Sexta Sub - mergulho no naufrágio Mahi

Já se vão alguns anos quando fiz este mergulho para visitar o naufrágio do navio Mahi, que senta no fundo do mar na costa oeste de Oahu.

Waianae Boat Harbor

Era uma manhã de domingo e nos encontramos cedo no píer de Waianae com o Ricardo, da Hawaii Eco Divers, para um dia de diversão embaixo d’água.

Há muito tempo meus amigos mergulhadores comentavam comigo sobre o Mahi, um navio de detecção de minas militares que foi intencionalmente afundado ali em 1982. A história mais interessante do Mahi é que a Marinha americana desencanou de utilizá-lo para desativar minas, vendeu-o para uma corporação que por sua vez o repassou para a Universidade do Havaí, que tinha a intenção de torná-lo um navio de pesquisa. Mas logo outro destino foi dado a ele: ser afundado para um projeto de construção de recifes artificiais da época. E assim foi – eis que a 1km da costa, o Mahi se sentou intacto, perfeitinho, a ~30m de profundidade.

Mas eis que em novembro do mesmo ano em que foi afundado o furacão Iwa passou exatamente pela costa oeste de Oahu, com swells enormes, causando muita destruição. Depois da passagem do furacão, os mergulhadores encontraram o Mahi bastante danificado, com o casco partido e cheio de ferragens, condição em que está no fundo do mar até hoje, quando mergulhamos.

O mergulho em si é considerado avançado, mas no dia em que fomos, o mar estava uma piscina – talvez por causa disso eu tenha achado o mergulho super-tranquilo. O Mahi está meio virado de lado, e a parte superior do naufrágio se encontra a rasos 20m.

As arraias que mandam no pedaço.

Mesmo perto da costa, a visibilidade ali é inacreditável de tão boa, em geral mais de 30m. Você desse pela corda, chega até ele, nada ao redor, vê os peixes e corais, e sobe de volta pela corda – mais direto e reto, impossível.

Em termos de vida marinha, um grupo de arraias-pintadas é residente ali, e há bastante corais e peixes típicos da fauna havaiana – ou seja, o projeto de criar um recife artificial que agregasse vida marinha foi bem-sucedido.

Por estar bem afastado de Waikiki (e numa parte da ilha que recebe o swell das ondas grandes no inverno), este é um naufrágio bem menos visitado – mas não menos interessante. Para quem vem ao Havaí e quer mergulhar num ponto interessante, recomendadíssimo.

A costa menos explorada de Waianae, no lado oeste de Oahu.

Tudo de mergulho sempre.



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O que é o Havaí

Uma ilha no Pacífico.

Na semana passada, a população do estado do Havaí ficou em polvorosa, bastante ofendida com recentes frases toscas pronunciadas por aí. Então que os jornalistas Patrick Laforge e Christine Hauser, do NYTimes, resolveram investir em um artigo na sua seção de Travel que era um verdadeiro crash course sobre Havaí. Quem sabe agora os ~desavisados~ em DC entendem melhor, né não?

Achei o artigo engraçado e, ao mesmo tempo, muito útil, dadas algumas dúvidas normais que as pessoas têm e que recebo por email. Então decidi traduzi-lo e adaptá-lo livremente aqui no blog, usando o mesmo formato que o NYTimes utilizou e fazendo alguns comentários mallas para ajudar. Fica como registro, como se fosse um rápido FAQ sobre o Havaí para os incautos leitores mais curiosos. Vamos lá.

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PERGUNTAS FREQUENTES

É possível dirigir até o Havaí?

Não. O Havaí é um arquipélago no meio do oceano Pacífico (veja mapa abaixo; em azul o oceano). Há oito ilhas principais que compõem este arquipélago: Ilha do Havaí (ou Big Island), Maui, Oahu, Kauai, Molokai, Lanai, Kahoolawe e Niihau.

Já recebi esta pergunta sobre vir de carro pro Havaí em emails (repare o plural), então não custa ~esclarecer. É que a palavra “mapa” foi removida do dicionário de alguns Homo sapiens, gente, relevem… #RIPGeografia

Um arquipélago cercado pelo Oceano Pacífico por todos os lados.

O Havaí é um estado?

Sim. Foi um reino independente de economia mercantil com a Europa até a chegada do Capitão James Cook em 1778; foi anexado pelos Estados Unidos em 1898, depois de um golpe econômico liderado por estrangeiros (incluindo 162 marinheiros e vários comerciantes) que retirou do poder a Rainha Liliuokalani. O #ForaLiliuokalani foi notícia de primeira página nos jornais da época.

Primeira página do jornal local Honolulu Star-Bulletin no dia 21 de agosto de 1959.

A primeira tentativa legal de tornar o Havaí um estado americano foi introduzida para votação pelo Congresso em 1921 – e os representantes do legislativo insistiram na pauta todos os anos por mais 48 anos, até que em 21 de agosto de 1959 conseguiram finalmente que o Havaí se tornasse um estado dos EUA. O presidente da época era Eisenhower.

Alguém mora no Havaí?

Sim. Cerca de 1 milhão e 360 mil pessoas – mais que outros 10 estados americanos. O Havaí tem mais extensão territorial terrestre que o estado de Connecticut e, se incluirmos a área oceânica, é maior que Massachusetts ou Nova Jérsei – e vale lembrar que ainda cresce todos os dias em área terrestre. Em termos brasileiros, o Havaí é maior que o estado do Acre ou de Alagoas.

Honolulu – uma metrópole no meio do Pacífico.

Oahu é a ilha mais populosa, com mais de 953.000 pessoas, de acordo com o censo de 2010. Honolulu é a capital do estado do Havaí e fica nesta ilha.

