Eis que o ótimo condomínio de blogs ScienceBlogs Brasil completa neste mês 10 anos de existência científica pela blogosfera brasileira. Parece que foi ontem que escrevi um post sobre o nascimento do SBB! Parabéns aos idealizadores e aos blogueiros do condomínio pelos 10 anos de divulgação científica!

Para comemorar, o pessoal do SBB decidiu organizar uma blogagem coletiva (que vintage!) durante o mês de julho/2018, com um tema diferente a cada semana, e convidar quem quiser a participar. E nesta primeira semana de aniversário, o tema ~provocante~ é…

Os blogs não morreram

Os blogs morreram?

Acho que a primeira vez que li a frase “os blogs morreram” foi em 2005, na época áurea dos blogs, e ironicamente em um blog. Aponto isso apenas para dizer que desde sempre se matam os blogs – e parece que os blogs, feito highlanders, continuam de alguma forma existindo… 😀

(E basta dar uma olhada na página da ABBV – cujo layout novo está lindão – para vermos que o universo da blogosfera, pelo menos a de viagem, continua firme e forte.)

De qualquer forma, também é inegável que os blogs se modificaram bastante. Ainda em 2012, lembro de discutir aqui no blog sobre como a era dos “blogs que são conversações” já respirava com a ajuda de aparelhos. Afinal, já não se conversava tanto e uma incômoda sensação de se falar sozinho foi tomando conta de muitos blogueiros. (Mas não desta blogueira que vos fala que mesmo na vida real, como filha única, sempre falou muito sozinha, organizando pensamentos. Até aí, falar sozinho através da escrita… nada de novo no front.)

Se antes os blogs tinham um pesado componente de diário pessoal associado à possibilidade de diálogo na caixa de comentários, hoje sinto que se tornaram prioritariamente um depósito de conteúdo mais elaborado, que não cabe (ou não se quer caber) nas redes sociais. Mas nesta transição de diário para depósito, interessantemente acredito que a ferramenta blog se valorizou – é, eu não consigo ser pessimista com o futuro dos blogs. Mas se valorizou como?

Primeiramente, pelo fato de que o conteúdo que se guarda se escreve num blog pertence a seu autor e não a uma empresa bilionária do vale do Silício. Isto traz ao blogueiro uma autonomia intrínseca que é libertária, e que mantém a principal característica que define um blog: é liberdade. A única forma que vejo de matarmos os blogs é quando a empresa WordPress der com as botas. Nesta possibilidade, a blogosfera como conhecemos sofrerá um genocídio. Mas até neste caso, ainda acredito que alguns blogs highlander sobreviverão por estarem desconectados desta plataforma – e o genocídio blogueiro abrirá espaço para outras plataformas de publicação de textos aparecerem ou se ressaltarem. E o ciclo se reinicia.

Segundo, como o blog se distanciou de muitas polêmicas – que se transferiram pros textões do facebook, pros vídeos do youtube e pras imagens do instagram -, a ferramenta de uma certa forma se neutralizou e se tornou o ambiente perfeito para descanso virtual. E eu adoro uma rede para me descansar… #punintended

Portanto, em tempos de overload de informação e um noticiário dominado por negatividade, minha escolha pessoal nas horas vagas da internet é ler blogs, para me distanciar dos gritos polêmicos e da superficialidade que assola as pairagens das mídias sociais. Porque ainda quero ler opiniões e reflexões interessantes e bem argumentadas, sem gritos – e neste quesito, os blogs ainda ganham de todas as demais plataformas, em minha opinião, por oferecerem o espaço e a liberdade necessárias para a elaboração argumentativa.

E é esta liberdade editorial, característica principal da ferramenta blog, que acredito ser o terceiro componente de maior valorização na atualidade. A possibilidade de se falar qualquer tema, de ser espontâneo, de se jogar ideias e levantar questões sem levantar a poeira para toda a sua teia de contatos, apenas para aqueles que desejam ser incitados por estas questões e te acham pelo google… esta liberdade é um alívio em tempos de condomínios fechados. Mostra pelo contrário o quanto os blogs, mesmo que mais caladinhos e muito mais calmos, estão vivos, numa contínua revolução vitoriosa.

Encerro com uma reflexão escrita em 2013, por causa de um bereteio randômico de 2007, quando escrevi neste post:

“A chave da sobrevivência é, como na biologia clássica, mutação. Um blog sofre mutações ao longo do tempo. E muda, seja esteticamente ou filosoficamente ou em seu tom, a cada nuvem radioescritaativa que paira sobre ele. Porque a pessoa que o escreve muda ao longo dos anos. Eu já penso tão diferente em tanta coisa daquela que começou a escrever em 2004… a essência de mim é a mesma, mas há as nuances, e diria que quase todas estas nuances sofreram mutações no processo evolutivo de existência deste blog. Somos alterados diariamente pelo ambiente ao redor, chamados a nos adaptarmos cada vez mais.”

Não escondo que este blog é vintage, como me disse o Riq Freire. Que ainda gosto muito de blogar, da oportunidade de elaborar meus pensamentos e fotos em um espaço onde sou a única editora, desde o início, desde sempre. Que ainda vejo valor no conhecimento compartilhado. Que adoro receber os comentários e emails dos amigos e leitores. Que ainda suspiro quando leio e releio as memórias que os posts trazem. Que sorrio quando percebo quem eu fui e no que me transformei ao longo destes 14 anos escrevendo em blogs.

Continuo vendo apenas mutações e adaptações neste blog biológico-viajante: a escrita que é veículo de compartilhamento de conhecimento e ideias na busca de um processo evolutivo pessoal e profissional – que está sempre acontecendo.

Tudo de bom sempre.

****************************

  • A blogagem coletiva do ScienceBlogs Brasil é voltada à discussão científica. Para quem quiser participar dela, segue a lista de temas de discussão.

Mas se você quiser dar seu pitaco de não-cientista… será mais que bem-vindo! Diversidade de perspectivas, aliás, é parte da liberdade que os blogs permitem. 😉

5 de junho de 2018. Um dia de tristeza e pesar profundos. Dia mundial do meio ambiente, o dia em que a erupção do Kilauea fez uma vítima das mais queridas desta Malla que lhes escreve: as piscinas de maré de Waiopae, no município de Kapoho, ao sul da Big Island.

