Uma das peculiaridades pouco comentadas sobre o mergulho em Kona é a possibilidade de se ver um jardim enorme de enguias havaianas, de uma espécie endêmica das ilhas, a Gorgasia hawaiiensis. As enguias são em geral peixes alongados (mais parecidos com cobrinhas…) que vivem no fundo arenoso, próximas a uma formação de corais. Toleram a vizinhança de outras enguias, mas requerem um “espaço pessoal” de alguns metros para viverem bem – é comum vermos uma população enorme em duplinhas, cada uma na sua, ou melhor, no seu buraco. Passam o dia entrando e saindo deste buraco em que vivem – mas raramente o deixando. Como se alimentam de plâncton, ficam ali de butuca, esperando o que vier com a maré…

Jardim de enguias

Às vezes, um mergulhador aparece. Ou um peixe maior. E as enguias mais que rapidamente se escondem no buraco de areia delas, no que se torna um certo “espetáculo do medo” – sim, porque é o instinto dela de preservação que a leva a se esconder. De qualquer forma, observar as enguias é muito interessante: o movimento que fazem é quase um balé monotonal e delicado.

As enguias da foto foram fotografadas no Garden Eels Cove, em Kona. Que fica a pouquíssimas braçadas do ponto onde é feito o mergulho com as arraias jamantas à noite. Antes de cair na água com as jamantas, as operadoras geralmente fazem um mergulho ao entardecer no Garden Eels Cove, para reconhecimento da área que à noite virará palco das jamantas. Por causa da penumbra do fim de tarde, as enguias quase sempre estão fora de suas tocas, espreitando o infinito do seu horizonte azul. Até que o próximo bicho grande chegue e as faça se encolher de novo.

Comparado ao balé vibrante Tchaikovskyano das jamantas, o balé das enguias é praticamente uma peça de Stockhausen: a beleza na imperceptível sutileza.

Tudo de bom sempre.