São Paulo

Eu adoro São Paulo. Com todos os defeitos, problemas e esquinas. Sou execrada pela minha família carioca (eu também sou carioca de nascimento), que acha que eu sou louca ao mencionar essa frase. E me chamam de “carioca falsa”, “carioca do Paraguai” e etc. Imagina a cara de todos quando dediquei minha tese à cidade que me acolheu com tanta poluição e ensinamentos – sim, eu fiz isso. Ontem foi o aniversário da cidade mais cosmopolita do Brasil e eu deixo aqui a minha declaração de amor. Morei na Vila Madalena por 2 anos, e só tenho boas recordações da cidade. É claro que coisas ruins também aconteceram nesse período, mas evanesceram perante a magnitude dos bons momentos. Cinemas na Paulista, filmes de graça no Ibirapuera, shows maravilhosos de música instrumental, a pizza de rúcula com tomate seco da Oficina, o pastel da feira da Mourato Coelho, o Blen Blen Brasil, o Grazie a Dio, o menta-chopp do Elefante, a Bienal de Arte e do Livro, os SESCs, o bandeijão da USP com o suco multiplicado, o ônibus Barra Funda… e principalmente, as amizades que fiz na cidade. Aos meus amigos paulistas e à cidade de São Paulo, meus parabéns ontem, hoje e sempre.

“Na grande cidade, me realizar, morando no BNH.”

Tudo de bom sempre.

O meu amigo Túlio finalmente foi seduzido pelo mundo dos blogs. Ele é um biólogo brasiliense que adora uma colagem musical, vai agora fazer colagens bloguísticas também, e sabe-se lá da onde serão as fontes – talvez da sua cabeça super-criativa. Vale a pena ficar de olho.

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Tem 2 coisas que não irritam, mas incomodam nesse blog, e que devido ao meu analfabetismo informático em HTML, não consigo consertar:
1) o fato de que alguns links “desaparecem” e só “reaparecem” quando passo o mouse por cima;
2) a desuniformização das cores nos links – é pra ser tudo azul-piscina! Por que em alguns links ela insiste em se manter mais escura?

Se alguém souber o que eu faço pra consertar esses detalhes minúsculos, não se acanhe em ajudar! Desde já, agradeço.

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Acho que não vai dar pra terminar “Crime e Castigo” a tempo pro cross-talk do Alexandre. Que droga!

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Se você não leu a coluna do New York Times (com tradução do UOL) comparando o Bush ao Bob Esponja (o “Bush Esponja”), precisa ler. Para os fãs do invertebrado marinho como eu, é de se perguntar como algumas pessoas conseguem ser tão criativas.

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Existe algo mais legal, fofo e carinhoso do que uma amiga virtual te enviar um cd de um grupo musical que eu nunca comentei com ninguém que adorava (acho que ela deve ter uma bola de cristal lá em Portugal, quem sabe?) e com uma carta/filosofia escrita à mão em plena era da comunicação virtual? Isso sim dá uma luz diferente pro nosso dia… Estou speechless, não sei nem como agradecer esse carinho todo. Muito legal mesmo!!!
🙂

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O Bia perguntou nos comentários do post anterior a este o que eu achava do Stephen Jay Gould… eu respondi lá, mas vou repetir aqui porque adorei ressuscitar essa lembrança: os textos do Gould mudaram a minha visão de mundo e de mim mesma. O Gould era um desses caras que eu queria abraçar na vida e dizer: “Você é o máximo, meu ídolo!” Quando fui morar em Boston, um dos meus sonhos era um dia “esbarrar” sem querer com ele ou assistir a uma palestra dele (ele era curador do Museu de História Natural da Harvard). Uma noite, em pleno Harvard Yard, ele passou em frente ao banco onde eu estava sentada – e eu perdi a voz ao vê-lo. Patética a situação, e simplesmente ele continuou andando, eu de olhos arregalados e ele nem reparou. Faltando 2 dias pra eu me mudar de vez de Boston, ele morreu, de uma patologia que na época eu estava fuçando um pouco: mesotelioma, um tipo de câncer agressivo e que em geral leva à morte em menos de um ano após diagnose. Ele viveu 20 anos depois de diagnosticado (!), e serviu de cobaia para vários testes: um dos médicos que o tratava chorou muito ao saber da sua morte, pois muito mais que um mero paciente, ele foi um cientista iluminado ajudando com conclusões brilhantes a desvendar um problema sério. Ele trabalhava com os médicos elaborando hipóteses e experimentos, o que é um raro evento. Após sua morte, fui fazer minha “reverência final” a ele visitando mais uma vez a coleção do Museu que ele tanto ajudou, e tanto enriqueceu a história biológica, e cuja coleção paleontológica ele tinha tanto orgulho. E eu percebi egoisticamente que meu ciclo em Boston tinha acabado: uma das minhas “razões” de estar lá tinha morrido.

