Suspense na Na Pali Coast

Eis que estreiou uns dias atrás aqui nos EUA um filme de suspense/terror chamado “A Perfect Getaway” (não faço a menor idéia de como será chamado em português). É basicamente a história de um casal em lua-de-mel que resolve fazer uma trilha no Hawaii. Durante a trilha, descobrem que assassinatos misteriosos vêm ocorrendo ali e começam a desconfiar de tudo e todos. E claro, cabeças rolam.

Não assisti ao filme ainda – e provavelmente não assistirei, já que esse tipo de suspense não é a minha praia. Mas tenho que dizer que quando li a sinopse, foi inevitável: lembrei da minha aventura de lua-de-mel.

A trilha suposta é a de Hanakapiai, no Kauai, que é a forma de se ver a Na Pali Coast por dentro. A Na Pali é, sem dúvida alguma, um dos costões mais belos, dramáticos e impressionantes do planeta.

Minha lua-de-mel também foi no Kauai. E, assim como no filme, também decidimos nos aventurar à pé na trilha de Hanakapiai, é claro. A trilha começa na praia de Ke’e, onde deixamos o carro. É uma trilha íngreme e complicadinha, porque beira o despenhadeiro praticamente o tempo todo, sem nenhum tipo de segurança. É basicamente o paredão de montanha, você naquela estradinha estreita e o mar lá embaixo, com as ondas batendo. Senti um quê de “Vertigo” enquanto andava por ali. Como no Kauai chove bastante, a lama prevalece em boa parte do caminho, tornando alguns trechos deveras escorregadios, o que só aumenta a tensão – num dia mais seco, acho que dá pra relaxar mais.

Fato é que nós havíamos passado o dia inteiro passeando pelo Kauai, visitando outros pontos turísticos, e decidimos começar a fazer a trilha às 3:30 da tarde. São 2 milhas até o fim, numa praia na metade da Na Pali Coast, e mais 2 milhas até a cachoeira de Hanakapiai. (Dá pra ir além dessas 2 milhas e chegar até o vale de Kalalau, na outra extremidade da Na Pali, mas aí é uma caminhada que as pessoas fazem em média em 3 dias. Não tínhamos esse tempo.)

Cachoeira de Hanakapiai.

Fomos andando, fotografando, e lá pelas 5:00 da tarde, eu obviamente cheguei a conclusão de que não conseguiríamos ir e voltar antes do escurecer. Sem lanternas, andar naquele despenhadeiro escorregadio seria uma tarefa mais complicada ainda. Mas, decidimos continuar.

Eram quase 6:00 quando chegamos na tal prainha do fim da trilha. Muito bonita, mas a maré estava alta, e a extensão de areia desaparecida embaixo da água do mar. Preocupada com a perda da luminosidade iminente, decidimos não andar até a cachoeira – ficou pro futuro. Mas é claro, se gastamos 2 horas pra ir, iríamos provavelmente gastar 2 horas pra voltar. Bye bye luz do dia. Na volta, menos aproveitamento da paisagem e mais velocidade, tentando bater o sol que se punha.

O costão da Na Pali visto da trilha, ao entardecer.

Bom, o sol se foi, a noite caiu e faltava ainda pelo menos 1 milha de caminhada em terreno escorregadio e cheio de galhos e vegetação densa. O barulho das ondas batendo nas rochas láááá embaixo somado ao piar dos passarinhos voltando para seus ninhos para dormir davam o clima hitchcockiano, mistura de “Um Corpo que cai” com “Os Pássaros“. Aquele medo irracional de um acidente começou a rondar minha cabeça. André tentava me acalmar – e conseguiu. Afinal, era lua-de-mel, e tudo é festa, né? 😉

Eram 8 da noite quando chegamos de volta ao nosso carro. Ufa, que alívio. Uma aventura que prendeu minha respiração, registrada que está no filme da minha vida. Para ser contada pessoalmente num almoço de domingo aos meus descendentes que um dia virão. Quem precisa de Hollywood, ora pois? 😉

Tudo de bom sempre.

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– Esse post é praticamente uma não-resenha de filme… Mais off-track que isso, só a não-resenha de um livro enganação que o Atila publicou em julho. 😀