boyhood-poster

Um menino cresce e vira adolescente.

Com esse roteiro ultra-hiper-super simplista e rotineiro, o super-diretor Richard Linklater conseguiu construir talvez a maior obra-prima do cinema recente. O filme “Boyhood” é uma genial celebração desta simplicidade – que é paradoxalmente tão complexa, tão cheia de meandros, altos e baixos – chamada… vida.

Boyhood” conta a história de Mason, um garoto de 6 anos que vive com a mãe e a irmã em uma cidade do Texas. Ao fim do filme, Mason tem 18 anos e está prestes a começar a faculdade. Durante o filme, acompanhamos o processo de crescimento/mudança de Mason – e dos demais integrantes da família. Apesar do foco em Mason, “Boyhood” está longe de refletir apenas na vida dele. Facilmente poderíamos incluir um subtítulo como “Motherhood, Fatherhood, Sisterhood”. Aliás, são os conflitos, desafios, reflexões, celebrações e constatações de cada membro desta família que observamos na tela, e que, carregados de uma realidade tão visceral quanto encantadora, nos conectam mais e mais ao filme. Somos, fomos ou seremos Mason em nossas vidas.

Ellar Coltrane - 12 years

Interpretado por Ellar Coltrane, Mason é um personagem fictício. Entretanto, parte da genialidade do filme passa pela forma como Linklater elaborou a narrativa desta ficção. Ao invés de mostrar saltos temporais, o filme foi filmado em 12 anos, uns poucos dias a cada ano, abrindo caminho para uma “ficção realista” inédita no cinema americano. Em 12 anos, passamos gradativamente pelas várias etapas de vida de Mason. Acompanhamos suas mudanças físicas, psicológicas e sociais a cada ano, com uma sensação de vivência e convivência com o personagem muito próxima – porque todos já vimos alguém crescer e amadurecer de perto. Aqui, o background de família americana classe média é uma aleatoriedade, e a passagem do tempo está nos detalhes, não nos rituais de passagem pré-estabelecidos na nossa sociedade. O que realmente é enfatizado no filme é o processo de crescimento/amadurecimento, as topadas que a gente vai levando da vida, e como a gente se levanta delas, dá risadas e sai caminhando. Não há certo ou errado em momento algum, porque cada contexto é único; há o viver, acima de tudo.

O trunfo maior (e audácia) da estratégia de Linklater foram a manutenção de Ellar Coltrane pelos 12 anos do projeto e a escolha do período – a adolescência é o período de maiores transformações em nossas vidas, sem dúvida. Um projeto com esse nível de elaboração e incerteza não é banal, e o próprio Linklater afirmou em entrevista que os obstáculos eram inacreditáveis, a começar pelo fato de que os atores não poderiam ter um contrato de trabalho (nos EUA, contratos de serviço pessoais podem ser feitos no máximo por 7 anos). O fato de que, apesar dos obstáculos, Linklater e sua equipe persistiram e o filme foi feito é uma prova da determinação deste diretor, talvez o maior cronista cinematográfico sobre as questões de passagem do tempo na vida moderna.

Sou fãzaça de Ethan Hawke, e ele brilha no papel de pai de Mason. Patricia Arquette, a mãe, também está sensacional, num papel que merece pelo menos indicação ao Oscar. A irmã, interpretada por Lorelei Linklater, faz um bom trabalho, correto. Vemos os três amadurecendo durante o filme, e há diversas cenas sensacionais, com diálogos ultra-realistas. O filme é contado de uma maneira muito leve, mas a simplicidade da cinematografia ficcional de Linklater é tão exacerbada que somos confrontados ao final com uma realidade dura e crua, das mais complexas e filosóficas que todos enfrentamos nas nossas vidas diárias, ao elaborar a passagem do tempo: It’s always right now.” 

Poucas vezes saí do cinema com a sensação de ter visto algo tão radical, tão filosófico, tão corajoso, tão audacioso, tão belo, tão complexo na sua extrema simplicidade. “Boyhood” é mais que filme pra Oscar: é filme histórico, obra-prima do cinema realista, para ver e rever, enquanto a gente contempla, reflete, aprende e inspira a magia da realidade nas nossas próprias vidas. Enquanto a gente vive.

Tudo de cinema sempre.

Boyhood cast and Linklater
A equipe de Boyhood: Ethan Hawke, Ellar Coltrane, Lorelei Linklater, Patricia Arquette e o diretor Richard Linklater, em Sundance.

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P.S.: Richard Linklater já dirigiu clássicos da narrativa cotidiana cinematográfica, como “Slacker” e a melhor trilogia sobre o amor de todos os tempos, “Before” – o Rafael arrasou na análise desta trilogia, leiam lá

P.S. 2: Para se divertir, dá uma olhada na hashtag #BoyhoodYourself no facebook/ instagram/ twitter… :D

*As imagens deste post vieram dos sites e redes sociais oficiais do filme ou da IFC Films.

Postado em 21/09/2014 por em Arte, Cinema

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Uma das dúvidas mais comuns que as pessoas me perguntam sobre o Havaí é sobre participar ou não de um luau havaiano. A pergunta é super-pertinente, já que ir a um típico luau custa em média 100 dólares por pessoa – ou seja, é um (cof, cof) investimento (cof, cof) significativo de viagem. Este post é minha tentativa de responder a essa pergunta de maneira completa, e assim, ajudar quem precisar a tomar esta decisão fundamental de viagem.

Primeiro de tudo, já deixo logo minha opinião: para quem visita o Havaí, acho válido ir a um luau.

Vamos aos detalhes desta opinião malla…

Uma das coisas que percebi depois de responder centenas de emails de perguntas sobre luaus é que os brasileiros em geral têm uma idéia muito romântica do luau havaiano. Acho que por causa dos filmes do Elvis, ou talvez da cultura de praia tão forte que o Brasil tem, a maioria esmagadora acha que luau havaiano é uma festinha intimista na praia, com rodinha de violão e dança hula, ao redor de uma fogueira.

E… NADA pode ser mais diferente de um luau havaiano que isso!

Comecemos pelo significado da palavra luau em havaiano (escreve-se lū’au), que está no dicionário wehewehe:

1. Parte apical do inhame jovem, especialmente cozido com creme de côco e galinha, ou polvo. 

2. Banquete havaiano, chamado assim por servir inhame. 

Portanto, absolutamente qualquer festinha que tenha inhame (!!!) pode ser chamada… luau. Claro, a definição do dicionário já foi há muito alterada pelo uso corrente, e hoje definimos luau como “uma festa havaiana na praia”. Mas nem esta definição está 100% correta: um luau não precisa ser necessariamente na praia, e já fui aqui em Oahu em luaus beeeem roots dentro do vale, bem longe da praia.
Quando falamos hoje em “ir a um luau”, no Havaí do turismo isto significa ir a um show de cultura polinésia com música onde será oferecido um jantar. Na maioria das vezes o show é ao ar livre, mas pode acontecer também em anfiteatros cobertos. Eu costumo explicar essa diferença para as pessoas, mas ainda assim, muitas se decepcionam, porque esperavam algo mais intimista – e um luau comercial não é nada intimista. Pense num show de tango em Buenos Aires ou nas mulatas do Sargentelli no Rio. O luau é um show estilo super-produção, feito para realçar a cultura das ilhas do Pacífico – e (tentar) agradar centenas de pessoas ao mesmo tempo. É uma experiência interessante, a gente toma uns maitais e outros drinks com frutas, janta uma comida havaiana beeeeem chavão (não é a mais típica das ilhas, acreditem), enquanto assiste a espetáculos de dança típica; enfim, se diverte. Mas eu sempre alerto: não vá com expectativas muito altas…

Todos os luaus oferecem pelo menos:

  • um colar típico havaiano (de conchas, sementes ou de flores, dependendo do pacote escolhido)
  • jantar “típico” havaiano, com porco cozido sob a terra (kalua pig cozido no imu), salmão lomi lomi (um tipo de vinagrete/ceviche feito com salmão), pão de inhame, peixe cozido, salada e poi (um purê de inhame de gosto beeem diferente…);
  • uma bebida alcoólica (pelo menos) de graça;
  • atividades de entretenimento relacionadas à cultura havaiana e/ou polinésia;
  • show de danças típicas polinésias, incluindo a dança do fogo.

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Chips de batata doce como petisco: frufru a mais de um dos luaus que visitei.

Há vários pacotes com preços variados que incluem outras amenidades e frufrus, mas no geral, a lista acima é o que você verá em todos os luaus. Todos os luaus aceitam crianças.

Para ajudar na escolha de que luau ir, dou abaixo minha opinião sobre os principais luaus de Oahu. Fui a todos eles pagando do meu próprio bolso, e deixo aqui minhas impressões de cada um deles.

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POLYNESIAN CULTURAL CENTER (PCC)

Minha nota: 8.5

Geralmente, é o luau que sugiro para quem tem interesse profundo em cultura polinésia ou para quem está hospedado no North Shore de Oahu. O luau acontece dentro de um parque temático sobre culturas do Pacífico (pense numa Disney da Polinésia), que possui “vilarejos” onde se ressaltam elementos e atividades relacionadas a cada uma das principais ilhas do Pacífico: Tonga, Marquesas, Samoa, Taiti, Nova Zelândia/Aotearoa (maoris), Fiji e Havaí. (Tem uma réplica de um moai da ilha de Páscoa num ponto, mas nenhuma atividade relacionada à cultura da ilha de Páscoa é conduzida nesta “vila”.) As atividades costumam ser bem interativas, algumas ótimas para crianças, como passeio de canoa, lançamento de dardos taitianos, preparo de comidas, show de tambores tonganos, danças maoris e fazer fogo a partir da casca do côco. Cada atividade tem um horário, e o PCC, para quem quer aproveitar tudo, requer um dia inteiro de visita.

(Parênteses: Perceba também que, apesar de chamar-se Centro Polinésio, a cultura de Fiji está mais para melanésia que polinésia – acho meio estranho colocá-la num mesmo balaio, mas não deixa de ser interessante a oportunidade de pelo menos ter um aperitivo desta cultura.)

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O luau em si do PCC (o “Ali’i Luau”) começa no meio da tarde. O PCC não fica na beira da praia, e, apesar de ter o jantar e as danças típicas do luau, este termina mais cedo que os demais, para que todos possam assistir ao espetáculo noturno de teatro “Hā: Breath of Life”.

Pense num espetáculo da Broadway, super-bem-produzido, sobre a cultura polinésia. Isso é o ““. De todas as apresentações tentando explicar a cultura polinésia que já vi, considero este espetáculo a melhor de todas. Além de ter uma historinha com fio da meada, o espetáculo mostra um pouco de cada ilha de maneira musical, com uma certa fluidez. E o grupo de dançarinos é muito bom!

Se você não tiver tempo para ir ao luau nem ligar para o jantar “havaiano”, mas quiser ver algo bem interessante sobre cultura polinésia, o “Hā” é a minha dica número 1.

O PCC fica em Lai’e, perto do North Shore. É bem afastado do burburinho de Honolulu, e com exceção de quem se hospeda pelo North Shore, a viagem até lá fica em pelo menos 1 hora. Saindo de Waikiki, você dirigirá pelo menos 1 hora e meia. O show termina tarde, portanto não vá sem arranjar um transporte para voltar. Como o PCC é mantido pela comunidade mórmon, fecha aos domingos.

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PARADISE COVE

Minha nota: 9.5

Este é o luau que, sendo comercial, mais se assemelha ao conceito brasileiro de luau. A área do Paradise Cove fica na beira de uma praia linda do lado oeste de Oahu, ao lado do resort Ihilani JW Marriott, no Ko ‘Olina (~1 hora de Waikiki). O luau é pé-na-areia, com ambientação cheia de tochas e flores. É o que eu recomendo para quem faz questão de que o luau seja na praia. Além da praia convidativa, o pôr-do-sol é dos mais lindos de Oahu.