Se quiser sacar um pouco da genialidade do Gould, leia esse texto sobre a sua visão do mesotelioma e as conclusões estatísticas a que ele chegou. E se gostar desse texto, viaje mais ainda lendo “Vida Maravilhosa”, “O Polegar do Panda”, “A Galinha e seus Dentes”, e tantos outros livros/ ensaios biológicos de peso.

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Tudo de bom sempre.

Para os brasileiros, Jeju foi apresentada na Copa do penta, quando o Brasil derrotou a China na primeira fase no estádio da ilha. Estádio bem moderno, mas modesto em tamanho. Como eu já morava no exterior na época da Copa, não tenho noção alguma das asneiras ditas pelo Galvão Bueno sobre a ilha e seus aspectos turísticos ao narrar o jogo, mas com certeza seria divertido hoje ver um replay desse momento globífero.

Essa foi minha segunda ida à ilha de Jeju, no sul da Coréia do Sul, destino número 1 dos coreanos em férias. A razão dessa predileção? O clima ligeiramente mais ameno que no resto da península, as atrações vulcânicas naturais, a cultura um pouquinho diferente da coreana peninsular, e o fascínio que ilhas despertam em geral nas pessoas – nesse item, falo por mim, é claro. Além disso, Jeju é local de muitas conferências nacionais e internacionas, propiciadas principalmente pela imponência arquitetônica do Centro de Convenções.

Jeju tem 2 cidades principais: Seogwipo (ao sul) e Jeju-si (ao norte), separadas pelo monte Halla, vulcão no centro da ilha, cuja cratera é um lago e cujo pico está quase sempre coberto de neve. Quando fomos em maio/2004, ficamos em Seogwipo, pois íamos mergulhar por lá – de acordo com guias da Coréia, o melhor lugar para tal aventura. Não posso dizer nada de outros pontos coreanos, mas que as ilhas de Monseom e Seopsom são um espetáculo subaquático, ah! isso são! A água é estupidamente gelada, mas valeu a hipotermia: a quantidade surpreendente de corais moles, a curiosidade de um peixe-leão, os coloridos nudibrânquios, as diferentes lulas e águas-marinhas… um show de diversidade num pedaço onde achávamos antes estar completamente pescado/explorado em condições quase de deserto submerso. Nada como ter um espírito de Sao Tomé na veia para descobrir algo novo. Se tem credencial de mergulho e um dia visitar a Coréia, não perca essa chance.

O peixe-leão que nos perseguiu em um dos mergulhos.

Em maio, final de primavera no hemisfério norte, passamos as manhãs embaixo d’água, e as tardes andando pela bucólica Seogwipo. Cidade de interior, com muito movimento pesqueiro, pouco trânsito de carros, e muitas casas – uma raridade arquitetônica na Coréia peninsular, onde temos a sensação de que todos moram em apartamentos. Pudemos visitar a cratera do Ilchulbong à beira-mar com uma vista estonteante do mar do Japão, e admirar 2 cachoeiras: uma dentro de um parque bem turístico (lotado de turistas chineses), e a outra derramando sua cascata principal direto no mar – de acordo com os coreanos, a única na Ásia, mas depois descobrimos que existem outras no Japão e na China – viva Policarpo Quaresma e seu ufanismo exagerado.

Eis a “única” cachoeira que derrama direto no mar na Ásia, de acordo com os coreanos…

Vista da vila de Ilchulbong na costa de Jeju…

…e uma vista da cratera do Ilchulbong, com o mar do Japão ao fundo.

No parque das Esculturas. (Parênteses não muito a ver: Jesús Soto, meu escultor atual predileto, morreu semana passada. Fiquei triste. Ainda tinha esperanças de vê-lo de perto. Uma pena, a arte perdeu um expoente lúdico. E ganhamos suas obras para a “eternidade” humana. Fecha parênteses.)

Na viagem do fim-de-semana passado curtimos o outro lado da ilha. Desta vez, ficamos em Jeju-si, e o tempo estava frio (~5°C), o que nos impediu qualquer contato com a água do mar. Além disso, no sábado choveu muito, melando alguns passeios. Mas conseguimos entrar na caverna Manjanggul, uma caverna de lava, essa confirmadamente a maior visitável do mundo: 13 km de extensão! Em alguns momentos, o diâmetro da caverna minimizava nossa existência, e em outros tornava-se claustrofóbico. Ao final da trilha que estava aberta – entenda-se sem desabamentos recentes ou outros inconvenientes – um pilar de lava de 7m de altura, resultado de um buraco do solo que permitiu o gotejamento da lava que escorria por cima. Inacreditável.

À tarde, visita a um vilarejo típico que recebe dinheiro da UNESCO para ser preservado: Seongeup. Cada quintal revelando um aspecto do modo de vida secular das pessoas que por ali passaram. Mais tarde, ao visitar o Museu Folclórico e de História Natural em Jeju-si, pudemos entender melhor como essas pessoas interagiam nos idos dos séculos passados naqueles locais. Uma casa era composta de várias “mini-casas”, cada uma com um ambiente. Nas mais simples, a cozinha estava próxima à sala de estar. Uma casa separada geralmente funcionava como quarto e banheiro. Outra casa servia de estábulo, e no meio do quintal, os potes com comida (leia-se kimchi) fermentando em pimenta durante o inverno. Mais coreano, impossível.

