2016 foi um ano intenso em diversos sentidos. O ano mais quente da história desde que começaram as medições de temperatura, lançando-nos a todos a um futuro probabilisticamente cada vez mais desequilibrado; o ano em que a situação na Síria degringolou de vez, para desespero de milhões de pessoas que se tornaram refugiadas; o ano em que o conservadorismo deu uma guinada vitoriosa e apavorante, em diversos países. Foi também o ano em que morreram alguns dos meus ídolos artísticos mais queridos, como Naná Vasconcelos, Pierre Boulez, David Bowie e Alan Rickman. Muitas notas tristes, enfim.

Mas nem só de tristezas e preocupações viveu-se 2016. Foi também um ano cheio de momentos bons – convenhamos, no dicionário mallístico, qualquer ano que eu visite Berlim, já é um bom ano por default, né… Pessoalmente, muita intensidade, experiências aventurescas e novos caminhos. Revi amigos de quem a saudade nunca acalma. Ciceroneei o Havaí para outras tantas pessoas sensacionais. Fiz 3 grandes viagens: para o Vietnã/Camboja em janeiro, para a Europa (Suécia/Itália/Alemanha/Áustria/ Suíça/ Liechtenstein) em junho/julho; e para o Brasil em novembro/dezembro, para uma reunião de família histórica no aniversário de 70 anos do meu padrinho. Além de ter realizado um sonho de infância em uma rápida viagem a Montana, quando finalmente conheci o Parque Nacional de Yellowstone. Eventualmente, espero que estas viagens virem posts aqui no blog… #sonharnãocustanada

Para relembrar alguns destes bons momentos, publiquei durante o mês de dezembro no meu facebook diversas fotos representativas dos melhores momentos do meu ano de 2016, sob a tag #2016moments. Para não se perderem naquele buraco negro que é a rede social do tio Zucka, publico-as aqui também, com suas devidas legendas e na ordem em que apareceram no facebook. Funciona como minha retrospectiva bloguística do ano de 2016. Enjoy!

1. #Instradrinks na Casa Sundaycooks! Foto do Fred Marvila, com a Natalie queridíssima – um pit stop lendário em Valinhos da nossa jornada pelo Brasil em novembro… Obrigada ao casal pela tarde deliciosa (e etílica) nota 10!! 🙂

 

2. Show do Jambow Jane, em Riva Del Garda, Itália, revendo e dançando com a trupe dos Prada, numa noitada cheia de rock’n roll e gargalhadas. André e eu somos fãs do som do Jambow Jane desde sempre. Do outro lado do mundo, nos entusiasmamos com o canal no youtube, as aprontações de facebook e outras viagens… Um viva aos Prada! 

 

3. Passeio de bicicleta pela região de Ninh Binh, no norte do Vietnã. Ninh Binh tem a mesma formação geológica de Halong Bay, só que em terra. Um bucolismo incrível, em pedaladas super-relax.

 

4. Blue Note Hawaii Jazz Nights… Desde sua inauguração em Honolulu, o Blue Note Hawaii tem sido nossa diversão musical favorita das noites de Honolulu. Em 2016, meus shows prediletos estão na foto: Stanley Jordan, José James (melhor descoberta musical do ano, sem dúvida), Ravi Coltrane (o filho do homem!), Chick Corea (me emocionei muito quando ele tocou Spain) e Lee Ritenour (outro ídolo de adolescência).

 

5. Mergulho com os amigos no Havaí, organizados pela minha colega de trabalho Nia. As tramóias para estas aventuras subaquáticas acontecerem rolam num grupo de scuba da nossa galerinha. Na foto, mais de 20 amigos, muitos peixes e bolhas, no naufrágio Sea Tiger, em Honolulu mesmo.

 

6. Conhecer o Parque Nacional de Yellowstone foi, sem dúvida, um dos grandes destaques do meu ano. Passei 2 dias inteiros visitando o parque – o que não é, nem de longe, suficiente para uma visita decente. Mas, apesar do pouco tempo, consegui ver vários bisões, ursos, veados, e todas aquelas belezas geotermais pela qual o parque é famoso. Foi simplesmente sensacional.

 

7. Ver, entrar e vivenciar de perto este prédio icônico: o Edifício Kuggen, em Gotemburgo, Suécia. A arquitetura colorida que mais parece um bolo de noiva às avessas é um marco da sustentabilidade. O prédio inteiro foi planejado pensando em eficiência energética, sustentabilidade e afins – e é um dos mais eficientes do planeta. Fiquei hospedada em Gotemburgo pertinho dele, e não me cansei de apreciá-lo todos os dias. Obra-prima da arquitetura verde.

 

8. Amanhecer o ano no templo de Angkor Wat, no Camboja. Passei o réveillon de 2015-2016 dormindo, porque queria acordar cedíssimo no dia 1/janeiro para ver o nascer do sol neste templo que é um patrimônio histórico da humanidade. A multidão era gigantesca, mas valeu cada segundo – ver o céu mudar de cores com o foreground do templo é destas imagens que o cérebro registra e a gente nunca mais se esquece na vida.