Uma das atividades pré-show no Paradise Cove é um passeio de canoa havaiana tradicional por uma pequena baía, ao entardecer. O passeio é rapidíssimo, mas o visual do pôr do sol vale a viagem curta. Além desta atividade, você pode fazer tatuagens de henna, aprender a fazer colares de flores, tocar ukulele, jogar lanças ou apenas tirar fotos com pessoas vestidas no estilo polinésio. Numa das vezes que fui, era perto do Natal e a banda tocou no palco secundário músicas natalinas em ritmo havaiano e com dança hula, foi bem bonitinho. Os drinks são mais variados que nos demais luaus, e a comida parece um pouco melhor que a média. O grupo de dança polinésia é de excelente qualidade, e incorporam bem as diversas regiões do Pacífico em suas danças.

No Paradise Cove, cabem mais de 700 pessoas por luau, portanto está longe de ser um luau intimista. Mas, apesar de bastante comercial, esse é o luau onde eu costumo ver mais moradores locais misturados aos turistas, e todos meus amigos que moram no Havaí dizem preferi-lo. Também é meu luau preferido, quando quero mais é curtir o ambiente que a cultura polinésia em si.

Para quem está hospedado em Ko ‘Olina, o Paradise Cove fica a poucos minutos de caminhada. Para quem está em Waikiki, fica a ~1 hora de distância, vindo pela rodovia H-1 (se o trânsito colaborar) – o mapa que eles têm no site deles é bem explicadinho. Quem está no North Shore pode levar cerca de 40 minutos para chegar, vindo pela H-2 e pegando depois a H-1 sentido oeste. Quem compra a entrada do luau por um dos pacotes vendidos nos hotéis tem a opção de traslado até o Paradise Cove, que eu recomendo, porque assim você não se estressa com o trânsito. O ônibus do traslado sai entre 3:30 e 4pm de diversos hotéis em Waikiki.

(OBS.: Perdi todas as fotos do luau do Paradise Cove por um erro da ~máquina~ (entenda-se fotógrafa). Portanto, nenhuma das fotos que ilustra este post veio deste luau. )

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GERMAINE’S

Minha nota: 5.0

Dos luaus em Oahu, este é o que menos gosto. Mas por ser o mais barato (ou o que mais oferece promoções), em geral lota. E lota mesmo, já que o local tem capacidade para mais de 1000 pessoas sentadas, em mesões de madeira. Uma coisa interessante é que, para quem paga um pouco mais, há possibilidade de sentar no chão em esteiras, bem na frente do palco – e essa é a forma tradicional como os polinésios fazem as refeições (pontos para o cuidado com a cultura polinésia). Entretanto, tirando estas mesas “especiais”, a distribuição das mesas na chegada é bastante confusa, e pessoas que não se comunicam bem em inglês podem ter dificuldade em achar sua mesa rapidamente.

Os drinks também não são os melhores – o maitai era super-aguado -, e no dia em que fui o bar estava sempre lotado, com fila e poucos atendentes. A qualidade da comida também deixa a desejar, e a organização da fila do jantar me lembrou o bandejão da universidade. O espetáculo de dança não é tão bom quanto os demais e a banda é ok.

Também oferece uma série de atividades antes do show principal, mas achei tudo meio “largado”, entende?

A localização é outro problema a meu ver. O Germaine’s fica a 27 milhas de Waikiki, numa área mega-industrial de Oahu. Ao lado do espaço do luau, fica um porto de carga pesada (não é o porto de Honolulu que a gente vê perto do aeroporto, é outro). A praia em frente é ok, perto do Barbers Point Beach Park, mas há uma cerquinha impedindo as pessoas de andar nela. Porque se você andar um pouco para a esquerda na praia, verá um pouco da área degradada que ali existe – e ninguém quer mostrar isso ao turista, certo? O palco do luau também cobre bem a área industrial que fica logo atrás, portanto você pode aproveitar o luau inteiro sem nem perceber os arredores. (Acontece que eu moro aqui, e por conhecer a região não conseguia pensar em outra coisa enquanto estava no luau, infelizmente…)

Para chegar ao Germaine’s saindo de Waikiki, leva-se 45 minutos a 1 hora, e há um mapa no site deles. Mas recomendo optar pelo traslado, já que é uma região bem estranha.

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CHIEF’S LUAU

Minha nota: 7.0

É o luau comercial mais próximo de Waikiki, a cerca de meia hora de viagem. O local do luau é menor: ao lado do Sea Life Park, em Waimanalo (a entrada do luau é pelo Sea Life Park), numa área mais elevada, basicamente em um terreno gramado com mesas e cadeiras, e um galpão onde o jantar é servido. A vista do luau é linda: Rabbit Island está logo à frente, com aquelas cores maravilhosas do mar de Makapu’u. Atrás, as montanhas do Ko’olau, também estupendas de lindas. Em termos de paisagem dramática, esse é o luau mais interessante. Entretanto, não é pé-na-areia, e não tem pôr-do-sol no mar, porque o local do luau está do lado leste da ilha, e o sol se põe atrás das montanhas.

Em termos de ambientação do luau, tudo é muito simples. O palco é pequeno, as barraquinhas polinésias são modestas, as cadeiras são de plástico, e não há muito mais que isso. O Chief’s Luau tem uma sensação mais “caseira”, e essa sensação reflete o fato de que ele é gerenciado por uma família, e tem uma capacidade de lotação bem mais modesta que os demais – cerca de 400 pessoas. As comidas são ok, nada especial que você não verá nos demais luaus, e as bebidas são fracas. Não tem o famoso e tradicional ‘imu, já que eles não enterram o porco, mas cozinham sobre a terra, no chamado umu – uma tradição samoana, não havaiana. Com a entrada, você tem direito a um drink alcóolico gratuito e água ou fruit punch. E só.

Apesar de ser bem mais modesto, o fato de ser pequeno colabora com o espetáculo polinésio. O apresentador do show, Chief Sielu Avea, é sem dúvida a maior atração, já que ele faz um verdadeiro stand-up de cultura polinésia, inserindo muitas piadas. Enquanto os demais luaus se atém na representação fiel da cultura polinésia, o Chief’s Luau tenta o mesmo mas com uma pitada forte de humor. No final, acho que funciona, porque termina sendo um show “igual, mas diferente”.

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Porém, várias das apresentações, brincadeiras e interpretações fazem alusões não à cultura havaiana, mas à cultura samoana. Porque as pessoas que fazem o show são na verdade descendentes de samoanas. Eles comentam en passant sobre a cultura havaiana, mas o forte mesmo (inclusive na hora de ensinar palavras do vocabulário “local”!) é o samoano. Não deixa de ser interessante… Mas me incomodou um pouco imaginar que alguns turistas sairão dali pensando que “talofa” é uma palavra havaiana, quando não é – no alfabeto havaiano nem existe a letra F!

(Confesso que também me incomodou o viés cristão. Porque, ao atender o turista no Havaí, não se pode assumir que todos ali presentes sejam cristãos. As ilhas são visitadas por turistas de todas as religiões e não-religiões, e assumir que todos vão adorar a mesma doutrina é meio ingenuidade demais – ou arrogância demais. No dia em que fui, vi algumas famílias islãs e indianas um pouco incomodadas com o “rezar de mãos dadas para um deus cristão antes da refeição”. Acho que faltou um pouco de sensibilidade turística da parte dos administradores do luau.)

Mesmo assim, por não aspirar a ser um “grande luau” e ser um pouco mais aconchegante por conta do tamanho, o Chief’s Luau ainda é um bom luau. Não é o melhor, mas definitivamente ok, para quem nele se aventurar. Acontece apenas às segundas, quartas, sextas e domingos.

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LUAUS DE HOTÉIS

Minha nota: em média 8.0 (depende do hotel)

Esta categoria engloba todas as apresentações que os hotéis vendem como “luaus” em suas varandas, ou áreas próprias dentro dos hotéis para eventos e celebrações. Já fui em alguns, em Maui (o do Hyatt Regency) e na Big island (o do Kona Village Resort, hotel que fechou depois do tsunami de 2011 – contei desse luau neste post), e já vi de fora dois luaus de hotel aqui em Oahu, o do Hilton Hawaiian Village e o do Royal Hawaiian Hotel (o “Pink Hotel”), ambos em Waikiki. Estes luaus têm uma característica em comum: por terem uma capacidade de lotação bem menor que os luaus comerciais, a comida e os drinks tendem a ser beeeem melhores.

Muitos têm shows elaborados, como o do Hilton, enquanto outros são mais modestos com o show, como o do Hyatt em Maui. Independente do nível do show, eles apresentarão algumas das danças típicas de algumas ilhas do Pacífico, e oferecerão oportunidade para interação com a platéia, como nos demais luaus. A maioria destes luaus de hotel é de frente pra praia e tem um pôr-do-sol bonito – que são dois pontos do ambiance de luaus que tendo a valorizar.

(Para quem tem intenções adicionais de paquera, um luau comercial estilo Paradise Cove ou Germaine’s também oferece melhores oportunidades, digamos assim. ;) )

Os luaus de hotel costumam ser mais curtos, menos elaborados, e muitas vezes (bem) mais caros, mas também mais exclusivos. Se você não curte multidões e quer um luau mais intimista, talvez um luau de hotel seja uma boa escolha. Agora, se você quer uma experiência completa de luau, inclusive as pagações de mico engraçadas que viram boas histórias de viagem, sugiro ir a um comercial.

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O ‘imu sendo aberto.

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Há outros luaus, principalmente nas demais ilhas. Mas, como ainda não fui neles, prefiro não escrever nada. Assim que os visitar, vou atualizando o post, ok?

Espero ter ajudado com este mini-guia. E… tudo de Havaí – e hula – sempre. :)

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Mas… e vocês, foram a algum luau quando vieram ao Havaí? O que acharam? 

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Estamos na #SharkWeek 2014, e praticamente tudo na internet – ou melhor dizendo, na internet que eu sigo – se tornou mais tubaronesco desde ontem. Entretanto, às vezes tubaronices surgem, de recantos onde nunca se esperam. Talvez apenas para entrar no hype que o Discovery Channel mantém (que aliás, não é nem 20% da Shark Week atualmente, é só o botão de start para uma infinidade de discussões e conversas paralelas que rolam nessa semana), ou ganhar uns cliques a mais. Mas eu, como boa poliana que sou, prefiro acreditar que as pessoas estão realmente aos poucos acordando para a importância da conservação dos tubarões, para o quão biologicamente fenomenais esses animais são, cheios de mistérios que a ciência ainda não entende completamente, etc. Não é?

Um dos blogs que fez um inesperado twist foi o blog de viagem do Peter Greenberg. Ele fez uma lista de 5 viagens fenomenais para ver tubarões, o que para o blog de viagens super-profissionalizado dele é meio incomum. E eu curti a idéia e resolvi fazer a minha lista de 5 viagens que fiz emocionantes que envolveram… tubarões. Claro, nunca estive na África do Sul nem na ilha de Guadalupe, muito menos em Cocos Island, destinos primordiais para se ver tubarões, então esta não é uma lista definitiva – como nenhuma lista é, todos já sabemos, né?

Enfim, vão aí minhas top 5 experiências de viagem mais emocionantes envolvendo tubarões!

5) Ilhas Mamanucas, Fiji

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O que pôs essa viagem na minha lista foi a surpresa. Jamais esperaria que num passeio dos mais turísticos de Fiji a gente veria tantos tubarões. Eram tubarões galha-preta super-pequenos, fofíssimos, que nadavam ao redor dos recifes das ilhas Mamanucas. Mas, como eram pequenos e curiosos, chegavam muito perto, sem nem a gente perceber. A gente dava um mergulho para pular uma ondinha e… opa! Dava de cara com um tubarãozinho! E foi exatamente isso que me cativou ali: o relax surpreendente da situação toda, nada de adrenalina envolvida, completa tranquilidade. E o mais incrível: os tubarões surfavam nas marolinhas das ondas, já praticamente na areia. Sensacional!

