Eis uma verdade viajante: o Havaí não combina com chuva.

O que fazer num dia de chuva no Havaí

O estado tem algumas das praias e paisagens naturais mais lindas do planeta, que são anos-luz melhor aproveitadas em dias ensolarados, ou no máximo nublados. O Havaí é solar.

De modo que, quando chove, rola uma melancolia viajante no meu coraçãozinho malla: o visitante não está vendo o Havaí direito, com aquele sol maravilhoso que energiza a paisagem local.

Mas nem sempre São Pedro colabora com a sua viagem. Principalmente se você vem aqui entre dezembro e março, a temporada de chuvas, quando as chances aumentam de que você pegará pelo menos um diazinho molhado. É claro que você pode ainda ir à praia ou surfar, mas… não é a mesma coisa que com sol, né?

Nestes dias de chuva, ao invés de se trancar no hotel, há outras opções interessantes a ser fazer. Deixo aqui minha sugestão de alguns passeios e atividades que já fiz em dias chuvosos em Oahu e que funcionam bem. (E alguns podem ser adaptados para outras ilhas também.)

Visita a museus

Em Oahu, há pelo menos 4 museus que considero excelentes. A maioria deles não é visitada pelo “viajante médio”, que quando chega aqui só quer saber de praia e cachoeira. Mas estes museus são pequenas jóias do estado, que mostram detalhes da cultura havaiana por uma perspectiva bastante diversificada. E que enriquecem bastante qualquer visita ao Havaí.

No Honolulu Museum of Art, você tem a chance de apreciar uma coleção incrível de arte dos países que contornam o Pacífico. A coleção de arte japonesa é espetacular, e minha favorita é a galeria polinésia. O museu é apelidado de “portal do Pacífico”, pela sua importância para a arte da região e pelo tamanho de seu acervo. O prédio do museu é uma fofura à parte, delicioso, cheio de pequenos courtyards temáticos. Vale muito a visita.

Já contei aqui sobre minha visita ao Hawaii State Art Museum, em downtown Honolulu. O museu enfoca a arte moderna e contemporânea havaiana, com artistas havaianos ou aqueles que escolheram o Havaí como residência – se “havaianaram” como dizemos aqui. As peças são muito interessantes, para confrontar com uma outra perspectiva de se viver aqui, no meio do mar.

O museu de ciências da cidade é o Bishop Museum. Mas ele não é um museu só de ciências – engloba artefatos da cultura e costumes havaianos, principalmente dos navegadores ancestrais, e vários deles feitos com dentes de tubarão. Está lá em exposição também a prancha original de madeira que pertencia ao pai do surfe, Duke Kahanamoku.

O Bishop também tem um planetário que mostra como os antigos polinésios se guiavam pelas estrelas para navegar. Uma parte legal é a de volcanologia, em que uma voluntária ensina às crianças a “fazer lava” – quentona mesmo. Muito bacana. É um museu ideal para crianças.

Um museu histórico que considero essencial – mas que poucos turistas vão – é o Palácio ‘Iolani. É o único palácio nos EUA que teve reis e rainhas de verdade governando, na época em que o Havaí era um reino. No palácio, podemos ver as jóias da coroa assim como os diversos ambientes pelo qual a família real circulava e fazia festas. E o mais incrível: o ‘Iolani foi o primeiro prédio oficial dos EUA a ter luz elétrica, antes mesmo da Casa Branca. Isto porque o príncipe da época era muito chegado à tecnologia, e assim que soube que tinham inventado a eletricidade, tratou de pedir para instalar ali no palácio – e ainda se encontra em exposição a lâmpada utilizada no primeiro ambiente iluminado. Incrível.

Show de hula no Ala Moana Mall

A maior parte dos shows de hula acontecem ao ar livre ou em luaus. Entretanto, de segunda à sábado às 13h da tarde, acontece um show gratuito de hula no Ala Moana Mall, com uma apresentação de um grupo de hula local.