Organização de uma residência tradicional de Jeju.

O pilar de lava que gotejou na caverna Manjanggul.

A cachoeira seca do parque de Cheonjeyeon. O reflexo dá uma noção da perfeição natural do recorte do terreno.

Domingão, tempo melhor, pudemos andar mais ao ar livre pelo lado oeste da ilha. Primeira parada na encosta de Jusangeollidae. Sem brincadeira, o lugar parece ter sido cortado por uma guilhotina de tão padronizado que é. Mas não foi, e isso pra mim foi a atração mais exótica que visitei. Adorei os paredões recortados em hexágonos perfeitos. Em certas áreas, parecia que a prefeitura tinha pavimentado o costão de tão perfeito que as pedras/paralelepípedos eram! Nesses momentos é que eu grito bem alto: eu amo vulcões! Só mesmo esse fogo mágico para permitir beleza tão indescritível no planeta. Eu sei, eu sei, tragédias humanas ocorrem também, e eu não esqueço disso. Mas o que fica é tão bonito…

Após o costão, rumamos para o parque de Cheonjeyeon, com 3 cachoeiras: uma seca, outra fraca, e uma linda, com direito a arco-íris, ponte asiática e pagoda coreana no final, pra ficar bem na foto. Cachoeiras mais que civilizadas, portanto, com escadaria de acesso e todo conforto possível.

Costão de Jusangjeollidae, e sua paisagem altamente ordenada, que lembra muito o Causeway’s irlandês.

De lá, pro Parque de Esculturas de Jeju, uma surpresa no roteiro: sinal de arte contemporânea num local onde nos sentimos tão “parados no tempo”. As esculturas eram todas de artistas coreanos, com estilos ocidentalizados ou não. Bem a minha cara, o que eu gosto de ver em exposição. Gostei de uns ovos espalhados pelo jardim, achei a idéia interessante.

Pra fechar o dia com chave de ouro, fomos a um jardim de Bunjae (fala-se “bundjé”), comumente conhecido como bonsai. Aliás, bonsai é o nome japonês, e dada a rivalidade inerente entre Coréia e Japão, é claro que eles não iam manter o mesmo nome, afinal eles não mantém o mesmo nome nem pro convencionado Mar do Japão, que dirá literais pequenezas como bonsais!

Um bunjae florido! Os melhores perfumes, nos menores frascos…

Disputas à parte, o jardim foi um deslumbre. Primeiro, árvores de mais de 100 anos do tamanho do meu braço. Segundo, carpas coloridas fluorescentes, resultado de misturas genéticas frankestéricas valorizadas por aquaristas e afins. Terceiro, uma paz incrível no lugar. E por último e não menos importante, verdadeiras frutas e flores nas árvores pequenininhas, impressionante! Sou analfabeta nível Mobral em bunjaes/bonsais, embora ache-os bonitos, e gostei de aprender que muito mais que manter uma árvore pequena, o bunjae/bonsai é a arte de manter a planta de uma forma esteticamente agradável. Sempre os galhos ordenados, e quando eles se tombam todos para um lado enovelados, estão entrando em harmonia plena. Onde a botânica encontra a arte oriental.

Um Haribong, estátua tradicional de Jeju feita de rocha vulcânica.

E depois desse refresco mental, nada como voltar pra casa e retomar com novo fôlego as preocupações do dia-a-dia.

Tudo de bom sempre.

 

 



Booking.com

Nesses dias, estou extremamente ocupada escrevendo um artigo sobre selênio (símbolo: Se), esse elemento da tabela periódica tão importante em nossas vidas. O artigo refere-se ao meu trabalho antes de me infiltrar no campo da diabetes; portanto tive que dar uma boa recapitulada em vários tópicos para voltar a “pensar selenificamente”. É engraçado como quando estamos envolvidos com algum assunto a fundo, todo o resto do mundo parece girar em torno do nosso tópico. Foi assim com a soja, com a teoria do caos, com a tiróide, com a produção de calor… todos tópicos com os quais já lidei em algum momento na vida profissional. Um certo egocentrismo isso. Eu pelo menos acho.

E agora estou pensando em selênio. Para quem não sabe, uma dieta pobre em selênio pode gerar problemas de tiróide, pode aumentar sua probabilidade de desenvolver diabetes ou câncer, pode te envelhecer mais rápido, pode te dar arteriosclerose, pode gerar infertilidade masculina, pode ser que aumente sua chance de desenvolver Alzheimer – esse último “pode”, não muito claro para a ciência ainda.

