Sexta Sub - Na gaiola

Domingo retrasado, me aventurei num dos tours mais conhecidos do Havaí: o mergulho com os tubarões-de-Galápagos (Carcharhinus galapagensis) no North Shore. Um passeio cujo impacto à sociedade e ao comportamento do animal já foi investigado pela Universidade – e demonstrado que é neutro.

Basicamente, entrei numa gaiola de 8 pés de altura (como vocês podem ver na foto), em meio a um grupo de mais de 30 tubarões. A gaiola possui uma bóia, mantendo-a na superfície. Entretanto, o mar estava levemente agitado, e a gaiola ficava subindo e descendo, ao balanço da maré. Ao entrar na gaiola, os animais começam a circular ao redor: você é a atração para eles. Extremamente curiosos, eles passam ao lado da gaiola, olhos nos olhos com a gente, com uma cara intrigante – e intrigada. Alguns com seus peixinhos limpadores nas costas; outros, mais vagarosos, parecem apenas passear ali. É inesquecível a emoção.

O barco sai do píer de Hale’iwa, no North Shore, e o local onde os tubarões ficam está a 3 milhas da costa. Aquela área é um dos pontos de pesca favoritos no North Shore – e os tubarões ficam ali porque se acostumaram a comer os restos da pesca. Durante a operação de mergulho em gaiola, não vi nenhum barco de pesca ao redor, mas imagino que mais cedo eles devessem estar ali. Bom, pelo menos os tubarões ainda estavam.

O que você vê de dentro da gaiola…

Os tubarões-de-Galápagos têm esse nome porque foram identificados pela 1a vez nas Ilhas Galápagos. Mas não estão restritos a Galápagos, pelo contrário, estão presentes em diversas outras ilhas oceânicas do mundo, como no Havaí e nas Bahamas. É um tubarão relativamente agressivo, seu tamanho é considerável e uma das precauções ao mergulhar com eles é que não se coloque a mão fora das grades: eles podem atacar, achando que é um pedaço de peixe deixado pra trás pelos pescadores.

Não considero essa uma atividade radical, mas é claro que o tour é vendido como algo de “alta adrenalina”: quando o assunto é tubarão, medo vende. Eu, por outro lado, ciente da minha posição de “invasora” da casa deles, tentei respeitá-los, evitando movimentos bruscos e observando muito, sem querer “atiçá-los” (ou acariciá-los, que é o que dá vontade de fazer mesmo).

Há também outra perspectiva interessante nesse passeio. A experiência dentro da gaiola é filosoficamente estimulante. Porque o animal está em seu ambiente natural, e você ali é o “confinado”. É de certa forma educativo, pois estamos ali na situação oposta do zoológico ou do aquário. É nossa liberdade que está bem restringida em favor do ambiente – por um motivo óbvio, você pode sofrer um acidente se não estiver assim. Mas divago; é muito interessante. Os tubarões se “divertindo” naquele momento com o objeto metálico estranho que traz uns animais mais estranhos ainda dentro. A curiosidade que os faz circular ao redor o tempo todo. Ou o condicionamento que a pesca trouxe, de que barcos = comida, e você ali, naquele meio, sendo visto como tal. Fascinante para a experiência de um biólogo.

Essas foram minhas “viagens” na volta para casa…

Tudo de tubarão sempre.