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Hoje resolvi fazer na Sexta Sub um “Pequenas Anotações de Viagens Virtuais” versão tubaronística, já que as notícias, curiosidades e bizarrices de tubarões vêm se acumulando na minha caixa postal. Melhor juntar tudo num post, né?

Vamos lá:

1) Comecemos com as boas ótimas notícias: as Ilhas Marshall, no Pacífico Norte, declararam todo o território do país um santuário de tubarões. São 1,990,530 km quadrados de oceano praticamente – já que o país é composto de atóis minúsculos.  É MUITO mar protegido. E com isso, as Ilhas Marshall se adiantam aos demais países da Micronésia e se junta a Palau, Bermudas, Maldivas, Honduras e Tokelau, que também já fizeram o mesmo em suas fronteiras.

2) Eu soube da notícia acima no blog não-oficial do Micronesia Challenge. E no post tinha também um vídeo dos corais das Ilhas Marshall. A surpresa: o vídeo foi produzido pelo nosso colega Craig – que participou da 1a expedição de monitoramento da fauna de lá. O vídeo é lindo, mas a música é um pouco destoante. Dêem um desconto, é marshalhesa; bacana usar elementos da própria cultura local.

3) Nos EUA, a movimentação política pró-tubarão também vem se aquecendo. A California passou a lei na Assembléia Legislativa que bane o comércio e posse de barbatanas de tubarão – um feito enorme para o estado que tem a maior comunidade chinesa dos EUA. A lei está agora na mesa do governador, que precisa assiná-la para que entre em vigor. Aqui no Havaí, tal lei foi assinada depois de muita pressão. Imagino que na Califórnia não será diferente.

Sherman and CA

De qualquer forma, o tubarão Sherman do Jim Toomey  já está antecipadamente feliz com a votação da Assembléia. :D  UPDATE ÓTIMO: Acabei de ler no twitter do Aquário de Monterey que o governador da California assinou a lei!!! YESSS!!!!! \o/

4) … mas aí já tem aqueles que pensam no problema de maneira bem mais global – tipo o pessoal do Shark Defenders. E eles abriram uma petição no site da Casa Branca, pedindo a implementação de uma lei federal que proíba o comércio de barbatanas – e se isso um dia chegar a acontecer, será HISTÓRICO para a conservação. Mas sonhar não custa nada. Aliás, nem assinar a petição. Se você é morador dos EUA e/ou americano, corre lá no site da Casa Branca e assina. Se chegar até 5,000 assinaturas no dia 22 de outubro, o governo federal se pronunciará oficialmente sobre o assunto.

5) O Aquário de Monterey outro dia montou uma mega-operação para transportar um tubarão branco que está agora em exibição no tanque pelágico do aquário. O relato desse estresse é uma emoção.

6) Já o Aquário da Georgia colocou um transmissor num tubarão-baleia no México para estudar sua rota migratória – e adicionou a isso uma conta do twitter. Você pode seguir o Domino, saber onde o tubarão está e interagir “com ele” (ou com o pesquisador que toma conta desse tag). @wheres_domino foi #followimediato, of course.

7) Ok, o site chama-se Lush, mas… esse shark fin soap não é a minha cara? :D

8) Também a minha cara a cerveja escolhida aqui em casa para assistir ao Rock in Rio pela internet:

Cerveja_Malla

A cerveja da Malla! (isso dá jingle, hem… ou jungle, você decide.)

9) Um tubarão-duende (Mitsukurina owstoni) foi encontrado no Rio Grande do Sul. O bicho é muito raro, vive nas profundezas, e o achado vai sem dúvida ajudar a entender um pouco mais do bicho, que tão dificilmente aparece na superfície. #RSmelhoremtudo (Via @dra_luluzita.)

10) E pra finalizar, uma notícia que não é de tubarão, mas é de mar, e que me emocionou muito. O querido Rick McPherson postou no Deep Sea News um mapa que saiu esta semana do Projeto Aquarius da NASA, mostrando as variações de salinidade na superfície dos oceanos do mundo:

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(Mapa montado pelo ©Projeto Aquarius – NASA.)

