2016 foi um ano intenso em diversos sentidos. O ano mais quente da história desde que começaram as medições de temperatura, lançando-nos a todos a um futuro probabilisticamente cada vez mais desequilibrado; o ano em que a situação na Síria degringolou de vez, para desespero de milhões de pessoas que se tornaram refugiadas; o ano em que o conservadorismo deu uma guinada vitoriosa e apavorante, em diversos países. Foi também o ano em que morreram alguns dos meus ídolos artísticos mais queridos, como Naná Vasconcelos, Pierre Boulez, David Bowie e Alan Rickman. Muitas notas tristes, enfim.

Mas nem só de tristezas e preocupações viveu-se 2016. Foi também um ano cheio de momentos bons – convenhamos, no dicionário mallístico, qualquer ano que eu visite Berlim, já é um bom ano por default, né… Pessoalmente, muita intensidade, experiências aventurescas e novos caminhos. Revi amigos de quem a saudade nunca acalma. Ciceroneei o Havaí para outras tantas pessoas sensacionais. Fiz 3 grandes viagens: para o Vietnã/Camboja em janeiro, para a Europa (Suécia/Itália/Alemanha/Áustria/ Suíça/ Liechtenstein) em junho/julho; e para o Brasil em novembro/dezembro, para uma reunião de família histórica no aniversário de 70 anos do meu padrinho. Além de ter realizado um sonho de infância em uma rápida viagem a Montana, quando finalmente conheci o Parque Nacional de Yellowstone. Eventualmente, espero que estas viagens virem posts aqui no blog… #sonharnãocustanada

Para relembrar alguns destes bons momentos, publiquei durante o mês de dezembro no meu facebook diversas fotos representativas dos melhores momentos do meu ano de 2016, sob a tag #2016moments. Para não se perderem naquele buraco negro que é a rede social do tio Zucka, publico-as aqui também, com suas devidas legendas e na ordem em que apareceram no facebook. Funciona como minha retrospectiva bloguística do ano de 2016. Enjoy!

1. #Instradrinks na Casa Sundaycooks! Foto do Fred Marvila, com a Natalie queridíssima – um pit stop lendário em Valinhos da nossa jornada pelo Brasil em novembro… Obrigada ao casal pela tarde deliciosa (e etílica) nota 10!! 🙂

 

2. Show do Jambow Jane, em Riva Del Garda, Itália, revendo e dançando com a trupe dos Prada, numa noitada cheia de rock’n roll e gargalhadas. André e eu somos fãs do som do Jambow Jane desde sempre. Do outro lado do mundo, nos entusiasmamos com o canal no youtube, as aprontações de facebook e outras viagens… Um viva aos Prada! 

 

3. Passeio de bicicleta pela região de Ninh Binh, no norte do Vietnã. Ninh Binh tem a mesma formação geológica de Halong Bay, só que em terra. Um bucolismo incrível, em pedaladas super-relax.

 

4. Blue Note Hawaii Jazz Nights… Desde sua inauguração em Honolulu, o Blue Note Hawaii tem sido nossa diversão musical favorita das noites de Honolulu. Em 2016, meus shows prediletos estão na foto: Stanley Jordan, José James (melhor descoberta musical do ano, sem dúvida), Ravi Coltrane (o filho do homem!), Chick Corea (me emocionei muito quando ele tocou Spain) e Lee Ritenour (outro ídolo de adolescência).

 

5. Mergulho com os amigos no Havaí, organizados pela minha colega de trabalho Nia. As tramóias para estas aventuras subaquáticas acontecerem rolam num grupo de scuba da nossa galerinha. Na foto, mais de 20 amigos, muitos peixes e bolhas, no naufrágio Sea Tiger, em Honolulu mesmo.

 

6. Conhecer o Parque Nacional de Yellowstone foi, sem dúvida, um dos grandes destaques do meu ano. Passei 2 dias inteiros visitando o parque – o que não é, nem de longe, suficiente para uma visita decente. Mas, apesar do pouco tempo, consegui ver vários bisões, ursos, veados, e todas aquelas belezas geotermais pela qual o parque é famoso. Foi simplesmente sensacional.

 

7. Ver, entrar e vivenciar de perto este prédio icônico: o Edifício Kuggen, em Gotemburgo, Suécia. A arquitetura colorida que mais parece um bolo de noiva às avessas é um marco da sustentabilidade. O prédio inteiro foi planejado pensando em eficiência energética, sustentabilidade e afins – e é um dos mais eficientes do planeta. Fiquei hospedada em Gotemburgo pertinho dele, e não me cansei de apreciá-lo todos os dias. Obra-prima da arquitetura verde.

 

8. Amanhecer o ano no templo de Angkor Wat, no Camboja. Passei o réveillon de 2015-2016 dormindo, porque queria acordar cedíssimo no dia 1/janeiro para ver o nascer do sol neste templo que é um patrimônio histórico da humanidade. A multidão era gigantesca, mas valeu cada segundo – ver o céu mudar de cores com o foreground do templo é destas imagens que o cérebro registra e a gente nunca mais se esquece na vida.

 

9. Conhecer e nadar entre os corais de Maragogi e da Costa dos Corais, em Alagoas, Brasil. Amei conhecer a cidadezinha de Maragogi, assim como a Praia do Toque. Mas infelizmente, fiquei triste ao ver que os corais estão quase todos cobertos por muita alga – ou seja, morrendo ou mortos. Pouquíssimos peixes. O cenário paradisíaco terrestre da costa ameniza um pouco a tristeza, assim como a avistagem do peixe-boi – mas não o suficiente. Fico imaginando como deveria ser lindíssima esta região submersa quando ainda viva. Saí de Alagoas um tanto melancólica, para ser sincera. 🙁

 

10. Tomar a cerveja Berliner Weisse no verão em Berlim.

Como disse ali em cima, todo ano em que eu passo pelo menos um diazinho em Berlim, já é um ano sensacional por natureza. Em 2016, este dia foi um domingo de verão, em que o tempo estava maravilhosérrimo, um céu azul lindo, e eu vi a cidade com um colorido que me fazia suspirar a cada passo. Foi a primeira visita do André a Berlim, e foi emocionante contar e mostrar a ele tantas memórias do tempo em que lá morei. As cervejas típicas da cidade, tomadas à beira do Spree, num parque cheio de música e animação… aaaaa!!! Ícones desta passagem, para me matar do coração, de tanto amor por esta cidade!

 

11. Visitar o Messner Mountain Museum, em Firmian, no norte da Itália (perto de Bolzano), foi outro sonho realizado este ano. Como admiradora dos esportes de montanha, a figura do mestre e maior badass das montanhas, o alpinista Reinhold Messner, sempre rondou minhas leituras. Seu museu é na realidade, um complexo de museus – e visitamos apenas um deles, o primeiro estabelecido, que fica em seu castelo e é dedicado a homenagear a cultura montanhista. A visita ao museu, que é cheio de altos e baixos como se estivéssemos “escalando” o mesmo, foi uma experiência sensorial completa sobre montanhismo. Amei.

 

12. Ver em Waimea Bay a rara competição Quiksilver in Memory of Eddie Aikau de Big Wave Surfing, em fevereiro de 2016, foi outro momento incrível do ano.  O campeonato só acontece quando as condições de onda permitem – e a última vez que rolou foi em 2009. O vencedor este ano foi o piaba do North Shore havaiano, o já-lendário John-John Florence, e a foto abaixo é da onda sensacional que deu a ele o campeonato. A vibração da galera na praia e nas encostas, o nível de insanidade que estavam as ondas de mais de 30 pés em Waimea Bay, o céu azulzíssimo… fizeram deste um dos dias mais perfeitos do ano no Havaí. 

 

13. Amigos e parentes visitando a gente no Havaí. Sempre uma delícia, nem precisa explicar por quê, né? 

 

14. …assim como é outra delícia encontrar meus amigos queridos pelo mundo. E nesse quesito, 2016 não decepcionou.  🙂

 

15. Voltar à Veneza. Sempre suspirante… 

 

16. A mega-reunião mega-bagunça de família que fizemos no Brasil foi a melhor lembrança que carregarei comigo deste 2016. Rever tantos primos e tios que há décadas não via, afofar meus pais queridos, comemorar os 70 anos do meu padrinho em Aracaju, dar tantas risadas e reconectar com as matriarcas da família… é como diz a propaganda do cartão de crédito: não tem preço.

