Mergulho com Tubarões

Mergulhar com tubarões e arraias é um segmento do ecoturismo atualmente realizado em 85 países, com aproximadamente 500.000 pessoas por ano interagindo com estes animais em seu ambiente natural, de acordo com este artigo publicado no Biological Conservation de Gallagher e colaboradores. Uma atividade econômica de impacto razoável, que depende diretamente da saúde e do comportamento natural destes animais para existir. Entretanto, como quase toda atividade econômica a que humanos se adentram, há uma gradação de sustentabilidade, com operadoras oferecendo passeios exemplares para observação e interação com estes animais, até operadoras que não deveriam estar funcionando, dado o desleixo ambiental com que atuam.

Para “botar ordem na casa” desta indústria cheia de adrenalina, várias iniciativas vêm surgindo, como este guia de regras sugeridas para a prática sustentável do mergulho com tubarões. O guia foi elaborado em conjunto pelo WWF, Project Aware e The Manta Trust, três organizações não-governamentais que há algumas décadas estão envolvidas na proteção destes animais, e contou com a participação de cientistas e pessoas da indústria para ser desenvolvido – é fundamental envolver os donos de negócios que lidam com este tipo de turismo diariamente, que geram empregos em suas comunidades, pois eles têm a perspectiva hands-on fundamental para a elaboração de um bom guia. O guia é dividido por espécie animal, e explora boa parte das variações de como o turismo com tubarões e arraias é feito: Tem gaiola? Oferece comida ao animal como recompensa? É mergulho ou snorkel? O animal é ameaçado de extinção? A operação envolve a comunidade local? E a comunidade científica? A segurança do cliente é uma prioridade? Enfim, esmiuçam-se neste guia algumas das particularidades para cada operação em cada local diferente do mundo, com gerenciamentos distintos do mergulho com tubarões de acordo com a espécie avistada, seu comportamento natural, o local e outras nuances.

Dentro deste guia, a iniciativa da Nova Zelândia é exemplificada. Lá, os operadores de mergulho de gaiola para ver o tubarão branco em Stewart Island elaboraram um infográfico simples com as regras básicas para atividades que envolvem gaiola. Seria excepcional se todos os pontos de mergulho com tubarões no mundo tivessem um infográfico simples assim para oferecer ao seu turista, não?

O outro lado desta moeda do ecoturismo é a experiência do cliente. Como já participei de várias operações de mergulho com tubarões, posso afirmar que, para quem vai com olhos críticos, fica bem claro perceber o quão engajada é a comunidade local na atividade, o quão (e se) danosa ao animal é a atividade, e principalmente o quanto a operadora está preocupada na sustentabilidade ambiental em seu modelo de negócios. Não seria excelente se tivéssemos um site para os clientes resenharem todas estas coisas?

Pois este site agora existe. O amigo Rick MacPherson lançou o Sustainable Shark Diving, uma espécie de Trip Advisor do mergulho com tubarões e arraias. O site é dividido por destino, linka para materiais com informação da atividade para cada espécie, e oferece ao turista a oportunidade de resenhar seu mergulho com tubarões. Com avaliações dos clientes, o site tem portanto a oportunidade de gerar um banco de dados fundamental para futuras melhorias e regulamentação mais eficaz desta indústria, caso sua utilização seja amplificada.

De minha parte, deixo a dica aqui do Sustainable Shark Diving a todos os amigos deste blog que se aventuram com tubarões. Antes de arrumar as malas para o próximo mergulho com estes animais, que tal dar uma olhadinha nas resenhas anteriores? Escolhendo o business de quem faz a coisa certa, a gente favorece as boas práticas de sustentabilidade, e incentiva uma maior proteção aos tubarões e arraias – afinal, o animal vivo vale milhões de vezes mais que pescado.

#FicaDica 😀

Tudo de tubarões sempre.

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P.S.: Este post foi inspirado em inúmeras discussões em mídias sociais instigadas pelo blog do DaShark