Quando eu era criança, sempre achei que o mar da praia onde cresci no ES era mais salgado que os outros mares que eu visitava. Afinal, era o único lugar que eu conhecia até então em que uma camada de sal se depositava na pele pouco depois de você sair da água. Curiosa, perguntava pros adultos ao redor, pro meu professor de Ciências, se era verdade (malla desde cedo, como podem perceber)… e ninguém sabia me responder. Com o tempo, passei a achar que o excesso de sal era só impressão/invencionice de criança – sabe aquelas coisas de achar que era um ondããão e bolar toda uma fantasia ao redor, mas no fim era só uma marolinha um pouco maior? Até que esta semana a NASA vem com esse dado aí em cima. E eu olho pra ele e vejo lá no cantinho onde eu cresci, o mapa fervendo em vermelho. Pois o mar no ES é mesmo mais salgado que boa parte do resto do mundo – e em outras áreas do Oceano Atlântico também é bastante salgado . Eu sei, pode haver variações de salinidade com o tempo, o dado pode se alterar por diversos fatores. Mas mesmo assim, eu me emocionei ao ver o mapa, que enfim, mais de 30 anos depois, satisfez minha curiosidade infantil. E que corroborou uma observação empírica das mais rudimentares. Um viva enorme à ciência, que permite esses sorrisos de felicidade na nossa vida. :)

11) Tudo de sal sempre.

Temos um casal de amigos que mora na Micronésia – visitamo-los em janeiro e de vez em quando os cito no blog. Ele é britânico, ela americana. E todo verão, os dois vão passar um período na Inglaterra, para visitar a família dele. É uma viagem longa, praticamente uma RTW a cada temporada e sempre que fazem essa jornada, separam uns dias para ficar com a gente em Honolulu e pôr as fofocas em dia.

Enfim, fato é que fofocas e notícias da Micronésia chegam à Europa em geral como chegam ao Brasil: uma vez a cada década (e olhe lá!). Ninguém ouve falar direito dessa parte do mundo. Ai de você, aliás, se se empolgar ingenuamente a explicar a diferença abissal que existe entre as Ilhas Marianas e as Ilhas Gilbert. Para o jornalista, é tudo “lá”, na imensidão azul distante e desconhecida. Se você detalhar física de partículas ou explicar as reações da cadeia respiratória mitocondrial, provavelmente será visto como menos “alienígena” por ele do que se quiser se esmiuçar sobre a geografia da região.

Mas aí que saiu num jornal britânico uma notícia micronésia pra lá de estranha: os Estados Federados da Micronésia estavam processando a República Checa por querer renovar o contrato de funcionamento de uma grande usina termelétrica na própria República Checa. A Micronésia, claro, alega que a usina contribui para o aumento do CO2 na atmosfera, o que colabora para o degelo das calotas polares e consequentemente para o aumento do nível dos mares – e a Micronésia está perdendo áreas de costa por conta disso. É a primeira vez na história que uma querela judicial dessas é oficializada.

Sem entrar nos detalhes legais e/ou no mérito da questão, o fato é que tal notícia apareceu também num jornal de papel, e um vizinho da família do meu amigo lá na Inglaterra veio todo contente mostrar aquele recorte de jornal para ele, contando algo do país “tão distante em que você mora“.

Aí nosso amigo pega a reportagem e vê a foto.

Micronesia cutting

E dá uma risada daquelas. Porque a foto “da Micronésia” que ilustra a reportagem é do André. (E já esteve aqui no blog antes.)

Pior: não foi tirada nos Estados Federados da Micronésia. Foi tirada nas Ilhas Marshall – que fazem parte da região micronésia, mas são um país separado.

Tudo bem, a coincidência releva os detalhes errôneos. Nosso amigo trouxe o recorte pra gente, para também curtirmos tal serendipidade. Adoramos. :)

Thanks, Simon!

Tudo de bom sempre.

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Na Pali Coast, Kauai.

