No último final de ano, André, eu, seu pai, um tio e uma tia (os 3 últimos com mais de 70 anos) resolvemos nos lançar a uma aventura familiar estilo “Férias Frustradas”, e fazer uma road trip pela Nova Zelândia. A idéia da viagem era mostrar um pouquinho de cada uma das atrações mais famosas e/ou interessantes do país – uma “colagem kiwi” como excelentemente definiu a tia do André. Foi uma experiência espetacular, cheia de risadas, ótimos momentos e, diferente do filme, nenhuma frustração, resultado talvez do planejamento preciso (modéstia às favas pra mim e André) que deixou flexibilidade suficiente para ajustar as demandas de cada um sem prejudicar o roteiro principal mesmo com os dias contados milimetricamente. Foi uma viagem inesquecível para todos.

Para quem conhece a Nova Zelândia, sabe que o país é um mundo. Dá pra ficar uma vida inteira por lá, visitando, sem se cansar das paisagens incríveis, das refeições sensacionais, do povo extremamente simpático, da diversidade de atividades, da cultura polinésia maori, da atmosfera relax do país. Sem falar das samambaias, uma diversidade de espécies de deixar qualquer biólogo maluco! Assim como a Itália (que eu também amo, by the way), a Nova Zelândia é inesgotável – e residiu aí o maior desafio do nosso planejamento. Tanto eu quanto André já havíamos visitado duas vezes a Nova Zelândia; e os nossos viajantes 70+ não conheciam nada. Então, usamos da nossa experiência prévia pra equilibrar atividades que requeriam um pouco mais de adrenalina (para quem gosta disso) com atividades mais culturais/gastronômicas. Foram diversas atividades juntas que nos deram a oportunidade de curtir a viagem em família e produzir memórias que certamente se tornarão eternas.

Compartilho aqui o roteiro de 12 dias que fizemos pela Nova Zelândia, num formato de diário de viagem, com alguns detalhes e dicas para aqueles que querem se aventurar por lá mas não têm muito tempo. Já digo que 12 dias é duplo maraturismo: maratona maravilha. E não é massacrante. Pelo contrário: se bem planejado e se as pessoas envolvidas são relax (não se estressam com imprevistos e dão risadas das roubadas que aparecem), dá pra curtir MUITO, ter uma boa idéia geral do país, e ainda relaxar ao pôr-do-sol tomando Sauvignon Blancs sensacionais. Nós conseguimos nos divertir à beça, pelo menos.

ANTES DE VIAJAR

Nova Zelândia em 12 dias

A primeira parte do planejamento foi definir as datas e o roteiro em termos gerais: quantos dias e quais atrações cada um queria mais ver (e daí viriam que cidades/destinos visitar). Por exemplo, para mim, era fundamental passar o Réveillon em Kaikoura, cidade litorânea da ilha Sul que é minha paixão maior na Nova Zelândia; e era fundamental mostrar Milford Sound para os calouros de NZ. Para a tia do André, eram as atrações ligadas à cultura maori e relacionadas a Lord Of The Rings (LOTR) que mais atraíam. Para André, era curtir a vida marinha.

Outra preocupação era para não tornar tudo uma grande corrida maluca. Então fizemos a viagem mais puxada no começo, quando o gás de todo mundo é maior, e à medida que a viagem acontecia, separamos mais momentos de “descanso”, mais horas para apenas contemplar.

Uma vez definido o nosso roteiro geral para o final do ano de 2014, o próximo passo foi marcar a passagem de avião para Auckland, e cdepois o trecho de Auckland para Queenstown, onde começamos nossa aventura on the road. Depois foi a vez do aluguel da minivan, que fizemos por uma locadora local que já havíamos usado antes, a Apex. Depois fizemos todas as reservas de hotéis usando o mesmo buscador online para acumular o máximo de pontos. Como era alta temporada, em algumas cidades os hotéis estavam quase lotados, e em Franz Josef, que é uma cidadezinha minúscula, tivemos que separar o grupo em 2 hotéis diferentes.

Depois dos hotéis selecionados, começamos então a marcar os passeios que sabíamos lotar mais rápido, como o barco pelo Milford Sound e a visita a Hobbiton. Íamos no verão, quando o sol se põe lá pelas 10 da noite, o que aumentaria a produtividade possível nos nossos dias de passeio. E aí, com uma planilha do excel começando a ficar populada, estávamos praticamente prontos para iniciar nossas férias em família. 🙂

NOVA ZELÂNDIA – DIA ZERO

Dia da viagem de Honolulu para Auckland. Chegamos em Auckland super-tarde da noite (~11pm), e fomos recepcionados pelos então embaixadores da Nova Zelândia na blogosfera brasileira, os queridíssimos Maurício e Oscar. Que alegria revê-los! Do aeroporto, fomos para um hotel Ibis pertinho, só pra passar a noite, já que nosso vôo no dia seguinte era bem cedo.

