Então que semana passada pra escrever o post sobre o filme “Chasing Ice eu visitei a página do CO2 Now depois de muuuuuito tempo, e tomei um susto.

396ppm

Gente, estamos beirando os 400 ppm de CO2 na atmosfera – este será inevitavelmente um dos headlines de jornal em 2014. Pela primeira vez na história da humanidade chegaremos nesse patamar de CO2 atmosférico. Causado por nós em sua maioria, diga-se de passagem.

(Parênteses: Esta medição global do CO2 é feita pelo NOAA, com dados obtidos pelo observatório que fica no topo do Mauna Loa, na Big Island. Tudo bem que o número acima ainda é preliminar, dependendo de calibrações e outras tecnicalidades, mas já dá uma idéia do ritmo alucinado em que as coisas andam no nosso querido planetinha azul.)

[Enquanto isso, ChinaÍndia (e sabe darwin quantos outros países menos em foco na mídia…) se sufocam em poluição.]

Lembra quando eu comentei sobre o livro do Mark Lynas “Six degrees” que especulava sobre o mundo com maior temperatura? Naquele momento em 2008, tínhamos 387 ppm de CO2 na atmosfera e as especulações de inevitabilidade otimistas estavam na casa de 1 grau. Nos níveis atuais, é muito maior a probabilidade de que o planeta enfrentará um aumento de 2 graus Celsius de temperatura – já que para evitar esse aumento, o comitê científico do governo holandês sugere que os países desenvolvidos precisariam cortar 50% das emissões de CO2 até 2020. O que, no atual clima político-econômico, é quase impossível, infelizmente convenhamos.

Como bem questiona o CO2 now na sua página inicial: você está preparado para um mundo a 400 ppm?

Tristeza sem fim.

Não é tudo de bom mesmo.

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- E lembrando mais uma vez: o limite de segurança para que possamos mitigar um pouco das mudanças climáticas sugerido por um time de super-climatologistas incluindo James Hansen, da NASA, neste artigo de 2008 (!!!!) é de 350 ppm. Da conclusão do artigo [grifo meu]: 

“Humanity’s task of moderating human-caused global climate change is urgent. (…) Thus remaining fossil fuel reserves should not be exploited without a plan for retrieval and disposal of resulting atmospheric CO2. (…) The stakes, for all life on the planet, surpass those of any previous crisis. The greatest danger is continued ignorance and denial, which could make tragic consequences unavoidable.” 

- E vale sempre relembrar desse vídeo emocionante feito para a (falida) conferência de Copenhague em 2009, uma canção que continua (e pelo visto continuará por muito tempo) atual:

Impossível para mim conter as lágrimas vendo este vídeo. Afinal, mudanças climáticas são cada vez mais um tópico emocionado, que me toca profundamente. Pela insolubilidade, pela inércia com que estamos levando esta crise, pela vergonha profunda do que estamos fazendo e deixando pras futuras gerações, pela falta de ética ambiental coletiva. 

How do we sleep while our beds are burning????

  • Catatau

    É muito doido. Eu por exemplo já me gabei interiormente: nunca tive carro, nunca fabrico lixo orgânico a depositar nos lixões, sempre usei racionalmente o lixo não orgânico, tenho banhos econômicos, consumo poucas vezes mais do que o essencial, privilegio produtos naturais/regionais, ando a pé ou de bike ou de transporte público… E a pergunta é: e daí? Isso tem pouco ou nenhum impacto relacionado à ética da vantagem (agravada nos últimos anos no Brasil) ou ao gasto industrial, isto é, há algo errado no próprio modo como temos pensado a tal da “sustentabilidade”…
    Uma coisa é certa: as coisas que realmente fazem parte de preocupações institucionais são frutos de MEDIDAS institucionais. O que é relegado às responsabilidades individuais, às “escolhas”, à “ética”, definitivamente não é preocupação. Preocupação tem a ver com impostos, instituições, normas e até “forças de segurança”. Ética, publicidade, escolhas individuais e afins são coisa acessória. De todo modo, não penso em largar meus princípios éticos por isso ;)

    • luciamalla

      Catatau, sustentabilidade infelizmente é um dos termos mais prostituídos hj. As empresas e governos acham que conseguem comprar a sustentabilidade da maneira mais conveniente possível. E eu tb não penso em largar princípios éticos nem as escolhas responsáveis – mesmo porque ainda tem muita coisa em que posso melhorar… :)

  • Allan

    Impossível não se assustar, né?

    Conhece o vídeo deste link?

    http://www.nomundoenoslivros.com/2013/03/nao-existe-amanha.html

    • luciamalla

      Não conhecia, Allan! Obrigada por compartilhar. Que loucura…