Anna-Por-do-sol-Haleiwa

A Anna me escreveu há um tempão – tempão mesmo! – e me mandou um email desses de emocionar, agradecendo as dicas que eu passei aqui no blog, que ajudaram bastante no planejamento dela e dos amigos da viagem pro Havaí. Só que o email veio TÃO detalhado, com um roteiro TÃO bacana, que eu pedi gentilmente para compartilhar com todos aqui. A Anna mandou então as fotos maravilhosas dela e dos amigos, que me deram a absoluta certeza de que este roteiro super-bem-ilustrado ajudará mais gente a se planejar… Viajem juntos com o Havaí da Anna e seus amigos!

[Vou deixar meus pitacos pessoais em itálico entre colchetes pelo texto, ok?]

*************************

Eu e mais 6 amigos chegamos em Oahu e ficamos no Hawaii por 15 dias, durante o verão. Conhecemos 3 ilhas: Oahu, Maui e Big Island. Adoramos suas dicas de passeios!! Foram muito úteis. Alugamos carros nas três ilhas, sendo que em Big Island seguimos sua sugestão e alugamos carro 4X4 para aproveitar todos os passeios. Alugamos carro para 7 pessoas, foi perfeito. Levamos GPS do Brasil, já com mapa dos EUA. Em Oahu compramos um chip pré-pago de celular e colocamos em um de nossos celulares. Foi muito útil para ter acesso a internet durante os passeios, tanto para informações dos locais, restaurantes e etc, quanto para localização pelo GoogleMaps, quando o GPS ficava confuso. Na maior parte do tempo, no entanto, o GPS funcionou super-bem.

Abaixo está o esquema que seguimos… talvez possa ajudar alguém que esteja viajando com grupo de amigos!

DIA 1: chegada a Honolulu às 15h

Almoço: Restaurante Pineapple Room (dentro da Macys do Ala Moana shopping) [Nota malla: o chef é o Alan Wong, considerado por muitos, incluindo Obama, o melhor chef do Havaí.]. Pratos muito saborosos, porém são pequenos, o que pode ser ruim se tiver com muita fome, como nós estávamos!

Tarde: Passeamos na praia em frente ao Ala Moana Center e fizemos algumas compras. Neste dia tínhamos programado visitar o Diamond Head, mas chegamos muito cansados da viagem e resolvemos deixar para o dia seguinte.

DIA 2

Manhã: Snorkel em Hanauma Bay. Maravilhoso!!

Anna-Hanauma2
Hanauma Bay.

Almoço: Seguimos sua sugestão e fomos ao Teddy’s Bigger Burgers – e adoramos!

Tarde: Trilha do Diamond Head. Boa caminhada, sob sol, foi melhor mesmo não ter ido no dia da chegada. Tiramos bastantes fotos e aproveitamos para curtir o visual, que é muito bonito. No final da tarde, fomos ver o pôr-do-sol em Waikiki. [Nota malla: leve bastante água, porque é super-seco dentro da cratera!]

Anna-Subida-Diamondhead
Trilha da subida do Diamond Head.

Jantar: Restaurante Chuck’s. Era perto do nosso hotel e foi muito bom o jantar.

DIA 3

Manhã: Mergulho embarcado no naufrágio Sea Tiger e Ewa Reefs. Fomos com o Ricardo, brasileiro, da Hawaii Ecodivers. [Nota malla: O Ricardo é gente fina!]

Almoço: no Duke’s. Ótimo buffet, com preço bom. [Nota malla: O buffet tem um preço bem razoável, considerando-se que está no centro de Waikiki. Vale a pena pela localização e pela comida. Só não vale se você quer tranquilidade... o bar está sempre cheio e animado! Mas eu adoro!]

Tarde: Começamos a costa leste: fomos até Kailua e de lá fomos descendo sentido sul. Ficamos um tempo curtindo o sol e o mar na praia de Kailua e Lanikai, e depois fomos parando para curtir os mirantes que têm no caminho até o Makapu’u Lookout, passando por Waimanalo.

Jantar: Restaurante italiano Buca di Beppo, uma indicação do Ricardo, e foi muito bom. [Nota malla: As porções do Buca são enormes, ideal para quando se está com muita fome de uma boa macarronada!]

DIA 4

Manhã: Visita ao Pearl Harbour.

Anna-Chapeu-chines
Ilha do Chapéu de Chinês (ou Chinaman’s Hat).

Tarde: Fomos até Kane’ohe e de lá subimos sentido norte até Sunset Beach, curtindo o visual do caminho. No caminho paramos para comer no Giovanni’s e adoramos o camarão! Assistimos ao pôr-do-sol em Sunset Beach. [O Giovanni's tem estado sempre lotado, e a espera pode chegar a mais de uma hora. Se você passar por ele e estiver vazio, vale a pena; se estiver cheio, vale tentar outro caminhão por perto.]

DIA 5

Manhã: Mergulho em Shark’s Cove, no North Shore. Mergulho com saída de praia, mais uma vez com o Ricardo da Hawaii Ecodivers.

Anna-Sharkscove
Shark’s Cove

Almoço: compramos comida pronta no supermercado Foodland, perto de Shark’s Cove, e fizemos um piquenique no gramado da casa do Ricardo, em Waimea.

Tarde: conhecemos Pipeline, Three Tables beach e paramos em Waimea, onde fizemos um snorkel sensacional com tartaruga. De lá fomos até Haleiwa, onde ficamos até o pôr-do-sol.

Anna-Pipeline
Pipeline

Jantar: no Duke’s, em Waikiki.

DIA 6

Manhã: pegamos avião para Big Island. Nos hospedamos em Kona.

Anna-Mauna-Kea
Pôr-do-sol no cume do Mauna Kea.

Almoço: Almoçamos em uma barraquinha perto do hotel, um lanche rápido e seguimos para a praia de Puako, onde ficamos até por volta das 15h, quando pegamos a estrada sentido do Mauna Kea. A subida ao Mauna Kea foi sensacional. A paisagem é muito bonita e quando chegamos lá em cima o pôr-do-sol foi maravilhoso. Na descida paramos novamente no centro turístico de aclimatação e nos telescópios que ficam ali, e conseguimos ver Saturno! No alto do Mauna Kea faz bastante frio realmente, vale levar casaco quente. Estávamos com carro 4X4, mas não foi preciso pois não tinha neve nem tinha chovido.

DIA 7

Manhã: acordamos bem cedo para fazer snorkel com golfinhos em Kealakekua Bay, em Captain Cook. Sensacional: cerca de 15 golfinhos nadando com a gente! Após o snorkel passamos pelas praias de Keauhou e Kailua Bay, mas não paramos.

Anna-Kealakekua-Bay

Tarde: Aproveitamos a praia e a piscina do nosso hotel e descansamos um pouco.

Final da tarde: Mergulho noturno com mantas. Indescritível! Muito lindo! 16 mantas ao nosso redor!

Anna-Sub-mantas-Kona-2

DIA 8

Manhã: Estávamos com carro 4X4, então fomos até Green Sand Beach e Black Sand Beach.

Anna-4x4-greensand
Estrada pra Green Sand Beach – repare no nível de off-road…

Anna-greensand
Green Sand Beach

Tarde: Volcano – passeio de carro pelo Parque Nacional dos Vulcões e pôr-do-sol vendo a cratera do ponto de observação. Sensacional vê-la de dia e depois à noite. O vermelho da lava à noite é realmente indescritível.

Anna-Kilauea-noturno
Cratera do Kilauea à noite.

