarejo no interior para a área mais densamente populosa do país num piscar. E, uma vez na capital, a densidade populacional fez sua parte: facilitou o alastro. (Sem falar que o morcego que carrega o vírus também migra bastante pela região…)

Mas óbvio, o ebola não teria se tornado epidemia se o sistema de saúde liberiano não fosse um caos. Pense: 3 hospitais no país inteiro. E sem capacidade para lidar com os casos que pipocaram de ebola. Apenas um laboratório no país capaz de diagnosticar soropositivos para o ebola (usando rtPCR, uma técnica que ainda por cima é cara para eles na escala necessária). Em maio, quando o outbreak começou, os hospitais começaram a ficar saturados. Em junho, já não havia mais leitos disponíveis para todos. Em julho, o sistema de saúde entrou em total colapso – e está assim até hoje. E só em setembro, a Organização Mundial de Saúde resolveu *começar* a fazer algo. Nesse meio tempo, já são mais de 2.000 mortos oficiais pelo ebola – as previsões mais pessimistas sugerem que isto represente apenas 10% dos números reais. O circo já pegou fogo há tempos.

O maior receio do mundo é de que o vírus ebola se espalhe ainda mais. Entretanto, esse receio não é fundamentado por nenhum dos cientistas que ouvi ou li recentemente. Por uma razão simples: o nosso sistema de saúde tem muito mais preparo para lidar com casos assim. Qualquer país ocidental consegue conter em área estéril um paciente de forma mais eficiente do que a situação atual na Libéria. Só por isso, a epidemia já seria quase que 100% contida. Trabalhadores da saúde ainda correriam um risco maior, e esta é a maior preocupação real quando se fala em epidemia pelos países desenvolvidos.

Depois do anúncio do Obama dizendo que os EUA mandarão tropas militares para ajudar na contenção do outbreak, a preocupação americana passou a ser de que soldados sejam despachados para lá e voltem infectados – mas ainda na fase de incubação, quando seria difícil diagnosticar o vírus. Neste caso, desenvolveriam a doença aqui, e potencialmente poderiam infectar mais pessoas. Mas mesmo num caso assim, a contenção seria mais fácil. E, mais uma vez repito, os cientistas e médicos não estão tão preocupados com uma epidemia nos países desenvolvidos.

Porque para matar o vírus ebola do ambiente é, na realidade, muito simples: basta álcool, vinagre ou sabão. Qualquer superfície em que uma destas substâncias é usada fica desintoxicada do vírus. O fato de não passar pelo ar também ajuda a conter um pouco mais a epidemia, ao mesmo tempo que expõe ainda mais as diferenças e problemas gritantes de saneamento básico existentes nos países atingidos, ainda neste 2014. É porque as pessoas têm contato com excrementos humanos a céu aberto que fica mais fácil contrair a doença nas zonas urbanas da Libéria, Sierra Leone e Guiné. Em última instância, era isso que precisava ter sido combatido – há muitos anos. Ou seja, mais uma vez, falhamos ao ignorar este pedaço do mundo, falhamos em preferir o estado de “negação” de que povos mais necessitados de ajuda existiam, falhamos em não ajudá-los – continuamos falhando, aliás.

Há mais um tanto de lados desta história, que só trazem mais complexidade a um assunto que já é muito complexo. Entretanto, eu paro por aqui, porque isso foram os principais tópicos de discussão durante o colóquio de que participei, e deixo para reflexão dos que por aqui passarem para ler.

Melhor saúde, sempre.

P.S.: O NYTimes tem uma linha do tempo sensacional e atualizada sobre a progressão da epidemia do vírus ebola, o caos que já se instalara há meses. Vale dar uma olhada.

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Um menino cresce e vira adolescente.

Com esse roteiro ultra-hiper-super simplista e rotineiro, o super-diretor Richard Linklater conseguiu construir talvez a maior obra-prima do cinema recente. O filme “Boyhood” é uma genial celebração desta simplicidade – que é paradoxalmente tão complexa, tão cheia de meandros, altos e baixos – chamada… vida.

Boyhood” conta a história de Mason, um garoto de 6 anos que vive com a mãe e a irmã em uma cidade do Texas. Ao fim do filme, Mason tem 18 anos e está prestes a começar a faculdade. Durante o filme, acompanhamos o processo de crescimento/mudança de Mason – e dos demais integrantes da família. Apesar do foco em Mason, “Boyhood” está longe de refletir apenas na vida dele. Facilmente poderíamos incluir um subtítulo como “Motherhood, Fatherhood, Sisterhood”. Aliás, são os conflitos, desafios, reflexões, celebrações e constatações de cada membro desta família que observamos na tela, e que, carregados de uma realidade tão visceral quanto encantadora, nos conectam mais e mais ao filme. Somos, fomos ou seremos Mason em nossas vidas.

Ellar Coltrane - 12 years

Interpretado por Ellar Coltrane, Mason é um personagem fictício. Entretanto, parte da genialidade do filme passa pela forma como Linklater elaborou a narrativa desta ficção. Ao invés de mostrar saltos temporais, o filme foi filmado em 12 anos, uns poucos dias a cada ano, abrindo caminho para uma “ficção realista” inédita no cinema americano. Em 12 anos, passamos gradativamente pelas várias etapas de vida de Mason. Acompanhamos suas mudanças físicas, psicológicas e sociais a cada ano, com uma sensação de vivência e convivência com o personagem muito próxima – porque todos já vimos alguém crescer e amadurecer de perto. Aqui, o background de família americana classe média é uma aleatoriedade, e a passagem do tempo está nos detalhes, não nos rituais de passagem pré-estabelecidos na nossa sociedade. O que realmente é enfatizado no filme é o processo de crescimento/amadurecimento, as topadas que a gente vai levando da vida, e como a gente se levanta delas, dá risadas e sai caminhando. Não há certo ou errado em momento algum, porque cada contexto é único; há o viver, acima de tudo.

O trunfo maior (e audácia) da estratégia de Linklater foram a manutenção de Ellar Coltrane pelos 12 anos do projeto e a escolha do período – a adolescência é o período de maiores transformações em nossas vidas, sem dúvida. Um projeto com esse nível de elaboração e incerteza não é banal, e o próprio Linklater afirmou em entrevista que os obstáculos eram inacreditáveis, a começar pelo fato de que os atores não poderiam ter um contrato de trabalho (nos EUA, contratos de serviço pessoais podem ser feitos no máximo por 7 anos). O fato de que, apesar dos obstáculos, Linklater e sua equipe persistiram e o filme foi feito é uma prova da determinação deste diretor, talvez o maior cronista cinematográfico sobre as questões de passagem do tempo na vida moderna.