NOVA ZELÂNDIA – DIA 1 – QUEENSTOWN!


Chegando em Queenstown.

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Vôo de Auckland para Queenstown. A chegada em Queenstown de dia é sempre uma maravilha à parte, já que o aeroporto está num vale margeado pelas sensacionais montanhas Remarkables. No aeroporto, pegamos nossa minivan da road trip. Agora sim, a aventura começava!!!

Em Queenstown, a primeira parada foi para almoço. Eu estava saudosa do Devil Burger, que já havia experimentado em Invercargill, então nem precisamos pensar muito, Devil Burger escolhido. Não tem como escolher o melhor hambúrguer dessa loja, todos são sensacionais – meu preferido é o Mary’s Little Lamb.

À tarde, subimos na gôndola de Queenstown para curtir o visual de cima da cidade e dar uma caminhada. Lá em cima há pistas de luge, mas ficamos mesmo só nas andanças. E vimos a melhor placa de propaganda de bungee-jump ever, que dizia: “Throwing people off ledges since 1988”. 😀

Queenstown
Luge com esse visual é outro papo, não?

O dia super-longo realmente foi uma vantagem, e podíamos aproveitar bastante. Jantamos, ainda à luz do sol, o melhor cordeiro da viagem inteira (lamb rack), na companhia de amigos havaianos que faziam uma road trip com campervan na direção dos Catlins (super-sul da NZ). O restaurante Pier 19 fica às margens do lago Wakatipu, um ambiente delicioso e super-relax, ótimo para simplesmente curtir o fim de tarde. (E ainda sobrou espaço depois para um sorvete delicioso no Patagonia Café.)

NOVA ZELÂNDIA – DIA 2

Dia de Milford Sound, o fiorde mais visitado do Parque Nacional de Fiordland. Acordamos cedinho, tomamos café no Starbucks no centro de Queenstown, e caímos na estrada rumo a Te Anau – são praticamente 3 horas até lá. Tínhamos comprado diversos “lanchinhos” para a estrada, então paramos em Te Anau apenas para comprar umas tortinhas de ovelha e ir direto pro Milford Sound. (Tortinhas são o café da manhã por excelência na Nova Zelândia, e cada uma mais deliciosa que a outra. É minha opção número 1 sempre!)

O caminho pra Milford Sound é uma das estradas mais lindas da Nova Zelândia, então, apesar do trajeto até lá levar ~2 horas, você quer deixar mais tempo disponível para poder parar quantas vezes quiser e fotografar. Nós paramos nos pontos “obrigatórios” Mirror Lake e na saída do túnel Homer, quando o penhasco do glaciar te esfrega na cara a beleza única daquele lugar, que o faz ser Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

O passeio de barco em si também é um must, já que, de dentro do fiorde, você tem melhor noção da dimensão inacreditável dessa maravilha mundial. E o barco chega bem perto de uma das cachoeiras, o que é uma emoção!

Nós marcamos o passeio mais tarde, que saía às 3pm, porque sabíamos que dirigir de Queenstown até Milford Sound não era bolinho… deu tudo certo, chegamos mais cedo que o esperado, conseguimos adiantar nosso passeio, e ainda vimos diversas focas à beira do Milford Sound. Quase sempre chove no Milford Sound, e no dia em que fomos não foi diferente; entretanto, mais chuvas significam… mais cachoeiras pelo Sound! #fazemoslimonadas

No caminho de volta do Milford Sound, paramos num lugar que é meu cantinho predileto da Nova Zelândia: o Chasm, uma formação geológica estilo cânion cortada por um rio caudalento que passa lááá embaixo. O Chasm é daquelas atrações que precisa “ver pra entender”: há milhares de fotos/vídeos na internet do local, mas absolutamente nada se compara a estar ali, ouvindo aquele barulho ensurdecedor da água, sentindo o cheiro da floresta de samambaias, vendo a dinâmica das rochas, da vegetação e do rio. É esplendoroso, e pra mim, vale tanto a viagem ao Milford quanto o próprio Milford Sound.


