Comentei outro dia no twitter que logo pela manhã cedo, ao pegar o barco de Coconut Island para ir para Honolulu, golfinhos nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) deram vários saltos perto da gente na baía de Kaneohe. A Kaká Visconti ficou curiosa e pediu então pra ver fotos da cena. Embora as minhas fotos do dia em questão tenham ficado um lixo (o iPhone não tem zoom!), posto aqui as fotos de uns anos atrás dos mesmos golfinhos (não sei se os mesmos indivíduos, mas da mesma espécie sem dúvida), no mesmo lugar. Explico.

Golfinhos Nariz-de-garrafa

Golfinho nariz-de-garrafa.

Na realidade, esses golfinhos ficam numa espécie de “cativeiro” de pesquisa e pertencem ao Programa de Pesquisa de Mamíferos Marinhos do Instituto de Biologia Marinha do Havaí. É um cercadinho na baía, onde eles nadam à vontade, sem ultrapassar a cerca subaquática que os separa do resto do mar. Os “golfinhos do cercadinho”, como eu costumo chamá-los, são objetos de estudos de bioacústica e demais percepções sensoriais desses animais (e de baleias jubarte, mas essas obviamente não ficam em cativeiro). O aparelho sonar de um golfinho é extremamente desenvolvido, ao ponto dele detectar a distância e o tamanho precisos do alvo e decodificar de forma mais eficiente que morcegos, por exemplo. O trabalho de pesquisa deste laboratório já foi artigo da Nature em 2003. O alemão que dividia o alojamento com a gente logo que chegamos ao Hawaii no início do mês estava estagiando nesse laboratório e mostrou uns gráficos fascinantes de dinâmica sonora subaquática desses animais correlacionados com o formato do corpo do animal – e mais que isso ele não explicou.

Golfinho do cercadinho

Os visitantes e o golfinho nariz-de-garrafa. Sou a de azul na ponta. A treinadora é a de chapeuzinho ao meu lado.

Fato é que num sábado de 2003 eu conheci o cercadinho. Fizemos uma visita guiada pela treinadora e alimentadora dos bichos e por um antigo estudante de PhD, amigo nosso. E as fotos resultantes desta visita são as que ilustram este post. Aprendemos como interagir com um golfinho-nariz-de-garrafa minimizando stress. Mas o mais interessante que achei na visita foi ver uma outra espécie de golfinho, chamada baleia-assassina-falsa (false killer whale, em inglês, Pseudorca crassidens).

False killer whale e sunscreen

Pseudorca crassidens de protetor solar.

A Pseudorca realmente não se assemelhava muito com o golfinho tradicional que conhecemos – mas é um tipo de golfinho, e não uma baleia como o nome sugere. No meio de tantas considerações biológicas que a treinadora falava, entretanto, o que achei mais intrigante é que ela estava com uma pasta branca no dorso (as costas do bicho). Curiosidade falou mais alto e perguntei o que era aquilo. “Bloqueador solar fator máximo”, respondeu a treinadora. Pois é, meus amigos, este golfinho, por ser escuro e não mergulhar muito fundo em cativeiro, estava sendo exposto mais fortemente aos raios do sol, e a saída que os pesquisadores tiveram para ele não ficar “queimado” (sempre achei queimar na água uma expressão engraçada…) foi passar protetor nele. Todo dia de manhã, a treinadora explicou, alguém entrava no cercadinho e realizava essa tarefa pro animal não se machucar – e que tarefa, por que a Pseudorca tem uns dentes consideráveis e não é dos animais mais amigáveis…

Não sei se a Pseudorca ainda está no cercadinho. Os golfinhos nariz-de-garrafa estão, como pude ver outro dia. Ainda muito animados e pulantes. Espero em breve ter a oportunidade de revê-los de pertinho. 🙂

Tudo de bom sempre. E valeu Kaká pela curiosidade! 🙂

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* Para viajar mais…

– Em nota correlata, soube pelo Edu que golfinhos fizeram a festa no Rio dia desses. Que fofo, não? Uma pena entretanto que quando a mesma aparição envolve tubarões, os headlines sejam tão diferentes…

– E falando em tubarões, eu nem vou delongar sobre servirem cação para milhares de pessoas na CParty2009, como me contou via twitter meu amigo Da Silva. A meu ver, mais anti-ecoconsciente (num evento que se dizia “verde”), impossível – e se há “culpa” nessa história, por desconhecimento do problema ou por questões financeiras, é de quem bolou o menu, a meu ver. Ao pessoal que organizou o Campus Verde ou aos responsáveis pelo menu do evento, fica uma dica especial de leitura sobre o assunto que escrevi há alguns meses.

– OFF-TOPIC: Pedro Doria lançou o agregador As Últimas, uma versão tupiniquim em construção do famoso (e que eu adoro!) Alltop. Uma ótima dica para começar o dia.

  • R. Paschoal

    Sempre tive uma enorme vontade de ver um golfinho de perto. Esse é, talvez, o único animal marinho que eu simpatizo.
    E com relação ao show que eles deram aqui no Rio, foi espetacular! Eram muitos, mesmo, saltitando alegremente na Barra da Tijuca.

  • R. Paschoal, eu imagino!! Naquele cenário lindo da Cidade Maravilhosa, golfinhos para emoldurar. Deve ter sido maravilhoso!
    E seja bem-vindo ao blog. Sinta-se à vontade para visitar o qto quiser por aqui. A casa é dos de bom coração. 🙂

  • Priscilla

    Que gracinha paresse que até é de mentira adorei….

  • mda

    não ajudou em nada na pesquisa da escola

  • Ana Carolina Monteiro Araújo

    adorei muito o golfinho nariz de garrafa adorava conhecelo e muito giro….quando for gtrande quero ser treinadora de golfinhos……..

  • evelyn

    acho q nenhum destes comentarios é esatamente oque se deve diser!!!
    eles são lindos, mas não são tratados como devem ser !!!acho que não devião ser tratados como prisioneiros ou uma simples atração!!!
    estão sendo vitima de instinção, é impocivel fechar os para tamanha INJUSTIÇA ISSO SEM DUVIDAS INFELISMENTE É OBRA DO HOMEN!!!
    VOU SER VETERINARIA AQUÁTICA sem duvidas vou não só examinar , cuidar ou até curar , mas sim vou tratalos com amor e respeito porque? SÃO SERES VIVOS COMO TODOS NÓS!!!
    OBRIGADO PELA ATENÇÃO , SÃO MARAVILHOSOS!