Hoje é dia Mundial do Meio Ambiente, uma data definida pela ONU para reflexão sobre o impacto humano no lugar que vivemos, a Terra, nos mais variados âmbitos. Acho importante que haja uma data especial para isso, embora devêssemos teoricamente pensar todos os dias no ambiente. Mas já que tantos outros problemas desvinculados do problema ambiental também assolam o mundo, na prática pelo menos um dia de conscientização já é algo a se comemorar.

Não gosto do termo “meio ambiente”, porque pra mim é redundante: ou é ambiente, ou é meio; os dois juntos dão a impressão errônea de “metade do ambiente”. (Conservar só metade??) Meu professor de Ecologia da faculdade também não gostava, e pedia sempre para usarmos um ou outro. Entretanto, meio ambiente é o termo português que se popularizou. No fundo, se as pessoas entendem o que é o ambiente, os problemas que enfrentamos e a necessidade de preservação ou desenvolvimento sustentável, já é o suficiente, em minha opinião. O termo usado vira semântica.

Poderia aqui citar vários problemas de conservação, as lutas infinitas que diferentes grupos travam em defesa do ambiente, a importância da Ecologia no nosso dia-a-dia, etc. Por exemplo, o tema da UNEP (órgão da ONU responsável por gerir a proteção ambiental) deste 05/junho é “Cidades Verdes – plano para o planeta”. Alertar sobre um planejamento urbano adequado – que no final das contas melhore a qualidade de vida do ser humano sem prejuízo ambiental – é um dos desafios do mundo atual que merece melhor avaliação e mais opções. Muito interessante, sem dúvida.

Entretanto, prefiro não discutir problemas hoje, escrever sobre o que para mim é um dos exemplos mais positivos de boa conservação ambiental sustentada no planeta: o arquipélago de Fernando de Noronha.

Vista aérea do arquipélago de Fernando de Noronha.

O Portinho da Vila dos Remédios, de onde os pescadores e barcos de mergulho saem diariamente para suas aventuras no mar…

O projeto do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (que compreende 2/3 da ilha principal) nasceu em 1988, numa idéia luminosa do IBAMA. Nesse mesmo ano, o arquipélago passou a ser jurisdição do Estado de Pernambuco, e desde então tem se mostrado um dos maiores exemplos de como fazer uma boa política de conservação funcionar.

Fui a Fernando de Noronha em 2003, 5 dias a passeio, e estava louca para conhecer a ilha e com olhinhos e perspectivas de bióloga, entender um pouco de como esse projeto de conservação funcionava. Uma viagem sonhada ao paraíso ilhéu brasileiro. Ilhas são em geral ecossistemas limitados, e quando são povoadas, existe uma forte tendência ao surgimento de problemas gerais, como lixo e obtenção de água potável, que se não forem bem administrados, levam a um caos sem limites (vide o exemplo das Ilhas Marshall, no Pacífico). Estava curiosa para ver como essa ilha brasileira funcionava.

Assim que chegamos no aeroporto da ilha, fomos logo pagar a taxa de permanência – um preço salgado pros moldes brasileiros, mas que é absolutamente necessária para a boa manutenção desse sistema de desenvolvimento sustentado. O número limitado de visitantes em Noronha também traz benefícios: fica mais fácil gerenciar problemas típicos humanos, como consumo de água e electricidade, geração de lixo, e também permite um certo “isolamento” que dá ao turista em alguns recantos aquela sensação libertadora de ilha deserta.

Também logo percebi que o nível de engajamento da população nos desafios ambientais da ilha era muito forte. Todos sabiam explicar de forma satisfatória a importância da preservação. É claro, a chave do sucesso do programa de conservação de lá é esse: envolvimento da população! A maior parte das pessoas tira seu sustento de atividades ligadas ao turismo ou à proteção ambiental do Parque. Mas o IBAMA teve preocupação especial com os pescadores, dando atividades alternativas ou viabilizando a pesca não-predatória, de forma que eles não sentissem o impacto do projeto de preservação de forma drástica. Na realidade, uma vez que a preservação de certas áreas começa, o número de animais marinhos tende a subir, o que só beneficia a pesca de qualidade sem destruição ambiental. O pescador passou a ver a importância de preservar no seu próprio bolso.

Além disso, outra atividade primorosa é a exibição de palestras noturnas diárias na sede do IBAMA. A ilha não tem muitas opções de lazer à noite, e uma boa propaganda levou à popularização dessas palestras: elas viraram point de juventude e paquera saudável. Nada melhor que aliar diversão com conscientização ecológica. As palestras são sobre diversos aspectos da ilha, explicações sobre as diferentes espécies animais que lá habitam e são alvo de conservação mais rigorosa (golfinhos rotadores, tartarugas marinhas, tubarões, etc.). São claras, em linguajar lúcido, acessível a todos, e muito bem articuladas pelos biólogos envolvidos.

A qualidade dos biólogos que estão em Noronha é outro ponto de elogios. A eficiência com que eles conseguem envolver a população local nas estratégias de preservação é inacreditável. Eu particularmente fiquei emocionada quando um ilhéu me citou o nome em latim de uma das espécies de tartaruga marinha. E não é só isso: as pessoas têm conhecimento sobre o comportamento dos bichos, a sazonalidade de algumas espécies, até formas de reprodução (com nomenclatura biológica!) são recitadas de forma clara pelas pessoas. Biologia no dia-a-dia das pessoas, o sonho de qualquer educador ambiental.


Duas espécies simbólicas dos programas conservacionistas exemplares em Noronha: a tartaruga marinha (a da foto é uma tartaruga-verde nascendo na Praia do Leão) e os golfinhos rotadores.