O show é muito bem feito, e considero até mais autêntico que alguns que vemos por aí em Waikiki ou em alguns luaus. E como o Ala Moana Mall é aberto, nem parece que você está num shopping center – a iluminação natural (mas com cobertura contra a chuva) dá a sensação de estarmos vendo um show de rua. Não perca – até se não estiver chovendo, vale a pena tirar um diazinho para ver este show.

Compras no Havaí

Eu não sou muito fã de compras em viagens, mas para quem vem querendo pelo menos fazer umas comprinhas “básicas” nos EUA, o Havaí oferece uma boa vantagem: a taxa de compras de apenas 4.6% em Oahu e 4.1% nas demais ilhas.

Enquanto NY, Califórnia e Flórida têm preços e outlets melhores – mas com uma taxa elevada – o Havaí em geral é um pouco mais caro, mas com um imposto sobre compras bem mais razoável. O que torna o destino ideal para comprar produtos que sabemos serem caros e tabelados, como eletrônicos (*Apple*) e boa parte das marcas de griffe. Além do Ala Moana Mall e outros shoppings pela ilha (Pearlridge, Windward Mall, Kahala Mall, etc.), em Waikiki há diversas galerias cobertas.

Ou você pode aproveitar o dia de chuva e comprar os presentinhos para levar pros parentes, as lembrancinhas de viagem, “aquela” prancha de surfe… 😉

Tour gastronômico

O Havaí tem se tornado um destino culinário dos mais interessantes da região pacífica. Cada dia, aparece um novo restaurante ótimo, de modo que fica até difícil estar por dentro de tanta novidade. Já dei diversas dicas de restaurantes aqui no blog, portanto escolha alguns destes para curtir uma refeição mais calma e prazeirosa. Aproveite a chuva para se deliciar com a nova gastronomia havaiana.

Ou, se quiser algo mais organizado, a Hawaii Food Tours faz um tour chamado “Hole-in-the-wall” que acha os melhores points de comidas e bebidas da cidade, explicando detalhes dos sabores mais tradicionais das ilhas.

Dirigir pela H3

De todas as atividades de chuva, acho que esta é a mais sensacional – e minha predileta. A rodovia H3 corta as fantásticas montanhas Ko’olau. Se você fizer o trajeto no sentido Kaneohe-Pearl Harbor em dia de chuva, vai ver ao redor da estrada na subida da montanha um verdadeiro espetáculo natural: uma infinidade de cachoeiras temporárias altíssimas, que a chuva faz aparecer. E quanto mais forte a chuva, melhor!

É uma cena inacreditável de linda. Daquelas que parecem saída de um filme. Me lembra a profusão de cachoeiras da saída do túnel do Milford Sound.

(Dica: o carro não pode parar na H3, pois é uma rodovia de alta velocidade. Uma opção é dirigir um pouco mais devagar para apreciar. Mas a melhor opção é, em Kaneohe, entrar no bairro que fica logo abaixo da H3.)

E ver cachoeiras temporárias, aliás, é uma dica que vale para qualquer ilha havaiana, já que em todas elas há montanhas bem escarpadas que podem formar estas cachoeiras num dia de chuva.

E o que NÃO fazer no Havaí na chuva

Não vá andar muito perto da lava do Kilauea, na Big Island, na chuva. A água que cai do céu em contato com o calor da lava faz com que sejam liberados no ar uma quantidade perigosa de gases tóxicos, inclusive ácido sulfúrico.

Não chegue perto em dia de chuva.

As nuvens formadas durante a chuva não estão apenas no ar, podem sair do solo – resultado da percolação da chuva por onde a lava subterrânea está passando. Estas nuvens podem ser gigantescas e, dependendo da força do vento, podem englobar rapidamente uma pessoa mesmo que não se esteja tão perto. Respirar este gás pode matar uma pessoa. Evite ao máximo esta roubada.