No quadrado vermelho, as piscinas de maré de Waiopae, para sempre soterradas pela lava.

Às 6:30 da manhã do dia 5, o sobrevôo do USGS confirmou que a lava não só tinha coberto toda a baía de Kapoho (!!!) como também estava entrando no oceano na região dos tidepools de Wai’opae.

A tristeza que esta notícia me deu foi profunda. Sinto no coração como se tivesse morrido subitamente alguém de quem gostava. E eu amava mesmo os corais e peixes do sistema de piscinas de maré de Waiopae. Eram meus prediletos no Havaí, dos mais encantadores que já vi.

A imensidão das piscinas de maré de Waiopae. Em cada piscininha, uma diversidade maravilhosa.

(É engraçado a gente sentir pesar pela “morte” de um lugar. Principalmente se lembrarmos que lugares desaparecem a todo momento, seja por atividades tectônicas naturais, guerras ou por desenvolvimentismo humano. Mas, no fundo, acho que sinto a morte daquele ecossistema particular. Por razões que a própria razão desconhece, a morte dos habitantes marinhos e de seu habitat em Waiopae, sem defesa alguma nem tempo de evacuação perante a lava, me deixa um peso a mais de tristeza. Talvez por sua inocente inevitabilidade.)

Waiopae foi amor ao primeiro snorkel. Ainda lembro do dia em 2013 primeiro visitamos Waiopae, Chegamos ali meio que de sopetão: queríamos ir às Piscinas de Champagne de Kapoho, mas viramos uma esquina errada e nos deparamos com aquele sistema gigantesco de piscinas de maré em rochedos de lava.

Uma “sorridente” piranjica (Kyphosus bigibbus) em sua piscina em Waiopae.

Assim que caímos na água, a enormidade biológica daquelas piscinas de maré com tantos corais lindos e saudáveis e tanto peixinho serelepe ficou clara, e me arrebatou completamente, numa paixão daquelas de sentir borboletas no estômago. Ali, me senti aconchegada, totalmente em conexão com o oceano que nos cerca.

Uma Malla em Waiopae.

Waiopae era um segredo guardado a sete chaves pelos moradores locais, um lugar que poucos visitantes sabiam existir quiçá visitavam, fora do radar do turismo. Das vezes que lá fui, quase ninguém aparecia ao redor, escondida que ficava num bairro menor de uma região rural/de veraneio da Big Island. E a gente podia curtir aquele paraíso único de maneira tranquila – a arrebentação das ondas ficava tão longe que as piscinas praticamente não tinham corrente, servindo portanto de berçário para diversas espécies de peixes. Cada piscina, uma novidade, um pequeno universo de comportamentos e paisagens submersas.

Um wrasse endêmico do Havaí (Labroides phthirophagus) limpando as brânquias de outro peixe, um manini (Acanthurus triostegus). Um comportamento sensacional que observamos por meia hora. O wrasse não saía dali, como lava-jato natural: os maninis chegavam, encostavam e eram limpos. Que delícia.

Fiquei muitas horas boiando nas piscinas naturais, eu encantada pela geologia do fundo, com as diversas quebras de rochas de lava do terreno. Foi em Waiopae que primeiro vi um jovem peixe-cirurgião em sua coloração amarelada. Algumas cenas de snorkel que presenciei ali ainda estão vivas na minha cabeça, cenários inesquecíveis de um recanto aconchegante destas ilhas que amo tanto.

Peixe-cirurgião jovem (Acanthurus olivaceus), de cor amarela – este peixe quando adulto se torna branco.

A beleza espetacular das piscinas de Waiopae era tão impressionante que não passou desapercebida por quem entende. No documentário Chasing Coral, renomados pesquisadores de corais reconheceram ali uma das maiores preciosidades do mundo natural atual. Ameaçadas pelas mudanças climáticas causadas pelo homem, ironicamente sucumbiram por um desastre natural de força maior destrutiva e renovadora, a lava de um vulcão.

Não dá nem pra imaginar a tristeza profunda de quem morava ali, naquelas casas à beira de Waiopae, para quem estas piscinas era seu quintal e parte histórica de suas vidas. 🙁

As cenas aéreas e subaquáticas do filme, assim como as nossas fotos e palavras deste post, servem agora como um réquiem para esta jóia do Pacífico para sempre perdida.

Rest in peace, Wai’opae Tidepools. A tristeza é grande mas a gratidão é maior: obrigada pelas memórias acalentadoras dos incríveis momentos submersos em paz que deixou em nossos corações. 🙁

Uma Malla em Waiopae.

Uma Malla em Waiopae. Meu cantinho predileto do Havaí. Para sempre no coração.

*************************

– Waiopae provavelmente voltará a existir um dia, com corais e peixes e tudo mais. Aventura tectônica que segue, afinal. Será uma paisagem diferente subaquática nascendo, talvez sem piscinas de maré mas com outras possibilidades. O problema: serão décadas, centenas, quiçá milhares de anos para que os corais se recuperem ali. Não estarei por aqui quando o coral se recompuser. Por hora, portanto, fica o sentimento de perda, apesar da certeza científica da renovação.

No último mês, o Havaí vem vivenciando uma tragédia natural das mais impactantes, que tem deixado muitas pessoas em situação emergencial.  Tudo começou no dia  3 de maio de 2018, quando uma fissura no solo abriu em meio ao bairro de Leilani Estates, na região sul da Big Island. Esta fissura começou a expelir lava – uma indicação de que o vulcão Kilauea entrava em erupção mais uma vez.

Desde então, mais outras 22 fissuras (and counting…) abriram no solo, na região geologicamente conhecida como East Rift Zone, que corta o sudeste da Big Island. Cenas inacreditáveis de lava passando por cima de casas, ruas, carros e florestas inundaram a internet, parecidas que eram saídas de um filme de terror. Por onde passa, a lava consome o que encontra pelo caminho e não há muito que se possa fazer exceto sair de perto.

A lava em Leilani Estates. Foto de Andrew Richard Hara.

