Natal na Coréia

Presépio à la Coréia, com um casal de confucionistas típicos fazendo o papel de José e Maria. Foi sem dúvida a maior bizarrice religiosa/cultural que presenciei no Natal por aqui. O presépio estava montado no hall de um hotel em Seul, e talvez isso dê um desconto na estranheza da coisa.

O Natal na Coréia do Sul é uma experiência que eu classificaria como surreal. Para aqueles que não curtem muito o espírito natalino, talvez Seul (ou uma cidade mais pro interior, como Ansan, onde moro) seja o local ideal. Existem, é claro, manifestações ocidentais do Natal – árvores, figuras de Papai Noel enfeitadas, vendedores com gorros vermelhos, etc. Mas nada muito exagerado, tudo na mais precisa discrição coreana. Aliás, nem parece que é Natal.

(Parênteses: isso me faz lembrar um filme tipo Sessão da Tarde que passa com frequência demasiada aqui, mas não lembro o nome, e podia entrar na lista dos 100 piores do Rafael… O filme é com Michael Douglas no papel de presidente dos EUA, e ele se apaixona por uma ecoxiita do segundo escalão. Enfim, mas a parte que me lembrei é no jantar de Natal da Casa Branca, 2 assessores do presidente (um deles o Michael J. Fox) conversam sobre política e afins, e uma terceira assessora chega e fala: “Vocês não conseguem parar de falar de política nem no jantar de Natal?” E o Michael J. Fox fala: “Natal? É Natal?” E o outro cara responde: “Você não recebeu o memorando?” É uma piada sem graça de doer, mas eu adoro. Sinto-me no momento como se também não tivesse recebido o memorando informando que é Natal. Fim do parênteses.)

Embora o povo coreano seja muito cristão (o que eu acho esquisitíssimo), não há a tradição de reunião familiar, comer peru – mesmo porque essa ave é raridade nos supermercados por essas bandas – comprar e dar presentes. Tudo é meio que “copiado” dos ocidentais, e sem identidade. E sem muita relevância. Coletando informações com colegas de trabalho, descobri que a única tradição de Natal prevalescente é ir a igreja no dia 25. Só.

Não iremos à igreja, mas conseguimos achar umas coxas de peru num mercado de importados e a Cyntia me deu uma receita de salpicão. Essa será nossa discreta janta de Natal. Afinal, o Natal está tão apagado por aqui, que esse menu já está é pra lá de brilhante.

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Nesse fim de ano, embora do outro lado do planeta para a maioria de meus amigos, tive a oportunidade de participar de 2 amigos Xs virtuais (cresci no ES, lá se fala Amigo X, não amigo oculto ou amigo secreto). Hoje (finalmente!) arrumei tempo para homenagear as 2 pessoas que me presentearam com tanta delicadeza e doçura. Como bem disse o Guilherme: “dezembro é o seguinte…”

O primeiro amigo X foi entre amigos meus do Brasil, e a Patrícia (vulga Pati Maçãzinha) me tirou, e mandou de presente uma apresentação no Powerpoint linda com fotos dos meus tempos de faculdade, e frases que me tocaram profundamente. Adorei demais, pois me ao ver os slides, me senti numa viagem no tempo, de volta aos corredores da UFV, e principalmente de volta às festas loucas que rolavam na minha república nos tempos de faculdade. Eu amo fotografia, e um presente fotográfico/nostálgico foi a melhor coisa que poderia ter chegado para mim! A Pati era 2 anos mais velha que eu no curso de Biologia, e fazíamos parte juntas do PET-Bio (Programa Especial de Treinamento), um programa da CAPES que garantia uma bolsa de estudos às custas de tarefas que colaborassem com a melhor formação do biólogo. Não sei se colaboramos na formação de biólogos, mas com certeza muito nos divertimos com aquela galerinha.

Meus presentinhos queridos vindos da Aline… direto da Cracóvia!!

O segundo amigo X foi o blog da Denise, e nesse eu tirei a Alessandra (que fez um texto lindíssimo para mim no blog dela) e a Aline, do blog “Era uma vez um verão em Cracóvia” me tirou. Havia pedido de presente de amigo X uma caneca do lugar em que a pessoa estivesse, pois gosto de canecas e gosto de lugares. (Tanto que tenho um blog sobre lugares/viagens, não é mesmo?) A Aline não só mandou uma caneca muito legal como adicionou/enriqueceu o presente com um pingente de coração, um dragão em miniatura, um cartão da Cracóvia (que já está devidamente colocado na minha geladeira, que é coberta por postais de lugares diferentes) e principalmente, um mapa/caderno de informações da Cracóvia… Bem, nunca estive por lá, o que por si só já me deixou extremamente animada. Agora fiquei mais com gostinho na boca ainda. E fuçando pelo blog dela, descobri que ela tem um cachorro chamado Ousama, que tem até um fotolog – me deu uma vontade enorme de fazer o mesmo pro Catupiry!