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E não esquecer: depois da chuva, vem o arco-íris. 🙂

Tudo de Havaí sempre.

A semana começou com a boa notícia que recebi via twitter de que o Brasil havia ampliado consideravelmente seu quinhão de reservas marinhas. Incluiria nesta nova área de conservação os rochedos do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) e as Ilhas de Trindade e Martim Vaz. Merecidamente: ambos os pontos precisam desta proteção pra ontem. E o Brasil passaria a ser exemplo mundial na proteção dos oceanos, com uma incrível extensão de 92 milhões de hectares do Atlântico protegidos. Sairia de míseros 1.5% de área marinha protegida para incríveis 25%, o que é acima da meta global de 10% do mar preservado. Seria o alívio para dezenas de espécies ameaçadas pela pesca predatória.

Sexta Sub - da alegria à tristeza no Arquipélago de São Pedro e São Paulo

Mas aí… claro que a boa notícia que encheu meu coraçãozinho marinho de alegria não demorou muito a ganhar tons cinzentos de tristeza e decepção. Porque o governo federal brasileiro resolveu, no último minuto, na hora de fechar os finalmentes, redesenhar os limites destas áreas de preservação – provavelmente pela pressão da indústria pesqueira. Este redesenho acarretou que, nas proximidades do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, boa parte do mar ao norte esteja aberto às atividades extrativistas de pesca, com um pedaço pequeno apenas sob proteção.

Entendo que “alguma preservação” é melhor que “nenhuma preservação” – pelo menos um pedaço do Arquipélago está agora protegido. Mas… fica um gosto agridoce na boca, aquela sensação do que queria ser e não foi, de que a decisão do governo poderia ser mais ambiciosa. Colocaria o país num outro patamar de defesa do ambiente, dentre as nações que estão liderando a conservação marinha.

Para o ambientalismo brasileiro, eu acho que foi uma pequena derrota – mais uma dentre tantas já acumuladas nos últimos anos. Uma tristeza, enfim.

Tudo de mar sempre.

 

 

Um dos meus sonhos da vida era conhecer o Sossusvlei, no deserto da Namíbia. Dentro deste sonho, entretanto, havia duas maneiras de se conhecer esta beldade natural do nosso planeta: por terra e do ar.

Passeio de balão no Sossusvlei

Balão no Sossusvlei: um sonho realizado.

Para vê-lo do ar, meu plano incluía fazer o passeio de balão para ver as dunas laranjas e rosas do Sossusvlei de cima. De modo que foi o primeiro passeio que marquei quando decidimos visitar a Namíbia em julho do ano passado.

(Mal sabia eu que veria estas cores de novo no final da viagem, em um vôo mais que emocionante…)

O passeio é oferecido pela Namib Sky Balloon Safaris e não é barato. O valor inclui o trajeto de balão e um café da manhã 5 estrelas no meio do deserto da Namíbia. Paga também todo o aparato de segurança aos clientes e suporte aos funcionários da empresa na região. A experiência, entretanto, vale cada centavo pago.

Hotel Le Mirage, nosso ponto de partida para o passeio de balão.

Nosso ponto de encontro para o passeio de balão foi o Le Mirage. Chegamos lá às 5:30 da manhã – o que nos fez sair às 4:30 do nosso hotel, o Elegant Desert Lodge, e dirigir no meio da madrugada até lá. A empresa de balonismo nos pegou na vanzinha e levou até o local de decolagem do balão naquele dia, próximo à entrada do Sossusvlei. (O ponto de decolagem muda de acordo com as condições de vento do dia.)

Quando cheguei no local de decolagem ainda de madrugada e vi a enormidade de 3 balões se enchendo de ar quente… comecei a chorar de emoção! Eu estava ali, no Sossusvlei no meio do deserto da Namíbia e ia realizar meu sonho. Não tenho palavras para descrever tal felicidade.