Sou fãzaça de Ethan Hawke, e ele brilha no papel de pai de Mason. Patricia Arquette, a mãe, também está sensacional, num papel que merece pelo menos indicação ao Oscar. A irmã, interpretada por Lorelei Linklater, faz um bom trabalho, correto. Vemos os três amadurecendo durante o filme, e há diversas cenas sensacionais, com diálogos ultra-realistas. O filme é contado de uma maneira muito leve, mas a simplicidade da cinematografia ficcional de Linklater é tão exacerbada que somos confrontados ao final com uma realidade dura e crua, das mais complexas e filosóficas que todos enfrentamos nas nossas vidas diárias, ao elaborar a passagem do tempo: It’s always right now.” 

Poucas vezes saí do cinema com a sensação de ter visto algo tão radical, tão filosófico, tão corajoso, tão audacioso, tão belo, tão complexo na sua extrema simplicidade. “Boyhood” é mais que filme pra Oscar: é filme histórico, obra-prima do cinema realista, para ver e rever, enquanto a gente contempla, reflete, aprende e inspira a magia da realidade nas nossas próprias vidas. Enquanto a gente vive.

Tudo de cinema sempre.

Boyhood cast and Linklater
A equipe de Boyhood: Ethan Hawke, Ellar Coltrane, Lorelei Linklater, Patricia Arquette e o diretor Richard Linklater, em Sundance.

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P.S.: Richard Linklater já dirigiu clássicos da narrativa cotidiana cinematográfica, como “Slacker” e a melhor trilogia sobre o amor de todos os tempos, “Before” – o Rafael arrasou na análise desta trilogia, leiam lá

P.S. 2: Para se divertir, dá uma olhada na hashtag #BoyhoodYourself no facebook/ instagram/ twitter… 😀

*As imagens deste post vieram dos sites e redes sociais oficiais do filme ou da IFC Films.

Postado em 21/09/2014 por em Arte, Cinema

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Uma das dúvidas mais comuns que as pessoas me perguntam sobre o Havaí é sobre participar ou não de um luau havaiano. A pergunta é super-pertinente, já que ir a um típico luau custa em média 100 dólares por pessoa – ou seja, é um (cof, cof) investimento (cof, cof) significativo de viagem. Este post é minha tentativa de responder a essa pergunta de maneira completa, e assim, ajudar quem precisar a tomar esta decisão fundamental de viagem.

Primeiro de tudo, já deixo logo minha opinião: para quem visita o Havaí, acho válido ir a um luau.

Vamos aos detalhes desta opinião malla…

Uma das coisas que percebi depois de responder centenas de emails de perguntas sobre luaus é que os brasileiros em geral têm uma idéia muito romântica do luau havaiano. Acho que por causa dos filmes do Elvis, ou talvez da cultura de praia tão forte que o Brasil tem, a maioria esmagadora acha que luau havaiano é uma festinha intimista na praia, com rodinha de violão e dança hula, ao redor de uma fogueira.

E… NADA pode ser mais diferente de um luau havaiano que isso!

Comecemos pelo significado da palavra luau em havaiano (escreve-se lū’au), que está no dicionário wehewehe:

1. Parte apical do inhame jovem, especialmente cozido com creme de côco e galinha, ou polvo. 

2. Banquete havaiano, chamado assim por servir inhame. 

Portanto, absolutamente qualquer festinha que tenha inhame (!!!) pode ser chamada… luau. Claro, a definição do dicionário já foi há muito alterada pelo uso corrente, e hoje definimos luau como “uma festa havaiana na praia”. Mas nem esta definição está 100% correta: um luau não precisa ser necessariamente na praia, e já fui aqui em Oahu em luaus beeeem roots dentro do vale, bem longe da praia.
Quando falamos hoje em “ir a um luau”, no Havaí do turismo isto significa ir a um show de cultura polinésia com música onde será oferecido um jantar. Na maioria das vezes o show é ao ar livre, mas pode acontecer também em anfiteatros cobertos. Eu costumo explicar essa diferença para as pessoas, mas ainda assim, muitas se decepcionam, porque esperavam algo mais intimista – e um luau comercial não é nada intimista. Pense num show de tango em Buenos Aires ou nas mulatas do Sargentelli no Rio. O luau é um show estilo super-produção, feito para realçar a cultura das ilhas do Pacífico – e (tentar) agradar centenas de pessoas ao mesmo tempo. É uma experiência interessante, a gente toma uns maitais e outros drinks com frutas, janta uma comida havaiana beeeeem chavão (não é a mais típica das ilhas, acreditem), enquanto assiste a espetáculos de dança típica; enfim, se diverte. Mas eu sempre alerto: não vá com expectativas muito altas…

Todos os luaus oferecem pelo menos:

  • um colar típico havaiano (de conchas, sementes ou de flores, dependendo do pacote escolhido)
  • jantar “típico” havaiano, com porco cozido sob a terra (kalua pig cozido no imu), salmão lomi lomi (um tipo de vinagrete/ceviche feito com salmão), pão de inhame, peixe cozido, salada e poi (um purê de inhame de gosto beeem diferente…);
  • uma bebida alcoólica (pelo menos) de graça;
  • atividades de entretenimento relacionadas à cultura havaiana e/ou polinésia;
  • show de danças típicas polinésias, incluindo a dança do fogo.

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Chips de batata doce como petisco: frufru a mais de um dos luaus que visitei.

Há vários pacotes com preços variados que incluem outras amenidades e frufrus, mas no geral, a lista acima é o que você verá em todos os luaus. Todos os luaus aceitam crianças.

Para ajudar na escolha de que luau ir, dou abaixo minha opinião sobre os principais luaus de Oahu. Fui a todos eles pagando do meu próprio bolso, e deixo aqui minhas impressões de cada um deles.

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POLYNESIAN CULTURAL CENTER (PCC)

Minha nota: 8.5

Geralmente, é o luau que sugiro para quem tem interesse profundo em cultura polinésia ou para quem está hospedado no North Shore de Oahu. O luau acontece dentro de um parque temático sobre culturas do Pacífico (pense numa Disney da Polinésia), que possui “vilarejos” onde se ressaltam elementos e atividades relacionadas a cada uma das principais ilhas do Pacífico: Tonga, Marquesas, Samoa, Taiti, Nova Zelândia/Aotearoa (maoris), Fiji e Havaí. (Tem uma réplica de um moai da ilha de Páscoa num ponto, mas nenhuma atividade relacionada à cultura da ilha de Páscoa é conduzida nesta “vila”.) As atividades costumam ser bem interativas, algumas ótimas para crianças, como passeio de canoa, lançamento de dardos taitianos, preparo de comidas, show de tambores tonganos, danças maoris e fazer fogo a partir da casca do côco. Cada atividade tem um horário, e o PCC, para quem quer aproveitar tudo, requer um dia inteiro de visita.

(Parênteses: Perceba também que, apesar de chamar-se Centro Polinésio, a cultura de Fiji está mais para melanésia que polinésia – acho meio estranho colocá-la num mesmo balaio, mas não deixa de ser interessante a oportunidade de pelo menos ter um aperitivo desta cultura.)