Deixei o Kauai para terminar a série “4 dias” (episódios anteriores: Oahu, Maui e Big Island) por um motivo bastante pessoal: é minha predileta, foi lá que vivi um dos dias mais emocionantes da minha vida. Mais racionalmente entretanto, ainda acho o Kauai a mais fenomenal, mas é preciso ser sincera e dizer que é uma ilha de logística de viagem difícil – requer preparo não só físico, mas mental. É muita natureza arrebatadora de uma vez só.

Das ilhas que têm mais turismo no Havaí, o Kauai é também a mais “misteriosa”. Em geral, o turista que vem ao Havaí se deslumbra, mas é um deslumbramento “esperado”, já que ele meio que conhece dos filmes e cartões postais a vista do Diamond Head em Waikiki, já sabe mais ou menos como será ver um vulcão ativo, e principalmente sabe que terá alta probabilidade de ver todos os dias pôres-do-sol inesquecíveis.

Mas com o Kauai é diferente, porque dele você não sabe muito. Tenho uma teoria de que NADA te prepara para as belezas do Kauai, e só ao vivo você entende isso. Porque a ilha é toda superlativa e ninguém consegue definir a espetacularidade da ilha nas palavra à altura do que ela merece, simplesmente porque não há palavras no dicionário para tal. Tanta beleza conquistou Hollywood: de acordo com o IMDB, as paisagens da ilha foram cenário para mais de 50 filmes até agora - and counting.

Com esse tanto de encantos dramáticos e paisagens de realmente tirar o fôlego, fica difícil fazer um roteiro de apenas 4 dias, porque você com certeza vai perder algo. Afinal, é no Kauai que está a Na Pali Coast, monumento natural que consta na minha lista de top 10 monumentos naturais do planeta e que requer pelo menos 2 dias para vê-la de ângulos e momentos diferentes com tranquilidade. Só a Na Pali Coast já vale 10,000 vezes a viagem, mas o Kauai te dá mais, para tirar mesmo o seu fôlego sem dó nem piedade. O Kauai se supera.

Apesar de ser uma ilha e estar cercada por um mar azul-lindo, a palavra que melhor define o Kauai  plenamente é: verde. Muito mais que o mar, o que realmente impressiona no Kauai é a vegetação. Chamada de “Garden Island“, assim que o turista chega percebe que o nome faz sentido, porque a natureza ali quis brincar com você para saber quantos tons de verde você consegue identificar – são muitos, acredite. É a ilha geologicamente mais antiga do Havaí, a mais rural, menos habitada e mais roots – ideal para quem curte um isolamento com conforto. Há uma lei local que proíbe qualquer construção de ser mais alta que um coqueiro, portanto nada de paredão de prédios na beira da praia atrapalhando sua visão do mar, e garantindo mais ainda uma paisagem de cinema.

Enfim, eu poderia ficar o resto do dia introduzindo o Kauai e não seria bem sucedida. Porque só vendo mesmo para crer nesse espetáculo natural.  E se você tem apenas poucos dias para curtir essa jóia rara, eis então minhas sugestões.

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(Mapa tirado daqui.)

 

Chegada e acomodações

O único aeroporto da ilha é o de Lihue. Pequeno, mas ajeitadinho. Lihue é a maior cidade da ilha, fica do lado leste e o aeroporto está a menos de 10 minutos da cidade. Dá pra chegar no Kauai de cruzeiro também, em geral ele atraca em Nawiliwili, cidadezinha próxima a Lihue.

É fundamental alugar um carro no Kauai. Há transporte público, mas é imensamente precário. Sem carro no Kauai, você não chega a lugar nenhum de interesse turístico, infelizmente.