E como bióloga/viajante, gostaria de ressaltar algumas peculiaridades de Fernando de Noronha que me chamaram a atenção…

– A clareza da sinalização e cuidados com as diferentes trilhas da ilha. É praticamente impossível se perder por lá, e a qualidade da orientação permite investidas no mato até ao mais urbano dos turistas, permitindo a todos o acesso a vegetação. Poder experimentar de forma saudável o ambiente é uma boa forma de conscientização.

– O reduzido número de turistas estrangeiros. Talvez tenha sido a época em que fui, mas esperava muito mais estrangeiros – principalmente europeus, que são mais mochileiros em geral. Considerando o exemplo de desenvolvimento sustentado e refúgio ecológico que a ilha é, tenho certeza que atrairia muitos ecoturistas, principalmente nas épocas do ano menos visitadas por brasileiros. Se um estrangeiro me perguntasse uma dica de turismo ecológico no Brasil (ô, pergunta difícil de responder!) eu diria Fernando de Noronha. –

O trabalho de conservação dos diferentes projetos, principalmente o Tamar na Praia do Leão, e o dos Golfinhos Rotadores, na Baía dos Golfinhos. A seriedade e eficiência com que esses projetos são desenvolvidos mostra um amadurecimento na consciência ecológica marinha nacional – ao ponto das embarcações não reclamarem sequer da proibição de se aproximar da Baía dos Golfinhos. Isso por exemplo não existe no Havaí, o outro local no planeta onde os golfinhos rotadores tendem a se agrupar num local específico, e onde os barcos chegam bem próximos aos animais. Se por um lado aproximar-se de um golfinho pode gerar mais consciência ambiental e ecológica, por outro lado, pode estar perturbando seu comportamento natural (os golfinhos que se aproximam em geral são os machos, tentando desviar a atenção do “invasor” das fêmeas que ficam mais afastadas do grupo).

– A regulamentação do IBAMA levada à sério quanto ao horário de visitação (de acordo com a maré), ao tempo de estadia e ao número de banhistas na praia do Atalaia, um aquário natural rico em vida marinha, de águas cristalinas, onde se pode snorkellar em meio a cardumes de peixes coloridos. A existência de pequenas regras, como a proibição do uso de nadadeiras, mostra o quão detalhada é a preocupação ambiental do IBAMA, em prol da biodiversidade ali existente.

Um cardume de cocorocas nas águas de Noronha, cristalinas como as da praia da Atalaia, verdadeira piscina natural.

A fauna e a flora de Fernando de Noronha provavelmente agradecem todo esse esforço que deve ser visto como um orgulho do Brasil perante o mundo.

Tudo de bom sempre para os ecossistemas do planeta.


Dois Irmãos, um dos símbolos de Fernando de Noronha, em dois momentos: visto da trilha que vai para a Baía dos Porcos, e ao entardecer na praia da Cacimba do Padre (point surfista).

*Para mais fotos de Fernando de Noronha, visite o site da ArteSub.

O Fernando, como sempre, aprontando. Não bastasse ter um blog divertidíssimo, estar à frente do Stuck in Sac durante as férias da Leila, sugerir post pra mim (há tempos, mas tá valendo), agora me passa esse meme musical.

(Parênteses: Memética é um termo derivado da idéia de “meme”, cunhado pelo biólogo evolucionista Richard Dawkins em seu best-seller biológico “O Gene Egoísta” para descrever o que seria uma unidade hereditária cultural (meme) análoga à unidade hereditária biológica (gene). Em seu livro, ele discursa sobre o fato de que, enquanto a evolução da vida segue o molde darwiniano, a evolução cultural, ou dos memes, seria de caráter lamarckista, ou seja, características adquiridas sendo passadas pra frente. Considerações e refutações brilhantes à essa hipótese existem, feitas por biólogos de calibre como Edward Wilson e Ernst Mayr. Boas discussões em português sobre Dawkins você encontra no blog Ciência em Dia, e na seção Ciência e Sociedade do blog supra-citado você verá a fogueira que virou o debate sobre as idéias de Dawkins no post de 25/maio. Recomendadíssimo para quem se interessa mais a fundo por evolução… E o Marcelo Leite, “dono” do Ciência em Dia é um jornalista científico que não decepciona, muito antenado. Fim do parênteses.)

Bom, aí vão minhas respostas a esse meme musical – ainda bem que é curto…

1) Volume total de arquivos musicais no meu computador:

Até esse momento, 32.6 GB em hard-drive, mais DVDs com coleções (Zappa, John Cage e cia. ltda.) enviadas especialmente pelo meu amigo-adorável-biólogo-nota-10 Gabriel. Realizei um mini-projeto pessoal dando fim à minha coleção de cds: converti tudo pra mp3, passei pro iPod e pra esse HD externo, para me livrar das caixinhas e ficar mais leve o empacotamento de cds pra viagens. Valeu a pena.

2) O último CD que comprei foi…

“The Way Up”, do Pat Metheny. Porque eu fui no maravilhoso show, queria me inteirar das músicas novas com antecedência.

3) Música que estou ouvindo neste momento:

“No attention”, do Soundgarden.

4) Cinco músicas que andei escutando bastante neste últimos dias:

Ouço várias ao mesmo tempo: Audioslave, Pat Metheny, Hermeto, Chico Buarque, Stockhausen, Marina Lima… Mas a que tenho ouvido com mais frequência é a do Bob Esponja, todo dia, na hora do desenho… E serve também o “Concerto Gatofônico em miau maior” do grande Catupithoven? Todos os dias pela manhã no mesmo bat-horário de despertador… 😉

Ah, e contrariando um pouco as leis da memética de Dawkins, não vou passar pra ninguém. Quem quiser herdar esse meme, fique à vontade…

Tudo de bom sempre.