DIA 9

Manhã: Fomos até Waimea e de lá começamos o dia pelo Waipio Valley. A vista do vale realmente é linda. Não descemos até lá, ficamos apenas apreciando pelo mirante. De lá fomos conhecer ‘Akaka Falls e Rainbow Falls.

Anna-Akaka-Falls
‘Akaka Falls.

Almoço: Almoçamos em Hilo. Restaurante Pineapples, comida ótima e ótimo atendimento. Vale a pena.

Tarde: passeio de helicóptero pelo vulcão. O lugar que a lava do Kilauea estava caindo no mar era longe e fora do Parque Nacional, então para ir até o local a pé era necessário um dia todo de caminhada a US$100,00/pessoa. Como não tínhamos um dia todo disponível para isso, optamos por fazer o passeio de helicóptero. O passeio vale muito a pena. Conseguimos ver a lava caindo no mar e pontos de lava saindo do solo. Maravilhoso.

Anna-Vista-vulcao-helicop

Jantar: Restaurante no centro de Kona chamado Island Lava Java. Comida boa. [Nota malla: É um dos meus pit stops de café da manhã também.]

DIA 10

Manhã: Vôo para Maui. Chegamos em Maui perto da hora do almoço.

Almoço/tarde: Almoçamos em um shopping perto do aeroporto e no começo da tarde fizemos um passeio de helicóptero: West Mountain Maui/Moloka’i. O passeio vai até montanhas e penhascos que não conseguimos ir de carro ou a pé e mostra as cachoeiras do local. A vista do mar em Molokai foi bem legal. Os dois passeios que fizemos foi pela Blue Hawaiian Helicopters. Ótimo atendimento. [Nota malla: Também é minha empresa predileta de helicópteros no Havaí.]

Anna-Passeio-helicop-Maui-3
Cachoeira em Molokai.

Passamos o resto da tarde na praia de Kahana, onde ficava nosso hotel. Lá é possível fazer snorkel bem legal, com tartarugas.

DIA 11

Manhã: Madrugamos e fomos até a empresa Maui Downhill, para iniciar um passeio com nascer do sol no vulcão Haleakala.

Anna-Nascer-Sol-Haleaka
Nascer do sol no topo do vulcão Haleakala.

Subimos com o carro da empresa e chegamos lá ainda noite. O céu estrelado de lá foi realmente lindo. Nunca tinha visto tanta estrela cadente! O frio no entanto é demais! Fomos agasalhados e pegamos a roupa windbreak da empresa, mas mesmo assim estava bem gelado. À medida que o sol vai aparecendo conseguimos ver o cenário lunático ao nosso redor e o colorido das nuvens com o sol. Sensacional. Após o nascer do sol, descemos o vulcão de bike. O passeio vale pelo visual e pelas fotos. Não requer esforço nenhum, pois é só descida. O passeio foi legal, mas faríamos diferente: talvez fosse melhor ir e voltar com carro próprio, sem necessidade de chegar tão cedo e passando menos frio. A empresa era organizada mas os funcionários um pouco grosseiros.

Saindo de lá fomos visitar a vinícola em ‘Ulupalakua, que fica ali perto. [Nota malla: Onde vendem o famoso vinho branco de abacaxi.] Fizemos degustação de vinhos e almoçamos num restaurante que fica em frente a vinícola, o ‘Ulupalakua Ranch Store. [Nota malla: Único restaurante no Havaí que serve hambúrguer de alce!]

Final de tarde: Visita a praia de Napili (norte da ilha), mas não ficamos muito tempo porque estava muito cheia. Fomos até Kahana e fizemos snorkel.

Anna-Por-do-sol-Kahana

DIA 12

Manhã: Mergulho em Lana’i em dois pontos: “Cathedrals 2″  e “No name in paradise”). Mergulhos maravilhosos. Visibilidade de mais de 40 m, água cristalina. A entrada da luz pelas crateras e estruturas feitas pelas lavas vale o mergulho.

Anna-sub-catedrals
Mergulho no Cathedrals 2, em Lanai.

Tarde: praias do norte de Maui. Snorkel em Kapalua. Praia linda e snorkel muito legal, com tartarugas na beira da praia.

Noite: Luau no Old Lahaina Luau. Comida muito boa e boa diversão.

DIA 13

Manhã: Mergulho em Molokini. Dois pontos diferentes em Molokini. Mais uma vez visibilidade de mais de 40m, muita vida. Lindo.

Anna-Sub-Molokini
Mergulho em Molokini.

Almoço: Almoçamos em Lahaina.

Tarde: Visitamos as praias do sul: La Perouse Bay, Wailea, Makena e Kihei. Curtimos a praia por algum tempo em Makena.

DIA 14

Manhã: Fizemos a estrada de Hana. Amanheceu chovendo e foi uma boa opção para o clima. Fomos até Hana sem paradas e na volta fomos parando nos principais pontos para curtir o visual. Achamos melhor esta opção, já que à medida que os ônibus de turismo vão chegando ao local, a estrada vai ficando com mais trânsito, e desta forma pegamos os ônibus no contra fluxo. A estrada é bonita, tem cachoeiras e penhascos, com pontos de visualização bem bonitos. [Nota malla: Excelente estratégia, Anna!]

Almoço: Almoçamos no Pacific’o Restaurant em Lahaina. Restaurante na frente da praia com vista bonita e comida muito boa.
Tarde: Curtimos a praia de Lahaina e aproveitamos para fazer stand-up paddle (SUP).

Noite: Vôo de volta para Honolulu.

DIA 15

Manhã: Como nosso vôo era à noite, fizemos late check-out no hotel e aproveitamos a praia de Waikiki.  Curtimos o sol e fizemos stand-up e aula de surf.

Almoço: Almoçamos em Waikiki mesmo e ficamos por ali até a hora de ir para o aeroporto.

Anna-Vista-Diamond-Head
Vista de Waikiki da trilha do vulcão Diamond Head.

É isso aí, Lucia! Espero que isso possa ser útil para alguém! Sem dúvida nenhuma esta viagem foi perfeita para nós e já queremos voltar de novo!! Adoramos as suas dicas!! Muito obrigada!!

Abraços,

Anna

Anna-Descida-Haleaka-bike

*************************

Anna, querida, eu que agradeço DEMAIS por esse relato sensacional!! E agora que você e seus amigos já aprenderam o caminho… voltem sempre! :)

Tudo de Havaí sempre.

Cone no Haleakala

Cai-me em mãos (via meu amigo Marcelo no facebook) um artigo muito interessante sobre os pontos mais silenciosos do planeta. Fala do jornalista George Foy, que teve uma “epifania” enquanto esperava o metrô em NY e virou um obcecado por lugares sem ruídos humanos – lançou um livro chamado “Zero Decibels”. O artigo comenta sobre o quanto não conseguimos nos livrar do barulho em quase nenhum canto do mundo, o quão o ruído é uma presença constante nas nossas vidas. À parte o fato de que nem todo barulho é desagradável, vivemos realmente num mundo absurdamente auditivo e audível.

Pense bem: na praia, o barulho do mar. Na floresta e no campo, os passarinhos, insetos e as folhas ao vento. Na cidade, nem precisa comentar, né? Barulheira a todo segundo. Mesmo no Ártico, o som dos (muitos) aviões cujas rotas passam por ali gera alguns decibéis. Sempre há um barulho. Se ele é prazeiroso ou não, esta é outra questão; ainda assim, seus ossículos do ouvido interno estão trabalhando para codificar ao seu cérebro aquelas ondas sonoras. O silêncio mesmo, aquele que relaxa seu sistema auditivo, é difícil de ser encontrado. Nessa busca intensa por locais realmente silenciosos, Foy lista alguns pontos nos EUA onde o silêncio absoluto pode ser… ouvido. (Parece contraditório, e talvez a melhor palavra aqui seja silêncio sentido.) Locais onde o nível de decibéis chega a, ou próximo de, zero.

