Foi a Flávia queridíssima quem me convidou para a roda da brincadeira da vez, que pede para contarmos qual foi o primeiro livro que você leu na vida. Foi um exercício de memória nostálgico e sorridente, que compartilho abaixo com vocês.

Aprendi a ler basicamente para poder ler sozinha os gibis da turma da Mônica (obrigada, @mauriciodesousa, por existir!). Antes disso, minha mãe os lia para mim – e eu era uma verdadeira “malla” pedindo para que ela lesse toda hora o dia todo uma revistinha para mim; e ela, com a paciência de jó que me deixou de herança, largava o que estivesse fazendo para ler sem pestanejar, como se tivesse todo tempo do mundo para a filha (mamãe, eu te amo!). Assim que consegui “juntar as letrinhas e fazer som”, me pus a vorazmente ler ao meu belprazer todos os gibis da turminha querida que apareciam na minha frente.

Nesses primeiros momentos de descoberta das letras, lembro também de ler e reler infinitamente os livros “Polegarzinha” e “A pequena vendedora de fósforos”, ambos do dinamarquês Hans Christian Andersen (com quem mais tarde fui “conversar” em Copenhagen olhando para sua estátua, agradecendo cada palavrinha que colocou naquelas histórias e que me estimularam a querer ler mais e mais); ambos de uma coleção em capa preta que rodava lá por casa, cujas histórias me comoviam pelo fantástico e pela… neve. Morando numa praia da costa brasileira, o conceito de frio exacerbado me era tão enigmático quanto um marciano e eu “viajava” fazendo da areia da praia minha “neve” nas brincadeiras.

Mas houve também 2 livros, que lembro ler ainda muito criança, que me marcaram. Um pelo título, e outro pela história em si. “Onde mora o arco-íris?” de Giselda Laporta Nicolelis – figura que muitos anos mais tarde fui tietar numa Bienal do livro – me encantou pela capa colorida, com um desenho de arco-íris mágico. Infelizmente, não achei uma figura da capa deste livro na internet para colocar aqui – aliás, não achei quase nada referente a ele, uma pena. A pergunta-título era o que me empolgava na época, e a história fantástica das aventuras de um grupo de crianças em busca do pote de ouro do fim do arco-íris se tornou secundária à minha pergunta interna: onde é o fim do arco-íris? Esta pergunta, que me simbolizava a coloridão máxima e plena da alegria de viver de uma criança, onde enfim tudo será um eterno “e viveram felizes para sempre”, me perseguiu por toda a infância. Aliás, me persegue até hoje – exceto que entendo agora o fenômeno físico por trás das tais cores que aparecem no céu depois da chuva, e me maravilho ainda mais.

A baía dos golfinhos

Entretanto, o primeiro livro que mexeu profundamente comigo foi um meio obscuro, que minha professora de alguma série primária (não me lembro qual) pediu para ler. Chamava-se “A baía dos golfinhos”, de autoria de Lucília Junqueira de Almeida Prado. As aventuras do Marcelo em Fernando de Noronha foi o primeiro livro que me fez querer pôr o pé na estrada e conhecer um lugar do país, a tal baía. Muitos anos depois, em 2003, quando finalmente pus os pés na Baía dos Golfinhos de Noronha, não foi das aulas de Zoologia ou Ecologia que primeiro lembrei: foi do livro que despertou meu interesse pelos bichos do mar naqueles anos nascentes de encantamento pela vida.

E olhando para essa lista, posso afirmar sem dúvida que estes livros moldaram um pouco do que carrego ainda hoje dentro de mim. A gente cresce, amadurece (ou finge que), a vida fica mais atarefada e complexa, mas aquela criança sorridente que se encantava com tão poucas palavras e com tantos desenhos – esta criança ainda mora dentro da gente e ainda dita um pouco da nossa alegria de viver. basta de vez em quando a gente chamá-la para ouvir uma história.

Tudo de bom sempre.

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P.S.: Coincidentemente, enquanto escrevia este post, um arco-íris enorme apareceu no céu. Registrei da varanda aqui de casa uma foto.

Rainbow aloha

É, acho que finalmente descobri onde mora o arco-íris. ;)

  • Chico

    Lembro das “aventuras da borboleta atíria” e da tia Márcia, professorinha mais linda que já tive nessa vida.
    Já os primeiros a marcarem foram Chamado Selvagem e Vidas Secas.
    Sem falar na série Pollyana lá pela 6a 7a série, e do José de Alencar ao longo do 2 grau.

  • Izabela

    Há…. o primeiro livro que eu li foi “Ali Babá e os 40 Ladrões”. Tenho ele até hoje, mas só o li uma vez…a primeira vez literalmente…hahaha. Obrigado pelo seu post, nem lembrava mais dele, acho que vou lê-lo novamente…..=)

  • NPTO

    Mais um aqui que aprendeu a ler lendo Mônica!

  • http://luciamalla.com Lucia Malla

    Chico, eu tb li “O caso da Borboleta Atíria”!!! :)
    Izabela, eu li Ali Babá depois de muitos anos… já não era uma criança mais.
    NPTO, Mônica ruleia! :D
    Beijos a todos.

  • Luciana

    Também li A Baia dos Golfinhos, acredito que com uns 8 anos de idade. Não foi o meu primeiro livro, mas com ele surgiu o sonho de conhecer Noronha, que realizei este mês. Nunca esqueci do livro, foi tudo mágico, ele me levou até lá!