Confesso que embora tenha pedido a caneca, gostei mais de ganhar um livreto sobre a Cracóvia. Não que não tenha gostado da caneca, mas a curiosidade sobre um novo lugar que me apossou no momento em que abri o livreto… parece que a Aline leu a minha alma viajante! Fui “obrigada” a devorar as dicas e já sonhar com uma possível “passada básica” por lá em algum momento da vida. Já tinha ouvido de amigos alemães que a Polônia era um lugar muito bonito de se visitar, mas nunca estive muito atraída. Pois bem, Aline, você conseguiu… agora vou “viajar” na idéia de um dia conhecer a Cracóvia!

Quando isso acontecerá, não posso afirmar ainda. Mas que vai acontecer… ah, isso vai! (Será que se eu acrescentar esse pedido de última hora na minha lista de Papai Noel ele escuta e me atende?)

Tudo de bom sempre. E Feliz Natal a todos que me acompanham nessas linhas viajantes!

Ok, eu havia me prometido só postar algo aqui sobre o Natal na Coréia nesses dias. Vou escrever amanhã sobre isso, pode deixar. Mas não pude passar em branco sobre essa informação, principalmente depois do que escrevi sobre o Michael Crichton (veja abaixo).

Afinal, HOJE está na Nature uma série de reportagens sobre aquecimento global e o mal-fadado livro do Michael Crichton sendo massacrado por uma batelada de cientistas de renome num blog sobre o tema, iniciado dias após o lançamento do livro de Crichton. O blog foi organizado por cientistas figurões do campo de aquecimento global. Parece que eles compraram a briga mesmo, e a Nature não vai deixar esse assunto passar batido.

Acho que mesmo sem ler o livro, não dei tanto furo assim.

😉

Tudo de bom sempre.

(Amanhã eu entro no clima de Natal, ok?)

Li isso ontem no blog da Nature (infelizmente em inglês, galera). É uma análise crítica sobre o novo livro de Michael Crichton, “State of Fear“, em que ele afirma que todo o alarme sobre aquecimento global é puro exagero dos cientistas. E afirma isso baseado em relatórios mal-interpretados por ele mesmo. Ou seja, com o intuito de criar uma boa história de ficção, ele passou por cima da ciência – embora sempre que possível parece se basear nela para argumentar algo no livro. Tudo bem, eu nunca gostei muito do Michael Crichton mesmo, desde “Jurassic Park“. Suas analogias científicas naquele livro sobre teoria do caos foram fracas, além de sua “ressurreição” de dinossauros. Mas era uma novela, uma ficção, então valia o entretenimento.

Mas parece que não entendi o recado, e agora vem mais essa.

Só torço para uma coisa: que Sr. George W. Bush (e seus assessores) não leia esse livro. Porque aí… estamos no sal. Bye-bye, Kyoto, forever.

Discordar é algo positivo, pois geralmente descobrimos uma nova faceta de um problema. Gosto quando pessoas discordam de mim com argumentos convincentes. Na hora, posso até berrar, ficar puta, etc. Mas depois, deitada no meu travesseiro, principalmente depois de uma noite de sono, com certeza se a coerência do argumento e a lógica (não sofismas!) forem patentes, é claro que minha opinião será reavaliada. Isso chama-se contruir um pensamento. E a ciência usa essa forma de trabalhar. Você tem uma tese, alguém pode soltar uma antítese te contestando, e chega-se a uma síntese. Mas querer que construamos algo com argumentos pelas metades e cheios de furos… principalmente depois da quantidade enorme de experimentos que provam que o aquecimento global é, sim, uma dura e triste realidade.

Michael Crichton pisou na bola feio dessa vez.

Tudo de bom sempre.