O passeio de balão é feito com o máximo de profissionalismo e sustentabilidade possível. Cada balão cabe 16 pessoas + o piloto. Nosso piloto, um canadense empolgado chamado Ray, era extremamente amigável e competente com o balão. Como o trajeto de um balão é dependente do vento, nunca sabemos para onde exatamente vamos ser levados, o que já é uma emoção em si.

Mas, com o sol nascendo e começando a iluminar aquela paisagem ESPETACULAR do deserto mais antigo do mundo, é impossível que o trajeto seja “ruim”, simplesmente não dá, é beleza natural demais para qualquer lado que você olhe. A infinitude e a exuberância da natureza ali estão à mostra, sem pudor algum.

O nada por 360º, a perder de vista: apenas o deserto te acompanha.

As cores são o maior espetáculo do deserto da Namíbia ao amanhecer. As dunas que de madrugada estão róseas, vão se tornando avermelhadas com o sol que desponta. À medida que o sol se firma, mais as dunas se tornam alaranjadas. Em certos momentos, são tantos tons de rosa-laranja que a gente perde a conta.

E não são só as cores laranjas do deserto. Quando você olha pro céu e pras montanhas ao longe, são mais uma infinidade de tons alaranjados, que com a sombra das montanhas ganham uma textura e uma paleta colorimétrica digna de pintura.

Lá de cima, além dos diversos órixes, vimos também os famosos “fairy circles”. Estas formações circulares na areia foram por muito tempo ditas como “mágicas” ou “coisas do outro mundo”, até que estudos recentes demonstraram que se trata de um cupim que cultiva seu fungo naquele padrão. Os fairy circles foram primeiro caracterizados ali no deserto da Namíbia, mas já foram reportados em outras áreas desérticas do planeta também.

Os fairy circles, vistos do ar. Repare em seu tamanho comparado à estrada.

As montanhas e o deserto.

Depois de ~1 hora no ar passando pelas montanhas e areais, o balão começa o processo de descida. A descida foi tranquila, embora num ponto inesperado (plano C de aterrissagem, de acordo com o guia).

Terminamos a aventura aérea numa área um pouco mais afastada, exatamente em cima do caminhão que carrega o balão – baliza perfeita do piloto. De lá os jipes da empresa nos levaram para o ponto onde iríamos tomar nosso café da manhã no deserto.

Nosso café da manhã no “restaurante” com a vista mais incrível do mundo.

Café da manhã no deserto da Namíbia. Este conjunto de palavras ainda me deixa meio sem ar só de pensar. Foi das experiências mais sensacionais que tive na minha vida viajante, e recomendo sem pestanejar. O cenário é surreal por todos os lados. Mas ainda mais surreal é ter um café 5 estrelas, regado a champanhe, biscoitinhos caseiros, frutas e queijos ao ar livre – naquele ar livre.

A cada garfada, um suspiro. Não me cansava de olhar e sentir cada molécula daquele espaço aberto tão profundamente desejado pela minha mente. Uma sensação de plenitude infinita, que pouquíssimas experiências de viagem me proporcionaram até hoje.

Balões guardados, prontos pra aventura do dia seguinte.

Depois de algumas horas e terminado o café, os balões foram empacotados e as vans nos levaram de volta ao Le Mirage, de onde iríamos continuar nossa aventura do dia pelo Sossusvlei. Entretanto, a máquina de cartão de crédito tinha dado um problema no meio do deserto e tivemos que nos dirigir ao escritório principal da Namib Sky para pagar o passeio. O que foi ótimo, porque conhecemos o angolano Antônio, que trabalha no escritório deles, e a escola primária que a empresa administra para os filhos dos funcionários (e outras crianças da região).

Antônio também nos contou que até aquele momento, havia chovido apenas 3 dias no ano – é um deserto, afinal de contas. E que já havia 7 anos que uma estação de chuvas apropriada não acontecia. A região está numa seca tórrida.

Depois de tudo acertado, agradeci novamente aos guias e ao dono da empresa, que aparecera por acaso ali. Adorei o serviço deles e a experiência inesquecível.

