Aproveitando esses dias nostálgicos/saudosos próximos ao Natal, decidi prestar uma homenagem à minha querida Vila Velha (ES). Cidade onde fui criança e aborrescente, e onde até hoje encontro meu “cantinho” no Brasil. Nasci no Rio de Janeiro, mas sou de Vila Velha…

Sou do tempo em que Vila Velha não tinha nem calçamento na rua da praia, que dirá calçadão. Chegar a Vitória era uma aventura, e nunca íamos à capital a não ser por razões de emergência vital. Era apenas uma cidade-dormitório de Vitória. A Vila Velha da minha infância era pequena, cidade praiana com mentalidade de interior, poucos moradores, e todo mundo estudava no Colégio Marista, no São José ou no Pingo de Gente. Eu estudei no Marista, por toda a minha vida. A base de minha educação foi lá, naqueles corredores enormes, naquele prédio de arquitetura rococó (?) mal-feita, com professores de quem guardo boas lembranças. E quando matávamos aula na escola, íamos para a praia, ver a galerinha surfar e tomar uns caldos nas (pequenas) ondas da Praia da Costa. Teve a época do violão na praia, já adolescente, quando idolatrávamos o Legião Urbana e a banda Soldados do Acaso (só amigos que tocavam nela), e quando jogávamos todas as tardes um vôlei de praia sagrado, em times de quanto-mais-gente-mais-divertido pra cada lado. Verões inesquecíveis de intensa qualidade de vida. Éramos muito felizes e não sabíamos.

Praia da Costa, Vila Velha

Praia da Costa com Morro do Moreno ao fundo, foto tirada em 2003.

Mas Vila Velha, como toda cidade praiana, um dia despontou no horizonte visionário de algum empreeiteiro, que viu ali um futuro promissor de turismo. E começaram-se as obras. Lembro de um período em que definia minha casa como “um prédio antigo cercado de construções de prédios novos por todos os lados”. Vivíamos numa ilha naquele mar de ferros, tijolos, areia e concreto sendo descarregado diariamente para os terrenos vizinhos. Hoje, Vila Velha parece até uma mini-Santos, com um paredão de prédios altos na orla, e poucas são as frestas por onde os habitantes do “centro da cidade” podem respirar a brisa do mar.

Gosto muito de Vila Velha, mas não poupo também duras críticas, principalmente ao crescimento desordenado que aconteceu e gerou poluição, trânsito e lixo. Ultimamente, a violência também vem despontando como um problemão por aquelas bandas. E mesmo sendo hoje uma cidade de quase 300,000 habitantes, ainda guarda uma mentalidade interiorana, onde as pessoas parecem todas se conhecer de alguma forma etérea. Será que essa dicotomia é um mal único ou outras cidades enfrentam o mesmo dilema?

Para um visitante forasteiro, a tradicional subida ao Convento da Penha é tudo o que resta a se fazer na cidade – além de passeios a shopping, que francamente, não fazem meu estilo. Hoje vou a Vila Velha para ficar com meus pais, rever alguns (poucos) amigos que ainda estão por lá – a maioria não aguentou a mentalidade bairrista e interiorana e desertou, espalhando-se mundo afora – e curtir o saudosismo de lembrar uma época que não volta, e que deixou saudade.

O nome é auto-explicativo: a Vila que é Velha. Parte do passado. Mas dá uma saudade!

Tudo de bom sempre.

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Alguém por favor me tira dessa onda nostálgica que me invadiu nesses dias!!!!

  • http://www.rotascapixabas.com Tiago dos Reis

    Caramba, Lucia!
    Como eu me identifiquei com o seu desabafo.
    Fico triste com o destino de Vila Velha (e de Vitória também), marcado por muita especulação imobiliária, falta de planejamento e descaso com o passado. Não consigo entender até hoje como essas cidades, que são umas das mais antigas do país, não conseguiram preservar o seu conjunto arquitetônico colonial e se abriram – sem dó nem piedade – para a modernidade fugaz do presente.
    Me aborreço toda vez que vejo a areia da Praia da Costa encoberta pela sombra dos prédios da orla!
    E, se não se importa, queria compartilhar com você dois posts onde eu expresso essas sensações: http://www.rotascapixabas.com/2010/12/07/vila-bela/ e http://www.rotascapixabas.com/2010/05/11/o-centro-da-ilha/.
    Ah… eu sou mineiro. Mas também adotei o ES como terra natal!