Em geral, comemos bastante selênio normalmente – e NINGUÉM precisa se preocupar com isso. Os alimentos que mais concentram esse elemento são a castanha-do-pará (tão rica em selênio que é contra-indicado comer com freqüência), o alho, o brócolis, as folhas verde-escuras, e principalmente produtos animais, mais especificamente carne. Existe uma discussão sobre se o selênio da carne é melhor absorvido pelo nosso intestino – e se isso um dia for verdade, uma dieta 100% vegetariana é tudo que você NÃO quer na sua vida. Não vou entrar no mérito filosófico da questão, mas deixar apenas minha singela opinião de que uma dieta equilibrada sempre foi e sempre será a chave para qualquer pessoa saudável. (Vale também aqui aquele ditado: casa de ferreiro, espeto de pau. Minha dieta à base de café e poucas frutas não é nada saudável.)

Em geral, as plantas absorvem selênio porque crescem em solos ricos em selênio. E a maioria dos solos no mundo é bem rica. No norte da China e da Rússia existe uma região de solo pobre em selênio, e foi lá que os pesquisadores foram começar a estudar o que a falta de selênio pode acarretar nas pessoas.

Ao ler isso, por favor não vá na farmácia mais próxima e compre suplementos de selênio! Porque o excesso também é muito maléfico, e eu diria pior que a falta. Excesso de selênio pode dar uma sobrecarga nos rins, além de não significar de forma alguma que você estará imune às doenças que citei acima – pelo contrário, outros problemas maiores virão. Felizmente, nosso corpo e o dos demais seres vivos tem maneiras muito eficientes de regular a quantidade de selênio, sendo totalmente desnecessário que complementemos a nossa alimentação com cápsulas do mesmo.

E isso é algo que me espanta. Já vi sendo vendido por aí suplementos com quantidades absurdas de selênio. Os engambeladores aproveitam um buraco da legislação, e colocam no mercado essas “bombas” que literalmente te detonam. Uma coisa é ser uma droga aprovada pelo FDA (órgão americano que legisla sobre comidas e medicamentos) para comercialização. Outra coisa é você vender algo como “inofensivo” suplemento alimentar – não passa por um processo tão rigoroso para ser aprovado pra consumo. O selênio embarcou nesse último bolo, como suplemento. (Recentemente, vi algo parecido sobre o noni, uma fruta do Tahiti, e discuti isso com a Alessandra. De acordo com a propaganda do trambique, o noni soava bem milagroso também. É o mesmo caso: pra passar como suplemento é mais fácil. E mais facilmente você ganha dinheiro em cima dos trouxas.)

E como minha cabeça anda totalmente selenificada, eu espero não ter entediado ninguém com esse texto nerd, cuja única referência bibliográfica foi a minha curiosidade científica inata.

Tudo de bom Sempre.

Fervendo em Rotorua

Gêiser Pohutu e seu terraço.

No início de dezembro passado, fiz um post sobre minha viagem para a Nova Zelândia, e desde então me prometi dedicar um post inteiro à região que mais me chamou a atenção naquele país: Rotorua. Chegou a hora de colocar pra fora antes que a minha desmiolada memória esqueça de detalhes interessantes.

Rotorua fica na região central da ilha Norte da Nova Zelândia. Não é uma cidade muito grande, mas é turisticamente importante devido às fontes geotermais e gêiseres da região, que me deram a surpresa da novidade que tive ao chegar – nunca havia visto um gêiser antes na vida. Como fiz uma viagem curta, passei apenas 2 dias em Rotorua. Muito pouco! Deveria voltar lá e ficar pelo menos uma semana. Entretanto, foi o que deu pra fazer, e eu fiz.

 

Lama em ebulição, uma constante em qualquer aventura por Rotorua. Esses lugares são na Terra mesmo, você não está vendo uma foto da NASA de Marte ou Plutão.

Aquarela do Artista, em Wai-o-Tapu, e colocando a mão na água quente do rio em Waimangu – temperatura em torno de 50C. Minha frase entre-dentes nesse momento: “Tira essa foto rápido!”

Cheguei lá em um ônibus de mochileiros, e a hospedagem foi obviamente em um albergue da juventude. Nada mal, pois até piscina aquecida tinha – o aquecimento é natural pois as águas da região são quentes devido ao calor do subsolo. Aliás, para entender toda a geologia de lá, a melhor explicação que ouvi foi de um guia turístico no museu Te Papa, em Wellington (ele explicava isso para um grupo de crianças): se você bebe muito refrigerante numa refeição; ora, refrigerante tem gás, logo você começa a soltar os gases que ingeriu de 2 formas, arrotando ou soltando puns, certo? Pois bem, Rotorua é isso aí. São os “puns” que os vulcões da Nova Zelândia e adjacências soltam, liberando a pressão que surge dentro da Terra naturalmente, gases estes resultantes das inúmeras reações químicas que rolam nas profundezas do subsolo. Ao invés de toda essa pressão explodir de uma vez, ela vai sendo liberada aos poucos pelas rachaduras na crosta – Rotorua é onde a crosta terrestre é mais fina no mundo (de acordo com o que eles dizem). Essas “rachaduras” de liberação de pressão permitem o fenômeno dos gêiseres e fontes geotermais. E esses “puns” fedem tanto quanto os nossos: Rotorua cheira a sulfa onde quer que você esteja. A cidade é pra lá de fedorenta, mas como (quase) tudo na vida, depois de um tempo você se acostuma e nem percebe mais. E aí a aventura começa literalmente a esquentar.