4) Ilha de Malapascua, Filipinas

A “casa” do tubarão-raposa (Alopias vulpinus). Ou melhor, o “lavajato”, já que eles vão ali para serem limpos pelos peixinhos a 30 metros de profundidade. O tubarão-raposa tem uma nadadeira caudal enorme, que ele usa como se fosse um chicote para caçar suas presas. O mergulho com o tubarão-raposa é bem tranquilo, e é simplesmente emocionante demais quando você vê aquele animal enorme, com uma cauda quase maior que seu corpo. Inesquecível é pouco.

3) Isla Mujeres – Isla Holbox, México

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Todo ano, entre julho e setembro, a maior agregação de tubarões-baleia no mundo vai se alimentar a poucas milhas da costa de Isla Mujeres-Holbox, na Península de Yucatán, México. São mais de 300 tubarões-baleias, numa área não muito dispersa. Por ter se tornado um dos passeios de ecoturismo mais famosos da região, o evento vem sendo estudado a fundo por muitos pesquisadores – qual impacto para os tubarões-baleia de tantas pessoas na água? Tantos barcos? E as pessoas, o quanto esse contato contribui com a educação ambiental sobre a espécie? A experiência é realmente impressionante, você cai na água e não sabe pra onde olhar, tantos são os tubarões-baleia. Mas fica realmente a dúvida se a quantidade de barcos e de gente não precisa de uma regulamentação maior…

2) North Shore de Oahu, Havaí

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Tecnicamente, não é bem uma viagem para mim, já que eu moro em Oahu, então eles estão ali, praticamente no quintal de casa. Mas continua sendo uma “viagem” no melhor sentido da palavra filosófica – acho que toda experiência dentro de uma gaiola te faz pensar um pouco menos antropocentricamente, não? Pelo menos é assim que me sinto ao ver mais de 30 tubarões-de-Galápagos (Carcharhinus galapagensis), circulando ao redor da gaiola, e nadando a poucas milhas das praias mais surfadas do planeta – vale ressaltar que já foi mostrado cientificamente que a presença deles ali não é preocupante. E confesso: me dá um conforto no coração saber que eles estão ali perto a qualquer hora e dia, para quem quiser vê-los. Um bom sinal de (ainda) boa saúde do ecossistema local, talvez…

1) Beqa Lagoon, Fiji

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O melhor mergulho com tubarões do mundo. Pela quantidade de espécies vistas, pela emoção, pela observação do comportamento animal, por ser o mais ecoturisticamente correto possível… em tudo, um mergulho perfeito, com uma interação perfeita com os tubarões. E ponto final. :D

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E não podia deixar de viajar um pouco, né? Seguem as MINHAS TOP 5 VIAGENS DOS SONHOS COM TUBARÕES:

5) Cocos Island, Costa Rica

Um lugar onde os tubarões-martelo nadam em cardumes enormes, de centenas. Quem não quer?

4) Cidade do Cabo e Durban, África do Sul

Dois points clássicos para ver o tubarão branco. Ainda chegarei lá um dia…

3) Fakarava, Polinésia Francesa

A área é considerada uma reserva da biosfera pela UNESCO, e a quantidade de tubarões é supostamente inacreditável. Pra eu retirar o “supostamente” da frase, entretanto, vale a lei de São Tomé: só vendo pra crer. :P

2) Ilha de Guadalupe, México

Melhor point do mundo para ver tubarões branco. Precisa de mais?

1) Groenlândia (ou na Islândia…)

Na realidade, um destes sonhos impossíveis, porque ver um tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalusjá é uma raridade enorme, imagina mergulhar com um. Sem falar na temperatura da água ártica nos pontos onde ele vive… Esta viagem fica no sonho, apenas, mas que seria lindo ver um tubarão desses nadando lentamente… ah, seria!

E vocês, também sonham com viagens para ver tubarões? :)

Tudo de tubarão sempre.

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P.S.: Falando em Shark Week, minha amiga Christie está organizando uma festa na casa dela nesta quinta-feira para ver um dos programas da #SharkWeek do Discovery, cujo tema serão os tubarões do Havaí – estarei na festa junto a um monte de cientistas de verdade de tubarões. Será no mínimo interessante ouvir o que eles têm pra comentar… Christie é uma fervorosa crítica da forma como o Discovery Channel mostra os tubarões sem cuidados com sua ciência (no que, aliás, concordo muito com ela…) e vai live-tweet o programa. Pros que curtem ciência de verdade sobre tubarões, não deixem de acompanhar!

OOOEEEAAAA!!

Que mês, meus amigos. Que mês! Coração vibrando, sorrindo e se emocionando todos os dias, nessa que foi sem dúvida a melhor Copa dos últimos tempos. A Copa das Copas.

E nesse junho/julho, muitos acontecimentos ao redor do campo de futebol – e fora dele. Como fiz em 2010, listo aqui os meus momentos favoritos e memórias mais marcantes desta histórica Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

OOOOEEEAAAA

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Você precisa vir para a Copa.” Levei uns minutos – na verdade, alguns dias – para assimilar a informação e o pedido tão especial, para ajudar como tradutora as intermediações do clube de futebol com a seleção da Austrália durante o pré-mundial. Era fevereiro. Não muito tempo depois, estava eu de passagens compradas. Para a Copa do Mundo do Brasil!

No ar, naquele momento em fevereiro, reinava um clima generalizado de “Não vai ter Copa”. E eu, apaixonada que sou por futebol e por Copas do Mundo, fiquei entre a cruz e a espada, entendendo e apoiando muitas das lutas travadas nas ruas, mas láááá no fundinho, sabendo absolutamente que nunca-jamais-ever me ausentaria de ver os jogos da Copa do Mundo, nem que fosse pela TV. O tempo passa para mim de quatro em quatro anos, quando as Copas acontecem – sou daquelas que falam, “ah, me casei no ano da Copa da Alemanha…” ou “Me formei depois do tetracampeonato…” Mas, confesso que até a véspera da minha viagem ainda pairava um certo incômodo, de que talvez estivesse indo para uma grande roubada.

Bastou eu pisar no Brasil para perceber o quanto estava errada.

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A rotina com os “Socceroos” em Vitória (ES) foi inesquecível. Das experiências mais deliciosas e emocionantes da minha vida. Carregarei comigo esta doce memória, de 2 semanas em que vi e vivi de perto os bastidores de uma seleção de Copa. As conversas incríveis e hilárias com os jornalistas australianos, o happy hour com a seleção da Austrália, os treinos, as coletivas de imprensa… Talvez aqueles que se envolvem com futebol com mais frequência ou que trabalhem no ramo de publicidade/jornalismo e afins, que lidem mais com a mídia, estejam acostumados a essa rotina, e possam ser mais blasé. Mas para mim, que tenho uma carreira completamente diferente do futebol, focada num laboratório de pesquisa biomédica, e que quase nunca participo ativamente de nenhum circo de eventos, foi um ambiente novo e fascinante, uma grande chance de aprender e vivenciar uma linguagem e um mundo totalmente fora da minha zona de conforto. Encantamento é a melhor definição do que senti. Oportunidade de ouro também para sentir-me uma estrangeira – e em terras brasileiras, o que é irônico. Em muitos momentos, entretanto, foi como se estivesse sendo levada de volta à infância, quando o futebol era muito mais presente na minha vida. Ali, naqueles dias antes da Copa começar, eu já vivia a minha Copa das Copas.

(E tudo isso acontecendo na minha cidade querida, e eu ali, ao lado de uma das pessoas que mais amo na vida, meu pai. Haja coração!)

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Num domingo, antes da Copa começar, 3000 crianças das escolas públicas da Grande Vitória foram assistir ao treino australiano. Mais os prefeitos de Vitória e de Cariacica, onde fica o estádio da Desportiva Ferroviária, “casa” da Austrália nesse período. A gritaria da criançada, a empolgação dos jogadores, a festa a cada volta que o time dava no campo… emoção atrás de emoção. Os repórteres australianos não acreditavam que o time deles, longe de ser favorito, atraía tanta atenção e calor para um público tão especial. Tudo organizado de maneira linda! O time da Austrália adorou a estadia em Vitória, passearam e postaram diversas fotos no instagram das idas à praia, dos cafés, e dos diversos momentos incríveis que viveram nesta Copa. Apesar de não terem ido muito longe na Copa, a honra de defender um país e de participar da Copa no país do futebol… todos os jogadores descreviam isso como o momento mais importante de suas vidas. Não é pra menos.

#GoSocceroos

A mensagem da mídia social australiana aos “super-fãs”.

Na maior parte do tempo com a seleção Socceroo, tive pouco contato direto com os jogadores. Durante o evento de happy hour, troquei algumas palavras com Adam Taggart, camisa 9 de Perth, e com Ben Halloran – que proporcionou uma das primeiras (das muitas…) ótimas histórias dessa Copa, ao postar uma foto de uma aranha enorme dentro do seu quarto de hotel. Durante as coletivas, cada dia um ou dois jogadores apareciam para falar com os jornalistas – e esse era o momento em que eu captava uma pitada da personalidade de verdade de cada um. Quando as câmeras e os microfones desligavam ou não estavam direcionadas a eles, os jogadores relaxavam um pouco mais com o pessoal ao redor, conversavam e riam, falavam das namoradas, dos torneios de ping-pong no hotel, de Vitória, das amenidades da vida além-futebol.

E foi durante esses momentos mais relax que me toquei do óbvio ululante – mas que muitas vezes a gente esquece quando comenta sobre futebol: esses jogadores são uns meninos. São super-jovens, 20 e poucos anos, praticamente recém-saídos da adolescência, cheios de gás e vontade de brilhar, mas com aquele olhar ainda assustado de quem está virando adulto “na marra”, no palco do mundo esportivo. (Você se lembra de quando tinha 20 e poucos anos, suas inseguranças e “certezas”? Pois.) Há uma certa beleza poética nessa constatação, de que uma Copa, assim como a vida, é construída dessa mistura de experiência adulta com ingenuidade persistente, encarando juntos um desafio. Nos mais velhos, a gente sente o quanto tentam dar o exemplo aos mais novos, quando falam e comentam com muito mais cautela qualquer tópico, inclusive suas amenidades.

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O mais experiente jogador australiano era, sem dúvida, o goleador Tim Cahill. Numa das coletivas, fiquei cara a cara com o ídolo Socceroo, autor de um dos gols mais lindos da Copa, e de um dos grandes memes no twitter/instagram, o #timcahilling, que começou no fatídico jogo Brasil x Alemanha. Tim é inacreditavelmente centrado, muito pé no chão e sem estrelismo algum. Super-entusiasmado, conversava com todos derramando sorrisos, daquelas pessoas que olham nos seus olhos, sempre. Meu breve encontro com ele em frente das câmeras ficou registrado nas páginas do jornal da cidade. Timidamente, sorri.

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Mas meu maior contato mesmo foi com a equipe australiana que veio na carona da seleção: jornalistas, fotógrafos, o analista de mídia social (hi, Mason!), os membros da Federação Australiana de Futebol. Foi com estes que interagi mais no pré-Copa, tentando garantir a eles o amparo logístico nos pequenos detalhes. Ria muito das diversas histórias que eles viviam em Vitória – se tem um grupo que realmente curtiu e aproveitou a cidade, sem concentração nem abdicação da cerveja, foram os jornalistas australianos. Haja happy hour na Praia do Canto…

A Austrália teve uma performance fraca na Copa. Lutaram muito, mas controle de bola ainda é uma característica que eles precisam aperfeiçoar – e uma das laterais do time deles rivaliza com a nossa Avenida Daniel Alves, o grande legado brasileiro da Copa. Mas, apesar das falhas em campo, os australianos saíram com a cabeça erguida, cheios de orgulho, depois de darem uma canseira nos holandeses.

Para mim, a simpatia dos Socceroos e seu entourage treinando no campo da Desportiva Ferroviária foi a memória mais querida e emocionante da minha Copa. Obrigada, equipe especialíssima da Desportiva! E obrigada, Austrália! :)

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Jogadores australianos nas fotos: Tommy Oar, Adam Taggart, Tim Cahill, James Troisi, Ben Halloran, Mark Milligan, Mark Brescianno, James Holland, Matt McKay, Mitch Langerak, Mathew Leckie e Mile Jedinak.