O Havaí também é o estado mais diverso dos Estados Unidos. Mais de 60% da população é de ascendência asiática, sendo o maior grupo os filipino-americanos. Considero que o Havaí está para a Ásia assim como Miami está para a América Latina – são os EUA mais perto deles, por isso a predominância populacional.

Em 2010 (último censo), cerca de 350.000 moradores se classificaram como nativos do Havaí ou de outras ilhas do Pacífico, sendo que 20% deste grupo é capaz de rastrear sua ancestralidade até um membro da população original, pré-homem branco.

E alguma coisa importante já aconteceu no Havaí?

No dia 7 de dezembro de 1941, “um dia de infâmia marcado para sempre na história”, o presidente da época Franklin Roosevelt disse ao país: “Os EUA foram atacados de surpresa e deliberadamente por forças aéreas e navais do Império Japonês.”

Rascunho original do discurso de Roosevelt sobre 7 de dezembro de 1941, rabiscado pelo próprio. Em exposição no Parque Nacional Histórico de Pearl Harbor.

O ataque a Pearl Harbor em Oahu marcou a entrada dos EUA na 2a Guerra Mundial e levou à ascensão americana como superpotência por décadas. Portanto, sim, alguma coisa importante aconteceu no Havaí.

Arizona Memorial, em homenagem aos americanos que pereceram durante o ataque a Pearl Harbor.

O que move a economia havaiana?

Por séculos, a cana-de-açúcar foi o principal produto de comércio e exportação da economia havaiana, atividade esta que modelou a história das ilhas nos últimos 200 anos. Entretanto, a última usina de cana-de-açúcar foi desativada no ano passado (2016), em Maui.

Era uma vez uma indústria de açúcar.

Atualmente, as principais atividades econômicas do estado são o turismo e a indústria militar. A base de Pearl Harbor ainda é ativa e operante, central do Comando do Pacífico das Forças Armadas Americanas. Esse moço trabalhava na sucursal havaiana da Agência de Segurança Nacional antes de se tornar um exilado político. A média de renda anual no Havaí é a 5a mais alta dos EUA, a US$63.030 por ano (censo de 2010).

Quais são as contribuições culturais do Havaí?

Dentre as ricas contribuições na dança e música, estão os movimentos únicos e graciosos de mãos e pés da hula, o instrumento musical ‘ukulele e o método slack-key, uma variação de estilo para se tocar violão.

Hula: a dança que é a cara de “uma ilha no Pacífico”.

Os músicos mais tradicionais do Havaí são Eddie Kamae e Israel Kamakawiwo’ole (ou Brother Iz).  Ambos contribuíram para um renascimento da cultura havaiana tanto no modo de tocar ‘ukulele quanto no refletir sobre suas raízes. Kamae morreu em janeiro passado; Iz morreu em 1997, antes de ver seu álbum “Over the Rainbow” se tornar mundialmente famoso e o mais importante da música contemporânea havaiana.

‘Ukuleles para todos os gostos.

Em termos de cultura audiovisual, o seriado “Hawaii 5-0” foi popular por décadas, acabou em 1980, e foi ressuscitado em 2010 com novos atores e outro ritmo. O Havaí também foi pano de fundo do famoso seriado “Magnum”, com Tom Selleck, e do filme “Os Descendentes”, que ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado em 2012. Em 2016, a Disney lançou o desenho animado “Moana”, uma verdadeira ode às culturas das ilhas do Pacífico, e cuja voz da personagem principal é narrada pela moradora havaiana Auli’i Cravalho, de 16 anos.

O NYTimes esqueceu, mas o Havaí também viveu 6 anos intensos de gravações do surreal seriado de TV e fenômeno de público “Lost”, que trouxe um lucro estimado de US$400 milhões pro estado.

E acrescento uma curiosidade cultural e linguística: o alfabeto havaiano é o menor do mundo, com  apenas 13 letras.

E essa obsessão toda com spam?

Um artigo da Vice em 2016 chamou o spam, esta carne enlatada (e para mim intragável) que domina a culinária havaiana, de “tanto uma bênção quanto uma maldição”. O Havaí consome 7 milhões de latas de spam por ano. Há inclusive o festival anual do spam, o Spam Jam, que no ano passado contou com a visita de 25.000 pessoas (eu inclusa).

Juro solenemente que não abracei o spam. 😀

O Havaí nunca sai nos jornais?

O Havaí é a terra de nascimento do ex-presidente Barack Obama (“Obama Ohana”), o 44º presidente americano. Ele passa férias no Havaí. Até um tempo atrás alguns servidores públicos se mobilizaram para liberar a certidão de nascimento dele no Kapiolani Hospital, em Honolulu, para que se acabasse de vez com uma conspiração maluca de que ele não teria nascido nos Estados Unidos. Isso gerou bastante headlines na época. (Nos EUA, a certidão de nascimento é um documento inviolável da pessoa, que não pode ser retirado de um órgão oficial sem mandado judicial.)

Kama’aina Obama.

Mais recentemente, um juiz havaiano bloqueou a tentativa do atual governo federal de banir a entrada de pessoas de 6 países de maioria muçulmana. Parece que foi este bloqueio que gerou os comentários toscos de que falei no início do post.

Pipe Masters, a última etapa do mundial de surfe. Nas páginas de esporte de alguns jornais.

E o NYTimes esqueceu do que, a meu ver, é o principal: o surfe. Terra de dois dos maiores surfistas de todos os tempos, Eddie Aikau e Duke Kahanamoku, todo ano o Havaí está nas páginas de esporte dos jornais qualificados, já que são nas ondas de Pipeline que os maiores nomes do surfe mundial se debatem durante a final do Mundial de Surfe. Todo. Santo. Ano.