Eu sou muito afetada por sons. Então fazendo uma busca pela minha memória de lugares que já visitei e o quanto e quais ruídos eram associados a eles, acho que o único ponto onde tive a sensação completa de silêncio absoluto foi na cratera do vulcão Haleakala, em Maui - que já foi considerada o lugar mais quieto do mundo (hoje é esta câmara no laboratório Orfield). Nem mesmo no cume do Mauna Kea, na Big Island, temos essa sensação, já que o vento ali está sempre uivando.

Cratera do Haleakala

Na cratera do Haleakala, no entanto, a geografia ajuda: há uma parte rebaixada, e por causa desse rebaixamento, que protege a cratera do vento nordeste (o normal no Havaí), o barulho praticamente não chega. Daí que nem o ruído do vento a gente ouve. E, como o Haleakala está a mais de 10,000 pés de altura, com temperaturas gélidas, não há passarinhos nem insetos nem vegetação no cume – menos ruídos possíveis portanto. (Só a super-endêmica e ameaçada planta silversword consegue sobreviver na cratera do Haleakala.)

Estrada da cratera do Haleakala

Mas, ironicamente, a cratera do Haleakala é um dos passeios mais fundamentais (pra não dizer famosos…) de Maui – especificamente para ver o nascer do sol. São 2 horas de carro de Lahaina até o cume, no meio da madrugada.

Aí você chega no cume e… tem mais de 100 pessoas já por lá, esperando para ver a mesma coisa.  Com tantos carros e tanta gente, é claro que durante o nascer do sol a cratera do Haleakala está longe de ser silenciosa – pelo contrário, é um converseiro ininterrupto. (Sem contar a presença de diversos telescópios, que sugere a presença humana constante por lá…)

Para ver o nascer do sol
A galera pro nascer do sol…

Nascer do sol no Haleakala
…e o famoso nascer do sol no Haleakala, sobre as nuvens.

O frio exacerbado, muitas vezes de números negativos, espanta a maioria das pessoas que vão para o nascer do sol, que estão ali vestidas para férias na praia – já que de lá provavelmente descerão para a praia. Ficam na cratera uma meia hora, no máximo. Mas, se você aguentar um pouco mais o frio – ou se animar a fazer uma das trilhas da cratera – poderá ter a oportunidade de ouro de ouvir o silêncio absoluto. O nada, o zero, um vácuo sonoro.

De repente, a sua respiração, o seu batimento cardíaco, parecem ser ensurdecedores – e, da borda do Kalahaku Overlook, lembro de diversas vezes segurar a respiração pra curtir a experiência alucinante do silêncio. E eu, que sou meio avessa a músicas cantadas, me peguei “cantando” mentalmente alguns dos versos do Arnaldo Antunes:

“Antes de existir a voz, existia o silêncio

O silêncio

Foi a primeira coisa que existiu

O silêncio que ninguém ouviu (…)

Vamos ouvir esse silêncio, meu amor (…)

Do lado esquerdo do peito, esse tambor”

Era este o barulho da minha mente inquieta, estranhando o som do nada ao redor.

********************

Das várias experiências sensoriais marcantes que tive na vida, o silêncio do Haleakala foi sem dúvida a mais incrível, indescritível e impactante que vivi. O silêncio.

********************

Haleakala
Vulcão Haleakala

Para viajar:

- Há vários tours de bicicleta para descer o Haleakala. Uma van leva você até o cume, e de lá você volta descendo o “rampão” da montanha de bike. É super-divertido, e dá pra curtir melhor o ambiente inóspito do Haleakala, e ver aos poucos a paisagem mudando, ficando mais verde. 

- Vá bastante agasalhado para a cratera. Faz MUITO frio lá em cima, principalmente se você chega antes do sol aparecer. Uma blusa de manga comprida apenas não é suficiente.

-  Se você quer curtir melhor o silêncio, meu conselho: não vá durante o nascer do sol. Suba até a cratera em outro horário, para evitar o grande número de pessoas. Com sorte, durante o período que você estiver lá, nenhum helicóptero de tours aparecerá e aí o silêncio será total mesmo.

- Para quem quiser ouvir a música “O Silêncio” do Arnaldo Antunes, tá aí o clipe:

 

**Post dedicado ao Marcelo Ramos, que inspirou com a notícia compartilhada.

30ft wave

Estamos em uma semana bem típica e atípica ao mesmo tempo aqui no Havaí. Por um lado, um swell enorme se aproxima – o que é comum nesta época do ano, quando o surfe no North Shore é a atração maior. Só que na realidade este não é um swell, propriamente dito, e sim uma combinação de 3 swells gigantes, com pouco espaçamento entre eles. Tanto swell monstro um atrás do outro é bem atípico.

Hoje, ondas de 30 pés no point mais radical das ilhas – JAWS – garantiram a festa da galera, como vocês podem ver neste slideshow, que o Hawaii News Now postou.

Aí amanhã o mar se acalma (“só” 15 pés), e no domingo/segunda, outro swell MONSTRO chega, esse de 35 pés.

E, para quarta-feira da semana que vem, o último swell gigante, e o mais importante de todos porque… tem potencial de ser consistente o suficiente para que aconteça o raro campeonato de surfe de ondas gigantes Quiksilver In Memory of Eddie Aikau, que rolou da última vez em 2009, em Waimea Bay. Claro, se rolar Eddie, pretendo estar lá na areia acompanhando a festa.

Mas antes de toda essa agitação de surfe, parto amanhã para conhecer uma das ilhas havaianas que nunca fui: Lānaʻi. Provavelmente postarei fotos no Instagram, então se você me segue lá, fique de olho.

E se rolar mega-surfe em Jaws, tentarei atualizar aqui no blog também, ou pelo menos umas fotinhas na página do blog no Facebook, já que na segunda estarei em Maui.

Como podem ver, fim de semana animado, no mar e no ar. Stay tuned.

Tudo de ondas enormes sempre.

Selenium

Caiu-me em mãos um artigo da Agência Fapesp sobre carne enriquecida com selênio (e vitamina E, e óleo de canola…), tão cheio de viagens na maionese e suposições-ditas-como-verdade que nem sei por onde começar a comentar. Eu adoro uma viagem na maionese, mas essa aí do artigo é daquelas que me manda rapidinho de volta a realidade do pé no chão e das sinapses funcionais. Sei que pode ter ocorrido um “lost in translation” típico da relação entre pesquisador e repórter da editoria científica em relação à ciência da coisa – que não é simples, admito; mas mesmo assim, uma pesquisada na wikipedia ou no google já dariam uma boa melhorada no artigo da Fapesp. De qualquer modo, como pesquisadora da área, acho que cabe aqui pausar um pouco as viagens reais e havaianices que inundam normalmente este blog, e deixar registradas minhas considerações críticas, com algumas correções.

(Desculpem se em partes o texto ficar meio árido. É que estou escrevendo porque quero ventilar o meu pensamento, do jeitinho desordenado e cru que ele vem mesmo.)

Vamos lá:

1. Glutationa oxidada não é uma enzima. É um tripeptídeo, três aminoácidos: cisteína-glicina-glutamato. Em estado oxidado.