Ainda na era Paleozóica deste blog, o Fernando me perguntou sobre como era o sistema educacional na Coréia do Sul pois havia lido uma reportagem no Washington Post sobre a pressão que os estudantes coreanos sofrem para serem os melhores. Foi mais ou menos na mesma época em que saiu uma reportagem de capa da Veja no Brasil sobre o mesmo tema (na edição de 16/fevereiro/2005, infelizmente inacessível para quem não tenha assinatura paga). Prometi escrever sobre o assunto assim que tivesse essa Veja em mãos, pois leria a reportagem e poderia comparar com as opiniões que angario por aqui. Pois bem, a Veja chegou pelo correio semana passada, depois de longo e nada tenebroso inverno. E eis a minha opinião geral, 100% passível de discussão.

Há alguns anos eu não pegava uma revista Veja de papel. Confesso que me incomodou um pouco no início. O primeiro fato que me chamou a atenção foi a (falta de) qualidade do papel e da impressão, comparada às revistas que leio por aqui. O segundo fato foi logo na seção “Carta ao Leitor” dessa edição, uma foto da repórter responsável pela matéria da capa no castelo de Gyeongbokgung em Seul – infelizmente não tenho como mostrar a foto aqui. Mas das duas, uma: ou a foto foi tirada às pressas e não passou por um crivo técnico (entenda-se Adobagem ou Photoshopada) ou era uma montagem bem-feita – e aí teve uma adobagem feita nas coxas. Sim, porque a repórter está mais desbotada que todo o resto da foto, as tonalidades de preto não batem, a iluminação não condiz, e a sombra dela contradiz a sombra do palácio. A explicação surreal pro fenômeno seria que dois sóis levemente separados estivessem no céu no momento do clique. E ainda vivemos na Terra, não no planeta de Luke Skywalker, certo? O terceiro fato que me incomodou foi uma tabela vista ao folhear rapidamente no Guia de Saúde sobre tipos de colesterol: a tabela está completa e biologicamente ERRADA. Como isso é publicado??? Será que não houve revisão? (Diga-se de passagem, tabela nunca foi o forte da Veja.)

Passado o impacto inicial, pus-me a ler a reportagem sobre as “lições que o Brasil deveria aprender com a educação coreana”. Gostei muito de saber os números e estatísticas sobre a Coréia, principalmente em comparação com o Brasil, informação que eu não compilaria sozinha por divertimento. A reportagem inteira é um grande elogio ao sistema coreano, ao investimento maciço em educação básica que foi feito pelo país há mais de 20 anos, e que hoje recolhe excelentes frutos, através de desenvolvimento tecnológico. Até o ponto negativo colocado do sistema é visto com olhos brandos: a alta taxa de suicídio juvenil rivaliza com o Japão, mas não é maior que o do vizinho, assim como o fato de ainda existirem castigos físicos caso os alunos falhem. Esses problemas não merecem mais de um parágrafo para a Veja, afinal a matéria é sobre as benesses do sistema. Jornalismo “imparcial” é isso aí.

É fato que a Coréia soube sair do buraco do subdesenvolvimento com um planejamento e força de vontades titânicas. Aplicar uma parte substancial do capital em educação básica foi crucial para o sucesso da economia e da sociedade como um todo. Além disso, investir em ensino profissionalizante, erradicar o analfabetismo, e principalmente pagar bem os professores primários, sem dúvida, foram medidas acertadas que trouxeram (e trazem) benefícios múltiplos. Isso o Brasil deve realmente copiar.

Entretanto, ao terminar de ler a reportagem, fiquei mais curiosa sobre a educação aqui, e comecei a perguntar às pessoas com quem convivemos o que elas achavam. Existe uma unanimidade em se dizer que o ensino público aqui é ruim, fraco. “Ahn??? Como é que é???” Depois do que eu havia lido, essa informação parecia vinda de um outro planeta Coréia.

Arte infantil no metro de Seul

Alunos de escola primária expõem seus desenhos numa estação no centro de Seul; abaixo, educação familiar, também extremamente valorizada pela tradição coreana.

Logo comecei a me situar. A educação coreana festejada, modelo para o mundo, é extremamente tecnológica, voltada para o afunilamento do conhecimento. Desde cedo, tenta-se descobrir qual a melhor aptidão da criança e incentivá-la a desenvolver ao máximo essa aptidão. Dessa forma, temos profissionais excelentes, pois eles foram treinados a o serem desde sempre. Especialistas, principalmente em qualquer área ligada à tecnologia. Entretanto, é a base do ensino geral, aquela que ensina os fundamentos de uma célula por exemplo, ou os meandros da história crítica, que é lamentável no ensino coreano – e razão principal pela qual a maior parte dos coreanos sonha em mandar os filhos estudarem nos EUA a qualquer custo. (Pra aprender inglês também, outra deficiência que será amenizada com o tempo.)

Para aprender um pouco mais e melhorar seu afunilamento, a maior parte das crianças são colocadas em escolas de reforço privadas, os Hagwons, onde aulas específicas de matérias como matemática, ciências, inglês e artes são incorporadas ao considerado “falho” sistema público de ensino. Vale ressaltar que os hagwons são um grande negócio em termos financeiros, além de responsáveis por trazer hordas de estrangeiros de língua inglesa para cá – o melhor professor de inglês é aquele que fala inglês desde sempre, essa é a idéia. Entretanto, conversando com alguns desses professores, percebemos que o hagwon nada mais é que a extensão da escola, no sentido de memorização. Aperfeiçoar-se, nesse caso, significa decorar mais e mais, adquirir destreza e agilidade de raciocínio tecnológico.

O estudante coreano da escola básica portanto não aprende a pensar, raciocinar de maneira confrontativa, crítica, nem mesmo no hagwon. O ensino é todo baseado em memorização, decoreba, do prezinho à pós-graduação. Eles sabem desmontar e montar de novo qualquer iPod, dão de 10 X 0 em qualquer estudante de outro país em Olimpíadas de Matemática, mas se você pergunta a opinião deles sobre aquecimento global, por exemplo, não vai ouvir mais que meia dúzia de palavras-chavões relembradas fracamente de algum parágrafo memorizado, se muito. Nada se discute, tudo se ouve de um mais velho ou lê-se num livro: aquilo é verdade absoluta, está certo. E a realidade é que essa visão não podia estar mais distorcida do mundo que vivemos.