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(E, em Vitória, ainda fui na inauguração do reformado estádio Kléber Andrade, com suas cadeiras à Mondrian, que me deixaram toda derretida… foi onde a seleção de Camarões treinou no pré-Copa.)

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Assisti aos primeiros jogos da Copa em casa, com meus pais. Ver o Brasil x Croácia ao lado deles, torcendo de camisa canarinho, já valeu toda a Copa para mim, e se a Copa acabasse ali, no primeiro jogo, já teria sido a melhor Copa ever.

Entretanto, já de volta aos EUA, passei a assistir aos jogos colada em duas telas: a da TV e a da Arena Twitter, como apelidamos a festa que rolava nesta mídia social. Mais que opiniões, o twitter permitiu a amplificação da zueira futebolística a nível mundial.

Foram incontáveis memes, frases e fotos engraçadas. Vesti meu avatar de verde e amarelo, e caí na farra, metralhando RTs a cada jogo, garantindo várias rodadas de risadas. Mesmo nos jogos que não pude assistir, acompanhei a zueira no twitter – que ela sim, importava. A magnânima sensação de que o boteco virtual existe, onde estamos todos sentados ao redor de uma mesa gigante em conversa alta com os amigos, teclados em punho, e onde a saideira é sempre na próxima rodada de memes. Sensacional!

E foi muita irreverência acumulada. Muito coração na mão a cada quase-gol, muita torcida sem confusão nem briga; muitos-muitos gols, muito futebol, muito Impedimento, muito juiz que não vê, muitos goleiros-muralhas; muito Podolski brasileiro, muita mordida do Suaréz, muito 5×1 e muito 7×1, muita Fonte Nova, muito Klinsmann, muita Costa Rica, muito Herrera pulando, muito James Rodriguez, muito Van Persie vanpersiando, muita cambalhota do Klose, muita dancinha da Colômbia, muito spray do juiz; muito hino à capela, muito choro, muita vértebra, muito Fred Cone e elefante marinho; muita FIFA Fan Fest, muitos insetos gigantes, muitas reportagens gringas reconhecendo a #MelhorCopa, muitos torcedores de todas as nacionalidades pelas ruas do Brasil, muita interação, muitos fogos, muito Fuleco, muita tapioca, churrasco e feijoada, muito Maracanã, muito calor (muito calor!) humano, muita brazuca. E tudo MUITO BRAZUCA.

Na língua do futebol, a babel onde todas as demais línguas se encontram.

Foi simplesmente LINDO. Parabéns, Brasil por ter feito a #CopaDasCopas de todos nós.

Brazuca
Foto por Ian Walton (Getty Images), na galeria oficial da FIFA.

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Na minha lista de 5 gols mais bonitos e inesquecíveis da Copa 2014, estão:

5. Robben (HOL), contra a Espanha;

4. Götze (ALE), contra a Argentina, o gol da final da Copa;

3. Tim Cahill (AUS), contra a Holanda;

2. James Rodriguez (COL), contra o Uruguai;

1. Van Persie (HOL), contra a Espanha, a cabeçada maravilhosa que virou verbo: vanpersear.

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Para uma lista de causos impagáveis da Copa, esse post do Impedimento não falha.

Para um resumo ótimo da Copa, este vídeo compila bem. Ou essa lista que já traz saudade. Ou esse slideshow de 90 segundos do The Guardian.

Para alguns dos milhares de melhores memes, aqui.

(E, depois da fama do polvo Paul em 2010, houve nesta Copa a invasão zoológica de animais que “previam” os resultados dos jogos da Copa. Praticamente todas as categorias taxonômicas do mundo animal viraram videntes, de nematodo a canguru, passando por camelo, tartaruga marinha, piranha, panda… a zueira não teve mesmo limites!)

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Em 11 de junho, antes da abertura da Copa, publiquei no facebook – aquela mídia social onde todas as informações vão pra morrer – um “disclosure”, listando os times para os quais torceria durante a Copa 2014. Eram eles, na ordem: 1) Brasil; 2) Alemanha; 3) EUA; 4) Austrália.

Minhas razões eram simples. A Austrália por simpatia recente, pela convivência com o time no pré-Copa, que me conquistou, mesmo sabendo que o futebol deles deixa ainda muito a desejar; os EUA por ser o time da minha casa atual, e pelo sentimento de “torcer pra time pequeno” que eles ainda proporcionam – sentimento este que tem tudo para desaparecer no futuro próximo; o Brasil porque sou brasileira, é o primeiro time do coração mesmo, com nosso estilo de futebol apimentado único, cheio de gingado, apaixonante; e a Alemanha porque eu também amo o estilo de jogar futebol deles, afiado, técnico sem ser maçante, totalmente oposto ao brasileiro e tão apaixonante quanto. Desde que morei lá em 1997, aprendi a admirar a admiração do povo alemão pelo bom futebol. De todos esses times, a Alemanha sem dúvida foi o futebol que mais me conquistou de verdade, e enquanto os outros são torcidas meio serendipiosas, a Alemanha é quase uma torcida “do coração”.

Então que quando se confirmou que Brasil e Alemanha jogariam na semi-final, meu coração gelou. Estava dividida. No final, obviamente vesti a camisa verde-amarelo, porque minha brasileirice falou mais alto – mas lá no fundinho, a Alemanha assobiava e dava piscadinhas. Enquanto cantava o hino do Bahia em Santo André.

#MelhorCopa

Foi bacana perceber que o brasileiro aos poucos desvincula o alemão do esterótipo simplista “frio, calculista e sem graça”. Aliás, no passado, quando comentava com minha família o quanto os alemães eram legais, animados e super-divertidos, cansei de receber olhares enviezados, como se estivesse dizendo uma asneira gigante. É claro, há pessoas bacanas e idiotas em todas as culturas, mas numa média geral, o alemão médio é muito amigável, caloroso, e muitos momentos excepcionais da minha vida foram passados em terras germânicas, com amigos alemães que me cativaram pela amizade sincera.

Aí veio o Mineirazo. E todos sabemos o restante da história, consequência do deprimente placar de 7 x 1. Pessoas mais entendidas da escrita futebolística já desopilaram e destrincharam todos os problemas e erros que aconteceram e decorreram dessa derrota, e quem sou eu para acrescentar algo a essa análise. Mas fiquei realmente triste, pela ferida aberta do futebol brasileiro ali, exposta e infeccionada, em 90 dos mais doloridos minutos do futebol. Parecia que me encontrava num universo paralelo, tamanha surrealidade do placar – ironicamente, o paradoxo do delírio patológico mais se escancarava justamente pelo tamanho gigantesco da racionalidade do time adversário, de futebol extremamente reality-based, science-based. Apesar da tristeza, aquele jogo em si, valeu a Copa. Por dar um banho de realidade ao nosso futebol. Espero que melhoras fundamentais profundas se instaurem no país do futebol. Esse seria, afinal, um bom legado da Copa ao Brasil.

Depois da derrota brasileira, torcer pra Alemanha virou instintivo para mim. O time que escolheu o sul da Bahia para concentrar, que se integrou à cultura local, aos costumes e ao povo da região, que deu verdadeiras aulas de mídia social e de relações públicas em todas as demais seleções, que dançou com os índios brasileiros (esse grupo tão esquecido e desprezado pelo brasileiro médio), que sorria e brincava, que tem o jogador estrangeiro mais brasileiro de toda a Copa, que mostrou em campo um futebol preciso, racional e extremamente divertido, alegre de se ver, que nos fez ter saudade do futebol brasileiro mais solto de uns anos atrás, que nos respeitou e nos empolgou acima de tudo, a cada movimento. O time que trouxe análise científica com muitas pitadas de sorrisos largos ao futebol. Como não abraçá-los e torcer para eles?

O tetracampeonato no Maracanã, o templo máximo do futebol, foi a consagração final dos anos de trabalho futebolístico da equipe alemã. Mas também foi o triunfo do futebol alegre de se ver, sem papagaiações, estrelismos ou truculência. O triunfo de um time, de verdade, na concepção mais profunda da palavra TIME. Um jogo bonito, de verdade.

Alemanha e a Copa
Foto por Lars Baron (Getty Images), via FIFA.

A Copa 2014 teve muito (MUITO!) Götze (GÖTZE!), muito Lahm, muito Schweinsteiger, muito Mülller, muito Mertesecker, muito Kroos, muito Özil, muito Hummels, muito Boateng, muito Khedira, muito Schürrle, muito Kramer, muito Mustafi. Muito, muito Neuer. Muito, muito Miroslav Klose e seus 16 gols em Copa. Muito Joachim Löw. Muito, um exagero de muito, de Podolski, brasileiro com muito orgulho. E MUITA MUITA MUITA ALEMANHA.

Parabéns, Alemanha! #aneurerseite

E que venha 2018, na Rússia! :)

Tudo de futebol sempre.

E… OOOOOEEEAAAAA!!!!

Cristo Redentor sol
Para finalizar a Copa das Copas, uma imagem de ouro da TV… :)

Então que eu caí de paraquedas num post do Quatro Cantos do Mundo via o blog da Sut-Mie, de uma blogagem coletiva estilo lista – que eu adoro – organizada pelo grupo de Viagem em Família do Facebook. Eu não faço parte desse grupo, mas resolvi lustrar minha cara de pau e me auto-convidar, participando da blogagem. Afinal, fazer lista de viagem é comigo mesma!!! :D

(A Patrícia já tinha publicado uma lista dessas com as minhas vontades viajantes, replicada daqui. Apesar de ainda querer ir para alguns dos pontos citados à época, as paixões mudam – ou se reforçam, como o <3 Kamchatka <3. Percebi também que nenhuma das viagens que listei em 2005 se realizou ainda – e talvez eu já previsse isso com o título do post… E a lista só cresce…)

Minha lista de hoje, para quem me conhece, é super-previsível. Reflete minha paixão pelo ambiente, minha urgência em tempos de aquecimento global e minha curiosidade de bióloga. E ilhas tropicais, né?

Vapt-vupt, meus top 5 destinos mais desejados do momento.

1) Península do Kamchatka

No extremo leste da Rússia, fica essa península cheia de vulcões ativos, ursos e um costão de cinema. Não consigo pensar em outra viagem que desejo mais que essa no momento. Mas tem que ser no verão, quando a temperatura permite que se façam caminhadas, que se mergulhe no mar e quando os animais não estão hibernando.

Kamchatka - Igor Shpilenok 2

Kamchatka - Igor Shpilenok

Fotos do premiado fotógrafo de natureza Igor Shpilenok, que mora no Kamchatka.

2) Namíbia

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A Costa do Esqueleto, em foto de Andy Biggs, vencedora da categoria “Wild Places” do Wildlife Photographer of the Year 2008.

Eternamente quero conhecer a Namíbia. Um velho sonho de adolescência, que ainda está lá, na categoria “a ser realizado”. Mas não quero que seja uma viagem de poucos dias – quero passar pelo menos um mês por lá. Andar pelas dunas vermelhas, pela Costa do Esqueleto, ver todas as tribos e a vegetação característica: me dá arrepio de felicidade só de pensar!

3) Ilha de Socotra

Esta ilha do Iêmen tem rondado meus sonhos nos últimos meses. E a razão é simples: as bizarrices biológicas únicas que existem por lá. Mergulhar em Socotra deve ser lindo, andar pelas trilhas de lá mais lindo ainda, e ver todas aquelas plantas estranhas… aaaaaaaahhhh!!!

Socotra - November 08

Foto de Anna Pchelintseva, no Socotra Island.

4) Tuvalu

Ainda não consegui ir a Tuvalu, uma das ilhas que mais me atrai no Pacífico. Um atol fadado ao desaparecimento, infelizmente, o que torna a ida até lá mais crucial ainda. Será um dos primeiros pontos do mundo a ser drasticamente afetado pelo aumento do nível dos mares. Sinto um aperto no coração só de pensar nisso… :/

Tuvalu
Foto de Shuuichi Endou.