Há hotéis para todos os gostos e preços no Kauai, de albergues a resorts de alto luxo. Há 4 áreas onde os hotéis se concentram: Poipu, Kapa’a, Hanalei e Princeville. Sempre que vamos, ficamos em Kapa’a, onde os hotéis são bastante confortáveis e com preços razoáveis. Em Princeville, estão os  resorts de mais luxo, portanto espere preços um pouco mais salgados. Hanalei é uma cidadezinha de surfe e as hospedagens refletem essa vibe mais relax, de pousadinha gostosa. Poipu tem bons resorts também, a maioria de redes famosas, e as praias ali são lindíssimas. Enfim, em termos de hospedagem, acho que não tem como errar no Kauai, você quase sempre estará de frente pro mar. E, sendo sincera, acho que no Kauai a hospedagem pouco importa. Porque você vai querer passear o dia inteiro, a ilha é inesgotável, então o hotel será só uma cama para dormir mesmo. Cabe a você escolher se quer uma cama mais confortável ou mais feijão-com-arroz.

 

1º dia

Como falei acima, a Na Pali Coast é o principal cartão postal da ilha e requer pelo menos 2 dias para ser apreciada devidamente. Então comece o dia com ela. É um passeio difícil por qualquer lado que você escolha fazer, porque a Na Pali é bastante inacessível, então prepare-se. Mas é inesquecível, vale qualquer sacrifício.

Não há estrada na Na Pali, e para melhor apreciar os penhascos, você terá 3 opções: fazer um passeio de barco (ou seja, ver do mar); fazer uma trilha (vê-la por dentro, se impressionando com a altura); ou fazer um passeio de helicóptero – sem dúvida, a forma mais adequada de apreciação da grandeza da costa, mas também a mais cara.

Eu sugiro não fazer a trilha no 1º dia e curtir a Na Pali de outra maneira, para você ver qual é antes de cair numa roubada partir para a caminhação. Comece o dia com um tour de barco. Nós fizemos o passeio de snorkeling com a Holoholo Charters, cujos barcos saem do píer de Port Allen, na baía de Hanapepe. A viagem entre Port Allen e a Na Pali é de umas 2 horas, portanto, se você enjoa, aconselho tomar um remédio antes de embarcar – no nosso passeio, várias pessoas passaram mal. O mar ali não é uma piscina, o barco pode balançar bastante. Em compensação, golfinhos acompanham o barco no trajeto e se for época de baleias (de novembro a fevereiro), é muito provável que você verá pelo menos uma.

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Um pedacinho da Na Pali Coast, vista do mar.

Quando o barco começa a chegar em Polihale, última praia antes da Na Pali (e lindíssima, por sinal), já dá para sentir um frio na barriga, porque a paisagem do litoral muda e se torna deslumbrante em poucos minutos. A parada para snorkel é logo no início da Na Pali e já te dá uma dimensão do que vem pela frente: você, minúsculo, e aquele paredão enorme caindo sobre você. Lindo. Entretanto, confesso que não é um dos melhores snorkels do Havaí – o mar agitado bate nos penhascos e termina sedimentando-os muito, a visibilidade fica prejudicada. Mas é a sensação de eu-sou-um-pontinho-apenas que você sente nadando ali, muito mais que os peixes, que te faz emocionar. E o que realmente vale no passeio vem depois: o barco te leva até o “core” da Na Pali. Onde os penhascos são mais altos que o Empire State Building em Nova Iorque. Há pontos com mais de 1,000 metros de altura, deslumbrante mesmo. É o 2º penhasco na beira-mar mais alto do mundo – o 1º está em Molokai, ilha vizinha a Oahu.

Você pode combinar esse passeio com um tour a Niihau, ilha próxima  privada que é um verdadeiro museu vivo da cultura havaiana, onde mora uma população nativa que só fala havaiano e vive sem luz elétrica, da maneira como os havaianos viviam no passado. Há inúmeras controvérsias políticas sobre a validade de deixar esta população desse jeito, mas o fato turístico é que nenhum barco pode atracar na ilha. Portanto, se você está interessado na antropologia da visita, pode se decepcionar, já  que não interagirá com nenhum havaiano de lá.

Os barcos de tour da Na Pali chegam de volta ao porto em torno de 3 da tarde. É um tour maravilhoso, mas cansativo, porque balança bastante. Então para relax, você pode aproveitar e curtir o resto da tarde em Poipu, descansando com um maitai na mão – o Roy’s é uma boa pedida para isso, com petiscos de primeira.Quando estiver indo naquela direção, não esqueça de apreciar no início da estrada 520 o “Túnel de Árvores“, um dos trechos de rodovia mais belos da ilha.