 

9. Conhecer e nadar entre os corais de Maragogi e da Costa dos Corais, em Alagoas, Brasil. Amei conhecer a cidadezinha de Maragogi, assim como a Praia do Toque. Mas infelizmente, fiquei triste ao ver que os corais estão quase todos cobertos por muita alga – ou seja, morrendo ou mortos. Pouquíssimos peixes. O cenário paradisíaco terrestre da costa ameniza um pouco a tristeza, assim como a avistagem do peixe-boi – mas não o suficiente. Fico imaginando como deveria ser lindíssima esta região submersa quando ainda viva. Saí de Alagoas um tanto melancólica, para ser sincera. 🙁

 

10. Tomar a cerveja Berliner Weisse no verão em Berlim.

Como disse ali em cima, todo ano em que eu passo pelo menos um diazinho em Berlim, já é um ano sensacional por natureza. Em 2016, este dia foi um domingo de verão, em que o tempo estava maravilhosérrimo, um céu azul lindo, e eu vi a cidade com um colorido que me fazia suspirar a cada passo. Foi a primeira visita do André a Berlim, e foi emocionante contar e mostrar a ele tantas memórias do tempo em que lá morei. As cervejas típicas da cidade, tomadas à beira do Spree, num parque cheio de música e animação… aaaaa!!! Ícones desta passagem, para me matar do coração, de tanto amor por esta cidade!

 

11. Visitar o Messner Mountain Museum, em Firmian, no norte da Itália (perto de Bolzano), foi outro sonho realizado este ano. Como admiradora dos esportes de montanha, a figura do mestre e maior badass das montanhas, o alpinista Reinhold Messner, sempre rondou minhas leituras. Seu museu é na realidade, um complexo de museus – e visitamos apenas um deles, o primeiro estabelecido, que fica em seu castelo e é dedicado a homenagear a cultura montanhista. A visita ao museu, que é cheio de altos e baixos como se estivéssemos “escalando” o mesmo, foi uma experiência sensorial completa sobre montanhismo. Amei.

 

12. Ver em Waimea Bay a rara competição Quiksilver in Memory of Eddie Aikau de Big Wave Surfing, em fevereiro de 2016, foi outro momento incrível do ano.  O campeonato só acontece quando as condições de onda permitem – e a última vez que rolou foi em 2009. O vencedor este ano foi o piaba do North Shore havaiano, o já-lendário John-John Florence, e a foto abaixo é da onda sensacional que deu a ele o campeonato. A vibração da galera na praia e nas encostas, o nível de insanidade que estavam as ondas de mais de 30 pés em Waimea Bay, o céu azulzíssimo… fizeram deste um dos dias mais perfeitos do ano no Havaí. 

 

13. Amigos e parentes visitando a gente no Havaí. Sempre uma delícia, nem precisa explicar por quê, né? 

 

14. …assim como é outra delícia encontrar meus amigos queridos pelo mundo. E nesse quesito, 2016 não decepcionou.  🙂

 

15. Voltar à Veneza. Sempre suspirante… 

 

16. A mega-reunião mega-bagunça de família que fizemos no Brasil foi a melhor lembrança que carregarei comigo deste 2016. Rever tantos primos e tios que há décadas não via, afofar meus pais queridos, comemorar os 70 anos do meu padrinho em Aracaju, dar tantas risadas e reconectar com as matriarcas da família… é como diz a propaganda do cartão de crédito: não tem preço.

17. 2016 também trouxe uma visita inusitada ao templo mais incrível que já vi: Ta Prohm, no Camboja. Os templos do Camboja são todos impressionantes, e nessa terra de fartura templística, escolher um que seja o mais incrível é tarefa complicada. Mas a conjunção de árvores entremeadas às estruturas dos prédios, numa alegoria milenar da natureza que vence o homem, o verde sempre pungente e exuberante… aaaaaaaa!!!! Para pirar qualquer um.

 

18.Participar em setembro do Congresso Mundial de Conservação da IUCN em Honolulu foi outro destaque do ano. Vi de perto ídolos da conservação juntos, pedindo por preservação de um terço de todo o planeta, lutando de maneira efetiva e positiva por um mundo melhor. Experimentei um congresso para >9000 pessoas todo com stands em papelão, sem garrafas plásticas, com reciclagem de absolutamente tudo, comida local e com o mínimo de lixo. Para mim, eterna preocupada com as condições do planeta para gerações futuras – e em muitos momentos atualmente com um quê de pessimismo – a maior lição que tive do congresso foi este profundo otimismo com que estas pessoas maravilhosas demonstraram estar agindo no front da batalha ambiental.

 

19. Apesar de tantas aprontações, e com todos os ups and downs que a rotina nos presenteia, os grandes planos, mapas e esquemas, as melhores risadas e reflexões sempre passam por esta vista, da cidade que eu mais amo no mundo, Honolulu. Afinal, como diz a famosa música da Madonna:

“We have a connection… Home is where the heart should be”. 

 

E que venham novos momentos emocionantes em 2017 para todos nós!

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P.S.: De quebra, ainda compilei uma lista dos meus 10 filmes favoritos vistos neste ano de 2016. Eis os meus escolhidos para quem gosta de brincar de lista (como eu):

10. Gaza Surf Club – documentário sobre surfistas em Gaza, em meio a todos os conflitos. Inspirador.
9. Everybody wants some!! – filme light do Linklater. Diversão na medida certa.
8. O Menino e o Mundo – um dos desenhos mais fofos que já vi. E que música! Quanta delicadeza! 
7. Mon Roi – filme muito realista sobre relacionamentos abusivos. Vincent Cassel absurdamente ótimo em seu papel.
6. Maggie’s Plan – comédia light sobre relacionamentos modernos com bons twists. Amei.
5. Toni Erdmann – um dos grandes filmes do ano, roteiro inovador e cheio de boas pegadas. Merece Oscar.
4. Zootopia – desenho fofíssimo que usa o relacionamento entre animais para questionar estereótipos, atitudes etc. Um banho de criatividade.
3. Before the Flood – documentário do Leonardo Di Caprio sobre mudanças climáticas, meu tema de discussão favorito.
2. Jason Bourne – minha trilogia predileta de ação ganhou um quarto filme. Como não amar?
1. Born to Be Blue – um filme sobre frustração, depressão e persistência, com Ethan Hawke simplesmente arrasando como Chet Baker. A cena final é super-poética.