17. 2016 também trouxe uma visita inusitada ao templo mais incrível que já vi: Ta Prohm, no Camboja. Os templos do Camboja são todos impressionantes, e nessa terra de fartura templística, escolher um que seja o mais incrível é tarefa complicada. Mas a conjunção de árvores entremeadas às estruturas dos prédios, numa alegoria milenar da natureza que vence o homem, o verde sempre pungente e exuberante… aaaaaaaa!!!! Para pirar qualquer um.

 

18.Participar em setembro do Congresso Mundial de Conservação da IUCN em Honolulu foi outro destaque do ano. Vi de perto ídolos da conservação juntos, pedindo por preservação de um terço de todo o planeta, lutando de maneira efetiva e positiva por um mundo melhor. Experimentei um congresso para >9000 pessoas todo com stands em papelão, sem garrafas plásticas, com reciclagem de absolutamente tudo, comida local e com o mínimo de lixo. Para mim, eterna preocupada com as condições do planeta para gerações futuras – e em muitos momentos atualmente com um quê de pessimismo – a maior lição que tive do congresso foi este profundo otimismo com que estas pessoas maravilhosas demonstraram estar agindo no front da batalha ambiental.

 

19. Apesar de tantas aprontações, e com todos os ups and downs que a rotina nos presenteia, os grandes planos, mapas e esquemas, as melhores risadas e reflexões sempre passam por esta vista, da cidade que eu mais amo no mundo, Honolulu. Afinal, como diz a famosa música da Madonna:

“We have a connection… Home is where the heart should be”. 

 

E que venham novos momentos emocionantes em 2017 para todos nós!

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P.S.: De quebra, ainda compilei uma lista dos meus 10 filmes favoritos vistos neste ano de 2016. Eis os meus escolhidos para quem gosta de brincar de lista (como eu):

10. Gaza Surf Club – documentário sobre surfistas em Gaza, em meio a todos os conflitos. Inspirador.
9. Everybody wants some!! – filme light do Linklater. Diversão na medida certa.
8. O Menino e o Mundo – um dos desenhos mais fofos que já vi. E que música! Quanta delicadeza! 
7. Mon Roi – filme muito realista sobre relacionamentos abusivos. Vincent Cassel absurdamente ótimo em seu papel.
6. Maggie’s Plan – comédia light sobre relacionamentos modernos com bons twists. Amei.
5. Toni Erdmann – um dos grandes filmes do ano, roteiro inovador e cheio de boas pegadas. Merece Oscar.
4. Zootopia – desenho fofíssimo que usa o relacionamento entre animais para questionar estereótipos, atitudes etc. Um banho de criatividade.
3. Before the Flood – documentário do Leonardo Di Caprio sobre mudanças climáticas, meu tema de discussão favorito.
2. Jason Bourne – minha trilogia predileta de ação ganhou um quarto filme. Como não amar?
1. Born to Be Blue – um filme sobre frustração, depressão e persistência, com Ethan Hawke simplesmente arrasando como Chet Baker. A cena final é super-poética. 

Com Herb WeatherwaxHerb Weatherwax foi um veterano do exército americano que sobreviveu ao ataque a Pearl Harbor em 1941. Nos dias de hoje, costumava ficar em Pearl Harbor, contando histórias da guerra, comentando sobre a vida no Havaí antigo, e principalmente distribuindo sorrisos e uma mensagem de paz aos turistas incautos que por ali passam diariamente. Incontáveis vezes o encontrei ali, sempre animado a espalhar seu conhecimento e sua simpatia. Consagrou seu sonho de participar das comemorações dos 75 anos do ataque, que ocorreram na semana passada. Morreu ontem, aos 99 anos. 

R.I.P.

Postado em 14/12/2016 por em Havaí, Oahu

cartaz before the floodNo último domingo ocorreu a premiere mundial do documentário Before the Flood, feito por Leonardo DiCaprio e Fisher Stevens, no canal da National Geographic. Dada a importância e a urgência de agirmos sobre mudanças climáticas, e a necessidade de conscientização urgente para mudanças de atitude globais, o filme já está disponível gratuitamente – recomendo assistirem.

O ator Leonardo DiCaprio é sem dúvida uma das mais influentes ecocelebridades atuais, com um impacto enorme quando fala sobre ambiente. Como fã de filmes sobre mudanças climáticas e meio ambiente, eu não poderia deixar de assistir a este documentário. Quero deixar aqui meus pitacos e sentimentos sobre o filme.

Achei o filme muito bom. Bastante efetivo e didático em mostrar os principais problemas ambientais atuais do mundo. Comenta em linhas gerais todos os “grandes temas” que circundam diariamente quem se interessa por mudanças climáticas: acidificação dos oceanos, campos de tar sands de Alberta e o escoamento deste petróleo, extinção de espécies biológicas e conflitos atuais consequentes de eventos climáticos, degelo e exploração do Ártico, elevação dos mares, poluição na China, o futuro submerso de Miami, entre outros. Navega por estes temas de maneira eficaz, ouvindo cientistas de peso e principais nomes e influências da conservação. Para ser eficaz, Before the Flood é conduzido como uma peregrinação de Leonardo DiCaprio por estes problemas, o que de certa forma, é chover no molhado – outros filmes o fizeram também. Mas, ao imprimir sua jornada pessoal de descoberta do tema, acho que o filme se torna ainda mais… interessante.

Tudo que uma celebridade põe numa tela (seja ela de cinema, de TV ou de celular) é pensado, repensado e tripensado; ninguém pode ser ingênuo de pensar o contrário. DiCaprio sabe disso. E sabendo disso, escolheu conscientemente abrir o jogo para a platéia, mostrando seus questionamentos mais internos, suas dúvidas e incômodos existenciais com sua própria jornada pessoal ambientalista – como se interessou pelo assunto e a que isso o levou (o quadro “O Jardim das Delícias Terrenas” de Bosch e a experiência com The Revenant são sensacionais para conduzir o roteiro). Temos a oportunidade de caminhar com DiCaprio nesta jornada atrás do conhecimento, aprendemos, nos surpreendemos e refletimos juntos. DiCaprio se mostra muitas vezes pessimista, introspecto, com self-doubt sobre seu próprio comportamento consumista, e mostra uma genuína dificuldade em apaziguar a ciência hardcore da climatologia com a realidade tecnológica disponível/possível para resolver problema tão gigantesco. Está ciente de que o tempo está se esgotando, que o momento de agir caso queiramos um planeta saudável pras gerações futuras é agora. Como “personagem”, DiCaprio honestamente quer colocar seu último fio de esperança por um futuro melhor em algum lugar, mas está tendo dificuldades em saber onde.

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(Imagem do flickr da NASA, por Rebecca Roth.)

Agir para desacelerar as mudanças climáticas requer uma mudança muito-muito-muito-muito radical no comportamento humano. Requer que repensemos o modelo econômico que temos, nossa dinâmica de transporte e consumo, que invistamos numa infra-estrutura energética diferente a nível planetário. É absolutamente assustador quando paramos profundamente para pensar nisso.

(Só falar em diminuição do consumo já deixa a maioria das pessoas desconfortáveis, com muita reticência – e vem daí o estado geral de negação que DiCaprio menciona logo no início de Before the Flood, que acontece quando falamos de mudanças climáticas para 99.99% das pessoas. Faz parte da psicologia do ser humano: ninguém quer ouvir que estamos doomed.)

DiCaprio também sabe muito bem as críticas que recebe diariamente, muitas delas vindas do próprio movimento ambiental. Eric Holthaus, um meteorologista que parou de viajar de avião, exemplificou em seu twitter a mais comum delas: DiCaprio não dá o exemplo. Afinal, enquanto prega com seu discurso ambientalista pelos 4 cantos do planeta, ele continua uma celebridade jet setter, viajando de avião, consumindo mais que a média das pessoas, e consequentemente emitindo CO2 a torto e a direito (e quem não está?). Educar seu público sobre este problema urgente e gravíssimo não serviria como boa justificativa para seus atos.

