Meu amigo queridíssimo Nash tem um espírito aventureiro-mochileiro, e adora fazer trilhas desafiadoras. Fez recentemente as trilhas de Ka’aha e Pepeiao dentro do Parque Nacional dos Vulcões do Havaí na Big Island. Foram 3 dias de caminhada em área remota. Abriu um blog só pra registrar as aventuras desta trilha. E generosamente me deixou fazer uma tradução livre para o português, compartilhando seu post-guia detalhadinho desta ~jornada. Aos aventureiros de plantão que estão a fim de encarar um hike no meio dos campos de lava em completo isolamento… enjoy!

**Todas as fotos deste post foram gentilmente cedidas pelo Nash. 🙂

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Na trilha de Pepeiao

Flor de ohia do lado de fora da Cabana Pepeiao ao entardecer.

Resumão

Caminhamos por: Trilha do Ka’u Desert do ponto cênico de Hilina Pali até a Pepeiao Cabin; trilha de Ka’aha da Pepeiao Cabin até Ka’aha; trilha de Ka’aha até a volta ao Hilina Pali.

Onde dormir: Pepeiao Cabin por uma noite; Abrigo Ka’aha na outra noite.

Distância percorrida: ~14,4 milhas ou 23.2 km.

Prós: Trilha vazia na maior parte do tempo, não cruzei com ninguém no caminho até a subida da volta ao Hilina Pali. Os dois pontos de acampamento estão com novas privadas de compostagem. Paisagens lindas. A praia em Ka’aha.

Contras: Milhões de formigas-fogo em Pepeiao, e muitas baratas no abrigo de Ka’aha. Água potável com um cheiro estranho na Pepeiao Cabin. O calor é extremo da Pepeiao Cabin até Ka’aha quanto na subida da volta, de Kaaha até o Hilina Pali Lookout.

Faria de novo? Provavelmente não. Ticada da minha lista de desejos!

Mapa da trilha de Pepeiao. À esquerda, a vista geral do parque Nacional dos Vulcões do Havaí. O quadrado vermelho está ampliado no mapa à direita. Tirado do ©Google Maps.

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A ideia

A primeira vez que ouvi falar das trilhas remotas do Parque Nacional dos Vulcões do Havaí foi pela minha amiga Susie. As histórias dela sobre o camping em Halape e Keahou me animaram a me aventurar fora dos meus pontos usuais de acampamento e explorar a encosta sul do Mauna Loa. Depois de pesquisar sobre os vários pontos remotos de camping na costa do Parque dos Vulcões, logo concluí que ninguém estaria interessado em embarcar comigo nesta aventura. Estórias de escorpiões, formigas-fogo, baratas, centopéias e calor extremo eram os desafios que encontrei em diversos blogs sobre a trilha, apesar dos mais recentes serem de 2010 ou antes. Desanimariam a maior parte dos aventureiros comuns a se adentrarem nestas áreas remotas do Parque. Entretanto, com apenas 5 semanas de férias entre a formatura e o início da minha residência médica, decidi que tentaria tirar da minha lista de desejos pelo menos alguns pontos de acampamento destas trilhas remotas.

Logística

Algumas das dificuldades logísticas que tive:

  • Achar alguém que me acompanhasse que tivesse tempo livre ou dinheiro suficiente para esta empreitada.
  • Achar alguém em boa forma física para carregar uma mochila de ~20kg por milhas e milhas de campos de lava.
  • Assegurar a autorização para mochilar pelo Parque por 3 dias, já que de acordo com o site do Parque, você só pode pagar pela autorização com UM dia de antecedência antes de começar a caminhar pela área remota. Levando em consideração que a gente teria que voar de Oahu para a Big Island só para assegurar a autorização (e talvez não consegui-la), isto poderia ser um problema.

Depois de convidar um monte de amigos, no final apenas uma alma corajosa se animou a me acompanhar nesta aventura: Maxine. Com alguém para me acompanhar, comecei então a encarar a logística: comprar as passagens aéreas, reservar o carro alugado, achar uma acomodação para ficar, e fazer uma lista de itens necessários para a aventura. Uma vez que esta logística estivesse finalizada, só sobraria esperar até a hora do vôo de Honolulu para Hilo.

Compra da Autorização de Camping

Cheguei um dia antes da Maxine na Big Island, para dirigir até o escritório de trilhas remotas (Backcountry) do Parque dos Vulcões e comprar a autorização. O super-prestativo ranger Greg foi muito atencioso, e me passou uma série de updates das quantidades de água potável durante a trilha, status dos banheiros e da trilha em si para cada um dos pontos de pernoite. Infelizmente, como ele me explicou, o sistema de coleta de água de um dos pontos, em Halape, estava quebrado, portanto sem opção de água potável naquele ponto, o que impediria a gente de pernoitar lá. Depois de um pouco de discussão, terminei reservando uma noite na Pepeiao Cabin, seguida de uma noite no abrigo de Ka’aha, e terceira e quarta noites em Keahou, já que Halape não era mais uma opção. Baseado no título deste post, vocês podem concluir que nós não chegamos a Keahou, e explicarei adiante por que não.