Pelo menos aparecem uns gatos pingados para assitir ao mundial de surfe, néam?

Mais dúvidas? Caixa de comentários aberta à vontade, sintam-se em casa! 🙂

Tudo de Havaí sempre.

 



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Para não dizer que não falei das flores…

Eis algumas fotos de ontem da Marcha pela Ciência em Honolulu, Havaí (#ScienceMarch ou #MarchForScience). Foi um evento nacional que movimentou a comunidade científica, os interessados em ciência, e muitas pessoas de bom senso e razão não-envolvidas com ciência, mas que entendem o valor do conhecimento científico para uma sociedade. Em Honolulu, o evento foi bem organizado, apoiado pela Universidade do Havaí e consistiu numa caminhada pelas ruas principais do bairro de Manoa, onde fica o campus central da Universidade.

Caminhando e cantando e seguindo a razão

Carta ao Clima.

#DIVEST.

More equations, fewer invasions.

O protesto foi pacífico, apesar do sentimento geral era de irritação e angústia pelo que o atual governo (e o eleitorado que votou nele…) pensa da ciência, a base de toda e qualquer aventura humana de conhecimento. Enfim, deixo também o vídeo do cientista e divulgador de ciência Neil DeGrasse Tyson, que mostra o profundo incômodo que permeia o coração dos cientistas, com o atraso e o rumo que as decisões sobre ciência vêm andando.

Tudo de ciência e razão sempre.

Um dos meus points favoritos de snorkel no Havaí inteiro é a baía de Honaunau, a cerca de 20 milhas ao sul de Kona na Big Island. Ali, os corais estão relativamente saudáveis e a quantidade de peixes e tartarugas é imensa.

Em geral, é minha indicação principal para quem quer um bom snorkel sem precisar encarar um passeio de barco – dá pra entrar na água da costa mesmo, e você pode ir por conta própria. Além do mais, Honaunau tem áreas mais rasas (lado esquerdo) e outras mais fundas (lado direito), portanto tem snorkel para todos os níveis e gostos.

Honaunau

É super-fácil de entrar na água em Honaunau, usando os degraus naturais que a rocha possui.

Por sua posição geográfica, Honaunau é uma baía protegida dos grandes swells e ondas, o que mantém os corais praticamente intactos – o outro nome de Honaunau é “City of Refuge”, ou Cidade de Refúgio. Boa parte das placas indicadoras para se chegar lá, aliás, indicam “City of Refuge” ou “Place of Refuge”. De cada lado da baía, uma visão diferente do mundo havaiano.

Na extremidade esquerda, o Parque Nacional Histórico de Pu’uhonua o Honaunau é onde nos tempos ancestrais os havaianos que quebravam as leis sagradas da sociedade se refugiavam – e depois de estarem ali por um tempo, poderiam voltar ao convívio social com seus pecados ou crimes perdoados. Pu’uhonua é o termo para um local que o rei havaiano designava como sagrado ou de limpeza espiritual, e em havaiano significa “lugar de paz e segurança; asilo”. Embora um pouco similar ao conceito de prisão, o fato de muitas vezes ser voluntário – o criminoso/pecador/insurgente decidia ir para lá se refugiar e se “limpar” dos seus erros – é uma herança interessantíssima da cultura havaiana. Dentro do Parque, havia uma área especial para a família real, onde ela se “purificava”, e um grande muro separa esta área de onde antigamente outras pessoas que desonravam a lei ficavam. Aos interessados por história, este é o melhor conservado parque histórico que retrata o Havaí antigo. Para entrar no Parque Histórico paga-se um ingresso (US$3,00 por pessoa ou US$5,00 por veículo, válido por 7 dias).

Mas para quem vai ali apenas com interesse no snorkel, o melhor é nem entrar no parque, e sim pegar o acesso público à praia: a última rua à direita antes da portaria do parque. Dali, chega-se a área de piscinas naturais de rocha de lava (lava rock). O amontoado de rochas forma degraus naturais em certos pontos destas piscinas, e são destes degraus que a maioria das pessoas sai para explorar a baía (vá de botinha). Com a ajuda do Google Maps, fiz um mapinha para vocês terem melhor ideia do local.

Do lado direito de Honaunau, mais fundo, vemos mais abundância de vida marinha e formações que lembram pequenos cânions de corais. É nesta área que a maioria dos praticantes de mergulho autônomo vai, principalmente principiantes. Entretanto, você está nos fundos da casa de alguém, e é bom ter isso em mente quando estiver fotografando, pois os moradores não gostam de ter sua privacidade invadida. Debaixo d’água, um azul profundo e uma visibilidade a perder de vista – o mar ali em Kona é realmente sensacional.

Sou suspeita para comentar, mas quando vou a Honaunau, costumo passar pelo menos uma manhã inteira ali para apreciar com calma os corais. Levo uns sanduíches ou snacks, e faço piquenique na área rochosa das piscinas naturais. É um relax total.

Mas há um senão para o turista desavisado. Honaunau não tem estacionamento. Há poucas vagas para parar o carro na rua, e os moradores locais não gostam muito quando sua vizinhança está entupida de carros. (O estacionamento que vocês vêm no mapa é do parque, e eles costumam não gostar de ver você estacionar ali e ir fazer snorkel, algumas vezes até impedindo.) Meu conselho é: estacione longe, já na rodovia, e ande. Ou chegue beeeeem cedo, para poder estacionar na rua principal (e praticamente única daquele recanto).

Uma outra dica importante é de que, estando na água snorkelando, não é permitido sair na prainha que fica dentro do Parque Histórico, que é considerado um local sagrado. E esta prainha fica no canto do parque onde a maioria das tartarugas gosta de nadar, portanto você provavelmente chegará perto dali… Mas, conselho da tia, não caia na tentação de curtir esta prainha – a multa pode ser puxada.

