No início de julho, estivemos na África do Sul, e um dos pontos que visitamos foi o Parque Nacional do Kruger, mundialmente famoso por seus safaris. Afinal, a oportunidade de ver tantos bichos em um safari de uma vez só era imperdível para um casal de biólogos. Mais: era a época da seca, considerado o melhor período do ano para visitar o parque. Nosso objetivo maior era ver o maior número possível de bichos, se possível mostrando um comportamento interessante.

A savana africana – numa foto praticamente de livro didático.

Entretanto, este trecho da viagem não tivemos muito tempo para planejar – porque o foco era, a priori, marinho. De modo que quando comecei a procurar por acomodações no Kruger, algumas das melhores possibilidades já estavam esgotadas.

Por exemplo, nosso primeiro pensamento foi ficar dentro do Kruger, em algum dos acampamentos que lá existem. O parque é enorme, imaginei que não faltaria espaço, né? Pois: não, ledo engano… Quando procurei online por um quarto ou vaga de acampamento, a fila de espera era de meses. Ou seja, tive que desencanar e passar pra outra.

Abri a porta do quarto e dei de cara com este moço impala.

Felizmente naquela área da África do Sul há uma infinidade de opções de reservas particulares dedicadas a turismo de safari, para todos os gostos e bolsos. O que é bom e ruim ao mesmo tempo: há muitas opções, mas é difícil escolher. Na maioria dos fóruns que consultei sobre acomodações, as pessoas listavam suas particularidades em termos de qualidade dos quartos, da alimentação ou do serviço dos guias – o que faz sentido, são três fatores importantes para uma boa estadia no Kruger.

Vista da janela do quarto ao amanhecer. Para esquecer da vida mesmo…

Mas foi nesse momento também, depois de passar fazer meu dever de casa e totalmente perdida com tantas opções, que a luzinha de bióloga acendeu: e se eu olhasse para esta escolha com os olhos do comportamento animal? Meus pressupostos: 1) Íamos na época seca; 2) Época em que os bichos se agregam mais pela falta de água; 3) Na seca, os únicos pontos de água são rios e lagos perenes; e 4) Todo mundo precisa beber água.

Elementar, meu caro Attenborough! Vamos ficar perto de um lugar que tenha MUITA água. Assim, do hotel mesmo poderemos ver os animais em busca de saciarem sua sede. Talvez fosse ingenuidade – era minha primeira vez num safari, vai que todos os hotéis têm esta oportunidade de bicho anyway

Enfim. De qualquer forma, comecei a procurar não o hotel com quarto assim ou assado, nem com passeios x ou y, e sim que tivesse uma fonte de água constante por perto.

Olhando pelo Google Maps, selecionei uns 5 lodges que pareciam bem interessantes, todos à beira-rio. Destes cinco, dois eram ultra-super-caros; descartamos, estava fora do nosso orçamento. Sobraram três; contactei-os, e todos responderam rapidamente. Um não tinha mais vagas. Sobraram dois. Destes dois, um era uma reserva particular fronteiriça com o Kruger na sua parte mais ao sul – mas a “cerca” da fronteira era natural, o rio Crocodile (a única cerca da propriedade é ao redor da edificação do hotel em si, para evitar que os animais maiores se adentrem nos quartos). Ou seja, os animais do parque transitavam livremente por ali também. Foi o que escolhemos: Mjejane River Lodge.

A escolha se mostrou biologicamente acertada. Este lodge não é chique nem cheio de frufru. O preço é intermediário e as acomodações idem. A comida é honesta. O serviço é prestativo, mas nada de outro mundo. Wifi só no lobby, com conexão capenga (para desconectar do mundo mesmo, e focar só no ~espetáculo da natureza~ que o rio proporcionava). Os guias são bons – eu particularmente adorei o nosso.

Jantar ao redor da fogueira.

Em uma das noites, o jantar foi ao redor de uma fogueira, e eu curti bem estar ao ar livre à noite sabendo que tantos bichos estavam ao nosso redor. Achei simpático – e mais clima de safari mesmo.

E os bichos… aaaaaaah!!!

Do gramadão a gente escaneia o rio para ver os animais.

Nos três dias em que ficamos lá, almoçamos sentados no gramado à beira-rio, observando os hipopótamos na água, os crocodilos tramando emboscada para cima dos kudus, a leoa e seus filhotes foférrimos sentadinhos na sombra perto do rio, elefantes bebendo água e até um rinoceronte apareceu de gaiato bem na frente da piscina do lodge.

Vimos todos os big five – em uma tarde (e mais um monte de outros bichos…). De manhãzinha, enquanto tomávamos café da manhã, os macacos baboons e uma infinidade de pássaros faziam sua algazarra matinal na árvore da piscina. Um paraíso zoológico muito especial.

Me apaixonei pelo hipopótamo.

De manhã, o lodge organiza um safari para a parte sul do Kruger, pois o Mjejane fica entre os portões Malelane e Krokodilburg, já quase na fronteira com Moçambique. À noite, os game drives eram apenas dentro da reserva particular – mas, de novo, como a água estava ali, no período da seca os animais do Kruger se deslocam para a área para matar a sede. E ainda tinham um grupo enorme de morcegos paradinhos na árvore da entrada do hotel. Absolutamente incrível.

Morcegos! <3

Como escolhi um hotel de safari no Kruger

A vista das mesas do restaurante do hotel.

Escultura de madeira na entrada do lodge.

Ainda vou fazer um post sobre a experiência dos safaris em si, mas já deixo este post aqui com a dica do Mjejane como um hotel de safari ideal para quem vai na época seca e quer ter overdose de bichos a todo momento.

Tudo de bom sempre.

P.S.: Site oficial do Mjejane River Lodge. Este post tem patrocínio integral do Bolso-Malla. Não é #ad nem #ap.