2. Glutationa reduzida também não é uma enzima. É o mesmo tripeptídeo acima em outro estado de oxidação: reduzido, ou seja, com capacidade de ganhar elétron de outro composto.

3. “Suplementos de selênio orgânico”. Eu tenho uma cisma com essa forma vaga específica de escrever. Que forma de selênio? Selenometionina? Selenocisteína? Seleno-metil-cisteína? Selenoneína? Selenium-yeast? Cada um destes tipos de selênio é absorvido, disponibilizado ao organismo e secretado de maneira diferente, em velocidades diferentes, portanto geram funções e reações diferentes nas células. Seja o boi ou a gente. Seria bom especificar.

4. Embora o músculo não seja um bom órgão de “estoque” de selênio (fígado, cérebro, rins e testículo são os órgãos com maior quantidade de selênio no organismo), a reportagem afirma que as concentrações de selênio oferecidas ao gado foram tão altas que chegaram a aumentar a concentração do nutriente no músculo do gado. Para acontecer isso, possivelmente o selênio no gado estava em níveis considerados tóxicos. O que, se você só se preocupa com a qualidade da carne e não com a qualidade de vida do boi, pode não ser um problema… Mas eu pessoalmente fico um pouco incomodada com isso.

5. O mecanismo bioquímico pelo qual o selênio influencia a diminuição da produção de colesterol via queda de atividade da HMG-CoA reductase, enzima responsável pela síntese de colesterol, ainda não é conhecido. Sabe-se que deficiência de glutationa em ratos não altera triglicerídeos nem colesterol no sangue. Medir glutationa reduzida e oxidada não é suficiente para confirmar nem negar causa, precisa de um experimento mais aprofundado. É, no máximo, uma boa correlação. A sugestão de ser via ativação da glutationa peroxidase (GPx) é válida, mas lembrando que as estatinas, que inibem exatamente a HMG-CoA redutase, diminuem a quantidade de GPx, e diminuem o colesterol do mesmo jeito. E aí, mais ou menos GPx na célula que é bom para o colesterol?

(Nem vou entrar no mérito de qual isoforma do GPx estamos falando… nem que camundongos com muito GPx1 são obesos, com hiperglicemia e têm resistência à insulina…)

5. Misturar vitamina E e selênio em altas concentrações na mesma suplementacão (ou separados…) ainda é motivo de MUITA discussão entre os estudiosos. Em estudos clínicos com humanos, essa mistura não foi muito bem sucedida… de novo: tudo dependerá da biodisponibilidade de ambos os compostos.

6. Anteriormente foi demonstrado que selênio dado ao gado não aumentava a estabilidade oxidativa da carne. Esperando pra ler a discussão do dado de oxidação da carne medido por TBARS comentado no artigo da Fapesp em contraste com o artigo acima citado.

7. Talvez a frase que mais se discutiu no último congresso de selênio que fui em Berlim foi: “selênio é um antioxidante”. O que é um antioxidante? As definições são as mais variáveis possíveis, e por isso, há um grupo significativo de selenólogos que abomina esta frase. Alguns sugeriram inclusive abolir essa caracterização do selênio, por ser extremamente generalista – há selenoproteínas que não são “antioxidantes”, há compostos de selênio sem ação antioxidante. E por aí vai.

8. O consumo da carne enriquecida com selênio de um animal com menos colesterol não foi demonstradao eficiente (ainda) para diminuir o colesterol em humanos idosos, como o próprio artigo cita lá no finalzinho – os resultados dos exames de colesterol dos idosos ainda estão sendo analisados. Apesar de toda a forçação lógica sugerida no início do artigo, que induz à conclusão falaciosa de “mais selênio = menos colesterol”. A resposta simples é: ainda não sabemos.

9. Entretanto, o artigo afirma que os níveis plasmáticos de selênio e vitamina E nestes mesmos idosos já tinha aumentado. Aqui, vale perguntar: em que forma o selênio está nesses indivíduos? Selenoalbumina (como a maior parte da selenometionina é incorporada)? Selenoproteína P (mais disponível para uso biológico direto na célula)? Incorporada ao GPx3 plasmático? Esta é uma questão importante principalmente para avaliar a suplementação como benéfica ou não à saúde humana.

10. “Em países desenvolvidos, já existe esse tipo de produto.” Sim, e nestes países, estudos robustos, com milhares de indivíduos e medindo e comparando as concentrações no solo em diversas regiões do país, demonstraram níveis de selênio deficitários na população, um dado que costumeiramente reflete a deficiência no solo. Podemos afirmar o mesmo da população brasileira? Achei esse estudo feito com 193 brasileiros dizendo que há uma certa deficiência na população de São Paulo comparada ao norte do país – o solo rico em selênio em partes da Amazônia e a presença da castanha-do-pará, riquíssima em selênio, na dieta, contribuem para tal dado. Se alguém achar outros artigos, por favor deixem link nos comentários, que eu adorarei ler, mesmo.

11. Selênio tem inúmeros benefícios. Mas a quantidade necessária para uma boa saúde varia muito pouco, em torno de 55 microgramas por dia. Facilmente a carne enriquecida pode alcançar o efeito oposto na população: supranutrição de selênio. O que é causa para outras preocupações, como diabetes.

12. Deficiência e subnutrição são coisas diferentes. Deficiência de selênio é uma patologia nutricional bastante rara – em partes da China, Finlândia e Nova Zelândia, apenas. O que existe em geral é subnutrição de selênio, ou seja, consumo abaixo da média. Os efeitos da deficiência de selênio são conhecidos há décadas; da subnutrição, ainda tem muito chão de pesquisa científica para se percorrer para entender. Mas há pistas: correlação com certos cânceres e com problemas tiroideanos em humanos, por exemplo.

13. Estes estudos de enriquecimento do leite e da carne de bovinos por meio de suplementação, não são tããão pioneiros, né… menos, pessoal.

14. Ditas estas considerações, é muito provável que algumas pessoas terão, sim, benefícios à sua saúde ingerindo carne enriquecida com selênio e vitamina E, e isso faz valer a pesquisa. Mas é preciso que fique claro que alguns critérios para que este benefício à saúde exista terão que ser investigados individualmente, ANTES do consumo liberado. Principalmente, identificar populações que se beneficiariam mais daquelas que poderiam sofrer danos à saúde a longo-prazo.

Acho que é isto que eu tinha para comentar.

Tudo de selênio sempre.

BerlimFesta15

Estive em setembro/outubro do ano passado em Berlim, para um congresso de minha área de pesquisa. Apesar de ser uma viagem a negócios, aproveitei para tirar uns dias de férias e curtir minha cidade preferida da Europa. E para fazer uma viagem de volta às muitas memórias que tive, desde aquele longínquo dezembro/1997, quando a deixei pela última vez.

Morei em Potsdam em 1997, e, aos 22 anos, fiz de Berlim meu quintal de festas e passeios. Todo fim de semana, quando não pegava o Wochenende ticket e ia para uma cidade qualquer da Alemanha, me via no trem S7 rumo a Berlim. Foi um período cheio de descobertas, aventuras e histórias, em que queria provar pra mim mesma que era capaz de viajar pelo mundo sozinha.

