Começo o meu dia com a triste notícia do falecimento do Gegê, professor do Instituto de Ciências Biomédicas – ICB da USP. Embora meu contato com ele tenha sido uma meia dúzia de “ois” pelos corredores do ICB na época em que estava lá, não posso deixar de relembrar da sua voz brincando com seus estudantes no laboratório mais alegre do departamento, de suas pedaladas e corridas malucas pela USP – pedaladas estas que lhe custaram a vida, ontem de manhã, quando um Santana desvairado resolveu dar fim a mesma. A vida é isso aí, um segundo é, no outro não é mais. E não paro de pensar como a Marília, sua esposa, deve estar passando por essa barra pesadíssima. A ela e seus filhos, meus pêsames. O Gegê e sua descontração com certeza vão fazer falta pelos corredores da USP.

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Já morreram também 2 pessoas nessa temporada no Everest, e mais de 10 pessoas foram impedidas de tentar chegar ao cume por lesões diversas ou congelamento de dedos dos pés ou das mãos, além de manifestações leves do “mal da montanha”. Várias desistências, por motivos diversos. O tempo tem estado muito ruim por lá, não dando nem uma janelinha de céu azul e ausência de vento que permita aos alpinistas alcançarem seu tento – principalmente os de expedições comerciais, com menos experiência em escaladas. Apesar de São Pedro não estar colaborando, os alpinistas mais profissionais estão neste exato momento aproveitando cerca de 48 horas de calmaria e tentando subir, quase que num fôlego só, até o topo do mundo. Entre as expedições que já estão rumo ao topo, estão os chineses que estão (re)medindo a altura do Everest; o diabético tipo 1 Will Cross, que ainda está no acampamento-base, mas continua firme e forte na aventura; os brasileiros Waldemar e Irivan pelo Nepal na expedição que celebra os 10 anos da primeira conquista brasileira na montanha mais alta do mundo; os também brasileiros Vitor Negrete e Rodrigo Ranieri pelo Tibet na expedição Everest 2005 (mais óbvio, impossível), que estão escrevendo toda a aventura no blog Everest 2005 (desativado) e tentarão a escalada sem uso de oxigênio auxiliar, ou seja, literalmente no peito, confiando apenas no ar rarefeito que a montanha oferece. Fato é: os primeiros alpinistas poderão estar chegando ao topo do Everest neste fim de semana. Portanto, Lucia Malla neste fim de semana não desligará em momento algum o computador do site do EverestNews e demais links acima citados, esperando e torcendo por todos em mais uma temporada dessa aventura extenuante e incrível. Boa sorte aos cavaleiros das montanhas! O topo do mundo os aguarda!

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Já chegaram ao cume, mas da ciência mundial, os coreanos do laboratório de células-tronco da Universidade de Seul. Hoje de manhã, a Science publicou a esperada notícia. Há um ano, os mesmos pesquisadores mostravam ao mundo o desenvolvimento da linhagem de células-tronco a partir do óvulos de doadoras. Hoje, eles já mostram o desenvolvimento das linhagens a tecidos específicos, aumentando a esperança para portadores de patologias como diabetes, mal de Parkinson, lesões de coluna e mal de Alzheimer. Enquanto isso, em Jesusland, sr. Arbusto continua misturando ciência, política e religião, impedindo o avanço da pesquisa por lá e de tabela, diminuindo a participação americana no que será o negócio do futuro para as indústrias farmacêuticas. Estagnação, essa é a palavra. A melhor frase dessa descoberta inovadora importantíssima veio do cientista Rudolf Jaenisch, do MIT (EUA): “Algumas pessoas vão odiar, outras vão amar; mas [a descoberta] põe a discussão num sustentáculo muito mais firme agora. As pessoas terão que repensar o argumento de que não é “eficiente”.” Cutucão melhor, impossível. Simplesmente perfeito.

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Ciência coreana na pauta ainda: ontem estive no COEX Mall, onde estava sendo realizado o Congresso Coreano de Bioquímica e Biologia Molecular. Além das zilhões de palestras e posters interessantes, a palestra sobre o Projeto de Identificação das Proteínas do Plasma Humano, que tem a ambiciosa meta de identificar o maior número possível e imaginável de fatores circulantes no plasma, mostrou alguns dos seus resultados. Números simplesmente impressionantes, um esforço conjunto de mais de 30 laboratórios pelo mundo que sem dúvida entrará pra história da ciência mundial. Em breve, teremos resultados interessantes, mostrando que o esforço humano aliado à tecnologia avançada vai render bons frutos. O palestrante nesse caso era ninguém mais, ninguém menos que o pesquisador Gilbert Omenn, diretor geral do projeto, presidente da Academia Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), que é nada mais nada menos que a maior sociedade científica do planeta, órgão responsável pela excelente revista Science e pelo periódico de alto impacto PNAS. Além de brilhante cientista, Dr. Omenn mostrou-se também muito simpático, sorridente e extrovertido, quando uma mera cientista brasileira abordou-o e ouviu que ele reprova veementemente a intervenção da política conservadora-religiosa na ciência – que ele repetiu inúmeras vezes ser baseada em evidências, não em achismos passionais baseado em entidades supra-naturais. Não é uma preciosidade esse cientista?

Ouvindo os bons conselhos científicos do Dr. Omenn em Seul.

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Falando em influência da religião sobre a ciência, o Panda’s thumb está mostrando uma extensa discussão sobre a confusão em Kansas, EUA, envolvendo mais uma vez os defensores do “design inteligente”, essa teoria mais furada que peneira. Vale a leitura.

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Ontem, dia 19 de maio, foi o dia Nacional da Física, no Brasil. Como estamos no ano mundial da Física, essa data passa a ter uma certa importância. O “Por dentro da ciência” parabenizou os companheiros de Einstein na labuta pelo melhor entendimento do nosso mundo físico. Eu também parabenizo, pois adoro a Física, geradora e interrogadora das grandes filosóficas questões do universo. Principalmente os raríssimos físicos que eu sei que lêem esse blog, entre eles o prof. Wayne.

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Outra data importantíssima: hoje é aniversário da Mônica (do antigo blog Monicômio), dona do melhor divã da blogosfera brasileira e figurinha fantástica, amiga virtual de BH que sonho um dia virar realidade virtual, ou simplesmente realidade. Mônica, muito, muito, muito feliz aniversário!! Você merece um grande beijo e um… um…

Tudo de bom sempre: pra você, especialmente!!

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UPDATE! Waldemar e Irivan já voltaram pro acampamento-base, e abortaram essa tentativa do fim de semana. Estão mais uma vez no base, esperando a chegada da tão sonhada monção de verão – que é prometida pra esse fim de maio. De acordo com o site do Waldemar, eles estão bem de saúde, e muito animados para a escalada no momento em que ela surgir. É aguardar.

Passeando pela rede outro dia, achei esta página do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, com um pequeno documento sobre a política de biotecnologia na Coréia do Sul, com referências para algumas características da mesma política no Brasil. Afinal, o assunto é um tema da agenda internacional brasileira – pelo menos é assim que está sendo referido no site do ministério.