5) Parque Nacional Marinho de Papahanaumokuakea

Papahanaumokuakea14
Foto da foca-monge havaiana embaixo d’água por James Watt, super-fotógrafo que faleceu em 2007.

É “pertinho” de onde moro – são a continuação à noroeste das ilhas havaianas. Quero ir para ver as colônias de filhotes de focas-monge havaianas, para mergulhar com os inúmeros tubarões, e ver alguns dos vários naufrágios esquecidos por ali – incluindo um reportado num documentário que vi recentemente super-interessante, “Lightining strikes twice”, sobre a descoberta sub do segundo naufrágio causado pelo mesmo capitão inspirador da história do “Moby Dick”. Entretanto, por ser uma reserva marinha federal super-protegida, o acesso a Papahanaumokuakea é apenas para pesquisadores e militares. Ou seja, a probabilidade de eu ir é muito baixa. Mas… sonhar não custa nada, né? Quem sabe…

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Tudo de sonhos sempre. :)

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UPDATE: Lista dos blogs que participaram desta brincadeira:

1 – Quatro Cantos do Mundo (Eder Rezende)

2 – Diário de Viagem (Adriana Pasello)

3 – Viajando com Pimpolhos (Sut-Mie Guibert)

4 – Para a Disney e Além (Carlos Augusto Monteiro)

5 – Os Caminhantes (Márcia Tanikawa)

6 – Viajar hei (Patricia Longo Tayão)

7 – Trilhas e Cantos (Liliane Inglez)

8 – Viagens que Sonhamos (Francine Agnoletto)

9 – Viagem Massa (Elaine Castro)

10 – Fomos Juntos: De Malas Prontas! (Cássia Virgens)

11 – Dicas da Rege (Regeane Nicaretta)

12 – Dias Viajando por Aí (Cristiane Martins)

13 – Do RS para o Mundo (Andrea Barros)

14 – Viajar é tudo de bom (Flávia Peixoto)

15 – Colagem (Luciana Misura)

16 – Mosaicos do Sul (Claudia Bins)

17 – Mando um Postal (Camila Marquim)

18 – Viagem com Gêmeos (Erica Piros Kovacs)

19 – Andreza Dica e Indica Disney (Andreza Trivillin)

20 – Our Whole Village (Patricia Monahan)

21 – Malas e Panelas (Andrea e Luciano)

22 – Viajando em Família (Débora Galizia)

23 – MãeMimi (Bella Gonzaga)

24 – Oxente Menina (Ana Luiza Fragoso)

25 – Coisas de Mãe (Patricia Papp)

26 – Uma Malla Pelo Mundo (Lucia Malla)

27 – Matheus Viajando (Matheus)

 

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O melhor aquário do mundo.

Eu havia dado este título em 2007 ao Aquário de Monterey, realmente um dos melhores que tinha visto até então. Os motivos, expliquei lá no post antigo. Mas tive que rever meus conceitos em outubro passado, quando fui a Portugal e visitei o Oceanário de Lisboa, o maior aquário da Europa.

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(Como nunca fui ao Georgia Aquarium, em Atlanta, o maior aquário do mundo e considerado por muitos também o melhor do mundo, este meu ranking pessoal pode ainda mudar muito. Mas, como vocês lerão abaixo, acho muito difícil Atlanta conseguir superar a perfeição filosófica que o Oceanário conseguiu… Ficarei na curiosidade.)

O Oceanário de Lisboa explicita logo na entrada a base da sua filosofia educativa: um só oceano - no sentido de que a separação que existe entre oceanos Pacífico, Índico, Atlântico etc., ser uma nomenclatura artificial, geográfica, fruto principalmente da nossa vontade de organizar o mundo.

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Sabemos que o que acontece em uma região do planeta termina afetando as demais, mas por causa das distâncias geográficas e da existência de nichos, talvez fique mais difícil entender essa interconectividade, que determina a importância da conservação de todos os oceanos ao mesmo tempo. Nesse sentido, o Oceanário faz um trabalho exemplar em visualizar essa conexão.

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Mas aí você passa da bilheteria, e à medida que vai descendo a rampa em direção ao prédio principal do aquário, frases e estatísticas sobre os oceanos do mundo aparecem estampadas no teto, para você entrar no clima. E você chega no primeiro hall do aquário e… UAU.

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Ali mesmo, chorei de emoção, ao ver aquele tanque gigantesco, de 5000 metros cúbicos, 7 metros de profundidade, cheio de espécies de tubarão, peixes pelágicos em cardumes, um mola-mola lindo demais, e esta frase da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen estampada na parede:

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Sophia era uma poetisa do mar, e nada mais condizente que pontuar o Oceanário de Lisboa com as homenagens que esta portuguesa fez à sua paixão azul. Em cada tanque ou área de contemplação ao redor do tanque principal, um verso de poesia engrandecendo o mar. Lindíssimo e emocionante.

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O tanque central do Oceanário é sem dúvida sua atração principal. Sua enormidade dá a dimensão do oceano, um azul “infinito” cheio de vida. Mas o que realmente chama a atenção, nessa tentativa constante de nos fazer entender o conceito de “um só mar”, é o fato de que as áreas de visitação dedicadas a cada um dos “oceanos” – nessa nossa divisão geográfica arbitrária e artificial – são todas ao redor do tanque central, e o fundo de cada um dos tanques representativos destas áreas ser um vidro/acrílico transparente. Para complementar melhor ainda, por todo o aquário, há uma trilha sonora, característica do mar ou da região que se está representando no tanque visitado. O que isso possiblita é a multisensorialidade do que é o “mar”, a imensidão contínua de tons azuis, sons tranquilizadores e infinitude.

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Mas mais que isso, essa forma inteligente de estruturar o aquário permite mais uma sacada filosófico-educativa fenomenal: a integração dos oceanos. Você está na parte do Oceano Índico tropical, por exemplo, mas láááá no fundo, “vê” os animais do tanque do Antártico – e de repente você entende que no mundo de verdade também é assim: tudo um oceano só. E essa conexão visual permite solidificar mais ainda a mensagem de integração dos oceanos do planeta. Olha, fico arrepiada só de lembrar e pensar nessa maravilha.

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Mas aí você continua a visita, e percebe que, mesmo os tanques que estão de alguma forma desconectados do tanque central – como o de linguados e de águas-vivas – estão dispostos de maneira criativa, inovadora dentre os aquários do mundo. (Os linguados estão num tanque horizontal, e você os vê de cima, por exemplo.)

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Nas esquinas do tanque principal, a profundidade alcançada pela conexão dos diversos andares do prédio permite que a representação do ecossistema marinho escolhido seja completa, das profundezas aos costões.

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Por exemplo, no tanque do Pacífico Temperado vemos desde as lontras e aves que habitam os rochedos da Califórnia na área terrestre, passando pelas espécies de anêmonas das piscinas de maré, e chegando até a base das florestas de kelp gigante, com seus peixes e invertebrados característicos. É como se visualizássemos um corte longitudinal do ambiente, o que só facilita o entendimento de como estas espécies se relacionam entre si.

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(E juro que fiquei com muita vontade de participar do “Dormindo com tubarões”, uma atividade noturna para crianças e famílias, em que todos passam à noite no Oceanário e dormem olhando pro tanque principal. Já pensou que delícia, abrir o olho e ver aquele monte de peixe nadando sem parar? Pena que no período que estive em Lisboa eles não ofereciam essa atividade. Porque, sério, não pensaria nem duas vezes para participar! :D )

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Interessantemente – e talvez mais um ponto para se refletir –  o Oceanário, embora esteja na beira do rio Tejo, já na área de delta próxima ao mar, preferiu produzir a água do mar que alimenta seus tanques. Isso garante condições as mais ideais possíveis às espécies que vivem ali. Mas talvez esta seja a parte que me incomodou um pouco: o sal vem de Israel, e são 16.5 toneladas por mês para manter os 30 tanques. Ou seja, há um custo ecológico para transportar esse sal lá do Oriente Médio até Portugal, depois um gasto de água doce que é usada para misturar o sal e produzir a água “do mar” que é a mais adequada a cada espécie – e são testados diariamente pH, temperatura, quantidade de amônia, etc. A razão para não puxar do Atlântico ali perto é simples: a qualidade da água do mar na boca do Tejo. Irônico e complicado, não?

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Como a utilização humana do mar também é um componente importante dos oceanos a ser analisado, o Oceanário dedicou diversas salas e exposições à reflexão das atividades humanas conectadas ao mar. Todas as atividades, sejam elas positivas ou negativas, estão ali representadas, e levam o visitante a pensar sobre estes usos. Reflete-se como a pesca está conectada à necessidade de preservação, como o consumo exagerado de tudo reflete no mar, gerando toneladas de lixo plástico e de poluentes indesejados, como a gente usa o mar como nosso playground, mergulhando e admirando suas espécies também – e como mesmo a atividade turística em exagero pode trazer mudanças significativas para o ecossistema.

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Enfim, é uma reflexão atrás da outra. E, de cereja nesse bolo azul, a área chamada “Um Planeta, Um Oceano” fica passando o famoso vídeo do Carl Sagan falando sobre o “pale blue dot” com legendas em português, em loop eterno. #MuitoAmor

Depois dessa overdose de amor ao mar que o Oceanário propiciou, achei que a visita tinha acabado e me dirigia à saída. Mas não: a saída leva ao Edifício do Mar. Ali, uma exposição fotográfica chamada “Planet Ocean – uma perspectiva dupla dos desafios dos oceanos” acontecia. A exposição era patrocinada pela Fundação GoodPlanet, e contava com fotos de dois dos maiores fotógrafos de natureza da atualidade: Yann Arthus-Bertrand (especialista em fotos aéreas sensacionais), e Brian Skerry (fotojornalista sub de alto gabarito).

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Fotografias de impacto, fenomenais, sob o mural de azulejos de tema marinho do Oceanário, concepção arquitetônico-artística fantástica de Ivan Chermayeff, que traz a tradicional arte do azulejo português para a modernidade visual dos pixels, em 55.000 azulejos. E eu achando que já ia embora do Oceanário (eram quase 6 da tarde, e estava ali desde a abertura)… mas a exposição, felizmente, me segurou por mais uma hora, e fiquei me sentindo leve feito pluma, apreciando aquela overdose de arte marinha estampada, em foto e azulejo.

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Para mim, fica difícil escolher que área ou tanque ou experiência do Oceanário eu mais gostei – porque gostei de tudo. Do mola-mola. Da floresta tropical costeira. Do tanque de recifes de corais. Dos peixes de Açores. Dos tubarões, tantas espécies. Das reflexões pertinentes. Das poesias e sons. Dos bancos para pausa e admiração. Toda universalidade do conceito de OCEANO. Passei um dia inteiro visitando o Oceanário de Lisboa, e se meu tempo em Lisboa tivesse sido maior, teria voltado mais vezes. Era um dia chuvoso, e saí de lá tão emocionada, que sentei num banco de um café ali perto para esperar a chuva passar, e não contive as lágrimas de novo, com um sorriso feliz, de satisfação biológica e artística. Por todo o amor ao mar que o projeto do Oceanário faz despertar e emergir, que é deveras emocionante.

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Nunca vi nenhum aquário do mundo dispôr o conceito de um só oceano – e tantos outros conceitos educativos pertinentes – de forma estética e poética tão clara e linda como o Oceanário de Lisboa. Simplesmente imperdível. E inesquecível.

Tudo de bom sempre.

“Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

(…)

Valeu a pena? Tudo vale a pena

se a alma não é pequena.”

(Em “Mar Português”, do poeta-mestre maior de todos, Fernando Pessoa)

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Os pinheiros de Lanai.

