O vôo que leva de Guam aos Estados Federados da Micronésia é um vôo azul.

Imensidão azul

Se você fica na janelinha, você consegue enxergar todos os tons de azul possíveis e imagináveis – talvez eu até tivesse imaginando alguns, quem sabe. O azul reina. Não só o gigante Pacífico está lá embaixo, te lembrando por que ele é O gigante, imensidão sem fim, como o céu ao redor parece ter um azul profundo que só a altitude distante de qualquer poluição permite. Perdemos a noção do limite entre céu e mar: é tudo um continuum de azul – e a música “Continuum” do Jaco Pastorius me vem à cabeça imediatamente, e me pego viajando em que tipo de “blue blues” o Jaco comporia se visse uma cena dessas. Provavelmente acordes harmônicos repletos de lás sustenidos com sétima aumentada, para dar conta do tamanho da calma e plenitude que a cena inspira.

Voando pela Micronésia

E de repente, entre tanto azul, sua visão é interrompida… por um atol.

Lá longe, lá embaixo, no meio da imensidão azul, um colar de recifes e ilhotas isoladas, provavelmente desabitadas, esquecidas. Terão nome? Provavelmente algum velejador já passou por ali, afinal raros são os pontos nunca explorados do planeta. Mas mesmo dentro dessa possibilidade, quando foi a última vez que aquele pedaço super-estreito (e muitas vezes não-existente, já submerso) de terra viu gente?

Sobrevoar essa tripa de corais circundada pela overdose de azul nos faz pensar relaxadamente num monte de filosofices. Viagens de uma viagem infinita. E dá uma paz incrível.

Tudo de blue sempre.

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– O atol da foto foi fotografado no vôo entre Chuuk e Pohnpei. – Chegamos em Pohnpei bem. Aos poucos, vou postando impressões da ilha, aqui e no twitter. Este post está sendo publicado direto de U, cidade de Pohnpei, nos Estados Federados da Micronésia, de uma varanda bucólica com vista pro mar.

  • Lucia Villa Real

    Liiiiiiindo!!!!

  • igor

    as fotos estão em privado

  • Igor, o flickr é só meu repositório pra gerar html. Por isso não dá pra acessar lá mesmo. 😉