Devido ao passado político de corrupção e subdesenvolvimento, o coreano é paradoxalmente muito politizado em assuntos internos. Os diversos conflitos que de vez em quando pipocam em Seul entre estudantes e polícia são reflexo dessa politização desatrelada de ensino crítico – ou do anti-americanismo que vem crescendo de uns tempos pra cá. Não me perguntem como a cabeça de alguém funciona sabendo política sem discutir suas bases ideológicas a fundo, mas parece ser o que existe aqui.

De forma alguma, quero desmerecer com esse post a educação na Coréia. Sem dúvida, o projeto educacional como um todo é vencedor, só facilitou o incrível desenvolvimento que vemos aqui, e é digno de muitas palmas. A filosofia oriental de valorização do trabalho e do saber também não podem ser rejeitadas na discussão de porquê o sistema funcionou. Mas, se esse modelo deve ser seguido pelo Brasil, é preciso que os pequenos erros que eles próprios vêem sejam analisados e levados em consideração, para que se tenha uma educação de qualidade no nosso país, já tão castigado pela falta da educação básica de qualidade.

Tudo de bom sempre.

Duas cenas muito comuns em Seul: criança com seu próprio celular em mãos, e passeatas de protesto – a da foto especificamente anti-americanos.

Viajando na maionese um pouco mais…

– Outra reclamação comum do sistema educacional entre coreanos é que as crianças têm pouco tempo para brincar, informação que eu discuto um pouco, dada a quantidade de crianças que todos os dias a tardinha estão no playground do condomínio em que moramos. E lendo livros no balancinho é que elas não estão…

– Um efeito colateral da atual preferência por uma educação mais “ocidentalizada” é o fato de valorizar-se em demasia quando as crianças aprendem/ouvem música clássica (Beethoven, Bach, etc.), jazz, ou então vão a teatros, óperas e afins. Como se isso fosse o único parâmetro de medição do grau de cultura de um povo. Aliás, o que é cultura mesmo?

– Todas as escolas coreanas têm um tamanho mínimo de área livre, de acordo com o tamanho da área construída. É lei. Criança não pode ficar confinada igual gado, pois isso afeta o aprendizado também.

– Esse humilde bloguinho (e sua reportagem sobre o Lula na Coréia) foi citado de forma delicada e agradável na coluna desta semana do Gravatá, no jornal O Globo. Senti-me honrada e agradeço à lembrança ao Gravatá. Eu, uma sentimentalóide de carteirinha, fiquei profundamente tocada pelo gesto.



Booking.com

Ufa! Aparentemente, acabou o nervosismo, a ansiedade, a torcida. Waldemar Niclevicz e Irivan Gustavo Burda foram pro ataque final ao topo do Everest e a notícia suspeita é que parece que eles chegaram ao cume ontem, dia 30/maio, e puseram a bandeira brasileira tremulando a 8.848m de altura, pro mundo ver e aplaudir. (Digo parece porque Waldemar ainda não entrou em contato com o acampamento-base depois do feito, mas já está adicionado à lista dos “everesters”.) Se a notícia é verdadeira, a celebração dos 10 anos da conquista do Everest por brasileiros foi portanto bem-sucedida – apesar das (im)previsões de tempo dessa temporada não terem contribuído muito, com ventos fortes e muita neve.

A outra dupla brasileira, Vitor Negrete e Rodrigo Raineri, estão já no acampamento 2 do Tibet, subindo sem auxílio de oxigênio suplementar e com força total. Se eles também chegarem ao cume – o que pode ser dentro de algumas horas – será uma dobradinha brasileira dos dois lados da montanha (sul e norte) como nunca visto antes.

Mas a vitória das vitórias entre as notícias “everestianas” chegou há algumas horas: Will Cross, diabético tipo 1, conquistou o cume sul do Everest, com sua bomba de insulina, seu preparo físico e sua força de vontade extraordinária. Uma vitória humana contra o preconceito, uma vitória que mostra a todos o quanto ser diabético não é um impedimento à realização dos sonhos e desejos de ninguém. É o primeiro diabético a enfrentar esse desafio, e merece aplausos de pé por ter vencido. Eu pelo menos estou aplaudindo.

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Para quem acompanha esse blog há mais tempo, sabe que sou uma apaixonada por histórias de montanhismo, que sofro da “febre do Everest“, que estava torcendo muito pela celebração dos 10 anos do Brasil no Everest, e que maio é o mês das monções na região dos Himalaias, fenômeno que permite à maior parte das pessoas a janela favorável de temperatura e umidade para a escalada dos picos da região. Maio está acabando, e eu espero que consiga dar umas férias cerebrais também pros livros, sites e filmes de montanhismo. Porque tudo na vida tem limite, e essa loucura montanhista já ultrapassou o aceitável.

Já o Explorador da Rede Camburizinho está de volta das “férias” (entenda-se tese de mestrado). E com a história da expedição de Shackleton à Antárctica, aventura que vale ser lida. O Barnabé também voltou semana passada, com sua ironia política e “causos” do cotidiano brasiliense.

Lucia Malla também “volta” em junho, sem montanhismo e afins, com sua programação normal de viagens na maionese… Fique ligado.

Enquanto ainda é maio… Tudo de bom sempre, para todos que alcançaram o cume do Everest em 2005!

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P.S.: Não podia deixar de comentar que a notícia de que os ministros japoneses foram aconselhados a não usar terno (para diminuir o gasto com ar condicionado nas repartições, e levar os demais funcionários na hierarquia a também usarem roupas mais leves) é das mais ecológicas, iniciativa nota 10. Cumprindo à risca o protocolo assinado em Kyoto. Adorei.