Logo de cara, a seguinte frase do ministro de Ciência e Tecnologia coreano me chamou a atenção (traduzida por mim):

“Tecnologia é um jogo para o rico e um sonho para o pobre, mas uma chave para o sábio.”

Sábio, realmente. E no decorrer do documento, disserta-se sobre a evolução da política científica coreana, com muitos números e percentagens, desde a década de 60. Mas o que realmente me fez parar e refletir foi o trecho seguinte no item 3.1:

“Ao examinar a evolução da atividade de biotecnologia na Coréia pode-se constatar que o seu desenvolvimento ocorreu em três grandes fases, a saber (Rhee, 2000):

– durante a década de 80 – fase de alavancagem. Nesta fase, principalmente, a comunidade técnico-científica e o governo lideraram as várias iniciativas para desencadear o desenvolvimento da biotecnologia na Coréia. (…)

– durante a década de 90 – fase de decolagem. Com o desenvolvimento da biotecnologia e áreas correlatas, o setor privado se envolve mais intensamente. (…)

– ano 2000 – fase de cruzeiro. O ano em curso é marcado pelo lançamento do grande programa coreano de C&T: “The 21st Century Research Program”. A biotecnologia é considerada atividade estratégica perpassando vários setores. O Programa prevê grandes investimentos em recursos humanos e avanços no conhecimento básico visando ampliar a capacidade inovadora da biotecnologia coreana.”

A comparação com um avião decolando cabe muito bem, pois o país literalmente soube construir seu transporte que levasse ao que vemos hoje aqui, uma ciência forte e de ponta, sendo encarada de forma muito profissional e precisa.

O documento continua mostrando as fases da biotecnologia em países como EUA, China, Japão e Europa, todos com programas institucionalizados, sendo alguns com parcerias público-privadas. Planos bem delineados, embora detalhes estejam omitidos.

Aí chegamos na evolução da política de biotecnologia brasileira, onde a primeira frase já me fez parar no texto e gritar: “Epa! Tem algo errado aqui”:

“A biotecnologia brasileira evoluiu de forma diferente dos outros países, caracterizando-se por uma evolução não linear e não coordenada.”

Evolução não linear e não coordenada. O que isso significa – será que é: os planos foram escassos, pouco produtivos ou não houve um projeto consistente, a longo-prazo? Lendo o resto do parágrafo, percebi uma valorização da construção dos chamados centros de biotecnologia (um deles, inclusive, onde trabalhei), e dos respectivos programas científicos que o governo respaldou. Ok, ponto pro Brasil. Entretanto, fica notória a ausência de um plano linear a longo-prazo, robusto e com ênfase no desenvolvimento industrial. A pesquisa brasileira de ponta está na área agrícola, ainda – as EMBRAPAs são um programa de sucesso, não há como negar. Não estou reclamando, pelo contrário: se vendêssemos nossa tecnologia agrícola de forma eficiente, rendimentos bons seriam gerados para melhorias gerais da população. Mas é necessário que isso seja delineado de forma clara, não “salpicando” medidas a esmo.

Se olharmos por exemplo para o projeto brasileiro que obteve relativo “sucesso em biotecnologia” (pra usar um termo batido) na mídia nos últimos anos – o projeto Genoma da Xylella, financiado pela Fapesp – vemos mais uma vez essa característica de pensamento a longo-prazo deficitária. Temos hoje o organismo sequenciado, alguns laboratórios dedicando-se a pesquisar mais sobre certos genes dessa bactéria, mas nenhum “produto” final foi aludido a partir de tamanha informação gerada. Produzimos o conhecimento – o que já é louvável, mas não é tudo. Porque faltou o objetivo pragmático no caso. (Talvez seja questão de tempo: ainda veremos um belo produto/tecnologia saindo daí, e eu torço muito, muito, muito, muito para que isso aconteça e gere mais incentivos à ciência no Brasil.) Alguns podem dizer: “Ah, mas é necessário investir em pesquisa básica.” Ninguém repugna mais essa dicotomia “ciência básica X ciência aplicada” do que eu. Tudo é ciência e precisa de investimento igualmente. Mas precisamos pensar a frente, no futuro, em termos teóricos E pragmáticos, em termos de ciência E tecnologia, porque isso sim faz a diferença na robustez de um projeto de governo que quer avançar pro futuro, e não estagnar no presente. Fez para a Coréia do Sul, com certeza.

Ciência é uma atividade a longo prazo. Mas é a tecnologia, um subproduto valiosíssimo da ciência, é que gera riqueza para uma nação. É preciso acreditar e investir tempo e dinheiro nas duas; não pensar apenas nas próximas eleições, porque é um legado para algumas gerações depois. E acho que aí é que o Brasil tem falhado um pouco. Mas só o fato de já haver um relatório desses apontando os caminhos de sucesso, a meu ver, já é um bom começo. Agora só falta agir.

Tudo de bom sempre.

Lucia Malla tarda mas não falha. Prometi escrever sobre Seul há uns dias, e eis que a promessa hoje será parcialmente cumprida. Por morar aqui, há mais aspectos a serem abordados do que sonha nossa vã filosofia. Falar de tudo é praticamente impossível, por isso vou-me ater a algumas considerações.

Mas antes de falar da cidade propriamente dita, eu gostaria de repetir um comentário que fiz num post do Smart Shade of Blue essa semana, depois de uma longa discussão entre algumas pessoas sobre modelos econômicos de sucesso, onde alguém citou a Coréia do Sul e comparou com o modelo adotado pelo Brasil:

“Na minha humilde opinião de moradora local: o sucesso da Coréia do Sul como Tigre Asiático representa a vitória da economia de grandes corporações privadas. O país é praticamente regido/governado por 5 grandes corporações, que empregam uma parcela considerável da população economicamente ativa: LG, Hyundai, Samsung, SK Telecom e Posco (siderúrgica). Agora se isso é sustentável a longo-prazo, e quais as razões que fizeram com que as corporações fossem a “temática” escolhida do governo para o desenvolvimento sócio-econômico como um todo (…), aí, eu já nao sei te dizer.” “(…) é difícil comparar Coréia do Sul e Brasil, em termos de projetos de desenvolvimento. Porque vai uma hora esbarrar na filosofia oriental de viver e ser: os coreanos são muito mais preocupados com a coletividade do que com o individualismo, com a tradição e manutenção do bem-estar do todo que a efemeridade do eu – isso a gente percebe no dia-a-dia, em atitudes pequenas como pegar o metrô ou ver as crianças voltando da escola. Eles largam qualquer noção de individualismo pelo bem da coletividade. Coisa que eu acho muito difícil de vislumbrar no Brasil.”

Ao que o Smart respondeu:

“(…) A Coréia escolheu o caminho que, em economia do desenvolvimento, chamamos “campeões nacionais”. Um dos problemas do Brasil é que nosso modelo de desenvolvimento _ o de substituição de importações _ jamais gerou a escala necessária para criar grandes corporações; das empresas brasileiras, só a Petrobrás e talvez hoje a Vale apareçam nas listas das maiores empresas do mundo. Na Coréia e no Japão, e na China de hoje, a aposta no mercado exportador permitiu uma acumulação de capital muito maior. Resultado: nossas empresas são nanicas, e costumam muito mais ser alvo de compra por empresas estrangeiras do que embriões de multinacionais brasileiras. (…) com a internacionalização o locus decisório das prioridades de investimento se move para fora do País.”