Um update muito importante do ranger Greg foi de que o Parque está reestruturando seu sistema de compra de autorização para acampar, mudando tudo para um sistema online. Eu já havia percebido a seguinte nota no site do Parque sobre compra de autorização:

“Autorizações devem ser obtidas com não mais que 24 horas de antecedência no escritório de Backcountry, aberto diariamente das 8:00-16:00h. Taxas de autorização podem ser pagas pessoalmente no escritório em cartão de crédito, cheque pessoal americano, dinheiro exato (não damos troco!), ou online pelo link pay.gov. Pagamentos feitos pelo pay.gov requerem a aquisição adiantada de um número de protocolo, feita através de ligação telefônica ou email para o escritório de Backcountry. Você entrará este número de protocolo no site do pay.gov na hora de comprar a autorização.”

De acordo com Greg, as autorizações podem ser compradas com até UMA SEMANA de antecedência do início da sua caminhada pelo Parque, na seguinte sequência: 1) ligar para o escritório (+1-808-985-6178); 2) pegar um número de protocolo para autorização de trilha diretamente com ele, ranger; 3) pagamento da autorização (US$10,00) na compra online; e 4) ligar de volta para o escritório confirmando o recebimento do pagamento. Esta opção teria me economizado ir com um dia de antecedência para Hilo. Enfim.

Dia 1 – De Hilina Pali até Pepeiao Cabin (7,7 km)

Primeira impressão da Cabana Pepeiao vista da trilha que corta o deserto de Ka’u.

Antes de começarmos a caminhada no Hilina Pali.

Na manhã seguinte peguei a Maxine no aeroporto internacional de Hilo, fizemos nosso ritual pré-caminhada com um brunch reforçado no Hawaiian Style Cafe, e seguimos para o Parque Nacional dos Vulcões para começar a caminhada. Paramos o carro no estacionamento do ponto cênico Hilina Pali e começamos a andar até a Pepeiao Cabin, por um pedaço da trilha desértica de Ka’u: 7,7 km, descendo 183 m de elevação, estimativa de 2 horas de descida de acordo com o ranger. Greg havia nos avisado que a trilha NÃO estava em boas condições de manutenção, e ele estava certo; apesar de alguns momentos de “Onde está a marcação da trilha?”, conseguimos chegar na Pepeiao Cabin em exatamente 2 horas.

Início da trilha. Estacionamos o carro aqui enquanto fazíamos a caminhada.

Como dito por outros blogs que achei online, a cabana era “rústica”, com duas camas de campanha cobertas por uma fina prancha de madeira e um tecido cobrindo as molas. Também havia uma mesa para preparar comida, uma estante de livros com o caderno de visitas da cabana, um extintor de incêndio, alguns livros randômicos deixados por visitantes anteriores, um chapéu e uma vassoura. A cabana tinha 5 janelas de vidro sem tela, sendo que 4 delas ainda abriam bem, além de uma porta de madeira que fechava direitinho. Apesar das janelas e porta funcionais, os infinitos buracos no telhado e nas paredes da cabana tornavam praticamente impossível que se impedisse que insetos e roedores entrassem na cabana. Depois de abrir a janela para arejar, nós varremos o chão, limpamos e rearranjamos as camas de campanha, de modo que nossa barraca pudesse caber dentro da cabana, caso ninguém mais aparecesse até o fim do dia. Fomos então explorar a área, achamos os (aparentemente) novos vasos sanitários de compostagem, e comemos boa parte dos muitos quilos de lichia que nos foi dado pelos Hamiltons.

Assim que a noite chegou, estava claro que ninguém apareceria por ali mais, então nós montamos nossa barraca REI 2 Man Dome dentro da cabana, o que ajudaria na proteção caso chovesse, já que os buracos do teto de metal com certeza não protegeriam. Usamos um pequeno fogão de propano para ferver água e dividir uma refeição desidratada da Blue Mountain de strogonof de carne, e comemos mais lichia de sobremesa. No geral, a noite na cabana foi um pouco fria, apesar de ser maio (primavera), e nenhum grande problema apareceu durante a noite.

PRÓS DE PEPEIAO

  • Um tanque de 10.000 galões de água coletada da chuva, que estava bem cheio;
  • 2 horas de caminhada relativamente fácil;
  • Ponto de acampamento escondido, sem ninguém ao redor;
  • Ter uma cabana para montar a barraca dentro da mesma (caso ninguém aparecesse);
  • Novos vasos sanitários de compostagem.

Cabana Pepeiao.

CONTRAS DE PEPEIAO

  • A água do galão de coleta da chuva tinha um cheiro péssimo, de esgoto, mas era potável;
  •  A torneira estava entupida, porque tinha muita terra dentro do encanamento, o que, de acordo com o ranger Greg, explicava porque apenas um filete de água saia;
  • Toneladas de formigas-fogo por todos os lados ao redor da cabana, algumas dentro da cabana, e elas começavam a subir em qualquer coisa que aparecesse por ali;
  • Vimos UM camundongo que não deu problema durante a noite.

Banheiro de compostagem na Cabana Pepeiao.

Sistema de coleta de água da chuva na Cabana Pepeiao.

Tanque de coleta de água.

Cama de campanha da Cabana Pepeiao.

Estante de livros com coisas randômicas dentro da cabana.

 

 

Vista lateral da janela da Cabana Pepeiao com os diversos buracos no teto de zinco.