Aproveitando esses dias nostálgicos/saudosos próximos ao Natal, decidi prestar uma homenagem à minha querida Vila Velha (ES). Cidade onde fui criança e aborrescente, e onde até hoje encontro meu “cantinho” no Brasil. Nasci no Rio de Janeiro, mas sou de Vila Velha…

Sou do tempo em que Vila Velha não tinha nem calçamento na rua da praia, que dirá calçadão. Chegar a Vitória era uma aventura, e nunca íamos à capital a não ser por razões de emergência vital. Era apenas uma cidade-dormitório de Vitória. A Vila Velha da minha infância era pequena, cidade praiana com mentalidade de interior, poucos moradores, e todo mundo estudava no Colégio Marista, no São José ou no Pingo de Gente. Eu estudei no Marista, por toda a minha vida. A base de minha educação foi lá, naqueles corredores enormes, naquele prédio de arquitetura rococó (?) mal-feita, com professores de quem guardo boas lembranças. E quando matávamos aula na escola, íamos para a praia, ver a galerinha surfar e tomar uns caldos nas (pequenas) ondas da Praia da Costa. Teve a época do violão na praia, já adolescente, quando idolatrávamos o Legião Urbana e a banda Soldados do Acaso (só amigos que tocavam nela), e quando jogávamos todas as tardes um vôlei de praia sagrado, em times de quanto-mais-gente-mais-divertido pra cada lado. Verões inesquecíveis de intensa qualidade de vida. Éramos muito felizes e não sabíamos.

Praia da Costa com Morro do Moreno ao fundo, foto tirada em 2003.

Mas Vila Velha, como toda cidade praiana, um dia despontou no horizonte visionário de algum empreeiteiro, que viu ali um futuro promissor de turismo. E começaram-se as obras. Lembro de um período em que definia minha casa como “um prédio antigo cercado de construções de prédios novos por todos os lados”. Vivíamos numa ilha naquele mar de ferros, tijolos, areia e concreto sendo descarregado diariamente para os terrenos vizinhos. Hoje, Vila Velha parece até uma mini-Santos, com um paredão de prédios altos na orla, e poucas são as frestas por onde os habitantes do “centro da cidade” podem respirar a brisa do mar.

Gosto muito de Vila Velha, mas não poupo também duras críticas, principalmente ao crescimento desordenado que aconteceu e gerou poluição, trânsito e lixo. Ultimamente, a violência também vem despontando como um problemão por aquelas bandas. E mesmo sendo hoje uma cidade de quase 300,000 habitantes, ainda guarda uma mentalidade interiorana, onde as pessoas parecem todas se conhecer de alguma forma etérea. Será que essa dicotomia é um mal único ou outras cidades enfrentam o mesmo dilema?

Para um visitante forasteiro, a tradicional subida ao Convento da Penha é tudo o que resta a se fazer na cidade – além de passeios a shopping, que francamente, não fazem meu estilo. Hoje vou a Vila Velha para ficar com meus pais, rever alguns (poucos) amigos que ainda estão por lá – a maioria não aguentou a mentalidade bairrista e interiorana e desertou, espalhando-se mundo afora – e curtir o saudosismo de lembrar uma época que não volta, e que deixou saudade.

O nome é auto-explicativo: a Vila que é Velha. Parte do passado. Mas dá uma saudade!

Tudo de bom sempre.

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Alguém por favor me tira dessa onda nostálgica que me invadiu nesses dias!!!!

Hoje é dia de “software update”. Lucia Malla versão 3.0 acabou de ser lançado no mercado, e vai ficar assim por mais um ano. Como o Ruindows, chegará num ponto do espaço-tempo desse ano em que vai necessitar de melhorias, porque afinal muda o design, muda a casca do programa, mas por dentro, é sempre a mesma “coisa”.

E é por isso que eu uso Macintosh.

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ADORO ANIVERSÁRIOS!

Sempre me satisfiz muito celebrando o meu aniversário e o dos amigos – falou que era aniversário e eu sempre dava um jeitinho de acomodar na minha agenda. Gosto de lembrar, enviar cartões, gritar “Eeeeeeeeeeeee!!!” e cantar a velha musiquinha.

Mas no meu aniversário eu gosto mesmo é de estar com meu amor e com meus amigos, pensar neles todos com o coração cheio – e ouvir o “Birthday Concert” do Jaco Pastorius, pra mim uma das obras-primas desse baixista virtuose que nos deixou abruptamente e hoje toca seu baixo mágico para São Pedro. Para nossa felicidade, o Jaco também já fez no passado algum aniversário especial: foi tão especial que ele gravou em cd e hoje temos o privilégio de ouvi-lo. E eu tenho o privilégio de embalar meu aniversário ao som dele.

