Por uma razão randômica, assisti recentemente a “From Here to Eternity” (em português, “A um passo da eternidade”), filme de 1953. Um clássico total do cinema preto e branco, dirigido por Fred Zinnemann, e com elenco peso-pesado: Burt Lancaster, Montgomery Clift, Deborah Kerr, Frank Sinatra e Donna Reed. Frank Sinatra, aliás, dá um show à parte como o soldado brigão. E Montgomery Clift, sempre um monstro colossal atuando.

(Foto do site Doctor Macro.)

Filmado no Hawaii, “From Here to Eternity” conta a história da vida de alguns soldados da base militar de Schofield Barracks (que ainda existe!) no período pré-ataque de Pearl Harbor, suas aventuras amorosas e indagações sobre a vida. É um drama que hoje consideraríamos um tanto inocente, mas que obviamente esbarra em diversos temas que na época eram considerados tabu: adultério, “bromance”, divórcio, prostituição. O roteiro é baseado num livro, que dizem ser bem mais picante que o filme – na tela, a história precisou ser “amenizada” para a platéia americana da época.

Tudo bem que “From Here to Eternity” ganhou 8 Oscars em 1954, entre eles o de melhor filme e melhor diretor. Mas o que o levou à eternidade propriamente dita na história do cinema foi a famosa cena de beijo íntimo entre os amantes Burt Lancaster e Deborah Kerr, ainda no início do filme, uma das primeiras a exalar tanta sexualidade em um drama de Hollywood.

O beijo imortalizado alavancou a carreira de Deborah Kerr, e já foi eleito inúmeras vezes o beijo mais romântico da história do cinema. Sem dúvida, super-sexy-hot com as ondas quebrando no casal, e tudo ganha charme extra no contraste preto e branco. Causou frenesi à época – e ainda causa suspiros.

A cena famosa foi filmada em Halona Cove, uma pequena praia do lado leste de Oahu, logo depois de Hanauma Bay. Halona é o nome oficial da praia, mas todos aqui a conhecem por outros dois apelidos: Cockroach Cove ou… Eternity Beach. É um desses recantos mágicos da ilha de Oahu, e dá pra imaginar por que o diretor o escolheu para gravar a cena: a pequena extensão de areia, os paredões rochosos dramáticos e a água transparente trazem para o local a sensação de reclusão misteriosa, um clima sexy, idílico por natureza.


O cantinho do beijo.

Hoje, para quem quer dar uma de Deborah & Burt naquelas areias calientes, sugiro cautela. A vista do mirante de Halona é parada obrigatória dos zilhões de ônibus de turismo que passeiam na costa leste de Oahu, e muitos são os cliques paparázzicos. A razão da parada do mirante vai além do cinema: ao lado de Eternity Beach fica o Halona Blow Hole, que fica expelindo água toda vez que a onda bate, e faz o maior sucesso, mais que a praia hollywoodiana.


Eternity Beach vista da estrada, com o Blow Hole ativo à esquerda.

Mas, no geral, ainda não são multidões que se aventuram a descer até a praia. Em geral, o surfe é alto, e é difícil nadar em Eternity Beach. Em raros dias calmos, quando o mar ali parece realmente um pedaço de paraíso, Halona vira uma ótima área de snorkel e até mergulho autônomo – mas precisa carregar todo o equipamento paredão abaixo, o que é um certo trampo.


Olha a tartaruga nadando!

E, como tudo quanto é canto do Havaí, de vez em quando uma tartaruga dá uma de Deborah Kerr e passeia pela praia; from here to the eternity… of the endless blue.

Tudo de bom sempre.