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O luau em si do PCC (o “Ali’i Luau”) começa no meio da tarde. O PCC não fica na beira da praia, e, apesar de ter o jantar e as danças típicas do luau, este termina mais cedo que os demais, para que todos possam assistir ao espetáculo noturno de teatro “Hā: Breath of Life”.

Pense num espetáculo da Broadway, super-bem-produzido, sobre a cultura polinésia. Isso é o ““. De todas as apresentações tentando explicar a cultura polinésia que já vi, considero este espetáculo a melhor de todas. Além de ter uma historinha com fio da meada, o espetáculo mostra um pouco de cada ilha de maneira musical, com uma certa fluidez. E o grupo de dançarinos é muito bom!

Se você não tiver tempo para ir ao luau nem ligar para o jantar “havaiano”, mas quiser ver algo bem interessante sobre cultura polinésia, o “Hā” é a minha dica número 1.

O PCC fica em Lai’e, perto do North Shore. É bem afastado do burburinho de Honolulu, e com exceção de quem se hospeda pelo North Shore, a viagem até lá fica em pelo menos 1 hora. Saindo de Waikiki, você dirigirá pelo menos 1 hora e meia. O show termina tarde, portanto não vá sem arranjar um transporte para voltar. Como o PCC é mantido pela comunidade mórmon, fecha aos domingos.

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PARADISE COVE

Minha nota: 9.5

Este é o luau que, sendo comercial, mais se assemelha ao conceito brasileiro de luau. A área do Paradise Cove fica na beira de uma praia linda do lado oeste de Oahu, ao lado do resort Ihilani JW Marriott, no Ko ‘Olina (~1 hora de Waikiki). O luau é pé-na-areia, com ambientação cheia de tochas e flores. É o que eu recomendo para quem faz questão de que o luau seja na praia. Além da praia convidativa, o pôr-do-sol é dos mais lindos de Oahu.

Uma das atividades pré-show no Paradise Cove é um passeio de canoa havaiana tradicional por uma pequena baía, ao entardecer. O passeio é rapidíssimo, mas o visual do pôr do sol vale a viagem curta. Além desta atividade, você pode fazer tatuagens de henna, aprender a fazer colares de flores, tocar ukulele, jogar lanças ou apenas tirar fotos com pessoas vestidas no estilo polinésio. Numa das vezes que fui, era perto do Natal e a banda tocou no palco secundário músicas natalinas em ritmo havaiano e com dança hula, foi bem bonitinho. Os drinks são mais variados que nos demais luaus, e a comida parece um pouco melhor que a média. O grupo de dança polinésia é de excelente qualidade, e incorporam bem as diversas regiões do Pacífico em suas danças.

No Paradise Cove, cabem mais de 700 pessoas por luau, portanto está longe de ser um luau intimista. Mas, apesar de bastante comercial, esse é o luau onde eu costumo ver mais moradores locais misturados aos turistas, e todos meus amigos que moram no Havaí dizem preferi-lo. Também é meu luau preferido, quando quero mais é curtir o ambiente que a cultura polinésia em si.

Para quem está hospedado em Ko ‘Olina, o Paradise Cove fica a poucos minutos de caminhada. Para quem está em Waikiki, fica a ~1 hora de distância, vindo pela rodovia H-1 (se o trânsito colaborar) – o mapa que eles têm no site deles é bem explicadinho. Quem está no North Shore pode levar cerca de 40 minutos para chegar, vindo pela H-2 e pegando depois a H-1 sentido oeste. Quem compra a entrada do luau por um dos pacotes vendidos nos hotéis tem a opção de traslado até o Paradise Cove, que eu recomendo, porque assim você não se estressa com o trânsito. O ônibus do traslado sai entre 3:30 e 4pm de diversos hotéis em Waikiki.

(OBS.: Perdi todas as fotos do luau do Paradise Cove por um erro da ~máquina~ (entenda-se fotógrafa). Portanto, nenhuma das fotos que ilustra este post veio deste luau. )

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GERMAINE’S

Minha nota: 5.0

Dos luaus em Oahu, este é o que menos gosto. Mas por ser o mais barato (ou o que mais oferece promoções), em geral lota. E lota mesmo, já que o local tem capacidade para mais de 1000 pessoas sentadas, em mesões de madeira. Uma coisa interessante é que, para quem paga um pouco mais, há possibilidade de sentar no chão em esteiras, bem na frente do palco – e essa é a forma tradicional como os polinésios fazem as refeições (pontos para o cuidado com a cultura polinésia). Entretanto, tirando estas mesas “especiais”, a distribuição das mesas na chegada é bastante confusa, e pessoas que não se comunicam bem em inglês podem ter dificuldade em achar sua mesa rapidamente.

Os drinks também não são os melhores – o maitai era super-aguado -, e no dia em que fui o bar estava sempre lotado, com fila e poucos atendentes. A qualidade da comida também deixa a desejar, e a organização da fila do jantar me lembrou o bandejão da universidade. O espetáculo de dança não é tão bom quanto os demais e a banda é ok.

Também oferece uma série de atividades antes do show principal, mas achei tudo meio “largado”, entende?

A localização é outro problema a meu ver. O Germaine’s fica a 27 milhas de Waikiki, numa área mega-industrial de Oahu. Ao lado do espaço do luau, fica um porto de carga pesada (não é o porto de Honolulu que a gente vê perto do aeroporto, é outro). A praia em frente é ok, perto do Barbers Point Beach Park, mas há uma cerquinha impedindo as pessoas de andar nela. Porque se você andar um pouco para a esquerda na praia, verá um pouco da área degradada que ali existe – e ninguém quer mostrar isso ao turista, certo? O palco do luau também cobre bem a área industrial que fica logo atrás, portanto você pode aproveitar o luau inteiro sem nem perceber os arredores. (Acontece que eu moro aqui, e por conhecer a região não conseguia pensar em outra coisa enquanto estava no luau, infelizmente…)

Para chegar ao Germaine’s saindo de Waikiki, leva-se 45 minutos a 1 hora, e há um mapa no site deles. Mas recomendo optar pelo traslado, já que é uma região bem estranha.

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CHIEF’S LUAU

Minha nota: 7.0

É o luau comercial mais próximo de Waikiki, a cerca de meia hora de viagem. O local do luau é menor: ao lado do Sea Life Park, em Waimanalo (a entrada do luau é pelo Sea Life Park), numa área mais elevada, basicamente em um terreno gramado com mesas e cadeiras, e um galpão onde o jantar é servido. A vista do luau é linda: Rabbit Island está logo à frente, com aquelas cores maravilhosas do mar de Makapu’u. Atrás, as montanhas do Ko’olau, também estupendas de lindas. Em termos de paisagem dramática, esse é o luau mais interessante. Entretanto, não é pé-na-areia, e não tem pôr-do-sol no mar, porque o local do luau está do lado leste da ilha, e o sol se põe atrás das montanhas.

