Eis que leio com muita tristeza nesta semana uma reportagem do NYTimes comentando (de novo) sobre o miserável estado de stress da parte norte da Grande Barreira de Corais Australiana – em muitos trechos, com corais já mortos. Este é o tipo de notícia que: a) passa batido da maioria dos habitantes deste planeta; b) me deixa super-triste; c) só perceberemos o real impacto em algum momento futuro – e aí vamos todos olhar pra trás e pensar “puxa, por que não fizemos nada quando podíamos?”.

Stress nos corais da GBR Norte

Pois é.

Houve reportagens anteriormente alarmantes dizendo que a Grande Barreira de Corais Australiana estava morta, ou que iria morrer até 2030. O Climate Feedback, que faz uma excelente e peer-reviewed curadoria das reportagens sobre mudanças climáticas, categorizou alguns destes artigos de “exagerados”. Entretanto, vale notar que o exagero não é porque a barreira de corais está sã e salva, e sim porque a expectativa de padecimento é heterogênea entre as espécies que ali vivem. Ou seja, haverá trechos mortos onde algumas espécies mais resilientes poderão ainda sobreviver, formando-se potencialmente uma verdadeira colcha de retalhos (esfarrapados) biológica. E nesse novo paradigma, os cientistas ainda estão tateando para entender o que vem por aí, porque toda essa situação de mundo a mais de 400 ppm de CO2 é nova, única, nunca vivemos antes como espécie humana, infelizmente. A única coisa que sabemos é que nesse não-muito-admirável mundo novo, pode ser que os recifes de corais como os conhecemos hoje sejam história.

O alarme é real.

Nesse ínterim, a reportagem do NYTimes comenta sobre o último estudo dos efeitos do aquecimento do mar nos corais australianos, publicado na Nature, e que mostram trechos significativos do norte da Austrália onde os corais já morreram – logo ali, no triângulo dos corais. É de uma tristeza tão profunda que nem sei. 🙁

(E eu não consigo não parar de pensar nos corais que vimos em 2015 no trecho sul da Barreira, em Heron Island, aquele paraíso cada vez mais perto da extinção. De cortar o coração.)

Por mais corais sempre.

UPDATE: Hoje, 18/março/2017, o Climate Feedback já se posicionou sobre o artigo do NYTimes, dizendo que ele é “largely accurate”. Ou seja, cientificamente correto.