Muitas ohias ao redor da cabana.

Dia 2 – Da Pepeiao Cabin até Ka’aha (9,7 km)

Cabana Pepeiao está em algum lugar no topo desta imagem para o lado direito. A trilha desce por este caminho da lava. A vista do mar acompanha esta trilha pela costa até Ka’aha.

De acordo com o site do Parque Nacional dos Vulcões, a caminhada da Pepeiao Cabin até Ka’aha, chamada trilha de Ka’aha, é de 9,7km, em descida de 512m de altitude, com estimativa de 3 horas para ser feita. Nós começamos a caminhada às 9:00 depois de dar acordarmos com calma, limparmos tudo e dar uma espiada nos arredores da cabana. Descendo pelo lado sul do Hilina Pali na direção do oceano, a vista é muito bonita. De novo, a trilha per se é sem muitos atrativos além da chavão busca pela sua marcação. Chegamos mais ou menos às 10:00 da manhã perto da costa, quando o calor extremo começou a incomodar, e nós dois nos sentimos gratos por estarmos com chapéus, camisetas de manga comprida e calça. Chegamos em Ka’aha em 2 horas e 45 minutos, menos que o tempo estimado, e de novo ficamos felizes de não encontrar ninguém no acampamento. Depois de almoçarmos, bebemos mais água e fomos explorar a costa numa caminhada curta de 10 minutos do abrigo de Ka’aha. Embora nós dois tivéssemos roupas de praia para Keahou, o fato de não haver fonte de água doce ali e os muitos quilômetros de trilha que separavam a gente da água doce no abrigo fez com que decidimos não nadar em Ka’aha. Durante a caminhada pela costa, nós vimos muitos peixes nas piscininhas, além de lixo marinho acima da marca da maré, e curtimos o visual daquela costa.

Vista da Trilha de Ka’aha nesta direção à medida que descemos da Cabana Pepeiao em direção à costa.

Um dos melhores ahu que encontramos pelo caminho.

Como é a maior parte da trilha de Ka’aha.

Fomos recebidos por um arco de lava na costa onde a trilha começa a rumar para a costa de Ka’aha.

Muito lixo de deriva na praia de Ka’aha.

A areia preta na prainha em Ka’aha.

Olhando para trás de Ka’aha, a partir da prainha.

Depois de explorarmos a praia, fomos verificar as possibilidades de banheiro do abrigo: o mais próximo (e mais antigo) não tinha porta, o que o tornava inutilizável. O segundo era depois de uma escadaria e parecia relativamente novo. Infelizmente, não havia nenhum tipo de material absorvente de cheiro nos banheiros, exceto um bizarro saco plástico lotade de tampões. O abrigo de Ka’aha também parecia novo, com varios pregos para pendurar coisas para secar, uma mesa para cozinhar no canto direito, e uma caixa com o caderno de visitas do acampamento.

Abrigo de Ka’aha só com nossa barraca já que ninguém mais apareceu para acampar ali.

Tanque de coleta de água no abrigo de Ka’aha.

Banheiro antigo de compostagem sem porta.

O novo banheiro de compostagem, muito melhor.

Esperamos até de tardinha antes de montarmos nossa barraca no abrigo, sem necessidade de ajeitar o abrigo de chuva, já que ninguém mais apareceu no acampamento. Já estávamos a 24h sem ver ninguém, e um dos motivos pelo qual decidimos fazer esta caminhada na área remota do Parque dos Vulcões, e felizmente nenhum dos abrigos tinha outra pessoa. Nosso segundo jantar foi outra refeição desidratada Blue Mountain de macarrão apimentado, e sobremesa foram balas. Embora eu esperasse tirar algumas fotos em longa exposição das estrelas ao longo da costa, a noite ficou nublada e não deu pra ver as estrelas. Assim que o sol se pôs, o que era até então um agradável dia de caminhada para a gente se tornou um pesadelo para Maxine, pois inúmeras baratas começaram a aparecer pelos buracos da parede do abrigo e ao redor da nossa barraca. Eu não sabia que Maxine tinha fobia de baratas, e a quantidade gigantesca delas ali estragaram a noite em Ka’aha. Para mim, eu dormi tranquilamente como sempre faço em viagens de acampamento.

PRÓS DO ABRIGO DE KA’AHA

  • Um tanque de 10.000 galões de água coletada da chuva, relativamente novo, e sem cheiro ruim, assim como uma torneira desentupida;
  • Abrigo e banheiro relativamente novos;
  • De acordo com o caderno de visitas, um excelente ponto de pesca na praia da Pedra Preta logo em frente do abrigo.

CONTRAS DO ABRIGO DE KA’AHA

  • Nenhum material para absorver o cheiro no banheiro;
  • Banheiro antigo sem porta;
  • Toneladas de baratas no abrigo.

Vista da trilha de Ka’aha perto da costa.

MUITAS conchas de opihi [um gastrópode havaiano] perto da área de acampamento. Razão provável para a imensa quantidade de baratas ali.

Vista do abrigo de Ka’aha na direção de Halape ao amanhecer.