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Túnel de Árvores.

A área tem praias mais fortes e mais mansas, e eu destaco minha preferida de todas, Shipwreck Beach <3. Shipwreck chega-se passando por dentro do Grand Hyatt, e é uma praia bastante popular para casamentos, e um gaiato inclusive fez uma pequena homenagem aos casais que ali se formam, desenhando com lava vulcânica um coração na areia – isso não estava lá quando casei. Em Shipwreck, há no canto um rochedo que pode ser “escalado”, de onde os mais corajosos pulam. O surfe também é certeiro por ali. Na praia de Poipu, há um “chafariz” natural, resultado de quando o mar passa por reentrâncias na rocha. O local é também uma das áreas onde as super-ameaçadas de extinção focas havaianas passeiam – você pode dar a sorte de ver uma descansando na areia.

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A romântica Shipwreck Beach, em Poipu. :)

 

2º dia

Minha sugestão é começar o dia ou dirigindo pelo Cânion de Waimea, outra maravilha agigantada do Kauai, ou fazendo o passeio de helicóptero pela Na Pali. Não interessa a ordem: se fizer um primeiro, faça o outro depois, no mesmo dia.

Para chegar ao Cânion de Waimea, pegue a estrada para a cidade histórica de Waimea. Waimea em si é uma cidadezinha pitoresca, com bastante personalidade, embora pequeniníssima. As construções são todas antigas, da época em que a cidade viveu o auge do ciclo da cana-de-açúcar [#recifefeelings].

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Cânion Waimea. As cores são um espetáculo à parte que a paisagem te oferece. As linhas de sedimentação são de fazer geólogos terem delírios coloridos de felicidade.

O cânion é a atração principal do Parque Estadual e é chamado de “Grand Canyon do Pacífico”. Tem paisagens avermelhadas deslumbrantes e foi formado há aproximadamente 4 milhões de anos. O cânion tem quase 1,000m de profundidade e cerca de 16km de extensão. Se você tem mais dias na ilha, vale a pena fazer uma das trilhas até um dos riozinhos que cortam láááá embaixo. Mas se seu período é curto, pode apenas dirigir pela borda do cânion, há diversas paradas pra apreciar a vista lá do alto.

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Kalalau Valley, talvez a paisagem mais conhecida do Kauai.

No fim de uma das estradas, chega-se ao início da trilha do Kalalau Valley, talvez uma das paisagens mais conhecidas do Kauai. O vale é o primeiro da Na Pali Coast no sentido sul->norte, e lá de cima temos uma vista espetacular do Pacífico e dos penhascos. A trilha do Kalalau é outra que, se tiver tempo, você deve tentar fazer; ela sai lá de cima e vai até a praia. Para os andarilhos mais avançados, pode-se em 3 dias andar do Kalalau até Ke’e Beach – ou seja, encontrar a trilha de Hanakapiai, fazendo a Na Pali Coast no sentido sul->norte. Em geral, o pessoal acampa nos vales. Eu nunca fiz esta trilha completa, mas o Ian fez, e amou.

No mirante do Kalalau, também há uma placa apontando para o Monte Wai’ale’ale, considerado um dos pontos mais úmidos do planeta. Ali sempre tem uma névoa ou nuvem, porque chove em média 11,500 mm por ano. Chuva esta que nutre o Kauai de um de seus maiores recursos: água doce.

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Saindo do Cânion, já na estrada indo na direção de Lihue, há uma série de restaurantes para uma boa parada alimentar. Nós fomos no Pomodoro, um italiano aconchegante muito bacaninha e adoramos. Mas estávamos com uma fome de leão, e isso talvez tenha ajudado no rating do lugar. :D

De lá, dirija direto até o aeroporto (1h pelo menos) para fazer o passeio de helicóptero no final da tarde para ver a Na Pali Coast.

