Se você quando viaja gosta de se misturar com multidões, curtir uma festa de rua para dar muitas risadas e se divertir a esmo no meio de um bando de desconhecidos amalucados, você não pode perder então o Halloween em Honolulu, no Hawaii.

Até então, meus Halloweens americanos sempre tinham sido em Boston, no meio de um frio que já dava seus primeiros respiros. Era a época da cerveja de abóbora (Pumpkin Ale) no Boston Beer Works lá do Fenway Park, uma delícia que eu esperava ansiosamente o ano inteiro. Algumas festinhas e eventos rolavam na noite do Halloween em bares e boates, às vezes uma sessão de cinema de terror à meia-noite; coisas do gênero, mas nada muito carnavalesco. Afinal em Boston o Halloween é por definição uma festa das crianças, que saem às ruas e passeiam pelas casas repetindo incansavelmente “trick or treat”.

Já em Honolulu, o dia das Bruxas tomou uma proporção muito maior, mais adulta e festeira. Não que as crianças não deixem de circular pelas casas; pelo contrário, elas ficam o dia inteiro fazendo isso – e o clima ameno do Havaí permite que elas passem muitas horas pela rua sem as tradicionais preocupações maternas de “vista um casaquinho para não pegar uma pneumonia”. Em meu primeiro ano lá, deixávamos no apartamento um estoque enorme de maçãs para cada criança que aparecia pedindo doces – e como esperado, não éramos uma casa muito popular.

Mas é a vibração dos adultos que faz o Halloween em Honolulu ser diferente. Lembro que muitos alunos iam para a faculdade de manhã cedo já fantasiados, passavam o dia inteiro tendo aulas e mexendo com as pessoas, numa forma de fanfarra que até então nunca tinha visto nos EUA. Quando cai a noite, a gente percebe então a real dimensão do que é o Halloween no Havaí. Porque, afinal, na noite das Bruxas, todos os caminhos levam a Waikiki.

Waikiki é o bairro mais turístico de Honolulu, onde estão os hotéis e lojas chiques. Às 7 da noite as ruas principais já estão com o trânsito fechado para que a multidão de pessoas possa se deslocar sem problemas. E é uma multidão mesmo. Da primeira vez, não sabia de toda essa confusão e fui de salto agulha para uma suposta festa que aconteceria em um hotel na orla – festa fechada com estacionamento, presumi. Que mico. Tive que andar tanto que cheguei na festa descalça, porque já não aguentava os calos e as bolhas no pé. Já no ano seguinte, de tênis confortável, lembro que tivemos que estacionar o carro na altura do Hard Rock Café, que é praticamente o último bar antes de Ala Moana, e andar alguns quilômetros até o centro do burburinho – passa rápido, pois a galera brincalhona não deixa você lembrar que está andando bastante.

Pelas ruas, vê-se de tudo. De crianças com suas roupinhas de fantasma ou bruxa a adultos fantasiados das coisas mais loucas possíveis, com todo o improviso que a ocasião permite – cheguei a ver um turista todo enrolado com papel higiênico, fazendo às vezes de múmia. Aliás, as fantasias mais “improvisadas” são as dos turistas jovens, que vão para lá sem saber que serão pegos numa data tão comemorada, e quando percebem o fato, se viram do jeito que dá para cair na gandaia. O que não dá é pra perder a festa.

Toda a população da ilha de Oahu parece que vai dar uma espiada no movimento e na bagunça que toma conta das ruas de Waikiki – muitos terminam na praia, é claro. Há policiamento, mas bem mais relax que no continente; os policiais sabem que o evento anual é uma festa popular onde as pessoas libertam-se de suas vergonhas e, como num carnaval à americana, se divertem, sem riscos de violência criminosa. A maioria do pessoal vai fantasiado, fazendo performances de acordo com sua vestimenta. Não há trio elétrico nem banda de Ipanema, mas há músicas em hotéis e nos bares, além da alegria das pessoas, turistas e moradores, que é contagiante. Andam pelo calçadão, fazem graça conversando com a famosa estátua do Duke, bebem seus mai-tais e brincam com o aquário de tubarões que é a vitrine da loja da esquina mais movimentada do bairro. Muito legal.

E desde que eu voltei do Hawaii, todo Halloween eu lembro dessa bagunça de Waikiki, muito mais que das crianças pedindo doces e das tão celebradas bruxas de Salem (onde aliás também já passei um Halloween congelante). A inversão divertida e nada aterrorizante que a festa tomou na terra do surfe dá saudade.

Trick or treat e… aloha!

Tudo de booo sempre.

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Às 7 da manhã, na aula de coreano, essa minha amiga de classe já estava à caráter pra festa e no ritmo da brincadeira: vestida de policial, prendeu o professor, que teve que dar aula algemado, para risada geral da turma. Ao lado, um ser fantasiado de soldado Vader. Havia outros soldados do espaço, e eles andavam muitas vezes em fila performática.

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A festa ainda é delas também: uma criança vestida de bruxinha nas ruas de Waikiki. Ao lado, um turista improvisando fantasia e dando sustos na galera de trás de seu “poste”.

*Publicado também no Goitacá.

  • Ari

    Se um dia eu tiver dinheiro ainda
    vou visitar honolulu

  • O Halloween por ai parece ser divertidissimo

  • É uma delícia, Oscar!! A maior bagunça. É sem dúvida a melhor época pra se visitar – se vc curte crowds. 🙂