O Dilema & A Caminhada de Volta ao Hilina Pali

Baseado na autorização de trilha que comprei, naquele momento nós precisávamos caminhar 12,4 km até Kaehou para as próximas duas noites de acampamento. Depois de muita discussão sobre a quantidade de insetos nos dois acampamentos por onde passamos e sobre a subida de 15,6 km de Keahou de volta ao nosso carro no Hilina Pali, decidimos voltar pelo caminho que já tínhamos percorrido até o carro. Chegamos à conclusão que uma próxima viagem para Halape/Keahou seria mais indicada no futuro, quando o sistema de coleta de água de Halape estivesse instalado e funcionando.

Embora a gente tenha planejado subir de volta pela encosta do Hilina Pali, não imaginávamos o quão difícil seria…

Baseado em nosso mapa, o caminho de volta de Ka’aha até o carro no Hilina Pali seria de 6,1 km subindo do nível do mar até 690 metros de altitude, levando aproximadamente 2 horas (de acordo com o mapa de descida). Sinceramente, esta subida nos massacrou. Não sei se foi a falta de resistência física, ou as nossas mochilas pesadas ainda cheias de comida para mais duas noites, as diversas vezes em que perdemos a marcação da trilha, ou a subida tão íngreme. No final, levamos 2h e 25 minutos para subir de volta até o cume do Hilina Pali. A trilha foi marcada pela falta de marcações da costa até a base do Hilina, e de lá seguimos as indicações para o cume. Nós nos perdemos na subida e terminamos passando uns bons 10 minutos escalando o morro, numa situação nada ideal, mas no final conseguimos reencontrar a trilha, felizmente. Também encontramos os primeiros andarilhos enquanto subíamos, um casal que nos informou que faltavam cerca de 2/3 do nosso caminho pra cima (nós pensávamos que estávamos mais alto?!?!). O único problema na subida foi uma cãibra na coxa esquerda que me deixou mancando. No geral, uma subida extremamente extenuante que nos deixou super-aliviados ao chegarmos ao topo, no ponto cênico do Hilina Pali, onde pudemos finalmente tirar nossas mochilas das costas, beber mais água que estava no carro e relaxar.

De alguma forma andamos todo o terreno mostrado nesta foto, do distante final do Hilina Pali até a parte debaixo da Cabana Pepeiao, pela costa de Ka’aha no canto esquerdo, e subindo de novo pelo Hilina Pali.

Trilha de Ka’aha vista da Pepeiao Cabin à distância.

A marcação da trilha está escondida em algum lugar desta foto…

Subida brutal.

Olha a inclinação…

Olhando do ponto cênico do Hilina Pali para o que agora sabemos ser Ka’aha à distância. É incrível que daqui a gente não consegue ver nada do enorme platô de lava que percorremos nestes dias.

Foto de fim de trilha depois de termos sobrevivido à subida brutal da encosta do Hilina Pali.

No exato momento da publicação desta Sexta Sub, estarei em trânsito em algum ponto do hemisfério norte, rumo a mais um destino novo em minha listinha. É uma viagem a trabalho, para 0 congresso Selenium 2017 – que tem a melhor URL ever para selenonerds como eu. Apresentarei um poster. Depois  esticarei por uma semaninha para visitar amigos queridos.

Descobertas

Como este é um congresso extremamente importante para a minha área de estudo, serão novas descobertas. Estou animadíssima pela oportunidade de aprendizado enorme que se aproxima. Como perguntadeira profissional, esta saudável inquietude do conhecimento científico é dos sentimentos mais gratificantes que a gente tem durante a carreira profissional. É como se me fosse dada uma lanterna, para que eu investigasse melhor as questões a que me proponho.

Todo esse palavreado pra dizer que: estou empolgada.

Que venha Estocolmo! (E sem nenhuma síndrome prisioneira, por favor…)

Tudo de bom Sempre.

No início de julho, estivemos na África do Sul, e um dos pontos que visitamos foi o Parque Nacional do Kruger, mundialmente famoso por seus safaris. Afinal, a oportunidade de ver tantos bichos em um safari de uma vez só era imperdível para um casal de biólogos. Mais: era a época da seca, considerado o melhor período do ano para visitar o parque. Nosso objetivo maior era ver o maior número possível de bichos, se possível mostrando um comportamento interessante.

A savana africana – numa foto praticamente de livro didático.

Entretanto, este trecho da viagem não tivemos muito tempo para planejar – porque o foco era, a priori, marinho. De modo que quando comecei a procurar por acomodações no Kruger, algumas das melhores possibilidades já estavam esgotadas.

Por exemplo, nosso primeiro pensamento foi ficar dentro do Kruger, em algum dos acampamentos que lá existem. O parque é enorme, imaginei que não faltaria espaço, né? Pois: não, ledo engano… Quando procurei online por um quarto ou vaga de acampamento, a fila de espera era de meses. Ou seja, tive que desencanar e passar pra outra.

Abri a porta do quarto e dei de cara com este moço impala.

Felizmente naquela área da África do Sul há uma infinidade de opções de reservas particulares dedicadas a turismo de safari, para todos os gostos e bolsos. O que é bom e ruim ao mesmo tempo: há muitas opções, mas é difícil escolher. Na maioria dos fóruns que consultei sobre acomodações, as pessoas listavam suas particularidades em termos de qualidade dos quartos, da alimentação ou do serviço dos guias – o que faz sentido, são três fatores importantes para uma boa estadia no Kruger.