…E Lula foi para Tóquio. Ontem de manhã; e se duvidar a essa hora já está a bordo do Aerolula rumo ao Brasil, onde problemas grandes aguardam ansiosamente por ele. Levará consigo na bagagem vários acordos bilionários com empresas coreanas e japonesas, o que potencialmente trará lucros ao país, e conselhos, muitos conselhos. Levará também sua lula e algumas experiências vividas na Ásia – como o jet lag.

Já a Lucia passou a carregar na sua “malla” essa experiência incrível que viveu: ser pseudo-jornalista por 3 dias. Como toda experimentação, pontos positivos e negativos apareceram. Gostaria de expor um pouco o que achei de tudo isso, uma reflexão pessoal.

Antes de mais nada, eu acredito na “mídia do cidadão”. Aquela possível de formar opiniões a partir do seu background, menos estéril e mais opinativa. Talvez porque eu acredite nas pessoas. Por mais que eu saiba da existência de seres humanos com más intenções e ausência absoluta de senso, prefiro pensar que no final das contas, se mais pessoas tivessem acessos aos meios para poder expressar-se, a qualidade da informação subiria, e uma maior conscientização poderia surgir como resultado final. (Com bom senso, é claro, não com achismos equivocados sem argumentos.)

E diante dessa crença, o pseudo-jornalismo bloguístico que me desafiei a tentar fazer (com algumas falhas, eu sei), só valeu para me convencer mais ainda de que a mídia do cidadão existe e pode estar na ponta de nossos dedos, se assim quisermos. Chamo de pseudo-jornalismo para evitar preocupação com termos “jornalísticos” (que obviamente não sei) e aquela velha discussão de “o que é jornalismo? blog pode ser jornalismo?”; levando-se em consideração que no Brasil só é jornalista quem tem um diploma de Jornalismo, eu não sou jornalista então. (Quem quiser, leia esse post da DaniCast que reflete bastante a minha opinião também.)

A mídia do cidadão consciente encontra, portanto, um potencial enorme com o advento dos blogs, um meio sem muitas regras onde as pessoas participam e uma infinidade de assuntos podem ser abordados ao belprazer do “dono” do blog. Essa tendência ao caos pode levar a um buraco negro ou ao nascimento de uma estrela nova, e nesse ponto, cabe ao cidadão a escolha.Tudo é válido nesse universo. Eu sei, essa realidade está longe, muito longe, no Brasil, onde a maior parte da população não tem acesso sequer a educação, quanto mais a computadores e internet. Mas ela já funciona na Coréia: por exemplo, o abaixo-assinado contra a candidatura do Japão à vaga no Conselho de Segurança da ONU foi em massa assinado eletronicamente, com apoio das operadoras de internet e portais locais (Yahoo!Korea, Daum e Naver, principalmente), e contou com uma difusão em peso por blogs coreanos. E se funciona aqui, será que no dia que o brasileiro tiver acesso à educação tecnológica, ela também funcionará lá? Eu acredito que sim. Mais uma vez, está ao alcance dos nossos dedos no teclado.

Mas, continuando com algumas reflexões sobre impressões da visita do Lula a Coréia do Sul, acho necessário deixar claro também que em momento algum eu expus a minha opinião pessoal sobre o governo Lula de forma veemente. Primeiro, porque apesar de eu ler os jornais brasileiros pela rede, não estou vivendo o governo dele como se estivesse no Brasil, e isso por si só já me deixa em desvantagem analítica – ou não, dependendo do nível de imparcialidade requerido no momento. Segundo, porque eu queria esse formato “diário de viagens”, algo como o relato do que eu estava vendo ao meu redor, sem muita análise contextual profunda, apenas pitadas. E nesse item, o jornalismo tradicional é mais efetivo, porque não só a investigação da pauta é maior, como a acuidade da informação divulgada é mais refinada. Particularmente, eu acho que é nesse momento que o jornalismo tradicional perde a identificação com o leitor e se torna estéril, ou apenas uma máquina de moldar opiniões de acordo com interesses esdrúxulos. E é quando os blogs ou qualquer outra forma de mídia do cidadão consciente (ou o pseudo-jornalista-escritor nas horas vagas) pode entrar e cobrir esse vácuo. Acho que os dois meios de dissipação da informação podem andar lado a lado, numa boa, sem atritos, apenas com a consciência das diferenças de forma entre ambos. Afinal, quanto mais opiniões boas que nos façam pensar, melhor.

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Eu estou absolutamente comovida e encantada com todo o apoio sincero que me foi dado a esse “trabalho” – que foi bem divertido, diga-se de passagem – na caixa de comentários do meu bloguinho de viagens. Normalmente, eu já sou uma pessoa que adoro “ouvir” as viagens de cada um (além de delirar nas minhas próprias viagens), mas perceber o quanto as pessoas me acompanharam nessa maratona – fenômeno que eu pensava que só os meus amigos chegados e familiares fariam – foi simplesmente emocionante. Meu coração está repleto de alegria, graças a todos vocês, viajantes desse blog “Malla”. Vocês merecem palmas.

A Associação Brasil-Coréia (ABC), que eu conheci há 3 semanas no máximo, fez um trabalho exemplar. A organização do “Café com o Presidente” foi de primeira, tudo pensado, repensado, treinado e protocolado. É óbvio que a visita do presidente altera o ritmo da comunidade brasileira, mas o fato de ela ser minúscula (praticamente todos os brasileiros na Coréia foram no encontro) ajuda muito na boa organização. Não imagino tal situação acontecendo de forma tão tranquila em Boston, com sua mega-comunidade brasileira. Foi tão divertido estar com os brasileiros lá, que acabei de chegar de um showzinho num bar com as mesmas pessoas – e quero crer que um pequeno círculo de boas amizades pode brotar daí.