A erupção também vem acontecendo na cratera de Halemaumau, a principal do Kilauea, visitada por milhões de pessoas anualmente. Como os terremotos ainda são frequentes e as explosões da erupção estavam arremessando pedaços de rocha gigantescos a quilômetros de distância, as autoridades acharam melhor fechar o parque à visitação, por precaução. Afinal, com a força da natureza não se brinca.

Este corredor lindíssimo de árvores fica na costa do Mackenzie State Park, na região de Puna-Pahoa. Muito provável que tenha sido destruído pela passagem da lava. 🙁

Além das tragédias pessoais – que são tristes e duras demais para a gente contabilizar neste blog com o carinho e dignidade que merecem -, o Havaí também tem sofrido em outra frente fundamental à saúde econômica do estado: o turismo. Porque o Parque dos Vulcões e a lava do Kilauea são uma das grandes atrações turísticas do estado. Portanto, esta atividade comercial também tem ficado bastante prejudicada, afetando direta ou indiretamente muita gente que depende do turismo para se manter. Mas será que você deve mesmo cancelar sua viagem ao Havaí por causa da erupção do Kilauea?

Onde a erupção está acontecendo?

No mapa abaixo, organizado pela Secretaria de Turismo do Havaí, temos em laranja a exata localização de onde a lava do Kilauea está neste momento escorrendo.

Erupção do Kilauea - Maio 2018

Como podemos perceber, toda a atividade eruptiva está no canto sudeste da Big Island. Especificamente, na região que conhecemos como Puna-Pahoa, que engloba os bairros de Leilani Estates, Lanipuna Gardens e Kapoho Beach Lots, todos atualmente com lava escorrendo. Também é ali que fica a Puna Geothermal, a usina geotérmica que fornece eletricidade para um pedaço da Big Island – e que atualmente está desligada da rede, por receio de explosão caso a lava alcance seus domínios.

Vale ressaltar que Puna-Pahoa é uma área mais “rural” do Havaí, com casas de veraneio, pequenos sítios e muito verde. Não é uma área muito visitada pela maioria dos turistas pra começo de conversa – o turismo que ocorre ali é mais direcionado, de retiros de yoga e experiências de volunturismo em fazendas sustentáveis. A maior parte dos visitantes da Big Island chega em Hilo e segue direto para Volcano (que fica na montanha) ou Kalapana (na costa), para andar nos campos de lava e ver o Parque Nacional dos Vulcões. Passam batido por Kapoho e Puna.

Se olharmos para o resto do estado no mapa abaixo, temos a dimensão exata do tamanho da área que está sendo consumida por lava fresca, marcada por um quadrado vermelho. Para se ter uma ideia, de Honolulu a Pahoa, a distância é de 364 km em linha reta.

Como frisei para alguns amigos, não dá nem pra ver a fumacinha da erupção em Waikoloa, na própria Big Island, que dirá das demais ilhas. Vida que segue normal e tranquila na maior parte do Havaí.

E a fumaça tóxica?

Quando um vulcão entra em erupção, um dos sinais mais claros é expelir uma nuvem de gases tóxicos na atmosfera. Ácido clorídrico, ácido sulfúrico e pedaços de sílica (conhecidas como “laze“) podem contaminar o ar na área proxima à erupção. Além das cinzas de tanta matéria orgânica e não-orgânica sendo queimada.

Esta nuvem de cinzas com gases tóxicos (principalmente dióxido de enxofre) pode ser carregada por quilômetros pelo vento e afetar áreas mais distantes. Portanto, existe a possibilidade de que você respire gases tóxicos na Big Island.

A lava do Kilauea escorrendo até o oceano. Foto de Andrew Richard Hara.

Felizmente, a direção normal dos ventos no Havaí, os chamados “trade winds“, é nordeste, o que tem contribuído para que esta nuvem tóxica do Kilauea não atinja nenhuma das principais ilhas. Com exceção do sul da Big Island – as regiões de Ka’u, Naalehu e Ocean View – todo o resto das ilhas tem mantido uma qualidade do ar normal. Como esta nuvem tóxica contém laze, que é uma matéria pesada, mesmo que o vento mudasse e empurrasse para as demais ilhas, o laze não conseguiria viajar muito longe, afetando no máximo até Kailua-Kona.

Um pouco da nuvem tóxica, entretanto, consegue chegar a Kailua-Kona. Em tempos normais de erupção mínima (como até antes de maio), Kona já recebia um influxo maior de vog que as demais cidades do Havaí. Agora, com a erupção, o ar pode ficar um pouco mais pesado que o normal. Se você tem problemas respiratórios, deve definitivamente evitar ir a Kona. Mas, se quiser insistir, pode usar uma máscara quando estiver em ambientes muito abertos. Nas demais áreas da ilha, não é necessário usar máscara.

Devo cancelar minha viagem ao Havaí por causa da erupção do Kilauea?

A resposta simples é: NÃO.

A probabilidade de que você será impactado em alguma atividade que decida fazer durante sua viagem ao Havaí por causa da erupção do Kilauea é mínima, praticamente nula. Principalmente se a Big Island não está em seu roteiro. A rotina nas demais ilhas segue normal, incluindo aí os aeroportos. (O aeroporto de Hilo, o mais próximo do Kilauea, continua aberto e operando normalmente, completamente desobstruído das cinzas do vulcão.)

Mas mesmo se você vai visitar a Big Island, também não precisa cancelar sua viagem. Eis minhas sugestões para uma visita a Big Island em tempos de erupção do vulcão Kilauea:

  • Evite a área de Puna-Pahoa. A região está fechada pela Defesa Civil, incluindo aí espaço aéreo. Vários transeuntes já foram multados por tentarem entrar na área para fotografar, com drones e afins. Não seja um destes malas. Não atrapalhe o serviço de emergência que os militares e a Defesa Civil estão organizando para ajudar ao máximo os moradores da região; alguns deles perderam tudo que tinham, e devemos ter compaixão e respeito por esta situação tristérrima.
  • Hospede-se em Waikoloa ou Waimea. Nestas áreas o ar ainda está limpo, sem resquícios da nuvem tóxica do Kilauea. Ambas sempre foram ótimas bases para explorar o lado norte da Big Island, e agora se tornaram as melhores opções.
  • Priorize visitar o norte da Big Island. Apesar do vulcão ser o que mais atrai as pessoas à Big Island, há muito mais a se fazer por lá além do vulcão. Com o Parque dos Vulcões fechado e uma calamidade pública em andamento no sul da ilha, o mais garantido para que você possa aproveitar a ilha é explorar o norte, onde a vida corre normalmente. Quer sugestões? Hapuna Beach, uma das praias mais lindas do Havaí, fica ali. Conhecer em Kapa’au a estátua original do Rei Kamehameha I, unificador das ilhas havaianas, também é uma excelente pedida. Ou subir o Mauna Kea, a maior montanha do mundo. Ou fazer uma trilha no lindíssimo Waipio Valley. A escolha é de vocês.
  • Não aceite fazer passeios em terra para ver a lava. Todas as caminhadas na região da lava estão canceladas no momento por ordem da Defesa Civil. Se alguém lhe oferecer para levá-lo até uma das fissuras por onde a lava brota, desconfie.
  • O passeio de barco é a única opção para ver a lava no momento. Como desde o dia 20 de maio a lava está entrando vagarosamente no oceano perto do Mackenzie State Park, o passeio de barco se tornou a única opção plausível de se fazer na região do vulcão. A Guarda Costeira impôs limites mais rígidos de distância da lava, mas ainda assim dá pra ver com tranquilidade. Os tours acontecem todos os dias organizados pela Lava Ocean Tours e estão agora saindo do píer de Hilo.

É isso. Deixo aqui meu desejo de muita força e suporte ao pessoal de Puna-Pahoa nesse momento tão trágico.

E tudo de bom sempre.

************************

Para viajar mais:

  • O instagram do Andrew Richard Hara (@andrewrichardhara) é o que tem as melhores fotos da lava no momento. Ele tem autorização oficial das autoridades para registrar os danos da lava. Algumas das fotos deste post vieram de seu instagram. 
  • Para atualizações diárias sobre a erupção do Kilauea em 2018, veja o site do USGS.
  • No momento, não há previsão alguma de quando a erupção pode cessar.

Eis uma verdade viajante: o Havaí não combina com chuva.

O que fazer num dia de chuva no Havaí

O estado tem algumas das praias e paisagens naturais mais lindas do planeta, que são anos-luz melhor aproveitadas em dias ensolarados, ou no máximo nublados. O Havaí é solar.

De modo que, quando chove, rola uma melancolia viajante no meu coraçãozinho malla: o visitante não está vendo o Havaí direito, com aquele sol maravilhoso que energiza a paisagem local.

Mas nem sempre São Pedro colabora com a sua viagem. Principalmente se você vem aqui entre dezembro e março, a temporada de chuvas, quando as chances aumentam de que você pegará pelo menos um diazinho molhado. É claro que você pode ainda ir à praia ou surfar, mas… não é a mesma coisa que com sol, né?

Nestes dias de chuva, ao invés de se trancar no hotel, há outras opções interessantes a ser fazer. Deixo aqui minha sugestão de alguns passeios e atividades que já fiz em dias chuvosos em Oahu e que funcionam bem. (E alguns podem ser adaptados para outras ilhas também.)

Visita a museus

Em Oahu, há pelo menos 4 museus que considero excelentes. A maioria deles não é visitada pelo “viajante médio”, que quando chega aqui só quer saber de praia e cachoeira. Mas estes museus são pequenas jóias do estado, que mostram detalhes da cultura havaiana por uma perspectiva bastante diversificada. E que enriquecem bastante qualquer visita ao Havaí.

No Honolulu Museum of Art, você tem a chance de apreciar uma coleção incrível de arte dos países que contornam o Pacífico. A coleção de arte japonesa é espetacular, e minha favorita é a galeria polinésia. O museu é apelidado de “portal do Pacífico”, pela sua importância para a arte da região e pelo tamanho de seu acervo. O prédio do museu é uma fofura à parte, delicioso, cheio de pequenos courtyards temáticos. Vale muito a visita.

Já contei aqui sobre minha visita ao Hawaii State Art Museum, em downtown Honolulu. O museu enfoca a arte moderna e contemporânea havaiana, com artistas havaianos ou aqueles que escolheram o Havaí como residência – se “havaianaram” como dizemos aqui. As peças são muito interessantes, para confrontar com uma outra perspectiva de se viver aqui, no meio do mar.

O museu de ciências da cidade é o Bishop Museum. Mas ele não é um museu só de ciências – engloba artefatos da cultura e costumes havaianos, principalmente dos navegadores ancestrais, e vários deles feitos com dentes de tubarão. Está lá em exposição também a prancha original de madeira que pertencia ao pai do surfe, Duke Kahanamoku.

O Bishop também tem um planetário que mostra como os antigos polinésios se guiavam pelas estrelas para navegar. Uma parte legal é a de volcanologia, em que uma voluntária ensina às crianças a “fazer lava” – quentona mesmo. Muito bacana. É um museu ideal para crianças.

Um museu histórico que considero essencial – mas que poucos turistas vão – é o Palácio ‘Iolani. É o único palácio nos EUA que teve reis e rainhas de verdade governando, na época em que o Havaí era um reino. No palácio, podemos ver as jóias da coroa assim como os diversos ambientes pelo qual a família real circulava e fazia festas. E o mais incrível: o ‘Iolani foi o primeiro prédio oficial dos EUA a ter luz elétrica, antes mesmo da Casa Branca. Isto porque o príncipe da época era muito chegado à tecnologia, e assim que soube que tinham inventado a eletricidade, tratou de pedir para instalar ali no palácio – e ainda se encontra em exposição a lâmpada utilizada no primeiro ambiente iluminado. Incrível.

Show de hula no Ala Moana Mall

A maior parte dos shows de hula acontecem ao ar livre ou em luaus. Entretanto, de segunda à sábado às 13h da tarde, acontece um show gratuito de hula no Ala Moana Mall, com uma apresentação de um grupo de hula local.

O show é muito bem feito, e considero até mais autêntico que alguns que vemos por aí em Waikiki ou em alguns luaus. E como o Ala Moana Mall é aberto, nem parece que você está num shopping center – a iluminação natural (mas com cobertura contra a chuva) dá a sensação de estarmos vendo um show de rua. Não perca – até se não estiver chovendo, vale a pena tirar um diazinho para ver este show.