(Para os interessados, tenho o “Happy Birthday” dele em mp3, quem estiver a fim me dê um toque que envio com prazer.)

Normalmente no dia do meu aniversário eu dou muitas risadas, como bem (sim, porque nem só de café vive Lucia Malla), e faço o que bem entender, o que estiver na telha. Esse ano, ficarei em casa, curtindo meus dois gatinhos queridos, o Felis catus catupiriensis e o Homo sapiens andresium. Mas já paguei uns micos também.

Em 2001 passei o dia 19/dez voando de Boston para São Paulo, com escala em Miami. As 3 horas de vôo entre Boston e Miami, mais a minha apreensão, o frio de Boston, as mil e uma malas, somadas ao início da era pós-11 de setembro (as empresas aéreas ainda estavam se ajustando à nova realidade), me deram um chilique. Cheguei no balcão da American Airlines em Miami, às 6 da tarde, podre de cansada, e reclamei, reclamei, reclamei da vida com o “aeromoço”. Falei que era meu aniversário e que estava tendo o pior aniversário da vida por causa da desorganização deles (exagero que depois valeu a pena). Resultado: me puseram na business class “de presente”, e eu, que deveria ter 1 dólar na carteira naquele momento, pude desfrutar das regalias dos ricos. Ah! Que presente de aniversário!! Pelo menos dormi a viagem inteira, tranquilamente – e tomei muito vinho.

Mas chega de histórias, que toda essa nostalgia que bate em mim nesse período do ano uma hora tem que acabar. Mas enquanto não acaba, vou é curtir meu aniversário na Coréia, que ninguém é de ferro!

Egoistica/narcisisticamente falando:

FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM!

Viajando total na maionese: Quem quiser me dar um presente de aniversário, aí vai meu pedido: faça algo ecológico hoje – só hoje, depois vocês podem voltar à vida normal de acordo com a consciência de cada um. E só uma dessas coisas já está bom. Exemplos de presentes:

– Não coma atum (que é pescado predatoriamente).

– Regue sua plantinha da sala, pois ela também merece viver feliz.

– Jogue o lixo no lixo – e se possível, recicle o que puder.

– Não ande de carro. Vá à pé ou use o transporte público, caso precise sair de casa nesse domingo.

– Leia um livro bom, que te abra a cabeça e faça você pensar melhor sobre nosso futuro.

– Se der, plante uma árvore (esse presente é difícil, eu sei).

– Pare de reclamar. Faça algo pelo seu problema. Todo mundo tem problemas, eu poderia aqui desfiar uma vida inteira de miserabilidade e momentos limites (não foram poucos, meus amigos antigos e fiéis sabem disso), mas prefiro lidar com isso no meu íntimo e focar esforços para as coisas que me levarão pra frente, não para trás (isso quem me ensinou foi a Cyntia). Mandar uma mensagem positiva para as pessoas nos faz bem, e no final ajuda a ultrapassar os problemas. Se você cumprimentar seu vizinho de maneira cordial, já me presenteou por hoje!

– Faça uma piadinha – mesmo sem graça – para alguém. Dar risadas é muito bom!

– Ouça: “First Circle” do Pat Metheny, ou “Round Midnight” (versão do Hermeto Pascoal em “Festa dos Deuses” – de quebra ouça o discurso do Hermeto ao final do disco) ou “G-Spot Tornado” do Frank Zappa (versão do disco “Yellow Shark”), ou o disco “Aura” do Miles Davis, ou “Toada” do Boca Livre, ou o disco ao vivo do Yamandú Costa com Thiago do Espírito Santo no baixo mágico e Edu Ribeiro na batera encantada. E lembre-se de abrir o coração para essas músicas “da alma”. Se ao final de qualquer uma dessas músicas, você der um sorriso (ou chorar de felicidade, para os mais emotivos como eu), já me presenteou, ok?

– Viaje para algum lugar. Nem que seja para o distrito ao lado de onde você mora. Percorrer o mesmo caminho de forma diferente também é uma das VIAGENS às quais me acostumei. Sempre tem algo novo a descobrir nos velhos caminhos…

Puxa, essa lista é longa, não? Abusei da galera! Mas é só hoje.

Tudo de bom sempre – hoje principalmente.

Aos 4 anos, com meus pais num restaurante, de cara amarrada sei lá por quê. Foto nostálgica: um dia eu já fui assim.