Em termos de ambientação do luau, tudo é muito simples. O palco é pequeno, as barraquinhas polinésias são modestas, as cadeiras são de plástico, e não há muito mais que isso. O Chief’s Luau tem uma sensação mais “caseira”, e essa sensação reflete o fato de que ele é gerenciado por uma família, e tem uma capacidade de lotação bem mais modesta que os demais – cerca de 400 pessoas. As comidas são ok, nada especial que você não verá nos demais luaus, e as bebidas são fracas. Não tem o famoso e tradicional ‘imu, já que eles não enterram o porco, mas cozinham sobre a terra, no chamado umu – uma tradição samoana, não havaiana. Com a entrada, você tem direito a um drink alcóolico gratuito e água ou fruit punch. E só.

Apesar de ser bem mais modesto, o fato de ser pequeno colabora com o espetáculo polinésio. O apresentador do show, Chief Sielu Avea, é sem dúvida a maior atração, já que ele faz um verdadeiro stand-up de cultura polinésia, inserindo muitas piadas. Enquanto os demais luaus se atém na representação fiel da cultura polinésia, o Chief’s Luau tenta o mesmo mas com uma pitada forte de humor. No final, acho que funciona, porque termina sendo um show “igual, mas diferente”.

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Porém, várias das apresentações, brincadeiras e interpretações fazem alusões não à cultura havaiana, mas à cultura samoana. Porque as pessoas que fazem o show são na verdade descendentes de samoanas. Eles comentam en passant sobre a cultura havaiana, mas o forte mesmo (inclusive na hora de ensinar palavras do vocabulário “local”!) é o samoano. Não deixa de ser interessante… Mas me incomodou um pouco imaginar que alguns turistas sairão dali pensando que “talofa” é uma palavra havaiana, quando não é – no alfabeto havaiano nem existe a letra F!

(Confesso que também me incomodou o viés cristão. Porque, ao atender o turista no Havaí, não se pode assumir que todos ali presentes sejam cristãos. As ilhas são visitadas por turistas de todas as religiões e não-religiões, e assumir que todos vão adorar a mesma doutrina é meio ingenuidade demais – ou arrogância demais. No dia em que fui, vi algumas famílias islãs e indianas um pouco incomodadas com o “rezar de mãos dadas para um deus cristão antes da refeição”. Acho que faltou um pouco de sensibilidade turística da parte dos administradores do luau.)

Mesmo assim, por não aspirar a ser um “grande luau” e ser um pouco mais aconchegante por conta do tamanho, o Chief’s Luau ainda é um bom luau. Não é o melhor, mas definitivamente ok, para quem nele se aventurar. Acontece apenas às segundas, quartas, sextas e domingos.

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LUAUS DE HOTÉIS

Minha nota: em média 8.0 (depende do hotel)

Esta categoria engloba todas as apresentações que os hotéis vendem como “luaus” em suas varandas, ou áreas próprias dentro dos hotéis para eventos e celebrações. Já fui em alguns, em Maui (o do Hyatt Regency) e na Big island (o do Kona Village Resort, hotel que fechou depois do tsunami de 2011 – contei desse luau neste post), e já vi de fora dois luaus de hotel aqui em Oahu, o do Hilton Hawaiian Village e o do Royal Hawaiian Hotel (o “Pink Hotel”), ambos em Waikiki. Estes luaus têm uma característica em comum: por terem uma capacidade de lotação bem menor que os luaus comerciais, a comida e os drinks tendem a ser beeeem melhores.

Muitos têm shows elaborados, como o do Hilton, enquanto outros são mais modestos com o show, como o do Hyatt em Maui. Independente do nível do show, eles apresentarão algumas das danças típicas de algumas ilhas do Pacífico, e oferecerão oportunidade para interação com a platéia, como nos demais luaus. A maioria destes luaus de hotel é de frente pra praia e tem um pôr-do-sol bonito – que são dois pontos do ambiance de luaus que tendo a valorizar.

(Para quem tem intenções adicionais de paquera, um luau comercial estilo Paradise Cove ou Germaine’s também oferece melhores oportunidades, digamos assim. 😉 )

Os luaus de hotel costumam ser mais curtos, menos elaborados, e muitas vezes (bem) mais caros, mas também mais exclusivos. Se você não curte multidões e quer um luau mais intimista, talvez um luau de hotel seja uma boa escolha. Agora, se você quer uma experiência completa de luau, inclusive as pagações de mico engraçadas que viram boas histórias de viagem, sugiro ir a um comercial.

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O ‘imu sendo aberto.

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Há outros luaus, principalmente nas demais ilhas. Mas, como ainda não fui neles, prefiro não escrever nada. Assim que os visitar, vou atualizando o post, ok?

Espero ter ajudado com este mini-guia. E… tudo de Havaí – e hula – sempre. :)

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Mas… e vocês, foram a algum luau quando vieram ao Havaí? O que acharam? 

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Estamos na #SharkWeek 2014, e praticamente tudo na internet – ou melhor dizendo, na internet que eu sigo – se tornou mais tubaronesco desde ontem. Entretanto, às vezes tubaronices surgem, de recantos onde nunca se esperam. Talvez apenas para entrar no hype que o Discovery Channel mantém (que aliás, não é nem 20% da Shark Week atualmente, é só o botão de start para uma infinidade de discussões e conversas paralelas que rolam nessa semana), ou ganhar uns cliques a mais. Mas eu, como boa poliana que sou, prefiro acreditar que as pessoas estão realmente aos poucos acordando para a importância da conservação dos tubarões, para o quão biologicamente fenomenais esses animais são, cheios de mistérios que a ciência ainda não entende completamente, etc. Não é?

Um dos blogs que fez um inesperado twist foi o blog de viagem do Peter Greenberg. Ele fez uma lista de 5 viagens fenomenais para ver tubarões, o que para o blog de viagens super-profissionalizado dele é meio incomum. E eu curti a idéia e resolvi fazer a minha lista de 5 viagens que fiz emocionantes que envolveram… tubarões. Claro, nunca estive na África do Sul nem na ilha de Guadalupe, muito menos em Cocos Island, destinos primordiais para se ver tubarões, então esta não é uma lista definitiva – como nenhuma lista é, todos já sabemos, né?

Enfim, vão aí minhas top 5 experiências de viagem mais emocionantes envolvendo tubarões!

5) Ilhas Mamanucas, Fiji

SharkWeek2014-3

O que pôs essa viagem na minha lista foi a surpresa. Jamais esperaria que num passeio dos mais turísticos de Fiji a gente veria tantos tubarões. Eram tubarões galha-preta super-pequenos, fofíssimos, que nadavam ao redor dos recifes das ilhas Mamanucas. Mas, como eram pequenos e curiosos, chegavam muito perto, sem nem a gente perceber. A gente dava um mergulho para pular uma ondinha e… opa! Dava de cara com um tubarãozinho! E foi exatamente isso que me cativou ali: o relax surpreendente da situação toda, nada de adrenalina envolvida, completa tranquilidade. E o mais incrível: os tubarões surfavam nas marolinhas das ondas, já praticamente na areia. Sensacional!