BerlimFesta16

Mas a Berlim de 1997 era ainda um grande canteiro de obras. Potsdamer Platz era apenas um buraco no chão, o início das fundações em ferro pra todo lado. O Reichstag em reformas. Hauptbahnhof era um canteiro de obras. Não havia o Memorial Aos Judeus Mortos na Europa perto do Brandenburger Tor. Prenzlauer Berg era pura vida alternativa mesmo, sem yuppies nem cafés a cada esquina, mas com diversas feiras e shows pirados de música experimental que ficaram na minha memória jovem. Bahnhof Zoo ainda tinha um leve resquício do mundo junkie da Christiane F, mas a sensação era de que aquilo não duraria muito mais. E o Bauhaus Archiv já estava lá, com sua torre colorida linda. Era uma Berlim pós-queda do muro, mas já com uma atmosfera de mudança e (muita) vanguarda aparecendo. Uma revolução social, cultural e econômica acontecia. A população parecia inquieta e animada com todo aquele movimento de revitalização.

BerlimFesta4

Então que quando soube que ia voltar a Berlim, tive que montar uma estratégia de visita para conseguir equilibrar: satisfazer minha memória afetiva e conhecer as novidades, ver no que a cidade se transformara 16 anos depois.

BerlimFesta2

O congresso era no Hotel Seminaris, um hotel 100% de business eleito ano passado o melhor hotel para convenções na Alemanha. O hotel fica em Dahlem, perto da estação Dahlem-dorf (U3), e apesar do certo “isolamento” do burburinho central de Berlim, bastava atravessar a rua para chegar no Museu Etnológico, que estava na minha lista para visitar – um amigo aqui no Havaí comentara sobre a impressionante coleção deles de arte e artefatos polinésios. Aproveitei uma tarde livre para visitar esta coleção – que na realidade inclui objetos melanésios e micronésios também, ou seja, um excelente geralzão das culturas do Pacífico, minha paixão mor.

BerlimFesta11

Durante o congresso, fizemos um passeio pelo lago Wannsee de barco, fomos ao Reichstag, tivemos um jantar de gala no Jardim Botânico de Berlim, andamos pela área Brandenburger Tor/Potsdamer Platz à noite, fomos a pubs em Neukölln, tudo acompanhada de um bando de selenólogos, sendo muitos moradores de Berlim, portanto, guias locais de tabela. Foi extremamente divertido.

BerlimFesta13

Quando o congresso terminou, resolvi que ficaria uns dias a mais em Berlim, para matar minhas saudades da cidade. Nesta extensão da estadia, decidi ficar hospedada em Prenzlauer Berg, bem perto  das minhas memórias. Foi uma decisão mais que acertada. O hotel ficava perto da estação Prenzlauer Allee de S-bahn e da linha de bonde – ou seja, estava super-bem-conectada ao sistema de transporte público.

BerlimFesta10

Como a Berlin Art Week começava naquela semana na cidade, fui na sua abertura um dia à noite, numa festa-exposição de arte num prédio-abandonado-convertido-a-galeria (conceito super-chavão de Berlin!) da Auguststrasse. A festa foi fantástica, com lounges, DJs, arte em impressora 3D, muitas idéias deliciosas e vanguardísticas a todo vapor. Eu amo arte contemporânea, e aquele ambiente todo de respirar a contemporaneidade plástica me fez um bem danado.

BerlimFesta21

Também fui rever o famoso muro – na realidade ver a galeria de arte a céu aberto que ele se tornara. Ter vivido em Berlim me deu um pouco de “imunidade” viajante para não precisar fazer os lerês tradicionais, e deixei pra lá ver o muro na Bernauerstrasse e fui en passant ao Checkpoint Charlie, mas como as transformações e a arte não param na cidade, visitar a Galeria do Leste na Mühlenstrasse foi uma boa desculpa para rever o muro em si com mais calma e apreciação.

BerlimFesta12

Visitei também o Dalí Museum, pertíssimo de Potsdamer Platz, na Leipzigerstrasse. Gostei bastante do museu, cheio de desenhos e trabalhos “comerciais” de Salvador Dalí. As capas mais absurdas de revistas, os folhetos mais surreais possíveis e imagináveis. E ainda: um vídeo sensacional de animação de Dalí em parceria com Walt Disney. Inesquecível.

Fui também (re)visitar o famoso Aquário de Berlin, um dos primeiros do mundo (de 1913) – e definitivamente o primeiro do mundo a ter uma área “aberta” de visitação (na realidade uma estufa), onde ficava a suposta região tropical, com jacarés e pássaros do calor. Hoje, depois de ter visitado tantos aquários pelo mundo, posso dizer que o de Berlin é okzinho. Tem algumas espécies interessantes e de valor educacional único, mas a qualidade dos tanques e da organização das espécies fica muito a desejar. Mas vale pelo peso histórico, e principalmente por seus vitrais coloridos com peixes e animais marinhos desenhados, vitrais estes que foram escondidos durante os bombardeios da Segunda Guerra, e voltaram intactos à estrutura na época da Guerra Fria, sem nenhum dano (para fotos melhores dos vitrais, aqui). Valem o ingresso, sem dúvida.

BerlimFesta19

Neste período pós-congresso, tirei um dia também para visitar Potsdam, onde vivi. Refiz meus passos, peguei o S-7 e da Potsdam Hauptbahnhof, o mesmo ônibus 695, passei pelo prédio onde morava, desci para ver os palácios Sanssouci, Orangerie e Neues Palais, por onde cruzei tantas vezes de bicicleta. Foi emocionante. Depois andei pelo calçadão de Potsdam, onde tomei tantos gelattos com minhas amigas de laboratório. Achei uma loja de bijuterias maravilhosa (na realidade uma franquia de Berlin), e sentei num café para admirar e absorver o quanto a cidade ainda era a mesma, apesar dos 16 anos que me separaram dela. Uma delícia total.

BerlimFesta9

Daí saí de Berlin e fui rodar por outros pontos da Europa (Itália & Portugal), mas teria que voltar a Berlin pro meu vôo de volta ao Havaí. Planejei ficar neste terceiro momento em outra área da cidade. E como queria deixar a visita ao Bauhaus Archiv por último – é meu “pequeno museu” preferido do mundo! – resolvi que queria ficar a uma distância à pé do museu, para ir quantas vezes quisesse. Fiquei no ótimo hotel Berlin, Berlin, a um quarteirão do Bauhaus. É o hotel em que os funcionários da Air Berlin ficam quando em conexão pela cidade. Valeu muito a escolha, porque tive acesso a Bauhaus do jeito que eu queria: quando sentisse vontade. Ver a torre colorida da janela do hotel… ah!!!

BerlimFesta6

Já era outubro, e as folhas começavam a amarelar. O frio característico também já começara a dar sua cara. Apesar deste empecilho significativo, era o feriado da reunificação e uma mega-festa no Brandenburger Tor acontecia – aos moldes das inúmeras festas, festivais e shows que fui no mesmo ponto em 1997. Não podia perder mais essa viagem à memória afetiva.

BerlimFesta22

Não me decepcionei. Era uma mega-rave, com shows de DJs e bandas eletrônicas, shows pirotécnicos e várias barraquinhas de comidas e bebidas tradicionais de rua, muita animação apesar do frio de quase zero. Uma roda gigante iluminava o Siegesäulle, o ponto onde os anjos de Wim Wenders moram.

BerlimFesta1

Além de todos estes passeios e festas, meu objetivo maior era andar à toa e sem rumo pelas ruas de Berlin. Objetivo alcançado! Fiz isso inúmeras vezes, parei para cafés, sem lenço nem documento pelas esquinas da cidade. Respirando e absorvendo cada cheiro, cada gole de Berliner Weisse (grüne, immer), cada visual novo ou velho que a cidade exalava/emitia/emanava. Foi a volta dos corações que nunca foram embora, a re-realização de um sonho que dormiu por 16 anos e descobriu, deliciosamente, que era o melhor dos sonhos, aquele que chamamos de realidade.