Preciso agradecer também aos blogueiros que me deram uma força desde a semana passada através de dicas valiosas: Rafael, Leila, Alex, Idelber, Suzana, Mônica, Donizetti, Cristiano e Sergio Leo. Valeu demais!

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Alguém viu a notícia de que os chineses querem levar a tocha olímpica acesa até o topo do Everest? E é nesse fim de semana que o Waldemar Niclevicz começa a escalada final, representando o Brasil por lá. Ou vocês acreditam que é só o Lula que representa o país em terras estrangeiras?

Tudo de bom sempre.

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P.S.: Estou com o discurso do Lula em mp3 pronto pra ser compartilhado, mas o arquivo tem 6.9 MB (são 12 minutos). Em formato original, fica mais monstrengo ainda. Os interessados em ouvir, não hesitem em me mandar um email (no rodapé deste blog), que eu envio o arquivo com o maior prazer. Não se acanhe.

Lula e a lula

Lucia Malla e André (o melhor fotógrafo subaquático do mundo!) entregando o presente especial ao Lula. D. Marisa pareceu muito feliz com o presente! Abaixo, a foto sub que foi dada: uma lula (Sepioteuthis lessoniana) de “olhos azuis”, de acordo com o presidente. A foto da lula foi tirada nas Filipinas, viagem do ano passado.

Lula vendo a lulaHomem-mascara

Nós entregando o quadro da lula; ao lado, outro presente, as máscaras tradicionais coreanas, que o presidente e a primeira-dama fizeram questão de colocar no rosto – para deleite dos fotógrafos.

Conseguimos. Poucos segundos, mas conseguimos. Entregamos o presente que André com muito esmero preparou para o presidente. A idéia luminosa dele (“uma lula para o Lula”), que começou há uns dias numa conversa de elevador no trabalho, mostrou ser a única estratégia plausível para que chegássemos perto do presidente e pudéssemos trocar algumas palavras, além de conveniente: ele, biólogo marinho e fotógrafo subaquático, dando uma foto de um ser marinho que apenas “coincidentemente” leva o nome do presidente – melhor seria dizer o contrário…

Quando chegamos no salão Ônix do Hotel Lotte, onde o encontro armado pela Associação Brasil-Coréia aconteceu, logo entramos em contato com o presidente da Associação, para mostrar que tínhamos um presente “original”. Todos adoraram, embora de início alguns não sacaram a tirada – seria uma piada muito biológica? Fato é que o presidente entendeu ao receber. Mas o que ninguém entendeu interessantemente foi a orientação do animal: Lula achou que estávamos dando o quadro de cabeça para baixo. André teve que mostrar a orientação correta da foto pro Presidente. (Depois dessa, acho que preciso escrever um post sobre lulas, polvos e demais moluscos marinhos para tirar esse peso biológico da consciência…)

Os presentes foram entregues ao Presidente logo após o início da cerimônia. Alguns presentes coreanos, como uma máscara tradicional que ele e D. Marisa vestiram, e uma caixa de ginseng vermelho da melhor qualidade – o que levou Lula a primeira “tirada”: o Presidente fez sinais com o punho fechado denotando o famoso poder afrodisíaco do ginseng vermelho, com risadinhas sarcásticas. Imprensa de ouvidos abertos e olhos atentos. A Associação deu ao Lula um álbum com fotos de eventos de divulgação do Brasil (incluindo fotos da Copa 2002), o que achei muito simpático. Aliás, a Associação deu um show, estão de parabéns: não houve sequer uma gafe, a organização do “Café com o Presidente” estava primorosa, e os discursos foram curtos, sinceros e elegantes. Nada de demagogia ou baboseira, foi tudo preciso.

O cartaz na entrada do salão, com a Mônica, uma das minhas personagens prediletas, falando em coreano. Com o Cebolinha na cola, é claro.

Nós fomos os últimos a entregar presentes, e entramos como “os cientistas brasileiros na Coréia”. Acho que eu nunca tinha sentido tamanha responsabilidade como cientista na vida como representar a classe perante o Presidente da República. Mesmo que isso não seja nada na vida de alguém – com certeza, meu currículo não acrescentará pontos por esse evento. Mas que foi um certo peso, foi. E aí, voltando àquele velho estigma do cientista, até o Presidente nos olhou com aquela cara de “cientistas? Puxa…” Como se fôssemos ETs nerds que desembarcaram na Terra por ledo engano. Nos poucos segundos com Lula, ele perguntou há quanto tempo estávamos na Coréia e com o que trabalhávamos. (André espertamente havia escrito atrás uma dedicatória aludindo aos 30 anos de aniversário de casamento entre eles – talvez o motivo pelo qual a D. Marisa, que parecia impaciente, tenha aberto um sorriso generoso. Afinal, parabenizar pelo casamento é muito mais seguro e sincero que parabenizar pelo governo…)

Logo depois do nosso momento histórico, Lula fez um discurso de improviso, para delírio dos jornalistas de plantão. E aí entendi um pouco do porquê foi eleito Presidente da República: ele tem um carisma com o público inacreditável, digno de grandes oradores. Ele olha nos olhos das pessoas quando fala, profundamente, como se esperasse que a sua resposta ou seu balançar de cabeça confirmando que está prestando atenção. Seu discurso não é intelectualizado, de forma alguma. Fica claro que quem está falando é um homem do povo, com linguajar do povo, com as brincadeiras do povo. Por favor, não estou sendo pejorativa ou embasbacada, simplesmente é uma característica que desponta acima de qualquer outra em seu discurso.

Lula e Pallocci

Lula discursando enquanto Palocci viajava na maionese atrás.