4) Ilha de Malapascua, Filipinas

A “casa” do tubarão-raposa (Alopias vulpinus). Ou melhor, o “lavajato”, já que eles vão ali para serem limpos pelos peixinhos a 30 metros de profundidade. O tubarão-raposa tem uma nadadeira caudal enorme, que ele usa como se fosse um chicote para caçar suas presas. O mergulho com o tubarão-raposa é bem tranquilo, e é simplesmente emocionante demais quando você vê aquele animal enorme, com uma cauda quase maior que seu corpo. Inesquecível é pouco.

3) Isla Mujeres – Isla Holbox, México

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Todo ano, entre julho e setembro, a maior agregação de tubarões-baleia no mundo vai se alimentar a poucas milhas da costa de Isla Mujeres-Holbox, na Península de Yucatán, México. São mais de 300 tubarões-baleias, numa área não muito dispersa. Por ter se tornado um dos passeios de ecoturismo mais famosos da região, o evento vem sendo estudado a fundo por muitos pesquisadores – qual impacto para os tubarões-baleia de tantas pessoas na água? Tantos barcos? E as pessoas, o quanto esse contato contribui com a educação ambiental sobre a espécie? A experiência é realmente impressionante, você cai na água e não sabe pra onde olhar, tantos são os tubarões-baleia. Mas fica realmente a dúvida se a quantidade de barcos e de gente não precisa de uma regulamentação maior…

2) North Shore de Oahu, Havaí

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Tecnicamente, não é bem uma viagem para mim, já que eu moro em Oahu, então eles estão ali, praticamente no quintal de casa. Mas continua sendo uma “viagem” no melhor sentido da palavra filosófica – acho que toda experiência dentro de uma gaiola te faz pensar um pouco menos antropocentricamente, não? Pelo menos é assim que me sinto ao ver mais de 30 tubarões-de-Galápagos (Carcharhinus galapagensis), circulando ao redor da gaiola, e nadando a poucas milhas das praias mais surfadas do planeta – vale ressaltar que já foi mostrado cientificamente que a presença deles ali não é preocupante. E confesso: me dá um conforto no coração saber que eles estão ali perto a qualquer hora e dia, para quem quiser vê-los. Um bom sinal de (ainda) boa saúde do ecossistema local, talvez…

1) Beqa Lagoon, Fiji

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O melhor mergulho com tubarões do mundo. Pela quantidade de espécies vistas, pela emoção, pela observação do comportamento animal, por ser o mais ecoturisticamente correto possível… em tudo, um mergulho perfeito, com uma interação perfeita com os tubarões. E ponto final. 😀

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E não podia deixar de viajar um pouco, né? Seguem as MINHAS TOP 5 VIAGENS DOS SONHOS COM TUBARÕES:

5) Cocos Island, Costa Rica

Um lugar onde os tubarões-martelo nadam em cardumes enormes, de centenas. Quem não quer?

4) Cidade do Cabo e Durban, África do Sul

Dois points clássicos para ver o tubarão branco. Ainda chegarei lá um dia…

3) Fakarava, Polinésia Francesa

A área é considerada uma reserva da biosfera pela UNESCO, e a quantidade de tubarões é supostamente inacreditável. Pra eu retirar o “supostamente” da frase, entretanto, vale a lei de São Tomé: só vendo pra crer. 😛

2) Ilha de Guadalupe, México

Melhor point do mundo para ver tubarões branco. Precisa de mais?

1) Groenlândia (ou na Islândia…)

Na realidade, um destes sonhos impossíveis, porque ver um tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalusjá é uma raridade enorme, imagina mergulhar com um. Sem falar na temperatura da água ártica nos pontos onde ele vive… Esta viagem fica no sonho, apenas, mas que seria lindo ver um tubarão desses nadando lentamente… ah, seria!

E vocês, também sonham com viagens para ver tubarões? :)

Tudo de tubarão sempre.

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P.S.: Falando em Shark Week, minha amiga Christie está organizando uma festa na casa dela nesta quinta-feira para ver um dos programas da #SharkWeek do Discovery, cujo tema serão os tubarões do Havaí – estarei na festa junto a um monte de cientistas de verdade de tubarões. Será no mínimo interessante ouvir o que eles têm pra comentar… Christie é uma fervorosa crítica da forma como o Discovery Channel mostra os tubarões sem cuidados com sua ciência (no que, aliás, concordo muito com ela…) e vai live-tweet o programa. Pros que curtem ciência de verdade sobre tubarões, não deixem de acompanhar!

OOOEEEAAAA!!

Que mês, meus amigos. Que mês! Coração vibrando, sorrindo e se emocionando todos os dias, nessa que foi sem dúvida a melhor Copa dos últimos tempos. A Copa das Copas.

E nesse junho/julho, muitos acontecimentos ao redor do campo de futebol – e fora dele. Como fiz em 2010, listo aqui os meus momentos favoritos e memórias mais marcantes desta histórica Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

OOOOEEEAAAA

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Você precisa vir para a Copa.” Levei uns minutos – na verdade, alguns dias – para assimilar a informação e o pedido tão especial, para ajudar como tradutora as intermediações do clube de futebol com a seleção da Austrália durante o pré-mundial. Era fevereiro. Não muito tempo depois, estava eu de passagens compradas. Para a Copa do Mundo do Brasil!

No ar, naquele momento em fevereiro, reinava um clima generalizado de “Não vai ter Copa”. E eu, apaixonada que sou por futebol e por Copas do Mundo, fiquei entre a cruz e a espada, entendendo e apoiando muitas das lutas travadas nas ruas, mas láááá no fundinho, sabendo absolutamente que nunca-jamais-ever me ausentaria de ver os jogos da Copa do Mundo, nem que fosse pela TV. O tempo passa para mim de quatro em quatro anos, quando as Copas acontecem – sou daquelas que falam, “ah, me casei no ano da Copa da Alemanha…” ou “Me formei depois do tetracampeonato…” Mas, confesso que até a véspera da minha viagem ainda pairava um certo incômodo, de que talvez estivesse indo para uma grande roubada.

Bastou eu pisar no Brasil para perceber o quanto estava errada.