Vale lembrar também que não há banheiros públicos (só químicos) nem salva-vidas na área – portanto, para se aventurar a snorkelar aqui, a pessoa deve se sentir confortável para tal atividade.

Uma Malla em Honaunau.

No mais, debaixo d’água, Honaunau é um dos melhores pedaços de paraíso que você encontrará na Big Island. Os corais e peixes coloridos são abundantes, e tenho certeza que este snorkel ficará guardado na sua lembrança num lugar bem aconchegante, onde estão os melhores momentos de uma vida interagindo com o mar. Palavra de Malla. 🙂

Tudo de Havaí sempre.

P.S.: Tem uma surpresa no fundo do mar em Honaunau, que mostrei neste outro post do blog. 😉

Semana passada, recebi um email de feedback super-bacana do Luis:

“Oi, Lucia!
Só quero deixar registrado meu agradecimento pelas excelentes dicas sobre o Hawaii, no teu blog. Li tudo que você escreveu sobre as ilhas antes de viajar para o paraíso em janeiro/2017 com minha família. Ficamos em Oahu e na Big Island. Apesar da viagem cansativa, todos amamos o Hawaii e pretendemos voltar com mais tempo (ficamos apenas 10 dias). Graças às tuas dicas consegui fazer um roteiro otimizado para aproveitar bem o tempo e conhecer lugares únicos no mundo.
Se quiser dar uma olhada na nossa viagem, fiz um pequeno vídeo com algumas fotos.
Mais uma vez, obrigado!
Abraço,
Luis”

Feedback de viagem - Luis

Dentro do lava tube, na Big Island.

Muito obrigada, Luis e família, pelas palavras gentis! É incrivelmente emocionante perceber que pude ajudar um pouquinho na sua viagem ao Havaí. Isto me anima a continuar compartilhando esta paixão intensa que tenho pelas ilhas havaianas (e por tubarões… 😀 ) com o mundo, via este blog.

Perguntei ao Luis se ele autorizaria postar o vídeo aqui; ele autorizou. Então deixo como inspiração de viagem a quem estiver pensando/sonhando em vir pro Havaí – tenha certeza que as ilhas te esperam com aloha e momentos inesquecíveis, de braços abertos.

Mais uma vez, mahalo, Luis, por compartilhar sua emoção com a gente. 🙂

Bienal de Honolulu

Está acontecendo até o dia 8 de maio a Bienal de Honolulu 2017, evento de arte contemporânea ultra-focado nas culturas do Pacífico. O tema deste ano é sensacional: “Middle of Now|Here” – além da contemporaneidade, alude à antiga visão de que as ilhas eram o meio do nada, e hoje vêm renascendo como quase ground zerofront essencial em grandes problemas atuais da nossa humanidade, como mudanças climáticas e futuro nuclear.

Mais: no mundo atual de extrema instabilidade política, financeira, ambiental e emocional, a arte é o palco ideal e fundamental para reflexão destes tantos desafios e incômodos planetários. Integrar e ouvir os povos do Pacífico nesta discussão artística é, a meu ver, fundamental.

“Above the wall under the rainbow, free air”, mural do artista indonésio Eko Nugroho.

As obras da Bienal estão espalhadas pela cidade de Honolulu, do Honolulu Art Museum ao Foster Botanical Garden. O pavilhão principal, onde estão a maior parte dos trabalhos, fica na Ward Avenue e chama-se The Hub. Ali, o foco é bastante na desocidentalização necessária das culturas ilhéus do Pacífico, principalmente condenando os anos de uso e abuso destes paraísos naturais para testes nucleares – a instalação sobre as bombas detonadas em Bikini da artista marshalhesa Kathy Jetnil-Kijiner, é de arrepiar a espinha.

“The Great goddess Pere”, murais de Alexander Lee.

“Target Island”.

Outra obra que tocou nesse tema foram os murais de Alexander Lee, do Taiti, que aludem ao impacto explosivo dos testes franceses em Moorea numa disposição quase como “azulejo” e cujo título em taitiano traduz-se para “A Grande Deusa do Fogo Pere”; e “Target Island”, do neozelandês Brett Graham, que reflete sobre o uso pelo exército americano da ilha havaiana de Kaho’olawe, terreno sagrado dos antigos havaianos, como área de treinamento e artilharia, deixando-a inabitável.

Algumas obras ainda relacionadas ao tema nuclear me chamaram bastante a atenção, como “Crystal Palace: the great exhibition of the works of industry of all nuclear nations”, que eram várias luminárias de vidro de urânio e luz UV, dos artistas Ken & Julia Yonetani.

E no contexto de obras sobre a “desocidentalização” do Pacífico, talvez a mais inspiradora tenha sido uma “homenagem” a meu ídolo Marcel Duchamp feita por Yuki Kihara, usando fotos e vídeo de um samoano descendo a escada, em “Maui Descending a Staircase II”. (Sou parcial: qualquer exposição que mencione Duchamp, no meu caderninho, já ganha muitos pontos…)

“Maui Descending a Staircase II”.

Outro destaque: a sala que o grupo de arte colaborativa teamLab organizou, chamada “Graffiti Nature”, com projeções coloridas e psicodélicas de animais tropicais pelo chão, tudo super-orgânico e atraente para as crianças – na hora em que estava lá, tinham vários meninos sentados no chão desenhando enquanto as projeções de baleias, jacarés e afins passavam por cima deles. Um barato!