Concordo parcialmente com Holthaus nesta crítica. Sim, atitudes pessoais que tomamos são importantes, e quando vindas de uma celebridade de peso, teriam mais chances de serem propagadas por outras pessoas. Ele poderia terminar o filme com uma promessa pessoal, e usar a si mesmo como exemplo. Mas não seria honesto de sua parte – por não ser realista nesta sociedade que ele e nós vivemos. Realista é a dicotomia tão humana entre a teoria e a prática, que DiCaprio intencionalmente deixa transparecer. O documentário prefere sugerir ações políticas e sociais necessárias (divestment, imposto de carbono, votar em políticos comprometidos com questões ambientais, etc.) para que uma mudança econômica social mais abrangente se faça. Às soluções varejistas de Al Gore adicionamos as ações atacadistas de DiCaprio – na atual urgência, precisamos de ambas. Usando sua jornada de pessimismo-que-gostaria-de-ser-otimismo como pano de fundo, DiCaprio escancara em Before the Flood que o problema somos nós todos, inclusive ele. Porque estamos todos inseridos no mesmo modelo econômico que precisa ser repensado. Nossa forma atual de encarar o mundo e nossa resistência a sair da zona de conforto são o problema. Ninguém está isento desta responsabilidade – e de agir para mudar.

Ao compartilharmos a culpa, interessantemente, abrimos espaço para oportunidades de solução mais balanceadas. Repensar toda nossa existência é tarefa gigantesca e assustadora – daunting. Ao permitir que estas questões existenciais pessoais extravazem para seu público, sem receio de gerar incômo  do, DiCaprio abre as portas para que todos deitemos nesse divã, e comecemos a terapia global necessária perante os dados e fatos científicos, que são claríssimos. A construção dos mecanismos de defesa e de resiliência cultural, inclusivos e pragmáticos, que gerarão soluções duradouras e eficientes, depende de todos nós como sociedade. A solução está em nós todos.

A meu ver, este parece ser o objetivo de Before the Flood: alertar sobre a universalidade do trauma e das soluções que as mudanças climáticas trarão. Todos nós teremos que suportar um período de adaptação brutal nesta batalha psicológica. Afinal, é a existência da espécie humana que está em jogo. Estamos preparados para tal batalha? Como boa poliana e sabendo que desta resposta depende o futuro da nossa espécie, eu gostaria de achar que sim.

Tudo de ambiente sempre.

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“The Garden of Earthly Delights”, pintura tríptica do holandês Hieronymus Bosch, século XV-XVI.

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P.S.: – Este “divã planetário” é um dos maiores desafios identificados pelos grandes grupos de conservação mundiais para agir em relação às mudanças climáticas. Permeou todas as discussões do Congresso Mundial da IUCN que ocorreu em setembro passado, do qual participei.

Uma outra ótima resenha do filme, escrita pelo Rob Hopkins para o Post Carbon Institute.

– Sugestão malla: veja também a discussão conduzida por DiCaprio com o Presidente Obama e a climatologista Katharine Hayhoe, na premiere de Before the Flood na Casa Branca.

Zero CO Tours logo

O “segredo” mais mal-guardado da blogosfera de viagem é a existência da Zero CO Tours, minha empresa de consultoria de viagem e passeios guiados no Havaí.

Como tudo na minha vida, blogueira e offline, o ritmo de estabelecimento desta empresa foi vagaroso: após uma conversa sensacional com a Maryanne, em Sausalito, que me incentivou bastante a começar, fiz os primeiros passeios-testes em 2013, ainda sob o que chamei de “fase piloto”. Em 2014, abri oficialmente a empresa perante o governo estadual (ou seja, consegui o equivalente a um CNPJ), e passei a oferecer passeios customizados para pequenos grupos de até 4 pessoas, em Oahu e nas demais ilhas . Em 2015, fiz o primeiro passeio com um grupo mais numeroso de pessoas – e logo este mercado potencial se tornou realidade. E em 2016, tenho me dedicado com carinho a melhorar ainda mais a experiência de viagem ao Havaí dos que me contactam.

O que significa “Zero CO Tours”?

A Zero CO Tours é a minha novidade blogueira para conhecer o Havaí. O nome surgiu do trocadilho em inglês com a expressão “Zero CO2”, e se refere ao compromisso ambiental com a emissão zero de gás carbônico, um dos principais gases causadores do aquecimento global.  Como bióloga e eterna preocupada com questões ambientais, não poderia deixar de incorporar esta meu engajamento com a sustentabilidade também ao meu modelo pessoal de negócio. Este comprometimento com o ambiente é antigo, desde criança, e os que me conhecem de perto sabem que minha vida hoje em dia gira em torno da preocupação constante com as mudanças climáticas. Em nossos passeios, tudo conta para minimizar o impacto ambiental: comida local, uso de carro elétrico, garrafas reusáveis, compra de crédito de carbono… Cada detalhe é pensado em termos ecoconscientes. Mostrar que com a introdução de pequenas atitudes simples qualquer viagem pode se tornar menos predatória ao ambiente é mais que um benefício; em tempos de mudanças climáticas a todo vapor, é uma necessidade global. É nesse turismo sustentável em que tanto acredito, e que almejo amplificar com meu empreendimento pessoal.

No site da Zero CO Tours, você encontra mais detalhes sobre como funcionam nossos passeios.

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Descubra o seu Havaí pessoal

Considero o Havaí muito mais que uma localização geográfica; é um estado de espírito, um poderoso sentimento de aloha que envolve a gente. A isso chamo carinhosamente de “o Havaí de cada um”. Portanto, meu objetivo é levar o visitante brasileiro a encontrar o seu próprio Havaí, onde seus sonhos tropicais sejam leves e onde ele encontre sua melhor expressão de aloha. Isto pode acontecer em momentos simples, como ao ver pela primeira vez a vista linda do Pali Lookout, ou travestido de lágrimas de emoção ao se deparar com uma tartaruga descansando na praia de Laniakea, ou ainda na contemplação solene de uma visita ao Arizona Memorial em Pearl Harbor. Moro em Oahu há mais de 10 anos, e afirmo que ajudar as pessoas a descobrirem seu próprio Havaí oferecendo um serviço customizado de alta qualidade e sustentável, tem sido incrivelmente gratificante.

Uma operadora de turismo dedicada a viajantes brasileiros no Havaí

Em 2013, pouco mais de 15.000 brasileiros visitaram o Havaí (dados da Secretaria de Turismo do Havaí), e este número não mudou muito desde então. Isto representa menos de 0.3% do total de turistas que vêm ao Havaí. Mesmo os brasileiros sendo o 3º maior grupo de turistas que visitam os Estados Unidos, esta amplitude numérica não chega ao Havaí, muito por causa da distância e do custo da viagem. Sendo o Havaí um destino tão incrível, é quase um dever de qualquer apaixonado pelas ilhas (como eu sou), mostrar aos brasileiros o quanto eles estão perdendo não vindo aqui. 😛 O Havaí tem surfe e tem praias, coisas que os brasileiros amam; tem gastronomia de padrão internacional e vários cenários de filme, que inspiram um romance com final feliz; tem cantinhos escondidos e clima bom, para relaxar e esquecer das preocupações da vida lá fora; tem história e ideias ecoconscientes, para a construção de um futuro melhor; tem um povo maravilhoso que distribui aloha a cada sorriso. É um convite eterno a vir visitá-lo – e se apaixonar por estas ilhas.

Nestes mais de 10 anos de Havaí, meu comprometimento em aprender cada vez mais sobre o local, em entender, discutir, analisar e apreciar os valores das ilhas polinésias com os olhos de uma brasileira foi non-stop – e está espalhado em diversos posts aqui pelo blog. Meu objetivo maior continua sendo promover o Havaí para todos. Portanto, fiquem sossegados: mais posts virão, porque a vontade de compartilhar cada novidade aprendida é infinita. Então, se você quer preparar a sua viagem ao Havaí seguindo as dicas especiais aqui do blog, os posts estão aí, de graça, na página específica sobre Havaí para você aproveitar.