Lula fez questão de apresentar todos os membros da comitiva, e dei uma certa risada irônica quando ele apresentou o ministro Palocci, pois me lembrei de todas as charges que normalmente vejo neste site. E deu um pequeno furo, pequenininho, mas deu: ao comentar sobre os brasileiros na Coréia, falou da facilidade com que nos destacamos pela diferença fisionômica (ou seja não temos olhos puxados). Acho que ele esqueceu dos mais de 40,000 descendentes de coreanos, e os outros milhares, quiçá milhões, de japoneses e chineses que lá estão e que são cidadãos brasileiros. Eu sempre tenho cuidado ao falar sobre aparência física de brasileiro com estrangeiros – aí vem o presidente e chuta o pau da barraca. Êita nóis.

(Mas foi um pequeniníssimo furo, se contarmos com a probabilidade do que poderia sair errado num discurso de improviso. Além da alusão de celebrar a vitória econômica do Brasil com champanhe – por que não com fogos de artifício, que seriam menos complicativos para a imagem dele? Improviso é isso…)

Ao terminar o discurso, Lula foi abordado por trocentos repórteres, e saiu às pressas. Depois, conversando com um repórter da Folha, ficamos sabendo que o governo Lula tem sido o pior para os repórteres, numa verdadeira censura. Esse cara da Folha já está a mais de 20 anos cobrindo viagens presidenciais (desde a ditadura!) e disse que nunca sentiu tanta censura por parte do governo quanto agora. Talvez por isso, no momento que a oportunidade surgiu, eles voaram em cima do homem.

ChegadaFabio

O Presidente entrando no salão em companhia da primeira-dama, enquanto Fábio cantava e homenageava não só Lula, mas todos os ouvintes com sua voz.

Depois que o presidente foi embora com sua comitiva, finalmente rolou o café propriamente dito, num clima entre amigos, sem protocolos. Muito divertido. Pudemos conversar com o Fábio, um cantor brasileiro de voz impressionante, presença de palco perfeita e que fez uma homenagem fofa ao presidente: quando Lula chegava no salão, ele cantava com voz poderosa a música: “Isso aqui, ô ô/ é um pouquinho de Brasil, iáiá/ Esse Brasil que canta e é feliz/ Feliz, feliz/ É também um pouco de uma raça/ que não tem medo de fumaça, ai ai/ Que não se entrega não.” Alguém sabe quem canta essa música? Eu estou em estado de branco total no cérebro, não lembro a nenhum custo. O presidente elogiou a voz do Fábio – que honra!

E essa maratona tinha que terminar com uma tirada exótica. Depois que saímos do hotel, fomos ao supermercado comprar umas comidas. Adivinhem o que encontramos lá? Arranjos e esculturas feitas de… lulas secas! Inclusive uma lula feita de lulas.

É muita “lula” pra um dia só, não?

Tudo de bom sempre.

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Arranjos com lulas desidratadas no supermercado em Seul.

P.S.: O discurso do Lula foi gravado no iPod. Assim que eu transferi-lo pro computador, vou deixar aqui o link. Não faço isso agora porque estou com muito sono…

Primeira reportagem da Folha Online: até o momento não tinha entrado nada do forum.

Primeira reportagem do Estadao Online: 23h17 horario de Brasilia

Primeira reportagem do Globo Online: No ar às 21h39, apenas relacionada ao Lula, não ao evento.

Primeira reportagem do UOL Ultimas Noticias: 0h44 horario de Brasilia

Blogagem da Lucia Malla sobre o Forum: 22h39 (horario de Brasilia).

E eu, como sempre questionando, me pergunto: qual a razao da diferenca de tempo entre todos – pequena, mas existente – visto que todos tinham tecnologia como a que usei a disposicao? Serah que a necessidade da informacao imparcial gera esse pequeno atraso – ateh o jornalista moldar o texto, por exemplo? E os jornais de TV, em que peh ficaram nessa historia? (Visto que obviamente nao tenho como saber.)

Ou seria este forum um evento menor na agenda de noticias do pais? Serah que estou valorizando demais um mero evento internacional – o presidente participa de zilhoes deles por ano…?

Duvidas, duvidas, na cabeca de uma brasileira…

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Agora que a adrenalina diminuiu na minha corrente sanguinea, posso parar e pensar um pouco sobre o discurso do Lula. A impressao que tive foi a de que era um discurso antigo, que foi apenas rearrumado. Falou as mesmas coisas: sobre o Fome Zero, violencia, desigualdade social, a iniciativa brasileira do encontro com paises arabes… Parecia que eu estava lendo aquele discurso de jornal.

Veja bem: o tema do forum era “Em direcao a governancia participativa e transparente“. Onde estava a explicacao sobre transparencia no ato de governar que eu nao ouvi? Acho que meu ouvido viciado em ciencia pede objetivos claros, infelizmente. Nao estou acostumada a esse blablabla politico. Imagine se eu fosse num congresso de diabetes e chegando lah comecasse a versar sobre, sei lah, ecologia do Pantanal? Eu sei que o exemplo nao estah perfeito, mas essa foi a sensacao que eu tive ao ouvir o discurso. E nao foi soh o do Lula. Por isso que eu acho que essa eh a norma politica. Uma pena que meu ouvido realmente nao acha isso normal.

(Parenteses: um dos discursos, de um representante da OED (?), foi talvez o unico a chamar a atencao para o fator transparencia de governo, perguntando “Por que os governos nao sao transparentes?” e a partir daih discursando a respeito. Coincidentemente, foi o discurso que considerei mais articulado de ouvir.)

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A saga continua amanha, depois de uma merecida noite de sono: haverah uma recepcao ao presidente promovida pela Associacao de Brasileiros na Coreia a tarde, para 100 pessoas. Estarei lah com o meu namorado, a quem alias eu devo infinitos agradecimentos hoje pelo apoio irrestrito, por tolerar minhas “viagens na maionese” pela manha, e pelas discussoes levantadas, sempre com perspicacia, bom humor e cientificismo brilhantes.