Postado em 19/12/2004 por em Mallices, Música

Hoje é meu último dia com 29 anos. Estou ainda curtindo o resto que me falta dos meus “20 e poucos anos”. Não quero de forma alguma largar essa década mágica, que muito me ensinou.

Estou reflexiva, pois chegar aos 30 era uma idéia muito remota em minha mente – e acho que nunca me preparei para tal dia. Mas ele está chegando, finalmente.

Posso dizer que durante meus 29 anos de estrada, minha vida tem sido comum, como a da maioria das pessoas: alegrias, tristezas, perdas, glórias, aprendizado, micos. Muitos micos. Uma vida como outra qualquer. Uma vida vivida intensamente.

Parte pequena dos meus sonhos se realizou, outra grande parte ainda está rondando por aí, em algum recanto do meu subconsciente, esperando o momento para dar o bote.

Sem dúvida, viajei muito – física e mentalmente. Entrei nos 20 anos em 19/dez/1994, em Viçosa, MG, onde fazia faculdade. Na época, uma menina imatura e ridícula, que achava que podia mudar o mundo aos gritos de “Viva o DNA!“. Uma sucessão de 10 alegres aniversários depois, encontro-me do outro lado do mundo, nos confins da Coréia do Sul. Ainda acho que às vezes sou ridícula e imatura, mas fazer o quê? Talvez isso faça parte de mim mesmo, e mesmo com 80 anos, ainda me ache ridícula e imatura. E gritando: “Viva o DNA!”.

Pus meu pé em 4 continentes, além de ter conquistado os ares e os mares, da forma que queria. Morei em lugares inusitados, perdi para o tempo uma criatura muito amada, quase perdi outra – que por sorte se recuperou bem. Conquistei amigos diferentes, reforcei amizades inabaláveis. Conheci o amor verdadeiro. Nesses 10 anos, fui a shows de jazz (e não-jazz!) que sonhava aos 16, ouvi surpresas musicais que me instigaram, dei muita risada e chorei bastante. Vi muito desenho animado e muitos pores-do-sol. Tomei muito café e comi muita maionese – bom, acho que isso não mudará muito. Em síntese, VIVI o que deu para viver, dentro das minhas limitações.

E esse aglomerado de células que juntas chama-se “EU”, será que já começou a viver nos 30, antes de mim?

Tudo de bom sempre.

Postado em 18/12/2004 por em Mallices

André voltou ontem da expedição científica nas Ilhas Marshall. E trouxe más notícias.

Caminhonete carregada de tubarões mortos com as barbatanas cortadas em Majuro, capital das Ilhas Marshal. A revolta: provavelmente essas carcaças serão jogadas no lixo, pois a única coisa valorizada do bicho é a maldita barbatana. E essa é uma atividade ILEGAL.

Essa matança precisa acabar.

A pergunta que não quer calar: será que se cortássemos as pernas dos indivíduos que colaboram com esse tráfico de barbatanas e assim eles não pudessem mais andar, portanto não conseguiriam se alimentar mais e morreriam de fome… será que essas pessoas entenderiam o problema?

Presente de Natal utópico (infelizmente) para a Lucia Malla:

Papai Noel, traz consciência ecológica pros asiáticos! Pelo menos para que eles não sejam os responsáveis número 1 pelo desaparecimento desse grupo FUNDAMENTAL ao equilíbrio do ecossistema marinho no planeta. Porque, no final das contas, sem tubarão = sem vida adequada ao ser humano nas futuras gerações… lembrem-se disso.

Barbatana de tubarão não é afrodisíaco nem aqui nem na China – muito menos lá.

Antes de mais nada, quero agradecer a todos que deixaram desejos de boa viagem e comentários legais nos 2 últimos posts. Só ontem li tudo e fiquei encantada com as palavras de todos, valeu mesmo!

E já vou começar a narrar como foram meus 10 dias de férias na Nova Zelândia… O problema é que tem tanta coisa pra contar que vou fazer o seguinte: hoje vou (tentar) escrever mais geralzão da viagem, e com o tempo vou detalhando mais. Acho que vai ficar meio informativo demais. Não sou agente de viagens vendendo pacotes e tenho medo que esse post fique meio assim, por isso não sei se vai ficar bom, mas vamos lá. Ah, preparem-se para enrolar a língua com os nomes maoris dos lugares…

Pé de pohutukawa, a árvore de Natal da Nova Zelândia, e museu Te Papa em Wellington.