E, para aqueles que querem um planejamento de viagem mais individualizado, de modo a tornar sua visita ao Havaí mais eficiente e inesquecível ao mesmo tempo, ou aqueles que queiram contratar um passeio guiado cheio de boas conversas e sustentabilidade, pode me contactar direto pelo email da Zero CO Tours: contato@zerocotours.com.

Será um prazer enorme ajudá-los a se apaixonar pelo Havaí. 🙂

Aloha!

zero co tours banner

Postado em 11/10/2016 por em Blog, Havaí, Mallices

malla pelo mundo 12 anos

Eis que este blog da Malla pelo mundo entra na pré-adolescência.

12 anos de ~escrivinhação~, ideias, reflexões, viagens, questionamentos, e muita, mas muita mallice. Entrar nos 12 anos talvez signifique começar aquele momento de rebeldia inerente à fase. Mas em termos de blog, isso pode ter um desenrolar mais brando, algo como mais foco. A maturidade aos problemas do mundo que aos poucos surge. (Será?)

Vamos em frente. Como na foto acima, o ritmo é lento, de tartaruga, mas a gente nunca perde a visão da beleza. Há uma placidez inacreditável quando estamos embaixo d’água, e rebeldia blogadolescente alguma vai tirar isso de mim. Aliás, como sociedade, precisamos de mais momentos assim, de conexão com a natureza, vida selvagem e você, num recife de coral inesquecivelmente saudável.

Quem quer embarcar por mais 12 anos nessa viagem, levanta o mouse! 😀

E, aos que até aqui vêm me acompanhando, se conectando a esta esquina virtual cheia de Havaí, de mar, de tubarões e de verdices, meu sempre IMENSO muito obrigada, de coração. Muitas visões de tartarugas lindas pra vocês!

E tudo de ALOHA também!

(Agora vamoquevamo, por mais 12 anos no mínimo, com o azul do mar sem fim!)

 

Postado em 09/10/2016 por em Mallices

agitada IUCN-poster

A semana promete ser agitada, MOVIMENTADÍSSIMA no Havaí. Olha só a lista do que vem por aí:

1) Visita do Presidente Obama

O presidente chega amanhã para participar da cerimônia de abertura do Congresso Mundial do IUCN, na quinta-feira. Obama vai se hospedar em Kailua.

O QUE ISSO SIGNIFICA PRO VISITANTE? O trânsito no centro de Honolulu e em Kailua pode ficar bastante engarrafado, com o fechamento de diversas pistas pro presidente passar.

2) Congresso Mundial do IUCN (International Union for Conservation of Nature)

Um dos maiores congressos de conservação e preservação da natureza que existe. São esperados mais de 10.000 participantes, incluindo diversos dignatários (o príncipe Alberto II de Mônaco estará aqui, por exemplo).

O QUE ISSO SIGNIFICA PRO VISITANTE? Os hotéis já estão lotados e muitos passeios e atividades também esgotadas. Restaurantes em Waikiki e adjacências do Hawaii Convention Center estarão possivelmente entupidos de gente – aos turistas sugiro pensar em alternativas afastadas destas áreas.

3) DOIS furacões vindo em direção ao Havaí (principalmente Big Island)

O furacão Madeline passa amanhã pela Big Island – vem na cola do Obama, como o pessoal tem falado aqui. Já o furacão Lester chega na semana que vem.

O QUE ISSO SIGNIFICA PRO VISITANTE? Como tanto Madeline quanto Lester vão trazer ondas muito altas, e o primeiro ponto onde atingem é o sul da Big Island, é provável que os passeios de barco para ver a lava fiquem prejudicados.

Gente, alguém precisa de mais agitação pra essa semana? O.O

Tudo de Havaí sempre.

PS: By the way, a foto dos golfinhos do cartaz principal da IUCN é do meu fotógrafo predileto, André Seale. <3

Postado em 30/08/2016 por em Havaí, Oahu, Turismo

Hanauma-Bay-16Eis que há uns meses saiu a famosa lista anual do Dr. Beach, um “expert” em praias que as cataloga de acordo com 50 critérios bem diversos e detalhados, como vista/paisagem, qualidade e cor da areia, proibição ao cigarro, vida selvagem, quantidade de lixo, entre outros tantos. E na lista de 2016, HANAUMA BAY, na costa sudeste de Oahu, foi escolhida como a praia mais linda dos EUA.

O que não é tãããão surpresa assim, convenhamos. Para mim, aliás, Hanauma Bay é uma das praias mais lindas do mundo desde sempre, porque é “bela” em diversos aspectos não só naturais, mas de preservação e de gerenciamento. Já havia dito no post de melhores praias do Havaí de 2014:

“Fica determinado por lei universal que qualquer lista digna de respeito das melhores praias do Havaí TEM que constar Hanauma Bay.”

Então a escolha do Dr. Beach apenas corrobora o bom senso, né? 😀

Hanauma-Bay-3A beleza de Hanauma Bay começa com a história geológica de sua formação. A praia fica dentro de uma pequena baía, antiga cratera formada das cinzas de uma das últimas explosões vulcânicas que deu origem à ilha de Oahu, há cerca de 32.000 anos. A cratera era seca, mas com o tempo, a erosão das ondas do mar batendo em um dos lados levou ao colapso desta parte da borda, e o mar “invadiu” – e formou-se então a praia mais linda do mundo.

Quando você chega pela primeira vez em Hanauma e vê a praia de cima, chega dá um arrepio na espinha: a paisagem é única, sensacional. Ainda hoje, depois de perder as contas de quantas vezes estive ali, toda vez que me debruço para ver a praia lá de cima me emociono. Talvez seja a combinação perfeita das coisas que mais amo na vida: a cor da água do mar, a visão dos corais, e uma cratera vulcânica. Meu conceito de paraíso tem que ter estas 3 coisas, e Hanauma Bay com todas elas em um fôlego só, chega muito perto de ser meu paraíso perfeito.

Hanauma-Bay-2

Debaixo d’água, prepare-se para se impressionar mais ainda. A quantidade e diversidade de peixes e recifes de corais que vemos pela baía é inacreditável. Mesmo sendo uma praia visitada por mais de um milhão de pessoas por ano – ou seja, que sofre um impacto diário significativo – a resiliência de Hanauma Bay é palpável, já que a concentração de mais de 400 espécies diferentes de peixes e invertebrados num espaço tão pequeno é rara de se ver mesmo para padrões havaianos. Portanto, minha dica número 1 para quem curte praia e visita o Havaí é: faça o snorkel em Hanauma Bay.

O snorkel é a principal atividade para apreciar Hanauma do jeito que ela merece, embaixo d’água.

Hanauma-Bay-map

Há duas áreas principais para snorkel em Hanauma Bay. A parte interna, mais rasa, onde 99% das pessoas fazem seu snorkel, é onde os corais não estão tão saudáveis – mas mesmo assim, a quantidade e diversidade de peixes é absurdamente linda, e já passei manhãs inteiras só ali, na beiradinha curtindo o movimento deles. Já a parte externa é bem mais funda. Para chegar até ela, existem dois canais, um de cada lado da baía, e só os mais acostumados com snorkel em correnteza costumam se aventurar por ali. Entretanto, são recompensados com corais mais saudáveis e cardumes gigantescos de peixes. É na área externa também que as tartarugas costumam passear. Entretanto, jamais se aventure na parte externa se você não está acostumado com mar e correnteza – dependendo do dia, a corrente puxa demais e você pode entrar em apuros. As áreas das extremidades da baía, chamadas de Toilet Bowl e Witches’ Brew, são inacessíveis ao público, com uma correnteza bem puxada.