Obrigada, Berlim, por cada momento maravilhoso neste outono da sua re-redescoberta em 2013.

BerlimFesta20

Tudo de Berlin sempre.

BerlimFesta7

2014 de amor

É tanta coisa pra comentar sobre estas últimas semanas que não sei por onde começar. Mas começo pelo começo, para citar o óbvio: 2013 foi um ano em que eu pisquei o olho, e puft! ele acabou. Fui meio que atropelada pelo ano, simples assim.

Voou muito. Talvez porque eu mal tenha tido tempo pra respirar, com inúmeras atividades na agenda. Ou porque as prioridades mudaram, e ainda estou me ajustando a esta nova ordem. Ou porque as decisões cruciais foram muitas, a maioria carregadas de complexidades e multilateralidades, na vibe tudoaomesmotempoagora.

Por isso, tudo que eu desejo neste 2014 é relax. E um pouco mais de organização da minha parte na agenda, para que eu possa dedicar algumas horas às brincadeiras dos bytes e ao blog. Que aliás, vai ganhar uma bela novidade em breve; stay tuned.

Por isso a foto da Sexta Sub de hoje. O cardume de peixes formando um coração. (Alguém já disse antes, mas não custa enfatizar: all we need is love.) Organização e amor, num mar azul de tranquilidade, de inúmeras descobertas surpreendentes.

E pessoas acima de tudo, se divertindo e curtindo e descobrindo e redescobrindo e se empolgando e arriscando e aprendendo e vivendo; tudo de bom, sempre.

Esta praia virtual está aberta para os mergulhos de 2014, pessoal! E que venham as boas ondas!

The Pipe
A onda de Pipe no dia dos mestres.

No último sábado, 14 de dezembro, ocorreu o campeonato Billabong Pipe Masters 2013 In Memory of Andy Irons, em Pipeline, North Shore de Oahu. Na praia, mais de 10.000 pessoas pararam para admirar os grandes mestres do surfe na água. E que dia para o surfe, camaradas!

The crowd

Muita emoção na água, pois as ondas de 20 pés estavam as mais perfeitas possíveis, com tubos cristalinos lindos. No céu azul infinito, um sol lindo de morrer. E na areia, a galera mais animada e antenada de surfe, cheia de vibração a cada onda bem pegada.

E, com tanta perfeição rolando, o campeonato não poderia ser mais emocionante, com 3 vencedores no mesmo dia.

Mick-Fanning-2013

Mick Fanning (foto acima) logo no começo da manhã foi declarado por pontuação geral o campeão mundial de surfe em 2013. O Pipe Masters em si foi vencido por ninguém menos que o rei do surfe, Kelly Slater – aliás, de acordo com muitos, a onda suada e genial de Slater na final ofuscou totalmente a vitória de Mick Fanning. Mas o campeonato Pipe Masters é a última “jóia” da coroa do surfe, o Triple Crown, composta de 3 campeonatos no North Shore havaiano. E quem levou a coroa do Vans Triple Crown foi o cotadíssimo novatíssimo (21 anos!) queridíssimo John-John Florence, na final contra Slater que já entrou para a história do surfe.

John-John-Florence
Guardem esse nome: John-John Florence. Ele ainda vai brilhar.

Para mim, que adoro surfe e ondas e praia, foi uma tarde inesquecível. Mais incrível ainda porque estávamos André e eu na companhia dos mais que queridos Mau & Oscar. Compensou muito acordar às 5 da matina e fazer o caminho mais ninja pro North Shore para evitar o trânsito, aguentar o sol e o calor na areia com milhares de pessoas, rir muito da animação e viagem na maionese da galera (excelente oportunidade de people watching); afinal o show e a festa do surfe na praia mais badalada do esporte foram simplesmente ALUCINANTES.

Tudo de surfe sempre.

Por que eu amo Honolulu

Esta semana, esbarrei em diversos links que afirmam, reafirmam, confirmam e auto-afirmam como a cidade de Honolulu, na ilha de Oahu, é super-hiper-ultra-über-legal. Compartilho aqui pros que querem se inspirar a vir me visitar um dia. Aconselho muito – mas sou suspeita, claro. :)

O primeiro link veio das peripécias de canyoning de um grupo pequeno de aventureiros pelas montanhas do Ko’olau (que circunda Honolulu) e de Waianae. Fotos sensacionais de cachoeiras permanentes e temporárias exploradas de uma maneira totalmente diferente, nas trilhas mais absurdas e escondidas da ilha, podem ser vistas no post do Unreal Hawaii, com fotos do Kitt Turner. Sensacional é pouco.

O segundo link veio da National Geographic Traveler, que fez uma galeria de fotos de Honolulu muito cativante, com diversos passeios, lugares e atividades que empolgam na cidade. Muita coisa turística, como tomar maitais no Duke’s, mas uma das fotos mostra a vista da Tantalus Drive, meu mirante predileto em Oahu – e que recentemente ganhou um balanço fofíssimo do projeto urbano-artístico #OahuSwingProject. (Veja fotos dos balancinhos aqui.) O projeto, organizado pelo ArtTruckHawaii, espalhou balanços por diversos pontos da ilha de Oahu, e pistas para as pessoas acharem os mesmos. Clima de gincana com paisagem de cinema. <3

O terceiro link – e mais suspeito… – veio da revista Honolulu Magazine (ahá!), que fez uma lista – dessas que a gente a-do-r-a discordar e discutir e acrescentar outros itens – das razões pelas quais a gente, que mora aqui, AMA Honolulu. Eu amei o #12: “Because no shirts, no shoes, no problem”, uma filosofia de vida e felicidade para mim.

E sério, baseado neste último link, resolvi incluir mais uns itens nessa lista – ou melhor dizendo, fazer a minha própria lista: por que eu amo Honolulu.

(P.S.: Essa é uma lista poliana. Claro que a cidade tem problemas também, e eu serei a primeira a apontá-los sem dó nem piedade. Mas hoje só vou listar as coisas boas, ok? A parte complicada da história fica pra outro dia…)

**************************

AmoHonolulu1

Honolulu vista do Tantalus Drive.

 

POR QUE EU AMO HONOLULU

1. Porque fica numa ilha (#islomaniacfeelings), e o mar ao redor está sempre aberto a atividades diversas, e a qualquer dia e hora, posso pegar meu snorkel e ir ver peixes coloridos, ou águas-vivas, ou tubarões, sem preocupações com visibilidade na água. Fora as tartarugas, que estão quase sempre presentes… Fora os naufrágios a menos de 5 minutos da costa

2. Porque em um snorkel corriqueiro num recife de coral eu vejo mais diversidade de peixes que em muitos lugares do planeta.

AmoHonolulu5

3. A cidade é uma metrópole, tem tudo que você precisa de uma cidade grande, mas tem a vibe de cidade pequena de praia – todo mundo sorrindo pra você, te cumprimentando e conversando como se conhecessem há gerações. Aliás, as pessoas são simpáticas e prestativas – pelo menos, nunca tive do que reclamar.

4. A cidade é atlética por natureza. Vá às 5 da tarde em Ala Moana Park ou Kapiolani Park e confira todo mundo correndo, jogando bola ou se exercitando. Ou então, olhe para a água e veja o número de surfistas, SUP’istas, canoístas e outros istas não-artistas. Todo dia, chova ou faça sol. É animador, todo mundo praticando atividades outdoor, já fico com vontade imediata de fazer exercício.