“Graffiti Nature”

No histórico prédio da IBM no bairro do Kaka’ako, está para mim a preciosidade desta Bienal: a obra/instalação “I’m here, but nothing” da artista japonesa Yayoi Kusama. Kusama montou esta instalação especialmente para esta Bienal: um quarto/sala de plantation house havaiano, com toda a mobília e artefatos típicos daqui, e tudo marcado com adesivos coloridos que brilham no escuro – o ambiente está iluminado com luz negra e, como as bolinhas não são uma projeção e sim adesivos, você tem uma sensação bem mais integrada. Kusama é famosa por seu mundo visto com bolinhas, e o uso dos adesivos é um direcionamento muito interessante em termos de uso de materiais pela artista.

(E o IBM Building entrou na onda da arte colorida de Kusama e vem sendo iluminado como arco-íris enquanto a Bienal ocorre. #MuitoAmorÀArte )

Fica então a dica: se você estiver pelo Havaí neste mês, não deixe de visitar, pelo menos o “quarto” da Kusama – é gratuita (as exposições nos demais pontos da cidade têm ingresso a US$10,00/pessoa).

A mala da Kusama. 🙂

Tudo de arte sempre.

Artista local Chris Ritson (e seu fiel companheiro canino) comentando sua obra de arte bioregenerativa, feita com fungos e algas vivas.

 

Corais de Maragogi

Em novembro passado, estivemos André e eu em Maragogi, pela primeira vez. Já conhecia Alagoas de outras viagens na infância, mas a Maragogi, era a primeira vez que ambos íamos. E estávamos ansiosos: o que eu lia pela internet era o quanto aquele recife de corais era lindíssimo, sua fauna riquíssima, e sua água morníssima e de cor belíssima (um lugar superlativo, tudo indicava). Está ali a maior barreira coralina da costa brasileira, supostamente uma das maiores do mundo, então fazia sentido que o lugar fosse tudo isso mesmo. E para nós que amamos os corais do mundo, a oportunidade de ver – e fotografar – de perto os corais da nossa Costa dos Corais brasileira era especial. Eu estava super-animada.

Chegamos a Maragogi numa tarde de novembro e fomos direto para nossa pousada, a Portal de Maragogi – pé na areia, simples e eficiente. A maré estava vazante, e a extensão de areia enorme da praia a transformava em campinhos de futebol para diversas turmas. Inúmeros vendedores ambulantes e pessoas passeando ao entardecer. Uma atmosfera pacata relax deliciosa. Aquela costa de Alagoas é realmente a mais linda do Brasil, hands down. A cor da água, gente!

No calçadão de Maragogi, minha fraqueza: tapioca nos mais diversos gostos e estilos. Depois de traçar um pratão de vatapá, ainda sobra um espacinho para a tapioca, claro. E vamos dormir cedo que no dia seguinte tem o encontro esperado com os corais de Maragogi!

O passeio às famosas Galés de Maragogi (e outras piscinas naturais da área) é o carro-chefe do turismo na região, e se faz apenas na maré baixa. É fundamental, portanto, olhar a tábua de marés – é ela que determina o horário do passeio. No dia em que lá estivemos, a maré baixa era às 9 da manhã. Então no dia seguinte pegamos um barco a motor credenciado logo cedo, e fomos visitar as Galés.

O passeio às piscinas naturais da região é bem regulamentado – o que é excelente, pois pode significar que há todo um trabalho de conservação e manutenção adequada dos corais e do ecossistema da região, e de reestabelecimento das áreas degradadas. Algumas das regras:

  • paga-se uma taxa de conservação para visitar as piscinas naturais;
  • os turistas só podem ir até as piscinas naturais na maré baixa;
  • há dias em que o passeio não sai, para que o ecossistema “descanse”;
  • os barcos têm um limite de passageiros e tempo nas piscinas naturais;
  • há um barco oficial de fiscalização nas piscinas naturais durante todo o passeio, para evitar que barcos não-credenciados comecem a super-lotar o local;
  • ao fazer snorkel ali, não se pode usar nadadeiras, para evitar quebrar os corais sem querer;
  • é proibido alimentar os peixes e outros membros da fauna, assim como pisar nos corais.

Além disso, pelo menos no barco onde estávamos, os guias reforçaram a regra de não encostar em hipótese alguma nos corais e nos peixes. Achei ótimo.

Ainda assim, pelas fotos que eu tinha visto pela internet, já esperava que o lugar estivesse relativamente cheio de gente. Entretanto, a maioria das pessoas chega ali e fica perto da área de ancoragem, onde o fundo é de areia, curtindo a água quentinha e a piscina natural. Então decidimos colocar a máscara e o snorkel e nos direcionarmos, baseado no tempo que teríamos ali, para áreas um pouco mais distantes daquele amontoado de gente.

E aí é que fiquei boquiaberta.

Chorando embaixo d’água.

Logo no início, os corais estavam completamente cobertos por algas – sendo asfixiados, ou já mortos. Poucos peixes. (É engraçado, porque havia lido que a quantidade de peixes era o que mais impressionava as pessoas, mas acho que “muito peixe” é uma expressão que depende da sua experiência pessoal. Para um ecossistema saudável, a quantidade de peixes, assim como as espécies que vi ali me assustou: praticamente só herbívoros, pouca diversidade, e a maioria dos indivíduos arredios, exceto os que obviamente se aprochegavam por estarem ~condicionados~ a serem alimentados (o que sugere que, apesar das regras, algumas pessoas ainda alimentam os peixes).

Mergulho autônomo em Maragogi: é na realidade um tow-in subaquático, que leva o cliente numa área das Galés que não é complicada de snorkelar.

Achei que esta situação triste era apenas ali, perto de onde os barcos atracavam. Mas que nada: continuando o snorkel até a área mais funda e com menos gente, onde algumas empresas fazem o “mergulho” autônomo, a situação dos corais era praticamente a mesma: tirando uma ou outra colônia de coral-fogo (é uma espécie bem mais resistente mesmo), o emaranhado de algas cobria toda a formação coralínea dos cabeços.