Além dos peixes e corais, há outras espécies animais comumente vistas ali. Já vi lulas, tartarugas, ouriços de diversos tamanhos e cores. Tive apenas 2 encontros com um polvo em Hanauma – uma das vezes com meu amigo Gabriel que filmou tudo, outra numa vez que fomos os primeiros a chegar na praia e o polvo estava na beiradinha, nadando tranquilamente. Vi uma baleia jubarte lá de cima do morro, uma vez. Lindo demais.

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Em termos de educação ambiental, minha nota é 10 para Hanauma Bay. A começar pelo vídeo educativo obrigatório que todo visitante tem que assistir antes de entrar na praia. Este vídeo de ~9 minutos mostra a história geológica, biológica, humana e os comportamentos adequados para aproveitar ao máximo a praia sem destruir seu ambiente super-especial. Ali estão regras básicas: jogar o lixo na lixeira, não alimentar nem tocar nos animais, não pisar nos corais, só fazer snorkel se sentir-se confortável com esta atividade, chamar o salva-vidas em caso de problemas, etc. (Uma versão de péssima qualidade audiográfica pode ser vista aqui.)

Por ser uma área de preservação marinha estadual, a baía de Hanauma é a única praia com cobrança de entrada – porque você está entrando num parque marinho. A verba da portaria vai toda para a conservação e manutenção do parque.Hanauma-Bay-10

Embora estadual, o parque é gerenciado pela prefeitura de Honolulu, que é responsável pelos salva-vidas estacionados na praia, pela organização do estacionamento, pelas trilhas, pelos banheiros e limpeza da praia. Já a parte educativa de Hanauma é gerenciada pela Universidade do Havaí, que tem uma pequena galeria com informações sobre a natureza única da baía, além de stands na praia com informações mais específicas sobre as espécies mais comuns vistas ali. Fazem parte das atividades educativas de Hanauma também o ciclo de palestras gratuitas aos domingos na sala de áudio-visual, sempre com temas científicos e/ou da comunidade local, e a coleção online de vídeos do ambiente subaquáticovídeo-podcasts sobre a baía e suas novidades no canal de youtube de Hanauma Bay.

Há ainda a ONG “Friends of Hanauma Bay” que contribui voluntariamente para a educação, se disponibilizando nos stands e na sala do vídeo obrigatório, além de fiscalizar o trabalho que a prefeitura faz, se está na qualidade adequada. E três estabelecimentos comerciais particulares: um stand de aluguel de material para snorkel, uma lojinha de souvenirs, e uma lanchonete perto do estacionamento.

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DICAS DA MALLA PARA HANAUMA BAY

  • Hanauma Bay está na Rodovia Kalanianaole, a cerca de 16km de Waikiki pro lado sudeste. A entrada do parque fica logo depois de Hawaii Kai, no alto da subida da estrada, à direita. De Waikiki, você evita trânsito se seguir o trajeto Diamond Head Road -> Kahala Road -> esquerda na Hunakai St. ->finzinho da H1 (começo da Kalanianaole). Em geral, o caminho pela rodovia H1 parece ser mais simples pelo GPS, mas o trânsito ali pode atravancar.
  • Caso queira ir até Hanauma Bay de transporte público, o mais fácil é pegar o ônibus 22, que passa em Waikiki. A passagem custa US$2,50.
  • A entrada no parque marinho custa US$7,50 por pessoa. Crianças menores de 12 anos, cadeirantes ou moradores do Havaí com carteira de identidade local podem entrar de graça.
  • Hanauma Bay fecha todas as terças-feiras, para que o recife de coral tenha oportunidade de descansar um pouco do stress de tantos visitantes – são mais de um milhão por ano! Também está fechada no dia 25/dezembro e 1/janeiro.
  • Nos demais dias, o parque funciona das 6:00 às 19:00 (verão) ou 18:00 (inverno). Entretanto, o vídeo só começa a passar às 8:00 – então esta é a hora que a maioria das pessoas pode entrar. Mas, como a praia lota muito, aconselho sempre: chegue cedo. Mesmo tendo que encarar um tempo de espera para entrar.
  • O vídeo educativo obrigatório em inglês passa de 15 em 15 minutos, e há traduções disponíveis em japonês, chinês, coreano e havaiano. Depois de assistir ao vídeo, se você tem intenção de voltar à praia dentro de um ano, coloque seu nome na lista de visitantes – assim da próxima vez que você for a Hanauma, não precisará assistir ao vídeo novamente.Hanauma-Bay-17
  • É proibido fumar dentro da área do parque de Hanauma Bay. Fumantes precisam andar até a estrada Kalanianaole para fazê-lo. Também é proibido o consumo de bebida alcóolica em Hanauma Bay.
  • Há stands de aluguel de equipamento de snorkel na praia. O material completo custa US$20.00. Entretanto, você pode economizar levando seu próprio equipamento.
  • guarda-volumes no mesmo stand do snorkel. O aluguel do locker custa US$10,00 por dia. Hanauma Bay é super-segura, sempre que vou deixo minhas coisas na areia e nunca tive problemas, mas se você não se sente tranquilo deixando documentos na areia enquanto aproveita o mar, pode usar o locker. Como diz o ditado: “seguro morreu de velho”.
  • Não deixe de levar toalha, canga, boné e água. Não há muitas áreas de sombra na praia, portanto prepare-se para ficar na maior parte do tempo exposto ao sol.
  • Não há lanchonete na praia. Se você quiser comprar algo pra comer ali, precisa subir o morro e ir até o estacionamento, onde fica a lanchonete. Pode-se levar comida pra praia, e a maioria das pessoas é adepta da famosa “farofada”, trazida de casa. 😀
  • 3 guaritas de salva-vidas em Hanauma Bay: 2 na praia e 1 no alto do penhasco, que tem uma visão geral da baía. Os salva-vidas que ficam ali são extremamente competentes, e estão sempre de olho em todo mundo na água.
  • Não deixe de levar uma câmera subaquática para fotografar embaixo d’água. Embora pareça que a praia já é uma lindeza só, é debaixo d’água que as maravilhas de Hanauma Bay realmente estão.
  • É possível fazer mergulho autônomo em Hanauma. Entretanto, são poucas operadoras que costumam fazê-lo. Se você tem certificação de master dive, pode alugar tanques com seu dupla e mergulhar lá – mas lembre-se que terá que carregar todo o equipamento para a praia por conta própria.

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  • Caso você não queira subir e/ou descer o morro de acesso à praia, há um trolleyzinho que faz o trajeto. Custa US$1.00 pra descer, e US$1.50 para subir.
  • Se você precisar sair do parque para voltar em poucos minutos (por exemplo, para ir a lanchonete), não esqueça de carimbar a mão em um dos quiosques de saída para identificar que você já pagou a entrada e já viu o vídeo. Senão, para entrar de volta, precisará pagar e ver tudo de novo…
  • O canto esquerdo da praia é meu ponto favorito de snorkel. Ali, há um cabeço de coral enorme e sensacional, bem perto da encosta.
  • NÃO PISE NO CORAL, de jeito nenhum, nunca, jamais. O coral parece uma rocha, parece que está morto, mas na realidade está vivo e precisa de proteção, portanto você vai danificá-lo pisando nele. Cansou de nadar ou de fazer snorkel? Pise na parte arenosa do fundo da baía.
  • É proibido alimentar os peixes. Eles têm comida suficiente naturalmente na baía, não precisam de nada extra. Alimentá-los com comida humana aumenta a chance de que eles desenvolvam doenças.

Hanauma-Bay-13MINHAS ESPÉCIES FAVORITAS EM HANAUMA BAY

O snorkel é atividade fundamental em Hanauma Bay. E quando você colocar a máscara e o pé de pato, seja em que profundidade for, vai começar a ver peixes e outros animais de todos os tamanhos e cores – e vários deles que você só encontra ali. Deixo aqui a lista dos meus favoritos.