E aqui, um parênteses. Em todas as ilhas havaianas, há oferta de passeios de helicóptero – e é sempre muito caro, espere pagar pelo menos 200 dólares por pessoa. Na minha opinião, se você tiver que escolher um passeio só desses pra fazer entre todas as ilhas havaianas, é no Kauai que você deve fazer. Porque só do ar a gente tem a noção exata da imensidão da Na Pali. O tour é o mais essencial de todos da ilha, e vale cada centavo que você vai pagar. Nós fomos com a Safari Helicopters, mas o serviço da Blue Hawaiian Helicopters é bastante similar, pelo que constatei conversando com amigos.

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Na Pali vista do ar.

O helicóptero passa pelo Cânion Waimea, que já é algo inesquecível. Dá pra ver do alto a cachoeira Jurassic Park, que foi parte das locações do filme famoso de Spielberg e é inacessível por terra. E quando a Na Pali desponta… eu chorei, pra vocês terem uma idéia. Porque é de uma beleza de arrepiar até o mais duro dos corações. São verdadeiras catedrais geológicas, com picos afiados, vales estreitinhos cobertos de verde, filetes de água formando cachoeiras esvoaçantes, terreno impossível e com todo ar de “lord of the rings”. E aí você entende porque esse lugar é um must-see total.

 

3º dia

Se, depois de ver a gigantude da Na Pali, você se empolgou para fazer a trilha, comece cedo. Não faça como eu: reserve o dia inteiro para tal atividade, são 2 milhas de distância e o terreno é bem precário – se chover, a lama é cruel, portanto calcule o dobro do tempo. Leve água, comida leve, protetor solar e disposição. As paisagens, entretanto, são de tirar o fôlego. Diferente das trilhas que vemos nos EUA, todas organizadinhas e praticamente pavimentadas, a de Hanakapiai não tem sequer sinalização direito, a não ser no início, em Ke’e Beach. Não há corda de segurança e o penhasco tem pelo menos uns 200m de altura nas áreas mais abertas. Nós levamos cerca de 3 horas andando para chegar até a praia de Hanakapiai, que na época que não tem surfe (de abril a setembro) tem areia e dá pra curtir – estava chovendo e o terreno ficou bem escorregadio. Se andar mais 2 milhas, chega à cachoeira de Hanakapiai. Na volta da andarilhação, você pode curtir um bom smoothie em Hanalei, no Kalypso Bar ou em algum dos diversos traillers na beira da estrada que corta o vilarejo.

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Cachoeira de Hanakapiai. São mais de 4 milhas caminhando para se chegar até ela.

Agora, se você quer fazer algo mais relax, pode fazer um pequeno road tour pelo lado norte da ilha. Saindo de Lihue, pegue a rodovia 56 com destino a Kilauea. Pelo caminho, você vai parando na beira da estrada desde Kealia Beach, à medida que vir algo que lhe interesse: uma paisagem bonita, um mar azul cristalino, um nene (ave endêmica do Havaí que ronda por aquelas bandas).

Kilauea Point é um farol, que se transformou em Parque Nacional por causa da quantidade de aves que fazem das suas encostas berçário e das plantas nativas. Há uma taxa para entrar no parque, e lá dentro, trilhas asfaltadas até os pontos de interesse. A vista do Pacífico é lindíssima, e os pássaros são a maior atração do Farol. O farol, aliás, ainda funciona, mas está sendo restaurado para poder ser aberto à visitação um dia. Em frente ao Farol, uma ilhota que dá mais drama à imensidão azul. O lugar merece a visita, não tenha dúvida.

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Um pouco mais pra frente na estrada, fica Princeville, uma área de condomínios e resorts. A paisagem é bacana, mas muitas das praias ali são de difícil acesso. Vale uma parada rápida, só para curtir a paisagem. (Para os que gostam de celebrity facts, foi numa mansão em ‘Anini Beach que o eterno Friend Matt LeBlanc se casou.)