Aquela manhã de julho no Sossusvlei está de volta na minha lista de sonhos – agora como uma memória que um dia, quem sabe, será revivida.

Tudo de Namíbia sempre.

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Para viajar mais:

  • A conta da NamibSky no instagram é a minha predileta desde que entrei no insta. As imagens são de babar, pra morrer de vontade de voltar. Amo duas das hashtags que eles usam: #dreamitorliveit e #viewfromtheoffice. Sem dúvida, uma vista privilegiadíssima…
  • Este post (e toda a viagem pela Namíbia) foi patrocinado apenas pela “Bolsa Malla”. 😀

Fim de semana passado tivemos a visita de dois novos amigos músicos de jazz aqui no Havaí, Otmaro e Catina. Otmaro – que é um pianista de primeiríssima categoria – veio para tocar com meu favorito Lee Ritenour no Blue Note e a Catina veio acompanhando. No sábado, aproveitamos para dar um rolê pela ilha e… como tinha baleia jubarte!!!

Sexta Sub - baleia em Oahu

Eu sei, esta é a melhor época para ver baleias no Havaí, isso não é novidade. A novidade é que eu nunca vi tanta atividade de baleia em Oahu – em geral elas ficam toda animadinhas em Maui ou na Big Island. Mas na semana passada, parece que Oahu foi brindada com diversos shows.

Vimos as baleias do Lanai Lookout, do mirante de Makapu’u e até fora de Hanauma Bay tinha uma se exibindo. Incrível demais!

Meus amigos vieram pra um show musical e viram o que este estado oferece de melhor, um show natural. Concorrência peso pesado, nesse caso. 😀

Tudo de sub sempre.

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P.S.: Muitíssimo obrigada, Catina e Otmaro, pelos momentos deliciosos e o papo sensacional com vocês pelas praias da ilha. Agora que aprenderam o caminho da roça… é só voltarem. 🙂

Hoje é dia de Oscars, a maior festa do cinema hollywoodiano que acontece todos os anos.

Oscars 2018

Acompanho esta cerimônia religiosamente desde 1983, quando ainda criança e fascinada pelo pequeno extraterrestre, torci loucamente para “E.T.” ganhar todos os Oscars – era ainda o tempo em que a Academia esnobava Steven Spielberg e o filme clássico infantil levou apenas os chamados “oscars técnicos”. (Levou tempo para Spielberg ganhar algum dos prêmios principais, e se tornar o que é hoje, um dos queridinhos do cinema americano.) E já comentei sobre o Oscar aqui no blog, mas não é prioridade, como vocês bem sabem

E todo ano assisto à cerimônia empolgada pela festa – mas muitas vezes nem tão empolgada com os filmes. Acho que a última vez que um filme me fez torcer muuuuito no Oscars foi com “Boyhood”, do Linklater, em 2015. Este ano, em contrapartida à maioria dos anos, temos uma safra de excelente de filmes, em minha opinião. Meus pitacos são completamente descompromissados, pura diversão anual de quem curte cinema-pipoca.

Dos filmes a que assisti, concorrendo este ano, meu predileto é “Call me by your name”. Estarei hoje torcendo para Timothée Chalamet ganhar o Oscar de melhor ator – embora seja praticamente impossível vencer do gigante Gary Oldman em “Darkest hour”. Entre as atrizes, Frances McDormand de “Three Outdoors Outside Ebbing, Missouri” é favorita disparada, e também torcerei por ela, que é uma das minhas atrizes prediletas sempre.

“Get Out” foi um filme que me surpreendeu – detesto filmes de terror e assisti a este filme sem saber que era um filme de terror. Gostei no final, me impressionou demais. A trilha sonora de “Dunkirk” é a minha favoritérrima, pelo experimentalismo em crescendo que contrasta com a tristeza “em descendo” da guerra. A trilha faz o filme, em minha opinião.