Compras no Havaí

Eu não sou muito fã de compras em viagens, mas para quem vem querendo pelo menos fazer umas comprinhas “básicas” nos EUA, o Havaí oferece uma boa vantagem: a taxa de compras de apenas 4.6% em Oahu e 4.1% nas demais ilhas.

Enquanto NY, Califórnia e Flórida têm preços e outlets melhores – mas com uma taxa elevada – o Havaí em geral é um pouco mais caro, mas com um imposto sobre compras bem mais razoável. O que torna o destino ideal para comprar produtos que sabemos serem caros e tabelados, como eletrônicos (*Apple*) e boa parte das marcas de griffe. Além do Ala Moana Mall e outros shoppings pela ilha (Pearlridge, Windward Mall, Kahala Mall, etc.), em Waikiki há diversas galerias cobertas.

Ou você pode aproveitar o dia de chuva e comprar os presentinhos para levar pros parentes, as lembrancinhas de viagem, “aquela” prancha de surfe… 😉

Tour gastronômico

O Havaí tem se tornado um destino culinário dos mais interessantes da região pacífica. Cada dia, aparece um novo restaurante ótimo, de modo que fica até difícil estar por dentro de tanta novidade. Já dei diversas dicas de restaurantes aqui no blog, portanto escolha alguns destes para curtir uma refeição mais calma e prazeirosa. Aproveite a chuva para se deliciar com a nova gastronomia havaiana.

Ou, se quiser algo mais organizado, a Hawaii Food Tours faz um tour chamado “Hole-in-the-wall” que acha os melhores points de comidas e bebidas da cidade, explicando detalhes dos sabores mais tradicionais das ilhas.

Dirigir pela H3

De todas as atividades de chuva, acho que esta é a mais sensacional – e minha predileta. A rodovia H3 corta as fantásticas montanhas Ko’olau. Se você fizer o trajeto no sentido Kaneohe-Pearl Harbor em dia de chuva, vai ver ao redor da estrada na subida da montanha um verdadeiro espetáculo natural: uma infinidade de cachoeiras temporárias altíssimas, que a chuva faz aparecer. E quanto mais forte a chuva, melhor!

É uma cena inacreditável de linda. Daquelas que parecem saída de um filme. Me lembra a profusão de cachoeiras da saída do túnel do Milford Sound.

(Dica: o carro não pode parar na H3, pois é uma rodovia de alta velocidade. Uma opção é dirigir um pouco mais devagar para apreciar. Mas a melhor opção é, em Kaneohe, entrar no bairro que fica logo abaixo da H3.)

E ver cachoeiras temporárias, aliás, é uma dica que vale para qualquer ilha havaiana, já que em todas elas há montanhas bem escarpadas que podem formar estas cachoeiras num dia de chuva.

E o que NÃO fazer no Havaí na chuva

Não vá andar muito perto da lava do Kilauea, na Big Island, na chuva. A água que cai do céu em contato com o calor da lava faz com que sejam liberados no ar uma quantidade perigosa de gases tóxicos, inclusive ácido sulfúrico.

Não chegue perto em dia de chuva.

As nuvens formadas durante a chuva não estão apenas no ar, podem sair do solo – resultado da percolação da chuva por onde a lava subterrânea está passando. Estas nuvens podem ser gigantescas e, dependendo da força do vento, podem englobar rapidamente uma pessoa mesmo que não se esteja tão perto. Respirar este gás pode matar uma pessoa. Evite ao máximo esta roubada.

********************

E não esquecer: depois da chuva, vem o arco-íris. 🙂

Tudo de Havaí sempre.

A semana começou com a boa notícia que recebi via twitter de que o Brasil havia ampliado consideravelmente seu quinhão de reservas marinhas. Incluiria nesta nova área de conservação os rochedos do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) e as Ilhas de Trindade e Martim Vaz. Merecidamente: ambos os pontos precisam desta proteção pra ontem. E o Brasil passaria a ser exemplo mundial na proteção dos oceanos, com uma incrível extensão de 92 milhões de hectares do Atlântico protegidos. Sairia de míseros 1.5% de área marinha protegida para incríveis 25%, o que é acima da meta global de 10% do mar preservado. Seria o alívio para dezenas de espécies ameaçadas pela pesca predatória.

Sexta Sub - da alegria à tristeza no Arquipélago de São Pedro e São Paulo

Mas aí… claro que a boa notícia que encheu meu coraçãozinho marinho de alegria não demorou muito a ganhar tons cinzentos de tristeza e decepção. Porque o governo federal brasileiro resolveu, no último minuto, na hora de fechar os finalmentes, redesenhar os limites destas áreas de preservação – provavelmente pela pressão da indústria pesqueira. Este redesenho acarretou que, nas proximidades do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, boa parte do mar ao norte esteja aberto às atividades extrativistas de pesca, com um pedaço pequeno apenas sob proteção.

Entendo que “alguma preservação” é melhor que “nenhuma preservação” – pelo menos um pedaço do Arquipélago está agora protegido. Mas… fica um gosto agridoce na boca, aquela sensação do que queria ser e não foi, de que a decisão do governo poderia ser mais ambiciosa. Colocaria o país num outro patamar de defesa do ambiente, dentre as nações que estão liderando a conservação marinha.

Para o ambientalismo brasileiro, eu acho que foi uma pequena derrota – mais uma dentre tantas já acumuladas nos últimos anos. Uma tristeza, enfim.

Tudo de mar sempre.

 

 

Um dos meus sonhos da vida era conhecer o Sossusvlei, no deserto da Namíbia. Dentro deste sonho, entretanto, havia duas maneiras de se conhecer esta beldade natural do nosso planeta: por terra e do ar.

Passeio de balão no Sossusvlei

Balão no Sossusvlei: um sonho realizado.

Para vê-lo do ar, meu plano incluía fazer o passeio de balão para ver as dunas laranjas e rosas do Sossusvlei de cima. De modo que foi o primeiro passeio que marquei quando decidimos visitar a Namíbia em julho do ano passado.