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A rotina com os “Socceroos” em Vitória (ES) foi inesquecível. Das experiências mais deliciosas e emocionantes da minha vida. Carregarei comigo esta doce memória, de 2 semanas em que vi e vivi de perto os bastidores de uma seleção de Copa. As conversas incríveis e hilárias com os jornalistas australianos, o happy hour com a seleção da Austrália, os treinos, as coletivas de imprensa… Talvez aqueles que se envolvem com futebol com mais frequência ou que trabalhem no ramo de publicidade/jornalismo e afins, que lidem mais com a mídia, estejam acostumados a essa rotina, e possam ser mais blasé. Mas para mim, que tenho uma carreira completamente diferente do futebol, focada num laboratório de pesquisa biomédica, e que quase nunca participo ativamente de nenhum circo de eventos, foi um ambiente novo e fascinante, uma grande chance de aprender e vivenciar uma linguagem e um mundo totalmente fora da minha zona de conforto. Encantamento é a melhor definição do que senti. Oportunidade de ouro também para sentir-me uma estrangeira – e em terras brasileiras, o que é irônico. Em muitos momentos, entretanto, foi como se estivesse sendo levada de volta à infância, quando o futebol era muito mais presente na minha vida. Ali, naqueles dias antes da Copa começar, eu já vivia a minha Copa das Copas.

(E tudo isso acontecendo na minha cidade querida, e eu ali, ao lado de uma das pessoas que mais amo na vida, meu pai. Haja coração!)

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Num domingo, antes da Copa começar, 3000 crianças das escolas públicas da Grande Vitória foram assistir ao treino australiano. Mais os prefeitos de Vitória e de Cariacica, onde fica o estádio da Desportiva Ferroviária, “casa” da Austrália nesse período. A gritaria da criançada, a empolgação dos jogadores, a festa a cada volta que o time dava no campo… emoção atrás de emoção. Os repórteres australianos não acreditavam que o time deles, longe de ser favorito, atraía tanta atenção e calor para um público tão especial. Tudo organizado de maneira linda! O time da Austrália adorou a estadia em Vitória, passearam e postaram diversas fotos no instagram das idas à praia, dos cafés, e dos diversos momentos incríveis que viveram nesta Copa. Apesar de não terem ido muito longe na Copa, a honra de defender um país e de participar da Copa no país do futebol… todos os jogadores descreviam isso como o momento mais importante de suas vidas. Não é pra menos.

#GoSocceroos

A mensagem da mídia social australiana aos “super-fãs”.

Na maior parte do tempo com a seleção Socceroo, tive pouco contato direto com os jogadores. Durante o evento de happy hour, troquei algumas palavras com Adam Taggart, camisa 9 de Perth, e com Ben Halloran – que proporcionou uma das primeiras (das muitas…) ótimas histórias dessa Copa, ao postar uma foto de uma aranha enorme dentro do seu quarto de hotel. Durante as coletivas, cada dia um ou dois jogadores apareciam para falar com os jornalistas – e esse era o momento em que eu captava uma pitada da personalidade de verdade de cada um. Quando as câmeras e os microfones desligavam ou não estavam direcionadas a eles, os jogadores relaxavam um pouco mais com o pessoal ao redor, conversavam e riam, falavam das namoradas, dos torneios de ping-pong no hotel, de Vitória, das amenidades da vida além-futebol.

E foi durante esses momentos mais relax que me toquei do óbvio ululante – mas que muitas vezes a gente esquece quando comenta sobre futebol: esses jogadores são uns meninos. São super-jovens, 20 e poucos anos, praticamente recém-saídos da adolescência, cheios de gás e vontade de brilhar, mas com aquele olhar ainda assustado de quem está virando adulto “na marra”, no palco do mundo esportivo. (Você se lembra de quando tinha 20 e poucos anos, suas inseguranças e “certezas”? Pois.) Há uma certa beleza poética nessa constatação, de que uma Copa, assim como a vida, é construída dessa mistura de experiência adulta com ingenuidade persistente, encarando juntos um desafio. Nos mais velhos, a gente sente o quanto tentam dar o exemplo aos mais novos, quando falam e comentam com muito mais cautela qualquer tópico, inclusive suas amenidades.

Tim Cahill receives Desportiva jersey 12

O mais experiente jogador australiano era, sem dúvida, o goleador Tim Cahill. Numa das coletivas, fiquei cara a cara com o ídolo Socceroo, autor de um dos gols mais lindos da Copa, e de um dos grandes memes no twitter/instagram, o #timcahilling, que começou no fatídico jogo Brasil x Alemanha. Tim é inacreditavelmente centrado, muito pé no chão e sem estrelismo algum. Super-entusiasmado, conversava com todos derramando sorrisos, daquelas pessoas que olham nos seus olhos, sempre. Meu breve encontro com ele em frente das câmeras ficou registrado nas páginas do jornal da cidade. Timidamente, sorri.

Socceroos1

Mas meu maior contato mesmo foi com a equipe australiana que veio na carona da seleção: jornalistas, fotógrafos, o analista de mídia social (hi, Mason!), os membros da Federação Australiana de Futebol. Foi com estes que interagi mais no pré-Copa, tentando garantir a eles o amparo logístico nos pequenos detalhes. Ria muito das diversas histórias que eles viviam em Vitória – se tem um grupo que realmente curtiu e aproveitou a cidade, sem concentração nem abdicação da cerveja, foram os jornalistas australianos. Haja happy hour na Praia do Canto…

A Austrália teve uma performance fraca na Copa. Lutaram muito, mas controle de bola ainda é uma característica que eles precisam aperfeiçoar – e uma das laterais do time deles rivaliza com a nossa Avenida Daniel Alves, o grande legado brasileiro da Copa. Mas, apesar das falhas em campo, os australianos saíram com a cabeça erguida, cheios de orgulho, depois de darem uma canseira nos holandeses.

Para mim, a simpatia dos Socceroos e seu entourage treinando no campo da Desportiva Ferroviária foi a memória mais querida e emocionante da minha Copa. Obrigada, equipe especialíssima da Desportiva! E obrigada, Austrália! :)

Socceroos-World-Cup-2014

Jogadores australianos nas fotos: Tommy Oar, Adam Taggart, Tim Cahill, James Troisi, Ben Halloran, Mark Milligan, Mark Brescianno, James Holland, Matt McKay, Mitch Langerak, Mathew Leckie e Mile Jedinak.

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(E, em Vitória, ainda fui na inauguração do reformado estádio Kléber Andrade, com suas cadeiras à Mondrian, que me deixaram toda derretida… foi onde a seleção de Camarões treinou no pré-Copa.)

Socceroo3

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Assisti aos primeiros jogos da Copa em casa, com meus pais. Ver o Brasil x Croácia ao lado deles, torcendo de camisa canarinho, já valeu toda a Copa para mim, e se a Copa acabasse ali, no primeiro jogo, já teria sido a melhor Copa ever.

Entretanto, já de volta aos EUA, passei a assistir aos jogos colada em duas telas: a da TV e a da Arena Twitter, como apelidamos a festa que rolava nesta mídia social. Mais que opiniões, o twitter permitiu a amplificação da zueira futebolística a nível mundial.