The Chasm <3

(Eu sou tão louca pelo Chasm que chovia cântaros quando chegamos lá, mas não quis nem saber: comecei a fazer a trilha assim mesmo, sob chuva, com sorriso e lágrimas nos olhos de emoção. Que pedaço de céu aquele lugar!)


Vendo o Chasm.

De volta a Te Anau, com sol ainda sorridente no céu, fomos ao cinema local ver o filminho sobre o Fiordland. O filme de 30 minutos passa todos os dias, e vale a pena para entender um pouco mais sobre esta região da Nova Zelândia. O cinema em Te Anau é hiper-confortável, tem um bar anexo e, ao invés de pipoca e refrigerante, você pode viajar no filme com suas tomadas aéreas sensacionais degustando um bom Sauvignon Blanc da região. Nossa idéia depois do cinema era jantar no restaurante Redcliff, famoso por ser um dos points onde Sir Peter Jackson e a “moçada” do LOTR se reuniam para descontrair. Entretanto, o restaurante estava lotadésimo e a espera nos desanimou. Optamos então pelo Bailiez Café, e não nos arrependemos, pois o jantar estava ótimo.

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NOVA ZELÂNDIA – DIA 3

Tínhamos o dia inteiro para chegar em Wanaka (fala-se “uânaka”), nosso próximo destino, a 230 km de Te Anau. Este seria, portanto, um dia mais “light” na estrada. Tomamos um café da manhã com tranquilidade no Sandfly Café de Te Anau. O objetivo era almoçar em Arrowtown, cidade histórica lindinha daquela região perto de Wanaka.


Uma das inúmeras paradas cênicas da Alpine Road.

A estrada de Queenstown para Arrowtown/Wanaka, a Alpine Road, é – mais uma vez –  deslumbrante, com garantia de vistas excepcionais dos lagos e montanhas dos Alpes do Sul. Algumas poucas com neve, já que estávamos no verão – mas fiquei só imaginando aquilo tudo ali no inverno, que coisa mais linda deve ser!!! À beira da estrada, vários lupinos em flor, e os tons de rosa, roxo, amarelo e branco traziam inúmeros suspiros e “oooohs” de maravilha a cada curva. A Nova Zelândia simplesmente não se cansa de ser bonita mesmo…


Na beira da estrada…

O dia estava super-ensolarado, e chegamos em Arrowtown tranquilamente para o almoço num pub chamado… The Pub. Pedimos fritada de white bait, uma tradição culinária da ilha sul neozelandesa – white bait é um peixinho minúsculo de água doce, tipo sardinha. De sobremesa, um gelatto superbo num parque da cidade onde um artista de rua tocava músicas de Jimmy Buffet. O clima de piquenique de verão não podia ser mais descontraído. (ATUALIZAÇÃO: O The Pub fechou em 2016.)


Arrowtown

Em Wanaka, nosso primeiro passeio foi à vinícola Rippon, que é sem dúvida a vinícola com a vista mais linda do mundo (DataMalla). Os vinhedos na frente, com a ilha de Ruby à frente, no lago Wanaka… afe! Lindo demais da conta. Chegamos pelos fundos da fazenda, mas não foi difícil achar a entrada pela porteira principal, que fica na estrada Mount Aspiring. Na vinícola, fizemos um wine tasting básico, de Pinot Noir, Osteiner, Sauvignon Blanc (meu preferido sempre) e Riesling. #tápuxadofeelings


A vista da vinícola.

Fomos passear à beira do lago. O objetivo era conseguir uma vista bacana do Mount Aspiring. Dirigimos pela Mount Aspiring Road até Glendhu Bay. Toda essa região ao redor do lago é incrível de linda, cenário fantástico, e muita gente nadava, fazia piqueniques, etc. Na volta, parada no Wanaka Station Park para ver “that Wanaka tree”, uma árvore solitária dentro d’água perto da beira do lago, e que é meio que uma “marca registrada” de Wanaka. Um monte de crianças brincavam na árvore. Confesso que se não fosse pela água ultra-gelada do lago, eu também teria subido na árvore… 😀 (Aliás, crianças eram muitas nas ruas, brincando nos parques, nadando, andando de bicicleta… quase 9 da noite e ainda uma animação incrível dos pimpolhos.)

Durante o jantar no Speight’s Ale House dividimos o mesão de biergarten com um casal da cidade de Arthur’s Pass, de papo simpático, e que nos deram algumas boas dicas de viagem. Aos poucos, o sol se pôs atrás das montanhas, e nós começamos a sonhar com o dia seguinte na estrada.

Stay tuned. Amanhã: Parte 2 – das Geleiras até Kaikoura

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