(Mal sabia eu que veria estas cores de novo no final da viagem, em um vôo mais que emocionante…)

O passeio é oferecido pela Namib Sky Balloon Safaris e não é barato. O valor inclui o trajeto de balão e um café da manhã 5 estrelas no meio do deserto da Namíbia. Paga também todo o aparato de segurança aos clientes e suporte aos funcionários da empresa na região. A experiência, entretanto, vale cada centavo pago.

Hotel Le Mirage, nosso ponto de partida para o passeio de balão.

Nosso ponto de encontro para o passeio de balão foi o Le Mirage. Chegamos lá às 5:30 da manhã – o que nos fez sair às 4:30 do nosso hotel, o Elegant Desert Lodge, e dirigir no meio da madrugada até lá. A empresa de balonismo nos pegou na vanzinha e levou até o local de decolagem do balão naquele dia, próximo à entrada do Sossusvlei. (O ponto de decolagem muda de acordo com as condições de vento do dia.)

Quando cheguei no local de decolagem ainda de madrugada e vi a enormidade de 3 balões se enchendo de ar quente… comecei a chorar de emoção! Eu estava ali, no Sossusvlei no meio do deserto da Namíbia e ia realizar meu sonho. Não tenho palavras para descrever tal felicidade.

O passeio de balão é feito com o máximo de profissionalismo e sustentabilidade possível. Cada balão cabe 16 pessoas + o piloto. Nosso piloto, um canadense empolgado chamado Ray, era extremamente amigável e competente com o balão. Como o trajeto de um balão é dependente do vento, nunca sabemos para onde exatamente vamos ser levados, o que já é uma emoção em si.

Mas, com o sol nascendo e começando a iluminar aquela paisagem ESPETACULAR do deserto mais antigo do mundo, é impossível que o trajeto seja “ruim”, simplesmente não dá, é beleza natural demais para qualquer lado que você olhe. A infinitude e a exuberância da natureza ali estão à mostra, sem pudor algum.

O nada por 360º, a perder de vista: apenas o deserto te acompanha.

As cores são o maior espetáculo do deserto da Namíbia ao amanhecer. As dunas que de madrugada estão róseas, vão se tornando avermelhadas com o sol que desponta. À medida que o sol se firma, mais as dunas se tornam alaranjadas. Em certos momentos, são tantos tons de rosa-laranja que a gente perde a conta.

E não são só as cores laranjas do deserto. Quando você olha pro céu e pras montanhas ao longe, são mais uma infinidade de tons alaranjados, que com a sombra das montanhas ganham uma textura e uma paleta colorimétrica digna de pintura.

Lá de cima, além dos diversos órixes, vimos também os famosos “fairy circles”. Estas formações circulares na areia foram por muito tempo ditas como “mágicas” ou “coisas do outro mundo”, até que estudos recentes demonstraram que se trata de um cupim que cultiva seu fungo naquele padrão. Os fairy circles foram primeiro caracterizados ali no deserto da Namíbia, mas já foram reportados em outras áreas desérticas do planeta também.

Os fairy circles, vistos do ar. Repare em seu tamanho comparado à estrada.

As montanhas e o deserto.

Depois de ~1 hora no ar passando pelas montanhas e areais, o balão começa o processo de descida. A descida foi tranquila, embora num ponto inesperado (plano C de aterrissagem, de acordo com o guia).

Terminamos a aventura aérea numa área um pouco mais afastada, exatamente em cima do caminhão que carrega o balão – baliza perfeita do piloto. De lá os jipes da empresa nos levaram para o ponto onde iríamos tomar nosso café da manhã no deserto.

Nosso café da manhã no “restaurante” com a vista mais incrível do mundo.

Café da manhã no deserto da Namíbia. Este conjunto de palavras ainda me deixa meio sem ar só de pensar. Foi das experiências mais sensacionais que tive na minha vida viajante, e recomendo sem pestanejar. O cenário é surreal por todos os lados. Mas ainda mais surreal é ter um café 5 estrelas, regado a champanhe, biscoitinhos caseiros, frutas e queijos ao ar livre – naquele ar livre.

A cada garfada, um suspiro. Não me cansava de olhar e sentir cada molécula daquele espaço aberto tão profundamente desejado pela minha mente. Uma sensação de plenitude infinita, que pouquíssimas experiências de viagem me proporcionaram até hoje.

Balões guardados, prontos pra aventura do dia seguinte.

Depois de algumas horas e terminado o café, os balões foram empacotados e as vans nos levaram de volta ao Le Mirage, de onde iríamos continuar nossa aventura do dia pelo Sossusvlei. Entretanto, a máquina de cartão de crédito tinha dado um problema no meio do deserto e tivemos que nos dirigir ao escritório principal da Namib Sky para pagar o passeio. O que foi ótimo, porque conhecemos o angolano Antônio, que trabalha no escritório deles, e a escola primária que a empresa administra para os filhos dos funcionários (e outras crianças da região).

Antônio também nos contou que até aquele momento, havia chovido apenas 3 dias no ano – é um deserto, afinal de contas. E que já havia 7 anos que uma estação de chuvas apropriada não acontecia. A região está numa seca tórrida.

Depois de tudo acertado, agradeci novamente aos guias e ao dono da empresa, que aparecera por acaso ali. Adorei o serviço deles e a experiência inesquecível.

Aquela manhã de julho no Sossusvlei está de volta na minha lista de sonhos – agora como uma memória que um dia, quem sabe, será revivida.

Tudo de Namíbia sempre.

******************

Para viajar mais:

  • A conta da NamibSky no instagram é a minha predileta desde que entrei no insta. As imagens são de babar, pra morrer de vontade de voltar. Amo duas das hashtags que eles usam: #dreamitorliveit e #viewfromtheoffice. Sem dúvida, uma vista privilegiadíssima…
  • Este post (e toda a viagem pela Namíbia) foi patrocinado apenas pela “Bolsa Malla”. 😀

Fim de semana passado tivemos a visita de dois novos amigos músicos de jazz aqui no Havaí, Otmaro e Catina. Otmaro – que é um pianista de primeiríssima categoria – veio para tocar com meu favorito Lee Ritenour no Blue Note e a Catina veio acompanhando. No sábado, aproveitamos para dar um rolê pela ilha e… como tinha baleia jubarte!!!