Vista da janela do quarto ao amanhecer. Para esquecer da vida mesmo…

Mas foi nesse momento também, depois de passar fazer meu dever de casa e totalmente perdida com tantas opções, que a luzinha de bióloga acendeu: e se eu olhasse para esta escolha com os olhos do comportamento animal? Meus pressupostos: 1) Íamos na época seca; 2) Época em que os bichos se agregam mais pela falta de água; 3) Na seca, os únicos pontos de água são rios e lagos perenes; e 4) Todo mundo precisa beber água.

Elementar, meu caro Attenborough! Vamos ficar perto de um lugar que tenha MUITA água. Assim, do hotel mesmo poderemos ver os animais em busca de saciarem sua sede. Talvez fosse ingenuidade – era minha primeira vez num safari, vai que todos os hotéis têm esta oportunidade de bicho anyway

Enfim. De qualquer forma, comecei a procurar não o hotel com quarto assim ou assado, nem com passeios x ou y, e sim que tivesse uma fonte de água constante por perto.

Olhando pelo Google Maps, selecionei uns 5 lodges que pareciam bem interessantes, todos à beira-rio. Destes cinco, dois eram ultra-super-caros; descartamos, estava fora do nosso orçamento. Sobraram três; contactei-os, e todos responderam rapidamente. Um não tinha mais vagas. Sobraram dois. Destes dois, um era uma reserva particular fronteiriça com o Kruger na sua parte mais ao sul – mas a “cerca” da fronteira era natural, o rio Crocodile (a única cerca da propriedade é ao redor da edificação do hotel em si, para evitar que os animais maiores se adentrem nos quartos). Ou seja, os animais do parque transitavam livremente por ali também. Foi o que escolhemos: Mjejane River Lodge.

A escolha se mostrou biologicamente acertada. Este lodge não é chique nem cheio de frufru. O preço é intermediário e as acomodações idem. A comida é honesta. O serviço é prestativo, mas nada de outro mundo. Wifi só no lobby, com conexão capenga (para desconectar do mundo mesmo, e focar só no ~espetáculo da natureza~ que o rio proporcionava). Os guias são bons – eu particularmente adorei o nosso.

Jantar ao redor da fogueira.

Em uma das noites, o jantar foi ao redor de uma fogueira, e eu curti bem estar ao ar livre à noite sabendo que tantos bichos estavam ao nosso redor. Achei simpático – e mais clima de safari mesmo.

E os bichos… aaaaaaah!!!

Do gramadão a gente escaneia o rio para ver os animais.

Nos três dias em que ficamos lá, almoçamos sentados no gramado à beira-rio, observando os hipopótamos na água, os crocodilos tramando emboscada para cima dos kudus, a leoa e seus filhotes foférrimos sentadinhos na sombra perto do rio, elefantes bebendo água e até um rinoceronte apareceu de gaiato bem na frente da piscina do lodge.

Vimos todos os big five – em uma tarde (e mais um monte de outros bichos…). De manhãzinha, enquanto tomávamos café da manhã, os macacos baboons e uma infinidade de pássaros faziam sua algazarra matinal na árvore da piscina. Um paraíso zoológico muito especial.

Me apaixonei pelo hipopótamo.

De manhã, o lodge organiza um safari para a parte sul do Kruger, pois o Mjejane fica entre os portões Malelane e Krokodilburg, já quase na fronteira com Moçambique. À noite, os game drives eram apenas dentro da reserva particular – mas, de novo, como a água estava ali, no período da seca os animais do Kruger se deslocam para a área para matar a sede. E ainda tinham um grupo enorme de morcegos paradinhos na árvore da entrada do hotel. Absolutamente incrível.

Morcegos! <3

Como escolhi um hotel de safari no Kruger

A vista das mesas do restaurante do hotel.

Escultura de madeira na entrada do lodge.

Ainda vou fazer um post sobre a experiência dos safaris em si, mas já deixo este post aqui com a dica do Mjejane como um hotel de safari ideal para quem vai na época seca e quer ter overdose de bichos a todo momento.

Tudo de bom sempre.

P.S.: Site oficial do Mjejane River Lodge. Este post tem patrocínio integral do Bolso-Malla. Não é #ad nem #ap.

Nesta semana, comentei aqui no blog sobre a foca-monge havaiana Rocky, que decidiu ter sua cria em plena Waikiki, sem dar a mínima bola pros turistas de plantão ali.

Embora a mais famosa, esta felizmente não é a única foca-monge do Havaí.

Foca-monge de Niihau

Apresento pra vocês na Sexta Sub uma outra foca-monge havaiana (Neomonachus schauinslandi) que é das minhas prediletas entre as que já vi, e que faz sucesso na ilha de Niihau, perto do Kauai. Niihau é bem menos visitada que todas as demais ilhas havaianas – na realidade, a gente não pode atracar lá porque a ilha é particular e só se permitem passeios por sua costa.

Entretanto, no passeio de barco que existe para visitar Niihau, a gente faz snorkel ou mergulho em Lehua, uma ilhota próxima de Niihau que tem um paredão subaquático dos mais fenomenais do Havaí. A visibilidade na água é mais que sensacional, de muitas dezenas de metros. Várias focas costumam fazer de Lehua sua base, como a da foto acima.