AmoHonolulu9

5. As pessoas são simpáticas. Muito. E solidárias. Sempre sorridentes, vão além do possível para te agradar. A mistura populacional de japoneses super-educados, filipinos improvisadores, polinésios desencanados e amantes da natureza, portugueses musicais, e americanos eficientes gerou esse melting pot que a gente vê nas ruas. As pessoas que moram aqui são muito tranquilas, o bom humor predomina e tudo é muito relax. Aloha spirit total.

6. A possibilidade de ver uma foca-monge havaiana é alta – outro dia mesmo estava em Sandy Beach tomando sol e nem percebi que uma estava na areia. Quando levantei pra ir na água, levei o maior susto com o mamífero jogado na areia descansando! Como bióloga, ver bichos ameaçados de extinção assim, tão facilmente, me enchem o coração de amor. <3

7. …e às vezes é a foca quem tropeça em você.

AmoHonolulu8

8. Chinelos everywhere. Só ando de chinelo. Como tenho que trabalhar de sapato fechado, deixo um par de tênis no trabalho – assim como a maioria dos meus colegas de trabalho também fazem. Mas já saio do lab de chinelo. Tenho chinelo de praia, chinelo de festa, chinelo de trabalho, chinelo de dar uma volta domingo à tarde, chinelo da night… sempre chinelo. Adoro!

9. Os fogos do Aloha Friday, toda sexta-feira às 7:45pm, pra indicar o início do fim de semana. Me sinto morando na Disney, com o plus da praia.

10. Os piqueniques em Magic Island pra ver os fogos do Aloha Friday, ou aos domingos, para curtir o dia na praia.

11. Porque até alerta de tsunami vira festa com violão.

12. Poke, poke, poke. Melhor modo de comer peixe. Ever. (Barato. Informal. Imbatível.)

AmoHonolulu10

13. Dirigindo com aloha: apesar de sempre ter um ser do limbo que não seja paciente, em geral dirigir no Hawaii é muito tranquilo, porque os motoristas tendem a ser educados e pacientes, cedendo o lugar e a vez pro seu carro. E, para agradecer, ainda fazem o shaka (que a gente chama de hang loose).

AmoHonolulu11

14. A língua havaiana misturada do dia-a-dia. Pau hana com pupus. Ser akamai. Descontos para kama’aina. Por favor, kokua com os keikis e os kupunas. Moro mauka. O laboratório fica makai. Mahalo. A hui hou. Tudo lindo – ou melhor, tudo aloha.

15. Kaka’ako, o bairro onde trabalho e que promete ser a sensação de Honolulu daqui a uns 5 anos (os planos são bem ambiciosos), hoje é uma galeria de grafite a céu aberto, com os artistas havaianos soltando a criatividade, e restaurantes estrelados que começam a pipocar. Adoro essa atmosfera de mudança positiva.

AmoHonolulu3

16. Ar limpo. Estar no meio do Pacífico, longe dos grandes focos geradores de poluição e com uma densidade urbana relativamente pequena, colabora para que o Havaí tenha uma ótima qualidade de ar comparado com a maior parte das cidades do mundo. Apenas nos dias de vog (1 vez por mês, mais ou menos), a cidade fica um pouco menos respirável – mas eu até relevo, porque sei que o vog é a indicação de que temos um vulcão ativo ali pertinho, a uma hora de vôo… (#lavajunkie). Mas em geral, a clareza ríspida com que vemos o horizonte é, para mim, um ótimo sinal de saúde. Para uma asmática como eu, isso sim é o paraíso. [respira fundo]

17. Estacionamento de prancha de surfe no meio da rua, que outro lugar do mundo tem? E prédios que anunciam: “2 vagas para carros na garagem e 2 vagas de prancha”?

AmoHonolulu4

18. Cansei da urbanidade nagô? Então dirijo 15-30 minutos e escolho uma praia “deserta” preferida do dia, pra leste ou pra oeste. Ou pro norte.

19. Cansei do clima hippie-surf-chinelo havaiana-woodstock? Quero me sentir numa urbe de verdade? Vou ver o jazz no The Dragon Upstairs ou no Jazz Minds Art & Café. Ou ver um concerto da Hawaii Symphony Orchestra no Blaisdell Center. Ou uma peça no Hawaii Theatre. Ou visitar as galerias de arte do downtown. Ou visitar o Honolulu Museum of Art, com sua coleção notável de arte asiática – e sua filial no Tantalus, o Spalding House, com arte contemporânea. Ou comer numa das dezenas de restaurantes estrelados. Ou (para quem gosta) fazer compras nas lojas badaladas de sempre. A cidade não é uma NY ou Londres, claro, mas tem bastante pra se entreter se você não curte o estilo outdoor.

20. Cansei do clima praia, mas não quero voltar pra cidade, quero continuar em contato com a natureza? Vou ali então fazer uma caminhada pelo Manoa Falls. Uma trilha no meio da floresta que termina numa cachoeira. Ah!

21. Tantalus Drive, uma floresta tropical bem grande dentro da cidade na encosta de um morro, com vista pro mar. Onde podemos respirar o verde e sentir o friozinho de mais cachoeiras. E nós cariocas achando que éramos os únicos com esse privilégio…

22. Free wifi. Na cidade. Graças aos diversos hot zones espalhados pela prefeitura no projeto Kokua. Em 2011, a cidade foi eleita a mais digital dos EUA.

AmoHonolulu2

23. Os diferentes pontos para se ver o pôr-do-sol, todos lindos e de emocionar. Ala Moana. Diamond Head Lighthouse. Magic Island. Hawaii Kai. Kewalo Park. Waikiki. Kaimana Beach. Punchbowl Crater. Tantalus Park. Top of Waikiki. Ala Wai Harbor. Kuhio Beach. Ko’olina. Kaena point. Duke’s tomando maitai. Escolha o seu e se embasbaque.

24. Ah, e se o horizonte estiver limpo, sem nuvens e sem poluição, a chance de ver no momento do pôr-do-sol o green flash, raro fenômeno óptico, é maior. O Hawaii é um dos melhores lugares do mundo para se ver o green flash.

AmoHonolulu6

25. Falando de fenômenos ópticos… arco-íris. De novembro a março, praticamente todos os dias; no resto do ano sempre que chove fino. E como chove quase todo dia nos vales, essa garoinha deliciosa gostosa com um sol lindo, é só olhar pras montanhas e eis os arco-íris. Singles, duplos e já vi um triplo. Totalmente emocionante. É o estado do arco-íris, e o desenho está inclusive nas placas dos carros por ser tão comum de se ver.

26. “Eu moro onde você passa férias” é um bom lema para se escolher uma cidade para viver, pelo menos para mim. É uma sensação deliciosa andar pelas ruas e ver as pessoas curtindo a cidade, sempre de bom humor e encantadas, um clima leve e sorridente no ar. E eu adoro brincar de turista, ir nos points onde eles estão, interagir com as pessoas. Então, fica aquela sensação como se eu estivesse também de férias, e cada vez que vou a Waikiki ou a Hanauma Bay dou uma descansada extra nos neurônios.

AmoHonolulu7

****************************

Eu poderia ficar aqui listando mais uns 100 motivos pelo menos, mas vou só cansar todo mundo e ser ainda mais malla. :D

Então deixo o desafio: QUAL O SEU MOTIVO PARA AMAR HONOLULU? 