Repare que a moça se segura no coral para tirar a fotografia. Mas aí pensei: adiantaria ser malla e reclamar? O coral já estava morto mesmo… #TristezaSemFim

A água naquela região sempre foi um pouco mais quente, portanto os corais de Maragogi provavelmente se adaptaram e se tornaram resilientes à temperatura um pouco mais elevada da água. Minhas hipóteses, portanto, eram: ou a temperatura do mar da região aumentou além do que os corais estão acostumados (como consequência das mudanças climáticas, como vem acontecendo pelo mundo), ou o impacto do turismo ainda é muito elevado, e a regulamentação precisa ser mais rigorosa ainda (menos pessoas por dia, talvez…?). Uma terceira hipótese poderia ser de que a área ainda não se recuperou de décadas anteriores de exploração pesqueira dos peixes maiores – sem as espécies-chave de uma cadeia alimentar saudável para manter o recife de coral, a comunidade biológica se esfacela, como o que a gente viu ali embaixo d’água. E pode também ser uma situação temporária – embora minha experiência vendo outros corais do mundo tende a acreditar que a situação ali está nos minutos finais mesmo.

O peixe mais comum de ser visto nas Galés de Maragogi.

Não sei qual delas é a hipótese mais provável para tal situação deprimente dos corais, mas desconfio que uma combinação de todas elas é a resposta mais adequada – ou seja, os corais de Maragogi gritam por socorro devido a diversas ameaças.

Snorkelei pelo tempo nos dado nas Galés – e descansei bastante nas águas das piscinas naturais, que são sim, morníssimas e lindíssimas vistas de cima, perfeitas para fotos no instagram. Mas a constatação da realidade dura e crua de que aqueles corais podem estar – se já não se foram… – em seus dias finais me entristeceu imensamente.

Galés de Maragogi: lindas vistas de cima. A cor do mar ali é hipnotizante.

Eu adorei a cidadezinha de Maragogi, e quero incentivar as pessoas a visitá-la, por seu povo adorável de simpático, pela tranquilidade de sua praia, pelas comidas deliciosas – e principalmente porque a comunidade depende do turismo e as alternativas a ele ainda são escassas na região. O dano econômico de não irmos mais a Maragogi seria trágico.

Mas não posso deixar de expressar também o aperto no coração que Maragogi me trouxe. A profunda preocupação pela situação de seu ecossistema e pelo futuro que vem para estes arrecifes, em uma região que depende dele economicamente (situação que se repete por tantas outras áreas de corais do mundo). Estes pensamentos me deixaram com a triste constatação de que talvez eu tenha visitado as piscinas naturais de Maragogi tarde demais.

Um lastimável exemplo do que é e será o turismo em tempos de mudanças climáticas.

Nem sempre tudo de bom.

Acabei de chegar da sessão de encerramento do Hawaii International Film Festival – Spring 2017*, cujos filmes projetados foram o curta-metragem “Reefs at Risk” e o longa “Chasing Coral”. Ambos com a temática “recifes de corais”. Como apaixonada pelos corais do mundo, ambos impactaram-me muito, e ainda estou com os olhos vermelhos de tanto chorar depois de assisti-los. Tentarei expôr minhas impressões de ambos, extremamente passionais e pessoais.

Comecemos com o curta.

A delicada fragilidade dos corais.

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“Reefs at Risk” é um projeto cinematográfico caseiro incrível de mãe e filha havaianas sobre o problema do composto químico oxibenzona, presente na maioria dos filtros solares e maquiagens. A oxibenzona é um análogo do estrogênio (um endocrine disruptor), e quando dissolvido na água do mar, afeta a saúde dos corais, diminuindo sua resistência a temperaturas e sua capacidade reprodutiva. (Além dos riscos a longo prazo que não sabemos causar em humanos…)

O filme descorre sobre o quanto de oxibenzona entra na água diariamente em Waikiki, uma praia super-turística do Havaí, e na maior parte das praias do estado, já que praticamente todos usam filtro solar. Também comenta o quanto o filtro solar em spray é pior que o creme, e de todas as iniciativas para se banir completamente a venda de produtos que contenham oxibenzona no estado, com o intuito final de evitar danos ao ecossistema dos corais. Ao final da apresentação, as duas produtoras comentaram sobre alternativas ao uso de oxibenzona e distribuíram algumas amostras de filtros solares que não possuem o produto.

Lição maior: ao invés de filtro solar, use uma camiseta e boné. Pela saúde dos corais.

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Chasing Coral“Chasing Coral” é um documentário sobre o futuro deprimente dos recifes de corais do planeta. Do mesmo diretor de “Chasing Ice”, Jeff Orlowski, tem o mesmo estilo e linha de roteiro: uma equipe de fotógrafos/ambientalistas que criam e adaptam uma máquina fotográfica em time-lapse para registrar o processo de branqueamento dos corais de diferentes regiões do planeta. Como em Chasing Ice, o primeiro experimento não funciona – a câmera dá pau. Mas depois, o grupo consegue filmar o time-lapse – e a mensagem do filme é de cortar o coração. (Chorei de soluçar.)

Chasing Ice, o filme anterior, já tinha me deixado de coração na mão. Mas era sobre geleiras e áreas nevadas, um ambiente por si bastante “exótico” para mim. Chorei porque a mensagem era clara e cristalina: naquele ambiente tão distante o quanto nós, em qualquer lugar do planeta, o afetamos.