Quando fomos a Lehua, esta foca ficou o tempo todo por perto enquanto snorkelávamos. Não  de forma ameaçadora, pelo contrário; parecia um misto de curiosa e na dela. Enfim, foi a primeira vez que vi uma foca-monge havaiana, animal criticamente ameaçado de extinção, embaixo d’água. Um momento especial, sem dúvida.

Tudo de bom sempre.

Postado em 04/08/2017 por em Havaí, Kauai, Niihau

BikiConfesso que eu ficava meio envergonhada quando as pessoas que vinham visitar o Havaí me perguntavam sobre transporte público – e emendavam perguntando sobre bicicleta para alugar ou compartilhada. Afinal, poucas cidades nos EUA têm condições tão ideais para andar de bicicleta quanto Honolulu: plana, com uma temperatura tropical amena na maior parte do ano, sem tanta poluição urbana e com um perímetro urbano não muito longo. No entanto, a cidade tinha uma hostilidade gritante a este tipo de transporte – até hoje, faixa de ciclista ainda é precária na maior parte das avenidas (mas a prefeitura está trabalhando para melhorar isso, o que é um bom sinal).

Pois esta vergonha alheia virou passado. Inaugurou no final de junho o Biki, programa de aluguel de bicicletas de Honolulu. Patrocinado pela prefeitura da cidade e pelo governo do estado, além de diversos parceiros da iniciativa privada e ONGs, o programa em um mês de existência já pode ser considerado um sucesso; com adesão de mais de 12.000 usuários, o sistema tem funcionado bem e as bicicletas azul-piscina agora pontuam a cidade.

Uma estação de biki foi instalada em frente ao prédio onde trabalho. Então fui fuçar como usa – é super-simples. O totem do biki não aceita dinheiro, só cartão de crédito, ou você pode pagar direto do celular, caso tenha uma conta no app deles.

Custa US$3,50 para andar 30 minutos na Biki – e para a maior parte das distâncias em Honolulu, este tempo é mais que suficiente. Como o sistema foi elaborado para afrouxar o trânsito em Honolulu, a Biki oferece também passes mensais de US$15,00 com direito a andar quantas vezes quiser no mês (a intervalos de 30 ou 60 minutos). Outra possibilidade é pagar por 300 minutos (US$20,00) e usá-los quando quiser – é o Free Spirit Pass (amei esse nome).

Uma vez pago, o totem te dá um código, que você insere em qualquer bicicleta que estiver no biki stop. Este código destranca a bicicleta e pronto!, pode sair andando. Para devolver a bicicleta, basta recolocá-la direitinho em qualquer biki stop. Cada biki stop tem um número facilmente localizável no mapa do biki app e do site, onde é possível checar quantas bicicletas estão disponíveis no stop mais perto de você.

Onde você insere o código para liberar a biki.

Os biki stops por enquanto vão de downtown Honolulu até Diamond Head – ou seja, ainda não dá pra ir até Hanauma Bay de bicicleta. Mas tomara que o sucesso anime a cidade a expandir o sistema. Mas acredito que a prioridade da prefeitura agora é criar faixas de ciclista – e a cidade tem expandido a malha ciclista a toque de caixa. Quem sabe depois, né?

Fica então a dica de transporte super-ecológico em Honolulu para quem quiser explorar os bairros da cidade – e ao mesmo tempo se manter em forma. Eu amei muito. E como está escrito nos biki stops… bike com aloha! 🙂

Tudo de Havaí saudável sempre.

Nestas últimas semanas, quem tem roubado o noticiário havaiano é Rocky, uma foca-monge fêmea que decidiu dar à luz em plena praia de Kaimana, no canto esquerdo de Waikiki, em frente ao hotel New Otani. Eu estava viajando e não acompanhei o ~evento midiático~ desde o início, mas parece que a pequena foquinha – que já foi batizada de Kaimana – nasceu na manhã do dia 29 de junho. Desde então, a mamãe Rocky tem tomado conta com nadadeiras e dentes da pequena Kaimana (que também é fêmea). A mãe não gosta que ninguém chegue muito perto da filhota, e como animal selvagem, pode atacar sem piedade quem ousa cruzar seu caminho nesse momento delicado da sua vida.

Como a praia de Kaimana é dos pedaços mais mansinhos de Waikiki e super-visitada por famílias com crianças, os voluntários do programa de proteção às focas-monges havaianas tiveram que montar acampamento 24 horas na praia, para proteger as duas focas de serem incomodadas pelos inúmeros turistas e moradores locais que agora frequentam ainda mais aquele pedaço. elo menos 20 metros de distância são necessários entre as pessoas e as focas, para que elas possam ficar tranquilas, sem se sentirem ameaçadas ou estressadas. Que a foca tenha escolhido uma área tão urbana para ter sua bebê, entretanto, dá um pouco de esperança pela sobrevivência da espécie.

Foca-monge de Waikiki

É fundamental que se observe a foca-monge a distância, sem chegar muito perto. E visitação humana tem sido non-stop.