Em janeiro passado, estive pela primeira vez na ilha de Lāna’i*, vizinha de Maui. Comentei antes sobre o aspecto que mais me interessa nela - seu compromisso com a sustentabilidade futura. E sobre o fato de ser 99% privada, e seu dono ser o bilionário Larry Ellison. Lanai é também uma ilha de paisagem curiosa, bastante seca, com predominância de pinheiros (na verdade, um tipo de araucária), trazidos da ilha de Norfolk no sul do Pacífico no início do século XIX. Com estes aspectos curiosos, Lanai entra na lista como um Havaí beeeeem diferente a ser visitado. Para complementar os roteiros “do-it-yourself” que já tenho no blog (Oahu, Maui, Kauai e Big Island), aproveito e deixo aqui minhas dicas em um roteiro de DOIS DIAS EM LANAI. Esse tempo é suficiente para você explorar boa parte da pequena, curiosa, exclusiva e lindíssima ilha. Vamos lá.

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Maquete de Lanai, destacando o relevo da ilha. Esta maquete encontra-se no Lanai Culture and Heritage Center, em Lanai City.

CHEGADA E ACOMODAÇÕES

Antes de mais nada, preciso alertar: o ritmo de Lanai é devagar-quase-parando, então não espere nenhuma agitação ou vida noturna. Ou seja, Lanai é perfeita para o relaxamento total e a desconexão completa do resto da humanidade. Se você quer descansar de verdade, esta é a sua ilha. Lanai também não tem muitas opções para a maioria das coisas turísticas, o que a torna mais cara que as demais ilhas havaianas. Só há um supermercado na ilha, mesmo assim pequeno; um hospital, uma escola. São ~3000 habitantes, vocês esperariam o quê? :)

Há apenas um aeroporto, a 5-10 minutos de carro de Lanai City. As empresas aéreas que voam para lá são a ‘Ohana (subsidiária da Hawaiian Airlines), a Island Air (de Larry Ellison, o “dono da ilha”) e a Mokulele Airlines. Não espere aviões imensos indo para Lanai: são todos de hélice ou minúsculos, porque a pista de pouso não comporta receber aviões maiores.

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Píer de onde sai o ferry para Maui.

Outra possibilidade para chegar em Lanai: de ferry, saindo do píer de Lahaina, em Maui. São 5 horários por dia, de ida e volta. A passagem para cada trecho custa US$30.00 (adultos) e US$20.00 (crianças). O porto de onde sai/chega o ferry em Lanai fica super-perto de Hulopoe Beach (dá pra ir à pé), o que torna o ferry uma opção conveniente de passar um dia só na ilha para quem estiver visitando Maui. Entretanto, para ir do porto até Lanai City, você precisará de carro, que precisa ser reservado com antecedência. O shuttle do Fours Seasons também passa por lá, mas só atende aos clientes do hotel. Eu peguei o ferry no sentido Lanai-Maui, e adorei a travessia. Vimos diversas baleias durante o trajeto, e a paisagem da costa desértica de Lanai é simplesmente incrível. Recomendo.

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Costa de Lanai vista do ferry.

É curioso notar que Lanai atrai em geral dois tipos de turista que são opostos ao extremo: apreciadores de alto luxo e aventureiros backpackers. Isso acontece porque as opções de hospedagem na ilha são limitadas a:

– dois hotéis Four Seasons, o Manele Bay e o The Lodge at Koele (os de Lanai estão entre os mais luxuosos da rede no mundo) a preços acima de US$500.00 por noite;

– um hotel/pousada em Lanai City, o Hotel Lanai, com pouquíssimos quartos e uma atmosfera interessantíssima de hospedagem do interior, de preço salgado para o serviço oferecido (quartos de US$149.00 a US$229.00/noite). O Hotel Lanai, por ser o único mais em conta na ilha e pequeno, costuma estar sempre lotado, exigindo que se faça reserva com (muita) antecedência. É onde as pessoas que moram nas demais ilhas havaianas costuma ficar quando vão a Lanai a negócios ou passeio de fim de semana;

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Hotel Lanai, em Lanai City.

– uma ótima área de acampamento na praia de Hulopoe, que requer licença para acampamento, e custa US$30.00 a licença, + US$ 15.00/noite/pessoa. Reserva por telefone: +1(808) 215-1107.

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Área de camping da praia de Hulopoe.

Se você for ficar mais de um dia na ilha, e quiser conhecer praias além de Hulopoe, precisará alugar um jipe – único tipo de carro que alugam lá. A única locadora é a Dollar Lanai, e custa US$139.00 por dia de aluguel. A razão de se alugar apenas jipes é simples: a maior parte das estradas são de terra. A não ser que você se hospede no Four Seasons e só queira ficar dentro do hotel – ou no máximo, visitar o outro Four Seasons – você precisará de um carro para se deslocar. Se chover, as estradas de terra ficam intransitáveis, e você ficará limitado aos pontos onde a estrada de asfalto chega.

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Em amarelo pontilhado: estradas de terra. 

Lanai City, a única cidade da ilha, é praticamente um vilarejo perdido no tempo. Está a 520m de altitude, no centro de Lanai, e o clima ali costuma ser ~10 graus a menos em relação ao litoral da ilha. Excetuando o cume dos vulcões (Haleakala, Mauna Kea e Mauna Loa), é comum a temperatura mais baixa do estado do Havaí ser registrada em Lanai City durante as previsões meteorológicas na TV. Portanto, um agasalho é uma boa pedida.

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Nem parece que você está no Havaí, né?

DIA 1

Você chegou em Lanai de manhãzinha, alugou seu carro. Sugiro começar pegando a highway em direção ao sul, para Hulopoe Beach e adjacências, onde fica o Four Seasons Manele Bay. A praia tem uma estrutura ótima, com diversas mesas de piquenique, área para camping, e dois banheiros públicos limpíssimos – mantidos pelo Four Seasons, daí vocês imaginam. Há uma barraca para aluguel de caiaques, SUPs e equipamento de snorkel, mas você precisa estar hospedado no Manele Bay para alugar. Dica: leve seu equipamento de snorkel. Motivo: a praia é onde os golfinhos rotadores gostam de descansar pelas manhãs, e eles chegam super-perto da arrebentação. Com um snorkel, você poderá apreciar inúmeros deles nadando ao seu redor. A área é protegida por lei, os peixes são típicos do Havaí, muito coloridos, e é proibido incomodar os golfinhos.

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Sweetheart Rock, ao entardecer.

Aproveite também para explorar os arredores de Hulopoe. No canto esquerdo da praia, há inúmeras piscinas de maré, ideais para crianças, e uma rápida trilha que leva à paisagem mais conhecida de Lana’i: a Sweetheart Rock, ou Pu’u Pehe. Há uma lenda havaiana triste que conta como esta pedra se originou – basicamente uma história de amor na linha Romeu & Julieta: o guerreiro Makakehau se apaixonou por uma moça de Lahaina chamada Pehe, a levou para Lanai e aprisionou numa caverna, e um dia, depois de uma tempestade, descobriu que sua amada tinha morrido afogada na caverna inundada. O guerreiro pegou então seu corpo e enterrou onde hoje está a Sweetheart Rock, e depois ele mesmo se joga do penhasco. Diz a lenda que a rocha é seu corpo, que se transformou em pedra.

Apesar da história triste, a pedra e a praia em frente a ela são lindíssimas, entre as mais lindas do Havaí. Para chegar na praia, você deve esperar a maré baixa, porque se vai pelas piscinas de maré. Ou descer por um buraco na rocha, bastante íngreme e desaconselhado para quem não curte trechos hardcore.

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Piscinas de maré de Hulopoe.

O almoço pode ser em um dos restaurantes do Four Seasons Manele Bay – todos excelentes, mas com preços salgadíssimos, é claro. O mais renomado é o Nobu Lanai, de comida japonesa. Outra opção é você dirigir até Lanai City e comer em um dos restaurantes caseiros da praça central. A praça central é facílima de ser reconhecida: é a que tem uma série de pinheiros enormes, de troncos avantajados, ao redor. Quando estivemos lá, almoçamos no Canoe’s, supostamente o melhor hambúrguer da cidade; foi bom, mas nada excepcional. Outra opção que me pareceu interessante foi o Blue Ginger Café.

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À tarde, pegue a estrada pro norte, em direção a Shipwreck Beach. A sinalização para a praia é precária, mas quando a estrada de asfalto acabar e você vir uma estrada de terra saindo dela, é ali que você entra à esquerda. O nome da praia diz tudo: há nela um navio cargueiro enorme que naufragou na barreira do recife de coral. O navio está bastante enferrujado, e a ferragem fica no mar a poucos metros de distância da praia. A praia de Shipwreck é mansinha, com bastante alga crescendo nas rochas, o que há torna atrativa para as tartarugas marinhas, que vêm se alimentar com frequência ali. No dia que fomos, vimos pelo menos meia dúzia delas. Depois de curtir Shipwreck, se a estrada permitir, uma opção é voltar e continuar pela estrada de terra em direção a Naha. É uma longa estrada, e a qualidade da terra pode complicar as coisas. No caminho, dá pra ver alguns dos sistemas de aquacultura havaiana tradicionais que são mantidos na ilha. A paisagem vale a pena. Para voltar pra cidade, só tem um jeito: meia-volta e dirigir tudo de novo.

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Para happy hour e jantar, se não quiser gastar muito, sugiro o Lanai City Grille, restaurante do Hotel Lanai, reconhecido por seu venison, que é carne de caça. Mas atenção: o restaurante fecha cedo, às 9pm. E só abre de quarta a domingo. Outra opção é o Pele’s Other Garden, um pequeno bistrô italiano no centro da cidade, que funciona de segunda a sábado.

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Típica lotação da praia em Lanai.

DIA 2

Que tal começar o dia com uma caminhada pela Munro Trail? A Munro trail é uma estrada antiga, histórica, hoje com um grande trecho fechado aos carros, que fica ao redor de um vale de floresta tropical/sub-tropical super-verde em Lanai. A saída para a Munro Trail fica depois do Four Seasons The Lodge, em Lanai City. A caminhada é de aproximadamente 5 milhas, com apenas um trecho bem íngreme, e leva em torno de 3 horas, se seu condicionamento físico é bom. Minha sugestão: procure a Hike Lanai para fazer a atividade.

Para almoçar, as opções são as mesmas do dia 1: explorar os pequenos restaurantes da praça central de Lanai.

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À tarde, se a estrada permitir, vá conhecer o Jardim dos Deuses, ou Garden of Gods, ou Keahi a kawelo. Basicamente é um jardim rochoso, uma área de erosão, que o tempo e o vento se encarregam de esculpir diaria e continuamente. Para chegar lá, pegue  a estrada que sai do Four Seasons The Lodge, ao lado dos estábulos, e siga em frente. O Garden of Gods fica a pouco menos de 1 hora de Lanai City, mas a estrada até lá é pauleira, e se chover também fica inacessível. As pedras esculpidas formam uma paisagem bastante lunar. É também possível fazer caminhadas guiadas pela região. A estrada que leva ao Garden of Gods vai até Polihua Beach, por muitos considerada a praia mais linda da ilha. O mar costuma ser bravo, portanto desaconselhável nadar nela se no dia o swell estiver batendo forte. Polihua é praticamente deserta o tempo todo, e ideal para um passeio romântico-aventureiro (chegar até ela é a parte aventura da história).

À noite, aproveite seus últimos momentos e se esbanje no Dining Room do Four Seasons The Lodge. A comida é excelente, no conceito farm-to-table, com o máximo de ingredientes frescos e/ou locais.

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Jardins do Four Seasons The Lodge.

ALTERNATIVAS

Os apaixonados por praia talvez queiram voltar a Hulopoe Beach diversas vezes durante sua estadia. A área realmente merece quantas visitas forem necessárias. A praia é linda, os arredores maravilhosos e a possiblidade quase certeira de ver golfinhos de manhã cedinho é imperdível. Nos dias em que estivemos lá, fomos duas manhãs seguidas para Hulopoe. Não me arrependi em nada, pelo contrário: pretendemos voltar e ficar acampados ali um dia, para não perder um segundo da ação dos golfinhos. :)

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No Lanai Culture and Heritage Center.