A Nova Zelândia é mais um sonho que realizei. Sempre fui louca para conhecer esse país isolado, principalmente porque na faculdade de Biologia estudei que a flora das ilhas era ímpar e peculiar por causa do isolamento geográfico, e por razões darwinianas (?), a Nova Zelândia apresenta essa singularidade no grau máximo: mais de 80% da flora é endêmica. Vem daí o início do sonho…

E também, fui visitar amigos de outros carnavais. Um casal maravilhoso que conheci em Boston nos idos de 2001, e que hoje moram em Auckland – John é neozelandês e Claudia é alemã, casaram-se em abril e são o casal mais “New York” que já conheci. John foi meu “mentor” intelectual em selenoproteínas e Macintosh nos duros tempos de frio bostoniano. Pessoas fantásticas, que me acolheram como irmã e fizeram da minha estadia a mais prazeirosa possível. O café da manhã na casa deles incluía até suco de beterraba com cenoura, meu favorito!

Meus amigos com o delicioso suco de beterraba matinal e vista de Auckland, a cidade dos veleiros!

Minha viagem começou em Auckland, onde fiquei 2 dias conhecendo e visitando a “city of sails”. Fomos no aquário de Kelly Tarlton, cujo “must” é a fauna antártica. Passeios por Mission Bay, contemplação do Ranitoto (ilha vulcânica na baía de Auckland), cafés singelos acompanhados de “New Zealand pie” – cada uma mais gostosa que a outra: comi uma torta de galinha com cranberries e queijo brie que vou te contar… MARAVILHOSA!

Fizemos a trilha de Arataki nas montanhas Waitakere, a noroeste de Auckland, onde comecei a ter contato com a flora neozelandesa: uma quantidade infindável de samambaias (símbolo do país), e plantas que eu nunca havia visto na vida, com adaptações as mais loucas possíveis. E árvores endêmicas para mim “novas”, como o kauri e a pohutukawa, também chamada de “New Zealand Christmas tree” porque floresce em vermelho intenso em dezembro. Ambas as árvores produzem um mel delicioso, que tive o prazer de provar.

De Auckland, peguei um ônibus de mochileiros, e comecei a andarilhação pela ilha Norte. No ônibus, aquela zona típica de mochileiros – pessoas de todos os lugares do planeta, ligadas pelo desejo comum da aventura e da busca do desconhecido, o que é totalmente a minha praia.

Primeira parada: Whitianga, na península de Coromandel, costa leste. Fizemos uma pequena trilha que chega na praia de Cathedral Cove, um lugar lindíssimo e muito parecido com a Tailândia, de acordo com meus companheiros de busão. O mar azul foi uma tentação ao mergulho de scuba, mas o preço absurdo da aventura rapidamente me trouxe de volta a realidade, assim como a água gelada do mar – mais o preço, confesso. É duro ser dura.

Na praia de Cathedral Cove.

Segunda parada: Rotorua, cidade no centro-leste da ilha norte. Famosa pelas fontes termais e gêiseres, é uma região em constante ebulição vulcânica, e foi o lugar que eu mais curti da viagem – vou reservar um post inteiro pros vulcões da área e pras aventuras em Wai-o-Tapu, Waimangu e Whakarewarewa. Pude ver o kiwi, ave noturna símbolo da Nova Zelândia e em vias de extinção, exposta num museu de Rotorua. Lá tive também contato com a cultura maori pela primeira vez, e como interessada de carteirinha pela cultura polinésia em geral, saber de arquitetura à organização social dos maoris era tudo que eu queria . Muitas características em comum com os havaianos (comida cozida na areia, papel da mulher-progenitora-educadora e do homem-caçador na sociedade guerreira, excelente senso de navegação, língua apenas oral, sem escrita, etc.), mas pude captar algumas diferenças também: casas enterradas na areia como proteção ao frio (no Hawai’i isso não é necessário), uso de flautas como instrumento musical e nenhuma percussão (são o único povo polinésio que não desenvolveu música percussiva), vestimentas feitas com fibras, e não folhas verdes e flores, entre outras características. O alfabeto maori é um pouco maior que o havaiano (que só tem 13 letras), mas o vocabulário tem raízes comuns, como “wai”, que tanto em maori quanto havaiano significam “água”.

Um maori tocando sua flauta mágica…

(Just for fun, estudei língua e costumes havaianos por um ano – o manjado HAW 101 – por isso minha comparação exagerada com aquela cultura. E mais detalhes sobre isso também já está anotado no caderninho pra um próximo post, ok?)