Gêiser Lady Knox e seu respectivo terraço.

Rotorua também tem vulcões e crateras, é claro. E é lá que 2 placas tectônicas se encontram, em pleno Anel de Fogo do Pacífico, e passeiam lado a lado, gerando fricção suficiente para manter os vulcões da região em atividade. Como boa “lava junkie”, não poupei esforços diurnos (nos parques e trilhas) e noturnos (no Lava Bar, hehehe!!) para curtir ao máximo a geologia do lugar.

Assim que cheguei, fui direto visitar o parque Whakarewarewa, famoso pelo gêiser Pohutu e pelas muitas mini-crateras de lama borbulhante. Em 2 horas, você dá a volta completa pelo parque, ainda com direito a aproveitar as apresentações maoris que eles oferecem. Esse é o parque mais próximo da cidade e vale como GEO101: Introdução a Geologia e Fontes Geotermais.

No dia seguinte, fui a uma cidade vizinha a Rotorua, chamada Taupo, e pontualmente às 10:15 da manhã, estava eu na arquibancada do gêiser Lady Knox, esperando o dito cujo entrar em atividade e liberar jatos de água direto do fundo da Terra. De acordo com o que havia lido antes, esse gêiser está ativo todos os dias no mesmo horário há centenas de anos, um evento pra lá de estranho, considerando-se a mamãe natureza como é. Depois o motorista do ônibus que nos levou lá veio com um papo de que eles colocam sabão no buraco do gêiser para que ele entre em atividade todo dia. Sei lá, comprei a história do motorista, porque é muito estranho esse ciclo de 24 h certinho para um gêiser em ebulição. Um excelente “jeitinho neozelandês” pra atrair turistas.

Vista do lago da Frigideira e sua fumaça constante do calor. Abaixo, um pedaço do delírio de sulfa que é a região de Rotorua.

Depois, fui visitar o parque de Wai-o-Tapu. Vale a pena ir e perder uma manhã ou uma tarde andando por lá, porque as singularidades são muitas. Em primeiro lugar, um terraço de sílica enorme, que foi sendo construído a partir da água + minerais que escorreram da Piscina de Champagne, outra atração imperdível. Esse “Möet Chandon” verde claro fica borbulhando o tempo todo, e em sua borda, depósitos de antimônio dão uma tonalidade laranja, complementada pelo solo branco-marronzado: uma viagem psicodélica pra Jim Morrison nenhum botar defeito. Mais caminhadas e me deparei com o lago Aquarela do Artista, em todas as cores, também fruto da miscelânea mineral que brota por aqui. Ando mais, e outra cratera colorida, o Banho do Diabo, dessa vez com um líquido verde fluorescente de doer os olhos. Parecia que alguém havia derrubado uma caneta marca-texto verde na água e tingido, pois não dava pra acreditar que aquela cor era natural. Mas é.

(Detalhe: todas essas crateras e lagos coloridos têm o pH extremamente ácido e a temperatura acima de 50 C. Ou seja, nem sonhe em colocar a mãozinha lá. A piscina de champanhe tem pH médio de 2, o que é quase o mesmo que ácido sulfúrico puro.)

As cores da Piscina de Champanhe, e mais uma cratera colorida pra alegrar o dia de caminhadas!

Reservei a tarde para a trilha do vale de Waimangu, onde ficam a cratera do Diabo e o lago da Frigideira, esse um lago quente que é na realidade uma cratera também, ambas do vulcão Tarawera. A Frigideira foi formada em 1917, quando houve uma explosão vulcânica que modificou todo o terreno, gerando esse lago e aumentando o nível do lago Taupo, no centro da Nova Zelândia. Aliás, o lago Taupo é na realidade uma caldeira, ou uma cratera afundada que drenou água para dentro dela.

Detalhe do Terraço de Mármore, com troncos secos. Abaixo, a cratera Banho do Diabo e seu verde fluorescente de doer os olhos.

Fervendo em Rotorua

Terraço de Mármore com piscina de iodo ao fundo.

Em Waimangu, além dos exemplares peculiares de diversidade biológica neozelandesa, pude percorrer o curso do Rio Quente, cuja temperatura inicial é de quase 70C e ao encontrar-se com um rio frio, abaixa um pouco, e gera os terraços de Mármore. Ao lado destes terraços, outra extravagância da natureza de Waimangu: a piscina de Iodo, que obviamente possui iodo em alta concentração – o que me fez lembrar os velhos tempos de pesquisa em tiróide.

Depois de Waimangu, tive que dar adeus à Rotorua, esse lugar onde parece que você está em outro planeta. Tudo que é bom dura pouco. A viagem por lá tinha acabado, mas o sonho de voltar e rever todo aquele psicodelismo da natureza, não.

Tudo de bom sempre.