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  1. Bodião-de-sela (Thalassoma duperrey): este peixe laranja, verde e azul marinho só ocorre no Havaí, e você encontra aos montes em Hanauma Bay, na parte rasa da baía. A maior parte dos indivíduos são fêmeas, e algumas delas mudam de sexo com o passar do tempo – e aparece então uma listra branca atrás da cabeça, indicativa de que o animal agora é macho. Não perca a chance de ver este peixe. Hanauma-Bay-1
  2. Peixes-borboleta (a maioria Chaetodon sp.): há várias espécies diferentes em Hanauma Bay: teardrop, yellow long nose, . Meu favorito é o milletseed (Chaetodon miliaris), que é endêmico do Havaí. Mas as demais espécies, que também ocorrem em outras áreas do Pacífico, são todas tão fofas quanto. Esse casal da foto aí de cima é o threadfin (Chaetodon auriga), também bem comum.Hanauma-Bay-5
  3. Peixe-papagaio: há pelo menos 3 espécies diferentes de peixe-papagaio em Hanauma Bay, mas a minha favorita é a de lábio vermelho (Scarus rubroviolaceus). O nome do peixe vem da estrutura no lábio que parece um “bico”de papagaio. O da espécie bullethead (Chlorurus sordidus) pode ser visto em duas versões, que denotam sua diferença sexual: coloridão (macho)  como o da foto acima, ou amarronzado (fêmea).Hanauma-Bay-4
  4. Manini (Acanthurus triostegus): é um peixe muito comum por todo o Havaí, amarelo claro com listras pretas. Geralmente anda em cardumes. Chegam perto de você com facilidade.Hanauma-Bay-7
  5. Caranhas (Lutjanus kasmira): outro peixe que em geral anda em cardumes. Em Hanauma, a espécie prevalente é a de nadadeira amarela, com listras azuis. Hanauma-Bay-8
  6. Tartaruga verde (Chelonia mydas): precisa explicar? Sempre linda de se ver. Em Hanauma, elas não aparecem tanto (por causa da quantidade de gente), mas mesmo assim, já vi várias por lá. Hanauma-Bay-9
  7. Lulas (Sepioteuthis lessoniana): em geral, vemos aos pares (ou em grupo maior), na parte mais funda da baía. São difíceis de achar.

Mas… de nada adianta eu ficar falando das espécies aqui, né? O melhor é você um dia vê-las de pertinho, na ilha de Oahu, no Havaí. E que este dia chegue logo a todos, porque esta é sem dúvida uma das praias mais inesquecíveis do mundo.

Tudo de Havaí sempre.

P.S.: O único “defeito” de Hanauma Bay para mim é… nunca vi um tubarão por lá. 🙁

Postado em 01/08/2016 por em EUA, Havaí, Oahu

Eu estava em meio a uma viagem de férias em junho quando a notícia me pegou de rasteira: o falecimento do super-querido João Carlos, blogueiro e amigo do blog científico Chi Vó Non Pó. chivononpoEm meio a viagem, uma tristeza imediata se abateu. Deixei uma mensagem no facebook, lamentando o fato:

“Um amigo querido da blogosfera de ciência se foi. Inspirador de tantos posts e boas discussões. Saudades eternas terei dos inúmeros emails incríveis que não mais trocaremos, de uma lucidez sempre pertinente sem jamais perder a ternura. Meus sentimentos mais profundos à família do queridíssimo João Carlos. Descanse em muita paz. 😢”

Entretanto agora, de volta em casa, estou finalmente digerindo a perda do meu amigo tão querido. É engraçada essa coisa de internet, porque nunca estive ao vivo com o João – embora em 2008 quando estive no Rio tenha tentado marcar um café com ele, que no último segundo foi cancelado. Mas, conversava com o João desde 2005, quando este blog ainda era uma criança no blogspot. Em caixas de comentários, emails ou fóruns da vida – e mais recentemente no facebook – não passava um mês da minha vida online que não interagisse de alguma forma com o João. Então, ele era muito mais que um conhecido: era realmente um amigo de verdade, querido, com quem travei diversos papos sensacionais sobre ciência, saúde e principalmente tubarões, muitos tubarões.

Como parte do processo de digerir esta perda inestimável, hoje fui rever e reler as coisas incríveis que ele escrevia, com uma sagacidade e humor únicos. Seu blog, de uma curadoria deliciosa, sempre compartilhando as notícias mais interessantes que recebia por diversos canais de divulgação. Aqui no meu blog, foram 82 comentários deixados por ele – e em geral, sempre questionando algo de maneira positiva, interessante. Na caixa de emails do blog e no meu email pessoal, são mais de 150 emails, sempre recheados de boas reflexões – algumas destas conversas deliciosas inspiraram posts pro blog, como este sobre energia geotérmica, ou interessantes complementações… Estas conversas deixarão muita saudade, principalmente nos dias atuais, em que as pessoas parecem tentadas a exigir um mundo preto-no-branco – momentos exatos em que o João aparecia para mostrar os diversos cinzas que existem no meio dessa dicotomia simplória.

Em seu blog, o João se classificava como “um oficial reformado da Marinha com uma enorme paixão (não correspondida) pelas ciências.” Talvez esta paixão fosse, em sua cabeça, não correspondida. Dada a colaboração lúcida e humana que ele fazia às discussões científicas que eram travadas nos diferentes meios online, entretanto, acho que esta paixão foi bem correspondida, e através dela, ele conseguiu deixar impresso sua marca positiva e iluminada na vida de tantos, online e offline.

Meus mais sinceros sentimentos à família por uma perda tão dolorosa. E João, meu amigo, descanse em paz. Você já está fazendo falta. Saudades eternas.

🙁

*Imagem do post retirada da nota de falecimento do ScienceBlogs Brasil, portal onde ele hospedava seu blog.

**As palavras do Karl são as que mais ecoam na minha mente: “Acho que o João Carlos foi das poucas pessoas que “conheci” cujo amor pela ciência era muito superior àquele da busca irrefreável pela verdade. Isso fazia dele um tipo de apaixonado daqueles que você tem vontade de ficar perto e não se incomoda de ficar ouvindo sobre sua amada, mesmo sabendo dos defeitos dela. Pessoas assim fazem você sonhar com os olhos delas.” O João era um estimulador de sonhos, é isso. 🙁

 

Saigon

“Tantas palavras/ Meias palavras
Nosso apartamento/ Um pedaço de Saigon…”

Emílio Santiago. Beira a vergonha o fato de que bastara o avião aterrissar no aeroporto de Ho Chi Minh City – antiga Saigon – para que esta fosse a música predominante na cabeça. O caso é que escutei muito esta música durante a infância – minha mãe é fã ardorosa de Emílio Santiago e adorava cantarolar estes versos pelos cantos da casa. Então, apesar da breguice descarada, a música me trazia boas memórias. E dela não conseguia escapar; afinal, chegara em Saigon.

Saigon é o nome antigo de Ho Chi Minh City. Meus amigos vietnamitas aqui do Havaí, muitos descendentes de famílias do sul do Vietnã que fugiram do horror da guerra antes da instauração do regime comunista em 1975, se recusam a chamar a cidade de Ho Chi Minh City – para eles, Saigon ainda é (ou deveria ser) seu verdadeiro nome; Ho Chi Minh City, o nome que decidiu-se chamar a cidade em homenagem ao líder maior comunista do Vietnã, é motivo de olhares politicamente carregados entre meus amigos.

Para mim, cuja distância de vivência com a guerra do Vietnã é enorme, preferia reconhecê-la como Saigon por motivo bem menos politizado: a lembrança da minha mãe cantarolando. E, andando pelas ruas de Saigon – ou Ho Chi Minh City, a critério do cliente – estes versos melosos em português me acompanharam.

Mais: infelizmente só teria um dia na cidade. Portanto, teria que me satisfazer em conhecer apenas um pedaço de Saigon, como a música clamava. E que pedaço? Difícil escolher, pois tudo que eu lia em fóruns e blogs sugeria que a cidade deveria ser aproveitada em mais tempo do que tínhamos disponível. #MaraturismoFeelings

Cho Ben Thanh
Mercadão Central de Cho Ben Thanh.