Em Rotorua, fiz outra (excelente) trilha, a do Waimangu Valley, que passa por crateras em atividade do vulcão Tarawera, sendo a cratera do Inferno com o azul-esverdeado mais lisérgico que eu já vi (devido ao minerais da região e ao pH acidésimo). Nessa trilha, também esbarrei com aves e plantas endêmicas da Nova Zelândia, uma verdadeira aula de Evolução e Geologia ao vivo e a cores.

Terceira parada (rápida, só pra constar): Matamata, também conhecida como Hobbiton. Sim, tinha que ter uma referência ao “Lord of the Rings” nessa viagem… A cidade mudou de nome para Hobbiton depois do filme! Dá pra crer nisso?

Galera do busão em Hobbiton e a cratera do Inferno em Rotorua – atenção, a borda dessa cratera é natural, não é cimento! E essa cor não é Adobe Photoshop.

Quarta parada: Wellington, capital da Nova Zelândia, e conhecida pelos ventos… E como venta por lá! Desencanei do pente enquanto estive por lá. Em Wellington, visitei o museu Te Papa (ou Museu da Nova Zelândia), um primor de arquitetura, organização, coleção e informação. Já visitei alguns museus americanos e europeus com a mesma proposta do Te Papa, mas confesso que me impressionei demais com ele. É simplesmente o melhor museu sobre um país que eu já vi. Conta TUDO da Nova Zelândia, desde informação geológica a antropológica, passando por ciência, costumes, artes e política, entre outros assuntos. E nesse museu, mais uma (boa) surpresa da viagem: a coleção de ossos de “beaked whales” ou baleias-de-bico. Chamou-me atenção o detalhamento da coleção, em assunto tão específico. Não resisti à investigação: fui atrás do biólogo responsável do museu, e em menos de 1 hora estava sentada conversando com Anton Van Helder, um dos maiores especialistas em baleias-de-bico do mundo, discutindo sobre as baleias, e mostrando algumas fotos do André para identificação mais apropriada. Sabe quando criança ganha pirulito e fica toda feliz? Assim estava ele, com brilho infantil nos olhos, ao ver as fotos da baleia-de-bico que a expedição do ano passado encontrou nas Ilhas Marshall. De acordo com ele, a espécie que André fotografou é muito difícil de ser vista, e ele próprio, há muitos anos estudando o assunto, nunca havia visto sequer uma viva. Enfim, vir para Wellington como turista e terminar conhecendo um biólogo renomado foi uma surpresa das melhores que a viagem reservou.

A tão falada foto da baleia-de-bico…

Além dessa surpresa, Wellington ficou registrada na minha memória como uma cidade aconchegante, de arquitetura arrojada no limite certo, pessoas sorridentes e vibração noturna vulcânica de cidade cosmopolita.

Última parada: Auckland de novo, para visita a vinhedos da região norte, passeios pela praia de Omaha, e despedida dos amigos que me acolheram tão bem. E que já deixaram saudade…

“Kia ora”, saudação maori com mesmo sentido que o aloha havaiano ou o já famoso hermetiano: tudo de bom sempre, pra todos. 🙂

PS: Vale ressaltar que os vôos me produziram fotos okzinhas também… consegui uma foto aérea do Monte Fuji (Japão) legal, além dos cones vulcânicos Ngauruhoe e Ruapehu na região central da Nova Zelândia, e de um atol no Pacífico sul. Viva!

Fazendo justiça (??) à “temática” (????) do blog (!!!!!), fiz minha mochila e pus o pé no aeroporto de Incheon – porque afinal não dá para sair da Coréia do Sul por terra, embora ela seja uma península.

Viajei e volto daqui a 10 dias.

Até lá, tudo de bom sempre.

Postado em 02/12/2004 por em Mallices, Viagens

Natal chegando e a tradicional imagem de Papai Noel vem à cabeça da maioria dos mortais, com seu sacolão cheio de presentes e sua risada: hohohoho!

Pra mim, ninguém personifica melhor o bom velhinho como Hermeto Pascoal. Afinal, em minha opinião, ninguém vive melhor o papel: a barba branca e o cabelo branco, o sorriso sempre no rosto, a felicidade infantil, e (nem precisa dizer) a música, seu presente maior…

(Desenho tirado de reportagem do Estadão.)