Esse início de ano está complicado para mim. Na realidade, desde o início de dezembro não descanso a mente. Sempre vou dormir com alguma coisa que ficou pela metade para ser feita, uma sensação que me irrita e drena minha alma. Os meus momentos de lazer – ironia do destino – são no laboratório, trabalhando, quando sento e penso nos experimentos, na vida e desligo das demais preocupações. Desde dezembro, estou pulando de uma preocupação a outra, rodando a baiana para conseguir resolver tudo em tempo hábil nesse frio – sim, está bem frio por aqui, e eu sofro com o inverno.

Não que sejam coisas ruins ou chatas ou tristes, pelo contrário – apenas são tarefas que requerem raciocínio e concentração. Sabe quando tudo acontece ao mesmo tempo agora? Está assim a minha vida. Na modesta lista de afazeres que se acumula no meu quadro mental, estão: um artigo para escrever sobre meus experimentos do Hawai’i ainda (com minha ex-chefe na cola por tal coisa), um monte de experimentos no laboratório atual para serem realizados e analisados, um estudante que coordeno num projeto que está emperrado o qual preciso solucionar o pepino, fotos para serem organizadas ainda da viagem da Nova Zelândia no início de dezembro, preparar/ler/organizar os locais de interesse para nossa próxima viagem em fevereiro, ler “Crime e Castigo” pro Clube de Leituras do Alexandre, conseguir desgrudar o olho do blog do Alexandre e suas prisões interessantíssimas e com comentários melhores ainda, bolar/executar passeios por Seul com meus sogros que estão nos visitando por um mês, parar de ler/reler/treler/ quadriler/quinqueler o post do Camburizinho sobre Nansen (o mesmo para as minhas “viagens” montanhistas na forma de reportagens, livros e afins), responder os emails que só se acumulam, terminar a transferência de músicas dos meus cds pro hard disk externo, arrumar malas pra pequena viagem de fim-de-semana da semana que vem(!!!), além, é claro, do basal: tentar ser entendida em coreano, fazer compras, lavar roupas, dormir, tomar banho e comer. Como dizia um professor que eu detestava na faculdade: o que você faz de meia-noite as 6?

Minha cabeça anda a mil, caótica, e não consigo puxar as rédeas de meus neurônios hiper-ativos – bem, as pelo menos 4 xícaras de café preto por dia também colaboram para tal situação. E foi pensando na minha cabeça caótica que hoje vim divagando no metrô sobre a cabeça das pessoas. O que as pessoas pensam? Em que viajam suas mentes mundanas? A Mônica, no último post, comentou que ficava imaginando o que se passaria na cabeça das ajumás, e eu confesso que isso me vem à cabeça constantemente também. Não só das ajumás, mas de tudo ao meu redor, incluindo aí meu gato Catupiry, as crianças que saem da escola, o cara que me serve no bandejão da empresa, enfim, TODOS a minha volta mesmo.

Quando morava no Rio, em 1998, e passava por um dos momentos mais difíceis da minha vida, eu sempre andava de metrô pensando a mesma coisa: o que será que essas pessoas ao redor estão pensando nesse momento? Quais são seus problemas? Será que ganharam na loto e não sabem? Será que terminaram um namoro, perderam um parente próximo, têm um convite pra um emprego melhor? Na época, eu passava por um momento difícil, e me pegava pensando o reverso da situação: será que os desconhecidos ao meu redor sequer imaginam o aperto que estou passando agora?

Um caos mental. Esse exercício de imaginação e criatividade (às vezes eu verbalizo minhas histórias pro André, que delira com as viagens malucas) beira à insanidade para alguns, mas me faz dar risadas e refletir sobre nosso caos interno, o quanto somos escravos da ordenação. Cada vez que um pequeno distúrbio surge, ficamos assim, perdidos, com essa sensação de entropia. Por que não manter o caos em nosso cérebro e a partir daí tentar determinar sua organização? (O caos determinístico, quem sabe…)

E se conseguíssemos fractalizar os pensamentos nossos e dos outros, chegaríamos a uma espiral lógica? A uma figura imaginária comum? Ou isso é caso pra hospício? Será que na atual conjuntura minha cabeça é a maior prova prática da teoria do caos, e eu consigo pôr pra fora um texto pra Balada do Louco com a minha própria experiência? Será que conseguirei relaxar no próximo mês? Será que eu esqueci o aniversário de algum amigo por esses dias? Será que o filme do Bob Esponja já chegou aqui nos cinemas da Coréia?

Aos vencedores dessa corrida maluca pela razão e pela organização, as batatas.

Tudo de bom sempre.

P.S.: Esse post “fim de feira, fim de domingo, fim de noite, fim da pilha” não é representativo do conteúdo deste blog. Amanhã (espero!) esse blog volta ao normal, após uma boa noite de sono… Bons sonhos a todos.

Postado em 16/01/2005 por em Mallices

Na Coréia existe uma subespécie humana chamada Homo sapiens ajumensis, ou no dito popular, a ajumá. Não subespécie na forma diminuída ou pejorativa, pelo contrário; subespécie como categoria taxonômica mesmo: reproduz-se com outros da mesma espécie, e sua existência é fruto do isolamento geográfico/cultural que a Coréia enfrenta, sendo portanto discutida a sua existência em si como subespécie.