A existência dos 2 nomes não poderia ser mais simbólica: dentro da cidade existem 2 cidades, uma com os pés fincados no passado, e outra com um olho enorme para um futuro modernoso. Ho Chi Minh City foi por muito tempo a capital da República do Vietnã, a parte sul do país quando este ainda era dividido em norte e sul, antes da guerra. Ter sido capital está escancarado em muitos de seus prédios históricos e suas tradições. Por outro lado, a cidade cresceu vertiginosamente na última década e seu desenvolvimento acelerado a torna uma destas metrópoles modernosas para a gente ficar de olho no futuro. Saigon hoje é, definitivamente, um pedaço em mutação.

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Servidos de pho?

E, para aproveitá-la integralmente, mesmo em apenas um dia, precisávamos pincelar um pouco de cada lado desta moeda urbana. Começamos o dia com um café da manhã tradicional vietnamita: um pho, sopa típica sensacional de noodle com carne, numa das barraquinhas do Cho Ben Thanh, o mercadão central da cidade, um prédio de arquitetura francesa colonial com um pé no passado. Para acompanhar o pho, rolinhos primaveras sensacionais e café vietnamita, cujo gosto é único, em nada parecido com outros cafés que já tomei. André pediu um suco de frutas maravilhoso, que repetimos sem piscar. Mal chegamos em Saigon e a cidade já nos pegava de jeito pela barriga, com sabores e muita água na boca.

Depois de andarmos pelo mercadão tradicional observando a incrível variedade de comidas e ingredientes à mostra nas barraquinhas, fomos começar nossa caminhada pelas ruas do Distrito 1 de Ho Chi Minh City, munidos de um mapa e muita paciência silábica. A primeira parada foi no moderno observatório do Bitexco Financial Tower, o mais alto arranha-céu da cidade, à beira do rio Saigon.

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Bitexco Financial Tower, em formato de flor de lótus fechada.

Eu sempre curto ver a cidade de cima, então uma parada no Skydeck do prédio era fundamental, principalmente num roteiro de um dia apenas. Mas tinha um componente adicional: a arquitetura contemporânea do prédio, em formato de flor fechada de lótus, era atraente demais para que fosse passada em branco. Eu amo uma arquitetura modernosa criativa, e amei ver de perto o prédio, que por causa da inspiração com o lótus, é de um simbolismo perfeito entre as duas realidades da cidade: o futuro e o passado tradicional. A subida ao Skydeck custa 200.000 dong, o que é ~9 dólares.

Saigon de cima
Saigon vista do alto do Skydeck do Bitexco Tower.

Depois da rápida visita ao Bitexco, continuamos a caminhada pela avenida Nguyen Hue até a Prefeitura de Ho Chi Minh City, outro prédio clássico em estilo francês – e veríamos uma sucessão de influência francesa imperdível a partir dali. Em frente à prefeitura fica uma praça com jardins sensacionais, muito bem cuidados, e a famosa estátua de Ho Chi Minh, o líder da revolução vietnamita. O calçadão é super-agradável, e ficamos ali um bom tempo, curtindo a vista e fotografando.

Ho Chi Minh City
Prefeitura de Ho Chi Minh City, e a estátua de Ho Chi Minh, o líder da revolução comunista vietnamita.

A menos de um quarteirão da prefeitura, fica outro prédio clássico de Ho Chi Minh City: a Opera House de Saigon. Feita em 1897, não é um prédio tão grande, mas que adiciona charme numa cidade tão rica de arquitetura francesa.

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Catedral de Notre-Dame de Ho Chi Minh City.

De lá, fomos andando pela avenida Dong Khoi até a próxima parada, na Catedral de Notre-Dame – o nome não é coincidência com a famosa de Paris; reflete a influência persistente dos franceses na cidade até antes da guerra do Vietnã. A Catedral é considerada um dos símbolos máximos da cidade, e fica numa praça bastante movimentada.

SaigonPrédio dos Correios de Saigon

Logo ali em frente, outra jóia arquitetônica: o prédio dos Correios de Saigon, reconhecida mais por ser um projeto de Gustave Eiffel – de novo, o nome não é coincidência; o arquiteto foi o mesmo que deu nome à torre famosa de Paris. O interior dos Correios é bacaninha, os vitrais são lindos, mas confesso que não me impressionei tanto. Mas vale a visita, sem dúvida.

A caminhada continuou pelo boulevard de Le Douen, que termina num dos pontos mais importantes da história recente da cidade: o Palácio da Reunificação. Foi ali que as forças do norte conclamaram a vitória na guerra do Vietnã em 1975, depois de invadirem o palácio com um tanque de guerra e destituírem o então presidente do sul do Vietnã.

(Parênteses: O pai de uma das minhas amigas foi funcionário do palácio, e fugiu do país por causa da guerra – ela me contou que ele chorou muito ao rever o palácio e fazer o tour interno em março último, depois de mais de 40 anos deste dia fatídico. Fora a primeira vez que ele voltara ao país depois da guerra.)

Saigon20Palácio da Reunificação.

O Palácio em si é simples, de arquitetura bem década de 50-60. Mas sua localização num parque é agradabilíssima, um respiro de tranquilidade numa cidade tão movimentada como Saigon.

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Aliás, a movimentação de Saigon era outro item fundamental na minha lista de “experiências para um dia em Saigon”. Porque eu já tinha lido que o Vietnã era o país das mobiletes e vespas, e que o trânsito lá era em sua maioria feito em duas rodas.

Saigon
Calçada pra quê?

Mas, não adianta ler: só quando você chega lá tem noção da pulsação louca que é o trânsito! O mais bizarro é que é um caos organizado no tráfego, porque embora haja vespas por todos os lados, elas raramente se desentendem – nos meus dias de Vietnã, vi apenas uma pessoa (provavelmente) xingando a outra por uma manobra mal-feita.

Ho Chi Minh City
Na espera do sinal verde.

Então nesta cidade de dualidades até no nome, achei que fazer um passeio de vespa por Saigon era a única maneira de realmente sentir o pulso desta cidade e entender melhor esta dualidade, enfrentando o trânsito caótico e organizado estando dentro dele. Achei num fórum a empresa de um havaiano que fazia tours de vespa por Saigon. A empresa chama-se Vespa Adventures, e embora a gente não tenha marcado com antecedência, resolvemos aparecer de sopetão na loja deles e ver se ainda dava para fazer um passeio de vespa pela cidade.

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Driblando o trânsito de Ho Chi Minh City e suas vespas.

Funcionou. Conseguimos marcar um passeio à tarde. A empresa oferece almoço, portanto comemos no Café Zoom deles. Estávamos em 3 pessoas e depois do almoço cada um subiu na sua vespa com um guia, e começamos a aventura! E que aventura!!!

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Uma Malla na vespa.

Não tenho palavras para explicar o quanto recomendo esse passeio. Tirando a visita a Halong Bay, foi o tour que mais curti fazer no Vietnã inteiro. A cidade se revela completamente diferente quando você está no meio daquele trânsito de vespas – e é muito diferente de estar num carro.

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Monumento ao monge budista Thich Quang Duc.

A primeira parada do vespa tour é na praça onde está o Monumento a Thich Quang Duc, monge budista que em 1963 protestou contra a perseguição comunista ao budismo tacando fogo no próprio corpo em meio ao movimentado cruzamento das avenidas Cach Mang Thang Tam e Nguyen Dinh Chieu. A foto deste evento tirada por Malcolm Browne venceu o World Press Photo daquele ano, e dá um frio na espinha de olhar, realmente impressionante. Hoje, neste cruzamento, há a praça com um jardim lindo, e a estátua extremamente simbólica do acontecido, que homenageia o ato de bravura do monge.

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Mercado de flores em Ho Chi Minh City.

Dali continuamos zipando as ruelas de Saigon pelo mercado de flores (lindo demais!!!) até o bairro de Chinatown, onde ocorreu a segunda parada do vespa tour: a Pagoda dos 10.000 Budas (Chua Van Phat). Este templo fica num beco sem saída escondido no distrito 6 (na rua Nghia Thuc) com templinhos diferentes em cada andar – são 8 andares ao total.

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Haja Buda!…

A cada escadaria, uma nova surpresa. O templo é muito incrível, e há ali milhares de estátuas de Buda de todos os tamanhos possíveis e imagináveis. De bônus, do terraço da pagoda temos uma vista muito boa de Saigon, além de um jardim de ervas e frutas muito simpático em meio a urbe.