Tudo de bom sempre.

*************

- Ah, a foto da Sexta Sub láááá em cima do post? Sou eu nadando em Waikiki, em frente a Rainbow Tower do Hilton. :)

 

Mandarinfish Malapascua

Apesar da tragédia filipina, uma das lições da vida que devemos encarar é que a vida segue, e fica-se então com um olho na reconstrução e outro na rotina. Fiquei muito triste com tudo, e para finalizar essa semana, queria deixar para vocês hoje um exemplo da diversidade filipina debaixo d’água, tão linda e inspiradora. Sobre o super-tímido peixe-mandarim da foto, eu comentei antes aqui no blog. Este aí estava à noite em Malapascua, perto do Lighthouse, um point de mergulho pertíssimo da costa e repleto de animais incríveis. A mesma Malapascua que foi arrasada pelo Haiyan. Como será que os recifes de corais de lá estão? :/

Simbolicamente, com tantas cores, o peixe-mandarim me faz lembrar o sorriso sincero filipino. E sinceramente, todas as cores e corações serão necessárias para ajudar a cicatrizar este sorriso.

E para vocês, meus amig@s, mesmo sem sofrer tantas dores e provavelmente com cicatrizes bem diferentes, fica também, na figura do peixe-mandarim, meu sincero desejo de um mundo de cores, sempre.

Haiyan
Foto: NOAA

Na última sexta-feira, as Filipinas sofreram um dos maiores desastres naturais da história recente. O super-tufão Haiyan (Yolanda, para os filipinos), um dos mais fortes já registrados, fez landfall em Tacloban, cidade costeira da ilha de Leyte. Antes de fazer landfall nas Filipinas, Hayian passou por cima de Palau, um dos países mais naturalmente lindíssimos do mundo – o superlativo aqui não é à toa. Por combinação das condições do mar local, Haiyan ainda chegou ao Vietnã forte o suficiente para causar estragos significativos. Tudo isso é uma tristeza só, e me deixa de coração muito apertado.

Tenho um carinho muito grande pelas Filipinas. Não é um país fácil, extremamente religioso, muito arraigado a diversas tradições das quais não compartilho. Com problemas ambientais consideráveis. E muito pobre economicamente, fruto de mazelas políticas e consequência da desigualdade sem fim. Mas também um país muito cheio de vida, de uma diversidade marinha assustadora, de uma riqueza submersa que deixa a gente sem palavras. E principalmente, um país rico de recursos humanos, onde as pessoas são mestres do improviso, muito criativas na solução de problemas do dia-a-dia, e onde elas abrem seu coração e seu sorriso com a mesma facilidade com que tomam suco de calamansi. Um país onde a gente aprende a cada olhar.

Malapascua3

Por seu calor humano e criatividade evidentes, apelidei os filipinos carinhosamente de “brasileiros da Ásia”. Foram estas características tão especiais que me deixaram marcas, e que me fazem hoje ficar de coração apertado com o choro engasgado, pensando no quanto estas pessoas estão sofrendo. Elas me ofereceram tanto nas vezes que fomos lá. Me deram uma hospitalidade inesperada, uma sensação de tranquilidade e paz, de sorriso aberto verdadeiro, sem interesses, cheio de curiosidade. O povo filipino fez a diferença nas viagens que fizemos para lá.

Malapascua4
Malapascua, quando lá estive.

Me sinto profundamente compelida a retribuir de alguma forma a essas pessoas tão calorosas. Afinal, foi nas Filipinas que vivi momentos fenomenais em cima e embaixo d’água. Apo Island e Malapascua, lugares para voltar mais um milhão de vezes, para mergulhar até dizer chega. Uma das minhas ilhas favoritas do mundo está lá, Malapascua, minúscula, tema do meu primeiro post neste blog em 2004, e onde tive a oportunidade de nadar com o tubarão mais incrível do mundo, o tubarão-raposa (thresher shark, Alopias vulpinus). Malapascua do relax total, das estrelas e do luar lindo, dos peixes-mandarim e da diversidade incrível de nudibrânquios, do happy hour no bar flutuante e do tempo sem pressa. Malapascua dos problemas com a pesca desenfreada, com a corrupção local, do povo humilde sofrido que agora sofre ainda mais.

Malapascua estava na rota direta do olho do tufão. Teve ventos de mais de 250km/h e ondas gigantescas, numa praia que normalmente é uma piscina. A ilha foi bastante afetada, muitas construções destruídas, mas felizmente nenhuma fatalidade. Mas este não é o mesmo caso de outros pontos de Leyte ou Cebu, ou outras das centenas de ilhas que estão ali no mar de Visayas. Tacloban foi praticamente toda destruída. O número oficial fala em mais de 1000 mortos, mas acredita-se que este número chegará rapidamente a dezenas de milhares.

Malapascua Haiyan3
Vista aérea de Malapascua depois da passagem do Haiyan. Foto: Edmund Porter, no Facebook. 

Por irônica coincidência, ontem, 11 de novembro, começou em Varsóvia a COP19, a 19ª sessão da Conferência da ONU para discutir Mudanças Climáticas. Mais uma tentativa provavelmente frustrada de engajar os países em fazer algo urgente pelo clima. Frente a Haiyan, um dos maiores desastres climáticos já sofridos pelo seu país, o representante filipino fez um discurso emocionante:

Não vou entrar aqui na discussão sobre os efeitos das mudanças climáticas na intensificação de tufões e furacões. Gente muito mais competente e embasada vem discutindo há décadas sobre isso, com conclusões científicas bem pertinentes.

O que eu quero deixar aqui neste post é todo meu amor às Filipinas neste momento, meus sinceros sentimentos às inúmeras famílias que sofrem, sem comida ou água, por conta da devastação causada pelo Haiyan. A tragédia humana, perdas sem precedentes. Independente de quem ou o que causou, o que se precisa agora é arregaçar as mangas e começar a reconstrução das cidades e da sociedade. O imediato fala mais alto.

Se você quiser ajudar, o Guardian trouxe uma lista muito útil de links de instituições idôneas que estão aceitando doações para ajudar as Filipinas. Um amigo também me enviou o link do Médicos Sem Fronteiras, que já está na região ajudando no que é possível e que também aceita doações. E há uma angariação de fundos direto para Malapascua, organizada pela principal operadora de mergulho da ilha, a Thresher Shark Divers. Para que a ilha reconstrua sua estrutura básica, e volte a ser o pequeno paraíso escondido de tantos.

Malapascua2

O povo filipino é muito resiliente, e sei que sairão dessa – com cicatrizes, mas sairão. Afinal, não são novatos nos desastres naturais. Mas, enquanto a situação de emergência ainda prevalece, acho que não custa a gente que não pode estar lá, ajudar da forma que for possível.

Todo amor às Filipinas nesse momento duro e triste. :(

*******************

P.S.: Uma das cenas mais impressionantes que já vi embaixo d’água foi num mergulho em Dumaguete, quando avistei uma árvore seca completamente coberta por corais, esponjas e outros invertebrados. A árvore foi parar a 20 metros de profundidade depois de um tufão que passou pela região, arrancou-a de algum ponto no litoral e desejou-a no mar com toda força. Virou um “recife artificial-natural”. Para mim, foi um emocionante simbolismo da incrível resiliência e superação que predominam nas Filipinas desde sempre.

UPDATE: O jornal SunStar de Cebu postou esse vídeo, com uma tomada aérea de Malapascua depois do Haiyan. Muito triste. :(

Página 2 de 14612345...Última »