Foram incontáveis memes, frases e fotos engraçadas. Vesti meu avatar de verde e amarelo, e caí na farra, metralhando RTs a cada jogo, garantindo várias rodadas de risadas. Mesmo nos jogos que não pude assistir, acompanhei a zueira no twitter – que ela sim, importava. A magnânima sensação de que o boteco virtual existe, onde estamos todos sentados ao redor de uma mesa gigante em conversa alta com os amigos, teclados em punho, e onde a saideira é sempre na próxima rodada de memes. Sensacional!

E foi muita irreverência acumulada. Muito coração na mão a cada quase-gol, muita torcida sem confusão nem briga; muitos-muitos gols, muito futebol, muito Impedimento, muito juiz que não vê, muitos goleiros-muralhas; muito Podolski brasileiro, muita mordida do Suaréz, muito 5×1 e muito 7×1, muita Fonte Nova, muito Klinsmann, muita Costa Rica, muito Herrera pulando, muito James Rodriguez, muito Van Persie vanpersiando, muita cambalhota do Klose, muita dancinha da Colômbia, muito spray do juiz; muito hino à capela, muito choro, muita vértebra, muito Fred Cone e elefante marinho; muita FIFA Fan Fest, muitos insetos gigantes, muitas reportagens gringas reconhecendo a #MelhorCopa, muitos torcedores de todas as nacionalidades pelas ruas do Brasil, muita interação, muitos fogos, muito Fuleco, muita tapioca, churrasco e feijoada, muito Maracanã, muito calor (muito calor!) humano, muita brazuca. E tudo MUITO BRAZUCA.

Na língua do futebol, a babel onde todas as demais línguas se encontram.

Foi simplesmente LINDO. Parabéns, Brasil por ter feito a #CopaDasCopas de todos nós.

Brazuca
Foto por Ian Walton (Getty Images), na galeria oficial da FIFA.

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Na minha lista de 5 gols mais bonitos e inesquecíveis da Copa 2014, estão:

5. Robben (HOL), contra a Espanha;

4. Götze (ALE), contra a Argentina, o gol da final da Copa;

3. Tim Cahill (AUS), contra a Holanda;

2. James Rodriguez (COL), contra o Uruguai;

1. Van Persie (HOL), contra a Espanha, a cabeçada maravilhosa que virou verbo: vanpersear.

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Para uma lista de causos impagáveis da Copa, esse post do Impedimento não falha.

Para um resumo ótimo da Copa, este vídeo compila bem. Ou essa lista que já traz saudade. Ou esse slideshow de 90 segundos do The Guardian.

Para alguns dos milhares de melhores memes, aqui.

(E, depois da fama do polvo Paul em 2010, houve nesta Copa a invasão zoológica de animais que “previam” os resultados dos jogos da Copa. Praticamente todas as categorias taxonômicas do mundo animal viraram videntes, de nematodo a canguru, passando por camelo, tartaruga marinha, piranha, panda… a zueira não teve mesmo limites!)

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Em 11 de junho, antes da abertura da Copa, publiquei no facebook – aquela mídia social onde todas as informações vão pra morrer – um “disclosure”, listando os times para os quais torceria durante a Copa 2014. Eram eles, na ordem: 1) Brasil; 2) Alemanha; 3) EUA; 4) Austrália.

Minhas razões eram simples. A Austrália por simpatia recente, pela convivência com o time no pré-Copa, que me conquistou, mesmo sabendo que o futebol deles deixa ainda muito a desejar; os EUA por ser o time da minha casa atual, e pelo sentimento de “torcer pra time pequeno” que eles ainda proporcionam – sentimento este que tem tudo para desaparecer no futuro próximo; o Brasil porque sou brasileira, é o primeiro time do coração mesmo, com nosso estilo de futebol apimentado único, cheio de gingado, apaixonante; e a Alemanha porque eu também amo o estilo de jogar futebol deles, afiado, técnico sem ser maçante, totalmente oposto ao brasileiro e tão apaixonante quanto. Desde que morei lá em 1997, aprendi a admirar a admiração do povo alemão pelo bom futebol. De todos esses times, a Alemanha sem dúvida foi o futebol que mais me conquistou de verdade, e enquanto os outros são torcidas meio serendipiosas, a Alemanha é quase uma torcida “do coração”.

Então que quando se confirmou que Brasil e Alemanha jogariam na semi-final, meu coração gelou. Estava dividida. No final, obviamente vesti a camisa verde-amarelo, porque minha brasileirice falou mais alto – mas lá no fundinho, a Alemanha assobiava e dava piscadinhas. Enquanto cantava o hino do Bahia em Santo André.

#MelhorCopa

Foi bacana perceber que o brasileiro aos poucos desvincula o alemão do esterótipo simplista “frio, calculista e sem graça”. Aliás, no passado, quando comentava com minha família o quanto os alemães eram legais, animados e super-divertidos, cansei de receber olhares enviezados, como se estivesse dizendo uma asneira gigante. É claro, há pessoas bacanas e idiotas em todas as culturas, mas numa média geral, o alemão médio é muito amigável, caloroso, e muitos momentos excepcionais da minha vida foram passados em terras germânicas, com amigos alemães que me cativaram pela amizade sincera.

Aí veio o Mineirazo. E todos sabemos o restante da história, consequência do deprimente placar de 7 x 1. Pessoas mais entendidas da escrita futebolística já desopilaram e destrincharam todos os problemas e erros que aconteceram e decorreram dessa derrota, e quem sou eu para acrescentar algo a essa análise. Mas fiquei realmente triste, pela ferida aberta do futebol brasileiro ali, exposta e infeccionada, em 90 dos mais doloridos minutos do futebol. Parecia que me encontrava num universo paralelo, tamanha surrealidade do placar – ironicamente, o paradoxo do delírio patológico mais se escancarava justamente pelo tamanho gigantesco da racionalidade do time adversário, de futebol extremamente reality-based, science-based. Apesar da tristeza, aquele jogo em si, valeu a Copa. Por dar um banho de realidade ao nosso futebol. Espero que melhoras fundamentais profundas se instaurem no país do futebol. Esse seria, afinal, um bom legado da Copa ao Brasil.

Depois da derrota brasileira, torcer pra Alemanha virou instintivo para mim. O time que escolheu o sul da Bahia para concentrar, que se integrou à cultura local, aos costumes e ao povo da região, que deu verdadeiras aulas de mídia social e de relações públicas em todas as demais seleções, que dançou com os índios brasileiros (esse grupo tão esquecido e desprezado pelo brasileiro médio), que sorria e brincava, que tem o jogador estrangeiro mais brasileiro de toda a Copa, que mostrou em campo um futebol preciso, racional e extremamente divertido, alegre de se ver, que nos fez ter saudade do futebol brasileiro mais solto de uns anos atrás, que nos respeitou e nos empolgou acima de tudo, a cada movimento. O time que trouxe análise científica com muitas pitadas de sorrisos largos ao futebol. Como não abraçá-los e torcer para eles?