Adoraria que “Loving Vincent” ganhasse em animação – mas acho difícil. O filme é uma pequena obra-prima técnica, com um roteiro bonitinho e tal, mas não deve atrapalhar os planos de “Coco”.

Dos curtas, assisti recentemente a uma sessão no cinema perto de casa com todos os concorrentes a documentário e ficção curta-metragem. Meus favoritos são “Heaven is a Traffic Jam on 405” como documentário curta, e “The Eleven O’Clock” como ficção curta – embora tenha curtido bastante também “The Silent Child”.

Talvez o mais incrível deste ano na minha história pessoal de assistir Oscars, entretanto, seja que eu, que a-m-o documentários (é minha categoria predileta), só tenha assistido a um dos concorrentes, “Last Man in Aleppo” – um filme que me deixou muito chocada e extremamente triste.

É isso. Agora é estourar o milho de pipoca e curtir a festa.

Tudo de cinema sempre.

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Postado em 04/03/2018 por em Cinema

Eis que esta é uma semana movimentada para quem acompanha as notícias sobre vida selvagem. Amanhã é o Dia Mundial da Vida Selvagem (também celebrado por este blog em 2017) e na terça-feira passada, dia 26/fevereiro, foi o Dia de Apreciação do Tubarão Galhudo (Carcharhinus plumbeus). Então resolvi juntar tudo numa festa só, e celebrar a vida selvagem dos tubarões-galhudos nesta Sexta Sub.

Sexta Sub - Dia Mundial da Vida Selvagem

E temos algo importante a comemorar. Nesta semana, saiu um estudo feito na costa oeste da Austrália demonstrando que, em uma área que se tornou reserva marinha (com pesca proibida), a população de tubarões-cinzentos-de-recife (Carcharhinus amblyrhynchos, um parente próximo do galhudo) aumentou. A conclusão do estudo fala da possibilidade de um retorno até relativamente rápido de tubarões a um ecossistema uma vez que a área seja preservada. As consequências deste estudo são, portanto, claras: quanto mais reservas marinhas, maior possibilidade de preservação da vida selvagem e dos tubarões – pelo menos de espécies de tubarões mais costeiras.

Parece óbvio, mas a gente precisa sempre testar a hipótese e quantificá-la, para a partir daí conseguir mover a máquina legislativa e política para a criação de reservas. E é a ciência o mecanismo que nos permite testar hipóteses e sedimentar nosso conhecimento, para um resultado mais efetivo para nossa sociedade.

Também me deparei nesta semana com um post do Southern Fried Science muito interessante. A gente cansa de ler sobre os problemas que os tubarões, os oceanos e o meio ambiente em geral vem passando. E são uma realidade dura e cruel. Mas quantas vezes boas notícias ficam soterradas pelo mar de problemas que a mídia nossa de cada dia nos traz? Talvez devêssemos ser mais enfáticos com as boas notícias também.

Tento ao máximo trazer boas notícias sobre os tubarões para este blog, embora seja nítido que as más notícias predominem quando abro o jornal. Mas mesmo as más notícias podem ser analisadas sob uma luz positiva. É mais do que uma questão de ser poliana; é perceber que, se quisermos mudar algo para melhor, a gente precisa se espelhar em bons resultados. Os problemas na conservação aparecerão, mas se a gente entendê-los apenas como um obstáculo nessa corrida pela preservação das espécies mais ameaçadas, talvez o sucesso seja mais garantido. A maratona ainda pode ser vencida. #OceanOptimism 

Ou talvez este pensamento sugira a uma próxima hipótese a ser testada. (Ou pelo menos uma eficiente resolução de ano novo para este blog. 🙂 )

Tudo de vida selvagem – e tubarões galhudos – sempre.