Ajumá
Ajumá acocorada (claro!) trabalhando em uma pilha de peixes que serão ressecados e daí virarão sopa ou pacotinhos de peixe seco que serão consumidos como batatas fritas. Na foto abaixo, também acocorada com a típica viseira e vendendo frutos-do-mar num mercado de peixe.

Eu explico: ajumá é a denominação dada às matriarcas da família típica coreana. Eu criei essa tradução, porque obviamente não existe tradução – a palavra existe apenas em coreano e é escrita assim: 아 주 마. Embora ajumá seja um tratamento formal e educado de chamá-las em coreano, eu e André (como bons brasileiros) descambamos o termo pra mais pífia brincadeira, referindo-se a essa mulher de características peculiares que beiram um personagem de “A Grande Família”.

A ajumá em geral tem mais de 40 anos, mas para os coreanos, qualquer mulher casada já está em vias de se tornar uma ajumá. Ser ajumá é um processo. Quanto mais velha, mais ajumice. É ela quem detém o poder absoluto de organização da vida familiar. Ela quem cuida da casa, dos filhos e netos, cozinha, enfim, a gerente geral do lar. E não é só isso. A ajumá tem uma função muito forte dentro da família, função esta que os homens coreanos fazem questão de minimizar – para a contentação do machismo puro e simples. Enquanto o marido pesca, ela vende o peixe. De sol a sol, ela ajuda na colheita da lavoura. Está sempre atrás dos balcões das lojas, gerenciando os negócios da família. Sua participação é intensa em todos os níveis da organização conjugal. E de quebra, tem que ter uma receita única de kimchi (repolho fermentado em pimenta) passada de geração para geração – se não tiver, não é ajumá ainda, está apenas aprendendo. Apenas essa descrição, levaria à modesta conclusão de que ajumá pode ser qualquer dona-de-casa, mas não se engane: há algumas peculiaridades….

Exemplos? O cabelo enroladinho curto, fruto de um permanente barato; a viseira gigante cobrindo todo o rosto e a mochilinha nas costas recheada com tupperwares de kimchi e outros pratos coreanos, ou então um saquinho de lula seca para “mastigar nas horas de lazer no metrô” – aqui Ruffles não é famoso, o negócio é comer lula seca da ilha de Ulleung-do, um must. Outro ponto certo: a maneira de literalmente “voar” atrás de um assento em qualquer transporte público, não interessando se a vizinha é outra aprendiz de ajumá grávida. Ajumá de verdade senta no metrô, e ponto. E se não tem banco vazio, acocora-se no chão. Aliás, a posição mais comum de se encontrar uma ajumá pelas ruas é acocorada, por horas a fio. Como já percebi, isso leva a um sério problema de coluna com o avançar da idade, pois a maioria das senhoras idosas aqui são muito curvas, escoliose e cifose em grau avançado.

Ajumá também gosta de música, e para os momentos de reunião com outras ajumás, ouve “trot”, uma espécie de música breganeja + pagode tipo Negritude Júnior + bandinhas marciais do coreto da esquina + som de gaita de fole desafinada. A oitava maravilha sonora, como podem imaginar. Aparentemente, os cantores de trot falam em suas canções de coisas da vida de ajumá, o que favorece o sucesso entre as mesmas. Mas atenção, leigos em Coréia de plantão! Não tentem fazer uma viagem de 3 horas com as ajumás (como fizemos em maio de ferry-boat para Ulleung-do): seus ouvidos agradecerão deveras a não-exposição ao trot. (Os jovens coreanos em geral detestam trot, e dizem exatamente isso: é música de ajumá.)

E pra falar a verdade, embora a gente brinque, caricature e dê risadas, eu tenho que confessar: elas são super-mulheres numa sociedade tão hierarquicamente estruturada e rígida. Porque pra fazer tudo isso, agüentar as ranzizices machistas dos homens coreanos, e ainda por cima rir e dançar ao som do trot… é mulher-macho, sim senhor!

Tudo de bom sempre.

Tinha várias outras coisas para serem escritas, mas nos últimos 3 dias, sei lá eu por que razão, todos os caminhos virtuais que trilhei levaram ao Aconcágua. Essa massa enorme de rocha e gelo que sobe até 6,962 m nos Andes na Argentina. E como portadora da febre do Everest, não poderia de comentar pelo menos 3 cositas sobre montanhismo que li por aí.

