Um dos exemplos que considero mais incríveis em termos de complexidade no mundo biológico é o olho da sépia, esse animal aí da foto. A sépia é um cefalópode, parente dos polvos e lulas, mas com um aspecto um pouco mais, digamos,… divertido. O olho da sépia tem esse formato em W, e é o melhor olho do reino animal para enxergar diferenças de polarização na luz. É capaz, por exemplo, de perceber com muito mais acurácia que o nosso olho humano as variações de contraste em um ambiente. Mais: o olho da sépia possui sensores especiais que permitem que ele enxergue ao mesmo tempo algo a sua frente e outra coisa atrás dele. A sépia nos instiga com um outro sentido, muito mais interessante e abrangente, para o conceito da visão múltipla.

Ver bem a luz polarizada é uma ótima adaptação evolutiva: no ambiente marinho, onde a água filtra a luz em direta proporção à profundidade, ou seja, a polariza, o animal apresenta esta vantagem adaptativa perante as demais espécies, de poder enxergar melhor a luz polarizada, com mais detalhes e sombras. Isto auxilia na sua sobrevivência e na forma (e hora) de interagir com seu arredor. Por conta de todas essas características incríveis, eu concordo com essa lista em que o olho da sépia é considerado um dos exemplos mais cool da evolução.

E por que toda essa conversa evolutiva hoje? (Bom, estamos inseridos num contexto evolutivo, é sempre bom lembrarmos de evolução pra começo de conversa.)

Porque acabei de saber que na semana que vem, um dos grandes biólogos atuais da Evolução estará aqui em Honolulu na próxima 4a feira para uma palestra no Aloha Shaka Con’12Richard Dawkins. Já comprei meu ingresso, claro. Não perderei Dawkins dissertando sobre política, ciência e secularismo por N-A-D-A nesse mundo. Sua eloquência e poder de oratória são notórias, capaz de argumentar brilhantemente pela ciência. Fora seus livros de divulgação científica e suas convicções extremamente críticas e cruciais… Acho que será uma ótima e imperdível oportunidade de aprendizado ouvi-lo ao vivo e a cores.

Meus olhos podem não ser tão sofisticados como o da sépia, mas são eficientes o suficiente para não “piscarem” de atenção quando Dawkins fala de evolução.

Tudo de bom sempre.