Dirigindo um pouco mais, passamos por mirante com a vista de um dos grandes tesouros culturais do Havaí: as plantações de taro (ou inhame) que existem há séculos no vale de Hanalei. O taro é uma das comidas mais importantes da cultura havaiana desde os tempos primordiais e esta é a maior plantação que sobreviveu após anos do desmonte do Reino do Havaí. Um museu vivo e natural, além de paisagem muito bacana. Lá embaixo, a ponte de Hanalei, estrutura antiga e que dá um certo charme à vista.

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Mirante pro Hanalei Valley, famoso pelas plantações de taro.

A estrada continua até Hanalei, cidade de surfe, terra natal de Andy Irons, o maior surfista havaiano da história recente. Hanalei já foi eleita a praia mais bonita dos EUA e realmente é de uma beleza estonteante. A cidade respira surfe, e se você curte o esporte, minha sugestão é ficar por ali – no verão há tours de snorkel na Na Pali que saem do píer de Hanalei, fazendo o caminho reverso ao tour que fiz saindo de Port Allen.

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Hanalei. “Shave ice” é raspadinha de gelo, que no Havaí você encontra em qualquer trailler de esquina.

Em Hanalei, há diversas lojinhas de souvenir, e o Neide’s, um restaurante brasileiro-mexicano nos fundos de um dos shoppings. O serviço é um pouco devagar demais pros padrões americanos, mas no Kauai é tudo meio relax mesmo. Se você quiser um clima mais praia, o Bar Acuda é uma ótima opção.

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Haena Beach.

Continuando na rodovia 56, você chega no Haena Beach Park, onde fica Ke’e Beach, que é o fim da estrada de carro e início da trilha Hanakapiai, que vai pela Na Pali Coast. Antes do início da trilha, há uma caverna molhada bacana para dar uma olhadinha antes do mergulho na praia.

Haena é simplesmente maravilhosa. Andando para o lado direito, você tem o Tunnels Reef, um ótimo point de snorkel. A água ali tem visibilidade boa e uma cor de esmeralda que brilha. O local é preferido por mergulhadores e curtidores do mundo sub em geral – mas vale lembrar que no inverno, ali é o North Shore, ou seja, onde as ondas batem com mais força. Quando estivemos em julho, no auge do verão, a praia estava uma piscina, mas no inverno parece que a história muda bastante.

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Vista aérea do Tunnels Reef – era inverno, por isso as ondas castigando antes do recife.

 

4º dia

Dedique o dia a passeios mais lights. A viagem até aqui é bastante puxada, muita caminhada e balanço do mar. Então minha sugestão é fazer um tour pelo rio Wailua, que leva até a Wailua Falls, com parada no Fern Grotto, uma caverna lotada de samambaias penduradas do teto. A paisagem em si do rio é bacana, muito verde, e você pode passar o dia caiacando, fazendo stand-up paddling ou apenas passeando de barquinho, apreciando cada recanto de verde.

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As curvas do Rio Wailua.

Ainda próximo a Wailua, fica a Opaeka’a Falls, outra cachoeira urbana bem interessante. A paisagem é de admirar, e o acesso é super-fácil a partir da Kuamo’o Road, em Wailua. Vale o pit-stop.

Agora, se você ainda não se cansou de aventuras radicais, pode dedicar o último dia a uma das diversas caminhadas que citei aí acima, ou fazer um rafting na Na Pali Coast. Por causa dos rochedos vulcânicos, há diversos túneis no costão, e empresas fazem tours super-molhados de rafting por esses túneis. Parece ser bem adrenalina.

E termine o dia à beira-mar, vendo o pôr-do-sol. É o cenário perfeito para se chegar à conclusão de que os mistérios do Kauai jamais serão desvendados – e agora você se toca que finalmente entende  o genuíno deslumbramento compartilhado pelos que pela ilha passam. Porque afinal, nada te preparou pro espetáculo Kauai. E nunca vai preparar, mesmo que você volte quantas vezes quiser. O verde superlativo.

Tudo de Havaí sempre.

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Foca havaiana (Monachus schauinslandi) descansando nas areias de Poipu.

Postado em 02/10/2011 por em Havaí, Kauai, Viagens
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