Vista aérea de Seul (as montanhas ao fundo estão mais próximas à zona desmilitarizada); abaixo, prédio do Museu Nacional da Coréia.

E a pergunta é: o que isso tem a ver com Seul? Tem bastante a ver. Sem entender essa perspectiva econômica da cidade e do país (e isso vale pra qualquer lugar do mundo), fica difícil uma boa assimilação do enigma que cada cidade impõe. E Seul é um grande enigma da Esfinge para quem chega vindo de um país ocidental, seja lá qual for. A começar pela língua, que te dá a sensação de “Lost in translation”, passando pela organização dos endereços, pelo comportamento das pessoas, pela cultura oriental. Num primeiro momento, senti-me completamente perdida como nunca havia estado antes. “Decifra-me ou te devorarei.” Percebendo isso, tratei de me empenhar em decifrar aos poucos cada mistério da cidade, tentando ao máximo ver a lógica coreana de decisões, o quanto o sucesso econômico influenciava neste ou naquele aspecto, qual a história presente por trás de um hábito ou de uma rua, o efeito da escolha pelas grandes corporações no subconsciente das pessoas ou na perspectiva de futuro. Hoje, sinto-me confortável andando por lá. Não a decifrei completamente, deixei-me devorar aos poucos.

Atualmente, não chego a me sentir turista em Seul, mas também não sou local. Um meio-termo agradável, que me traz alguns benefícios e alguns prejuízos. Moro numa cidade-satélite, a cerca de 40 minutos de metrô do centro de Seul. Portanto frequento a cidade nos fins-de-semana ou quando algum evento especial aparece. Aliás, locomoção não é um grande problema por aqui, pois o sistema de metrô é excelente, te leva para qualquer canto da cidade. São 10 linhas com inúmeras interseções, e em todas as estações há sinais em inglês, bastando apenas prestar atenção para os nomes similares de alguns lugares – por exemplo, existe Sincheon e Sinchon (fala-se da mesma forma), obviamente estão situadas em lados bem opostos, e obviamente também eu algumas vezes já fui parar no lugar errado.

 

Modernidade no World Trade Center Seoul e no centro da cidade, contrastando com as ruazinhas estreitas em Insadong, área de comércio tradicional, onde um artista de rua coreano nos remete à paciência típica oriental.

Uma vez nas ruas, Seul parece ser igual a qualquer outra metrópole: prédios modernos, letreiros luminosos, muitas pessoas andando apressadas, trânsito pesado, um certo fog no ar e ruído. Além daquele estilo próprio que só uma grande urbe possui. Mas… tem algo a mais. Tem esse mistério oriental, essa sensação de parado no tempo mas com o tempo andando aceleradamente. É um paradoxo, mas a cidade é composta de vários momentos de choque entre opostos: o novo e o velho, o moderno e o tradicional, o fácil e o difícil, o cheio e o vazio, ruas estreitas que desembocam em avenidas muito largas. Em cada esquina uma dessas contradições maravilhosas, que só dão mais sabor à tentativa de decifrar a cidade.

Não há endereço como no ocidente: rua tal, número X, bairro Y. Não, aqui o sistema é completamente diferente, resquício da época das dinastias, e muito mais confuso. Cada casa do bairro tem um número, e o endereço passa a ser bairro tal, número X. Só. Nada de nome de ruas ou avenidas nas calçadas. Um bairro, como todos sabem, é formado por inúmeras ruas, e daí dá pra imaginar a confusão que é achar um endereço. Para dar boas pistas, a cidade possui mapas com referências em todas as estações de metrô, e pasmem, quando queremos achar um local, as pessoas dão dicas tipo: ao lado do prédio que tem o MacDonald’s, após o muro do Palácio, etc. E isso é levado a sério. Em coreano faz mais sentido essa confusão, mas para um ocidental desavisado, pode se tornar impossível em inglês – dependerá da sua persistência em decifrar a cidade. Ela já está te devorando aos poucos.

Painel permanente no Museu de Arte Moderna de Seul, contrastando com a tradição da troca da guarda no antigo Palácio Real de Gyeongbokgung.

Seul é cortada pelo rio Han, local de lazer e divertimento para a população. O rio é incrivelmente limpo, há passeios turísticos no verão, e em suas margens está o imponente prédio do Parlamento e um dos estádios olímpicos da cidade, além de alguns prédios modernos como o 63, onde fica o cinema IMAX que eu adoro. A maior parte da cidade está ao norte do rio, indo em direção à Coréia do Norte, e o palácio do Governo, um prédio estrategicamente escondido nas montanhas, está a poucos quilômetros da zona desmilitarizada (DMZ). Um esquema de segurança mais-que-especial guarda a área, e fotos são terminantemente proibidas a quarteirões de distância. Seul também hospedou as Olimpíadas em 1988 e foi uma das cidades da Copa do Mundo vencedora de 2002, e por causa disso todas as placas de sinalização da cidade são bilíngues, embora a população fale um inglês sofrível em geral.

Cada bairro de Seul tem uma característica peculiar e aqui cito alguns – os mais interessantes pra mim, talvez: Insadong é uma área bem turística, com cafés e lojinhas de artefatos tradicionais; Gangnam é a Quinta Avenida, onde as lojas de grife mais sofisticadas estão; Yongsan é um mega-shopping-feira de venda de produtos eletrônicos de primeira linha; Itaewon é a área dos gringos, onde os estrangeiros se encontram e onde a base americana está instalada; Jongno-gu, a área administrativa, onde estão o palácio do Governo, as embaixadas de vários países, o antigo palácio real; Apujeong é o point chic-alternativo, onde os artistas estão – eles estão também concentrados na região de Jongno; Namdaemun é onde todas as ajumás se encontram para comprar o ginseng nosso de cada dia. E outras raízes, plantas medicinais, e temperos esdrúxulos/exóticos, que enriquecem a culinária coreana. Aliás, se você tiver um dia em Seul apenas, não deixe de conhecer o Namdaemun, porque lá está a essência da cultura coreana tradicional.

Cena de um ritual budista no centro de Seul; abaixo, detalhe arquitetônico do telhado de um palácio coreano tradicional – as cores definitivamente me impressionam nesse estilo.

Devore Seul

Os bairros são apenas nomes, eu sei, mas dão uma leve idéia de como a cidade se divide. A cada esquina desses bairros, sempre aparecerá algo para te deixar com uma pulga atrás da orelha, um questionamento tipo: o que será que esse coreano está fazendo/ testando/ comendo/ pensando? Invariavelmente, em todos esses locais, as pessoas estarão falando ao celular, esse artefato sem o qual 100% da população coreana não vive. (O celular é uma instituição, assim como mp3 players, dvd players de mão, palms, e todo o aparato tecnológico imaginável.) E como não há criminalidade alguma, as pessoas ficam à vontade para usar seus eletrônicos em todos os cantos e recantos da cidade, sem medo.

Cena chavão no metrô: alguém com a central de jogos e diversões (entenda-se o celular) em mãos; abaixo, um cartaz publicitário do novo livro do Paulo Coelho num ônibus em Seul.