Quando soube que iria para Estocolmo no verão passado para um congresso em minha área de pesquisa, comecei a procurar por hotéis que fossem bem localizados com o sistema de transporte. Logo achei um que ficava praticamente dentro da estação de trem que faz o traslado até o aeroporto, o Hotel C. Mas o melhor deste hotel não era a localização, no central bairro de Vasaplan: ele tem um Ice Bar. Isso mesmo, um bar completamente de gelo dentro do hotel.

Fiquei encantada com tal possibilidade tão escandinava. O que é engraçado, porque eu d-e-t-e-s-t-o frio, mas por razões que nem a própria razão reconhece, a-m-o estas experiências bizarras geladas por um curto intervalo de tempo. Já havia entrado num Ice Bar em São Paulo em 2008, e adorado a experiência. Seria uma boa oportunidade de entrar de novo numa fria, desta vez no contexto correto, em um país polar. 😛  Então reservei o Hotel C. E logo na primeira noite em Estocolmo, depois de andar o dia inteiro pela cidade, fui conferir o Ice Bar.

Siga o alce fake.

O Ice Bar de Estocolmo é parte da rede IceHotel na Suécia, que constrói o famoso hotel de gelo em Jukkasjårvi, a 200 km ao norte do Círculo Polar Ártico – isto sim é entrar numa gelada… o bar é todo feito com blocos de gelo de 1 x 2 x 1 metros que vêm de Jukkasjårvi, e no total o Ice Bar utiliza 40 toneladas de gelo a cada ano. Mas o mais legal é que, a cada ano, um artista diferente elabora e decora o interior do bar – ou seja, todo ano, o “tema” e a decoração do bar mudam.

Em Estocolmo, o Ice Bar se mantém aberto 9 meses do ano: na primavera ele fecha, porque é descongelado completamente, os novos blocos de gelo chegam e o artista do ano começa o processo de reconstrução do Ice Bar. Que reabrirá no final de abril.

Antes de me dirigir ao interior da câmara fria do Ice Bar – mantida a gélidos -5ºC -, paguei minha entrada de SEK 170 (~20 dólares; valor com desconto para hóspedes do Hotel C) e recebi uma vestimenta adequada para a experiência: um casaco-poncho super-grosso, com um capuz poderoso. A entrada dá direito também a um drink no bar, à escolha do freguês – e não tem cerveja no cardápio, que congelaria a esta temperatura; só bebidas mais fortes.

Perguntei ao mocinho da entrada o tempo médio que as pessoas conseguem ficar lá dentro naquela gelada, e ele me respondeu enfaticamente: 20 minutos. Como minha tese de mestrado envolveu estudar os mecanismos de termogênese do tecido adiposo marrom na exposição ao frio, respirei fundo e encarei este “experimento científico” em que eu mesma era a cobaia, imaginando que meu tempo deveria ser metade desta média, dado que sinto muito frio até no Havaí, que dirá em temperaturas árticas.

Ice Bar de EstocolmoDepois de passar pela porta dupla da câmara fria, a constatação óbvia: o IceBar é lindo! O transparente do gelo com a iluminação azulada me deu a sensação de estar nadando num lago – gélido, mas ainda assim dentro d’água. O tema do ano era “River to River” e exaltava a água, este patrimônio tão essencial aos seres vivos.

Dentro das paredes, diferentes figuras que lembravam água, inclusive a própria molécula de água desenhada. Fenomenal!

Mas estava ali com tempo contado, já que o frio espanta rapidamente os clientes – é possivelmente o bar de maior rotatividade do planeta, já que não dá pra ficar nem 1 hora sem padecer de hipotermia. Aproximei-me do bar e pedi ao bartender um drink que achei que tinha tudo a ver comigo: Sunrise, que além de aludir ao sol (do Havaí onde moro), tinha Triple Sec, a bebida predileta dos estudiosos da selenocisteína. #PiadaInternaDoMundoDoSelênio 

Os drinks são servidos em apropriados copos de gelo que depois de utilizados são… derretidos. Isto mesmo, o bartender não precisa lavar louça no Ice Bar. 😀

Puseram água no gelo.