1) O “casal Aventura”

Notícias tristes primeiro. A morte do dentista Daniel e a quase-morte de sua esposa na descida pós-cume do Aconcágua. Até no blog do Alexandre (que é mais sobre literatura) tinha uma notinha sobre esse fato – que sinceramente chamou minha atenção, mas não tanto. Quem tem a febre do montanhismo sabe que a montanha é quem manda em qualquer escalada, por mais “simples” que você pense que ela será. Por incrível que pareça, morrer faz parte, e nesse caso uma parte razoavelmente grande do risco. Dominar a montanha, chegar ao cume, é para gigantes, não reles mortais como eu ou você. Aparentemente, pelo que li na Folha e em outros jornais, o casal de Sorocaba não tinha lá essas experiências com montanhismo e durante a escalada não tinha um guia local, fatores que colaboram e muito para o sucesso em uma subida. Sequer tentaram fazer apenas o trekking por lá antes. Uma coisa é aventurar-se em cavalgadas, rafting, paraquedismo, mergulho, etc. Outra coisa é dominar o gigante… Montanhismo é o esporte radical que mais mata de longe em qualquer estatística. Sem treinamento pesado, não se chega nem no sopé de uma dessas fortalezas desoxigenadas. Enfim, a notícia me chamou atenção mas considerei “normal”, visto que eles meio que precipitaram-se em vários aspectos. Acho que a notícia também não abalou o mundo montanhista, visto que o EverestNews (link aí ao lado), que é o site mais visitado entre alpinistas profissionais para informações de todas as montanhas do mundo, nem notificou nada sobre a morte deles. Mas taí meu comentário.

2) O Projeto diabetes-8,000m

Notícia meio velha, mas achei essa semana fuçando pela rede, e considero interessantíssima. Aliás, repassei pros meus amigos diabéticos através do Orkut, Yahoo e afins. Patrick Hoss, alpinista profissional de Luxemburgo, descobriu-se diabético tipo 1 em 1999. Após o tradicional período de “aclimatação” à doença, resolveu que deveria provar a si mesmo que conseguiria continuar suas aventuras montanhistas mesmo diabético. E começou… adivinhem? Pelo Aconcágua. Treinou e controlou glicose e insulina ao máximo, acompanhado de uma equipe preparada. Chegou ao cume do Aconcágua com hiperglicemia, mas feliz. Não excedeu seu limite em momento algum, e provou que podia continuar sua vida normalmente com a diabetes. Como a notícia é velha, Patrick Hoss subiu o Aconcágua em 2002. Desde então, subiu o Mount McKinley, a mais alta montanha do Alasca, local inóspito e de condições climáticas extremas. Sempre mostrando que diabetes não é doença, é condição. Você é o responsável em transformá-la (ou não) em doença. E Patrick tentou a escalada do Cho Oyu, um dos gigantes de 8,000m do Nepal, mas sua diabetes aliada aos já comuns problemas da altitude e da hipóxia, falaram mais alto, e ele teve que retornar do acampamento I, a uns bons 6,000m de altitude. Patrick Hoss é um gigante em vários sentidos. Ele pode dominar a montanha.

3) Waldemar de volta ao topo do mundo

Waldemar Niclevicz e Mozart Catão foram os primeiros brasileiros a chegar ao topo do Everest, em 1995, pelo Tibet. Desde então, uma tragédia no (mesmo) Aconcágua levou Mozart, um profissional do montanhismo. Waldemar continuou subindo montanhas e dando palestras. E nesse ano de 2005, já anunciou sua tentativa de subir o Everest e o Lhotse (que fica ao lado) no que chama de “10 anos do Brasil no Everest”. Celebração da conquista da grande montanha Sagarmatha. Dessa vez, subirá pelo lado nepalês com seu amigo Irivan Gustavo Burda, também alpinista de respeito. Desde o momento em que li a notícia há alguns dias, estou torcendo pelo sucesso dos 2! Mais motivação para ler os dispatches deste ano. Brasil-sil-sil-sil!!!

Tudo de bom sempre. A qualquer altura.

1 ano de hangul

Hoje faz um ano que chegamos na Coréia do Sul. Parabéns para nós, que desde então fazemos parte dessa minoria constituída por cerca de 250 tupiniquins (a maioria jogadores de futebol) que moramos nesse país longínquo e totalmente diferente da nossa pátria-mãe. Diferente MESMO, de uma forma que ninguém que nunca pisou na Ásia tem a menor idéia. Eu já morei em outros países, portanto choque cultural era algo que eu ACHAVA que sabia lidar. Nada mais enganoso: foi numa pequena cidade da Ásia que o choque cultural falou mais alto. É aqui que você fica “lost in translation” por completo, dá risadas e chora por isso. É aqui onde não adianta você falar inglês, francês, alemão, italiano, japonês, português, havaiano, espanhol… nada, nenhuma dessas línguas te ajudará se você não lê (pelo menos) o Hangul, o alfabeto coreano. Porque até quando eles escrevem em inglês, usam os caracteres coreanos do hangul. Portanto, camarada, se qualquer um quiser um dia vir para essas bandas, que faça como eu fiz: entre num cursinho de coreano para pelo menos saber ler os desenhinhos que eles fazem. Isso ajuda e muito.

E o choque não parou por aí: continuou – e ainda continua. Aliás, é isso que ele é: CONTÍNUO. Estou provando a mim mesma que posso ir onde quero, que o choque cultural ensina muito mais que qualquer enciclopédia ou livro, que tenho força para enfrentar grandes dificuldades e aprender na adversidade. Aprender muito. Está valendo. E vai valer por mais um tempo. E nesse período…

Tudo de bom sempre!

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