Mas aí vem a pergunta: e qual a característica marcante de Seul? O que faria um turista vir a essa cidade? Não há pergunta mais difícil que essa para mim. Hoje, depois de viver a cidade em vários âmbitos, tento vislumbrar a atração máxima – e não acho. Não há um Cristo Redentor, uma Torre Eiffel, um Coliseu. Existem alguns palácios interessantes, museus, mas nada que seja um cartão-postal característico pro mundo, nada que venda a cidade num pacote de agência de viagens. O charme da metrópole Seul está nesse mistério que paira no ar, nesse momento perdido no espaço-tempo, nas esquinas abarrotadas de gente, no comportamento dos coreanos, no não entender absolutamente nada do que se está falando ao seu redor. E isso tudo, só provando/vivenciando é que as pessoas conseguem entender. Deixa a Esfinge Seul te devorar – eu garanto que vale a pena.

Tudo de bom sempre.

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P.S.: Hoje começa mais um ciclo de discussões do Clube de Leitura do LLL. O livro da vez é “Dom Quixote” de Miguel de Cervantes. Com sinceridade, Dom Quixote foi um personagem que não me impressionou. Li o livro aos 19 anos – e como diz o Rei Açúcar neste post, pode ser que a idade da leitura tenha me influenciado a não gostar tanto do livro. Achei enfadonho e cheguei no final do livro decepcionada. Acho que, embora eu goste de viajar na maionese, prefiro a lucidez do Sancho Pança.



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Saí do Brasil pela primeira vez para um estágio em Potsdam, Alemanha (ex-Alemanha Oriental). Cidadezinha ajeitada a 30 minutos de trem de Berlim, cheia de castelos suntuosos e ruas organizadas, e que havia sido destruída completamente durante a Segunda Guerra Mundial. E com o suor restante da dor da separação que as Alemanhas sentiram por tanto tempo, visto que sua fronteira com Berlim Ocidental era um lago não muito largo. (Acho que caberia um post inteiro um dia para elogiar essa delícia germânica.)

Com os olhos deslumbrados de quem nunca havia tido a experiência internacional antes, muitas coisas me maravilharam naquelas primeiras 24 horas do verão alemão de 1997. Entretanto, devo confessar que o que mais me chamou a atenção ali, naquele meu primeiro dia foi… o lixo. Sim, o lixo.

Lixo pelo mundo

Talvez seja melhor dizer nesse caso a falta de lixo. Ou a organização metódica da coleta do lixo. Eu morava num prédio de alojamento estudantil de 6 andares, 24 apartamentos/andar, e no estacionamento, uma área separada designava as grandes latas de lixo para os moradores depositarem seus restos de consumo. Eram 8 tipos de lixo diferentes: papel, plásticos, vidro verde, vidro marrom, vidro branco, metal, orgânicos, e o resto. Foi minha primeira experiência com reciclagem de lixo, e toda a teoria que eu tinha ouvido tanto em aulas de Educação Ambiental havia de repente tornado-se uma realidade: eu tinha que reciclar.

(Lembro dias depois de uma discussão durante o almoço em que meus colegas de trabalho reclamavam desse sistema, pois “gerava muitos lixos menores dentro de casa”. Eu, mal-chegada do Brasil, decidi que não mencionaria os efeitos que a ausência de um plano de reciclagem do lixo pode gerar na sua cidade. Talvez fosse chocar demais meus novos colegas.)

Fato é que desde que tive esse primeiro encontro com um mundo onde reciclagem de lixo não era só teoria de sala de aula, e vendo os benefícios diretos que a reciclagem trazia (maior conscientização, limpeza urbana, etc.) reparo especialmente nos programas de coleta de lixo dos lugares onde vou. Ok, todos estão carecas de saber que o advento do lixo é diretamente proporcional ao consumo de uma sociedade, que podemos diminuir o consumo de um monte de porcaria, blábláblá… Mas eu acredito que muito mais que a geração do lixo, é a forma como processamos o mesmo DEPOIS de criado que faz a diferença pra nós no momento.

Ao voltar pro Brasil, depois do período na Europa, resolvi prestar mais atenção para o lixo que produzia. Sem necessidade de muitos comentários: em Vila Velha (ES), Rio de Janeiro e São Paulo, lugares onde morei, a reciclagem era praticamente inexistente. (Moradores dessa cidade, como anda a situação atual da coleta de lixo nesses locais? Por favor, me reciclem de informações!)

E aí fui morar nos EUA em 2000. Outro choque: o consumo exacerbado, a descartabilidade das coisas todas, o lixo que se acumulava em proporções que eu não havia presenciado até então. Não sei os dados atuais, mas não duvidaria muito de alguém que me dissesse que os americanos são os maiores geradores de lixo do planeta. Há um tempo atrás, os dados eram de que americanos eram os geradores de ~25% do lixo mundial. Entretanto, em Boston, tínhamos em casa uma grande caixa de plástico onde tudo que pensássemos ser possível reciclar era colocado (não havia regras de separação), e uma vez por semana o caminhão da reciclagem passava e coletava tudo que estava naquela mega-caixa de plástico. Um sistema que é a cara do comodismo americano: recicle em casa a seu belprazer, alguém toma conta do resto pra você no seu portão, a um preço no final, é claro. Mas pelo menos, reciclava-se.

O choque mesmo veio quando me mudei de Boston para Honolulu. Veja bem, todos sabem que numa ilha, espaço é um bem caro. Portanto, quanto mais lixo, maior o problema espacial. E o programa de reciclagem havaiano… dava vontade de rir. Era apenas: junte na sua casa o que você acha reciclável e leve você mesmo a um trailler de triagem numa escola – existiam poucos desse trailler na ilha toda. Ou seja, faça você mesmo tudo, do início ao fim. Poderia ser comparado ao alemão, com o detalhe da distância percorrida de casa até o lixo: enquanto na Alemanha eu andava uns 30 passos, no Havaí precisava ir de carro até um ponto X. Afirmo que, conhecendo a sociedade americana, esse não é um programa efetivo de reciclagem. Além disso, o excesso de lixo que os havaianos produzem (e é inacreditavelmente demais) é em parte queimado (fornecendo ineficientemente um pouco de energia para a ilha) e a outra parte levado para o continente, para algum estado no meio-oeste ou para alguma ilha do Pacífico, talvez, (como as Ilhas Marshall) que aceite em troca de um belo cheque a “hospedagem” do lixo do estado/país alheio. Será que as pessoas acreditam mesmo que o custo-benefício de mandar o lixo num navio pra sei lá onde é mais vantajoso que reciclar o que for possível, gerando inclusive adubo?

E aí chegamos na Coréia do Sul. Aqui, assim como na Alemanha, a área de reciclagem fica ali na esquina, no estacionamento do condomínio e está dividida em: metal, plástico grosso, plástico fino, papel, vidros, isopor, orgânico e o resto. Todos os domingos, deixamos lá nossa parcela de contribuição à melhoria do ambiente nesse país pequeno e de certa forma “ilhado” no mundo. Aqui acrescenta-se um ponto ainda: todos os lixos “comuns” (que não são reciclados) têm que ser colocados em sacolas especiais com a identificação do município, de forma que cada sacola é levada pro “lixão” da cidade a que pertence. O lixo é identificado. Essas sacolas custam alguns wons (e multa se você não as usa!), sendo portanto um incentivo à reciclagem: gaste menos sacola e economizarás no seu orçamento.