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No terraço da pagoda… outra pagoda. #Inception

De volta à vespa, fomos cortando caminho pelo distrito 2, entre casebres, vielas e muitos barracos, até a ponte de pedestre em Cau Mong, ou Rainbow Bridge, outra obra arquitetônica de Gustave Eiffel em Saigon. Da ponte, tem-se uma vista do Bitexco Tower sensacional. O dia de céu azul foi o toque adicional de lindeza no nosso passeio (o guia da vespa nos deixou de um lado da ponte e nos buscou do outro, para que pudéssemos atravessar à pé a ponte).

Saigon
Parada na Rainbow Bridge

Depois dessa parada, era chegada a hora do fim do passeio. Como íamos para o aeroporto continuar viagem, os guias nos deixaram no hotel, de onde nos despedimos. Com uma a sensação de felicidade e animação extrema por ter sentido os dois lados dessa cidade de dois nomes de uma maneira foi inesquecível. O entardecer já chegara, o dia em Saigon acabava, e eis que Emilio Santiago ressonou de novo em minha cabeça:

“Anoiteceu!
Olho pro céu e vejo como é bom
Ver as estrelas na escuridão
Espero poder voltar
Pra Saigon”

Tudo de bom sempre.

Aulani Disney Resort

No final de semana passado, meu colega de trabalho Aaron se hospedou no Aulani Disney Resort, que fica em Ko ‘Olina, do lado oeste de Oahu. Aaron foi com sua família: esposa e dois filhos – um de 3 anos e outra de 4 meses de idade. Tiveram um fim de semana inesquecível, e Aaron se empolgou tanto que, quando conversei com ele na segunda-feira, ele concordou em compartilhar algumas dicas sobre a experiência aqui no blog. De antemão… thank you, Aaron!

Antes, algumas informações gerais: o Aulani abriu em 2011, e desde então tem sido referência para estadia com crianças na ilha de Oahu – e no Havaí como um todo. É um resort com o padrão de qualidade Disney, garantia de diversão com os personagens mais famosos dos desenhos animados. O tchan a mais do Aulani é dado pelos toques de havaianices em todos os cantos – desde a arquitetura em formato de hale tradicional havaiana, passando pelo parque aquático que inclui um recife artificial com peixes havaianos, e todos os pequenos detalhes aludindo à cultura havaiana navegadora e de dança hula. Tudo com um toque exacerbado de aloha. O serviço também é exemplar, pensado na experiência “Disney no Havaí”. O valor da diária inclui todas as atividades oferecidas dentro do hotel, mas não inclui comida nem bebidas. Caso queira economizar, passe antes num supermercado em Honolulu ou em Kapolei (mais perto de Ko ‘Olina) para estocar a geladeirinha do quarto – como Aaron comenta, nem todos os quartos têm microondas, portanto verifique quando fizer a reserva. Em Ko’Olina, as opções de restaurantes são bem restritas; o Monkeypod Kitchen é ótimo, mas não há muito mais que isso por ali – talvez quando o Four Seasons inaugurar no final deste mês haja mais novidades gastronômicas. A praia que fica em frente ao resort é super-calminha, ideal para crianças, pronta para fazer SUP sem preocupações ou simplesmente boiar e esquecer da vida.

Aulani-by-Aaron-3

Antes de conversar com o Aaron, os comentários negativos sobre o Aulani que ouvi foram dois: o preço salgadíssimo e a impossibilidade de acesso dos moradores locais às dependências do resort. Muitas famílias que moram em Oahu gostariam de passar um dia com suas crianças no Aulani, mas o resort não oferece esta opção nem mesmo por uma taxa – para aproveitar as atividades oferecidas pelo resort ou suas dependências é necessário se hospedar por pelo menos uma noite, uma situação que é incomum dentre os resorts no Havaí, que costumam abrir suas portas sem afetação ou restrições para os locais. (Alguns havaianos acham esse exclusivismo da Disney meio arrogante, e com isso o resort perde pontos de relações públicas entre os locais.)

Considerei, portanto, especial a possibilidade de ouvir o que um morador local tem a dizer sobre o que experimentou no Aulani. Sabendo da realidade dos demais hotéis aqui, meu colega comentou com exclusividade para o blog sobre o Aulani e sua experiência completa com crianças. Traduzo livremente aqui alguns de seus comentários (e mais abaixo, o texto em inglês, para quem quiser ler no original):

Aulani-by-Aaron-1

“O Aulani é uma excelente oportunidade para crianças – e para adultos também. O resort pé na areia tem apelo de Mickey Mouse com um sabor havaiano diferenciado, o que é super-legal. Todos os detalhes, do serviço aos cenários, são pensados profundamente com esta conjunção na cabeça, de acoplar a experiência Disney ao Havaí. Meu filho se divertiu demais com a “Trilha Menehune”, uma atividade de gincana onde os animadores distribuem tablets com pistas para as crianças, que vão procurar os duendes havaianos, chamados de Menehunes. Desta forma, as crianças são expostas à cultura havaiana, sua linguagem e lendas enquanto exploram o resort. Foi de longe a atividade favorita do meu filho durante o fim de semana que passamos no Aulani. Um dos aspectos mais singulares desta gincana foi o uso de rochas movediças na decoração do hotel, de auto-falantes que projetam efeitos sonoros especiais, fogo e fumaça nos vulcões artificiais – vulcões, aliás, que eram ativados pelo toque das crianças no tablet.

Minha dica principal é não deixar de ver o Aulani Starlit Hui. Este é um luau para crianças, em estilo Disney mas com foco na cultura havaiana. As danças típicas deste luau contam a história de pesca e navegação utilizando as estrelas como bússola, tradicionais características da cultura havaiana. Esta foi uma atividade realmente inclusiva para as crianças. Nós sentamos em colchões e os animadores chamavam as crianças regularmente para ir ao palco e dançar com os personagens. Bons momentos…

Além disso, a praia em frente ao Aulani é muito calma para padrões havaianos, o que é ótimo para as crianças. Você pode canoar/caiacar, fazer SUP, snorkel ou simplesmente relaxar na areia ou na água. O resort também tem um “recife artificial” dentro das dependências do hotel com a maioria das espécies típicas de peixes havaianos que você vê snorkelando pelas ilhas. Este recife é muito conveniente, localizado a menos de 10 metros da área de piscinas. Para ser sincero, não é um recife que se compare ao que vemos em Hanauma Bay snorkelando (que é naturalmente interessante), mas para as crianças, eles se divertem demais nadando ao redor de peixinhos coloridos. Outra atração sensa do Aulani para a diversão das crianças são os 2 toboáguas com vista para a praia, um pequeno parque aquático com sabor havaiano.

Aulani-by-Aaron-2

Para os adultos, há também algumas atividades divertidas, como a piscina de adultos com borda infinita. Em relação ao serviço, o Aulani superou minhas expectativas. A inclusão de todas as atividades na diária é razoável, entretanto o fato de que comidas e bebidas não estarem encarece demais, mesmo para os padrões já inflacionados do Havaí. Eu recomendaria que, se você quer ficar o tempo todo de sua estadia dentro do Aulani, antes dê uma passadinha para comprar comidas e bebidas em algum mercado fora de Koolina. Os quartos têm geladeirinha, e alguns têm microondas, portanto você consegue fazer um pequeno piquenique sem ficar dependendo muito da comida do hotel. Mas, se você ainda quer comer fora, há algumas poucas opções por perto, na região de Ko ‘Olina.

Meu único comentário negativo é em relação a falta de sinalização para a entrada do Aulani. Se não fosse pelo GPS, eu teria perdido a entrada do resort. Mas, quando você entra na propriedade do hotel, você e seus filhos vão sentir tanta aloha de boas vindas, que estas serão sem dúvida alguma, uma das melhores férias da infância deles.”

Mais uma vez, obrigada, Aaron, pela sua contribuição (com fotos!) ao blog!

Tudo de bom sempre.

Aulani Disney Resort

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