Para quem está hospedado no hotel New Otani, uma oportunidade de ouro de ver da janela do quarto um animal criticamente ameaçado de extinção – só restam menos de 1300 focas-monges havaianas no planeta. Para quem não tem esta sorte, resta o livecam da foca que o Civil Beat colocou – e eu que já amo um livecam de bicho estou aqui grudada nele. Na maior parte do tempo, as duas ficam deitadas na areia, a mãe provavelmente ainda se recuperando do gasto energético que é ter um filho e amamentar. A filhota, enquanto isso, aprende os primeiros passos aquáticos de como se virar em seu novo oceano de oportunidades.

Em geral quando vemos duas focas-monges juntas é melhor sair de perto: ou é nascimento ou briga. Normalmente elas mantém uma distância razoável de suas companheiras de espécie.

As focas-monge são animais solitários (daí a origem do nome, porque vivem como “monges”),  raramente vistas em grupo. Uma das poucas ocasiões para se ver duas focas-monge juntas é quando a mãe dá a luz ao bebê-foca – e nesse caso, ambas ficam juntas por aproximadamente 7 semanas. Depois desse período de amamentação, a mãe foca-monge vai embora para se alimentar e o filhote se torna independente para viver sua vida como quiser sozinho ao redor do Havaí.

E quem sabe aparecer em outro ponto da praia em que nasceu. #TodosTorcem

Por enquanto, até meados de agosto, se você estiver por Oahu, não deixe de dar uma passadinha para ver Rocky e Kaimana, as rainhas deste verão em Waikiki.

Tudo de bom sempre.

Postado em 30/07/2017 por em Animais, Havaí, Oahu

Todo mundo sabe que neste blog toda semana é do tubarão, né? Sempre que possível, eu dou um jeitinho de fazê-los aparecerem aqui com todo seu irresistível appeal – e dentes.

Entretanto, estamos no finalzinho da Shark Week, uma semana especial onde se celebra este animal tão mal-entendido dos oceanos do mundo. Para celebrar o grupo, durante esta semana publiquei no facebook e no instagram fotos de tubarão, que deixo compiladas neste post.

Semana do Tubarão 2017

E que fique o mote (chavão) apropriado…

Live every week as shark week! 

(É o maior, nhac nhac nhac!) 😀

Tudo de tubarão sempre.

 

A primeira coisa que eu gosto de fazer assim que chego de uma viagem de férias (e depois de desempacotar as malas da Malla) é agradecer às pessoas que me ajudaram ou que de alguma forma contribuíram para que a viagem fosse bacana e tranquila, sem sobressaltos desnecessários. Em geral, mando email, mensagens ou uma carta à moda antiga para a pessoa/empresa em retribuição ao bom trabalho. E, claro, só faço se achei que o serviço foi bom mesmo.

E desde que eu mesma me tornei guia de turismo há alguns anos, tenho me esforçado para aprender com eles a aperfeiçoar cada vez mais meu próprio serviço. Nesta jornada, levo de cada um deles uma nova lição bacana.

Então desta vez, antes de começar a escrever posts sobre a viagem, roteiros, etc., resolvi abrir o espaço do blog para um agradecimento super-especial aos guias que tornaram minhas férias na África do Sul e Namíbia inesquecíveis. Porque acho que eles contribuíram exponencialmente com seu conhecimento, prontidão e generosidade para o sucesso desta viagem.

(Deixo aqui também o nome destes guias como dica especial para quem quiser montar sua viagem por estes dois países africanos. Procurem-os; garantia Malla de sucesso viajante e qualidade aventuresca. 😀 )

Na África do Sul:

Sharks, yeah!

  • Steve, da Shark Explorers em False Bay, que tornou nossa aventura com o tubarão branco muito mais divertida. Quem me indicou esta empresa foi um membro do Shark Lab aqui da Universidade do Havaí, indicação nota 10.

 

  • Trace, do The Heart of Cape Town, um museu pequenininho e fascinante da Cidade do Cabo, perfeito para quem é das biomédicas. A Trace tornou viva a história daquele momento na Medicina em minha cabeça com seu jeito de explicar super-envolvente, sensacional. Infelizmente, não consegui tirar uma foto com ela, porque assim que o tour terminou, ela desapareceu por conta de um problema no hospital. 🙁

Michael durante o jantar na casa do Hilton Schilder.

James apontando meu crime: champanhe no quarto vinhedo do dia. #CadêPinotage

  • James, da Wild West Coast, que nos deu uma aula minuciosa sobre vinhos sul-africanos regada a muito humor e descontração, pelos vinhedos estrelados de Stellenbosch e Franschoek – e por nos ter oferecido uma tábua de queijos que até hoje estou salivando.

Jama e esta Malla.

  • Jama, do tour pela Robben Island, ex-prisioneiro do local que trouxe uma vivência e proximidade à experiência política do Apartheid que foi dolorosamente humana (o lado negro da nossa “humanidade”), porém essencial, e o fez sem jamais perder a ternura.

Steve e Marco na chegada do barco, tentando trazer o mesmo para a praia – e as crianças só querendo farra… 😀

  • Steve, Marco e Bula, da African Dive Adventures, pela excelência como guias do Sardine Run em Coffee Bay, pela persistência e paciência com todos os equipamentos, condições do mar, etc. e pelo gerenciamento preciso da operação de mergulho.

Naza no penhasco do Baby Hole in The Wall.

  • Naza, do Ocean View Hotel, pelos insights da cultura Xhosa da região e pelo excelente passeio ao Hole-in-The-Wall na Wild Coast da África do Sul.