O “bruxo” Hermeto é um dos gênios da atualidade musical, e quem duvida disso basta procurar a opinião de grandes nomes do jazz, música clássica contemporânea, rock’n roll, blues ou bossa nova. Qualquer “figuraça” aí fora vai pelo menos citar a importância (ou até influência) do trabalho de Hermeto, sem falar da inovação que ele trouxe à música – não só a brasileira, mas mundial. Ele expandiu o sertão, colocando os ritmos agrestes no topo de uma montanha de sons universais, valorizando cada aspecto único da aridez nordestina de forma universal.

E quem já teve o prazer imenso de ir a um show dele e presenciar o magnetismo que ele exerce em cima de um palco, tocando instrumentos variados e respirando e emanando música, sabe: o velhinho é porreta, mesmo! Ele tem uma alegria constante que é inabalável: passou anos cuidando de sua esposa doente (que depois veio a falecer), uma situação que para muitos seria motivo de depressão e tristeza, puro negativismo e revolta com o mundo; mas que nada!… O bom velhinho sempre vê o aspecto positivo, o som percussivo da vida, e nesse período, em seus shows e discos, estava mais positivo do que nunca! Como se quisesse dizer para todos: “Aproveitemos felizes cada momento pois não sabemos o dia de amanhã…”

(Eu me emocionei ao ler este depoimento aqui.)

Uma amiga minha outro dia me perguntou por email porque eu costumeiramente terminava meus posts aqui no blog com a frase “Tudo de bom sempre“. Além de ser uma forma de desejar algo de bom a todos que lêem (e aguentam) as asneiras que eu escrevo aqui, é na realidade, uma frase do Hermeto. Eu deveria citar isso entre aspas, porque essa frase é “colada” do livro “Calendário do Som“, um projeto que o Banco Itaú financiou em 2000 com Hermeto Pascoal. O livro é super-interessante, e a proposta era de que Hermeto escrevesse uma música para cada dia, em um ano. Algo como um blog musical, se assim quisermos pôr. E não é que o bom velhinho fez isso?? A música brota nos poros dele de forma tão natural, que “ler” suas partituras musicais nesse livro-projeto é como ler o relato de sua vida em um ano. As músicas têm a ver com o seu dia-a-dia, com a perspectiva que ele encontra de viver, com suas experiências – tudo é claro, com o máximo da genialidade que ele sempre alcança. E em todas as páginas, ele escreve a frase “Tudo de bom sempre”. É como uma moral da história, como se dissesse todos os dias: “Estou vivo, faço música que alenta minha alma, sou feliz, e quero que todos sejam felizes comigo!”

Essa é a sensação que Hermeto passa. E podem achar besteira ou breguice ou pieguice ou sei lá o quê, mas pra mim esse é o verdadeiro espírito de Natal.

E “tudo de bom sempre“.

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Viagens musicais…

Você sabia?

– Hermeto Pascoal é praticamente cego, e foi convidado para participar do belíssimo documentário sobre a cegueira “Janela da Alma“. Ele diz em determinado ponto do filme que “enxerga com a nuca”.

– Hermeto Pascoal nasceu em Lagoa da Canoa, Arapiraca (AL), filho de uma família pobre. Seus pais são negros, e seu albinismo foi muitas vezes discriminado em sua própria família.

– Em sua maravilhosa mania de tirar som de tudo que se possa imaginar, presenciei Hermeto tocando “Parabéns pra você” com sua barba molhada, algo que foi aplaudido de pé por muitos minutos no SESC-Paulista. Além disso, outras bizarrices que Hermeto já tocou/musicou incluem brinquedos infantis, chaleiras e copos com água, um porco, pedras do Ibirapuera, um bandeijão da UFViçosa, um discurso do ex-presidente Fernando Collor de Mello, a conversa do público de um show (sim, eu estava presente nesse show, e ele fez música a partir da conversa de todos!)… De quebra, toca também piano, sanfona, acordeão e flauta (entre outros instrumentos) para os mais “puristas”.

– O nome de seus discos reflete de certa forma a liberdade sonora que ele aplica e sua visão positiva da vida e da música universal: “Só não toca quem não quer”, “A música livre de Hermeto Pascoal”, “Festa dos Deuses”, “Brasil Universo”… E se eu tivesse que escolher apenas um CD para levar para uma ilha deserta, mais nada, eu responderia sem pensar 2 vezes: “Festa dos Deuses” do Hermeto Pascoal.

– Um dos grandes desejos/sonhos da minha vida é dar um abraço bem apertado nesse “Papai Noel” de verdade.

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