E pro Brasil? Bem, não sei a quantas anda o programa de reciclagem no Brasil – não costumo conversar sobre lixo com ninguém, pra ser sincera. Da última vez que estive no país, em 2003, era muito pouco que se fazia pelo lixo. Apesar do Brasil ser o país que mais recicla latinhas de alumínio no mundo, durante os muitos anos que morei no Brasil, o único programa de reciclagem que ouvia falar era o de Curitiba ou então as discussões teóricas que nunca saíam do papel. Eu acho que qualquer reciclagem é melhor que nenhuma. Faz bem pro bolso e pra alma do cidadão. No meio de todas essas diferentes experiências vividas em diferentes países com a questão do que fazer com tanto lixo, ficou patente para mim que a organização de um programa de reciclagem ameniza bastante o bolso do cidadão, mesmo que indiretamente, e gera esse espírito de “cidadania”, a boa sensação de estar contribuindo para a melhoria das condições do ambiente ao redor. Além de gerar empregos para uma parcela da população em usinas de reciclagem.

Conformemo-nos: em menor ou maior quantidade, geraremos lixo. Temos é que tratá-lo de forma adequada e sem prejuízo ao ambiente do planeta.

Tudo de bom sempre.

Quando encontro alguns amigos meus pelo Brasil afora, a primeira pergunta que fazem depois do básico “Tudo bem?” é: “Onde você está agora?” De brincadeira, respondo que estou no Brasil (cidade X) conversando com a pessoa que me pergunta. Mas obviamente, sei que a questão engloba uma curiosidade muito maior sobre o que estou fazendo da vida, e principalmente onde estou morando, onde é minha “base”. Sim, porque todos sabem que adoro uma andarilhação.

(Alguns amigos sugerem que não ficarão surpresos no dia em que eu enviar um e-mail dizendo que estou morando na Antárctica, em Saturno – afinal, sou apaixonada por anéis – ou mesmo em outra galáxia! Veja bem: considero isso um elogio, não duvido das faculdades mentais de nenhum deles, pelo contrário, admiro-os cada vez mais.)

E inevitavelmente nessas conversas o conceito de distância vem à tona, como consequência natural.

Sempre tive uma resistência a considerar algum lugar “longe”. Pode ser sentimentaloidismo barato, mas aquela frase-título do livro do Richard Bach sempre ronda minha cabecinha: “Longe é um lugar que não existe.” Consequentemente, tudo é perto. Está ao alcance do seu desejo ou da sua vontade profunda. E passa a ser uma questão de atitude, muito mais que recursos.

É claro, existe uma necessidade logística em avaliar distância. Quanto tempo gasta-se para ir de ponto X a ponto Y? Vai-se de carro, a pé ou só de avião? Quanto custa essa viagem? Existem meios para torná-la mais econômica em todos os sentidos? Após toda essa investigação quase científica, toma-se uma decisão: ir ou não ir. Mas a distância física em si, o valor em km ou milhas, não chega nunca a fazer uma influência na minha pessoa. E a decisão é quase sempre IR.

Longe é um lugar que não existe.

Já viajei de carona, ou a bordo de empreitadas pra lá de esdrúxulas, no mais radical sentido da palavra mochilar. Também já participei de excursões/grupos de viagem com terceira idade, quarta idade, aborrescentes e com crianças pra diferentes lugares – e me diverti e aprendi com todos eles. Viajei muito sozinha, na maior parte das vezes, tomando as próprias decisões sobre ir aqui ou ali, e aprendendo principalmente com os erros. Mas nunca refutando um lugar porque era “longe”. Porque tudo depende do seu objetivo: os meios para alcançá-lo não podem ser um obstáculo generalizado.

(Parênteses: Você sabe que distância não é um problema quando você: 1) Na infância, toda vez que seus pais, tios ou vizinhos falavam que iam para um lugar, você era a primeira a abrir a primeira gaveta que estivesse na frente, enfiar as roupas dentro de uma sacola de mercado e entrar no carro/ônibus, já imaginando os amiguinhos novos para “brincar” no novo lugar; 2) Na adolescência, você não perde uma única oportunidade de viajar com os amigos da escola, seja pra um sítio no fim do mundo ou pra cidade vizinha num “retiro espiritual” do colégio, sem falar das viagens pra casa de parentes em outros estados, who cares?; 3) Na faculdade, seu passatempo predileto nos fins-de-semana é ir pra rodoviária da cidade e ver com o pouco dinheiro que tem no bolso pra que lugar é possível comprar uma passagem de ida e volta e comer um sanduíche – e eu perdi as contas de quantas vezes fiz tudo isso. Mas como resultado de todas essas “viagens malucas”, conheci inúmeras cidadezinhas do interior do Brasil, plantação de rosas e fazendas de cavalo, igrejas e monumentos desconhecidos, e me tornei amiga de pessoas maravilhosas em todos os lugares. E carrego essa filosofia comigo. Fim do parênteses.)

Distância é um número absoluto numa unidade qualquer inventada por humanos. A maior distância entretanto, é relativa: é medida entre a sua vontade de ir e a sua logística comodista – ou o medo da aventura, dependendo do caso. O sonho da viagem deve existir acima de tudo.

Hoje em dia, comodamente, temos a Internet, essa ferramenta que nos permite virtualmente viajar e nos aventurar por todos os lugares possíveis e imagináveis, num clique de mouse. Claro, não substitui a ida física aos diferentes lugares, mas ajuda na logística e no planejamento, e principalmente, te leva para lugares onde você efetivamente não pode ir ainda, como no topo do Everest ou nas novas galáxias descobertas. Sou da geração pré-internet, e tive que me adaptar ao conceito da rede nesse novo mundo, usando-o para meu benefício. Mas uma vez assimilado o conceito, aprendido como funciona, hoje posso afirmar que a rede é meu lugar número 01 de viagens: é na internet que meus sonhos vem se construindo pra novas viagens reais.

Mas todo essa divagação sem sentido sobre distância (que na física é um vetor com sentido! Faz sentido isso?) é apenas para dizer que nunca pude me sentir tão perto de minha mãe num dia das mães como esse: enquanto toda essa viagem na maionese foi sendo lançada na forma de texto por algumas horas consecutivas, eu conversava com ela pelo Yahoo messenger (com camera e voz), sobre a rotina nossa de cada dia, como se estivesse eu lá, no sofá da sala em Vila Velha, ao lado dela. E não estou perto mesmo todos os dias?

Feliz dia das mães para todas as mães que embarcam nessa viagem virtual com seus filhos, e podem curtir melhor a vida nesse mundo moderno, onde longe realmente é um conceito que não existe.

Tudo de bom sempre.

Eu juro que imaginei ver essa notícia do New York Times espalhada por aí e sendo discutida pela blogosfera. Mas como me parece que ela meio que passou batido, resolvi escrever – ou pelo menos citar. Não sei sobre história dos blogs, nascimento da idéia, etc. Sei que alguns poucos blogs têm posts desde 2002, o que me indica que essa deve ter sido a data aproximada da concepção da idéia, mas isso é um chute. De qualquer forma, na minha recente procura pela Internet, nunca tinha ouvido falar de uma pessoa ter seu alto cargo administrativo numa instituição de pesquisa posto em cheque com força por uma rebelião via blog. Mas aconteceu.