Dave checando todos os detalhes antes do vôo de ultraleve.

  • Dave, da Ballito Microlights, pela emoção de andar de ultra-leve pela primeira vez na vida – e me mostrar o quanto os tubarões são ainda mais lindos de cima… 🙂

December chegando do game drive da noite.

  • December, do Mjejane River Lodge, pela simpatia, prestatividade e monstruoso conhecimento da fauna e ecossistema sul-africanos da região do Kruger. E pelos papos deliciosos por todo o trajeto.

Na Namíbia:

Brave preparando a mesa do pôr-do-sol no deserto da Namíbia.

  • Brave Burk, do The Elegant Desert Lodge, pela dedicação (e cervejas locais) com que nos apresentou ao nosso primeiro – e inesquecível de lindo – pôr-do-sol na Namíbia em meio ao deserto;

Ray garantindo na faca o champanhe do café da manhã no deserto em Sossusvlei.

  • Ray, da Namib Sky Baloon Safaris, por contribuír para minha experiência única e de sonho de ver as dunas vermelhas do deserto da Namíbia do ar – minha primeira vez num balão! Ray e Eric (o dono da empresa) foram incrivelmente prestativos e animados, e ainda mostraram um lado da preocupação com a comunidade e a natureza única do local bem bacanas;

Jens e suas focas.

  • Jens, da Pelican Point Kayaking, por compartilhar sua visão de mundo sobre um lugar tão especial quanto o Pelican Point e sua imensa colônia de focas, além de facilitar as fotos da gente com estas fofuras;

Jacques e Andre, os guias mais sensacionais de Walvis Bay!

  • Jacques Koch e Andre, da Red Dune Safaris, por ser um guia tão inspirador, incrivelmente conhecedor de tudo sobre a Namíbia, e tão generoso em compartilhar detalhes biológicos do ecossistema que amei ouvir. Ele realmente se prepara para cada cliente que tem – é a excelência que mais de 20 anos como guia faz florescer… Altamente recomendado, um dos grandes guias de viagem que tive neste mundo.

<3 Sophie <3

E um agradecimento especial à Sophie, a cachorra do Ocean View Hotel em Coffee Bay, que, apesar de não nos guiar em nada, todos os dias nos dava atenção incondicional. 🙂

A todas estes profissionais que contribuíram para a realização de tantos sonhos, meu mais profundo MUITO OBRIGADA.

Tudo de bom sempre.

Acabei de voltar de uma viagem dos sonhos.

Parece chavão dizer isto, principalmente em tempos de limitados caracteres e oversharing. Ou exagero, já que tecnicamente a cada viagem estamos realizando pequenos sonhos. Mas é que não consigo achar outro termo melhor para classificar esta viagem que André e eu fizemos pela África do Sul e Namíbia, nas últimas semanas.

Porque foram diversos sonhos realizados. O nosso sonho comum de mergulhar com o tubarão branco – ou melhor falando, os tubarões brancos.

O sonho do André de fazer o Sardine Run.

O nosso sonho de ver os Big Five land animals em seu habitat natural.

Viagem dos sonhos

O meu sonho de 20 anos de conhecer as dunas vermelhas do deserto da Namíbia.

Todos estes eram sonhos muito altos na nossa listinha particular de desejos. E concentrá-los todos em uma só viagem foi complicado, mas conseguimos fazer – e tivemos que aprender na marra a lidar com uma inundação de emoções indescritíveis a cada segundo na estrada. Foi inesquecível.

(E – aviso aos navegantes – pode ser viciante. Muito cuidado ao lidar com sonhos…)

Entretanto, já estou de volta em casa. Desempacotando as malas da malla. Reconectando com a rotina nossa de cada dia. Mas algo mudou.

A conexão maravilhosa e tão próxima com o mundo natural que esta viagem proporcionou foi única, e ainda estou digerindo para tentar explicar a mim mesma. Semanas sem pensar nos problemas do mundo ou na treta do dia, apenas ouvindo e compartilhando histórias olho no olho, aprendendo um admirável mundo novo de informações e criando espaço na mente para sonhar mais e mais.

Aos poucos, contarei aqui as diferentes histórias e dicas desta viagem dos sonhos. Espero poder compartilhar no blog este sentimento nascente da maneira mais fiel possível, para quem sabe inspirar outros a também sonharem com este pedaço do mundo tão especial. Por enquanto, entretanto, ainda estou com o coração pulsando no ritmo dos tambores da África, tendo que aprender a lidar com este sentimento novo, de plenitude da alma. De felicidade pelos poros. De sonho realizado.

Tudo de bom sempre.

A semana mais tubaronística da TV começa no domingo, eeeeeeee!!!! E este ano, parece que a programação está bem melhor, sem as engambelações que (des)caracterizaram anos anteriores.

Shark Week is coming

Olhando o que vem por aí, a maior diversão parece que vai ser a “corrida” entre um tubarão branco e o nadador mais veloz do mundo, Michael Phelps – a ver…

De qualquer forma, já comprei minha pipoca – e os ingredientes para alguns shark attacks… E que venham os tubarões!!!

Tudo de Shark Week sempre.

 

Postado em 21/07/2017 por em Tubarões, TV
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