Acidificação dos oceanos

A foto acima saiu numa reportagem especial da New Scientist esta semana sobre os 9 “processos” naturais que mantém a vida na Terra e que andam desequilibrados/ameaçados. A foto está representando o primeiro destes processos, a acidificação dos oceanos. Os outros 8 processos que a reportagem comenta são: a diminuição do ozônio, a quantidade e qualidade de água doce, a biodiversidade, os ciclos de fósforo e nitrogênio, o uso da terra, as mudanças climáticas, a quantidade de aerosóis e a poluição química. É um apanhado geral sobre os maiores problemas macroecológicos que o planeta passa no momento, em linguagem simples.

Fico feliz que nossa foto tenha sido escolhida para ilustrar o tema da acidificação dos oceanos. Porque é um tema muito próximo à minha paixão-mor, que é o mar. Como sabemos, os recifes de corais e animais com conchas precisam de carbonato de cálcio para formar seu esqueleto e/ou concha. Este carbonato está no mar sob a forma de aragonita, que é a forma usada pelos invertebrados marinhos para a síntese de seu esqueleto de suporte. A aragonita fica dissolvida na água do mar, numa razão que atualmente é de 2.9:1 – ou seja, há quase 3 vezes a quantidade necessária para a mantenção destes animais.

Esse número entretanto varia de lugar para lugar no oceano, e 2.9:1 é uma média. Os pesquisadores sugerem que abaixo de 2.75:1 a situação já seja considerada crítica para muitos seres marinhos que dependem de carbonato de cálcio para viver. A concentração de carbonato está diretamente ligada à concentração de CO2 dissolvida na água do mar, porque a reação de CO2 com a água gera bicarbonato e prótons, que diminuem o pH da água – com mais CO2, a reação se satura, não há cálcio suficiente para tanto carbonato, os prótons ficam em excesso e o mar se acidifica, num ciclo difícil de quebrar dado que a entrada de CO2 no sistema, na política climática atual, só aumenta.

Mas eu tenho esperança. Pouca, mas tenho, de que as soluções existem – podem até não ser as melhores ainda, mas tenho esperança de que serão aperfeiçoadas cada vez mais. Para sair dessa sinuca de bico, é preciso quebrarmos o ciclo. E isso se faz pressionando muito por regulamentações que diminuam as emissões de CO2 de todos os países, principalmente os maiores poluidores absolutos, como China e EUA; ao mesmo tempo, cada um fazendo a sua parte no dia-a-dia, naquele velho efeito formiguinha que muda o mundo ao nosso redor. São várias frentes. O importante é agir.

Tudo de bom sempre.

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P.S.: Na mesma New Scientist, uma outra reportagem sobre o efeito do calor sobre os recifes de corais, ilustrada pela foto que é capa do nosso livro. 🙂

P.S.TU*: No relatório da IUCN (International Union for Conservation o Nature) para Copenhague no ano passado também tinha uma foto do nosso acervo. O pdf está aqui. Só descobrimos agora, meses depois – e depois de todas as polêmicas, discussões e confusões sobre o evento climático…

*Esses P.S.’s politizados criativos são marca registrada do Na prática a teoria é outra, e eu adoro. Exemplo neste post.

  • Alline

    Morro de orgulho qdo vejo o trabalho do André “pelos ai”. Acho chiquuuuuuueeeeee, ahaha. Ainda mais ilustrando uma pesquisa tao bacana.
    Beijos

  • Alline, eu tb fico. Mas dessa vez, como era para divulgação científica numa revista legal, fiquei mais orgulhosa ainda. 😀
    Beijão procê.

  • Flavia Nogueira

    Também, com a qualidade dessas fotos, não era para menos, ne! Hein, esse post vai para a aula de hoje (difusão simples, facilitada, concentração, pressão osmótica e pH). Valeu, amiga! Beijo