Outra opção, caso a estrada de terra esteja fechada, é aproveitar e explorar Lanai City. A cidade é muito peculiar, um Havaí que parou no tempo. Uma delícia. Aos interessados em história da ilha, aconselho a visita ao pequeno, simpático e ajeitado Lanai Culture and Heritage Center, que conta toda a história da ilha, desde sua formação geológica até os dias atuais do “reinado” de Larry Ellison, passando pelo período em que foi chamada “Pineapple Island” por ser uma das maiores produtoras de abacaxi do mundo – 3/4 do terreno arável de Lanai eram plantação de abacaxi. Em menos de meia hora, você vê todo o museu, que é bem pequenininho. Eu adorei, achei o museu aconchegante e o guia que estava naquele momento era super-interessado, explicou todas as dúvidas que tínhamos com a maior boa vontade. O Lanai Culture and Heritage Center fecha aos domingos.

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Dentro do Lanai Culture and Heritage Center.

Para quem quer mergulhar com cilindro: a única operadora de mergulhos de Lanai é a Trilogy Ocean Sports Lanai. Há operadoras em Maui que oferecem mergulhos em Lanai, e o único porém neste caso é o traslado mais demorado. Os barcos de mergulho que vêm de Maui não desembarcam em Lanai.

Para quem curte golfe, os campos de golfe de Lanai são considerados excepcionais, os melhores do Havaí. O do Four Seasons Manele Bay foi projetado especialmente por Jack Nicklaus, um dos grandes nomes do golfe de todos os tempos. Golfe não é a minha praia mesmo, mas quando vi os campos do Manele até fiquei com vontade de aprender a dar uma tacada… pra vocês terem uma idéia do nível da coisa.

Para quem vem de Maui para passar apenas um dia em Lanai: não gaste seu tempo com aluguel de carro. Ande até Hulopoe Beach, e passe o dia lá, descansando na sombra das amendoeiras, explorando as piscinas de maré, e tendo uma ótima experiência gastronômica em um dos estrelados restaurantes do Four Seasons Manele Bay. Dá pra ir à pé da praia de Hulopoe até o Four Seasons.

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Hulopoe Beach e o Four Seasons Manele Bay ao fundo.

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Tudo de Havaí sempre. :)

 

*Em havaiano, a escrita correta do nome da ilha é Lānaʻi. Para facilitar, escrevemos apenas Lanai, sem a ʻokina e o acento kāhako. 

Postado em 07/04/2014 por em Havaí, Ilhas, Lanai

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Uma das paisagens do costão da estrada de Hana, em Maui.

Na última sexta-feira, dia 28 de março, o tradicional programa Globo Repórter, da Rede Globo, foi sobre o Havaí, este pedaço de terra no meio do Oceano Pacífico tão encantador. Fiquei sabendo sobre o programa de última hora, quando minha amiga Carol me avisou pelo whatsapp. Como não temos Globo Internacional em casa, assisti depois pela web aos pedaços de vídeo que foram postados no site da Globo. E resolvi dar meu pitaco, que afinal este blog é para isso. :D

(Para quem quiser ver ou rever o Globo Repórter, deixarei os links no final deste post, já que o site da Globo não permite compartilhamento do vídeo dentro de outro site.)

Primeiro, minha opinião geral: eu gostei do programa. Achei que o foco foi bem diferente do Havaí tradicional, com diversas aventuras fora da rota da maioria dos turistas – um Havaí menos hypado, mais roots e pé no chão, digamos assim. A repórter Dulcinéia Novaes apresentou a maior parte das atividades em que se engajou de maneira fluida, e sem grandes tropeços, como se espera do bom jornalismo. E enfatizou várias vezes a enorme diversidade de paisagens das ilhas, principalmente nos costões e praias, e de microclimas, o que acho bem legal. Toda pinta de press trip bem elaborada e executada, né?

Entretanto, duas cenas do programa me deram um pouco de incômodo. Primeiro, a repórter está nadando em uma praia entre tartarugas, e toca o casco de uma delas - além de mostrar no vídeo pessoas alimentando a tartaruga. A tartaruga é um animal na lista de ameaçados de extinção, protegida por lei federal e estadual, leis estas que vedam o toque no animal ou alimentá-lo por causar stress e, potencialmente, configurar assédio. A repórter, portanto, transgrediu uma lei federal e pôs isso na TV, o que não é, em minha opinião, o melhor dos comportamentos para se dar num programa de audiência nacional.

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Não importa o quão perto da tartaruga você esteja, não deve tocá-la.

Outra cena incômoda foi na visita da repórter ao Jardim dos Deuses (Garden of Gods, em inglês), em Lana’i. O local tem uma paisagem lunar, onde as rochas avermelhadas sofrem constante erosão do tempo. O lugar (ainda) não é protegido por lei alguma, mas ainda assim, achei desnecessário e não-educativo o que foi feito: coletar um pedaço de rocha de uma das esculturas naturais do terreno para mostrar o quão porosas elas são. Já pensou se cada turista que fosse lá fizesse o mesmo? É óbvio que o terreno está sendo erodido o tempo todo pela ação do vento e das chuvas, mas uma coisa é a erosão natural; outra é a erosão/destruição forçada de um pedaço da paisagem natural. Achei… deselegante.

Por outro lado, achei interessante a escolha da pauta. Quase não falou sobre surfe nem sobre praias famosas que constam em qualquer lista de melhores praias do mundo, muito menos focou em Waikiki/Diamond Head – deu uma breve pincelada, e só. Mas comentou sobre a atração natural mais especial do Havaí, a lava contínua que o vulcão Kilauea expele. Apesar da repórter ter escolhido a forma mais complicada de ver a lava de perto, por trilha – só a título de comparação, num passeio de helicóptero você chega bem perto do lago de lava da cratera e de onde ela estiver saindo na encosta do Kilauea sem se cansar. Imagino (ou melhor, quero acreditar) que se a lava estivesse escorrendo no mar no período em que a equipe de reportagem esteve aqui, eles teriam optado por um passeio de barco para ver a lava de perto, sem tanto sofrimento nem cansaço como o da trilha mostrada. Provavelmente, a escolha da trilha se deveu pelo comportamento da lava no dia, que deveria estar saindo bem longe, inacessível por caminhada simples. 

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Uma das oportunidades mais únicas do Havaí: ver a lava escorrendo de pertinho.

Digamos também que eu irrelevei o fato da reportagem ficar pulando de ilha em ilha como se entre elas a distância fosse pequena – não é, precisa pegar avião para ir de uma a outra. Talvez um mapa das ilhas havaianas sinalizando onde alguns dos momentos principais da reportagem se passavam facilitaria o telespectador; mas isso é uma escolha da edição, vai além do trabalho da repórter. De qualquer forma, para ajudar meus amigos leitores do blog, aí embaixo fiz um mapa para facilitar a visualização das distâncias entre os passeios mostrados no Globo Repórter.

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Taí um mapa dos locais por onde a reportagem passou, para dar uma noção das distâncias aos queridos leitores. Não coloquei a praia das tartarugas porque elas podem ser encontradas, na realidade, em diversas praias. Mapa do Google Maps, adaptado por mim.

Mesmo sem mapa, deu pra ter um gostinho de ilhas bem menos visitadas, como Moloka’i. Achei super-interessante a reportagem sobre os pássaros coloridos, não sabia da existência dessa atividade, e fiquei curiosa à beça pra ver de perto – deve ser liiiindo! A descida ao Parque Nacional Histórico de Kalaupapa – que fica numa península, não numa ilha, como a reportagem diz – também é uma aventura divertidíssima,  no galope de uma mula, e em geral feita por quem tem interesse em turismo histórico e/ou religioso, por conta da colônia de leprosos que o Padre Damien (canonizado a poucos anos) ajudou a manter. O leprosário de Kalaupapa ainda tem pacientes, apesar da doença estar praticamente extinta, e os estudantes de Medicina da Universidade do Havaí a visitam como parte das atividades de uma das disciplinas de curso. Mas, mesmo que seu interesse em história ou religião seja ínfimo, a inacessibilidade da península de Kalaupapa ainda preserva praias lindíssimas praticamente desertas e uma paisagem espetacular, que já valem muito o passeio.

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Península de Kalaupapa, na ilha de Moloka’i.

E eu curti também os brasileiros que foram mostrados na reportagem, porque estão mais ligados ao legado brasileiro dentro da cultura havaiana. A comunidade brasileira no Havaí não é muito grande, e apesar dos surfistas predominarem nos meses de inverno, eles não estão aqui o ano todo, como os capoeiristas estão – além de serem alvo de diversas controvérsias com a comunidade surfista local. O capoeirista Japa (que a reportagem chamou pelo nome verdadeiro, Leonardo) mora aqui há muitos anos (eu o conheci em 2002), e é talvez o brasileiro mais conhecido de toda a comunidade, além de grande divulgador da capoeira praticada em todo o estado. O programa de rádio de música brasileira da Sandy, aos sábados à tarde, também é marcante e bem reconhecido, e é uma divulgação bem-sucedida da nossa cultura para os demais havaianos. Achei a escolha de ambos os “personagens” extremamente adequada, bacana mesmo. (Talvez eu acrescentaria a Cris, dona do trailler que vende coxinhas e pastéis de feira no North Shore, como outra “personagem” bacana de ser entrevistada, pelo legado culinário aos havaianos.)

Hawaii Globo Reporter 3

Por fim, é sempre bom – pelo menos para mim – ver o lugar que a gente mora retratado de uma maneira tão “paradisíaca”. Eu falo sempre aqui que paraíso é um conceito pessoal, que independe de lugar, que o “Havaí-paraíso” é  fruto de décadas de marketing bem-sucedido, que aqui tem diversos problemas etc. Mas, querendo ou não, quando a gente percebe que outras pessoas, que têm seus próprios paraísos, acham que o Havaí também pode ser adicionado ao conceito de paraíso delas, dá um certo orgulho e conforto em, apesar dos problemas, estar vivendo esse aloha spirit on a daily basis. :)

Tudo de aloha sempre.

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Links para os pedaços da reportagem do Globo Repórter (com vídeo):

Vendo a lava do vulcão Kilauea de perto

- Passeio de barco em Maui para ver baleias jubarte (que já comentei aqui no blog)

- Os pássaros coloridos em Moloka’i

- O Jardim dos Deuses em Lana’i

- Astronomia no topo do Mauna Kea (que também já comentei antes e talvez a parte do programa que eu mais gostei, por motivos de: sou cientista! :D )

- A travessia à Península de Kalaupapa

- A jornada pela estrada de Hana

- As tartarugas verdes pelas praias (que têm comportamentos peculiares no Havaí)

- Brasileiros no Havaí

- O Aloha Spirit

- Galeria de fotos dos bastidores do programa

Semana passada, o Trip Advisor publicou duas listas estilo “top 25″ de praias – as melhores praias do mundo e as melhores praias dos EUA. A melhor praia do mundo, de acordo com essa votação popular deles, foi uma brasileira, a Praia do Sancho, em Fernando de Noronha – merecidíssima colocação, por sinal. (Mas fico imaginando se os coreanos tivessem entrado na votação do jeito que fazem normalmente se não veríamos uma praia de Jeju também na lista…)

Bom, eu adoro listas. E acho que a maioria das listas – pelo menos essas de top 10, top 25 ou top raiz quadrada de 19748,  – não são feitas para serem “racionalizadas”, e sim vistas com leveza, como se fosse uma grande brincadeira pessoal, e discutidas num ritmo de tranquilidade. Então decidi brincar também e dar minha opinião sobre estas listas do Trip Advisor. Como este blog respira Havaí e eu já estava planejando a um tempo refazer minha jurássica lista de 2009 de top 10 praias do Havaívoilá! Chegou a hora.

Primeiro, preciso dizer que o Havaí teve duas praias que entraram na lista de top 25 praias do mundo: Lanikai Beach (em Oahu) e Ka’anapali Beach (em Maui). Concordo muito com a menção a Lanika’i, que acho mesmo uma das praias mais lindas do mundo. Mas discordo da menção a Ka’anapali nessa lista. Como foi votação popular, e Ka’anapali/Lahaina é onde a maior parte das pessoas se hospeda em Maui, acho que a votação foi mais “praia mais representativa de Maui” – e mais vista. Ou pelo menos quero acreditar que tenha sido por isso, porque Ka’anapali não entra nem no meu top 10 de praias do Havaí, que dirá do mundo.