Sexta Sub - baleia em Oahu

Eu sei, esta é a melhor época para ver baleias no Havaí, isso não é novidade. A novidade é que eu nunca vi tanta atividade de baleia em Oahu – em geral elas ficam toda animadinhas em Maui ou na Big Island. Mas na semana passada, parece que Oahu foi brindada com diversos shows.

Vimos as baleias do Lanai Lookout, do mirante de Makapu’u e até fora de Hanauma Bay tinha uma se exibindo. Incrível demais!

Meus amigos vieram pra um show musical e viram o que este estado oferece de melhor, um show natural. Concorrência peso pesado, nesse caso. 😀

Tudo de sub sempre.

**********************

P.S.: Muitíssimo obrigada, Catina e Otmaro, pelos momentos deliciosos e o papo sensacional com vocês pelas praias da ilha. Agora que aprenderam o caminho da roça… é só voltarem. 🙂

Hoje é dia de Oscars, a maior festa do cinema hollywoodiano que acontece todos os anos.

Oscars 2018

Acompanho esta cerimônia religiosamente desde 1983, quando ainda criança e fascinada pelo pequeno extraterrestre, torci loucamente para “E.T.” ganhar todos os Oscars – era ainda o tempo em que a Academia esnobava Steven Spielberg e o filme clássico infantil levou apenas os chamados “oscars técnicos”. (Levou tempo para Spielberg ganhar algum dos prêmios principais, e se tornar o que é hoje, um dos queridinhos do cinema americano.) E já comentei sobre o Oscar aqui no blog, mas não é prioridade, como vocês bem sabem

E todo ano assisto à cerimônia empolgada pela festa – mas muitas vezes nem tão empolgada com os filmes. Acho que a última vez que um filme me fez torcer muuuuito no Oscars foi com “Boyhood”, do Linklater, em 2015. Este ano, em contrapartida à maioria dos anos, temos uma safra de excelente de filmes, em minha opinião. Meus pitacos são completamente descompromissados, pura diversão anual de quem curte cinema-pipoca.

Dos filmes a que assisti, concorrendo este ano, meu predileto é “Call me by your name”. Estarei hoje torcendo para Timothée Chalamet ganhar o Oscar de melhor ator – embora seja praticamente impossível vencer do gigante Gary Oldman em “Darkest hour”. Entre as atrizes, Frances McDormand de “Three Outdoors Outside Ebbing, Missouri” é favorita disparada, e também torcerei por ela, que é uma das minhas atrizes prediletas sempre.

“Get Out” foi um filme que me surpreendeu – detesto filmes de terror e assisti a este filme sem saber que era um filme de terror. Gostei no final, me impressionou demais. A trilha sonora de “Dunkirk” é a minha favoritérrima, pelo experimentalismo em crescendo que contrasta com a tristeza “em descendo” da guerra. A trilha faz o filme, em minha opinião.

Adoraria que “Loving Vincent” ganhasse em animação – mas acho difícil. O filme é uma pequena obra-prima técnica, com um roteiro bonitinho e tal, mas não deve atrapalhar os planos de “Coco”.

Dos curtas, assisti recentemente a uma sessão no cinema perto de casa com todos os concorrentes a documentário e ficção curta-metragem. Meus favoritos são “Heaven is a Traffic Jam on 405” como documentário curta, e “The Eleven O’Clock” como ficção curta – embora tenha curtido bastante também “The Silent Child”.

Talvez o mais incrível deste ano na minha história pessoal de assistir Oscars, entretanto, seja que eu, que a-m-o documentários (é minha categoria predileta), só tenha assistido a um dos concorrentes, “Last Man in Aleppo” – um filme que me deixou muito chocada e extremamente triste.

É isso. Agora é estourar o milho de pipoca e curtir a festa.

Tudo de cinema sempre.

***************

Postado em 04/03/2018 por em Cinema

Eis que esta é uma semana movimentada para quem acompanha as notícias sobre vida selvagem. Amanhã é o Dia Mundial da Vida Selvagem (também celebrado por este blog em 2017) e na terça-feira passada, dia 26/fevereiro, foi o Dia de Apreciação do Tubarão Galhudo (Carcharhinus plumbeus). Então resolvi juntar tudo numa festa só, e celebrar a vida selvagem dos tubarões-galhudos nesta Sexta Sub.

Sexta Sub - Dia Mundial da Vida Selvagem

E temos algo importante a comemorar. Nesta semana, saiu um estudo feito na costa oeste da Austrália demonstrando que, em uma área que se tornou reserva marinha (com pesca proibida), a população de tubarões-cinzentos-de-recife (Carcharhinus amblyrhynchos, um parente próximo do galhudo) aumentou. A conclusão do estudo fala da possibilidade de um retorno até relativamente rápido de tubarões a um ecossistema uma vez que a área seja preservada. As consequências deste estudo são, portanto, claras: quanto mais reservas marinhas, maior possibilidade de preservação da vida selvagem e dos tubarões – pelo menos de espécies de tubarões mais costeiras.

Parece óbvio, mas a gente precisa sempre testar a hipótese e quantificá-la, para a partir daí conseguir mover a máquina legislativa e política para a criação de reservas. E é a ciência o mecanismo que nos permite testar hipóteses e sedimentar nosso conhecimento, para um resultado mais efetivo para nossa sociedade.

Também me deparei nesta semana com um post do Southern Fried Science muito interessante. A gente cansa de ler sobre os problemas que os tubarões, os oceanos e o meio ambiente em geral vem passando. E são uma realidade dura e cruel. Mas quantas vezes boas notícias ficam soterradas pelo mar de problemas que a mídia nossa de cada dia nos traz? Talvez devêssemos ser mais enfáticos com as boas notícias também.

Tento ao máximo trazer boas notícias sobre os tubarões para este blog, embora seja nítido que as más notícias predominem quando abro o jornal. Mas mesmo as más notícias podem ser analisadas sob uma luz positiva. É mais do que uma questão de ser poliana; é perceber que, se quisermos mudar algo para melhor, a gente precisa se espelhar em bons resultados. Os problemas na conservação aparecerão, mas se a gente entendê-los apenas como um obstáculo nessa corrida pela preservação das espécies mais ameaçadas, talvez o sucesso seja mais garantido. A maratona ainda pode ser vencida. #OceanOptimism 

Ou talvez este pensamento sugira a uma próxima hipótese a ser testada. (Ou pelo menos uma eficiente resolução de ano novo para este blog. 🙂 )

Tudo de vida selvagem – e tubarões galhudos – sempre.