O tetracampeonato no Maracanã, o templo máximo do futebol, foi a consagração final dos anos de trabalho futebolístico da equipe alemã. Mas também foi o triunfo do futebol alegre de se ver, sem papagaiações, estrelismos ou truculência. O triunfo de um time, de verdade, na concepção mais profunda da palavra TIME. Um jogo bonito, de verdade.

Alemanha e a Copa
Foto por Lars Baron (Getty Images), via FIFA.

A Copa 2014 teve muito (MUITO!) Götze (GÖTZE!), muito Lahm, muito Schweinsteiger, muito Mülller, muito Mertesecker, muito Kroos, muito Özil, muito Hummels, muito Boateng, muito Khedira, muito Schürrle, muito Kramer, muito Mustafi. Muito, muito Neuer. Muito, muito Miroslav Klose e seus 16 gols em Copa. Muito Joachim Löw. Muito, um exagero de muito, de Podolski, brasileiro com muito orgulho. E MUITA MUITA MUITA ALEMANHA.

Parabéns, Alemanha! #aneurerseite

E que venha 2018, na Rússia! :)

Tudo de futebol sempre.

E… OOOOOEEEAAAAA!!!!

Cristo Redentor sol
Para finalizar a Copa das Copas, uma imagem de ouro da TV… :)

Então que eu caí de paraquedas num post do Quatro Cantos do Mundo via o blog da Sut-Mie, de uma blogagem coletiva estilo lista – que eu adoro – organizada pelo grupo de Viagem em Família do Facebook. Eu não faço parte desse grupo, mas resolvi lustrar minha cara de pau e me auto-convidar, participando da blogagem. Afinal, fazer lista de viagem é comigo mesma!!! 😀

(A Patrícia já tinha publicado uma lista dessas com as minhas vontades viajantes, replicada daqui. Apesar de ainda querer ir para alguns dos pontos citados à época, as paixões mudam – ou se reforçam, como o <3 Kamchatka <3. Percebi também que nenhuma das viagens que listei em 2005 se realizou ainda – e talvez eu já previsse isso com o título do post… E a lista só cresce…)

Minha lista de hoje, para quem me conhece, é super-previsível. Reflete minha paixão pelo ambiente, minha urgência em tempos de aquecimento global e minha curiosidade de bióloga. E ilhas tropicais, né?

Vapt-vupt, meus top 5 destinos mais desejados do momento.

1) Península do Kamchatka

No extremo leste da Rússia, fica essa península cheia de vulcões ativos, ursos e um costão de cinema. Não consigo pensar em outra viagem que desejo mais que essa no momento. Mas tem que ser no verão, quando a temperatura permite que se façam caminhadas, que se mergulhe no mar e quando os animais não estão hibernando.

Kamchatka - Igor Shpilenok 2

Kamchatka - Igor Shpilenok

Fotos do premiado fotógrafo de natureza Igor Shpilenok, que mora no Kamchatka.

2) Namíbia

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A Costa do Esqueleto, em foto de Andy Biggs, vencedora da categoria “Wild Places” do Wildlife Photographer of the Year 2008.

Eternamente quero conhecer a Namíbia. Um velho sonho de adolescência, que ainda está lá, na categoria “a ser realizado”. Mas não quero que seja uma viagem de poucos dias – quero passar pelo menos um mês por lá. Andar pelas dunas vermelhas, pela Costa do Esqueleto, ver todas as tribos e a vegetação característica: me dá arrepio de felicidade só de pensar!

3) Ilha de Socotra

Esta ilha do Iêmen tem rondado meus sonhos nos últimos meses. E a razão é simples: as bizarrices biológicas únicas que existem por lá. Mergulhar em Socotra deve ser lindo, andar pelas trilhas de lá mais lindo ainda, e ver todas aquelas plantas estranhas… aaaaaaaahhhh!!!

Socotra - November 08

Foto de Anna Pchelintseva, no Socotra Island.

4) Tuvalu

Ainda não consegui ir a Tuvalu, uma das ilhas que mais me atrai no Pacífico. Um atol fadado ao desaparecimento, infelizmente, o que torna a ida até lá mais crucial ainda. Será um dos primeiros pontos do mundo a ser drasticamente afetado pelo aumento do nível dos mares. Sinto um aperto no coração só de pensar nisso… :/

Tuvalu
Foto de Shuuichi Endou.

5) Parque Nacional Marinho de Papahanaumokuakea

Papahanaumokuakea14
Foto da foca-monge havaiana embaixo d’água por James Watt, super-fotógrafo que faleceu em 2007.

É “pertinho” de onde moro – são a continuação à noroeste das ilhas havaianas. Quero ir para ver as colônias de filhotes de focas-monge havaianas, para mergulhar com os inúmeros tubarões, e ver alguns dos vários naufrágios esquecidos por ali – incluindo um reportado num documentário que vi recentemente super-interessante, “Lightining strikes twice”, sobre a descoberta sub do segundo naufrágio causado pelo mesmo capitão inspirador da história do “Moby Dick”. Entretanto, por ser uma reserva marinha federal super-protegida, o acesso a Papahanaumokuakea é apenas para pesquisadores e militares. Ou seja, a probabilidade de eu ir é muito baixa. Mas… sonhar não custa nada, né? Quem sabe…

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Tudo de sonhos sempre. :)

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UPDATE: Lista dos blogs que participaram desta brincadeira:

1 – Quatro Cantos do Mundo (Eder Rezende)

2 – Diário de Viagem (Adriana Pasello)

3 – Viajando com Pimpolhos (Sut-Mie Guibert)

4 – Para a Disney e Além (Carlos Augusto Monteiro)

5 – Os Caminhantes (Márcia Tanikawa)

6 – Viajar hei (Patricia Longo Tayão)

7 – Trilhas e Cantos (Liliane Inglez)

8 – Viagens que Sonhamos (Francine Agnoletto)

9 – Viagem Massa (Elaine Castro)

10 – Fomos Juntos: De Malas Prontas! (Cássia Virgens)

11 – Dicas da Rege (Regeane Nicaretta)

12 – Dias Viajando por Aí (Cristiane Martins)

13 – Do RS para o Mundo (Andrea Barros)

14 – Viajar é tudo de bom (Flávia Peixoto)

15 – Colagem (Luciana Misura)

16 – Mosaicos do Sul (Claudia Bins)

17 – Mando um Postal (Camila Marquim)

18 – Viagem com Gêmeos (Erica Piros Kovacs)

19 – Andreza Dica e Indica Disney (Andreza Trivillin)

20 – Our Whole Village (Patricia Monahan)

21 – Malas e Panelas (Andrea e Luciano)

22 – Viajando em Família (Débora Galizia)

23 – MãeMimi (Bella Gonzaga)

24 – Oxente Menina (Ana Luiza Fragoso)

25 – Coisas de Mãe (Patricia Papp)

26 – Uma Malla Pelo Mundo (Lucia Malla)

27 – Matheus Viajando (Matheus)

 

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