Quando encontro alguns amigos meus pelo Brasil afora, a primeira pergunta que fazem depois do básico “Tudo bem?” é: “Onde você está agora?” De brincadeira, respondo que estou no Brasil (cidade X) conversando com a pessoa que me pergunta. Mas obviamente, sei que a questão engloba uma curiosidade muito maior sobre o que estou fazendo da vida, e principalmente onde estou morando, onde é minha “base”. Sim, porque todos sabem que adoro uma andarilhação.

(Alguns amigos sugerem que não ficarão surpresos no dia em que eu enviar um e-mail dizendo que estou morando na Antárctica, em Saturno – afinal, sou apaixonada por anéis – ou mesmo em outra galáxia! Veja bem: considero isso um elogio, não duvido das faculdades mentais de nenhum deles, pelo contrário, admiro-os cada vez mais.)

E inevitavelmente nessas conversas o conceito de distância vem à tona, como consequência natural.

Sempre tive uma resistência a considerar algum lugar “longe”. Pode ser sentimentaloidismo barato, mas aquela frase-título do livro do Richard Bach sempre ronda minha cabecinha: “Longe é um lugar que não existe.” Consequentemente, tudo é perto. Está ao alcance do seu desejo ou da sua vontade profunda. E passa a ser uma questão de atitude, muito mais que recursos.

É claro, existe uma necessidade logística em avaliar distância. Quanto tempo gasta-se para ir de ponto X a ponto Y? Vai-se de carro, a pé ou só de avião? Quanto custa essa viagem? Existem meios para torná-la mais econômica em todos os sentidos? Após toda essa investigação quase científica, toma-se uma decisão: ir ou não ir. Mas a distância física em si, o valor em km ou milhas, não chega nunca a fazer uma influência na minha pessoa. E a decisão é quase sempre IR.

Longe é um lugar que não existe.

Já viajei de carona, ou a bordo de empreitadas pra lá de esdrúxulas, no mais radical sentido da palavra mochilar. Também já participei de excursões/grupos de viagem com terceira idade, quarta idade, aborrescentes e com crianças pra diferentes lugares – e me diverti e aprendi com todos eles. Viajei muito sozinha, na maior parte das vezes, tomando as próprias decisões sobre ir aqui ou ali, e aprendendo principalmente com os erros. Mas nunca refutando um lugar porque era “longe”. Porque tudo depende do seu objetivo: os meios para alcançá-lo não podem ser um obstáculo generalizado.

(Parênteses: Você sabe que distância não é um problema quando você: 1) Na infância, toda vez que seus pais, tios ou vizinhos falavam que iam para um lugar, você era a primeira a abrir a primeira gaveta que estivesse na frente, enfiar as roupas dentro de uma sacola de mercado e entrar no carro/ônibus, já imaginando os amiguinhos novos para “brincar” no novo lugar; 2) Na adolescência, você não perde uma única oportunidade de viajar com os amigos da escola, seja pra um sítio no fim do mundo ou pra cidade vizinha num “retiro espiritual” do colégio, sem falar das viagens pra casa de parentes em outros estados, who cares?; 3) Na faculdade, seu passatempo predileto nos fins-de-semana é ir pra rodoviária da cidade e ver com o pouco dinheiro que tem no bolso pra que lugar é possível comprar uma passagem de ida e volta e comer um sanduíche – e eu perdi as contas de quantas vezes fiz tudo isso. Mas como resultado de todas essas “viagens malucas”, conheci inúmeras cidadezinhas do interior do Brasil, plantação de rosas e fazendas de cavalo, igrejas e monumentos desconhecidos, e me tornei amiga de pessoas maravilhosas em todos os lugares. E carrego essa filosofia comigo. Fim do parênteses.)

Distância é um número absoluto numa unidade qualquer inventada por humanos. A maior distância entretanto, é relativa: é medida entre a sua vontade de ir e a sua logística comodista – ou o medo da aventura, dependendo do caso. O sonho da viagem deve existir acima de tudo.

Hoje em dia, comodamente, temos a Internet, essa ferramenta que nos permite virtualmente viajar e nos aventurar por todos os lugares possíveis e imagináveis, num clique de mouse. Claro, não substitui a ida física aos diferentes lugares, mas ajuda na logística e no planejamento, e principalmente, te leva para lugares onde você efetivamente não pode ir ainda, como no topo do Everest ou nas novas galáxias descobertas. Sou da geração pré-internet, e tive que me adaptar ao conceito da rede nesse novo mundo, usando-o para meu benefício. Mas uma vez assimilado o conceito, aprendido como funciona, hoje posso afirmar que a rede é meu lugar número 01 de viagens: é na internet que meus sonhos vem se construindo pra novas viagens reais.

Mas todo essa divagação sem sentido sobre distância (que na física é um vetor com sentido! Faz sentido isso?) é apenas para dizer que nunca pude me sentir tão perto de minha mãe num dia das mães como esse: enquanto toda essa viagem na maionese foi sendo lançada na forma de texto por algumas horas consecutivas, eu conversava com ela pelo Yahoo messenger (com camera e voz), sobre a rotina nossa de cada dia, como se estivesse eu lá, no sofá da sala em Vila Velha, ao lado dela. E não estou perto mesmo todos os dias?

Feliz dia das mães para todas as mães que embarcam nessa viagem virtual com seus filhos, e podem curtir melhor a vida nesse mundo moderno, onde longe realmente é um conceito que não existe.

Tudo de bom sempre.