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Li todos os comentarios e agradeco muito, muito, muito a todos que me desejaram boa sorte e me deram forca – que precisei, sim. Estou emocionada com a repercussao que essa experiencia teve, e principalmente com a experiencia em si pra mim. Se fiz um bom trabalho ou nao, nao cabe a mim avaliar no momento. Apenas afirmo que me sinto feliz de ter conseguido fazeh-lo – minha primeira vez brincando de pseudo-jornalista. Eu sei, eu sei, repercussao na blogosfera eh tao valido como ser Miss Minisaia no Rodeio de Valinhos, blablabla… Mas eu gostei deveras de saber que meus familiares e amigos (velhos e novos) estiveram aqui e me apoiaram. A todos, muito, muito obrigada.

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Agora back to work que o tempo nao para.

Tudo de bom sempre.

Visita do Lula à Coréia Fotos exclusivas

Presidente Lula em seu discurso na cerimonia de abertura do Forum Global da ONU sobre Governancia. Abaixo, com seu “discreto” fone de ouvido, prestando atencao ao discurso do presidente Roh, da Coreia.

O coral coreano se apresentando na abertura, e o presidente sul-coreano Roh discursando.

Dois momentos de blogagem no Auditorio do COEX. Por favor, reparem no meu cabelo que levou horas pra arrumar, ok? 🙂

Antes de mais nada, desculpem o atraso. Nao foi ao vivo – nao tinha internet aberta dentro do auditorio. Mas ai vai meu relato.

Nossa viagem de metro foi anomalamente tranquila. Metro vazio, e terminamos chegando bem mais cedo, as 7:30. COEX cheio de segurancas, muito mais que nos dias normais – o que nao eh uma novidade, vista a presenca de chefes-de-estado e pessoas ilustres do poder. Deu tempo de pegar os crachas com muita calma, e tomar um cafe. No cafe, encontramos o primeiro brasileiro, chamado Geraldo Machado, baiano simpatico com quem trocamos um bom papo.

Ao passar pela seguranca, pediram que ligassemos toda a parafernalia eletronica que eu carregava: maquina fotografica, iPod e laptop. Entramos no Convention Hall, onde a Cerimonia de Abertura estava para comecar. Logo encontramos a midia brasileira: rede Globo, Folha de Sao Paulo, Estadao… Havia o sinal de wireless internet, mas o sinal estava fechado, com acesso restrito a sei la quem, porque a imprensa brasileira tambem nao conseguia conexao. Uma reporter de video da Globo acabou de passar, mas eu sou pessima com nomes, nao lembro, e tambem nao consigo ler seu cracha.

Na terceira fileira do auditorio, o ministro Palocci. E nos estamos sentados pra la da decima fileira, ja que as da frente sao de comitivas oficiais.

E nesse momento, um coral coreano, com as mulheres vestidas em trajes tipicos, introduz um pouco da cultura local. Aguardamos ansiosamente a chegada do Lula.

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9:15 am – O coral esta saindo do palco. A moderadora esta discursando um pouco, e em breve os chefes de estado entrarao.

(Parenteses: boa parte dos brasileiros ainda esta de peh. Os demais estrangeiros, em sua maior parte – com excecao da imprensa geral – estao sentados. Sera isso um comportamento tipico nosso, uma leve falta de respeito salpicada de sorrisos simpaticos?)

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9:30 am – Presidente Roh, da Coreia do Sul, entrando ao lado de Lula, e sendo aplaudido. Uma musica coreana ao fundo, parece uma marchinha marcial de qualidade duvidosa. … aberto o forum.

Discursos em coreano. Meu tradutor de ouvido nao esta funcionando direito, e nao tem portugues, e sim ingles, espanhol, frances e chines. Presidentes presentes no momento: Tailandia, Tajiquistao e Brasil, alem do coreano. Um reporter subiu na cadeira na minha frente pra tirar fotos do Roh – ainda bem que meu namorado eh alto e suplanta o baixinho.

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9:45 am – Discurso de um dos secretarios da ONU, Jose Antonio Campo (?), em ingles. Outro reporter brasileiro se posta na minha frente em peh. O iPod jah estah ligado, esperando pelo momento em que Lula comecarah a falar.

O reporter da Globo estava nos filmando agora. Serah que estaremos no Jornal Nacional de amanha? 🙂

E que discurso mais enche-linguica. Serah isso politica, essa falta de objetividade na oratoria? Nao consigo tirar uma sentenca sequer, a nao ser: “Obrigada a Coreia e demais paises por participarem desse Forum para desenvolvimento da agenda da ONU.”

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9:55 am – Comeca o discurso de Lula. E nao eh que ele tem mesmo a lingua presa? Brincadeirinha… nao resisti. Discurso em portugues, um bom alivio pra minha orelha sem esse tradutor desconfortavel. Eu estou vendo o Lula a menos de 50 m!!!!!!!!!!!!!!!!!

(E como ele estah rosado…)

Agradece ao bom recebimento pelo povo coreano. E comeca um discurso sobre democracia. E ele fala sobre fome e desemprego, como obstaculos a manutencao do caminho para a democracia.

Algumas frases captadas ao leu em seu discurso:

“Meu amigos e minhas amigas…”

“Um bom governante eh o que une razao com paixao.”

“A boa governancia implica tambem em boa administracao dos recursos naturais e meio ambiente.”

“A politica externa (…) eh importante para a defesa de nossos interesses comerciais.”

“Um mundo ameacado por armas de destruicao em massa, terrorismo, mas sobretudo por profundas desigualdades sociais.”

Lula termina seu discurso e eh modestamente aplaudido.

E eu saio correndo atras de uma conexao para colocar isso no ar, antes dos jornais. A vantagem de conhecer o COEX vem aih – sei cada esquina de internet cafehs por aqui. Corro pro que eh mais escondido e perto, que sei que fica no primeiro andar.

Espero que tenha valido a pena.

Tudo de bom sempre.

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