O ano de 2011 foi extremamente puxado para mim. Basicamente, por conta do PhD, que exigiu toda gota de energia possível e imaginável. Viajei a congressos, fui a aulas e seminários diversos, fiz inúmeros experimentos, tive discussões acaloradas sobre dados que pareciam sem sentido, escrevi artigos e li incessantemente sobre selênio. Enfim, foi pura mãos à obra na ciência.

Mas chegou aquela hora em que o cérebro simplesmente começa a pedir uma trégua, em que os neurônios precisam divergir para atividades menos exaustivas – aquelas que exijam menos cafeína e mais adrenalina.

Só que a internet, essa amiga de fé e irmã camarada de tantos momentos, ferramenta fundamental para comunicação com as pessoas distantes mais queridas da minha vida, também é uma fonte de stress. Fruto principalmente da atenção que exige e do bombardeio de informação. Um stress agradável, bacana quando o benefício final – a comunicação – é alcançado, mas ainda assim, stress pro sistema biológico.

De modo que o quesito número 3 da minha lista de “locais pra desestressar” – o número 1 é sempre mar mergulhável, e o número 2 é sempre ilha – era local com baixa conexão wifi. E achamos.

Nesta 3a feira, embarcamos para Fiji. Espero poder finalmente fazer o mergulho dos sonhos no Beqa Lagoon, com diversas espécies de tubarão, incluindo o cabeça-chata, também conhecido como tubarão-touro (Carcharhinus leucas). Este mergulho é considerado um dos melhores do mundo para ver tubarões, então estou bastante empolgada.

De Fiji, partimos para uma semana na Nova Caledônia, para visitar amigos em Noumea. O país é um território francês, e sua laguna com recifes de coral é uma das maiores do mundo, considerado patrimônio natural da humanidade pela UNESCO. Passarei meu aniversário por lá.

E aí, no dia 24/dezembro, vamos pra um dos lugares mais ansiosamente pesquisados dos últimos tempos aqui pelas bandas de casa: Ilha de Wallis, no país chamado Wallis & Futuna.

(“Wallis quem?” era a pergunta inevitável que nossos amigos faziam ao perguntarem onde iríamos passar o Natal. Ao que eu respondia peraltamente: “é onde o tempo faz a curva, literalmente.” Com a cara de interrogação ainda predominante do nosso interlocutor, eu completava: “é onde a Linha Internacional da Data faz a curva para pôr Kiribati e Tonga no futuro, e deixar Samoa no passado.”)

Wallis está no centro…

… ou na curva do tempo. 🙂

(A seta vermelha indica onde está Wallis. A seta preta indica a Nova Caledônia. Mapas tirados do site Wallis et Futuna, les îles rêvées e do Worldatlas.)

A idéia é desestressar, e nada mais perfeito para isso que um país inteiro que não tem serviço de celular. Wallis & Futuna é um território francês, que depende de verba francesa para sobreviver – e vive bem, aparentemente. A população de lá, entretanto, não gosta de divulgar o país como destino turístico, não há resorts nem albergues da juventude. Vivem tranquilos no canto deles e não espalham por aí a 4 ventos o quão lindo é o lugar onde habitam – pelamordedarwin, é um atol no Pacífico Sul, as chances de ser paradisíaco são no mínimo elevadas.

Então que cada vez que dava uma brechinha nas minhas atividades cotidianas atribuladas, eu ia correndo ler e pesquisar sobre o local. Nessa busca desenfreada de informação sobre um lugar virtualmente esquecido e totalmente ignorado por qualquer mídia, terminei achando preciosidades, como esse ótimo dicionário francês-wallisiano-francês feito por um mocinho simpático chamado Dominik ou este blog adorável de uma moradora de Uvea, em Wallis. O Lonely Planet South Pacific tem um curto e bom capítulo sobre W&F, e outra preciosidade foram as diversas dicas enviadas pela fenomenal Heloisa Schurmann, como este blog de um singapurense que pretende visitar todos os países do mundo (o relato de W&F é um pouco desanimador, mas… nada nos desanima!) e o diretório do Yacht Owners. E assim, de dica em dica, fomos montando nossa aventura para este fim de ano.

Portanto, o blog vai dar uma trégua até dia 1º de janeiro. Se algo incrível acontecer, eu me empolgar demais e sobrar tempo entre um mergulho e outro, para sentar e escrever algo, publico aqui. (É bem provável que isso aconteça depois do mergulho no Beqa…) Talvez umas fotos. Mas não garanto nada, já que a prioridade é desconectar. O twitter e o facebook provavelmente serão acessados apenas em Fiji. Mas nenhum deles é prioridade…

Aos familiares, amigos e amigas que lêem este blog, desejo um Feliz Natal, cheio de alegrias, e sorrisos.

E que por entre as brecha de 2011 que aos poucos se abre para 2012, a gente possa enxergar um ano todo azul: repleto de tranquilidade, saúde à perder de vista e diversas ondas de desafios bacanas.

Tintin, 2012!

Tudo de melhor sempre para todos vocês. 🙂