E foi no Los Alamos National Laboratory, um centro de pesquisa nuclear avançado criado em 1943, e uma das instituições de maior renome científico e multidisciplinaridade do mundo. Grandes nomes da Física Quântica, da Geofísica, da Supercomputação, da Astrofísica passaram por lá – para citar só dois: Oppenheimer, o pai da bomba atômica, e Richard Feynman, prêmio Nobel de Física de 1965.

Entretanto, Los Alamos é um órgão do governo americano, e como tal, tem sua “agenda”. Basicamente, é o instituto responsável por desenvolvimento e manutenção de armas nucleares, além de diretamente envolvido nos programas espaciais junto à NASA. Se você visita o site de Los Alamos, lê logo na introdução que a missão principal da insituição é com a Segurança Nacional, e que vários dos projetos por lá são secretos ou “confidenciais”, em jargão CIA. Entenda isso como quiser no mundo pós-11 de setembro que vivemos.

Em janeiro deste ano, um funcionário do instituto abriu um blog para discutir os rumos “da casa”. Uma espécie de fórum sobre diferentes assuntos, desde rendimentos de aposentadoria até políticas via Washington. Mas tudo começou a desandar quando na pauta foi colocado o erro de segurança ocorrido no ano anterior, quando um laboratório quase todo foi fechado pelo próprio diretor, que alegava o sumiço de um disquete com informações “sigilosas”. Logo depois do circo armado, enquanto os demais funcionários trabalhavam na “melhoria das condições de segurança”, soube-se que a história dos disquetes não era real – mas mesmo assim o laboratório permaneceu fechado por mais 7 meses, gerando um gasto de 750 milhões de dólares desnecesseario. Funcionários importantes pediram as contas. Essa atitude estranha do diretor (mais a atual confusão econômica que a instituição enfrenta), parecem ter sido a gota d’água para o início da “revolução do blog”.

Anonimamente no blog, boa parte dos funcionários começou a discutir essa história e mais um monte de mancadas e políticas e regras e reclamações – e como não estamos aqui falando de gente idiota, os logins eram todos devidamente protegidos pelos nerds de plantão e não era possível deixar “cookies” nos computadores. Ou seja, impossível rastrear os donos dos posts de discussão, assim como quem postava comentários. Via blog, armou-se uma petição pedindo o afastamento do diretor do laboratório, que inventou a história do disquete. E o mal-estar gerado por toda a situação mudou o clima de trabalho, e pode levar o diretor a perder seu cargo importante.

100,000 visitas depois, uma reportagem no NYTimes e muito bate-boca, o blog parece ter mostrado que pode ser também uma boa arma de destruição em massa de pessoas incompetentes em cargos de responsabilidade. Talvez essas armas que seriam de Saddam Hussein estejam hoje ao alcance dos nossos teclados.

Tudo de bom sempre.

Todo 02 maio pra mim é dia de festa, muita festa. Pode cair uma bomba atômica, pra mim não interessa – 02 de maio é dia de festa. Dia de celebrar o aniversário de duas das pessoas que eu mais amo na vida. E calham dessas duas pessoas serem mãe e filha. E eu ser, ao mesmo tempo, filha e neta delas. 3 gerações interconectadas por um sorriso singelo e meigo.

Vovó e mamãe, sentadas na calçada de casa, numa deliciosa tarde de verão em 1993.

Tenho 5 grandes amores no coração, órgão aliás que em mim é grande, cabendo bastante amor e carinho – e ainda sobrando espaço para todos os meus grandes amigos. Mas essas duas aí estão entre esses 5, num lugar especial primeira classe.

As lembranças de vovó – falecida em 2002 – são inúmeras e inesquecíveis, pois eu literalmente vivi a minha vó: ganhei cafuné, passei a mão na cabeça dela, puxei e amassei as bochechas, ouvi todas as histórias de Aracaju que ela tinha pra contar (e eram infindáveis histórias). Embora ausente, eu ainda a tenho comigo, e dou risadas lembrando de fatos, falas, conversas e gestos que para mim imortalizaram vovó. Porque nada melhor para se ter de uma pessoa que já não mais existe do que as boas lembranças. A felicidade de ter realizado e vivido tudo intensamente ao seu tempo.

Mamãe nasceu no dia do aniversário de vovó – que belo presente de aniversário! (E as duas pareciam ter esse cordão umbilical por toda a vida unindo-as: o simples fato de terem nascido no mesmo dia.) Tudo que sou, que penso, que exerço, devo à ela e à boa educação que me deu. Ensinou-me paciência, muita paciência, mesmo ouvindo meus gritos de aborrescente. Ensinou-me a perdoar, mesmo quando eu me machucava duramente. Ensinou-me a acreditar e amar as pessoas e a vida, mesmo quando as desilusões e frustrações apareciam. Ensinou-me a respeitar os diferentes pontos-de-vista, mesmo quando eles não faziam sentido – todos têm algo a nos oferecer de conhecimento, esse é seu mote. Ensinou-me a saber falar ou calar na hora em que é necessário. Ensinou-me a cantar pela vida afora, mesmo que os outros te chamem de ridícula. Ensinou-me a lutar sempre pelo que eu quero, mesmo quando era ela quem precisava estar lutando pela própria vida num CTI de hospital em 98.

(É nesse momento que as lágrimas de felicidade começam a escorrer do meu rosto, não consigo segurar a emoção de saber que ela está viva e feliz. Não acredito em milagres, acredito na força de vontade de cada um; e se alguém me ensinou essa lição, essa pessoa foi minha mãe, lutando com todas as suas forças por cada respiro, cada batida de coração, cada olhar, cada andar, cada gargalhar. Ela me ensinou o verdadeiro valor de cada copo d’água que tomamos, de cada pé que levantamos, um após o outro, pra seguirmos em frente pela vida. E me ensinou francês também, para os super-céticos que acham que emoção de mais é coisa de novela mexicana.)

Para ela, eu ainda sou uma criança, não cresci, e não devo crescer nunca. Pra quê? A vida lá fora já requer que eu seja adulta demais. Dentro de casa, sentadas na cozinha tomando café e jogando conversa fora, eu tenho mais é que voltar a ser a criança que eu sempre fui, aquela página em branco, e aprender cada vez mais e mais e mais, de ouvido em pé e olho arregalado, como se um mundo novo estivesse a se desdobrar em minha frente, cheio de mistério e fantasia.

Feliz aniversário, amor da minha vida! Você é a melhor e mais linda mãe do mundo para mim!

“Parabéns pra você/ nessa data querida/ muitas felicidades/ muitos anos de vida!! É pique, é pique, é pique! É hora, é hora, é hora! Rá-tchi-bum!!! Mamãe, mamãe, mamãe!!! Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!”

Postado em 02/05/2005 por em Mallices

Primeira morte da temporada. Um canadense, problemas respiratórios. Uma sombra negra paira sobre o acampamento-base do Everest. É o risco do esporte, que todos sabem, mas fingem não saber. Pêsames à família do Dr. Sean Egan.