(E lembra quando Waimanalo Beach, em Oahu, foi eleita uma das 10 praias mais bonitas dos EUA? Ainda acho que merece muito, mais que Ka’anapali…)

Já na lista top 25 praias dos EUA, o Havaí emplacou 10 praias – o que por si só já formaria um “TOP 10  PRAIAS DO HAVAÍ – versão Trip Advisor” bem interessante:

- Lanikai Beach (Oahu/ 1º lugar)

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Eu também amo Lanikai. Entre as melhores praias para relaxar em Oahu, quiçá do mundo mesmo.

– Ka’anapali  Beach (Maui/ 2º lugar)

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Nem o efeito HDR na foto salva essa praia. Segunda melhor do Havaí? Simplesmente NÃO.

– Hanalei Beach (Kauai/ 4º lugar)

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Hanalei tem mesmo muita personalidade, e a cada estação está de um jeito. No inverno, é point de surfe certeiro. No verão, mansinha e para amantes do SUP. O píer lá no fundo só aumenta o charme.

– Wai’anapanapa (Maui/ 5º lugar)

Ainda não fui nessa praia, então não posso comentar sobre ela. #ficadicaparamim

– Wailea Beach (Maui/ 6º lugar)

Acho que não, hem… Se você se lembrar que Ahihi Bay, Makena e outras praias muito mais lindas estão ali do lado… vale andar um pouquinho a mais, e aproveitar um cenário beeeem mais bonito. Acho que Wailea padece do mesmo problema de Ka’anapali: é uma área de resorts, então muita gente fica ali, e resume “praia em Maui” a ela.

– Kua Bay (Big Island/ 8º lugar)

Fica perto do aeroporto de Kona, e deve ser bem bonita mesmo, já que aquela costa toda é um desbunde. Mas nunca parei ali para vê-la. #ficadicaparamim

– Hanauma Bay (Oahu/ 10º lugar)

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Lei e corolário do bom senso:

“Fica determinado por lei universal que qualquer lista digna de respeito das melhores praias do Havaí TEM que constar Hanauma Bay.”

– Poipu Beach (Kauai, 12º lugar)

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Poipu é fofa. Perfeita para crianças, muito calma e cheia de peixinhos coloridos já na beirada. E com ótima infra-estrutura, já que um monte de resorts estão ali. A foto aí de cima foi num dia meio nublado, e mesmo assim a praia insiste em ser bonita… uma audácia!

– Ko ‘Olina Lagoons (Oahu/13º lugar)

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Seriously?

– Kapalua Beach (Maui/ 24º lugar)

É bem bonita. Mas ali, na costa oeste de Maui, prefiro as vizinhas Oneloa Bay e Honolua. (Eu tirei umas fotos lá, mas quem disse que eu encontro na bagunça do meu HD pra postar aqui?)

A lista do Trip Advisor consolida Maui como a ilha havaiana das praias mais bonitas – e eu até concordo com isso, pero no mucho. :D

Ainda não estive nas praias de Moloka’i, Ni’ihau ou Kaho’olawe – portanto, mais uma vez, minha lista continua um pouco deficitária. Não curto muito praia retona de areia muito batida, que a gente tem que andar um quilômetro para chegar a uma profundidade decente, portanto elas não aparecem aqui. Evitei também praias que já constam na lista acima, para a gente ter a possiblidade de admirar mais ainda esse estado minúsculo que pode gerar top 50 ou top 100 praias – e não se esgotar. Haja diversidade de praias!!!

E tenho uma queda absurda por praias em baías, principalmente se forem repletas de peixes e corais…  Minha lista, portanto, é bem a minha cara, e reflete um pouco das emoções que passei em cada uma delas.  <3

Mas chega de lero-lero, e vamos lá. Depois de 5 anos de volta ao Havaí, eis…

 

MINHAS TOP 10 PRAIAS DO HAVAÍ – VERSÃO 2014

10) Ho’okipa Beach (Maui)

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Sabe aquela história que no Rio as pessoas não se “afetam” quando vêem celebridades? Pois em Ho’okipa as pessoas nem se “afetam” quando vêem… tartarugas marinhas – a tartaruga da foto aí em cima é mera coadjuvante da cena da galera, veja só. Esse clima de tanta harmonia com a natureza é o que torna Ho’okipa uma das minhas paradas favoritas no North Shore de Maui. A praia em si também é excelente para a prática de surfe e windsurfe, e nos meses de inverno, as ondas não perdoam.

9) Sandy’s beach (Oahu)

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Esqueça Waikiki e Ala Moana. Se tem uma praia onde as coisas “acontecem” para a moçadinha da ilha, essa praia é Sandy’s. As condições são ótimas para o bodyboard, e predominam na praia a juventude local, com direito a muita azaração. De vez em quando, uma foca havaiana dorme por ali.

8) Koki Beach (Maui)

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Essa praia foi, para mim, paixão à primeira vista. Fica um pouco depois de Hana, em Maui. A foto não mostra, mas do lado direito ainda tem uma ilhota de tirar o fôlego. O vermelho do solo e a cor da água são de arrepiar. Pra voltar muitas vezes.

7) Secret Beach (Oahu, lado oeste)

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Esta praia lindinha fica AO LADO das lagunas de Ko ‘Olina. E ainda tem gente que prefere as lagunas… Ainda bem, né, porque assim Secret Beach continua vazia, charmosa e perfeita para um snorkel sossegado das multidões. Na água muitas tartarugas e, de vez em quando, uma foca havaiana resolve descansar nas areias dali.

(OBS.: Tem uma praia chamada também Secret Beach no lado leste de Oahu, que também merecia entrar se essa lista fosse expandida. Atenção só para não confundir os nomes e as direções.)

6) Hulopo’e Beach (Lanai)

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Mais especificamente a prainha que fica em frente ao Sweetheart Rock, esse rochedo-ilhota com tem esses tons de vermelho impressionantes ao entardecer. Sério: quando você chega nessa praia, a vontade é de nunca mais ir embora.

5) Hapuna Beach (Big Island)

Top10praiasHI-Hapuna
Fica depois de Puako, bem ao norte da Big Island, e perto de outra praia que também merecia entrar aqui, Mauna Kea Beach – então vamos fazer de conta que Hapuna e Mauna Kea estão juntas nesta lista, ok? Ambas são de água transparente linda, com boa infra-estrutura, e perfeitas para esquecer do mundo.

4) Sunset Beach (Oahu)

Top10praiasHI-Sunset
Além do óbvio do nome – é um dos melhores pontos para se apreciar o pôr-do-sol no Hawaii – o canto direito de Sunset Beach guarda surpresas deliciosas: diversas piscininhas naturais, que no verão são ótimas para nadar. No inverno, o swell toma conta e a praia fica só para profissionais, mas não tira nada da beleza da paisagem, que continua incrível.

3) Haena Beach (Kauai)

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Confesso que gosto muito de Hanalei, mas naquela área do north shore do Kauai, para mim não tem praia mais gostosa que Haena, lá no iníciozinho da Na Pali Coast – e da trilha de Hanakapiai. No canto direito de Haena fica Tunnels, trecho com um recife de coral maravilhoso perfeito para snorkelar, e milhares de peixes – no inverno, o coral “ameniza” as ondas que costumam bater daquele lado da ilha, mantendo a praia nadável praticamente o ano todo. O visual atrás, com o penhasco enorme já indício da costa da Na Pali, é de arrepiar. Lindíssima.

2) Kahakuloa Beach (Maui)

Top10praiasHI-Kahukuloa
Eu simplesmente AMO esse lugar. A praia é de pedrinhas e brava, portanto nadar aqui exige muita cautela. Mas esse pedaço do paraíso está no fim de um vale super-verde magnífico, e com esse rochedo imponente do lado direito, é uma paisagem para fotografar na memória e nunca mais esquecer.

1) Shipwreck Beach (Kauai)

Top10praiasHI-Shipwreck
Única praia que se repete na minha lista de 2009 e 2014. E vai se repetir eternamente. <3

BÔNUS: Hanauma Bay. Sempre MARAVILHOSA.

Top10praiasHI-HanaumaBay

(Ver acima o corolário sobre Hanauma: toda lista digna de respeito etc. e tal) :D

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E qual a SUA PRAIA PREDILETA NO HAVAÍ? 

Tudo de praias sempre.

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P.S.: Claro, meu coração até dói porque não deu espaço para Eternity Beach nessa lista… ai gisuis, é muita praia pra amar! #grandesproblemasdahumanidade

Lanai-sustentavel

Lanai é lotada assim…

Em janeiro, estive pela primeira vez em Lana’i, a chamada “ilha exclusiva” do Havaí. O apelido faz  sentido: é a ilha do turismo de alto luxo, reservada aos endinheirados do mundo. Foi ali que Bill Gates se casou, por exemplo. Afinal, 98% do território de Lana’i são privados, pertencem ao tec-bilionário dono da Oracle Larry Ellison, cuja fortuna de $42 bilhões de dólares (dados de set/2013) transformam em trocado os $550 milhões de dólares que ele pagou pela ilha, na que foi considerada a maior transação imobiliária da história recente.

Logo depois de adquirir Lana’i, Ellison comprou a empresa aérea de vôos interisland para Lana’i – e para outros destinos havaianos -, a Island Air. Deu uma melhorada significativa na companhia e a diferença de serviço já é bem notável. Continua sendo uma empresa pequena, de aviões menores e ainda com um certo charme antropológico, mas não é mais aquele festival de desencontros e olhares arregalados que foi quando voei em 2009.

Mas, apesar de todas as cifras enormes que envolvem Lana’i, a ilha é de uma simplicidade rústica sem fim. Super-pacata, Lana’i vive uma grande contradição: parece cidade de interiorzão, parada no tempo, sem trânsito e onde as pessoas se conhecem e se cumprimentam na rua com sorrisos fartos. Mas, pelo olhar (e conta bancária) de Ellison, está à beira de uma grande transformação: será a ilha mais antenada com o futuro próximo em termos de sustentabilidade. Ellison quer transformar sua propriedade em um grande laboratório de vida sustentável, totalmente abastecida por energia renovável e com absolutamente todos os aspectos de negócios pensados primeiro em termos de sustentabilidade. (Ellison é um grande doador de dinheiro para empreitadas científicas, e essa reviravolta na ilha não é a primeira vez em que tenta algo bem ousado e a longo-prazo para a “humanidade”.)

Aos meus eco-olhos, só essa perspectiva já transforma Lana’i num interessantíssimo destino, a ser seguido de perto em seu progresso rumo à economia 100% sustentável – principalmente em tempos tão sinistros como os de agora. Não sabemos quando isso acontecerá, mas a contar pelas palavras (e, sempre lembrando, a conta bancária) de Ellison e pela animação da população local, não levará muito tempo. Embora alguns moradores locais sejam contrários às turbinas de energia eólica, muitos dos quase 4000 moradores locais parecem interessados em outras formas de geração de energia limpa, como solar (a ilha já conta com uma usina de geração fotovoltaica) e até das ondas do mar. E principalmente, interessados na oportunidade de incentivarem e desenvolverem o turismo sustentável, aliado a uma agricultura 100% local – e de participarem desse movimento verde de maneira prática.

Há complicações na instauração desse modelo, claro. Um deles é que muito do que é consumido ainda precisa ser trazido para a ilha, que se traduz em frete via barco ou avião, o que sabemos ainda não ser um transporte “sustentável”. Mas esperemos. Porque a torcida para que todo o projeto dê certo é definitivamente maior que os possíveis obstáculos a serem ultrapassados. Um pequeno experimento revolucionário, para ficarmos de olho e, quem sabe, expandir para outras paragens.

Tudo de futuro sustentável sempre.

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