O problema de Chasing Coral é diametralmente oposto… porque os recifes de corais são sem dúvida um dos meus lugares favoritos no mundo, onde encontro a minha paz interior. Tenho  uma conexão tão grande com eles que não dá nem pra explicar direito, é coisa de paixão mesmo, de amor incondicional. Por esse sentimento tão intenso e próximo, mal o filme começou e a perspectiva do que se anunciava ficou clara, eu já estava chorando. De soluçar. (E estou chorando escrevendo isso. #Manteiga)

Esta foto é de 2012. Tem uma cena no filme neste exato coral em Samoa Americana, o Airport Reef. Só que no filme… #sentaechora

Por mais que o filme tente manter uma linha de bom humor e um pouco de esperança, com um figuraça coral nerd até divertido, a mensagem que o conduz e que deixa reverberar na nossa cabeça é tão trágica, tão profundamente triste e deprimente, que não tem como sair do cinema sem uma sensação de falta de esperança total na humanidade. Para mim, uma otimista de carteirinha, isto talvez seja o aspecto que mais me consumiu: a constatação de que não há mais jeito, praticamente, de salvar os recifes de corais do mundo. A que ponto chegamos como (des)humanidade.

Estamos nos últimos segundos para salvar este ecossistema. O filme diz que, a manter-se o estado atual das emissões de CO2, em 30 anos poderemos ter um mundo sem recifes de corais. 30 ANOS. 30 freaking years. É um nada! É praticamente agora; é o seu filho ou filha que nasceu nos últimos anos não podendo ver mais corais em seu ambiente natural na vida adulta. Vocês têm noção do quanto isso é estarrecedor para este planeta – e para a nossa saúde geral?

Admirando os corais (à época, saudáveis) da Nova Caledônia. Foto de 2011.

Me deu uma dor no coração também ao ver que locais onde estivemos há pouco tempo, como Heron Island e Nova Caledônia, cujos corais me emocionaram e me cativaram tanto, estão praticamente esperando para morrer em breve, na próxima onda global de temperatura alta do mar – tivemos 2 eventos de aquecimento dramático num intervalo de 5 anos e a terceira onda já está em andamento. Nestas ondas de aquecimento, os corais morrem por asfixia e desnutrição: primeiro a temperatura da água do mar sobe e expulsa do coral as algas microscópicas simbiontes e fotossintetizantes que o alimentam; aí o coral branqueia e fica como se fosse uma rocha exposta, até que é coberto por outras algas, estas macroscópicas e que o sufocam para sempre.

Corais de espécies que estão no planeta há mais tempo que nós e todos os mamíferos, aves e répteis; espécies extremamente complexas e cujo entendimento atual é parcial, que ainda têm tanto a nos ensinar. A elas em sua maioria avassaladora, um epitáfio já está escrito.

Os corais de Kaneohe, no Havaí. Foto de 2010.

Chasing Coral tem um adicional maior de proximidade e intensidade para mim: a conexão enorme com o Havaí, minha escolhida casa. Os testes das câmeras subaquáticas do filme foram feitos na Baía de Kaneohe, o congresso onde foi anunciado o resultado final do time-lapse dos corais foi aqui em Honolulu, as cenas de coral no microscópio são as mesmas que já vi com os meus olhos naquele mesmo microscópio ao vivo e a muitas cores. E o filme torna-se finalmente próximo mesmo quando você vê na tela alguns conhecidos nossos aqui do Havaí, pessoas com quem você já esteve em festas e seminários. Ou quando um dos responsáveis pelas filmagens sub é um amigo nosso de outras expedições – por corais do mundo, claro. Ou quando na platéia assistindo estão vários conhecidos e amigos que lutam diariamente pelos recifes de corais, cada um a sua maneira, cada um na sua urgência.

Um pequeno cabeço de coral-dedo saudável em Heron Island, na Grande Barreira Australiana. Foto de 2015.

Com todos esses aspectos que gritam tão alto no âmago do meu ser, tão absurdamente pessoais, fica difícil que eu faça uma análise objetiva e racional do quanto Chasing Coral é fundamental, must-see do ano, quiçá do século – e se for possível enviar umas cópias também para Washington…

Tudo que posso dizer é: assista. E se emocione. E mergulhe nele. E repasse, e recomende aos amigos a assistir. E faça a sua parte: diminua o consumo de tudo, principalmente de combustíveis fósseis.

Com o mais profundo desejo (quase utópico) de tudo de corais lindos e saudáveis, sempre.

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Para mergulhar mais nos corais:

*Da série “Só no Havaí”: onde mais no mundo um festival de cinema internacional, cheio de filmes-bambambam-de-terror-zombie-diretor-estrelado-uórever, tem numa de suas mais importantes noites a exibição de um documentário ambientalista desse nível. <3 I love this place…

**De acordo com a produtora do filme, o mesmo estará em breve no Netflix. E ficará por um período gratuito a todos, mesmo os que não têm conta no netflix. Afinal, o objetivo é espalhar esta informação ao máximo. Já falei que recomendo a todos, né…

***Meu conselho viajante a todos os amigos, mesmo aos que não curtem tanto o mar: vá o mais rápido possível ver corais pelo mundo. Em qualquer lugar tropical. Para eternizar em sua memória de humanidade essa beleza que expira.

****Em 2008, eu dei a louca aqui no blog e publiquei obsessivamente por uma semana posts só sobre recifes de corais. Foi a “Semana do Coral”. Deixo abaixo o link dos posts da época, para quem quiser conhecer um pouco mais do meu ecossistema favorito do planeta:

Semana de Recifes de Corais 2008

Os corais de Bikini

Procurando (e encontrando) Nemo

Mar de cores

O trabalho no recife

Sherman’s Lagoon

 

Quando falamos sobre visitar museus na Europa, a lista de opções sensacionais é infindável. Especialmente na Itália, onde a história está a cada esquina do país te dando um tapinha nas costas, e as obras de arte são praticamente lugar-comum. (Que a Patricia não me ouça nesta heresia…) Entretanto, era um pequeno museu no norte da Itália que fazia parte dos meus sonhos museísticos na Europa: o Messner Mountain Museum (MMM).