Enquanto o bartender preparava meu drink, puxei um papo. O que ele achava de trabalhar naquele congelador? Ele estava de casaco, mas não parecia ser um casaco muito eficiente. O moço respondeu que além de estar acostumado com o frio, pois era esquiador nas horas vagas, ele saía a cada hora para esquentar um pouco.

(Eis um emprego que jamais poderia ter na vida: bartender do Ice Bar. Deve ser incrível a eficiência do tecido adiposo marrom deste pessoal, nosso órgão responsável por produzir calor…)

Com meu drink na mão, dei umas voltas pelo Ice Bar. As mesas e bancos são de gelo e havia dois corredores/ambientes principais, um deles com um trono de gelo e uma coroa esculpida no gelo. O frio começava a penetrar nos meus ossos, mas quis ser forte: tomei meu drink numa golada e pedi outro. Queria provar a mim mesma que poderia aguentar mais que os 20 minutos médios dentro daquele freezer.

E aguentei. Depois do segundo drink, já com as mãos e pés adormecidos do frio, saí do Ice Bar e olhei no meu celular: foram exatamente 31 minutos naquela friaca. Yes, we can!!!

Repeti a dose quase todas as noites em que estive em Estocolmo, com o maior sorrisão animado.

Uma Malla no Ice Bar. (Quase uma viking do gelo!)

A experiência é única e em minha opinião vale cada batida de queixo. Se estiver em Estocolmo, não deixe de aproveitar esta oportunidade de entrar numa fria de verdade.

Tudo de gelo sempre.

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A queridíssima e amada Xará Freitas tem uma seção no blog dela às sextas-feiras em que entrevista a cada semana uma pessoa diferente. A entrevista é curta, rapidinha, porque a ideia é só um aperitivo mesmo. Esta semana, a entrevistada sou eu, Lucia Malla. Então hoje ao invés de Sexta Sub, temos “Sexta Sobre” esta blogueira que vos fala. Cliquem lá para saber mais sobre as minhas redes favoritas. 😀

E, já que hoje decidi deixar link para vocês, fica aqui também o link da galeria de fotos vencedoras da última competição do Underwater Photography of the Year. O The Guardian colocou no site deles e tem cada foto inacreditável de linda! A minha preferida é a do cavalo-marinho. Corre lá pra ver!

Tudo de sobre sempre.

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Sobre outras entrevistas que dei no passado deste blog: 

Seda. Resultado da proteína do bicho-da-seda que, utilizado pela razão humana, o transforma em fios variados, finos, coloridos e delicados.

Bodas de seda

Que, quando entrelaçados de maneira metódica, formam um tecido uniforme, macio e suave. Que, nas mãos de um artesão criativo, pode ser transformado em uma vestimenta.

O fio biológico que traz (e faz) arte.

Celebremos 12 anos entrelaçados em muita bio e arte, meu amor.

Postado em 17/02/2018 por em Mallices

Numa semana em que rolou três festas grandes – Valentine’s Day, Carnaval e Ano Novo Chinês, tudoaomesmotempoagora – deixo aqui na Sexta Sub uma foto que, por puro acaso, celebra estas três datas de uma vez só: um casal de peixes-mandarim em cópula.

Sexta Sub: Amor mandarim de carnaval

Eu sei que é uma serendipidade, mas veja só que coincidência:

  • Valentine’s Day: casal apaixonado
  • Carnaval: com esse padrão de escamas coloridas, inspiração pra fantasia não falta.
  • Ano novo Chinês: o peixe chama mandarim. Precisa ser mais literal? 😀

Esta espécie de peixe já apareceu no blog antes. A foto foi tirada na ilha de Malapascua, nas Filipinas, um destino que foi o primeiro narrado neste blog há quase 14 anos – e local pelo qual começo a sentir saudade.

Por hora, entretanto… celebremos, pois!

Tudo de sub sempre.

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