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Enquanto isso, os brasileiros no Everest Waldemar e Irivan vão no ritmo correto: devagar e sempre. Já estão em fase avançada de aclimatação na montanha. Seus nomes devidamente logados no EverestNews, para o mundo saber do feito. Deixei há um bom tempo um recadinho de boa sorte pro Waldemar no site dele – visto que sou uma entusiasta do esporte. E não é que ele respondeu pessoalmente direto do acampamento-base nessa semana? O primeiro email vindo do Nepal e com boas-novas da expedição brasileira! Agora mais do que nunca, aguardando o grande dia da chegada ao topo do mundo. Dá-lhe, Brasilsilsil!!

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Surgiu na rede, novinho em folha, o blog “Diário de um jovem diabético”. Começou essa semana, com a descoberta pelo Tiago da sua condição de diabético. Vale a pena ficar de olho na evolução do moço, um patinador capixaba.

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Nessa semana, a capa da Nature é sobre o design inteligente, essa teoria maluca que o Flavio definiu ironicamente em um comentário aqui no blog como “coisa de vendedor de cozinha” – e eu adorei essa definição. O artigo da Nature esclarece a origem do movimento, e um pouco da raiz política, ou de como a política entrou na jogada. Vale como curiosidade.

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Amanhã tem Hi Seoul Festival, um festival de cultura coreana e estrangeira na Coréia. O Brasil vai ter uma barraquinha de quitutes. Vou dar uma passada e ver se eles têm umas coxinhas pra eu matar a saudade…

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Falando em Seul, hoje que me dei conta de que nunca escrevi nada aqui sobre essa cidade única e exclusivamente. Os comentários sobre Seul estão sempre diluídos em meio a outras miudezas cotidianas. Me cobrem isso pra um futuro próximo, por favor.

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Nessa semana, duas das minhas melhores amigas ganharam títulos de Doutoras pela UFMG, ambas no ICB. O mais hilário da história toda é que as duas fazem aniversário no mesmo dia, e agora são doutoras de datas próximas. As duas são igualmente esforçadas, boas biólogas, grandes grandes amigas, e merecem mais que parabéns por passarem por mais essa fase do estudo. Que só quem passa sabe que não é nada fácil. Parabéns do fundo do coração, Dani e Maria! A comemoração já está marcada pra quando eu aparecer no Brasil.

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Por enquanto é só.

Tudo de bom sempre.

Ando muito atrasada com esse blog (e os dos amigos). No meio dos vários múltiplos afazeres dos últimos dias, terça passada ainda arrumei tempo à noite para ir realizar mais um sonho – pela quarta vez! Fui ver no LG Arts Center, em Seul, o show do Pat Metheny Group, da turnê “The Way Up”. Show, aliás, que estava sendo gravado (e nas próximas 4 apresentações durante essa semana) para produção de um DVD. Algo como “Live in Seoul“, sei lá.

É impossível para mim não comparar com os shows anteriores que fui dele, em BH, Rio de Janeiro e Boston, de diferentes turnês. Cada um com sua característica peculiar. O show do Rio em 1995, da turnê “We Live Here” tinha Armando Marçal (filho da Portela) na percussão, e na platéia aparentemente toda a sua família, pois não paravam de salvar o grande músico. Esse show do Rio também ficou na memória como o maior caô que consegui dar num show, quando por confusão do segurança do antigo Metropolitan (que achou que eu era fotógrafa oficial da casa por causa da máquina e do bleizer vermelho) assisti ao show com meus amigos na primeira fila, onde só os convidados de honra estavam – inclua aí Sonia Braga e Milton Nascimento, por favor. Embora ainda na era filme, as fotos ficaram quase-perfeitas dada a distância, desnecessário dizer.

No show de Boston, em 2002, da turnê “Speaking of now”, foi a vez do próprio Metheny e o Lyle Mays, seu pianista amigo de fé e irmão camarada, sentirem-se em casa, visto que ambos moraram naquela cidade no passado. Embora sem fotos, neste show, a platéia era em boa parte de amigos do próprio Pat, o que colaborou para que ele nos presenteasse com um show longuíssimo, sem fim, onde a platéia de certa forma interagiu mais.

Esse show de terça, em Seul, foi marcado por um experimentalismo inovador – que é o que para mim caracteriza o bom músico, a capacidade de acompanhar a evolução da música geral como um todo e incorporando ao seu estilo original o que há de melhor na inovação, não tentando se adequar a nova música. Se minha opinião antes já era de que o Pat Metheny (e suas guitarras mágicas) era o segundo melhor músico vivo do mundo (o primeiro é o Hermetão, lógico!), agora eu tenho mais que certeza disso.

Ao chegarmos ao LG Arts Center com meia hora de antecedência ao show, ouvimos uma música de fundo que parecia muito a introdução de “Music for 18 musicians”, do Steve Reich, aquela música incessantemente monossilábica, que irrita a alma, e cuja magia está exatamente na irritação crescente: a música não parava, e deu 8 horas da noite, e o Pat Metheny entra no palco, começa a tocar sozinho, e a música atrás irritando sem parar, e eu já querendo gritar pra alguém desligar aquele som (“que insensibilidade desse pessoal!”), e o cara lá tocando a guitarra dele, quando de repente, toda a banda entra pela entrada da platéia tocando aquele barulho irritante, o que me fez cair a ficha de que o show havia começado desde o momento em que eu pisei no local, e aí a banda começou a tocar em conjunto, e o show chama-se “The Way Up” porque as músicas não param, são sequenciais, e estão sempre numa harmonia crescente, acordes crescentes, e o disco tem apenas 4 músicas e no show todas ficam interligadas, sem paradas, e o que as interliga é esse som irritante contínuo, que não para em momento algum, vários solos maravilhosos de todos os intrumentos, bateria, baixo, teclados, xilofones, percussão, e a música crescendo acompanhando agora o painel com um céu que nunca chega ao fim, ou a foto de um prédio que nunca termina, ou a foto de uma emersão subaquática que nunca chega na superfície, é claustrofóbico, e a música em si nunca chega a um ponto, um porquê, uma razão, continua o som crescendo, aquela inflexão de ondas que deixa a todos hipnotizados, uma viagem sem fim, estou dentro da toca do coelho da Alice, estou no labirinto do Minotauro, estou presa no epicentro de um furacão, é por isso que chama “The Way up“, o tempo todo indo pra cima, a música não para, a música não para, a música não para, a música nunca chega, até a música culminar num clímax que leva àquela música de fundo irritante, que após 68 minutos, finalmente… para. Ufa.

Esse experimentalismo da continuidade foi a primeira vez que vi no trabalho do Pat Metheny. Os fãs de carteirinha vão me dizer que o “Zero Tolerance for Silence” (disco minimalista ao extremo) já era esse tipo de experimentação, ou que a própria música “We Live Here” de 95 era assim, pois havia um momento crescente que de repente acabava como um trovão. Mas eu vou dizer que o que eu ouvi é algo completamente novo. É algo Reichiano, eu diria até que com uma influência direta do “Quarteto de Helicópteros” do Stockhausen. É algo mais, algo de músico que está antenado com os diversos experimentalismos musicais. Algo de gênios. (Apaixonada pela música do Pat? Eu??)