Quando soube que iria para Estocolmo no verão passado para um congresso em minha área de pesquisa, comecei a procurar por hotéis que fossem bem localizados com o sistema de transporte. Logo achei um que ficava praticamente dentro da estação de trem que faz o traslado até o aeroporto, o Hotel C. Mas o melhor deste hotel não era a localização, no central bairro de Vasaplan: ele tem um Ice Bar. Isso mesmo, um bar completamente de gelo dentro do hotel.

Fiquei encantada com tal possibilidade tão escandinava. O que é engraçado, porque eu d-e-t-e-s-t-o frio, mas por razões que nem a própria razão reconhece, a-m-o estas experiências bizarras geladas por um curto intervalo de tempo. Já havia entrado num Ice Bar em São Paulo em 2008, e adorado a experiência. Seria uma boa oportunidade de entrar de novo numa fria, desta vez no contexto correto, em um país polar. 😛  Então reservei o Hotel C. E logo na primeira noite em Estocolmo, depois de andar o dia inteiro pela cidade, fui conferir o Ice Bar.

Siga o alce fake.

O Ice Bar de Estocolmo é parte da rede IceHotel na Suécia, que constrói o famoso hotel de gelo em Jukkasjårvi, a 200 km ao norte do Círculo Polar Ártico – isto sim é entrar numa gelada… o bar é todo feito com blocos de gelo de 1 x 2 x 1 metros que vêm de Jukkasjårvi, e no total o Ice Bar utiliza 40 toneladas de gelo a cada ano. Mas o mais legal é que, a cada ano, um artista diferente elabora e decora o interior do bar – ou seja, todo ano, o “tema” e a decoração do bar mudam.

Em Estocolmo, o Ice Bar se mantém aberto 9 meses do ano: na primavera ele fecha, porque é descongelado completamente, os novos blocos de gelo chegam e o artista do ano começa o processo de reconstrução do Ice Bar. Que reabrirá no final de abril.

Antes de me dirigir ao interior da câmara fria do Ice Bar – mantida a gélidos -5ºC -, paguei minha entrada de SEK 170 (~20 dólares; valor com desconto para hóspedes do Hotel C) e recebi uma vestimenta adequada para a experiência: um casaco-poncho super-grosso, com um capuz poderoso. A entrada dá direito também a um drink no bar, à escolha do freguês – e não tem cerveja no cardápio, que congelaria a esta temperatura; só bebidas mais fortes.

Perguntei ao mocinho da entrada o tempo médio que as pessoas conseguem ficar lá dentro naquela gelada, e ele me respondeu enfaticamente: 20 minutos. Como minha tese de mestrado envolveu estudar os mecanismos de termogênese do tecido adiposo marrom na exposição ao frio, respirei fundo e encarei este “experimento científico” em que eu mesma era a cobaia, imaginando que meu tempo deveria ser metade desta média, dado que sinto muito frio até no Havaí, que dirá em temperaturas árticas.

Ice Bar de EstocolmoDepois de passar pela porta dupla da câmara fria, a constatação óbvia: o IceBar é lindo! O transparente do gelo com a iluminação azulada me deu a sensação de estar nadando num lago – gélido, mas ainda assim dentro d’água. O tema do ano era “River to River” e exaltava a água, este patrimônio tão essencial aos seres vivos.

Dentro das paredes, diferentes figuras que lembravam água, inclusive a própria molécula de água desenhada. Fenomenal!

Mas estava ali com tempo contado, já que o frio espanta rapidamente os clientes – é possivelmente o bar de maior rotatividade do planeta, já que não dá pra ficar nem 1 hora sem padecer de hipotermia. Aproximei-me do bar e pedi ao bartender um drink que achei que tinha tudo a ver comigo: Sunrise, que além de aludir ao sol (do Havaí onde moro), tinha Triple Sec, a bebida predileta dos estudiosos da selenocisteína. #PiadaInternaDoMundoDoSelênio 

Os drinks são servidos em apropriados copos de gelo que depois de utilizados são… derretidos. Isto mesmo, o bartender não precisa lavar louça no Ice Bar. 😀

Puseram água no gelo.

Enquanto o bartender preparava meu drink, puxei um papo. O que ele achava de trabalhar naquele congelador? Ele estava de casaco, mas não parecia ser um casaco muito eficiente. O moço respondeu que além de estar acostumado com o frio, pois era esquiador nas horas vagas, ele saía a cada hora para esquentar um pouco.

(Eis um emprego que jamais poderia ter na vida: bartender do Ice Bar. Deve ser incrível a eficiência do tecido adiposo marrom deste pessoal, nosso órgão responsável por produzir calor…)

Com meu drink na mão, dei umas voltas pelo Ice Bar. As mesas e bancos são de gelo e havia dois corredores/ambientes principais, um deles com um trono de gelo e uma coroa esculpida no gelo. O frio começava a penetrar nos meus ossos, mas quis ser forte: tomei meu drink numa golada e pedi outro. Queria provar a mim mesma que poderia aguentar mais que os 20 minutos médios dentro daquele freezer.

E aguentei. Depois do segundo drink, já com as mãos e pés adormecidos do frio, saí do Ice Bar e olhei no meu celular: foram exatamente 31 minutos naquela friaca. Yes, we can!!!

Repeti a dose quase todas as noites em que estive em Estocolmo, com o maior sorrisão animado.

Uma Malla no Ice Bar. (Quase uma viking do gelo!)

A experiência é única e em minha opinião vale cada batida de queixo. Se estiver em Estocolmo, não deixe de aproveitar esta oportunidade de entrar numa fria de verdade.

Tudo de gelo sempre.

************************

Compre sua passagem aérea para Estocolmo pela Viajanet.

Faça sua reserva de hotel em Estocolmo pelo Booking.

Reserve seu carro alugado em Estocolmo pela RentCars.

Página 1 de 16212345...Última »