Vista de Bolzano do Messner Mountain Museum.

O Messner Mountain Museum celebra todas as montanhas do mundo, em tudo que se pode imaginar relacionado a elas: as culturas que elas fazem florescer, os desafios de escalada das mesmas, a geologia das montanhas, a arte que brota inspirada nelas, o relacionamento homem-montanha que tanto fascina e amedronta. Para os que têm a febre do Everest, este é um museu 100% must-go.

Mas este museu não é um museu apenas – há seis filiais dele pelos Alpes, cada uma dedicada a um aspecto do tema “montanha”. Fomos no MMM matriz, o primeiro a ser inaugurado, localizado na parte sul do Tirol, em Firmiano – praticamente ao lado de Bolzano, perto da fronteira com a Áustria. Para chegar até este, claro, uma pequena escalada: o museu fica num castelo no alto de um morro. Este castelo foi anteriormente a casa de Reinhold Messner, o alpinista (e arquiteto!) mais fantástico que o mundo já viu, fundador do Messner Mountain Museum. Você vai de carro até um ponto da montanha e depois precisa enfrentar a subida à pé. Afinal, a experiência da montanha que o museu proporciona começa ali.

Entrada do Messner Mountain Museum, em Firmian.

Era uma manhã ensolarada no dia da nossa visita. Depois de passar o portão principal do castelo, damos de cara com um jardim lindo – e em aclive -, cheio de instalações, esculturas modernas e relíquias sobre a temática montanha. Estas obras são, em sua maioria, parte da coleção pessoal de Messner, angariadas ao longo da vida escalando os picos do mundo.

Messner Mountain Museum

Pinturas retratando Sir Edmund Hillary e Tenzing Norgay.

A partir do jardim, a visita – ou melhor, subida – pelo museu pode tomar diversos rumos. Há uma torre cheia de artefatos da cultura tirolesa e nepalesa, em salas cheias de ohm. Pode-se também ir na direção do anfiteatro, que, depois de uma escadaria de ferro, chega numa galeria com diversos quadros e mementos de expedições ao Himalaia e um pouco da história das escaladas históricas da região. Duas grandes pinturas são as estrelas deste ambiente: uma de Sir Edmund Hillary e outra de Tenzing Norgay, os dois primeiros alpinistas a chegarem ao cume do Everest. Sendo Messner quem é, claro que há bastante crítica e reflexão em diversas mensagens sobre o atual estado do turismo montanhista, particularmente no Everest, e o quanto o alpinismo atual diverge do purismo que Messner prega. Food for thought em alta escalada.

À medida que andamos pela galeria, estamos subindo vagarosamente pela propriedade, vendo encostas pedregosas e “penhascos” que dão a sensação de uma escalada. Até que chega-se a um ponto onde podemos andar pela muralha do castelo, lá no topo. Esta subida, devagar e sempre, faz todo sentido com a filosofia de vida alpinista de Messner, e o layout do museu tenta passar esta ideia para o visitante: devagar e sempre se chega lá. Um passo atrás do outro.

Aos poucos descemos da muralha por uma série de escadas e estamos de volta ao jardim central. O museu é pequeno, mas incrivelmente gracioso. Para mim, subir cada degrau daquele castelo foi uma pequena aventura de emoções pela vida e paixão do alpinista incrível que Messner é. O Messner Mountain Museum foi acima das minhas expectativas (que eram mais altas que o Annapurna…) e eu recomendo muito a visita a ele para quem estiver pela região. Quem sabe você também não se inspira pelo amor que Messner dedica às montanhas do mundo…

Só não é recomendável para quem tem medo de altura. 😉

Tudo de bom sempre.

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Para escalar mais:

  • Em minha opinião, a mais engraçada biografia já escrita ever sobre uma pessoa é a do Messner, escrita pelo Badass of the Week. Já li e reli trocentas vezes, mas ainda dou gargalhadas altas lendo. Simplesmente perfeita!
  •  Além de escalar os maiores picos do mundo sem oxigênio, solo e sem ajudas tecnológicas, Messner também foi a primeira pessoa a cruzar a Antárctica e a Groenlândia sozinho à pé, sem ajuda de nenhum sled ou snowmobile. E a primeira pessoa a atravessar sozinha o deserto de Gobi. Messner é realmente um fenômeno dos desafios homem x natureza, num patamar muito acima dos demais reles mortais… Acho que um dos museus Messner deveria ser dedicado à vida e carreira dele, sinceramente. 
  • O MMM de Firmiano fecha de novembro a março. Durante o resto do ano, fecha às quintas-feiras. Caso você seja realmente um aficionado por montanhas e tenha tempo pela Europa, dá pra comprar um passe, que te dá direito a entrar nos 6 museus Messner. Custa 35 euros e é válido por um ano.

    Detalhe em um dos degraus do castelo em Firmian.

Adoro listas e rankings e todas essas besteiradas que animam e relaxam um pouco a nossa mente cansada das preocupações reais do dia-a-dia. E acho que, se um dia este blog de viagens pessoais e na maionese tivesse que ser cotado/listado em algum serviço de AirBnBlog, ele seria (ou teria?) pelo menos três estrelas, vocês não acham? 😀

#SextaDaPiadinhaMarinha

Ranking três estrelas

E olha as três estrelas do blog aí, passando por cima do coral! 😀

(A da frente parece até que está se posicionando pra fugir da foto… tímida?)

Tudo estrelado sempre.

Postado em 07/04/2017 por em Sexta Sub
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