Ao fim dessa primeira parte do show, finalmente ele chega ao microfone para as poucas palavras de sempre – Pat Metheny é um dos tímidos mais chavões do meio musical. Fala da gravação do DVD em Seul, fala da nova banda (com um brasileiro desconhecido na percussão), fala o mínimo de coreano. E começa a parte do show que acho que a maioria ali estava esperando. A hora de ouvir as canções mais famosas, mais batidas. Hora de ouvir o bruxo Lyle Mays e seus dedos-árvores em um piano e 2 teclados conectados a laptops (Macs, claro) promover os momentos emocionantes. Hora de ver Pat detonar uma guitarra quíntupla. Hora de chorar (mais uma vez) ao ouvir “Last train home” – a parte em que os xilofones se concatenam não tem como segurar a emoção.

Porque a boa música também é aquela que te faz chorar de felicidade. E se o céu existe, e se algum dia depois de morrer, a gente vai pra lá, é com “First circle” e “Last train home” que somos recepcionados no portão de entrada.

Tudo de bom sempre. Com música no coração.

O sorriso no rosto. A banda de multiinstrumentistas do céu. Momento pesado metal em que até o inter-galáctico Lyle Mays pega na guitarra e manda ver. O show continua, e não pode parar.

Na estação de Seul, os trens-bala aguardam seus passageiros para a próxima jornada rasgando a Coréia do Sul.

Como dito no post passado, passamos o fim-de-semana em Busan (ou Pusan, dependendo da vontade do tradutor), cidade de praia na costa leste da Coréia do Sul. Como toda cidade de praia, tem um clima diferente no ar, um ar blasé gostoso e descansado. Viajamos no KTX, o trem-bala coreano, que chega à velocidade assustadora de 300 km/h. Em 2h e meia, cruzamos a Coréia e chegamos ao destino final. Um dia lindo de sol nos aguardava.

Naquele mesmo dia, decidimos subir na Torre de Busan, no topo de um morro, de onde pudemos ter uma vista bonita de toda a cidade. Um jardim lindo na frente da Torre, muito florido. Poucos turistas estrangeiros, mas muitos coreanos. A cidade é destino certo no verão, e com o início da primavera por aqui, não era pra menos que estivesse começando a encher.

Busan

Tubarões sendo vendidos para consumo humano num mercado de rua em Busan.

Além do turismo, Busan também é polo industrial e possui um porto gigantesco, onde boa parte da produção tecnológica coreana é exportada, e os víveres diários de subsistência na península chegam vindos de todos os lugares do planeta. Ao descer da torre, uma passada fundamental pelo mercado de peixes da cidade, o maior da Coréia. Todos os tipos de seres marinhos, vivos, mortos ou secos, à venda, pelas ajumás: peixes, polvos, lulas, conchas, arraias, pepinos-do-mar… enfim, tudo que os coreanos e asiáticos em geral devoram com prazer gastronômico. Vimos também barraquinhas vendendo besouros fritos, cabeças de porco e muitas algas. É, a cultura deles é pra lá de exótica mesmo.

Vista aérea de Busan, uma cidade entrecortada de morros e baías, de uma beleza peculiar.

Polvos à mostra no mercado de peixes das ruas de Busan.

Estávamos a lazer, com o plano de visitar o Aquário de Busan, famoso por seu tanque principal: 19 tubarões de diferentes espécies e tamanhos, alguns meros enormes, atuns, arraias, uma tartaruga-verde, peixes diversos. E a possibilidade de mergulhar no tanque junto com todos eles, apreciando-os de perto em seu ambiente artificial. O organizador de tal empreitada subaquática é um canadense chamado Michael, com o qual já havíamos mergulhado antes em Jeju, no sul da Coréia. O mergulho no tanque do aquário é interessante do seguinte ponto-de-vista: pessoas sem certificação de mergulho podem fazer o chamado “Discover Scuba”, que é uma espécie de batismo que será levado em conta se a pessoa quiser no futuro fazer um curso sério e se certificar como mergulhador autônomo. Acho essa oportunidade única e interessante, principalmente para aqueles indecisos, que não sabem se terão coragem de colocar um tanque nas costas e respirar num ambiente sem gravidade. Principalmente, uma economia se você não tem certeza de que quer ser um mergulhador. Bom, eu já tenho minha carteirinha de mergulho, então sem maiores problemas para cair na água – exceto a temperatura da água, 24 graus. Senti muito frio durante todo o mergulho.

Se os tubarões pensassem racionalmente, provavelmente estariam se perguntando o que essas pessoas estranhas de roupas altamente coloridas, soltando bolhas e andando como numa cena de “Matrix” estariam fazendo ali…

Esse mergulho é diferente numa série de aspectos. Primeiro, o óbvio: é um tanque, um ambiente fechado de 5m de profundidade, com uma concentração enorme de vida marinha. Não tem corrente, ondas, nem o infinito azul. Segundo: o mergulho é feito sem nadadeiras, ou seja, você “anda” pelo fundo do aquário. Não sei se vocês já tentaram andar embaixo d’água, mas a sensação é realmente de uma câmera lenta, ou então fiquei viajando que estava em “Matrix” e o Keanu Reeves poderia aparecer a qualquer momento num sobretudo preto montado em um cação-limão. Bizarríssimo, e mais estafante que o mergulho convencional, com nadadeiras. Terceiro: o tanque é totalmente visualizado por todos os lados pelos visitantes do aquário. Então, a sensação quando se está lá dentro mergulhando é de que você está numa vitrine. As pessoas apontam pra você, as crianças dão tchauzinho, você supostamente deve sorrir para todos, tentam uma comunicação esdrúxula, vários flashes na sua cara… enfim, deu pra sentir como o dia-a-dia de um famoso deve ser um inferno, principalmente depois da invenção do celular com máquina fotográfica. Por outro lado, é uma oportunidade única para mostrar às pessoas que os tubarões não são esses monstros totais. Pelo contrário, a maioria dos que estão ali no aquário são enormes mas extremamente tímidos e dóceis (os mangonas). Apesar dos dentes impressionantes, eles têm receio de estar perto de você. (Exceto um tubarão-leopardo que ficou o tempo todo passeando entre a gente, como querendo aparecer para as câmeras da Globo.) Um dos mangonas tinha um problema de mandíbula que fazia com que seus dentes superiores ficassem todos para fora. E ele era enorme e mais gordinho. Como brasileiro não perdoa nada, logo ganhou o apelido de “Mônico”. E eu particularmente adorei todas as inúmeras vezes que o Mônico veio em minha direção, parecendo que vinha me beijar. Um fofo carinhoso!

Com sinceridade, me senti muito confortável dentro do aquário e saí da água realizada, feliz, por ter interagido (mesmo que por apenas 40 minutos) com esses seres maravilhosos que reinam nos nossos oceanos e que infelizmente estão ameaçados pelo pior dos predadores: o ser humano.

E do Aquário, fomos direto para a estação, de onde nos despedimos de Busan, com desejo de voltar.

Tudo de bom sempre.

O Mônico de Busan:

Mônico de Busan



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