Ontem foi Museum Day, o evento nacional americano em que diversos museus abrem gratuitamente ao público. Neste ano, escolhemos visitar em celebrção da data o Museu Estadual de Arte Havaiana – em inglês, Hawaii State Art Museum. Este museu é normalmente gratuito, portanto o Museum Day apenas nos impulsionou a visitá-lo. 🙂

Foi minha primeira vez neste museu, e confesso que por aqui não se fala muito dele, então não fazia muita ideia do que ia encontrar. Sabia que era um museu de arte contemporânea – e estando ainda empolgada com as artes que vi na Documenta mês passado, me empolguei para ver qual a contribuição do Havaí para a “conversa” contemporânea.

Pois o Hawaii State Art Museum é um museu pequeno e aconchegante, simpática pérola num prédio antigo ao lado do Palácio do Governo Estadual, em pleno downtown Honolulu. Logo na entrada, uma fonte d’água de origem marroquina, presente do Rei do Marrocos ao governo havaiano em 2012.

Hawaii State Art Museum

Fonte marroquina.

O Hawaii State Art Museum fica no segundo andar do prédio, e estavam abertas à visitação duas galerias: uma de exposição permanente e outra temporária. Ambas com obras contemporâneas de artistas havaianos ou de outros estados e países que se mudaram para o Havaí – o fundamental em todas as obras de arte era a clara temática “Havaí” que unia todas as peças e obras.

Na exposição permanente “Accession” ficam as obras recém-adquiridas pelo museu. O Havaí tem uma lei de 1967 que obriga todas as obras e renovações em prédios estaduais a separar 1% do orçamento para a aquisição de obras de arte, que são expostas em prédios e espaços públicos. Esta lei gera constante movimento no mercado artístico no estado e nesta galeria ficam expostas algumas das últimas aquisições com dinheiro público. Ou seja, o acervo está sempre sendo renovado.

O leiomano feito de prancha à mostra na parede vermelha ficou simplesmente incrível!

Das obras que vi nesta galeria, a que mais me interessou foi “Evolution – 7’0 Lei o Mano” de Scott Fitzel, que era basicamente uma representação do leiomano, uma arma de guerra dos havaianos feita com dentes de tubarão e madeira, e que o artista reproduziu utilizando uma prancha de surfe – que pode ser surfada. A obra fala tão alto sobre a cultura havaiana que não tem como passar desapercebida.

“Coral #3” e “Coral #7”

Outra obra que me encantou foram “Coral #3” e “Coral #7”, da artista havaiana Chenta Laury, feitos em lã no formato exato de uma visão macro de corais que habitam as ilhas havaianas. Por ser algo relacionado ao ecossistema marinho daqui, achei interessante.

Na segunda galeria, onde ficam as exposições temporárias, estava ocorrendo uma exibição chamada “Hawaii: Change & Continuity”. Esta exibição caminha através da arte com os temas diversos característicos da cultura havaiana atual, os desafios para o futuro e como mantê-los atrelados ao rico passado histórico do estado. As obras contemporâneas incluíam pinturas, fotografias, esculturas e instalações, todas de artistas do Havaí.

“Oil Tanker Sunset #4” – ao observador desatento, apenas a “estranheza” de dois sóis no horizonte.

Nesta parte do Hawaii State Art Museum, as obras que mais me impactou foi a fotografia de Alison Beste, “Oil Tanker Sunset #4”. A artista faz uma alusão às fotos chavões paradisíacas de pôr-do-sol que vemos por aqui (e da qual o estado tanto se vangloria), só que fotografa em longa exposição navios petroleiros ao horizonte, que trazem combustível ao estado. Por causa da longa exposição, os navios terminam parecendo a luz do sol ao horizonte. A energia do sol reposta pela energia do combustível fóssil – paraíso articificial? Uma denúncia e tanto, numa obra simples, direta e impactante que questiona as fontes energéticas de hoje – e o que queremos para o futuro.

“Flow to the Sea”

Outra obra que curti foi “Flow to the Sea”, uma pintura de Louis Pohl que mostra a lava caindo no mar vista do oceano – de um passeio de barco, por exemplo. A obra é simples, mas achei de uma frieza contraditória à realidade do calor da lava.

A coleção do Hawaii State Art Museum é muito bacaninha, e foi uma ótima surpresa. O jardim das esculturas estava fechado para reforma e terei que voltar para vê-lo, mas no geral ficamos aproximadamente uma hora no museu. O museu ainda tem um café agradável e um gift shop.

Com seu foco 100% no Havaí, é uma ótima pedida para quem se interessa por arte contemporânea e quer ver a quantas anda a produção local. E boa oportunidade de visita rápida para quem estiver pelo centro de Honolulu e quiser matar um tempo. #FicaDica

Desenho “Diamond Head from the Duckponds”, de Luquiens (1921)

Tudo de bom sempre.