Em um luau havaiano

Mal chegamos no aeroporto de Kona numa sexta à tarde e tomamos logo a direção do Kona Village Resort, ao norte da ilha. É lá que acontece, às 4as e 6as um suposto luau tipicamente havaiano. Claro, é um show fachada para turistas – já fui em um assim em Oahu, no Paradise Cove, por conta de uma conferência que incluía tal diversão. Normalmente, o show mostra os estereótipos do Havaí e dos povos polinésios, o que sinceramente não acho tão ruim, já que termina ensinando umas coisas bem bacanas sobre essas culturas, que a maioria pouco sabe sobre. É um learning experience. Como tínhamos que ir por conta do assignment, e eu curto aprender sobre ilhéus em geral, fui sem stress.

Na entrada, uma fila pequena, onde encontramos um casal de brasileiros de Chicago. Enquanto André fotografava, fiquei conversando com eles. A senhora estava adorando as flores do Havaí, que são realmente uma das minhas paixões aqui. Há uma diversidade incrível de cores e cheiros de flores, lindas todas, adornam as ruas sem pudor. No luau em que estávamos, os leis eram feitos de orquídeas rosas, e eram estranhamente haku leis, para se colocar na cabeça – provável resultado da crise econômica, já que se economizam algumas orquídeas fazendo haku leis ao invés de leis (colares).

Uma vez dentro da vilinha onde o luau ocorre, há grandes mesas espalhadas entre um palco grande, um riacho e um palquinho menor, e as mesas onde a comida será servida. Antes do show começar, maitais para todos, que ninguém é de ferro. O primeiro show é de um havaiano, ensinando a abrir um côco com um pedaço de madeira – um truque que todo luau que se preze tem. De lá, todos são convidados ao Imu, para aprender sobre a cerimônia do porco, o kalua pig.

O Imu é onde os havaianos cozinhavam no passado suas comidas: um forno enterrado na areia. Kalua significa “coberto por folhas de ti“, uma espécie de liliácea comum nas ilhas do Pacífico. Basicamente, o porco inteiro é enrolado nestas folhas junto a pedras de lava. As pedras de lava em geral são mais porosas, com buracos microscópicos que mantém as gotículas de água encapsuladas; com o calor da fogueira, viram vapor e cozinham a carne do porco em poucas horas. Os maoris tinham tecnologia similar para cozimento.

Depois da cerimônia, voltamos todos para as nossas mesas e o show de hula começou. Primeiro, com os moços; depois as moças, que dançaram coreografias de Fiji, do Taiti e da Nova Zelândia. É simplesmente impressionante a capacidade das dançarinas de mexer o quadril freneticamente sem mexer quase nada do tórax. A dança é muito bonita de se assistir. A hula é mais calma que a danca do Taiti, mas ambas são inspiradoras.

Enquanto os shows acontecem, o jantar é servido. O porco que foi cozido no imu mais um banquete enorme, recheado de comidas havaianas como o poi (que eu não gosto porque é feito com inhame) e o salmão lomi lomi. Para manter a “tradição”, os pratos eram feitos de madeira koa (Acacia koa), uma árvore endêmica do Havaí que era a predominante na paisagem antes da chegada dos europeus.

A sobremesa já está na mesa quando começa o highlight do show: a danca com fogo. Ritual perpetuado pelos samoanos, é claramente uma demonstração de destreza manual, já que ambas as pontas do bastão estão iluminadas pelas labaredas. Me impressiono pela beleza plástica que o fogo traz ao palco: é bonito de se ver.

Momento maori.

Para o grand finale, todos os dançarinos voltam ao palco. O show impressiona também pela cronometragem perfeita: tudo termina quando você terminou sua sobremesa. Achei, sinceramente, o show curto; no Paradise Cove foi bem mais longo, mais divertido, com mais interação com o público. No Kona Village, o show era mais sério, embora mais exuberante. Acho que o Riq condenaria veementemente as cadeiras de plástico, que eu também achei que tiraram um pouco do brilho da ambientação, em que tudo era feito de palhinha, madeira e afins.

Grand finale.

Mas confesso que gostei, apesar de tudo ser tão “teatral” – é claro que um verdadeiro luau havaiano não tem tanta coordenação, é muito mais fluido. Mas gostei também porque a lua estava quase cheia, linda no céu. Com o som dos ‘ukuleles, o balanço calmo da hula, o brilho da noite refletindo no riacho e as flores ao redor… quem precisa de um luau 100% verdadeiro? 😛

Tudo de bom sempre.

*Meu guia completo de luaus no Havaí, para quem se interessar.

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  • luluzita

    e que tal uma receita desses maitais??
    segundona braba, eu começando meu “expediente” e lendo issooo… re energizou,mas no fim de semana quero um desses!!
    bjocas noceis=)

  • Alline

    que delicia, Lú, tu e André só me matando de inveja, né?
    Aqui chove, querida, tudo cinza, e eu não vejo uma praia desde março…whatever!
    Eu fui a um espetáculo parecido na Ilha de Páscoa, muito mais rústico que este aí, mas os movimentos (que eu vi aqui pelas fotos) são bastante parecidos…eu amei tb.
    beijos

  • Chris Pessoa

    Lindo! Um dia ainda quero ver pessoalmente um luau havaiano.
    Bjos!

  • Bia Couto

    que delícia, deu saudade.
    quando eu fui eu era pequenininha, então lembro muito pouco de tudo. mas de uma coisa eu não esqueço: eles cozinhando o porco no chão.
    queria lembrar de mais. parece tão bonito.
    beijo.

  • tiagón

    pois é. ficar implicando porque é teatral, ou adaptado pra turista etc, ou curtir o que dá?
    aproveitar sempre, lógico! 😀

  • João Carlos

    Vou te mandar a conta do tratamento da fratura exposta de cotovelo!… rsrs

  • Lucaina

    Olá! Gostaria de mais detalhes da atração… deve ser reservada? Aonde acontece? Qual o valor?

  • Lucaina, há diversos resorts que oferecem luaus, em todas as ilhas havaianas. Sempre precisa reservar, porque em geral lota. O valor dependerá da ilha em que vc estiver, o que inclui, etc. O do Paradise Cove aqui em Oahu, que é o mais popular da ilha, custa 86 dólares por pessoa (preço de hj, 29/fev/12).

  • camilo

    adorei seus comentários ,sou loco pra conhecer o havaí ,agora mais ainda …valeu

  • Maria Oliveira

    Oi Lucia,

    Eu e meu marido passaremos 15 dias dias visitando as 04 ilhas. Como não vai dar pra ficar 04 noites em cada uma, gostaria de sua sugestão de qual ficar menos tempo. Preferimos mais natureza e menos agito urbano. Também gostaria de saber qual a melhor ordem para se visitar as quatro ilhas em termos de vôo e logistica. Sairemos no próximo dia 09 de abril de Las Vegas e retornaremos à Los Angeles no dia 24 de abril.
    Obrigada

    • luciamalla

      Oi Maria, se vc curte mais natureza, separe menos tempo para Oahu, já que boa parte dela é uma cidade grande. Em termos de vôo e logística, acho que fica mais fácil vc ir primeiro pro Kauai, de lá voar direto para Maui. De Maui vc pode voar direto para Hilo, e vai de carro até Kona, durante o período que estiver por lá. De Kona, vc pode voltar pra Oahu. A Hawaiian Airlines faz vôos non-stop pra cada um desses lugares. Aloha!